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Vamos fazer história juntos!
É um ramo de especialização da psicologia que nos permite avaliar e reabilitar as funções neuropsicológicas de um paciente.
O objetivo da neuropsicologia é atuar na promoção de uma melhor qualidade de vida, auxiliando na melhor inserção do indivíduo no seu contexto social.
O olhar clinico desenvolvido a partir dos atendimentos é fundamental, pois grande parte da atuação é voltada para diagnóstico.
Dominar o conhecimentos como: transtornos de aprendizagem, TDAH, TEA, TPAC, testes, funções neuropsicológicas, por exemplo, será imprescindível para o bom desempenho da função.
Esta ainda é uma área pouco conhecida, mesmo dentro da área da saúde, muitos pais enfrentam a dificuldade dos filhos sem saberem que existe esse recurso.
É também, uma especialidade de difícil acesso, a maioria dos convênios não cobre este tipo de atendimento e as avaliações particulares são caras.
Qual o papel do Neuropsicólogo?
Para atuar na área é necessário realizar o curso de especialização que tem em média duração de 2 a 3 anos, dependendo da instituição.
É necessário todo esse tempo pois será preciso ter domínio da administração dos testes e treino para levantar diagnósticos diferenciais.
O nosso cérebro é um emaranhado de conexões neurológicas que permitem a execução das nossas funções cerebrais.
Um ramo dessas funções, são as funções neuropsicológicas, que estão intimamente envolvidas com todo nosso processo de aprendizado e execução de comportamento.
Para compreender melhor o papel de cada função é importante compreender alguns mecanismos cerebrais. Por isso vamos estudar os lobos cerebrais.
Os lobos cerebrais estão localizados no córtex, a camada mais externa do cérebro, composto pela massa cinzenta, onde ocorre o processamento neural mais sofisticado.
O profissional irá realizar inicialmente uma avaliação neuropsicológica, para compreender quais são as dificuldades do paciente e posteriormente, pode, fazer o treino das funções comprometidas, ou seja a reabilitação neuropsicológica.
A maioria dos pacientes que buscam esta área são crianças, portanto é importante que o profissional se sinta a vontade com o atendimento deste público e que tenha desenvoltura para falar com os pais.
Funções Neuropsicológica
Possui 2 subdivisões, anterior e posterior.
A anterior é responsável pela recepção das sensações, é a parte somatossensorial.
A posterior processa as informações recebidas pela parte anterior e nos ajuda na localização tempo/espaço a partir das sensações.
Lobo Frontal
Responsável pelo planejamento das ações e movimento.
Abriga muitas características de personalidade.
Área de Broca: responsável pela parte mecânica da fala.
Funções Neuropsicológicas: atenção e funções executivas.
Lobo Parietal
Lobo Temporal
Responsável pelo gerenciamento da memória;
Abriga a área de Wernicke, responsável pela compreensão da linguagem;
Funções neuropsicológica: memória e linguagem.
Lobo Occipital
Responsável pelo processamento visual.
Funções Neuropsicológicas: visuoconstrução e visuopercepção.
Atenção
É a porta de entrada do cérebro, toda informação entra pela atenção ou pelas áreas sensórias.
Atenção Seletiva: capacidade de se concentrar (concentração).
Atenção Alternada: capacidade de alternar o foco de atenção de um estímulo para outro.
Atenção Dividida: capacidade de
dividir atenção em dois estímulos ou mais.
Memória
É a capacidade de compreender e se comunicar utilizando a linguagem falada e corporal.
Nomeação;
Repetição;
Gramática;
Fluência;
Compreensão.
Memória Imediata: armazenada numa média de 20s. Ex.: gravar um número para digitar no celular.
Memória de curto prazo: armazenamento médio de 1 minuto.
Ex.: uma receita nova.
Memória de longo prazo: armazenamento maior que 20 minutos.
Memória operacional: memória de curto prazo utilizada nas operações matemáticas e lógica.
É a capacidade de reter, armazenar e evocar uma informação.
Linguagem
É a capacidade de percepção e construção visual. Ex: perceber o espaço,ser capaz de se organizar no espaço e se colocar no espaço.
As duas funções se complementam, sendo que uma nos permite perceber visualmente o meio e a outra nos permite construir mentalmente imagens e locais.
Visuopercepção e Visuoconstrução
É uma avaliação que utiliza testes normatizados para avaliar as funções neuropsicológicas de uma pessoa. Utiliza-se as normas de correção para parametrizar tais funções, se estão na média (ou abaixo/acima dela) identificando qual o grau de dificuldade numa determinada função.
Apenas o psicólogo pode se especializar nesta área, pois a aplicação destes testes é restrito ao profissional desta área.
Este tipo de avaliação exige uma média de 7 sessões para ser realizada, que podem ser organizadas da seguinte maneira:
1 sessão: Entrevista com os pais (pode ser feita em mais de uma sessão se o profissional achar necessário). Caso o paciente seja adulto, a primeira sessão é uma sessão de anamnese com ele, para entender o histórico e a queixa/necessidade.
2 sessão: Com a criança/adolescente. Essa deve ser uma sessão explicativa e também de anamnese com a própria criança/adolescente, pois ainda que seja uma avaliação é importante estabelecer um vínculo de confiança para as sessões que seguirão. No caso do adulto pode-se iniciar a aplicação dos testes.
Funções executivas
Velocidade do processamento.
Pensamento.
Controle inibitório.
Planejamento e organização.
Flexibilidade mental.
Calculo (memória operacional)
São as funções mais aprimoradas do cérebro. Nos permite ser funcional dentro de um meio social.
Avaliação Neuropsicológica?
A quantidade de sessões utilizadas vai depender da velocidade de cada pessoa para realizar os testes.
Assim como num atendimento de psicoterapia a aplicação dos testes exige que adequemos nossa linguagem para cada pessoa que estamos atendendo.
Ser avaliado é desconfortável para a grande maioria das pessoas, por isso levar a avaliação com leveza e empatia é fundamental para que a pessoa consiga ficar a vontade e ter seu melhor desempenho.
A entrevista inicial (anamnese) é de extrema importância, pois a partir dela já é possível levantar uma hipótese diagnóstica e selecionar testes que colaborem melhor para fazer uma avaliação concisa e objetiva.
Este tipo de avaliação serve para o levantamento ou fechamento de diagnóstico diferencial, ou seja, compreender a fundo a dinâmica neuropsicológica de um paciente e como ela se estrutura dentro de um possível transtorno.
Uma pessoa com TDAH, por exemplo, não é igual a outra, um autista, nunca será igual ao outro, por isso que com a avaliação neuropsicológica temos o objetivo de dar um diagnóstico diferencial, pois essa “diferença” será muito relevante na vida de uma pessoa.
3, 4, 5 e 6 sessão: aplicação dos testes.
7 sessão: Devolutiva. No caso das crianças e adolescentes ela deve ser feita inicialmente aos pais e depois para a criança /adolescente (a sessão pode ter o tempo dividido ou pode ser feito em duas sessões). No caso do adulto deve-se fazer a sessão com ele.
A partir do resultado de uma avaliação é possível trabalhar de forma mais assertiva para a melhora das dificuldades dessa pessoa, melhorando assim seu desempenho no meio que está inserido.
Portanto, o objetivo de um neuropsicólogo é ser uma ferramenta para facilitar o desempenho e inserção social do paciente.
Uma criança com dificuldades escolares, por conta de um transtorno, um adolescente com dificuldades de adaptação social, um jovem adulto que não consegue ser aprovado num processo seletivo, por dificuldades atencionais, um idoso com dificuldades de memória que o fazem perder sua autonomia, são exemplos de problemas onde a neuropsicologia pode ser útil. Todas essas dificuldades podem trazer intenso sofrimento e muitas vezes apenas um processo de psicoterapia não será suficiente para resolver essas questões.
O profissional da neuropsicologia irá sempre trabalhar em conjunto com outros profissionais. É muito comum que a solicitação de uma avaliação venha de um médico (neuropediatra ou um neurologista) ou também da escola. Pode vir de um outro profissional da saúde, como o fonoaudiólogo, o psicólogo, o psicopedagogo.
Trabalhar com a interdisciplinariedade será recorrente nesta área, portanto, o cuidado com a elaboração de um relatório após uma avaliação é importante para que os outros profissionais que atuam junto no caso possam compreender seus apontamentos.
Uma avaliação é composta por uma bateria de testes.
Hoje temos uma série de testes para avaliar cada função, uma relação dos testes aprovados e em vigor pode ser encontrada no site do CPF, como testes favoráveis para uso (https://satepsi.cfp.org.br/testesFavoraveis.cfm).
Cada avaliação será adequada a idade que você está avaliando, pois existem testes diferentes para cada faixa etária, mas tem domínios que precisam ser avaliados em todos os casos.
São eles: atenção, memória, linguagem, visuoconstrução e visuopercepção, funções executivas, cognição global, personalidade e humor.
Você deve utilizar mais de um teste para avaliar cada função e assim ter uma medida confiável.
Também é possível utilizar recursos que vão te dar dados qualitativos para sua avaliação (os testes validados te darão dados quantitativos), esses recursos podem ser jogos, brincadeiras, tarefas, ditado, desenhos livres, e até mesmo testes que não são validados no Brasil.
Avaliando Atenção
A atenção deve ser muito bem avaliada pois ela é base para todas as outras funções. Déficits de atenção irão acarretar outras dificuldades, como memória e funções executivas.
É importante avaliar os 3 tipos de atenção, a concentrada (seletiva), alternada e dividia, pois cada uma terá reflexo em uma gama de atividades do indivíduo.
Testes utilizados para atenção são o BPA, Teste AC Bateria de Rotas de Atenção, Cancelamento de Sinos, Coleção de Testes de Atenção.
Em todo jogo ou brincadeira que você é possível observar a atenção. Por exemplo, numa simples explicação sobre um jogo, no discurso do adulto, olhando o caderno de matérias de um adolescente. Essas tarefas não te darão informações quantitativas a respeito da atenção, mas
Avaliando Memória
A linguagem pode ser verbal e não verbal.
Pessoas que se enquadram no Transtorno do Espectro Autista, por exemplo, podem ter uma linguagem verbal bem elaborada, mas muita dificuldade na linguagem não verbal.
Ouvir o discurso do paciente é uma maneira excelente de avaliar a linguagem de forma qualitativa. A frase tem começo, meio e fim? A pessoa consegue voltar a uma ideia central, após uma intervenção? Qual o conteúdo do discurso?
Os testes para avaliar linguagem são Wisc-IV, Neupsilin, que tem subtestes de linguagem.
Não temos nenhum teste favorável atualmente que seja especifico para linguagem. Temos o Boston, mas não e um teste validado para a população brasileira.
A memória também tem vários domínios e é importante avaliar todos eles.
Se a pessoa vem com uma queixa de memória é importante avaliar bem a atenção, muitos problemas que aparecem como memória são na verdade déficits atencionais.
Aqui além dos testes é possível utilizar jogos da memória, contação de histórias e relatos de fatos vividos.
Os testes favoráveis são RAVLT, Figuras Complexas de Rey, Memória de Faces.
Avaliando Linguagem
Avaliando Cognição Global
A cognição global é avaliada por testes que te dão um resultado de QI.
QI é o quoeficiente de inteligência, ou seja, o nível de inteligência de uma pessoa.
Entender o QI de uma pessoa é fundamental dentro de uma avaliação neuropsicológica, pois isso nos diz da reserva cognitiva da pessoa, ou seja, qual a capacidade de reorganização neuropsicológica.
O QI é classificado da seguinte maneira:
Uma pessoa com QI limítrofe ou inferior terá muito mais dificuldade de recuperar o pleno funcionamento de suas funções num processo de reabilitação, enquanto que alguém com QI superior pode facilmente compensar certas dificuldades com outras habilidades.
Entender o QI facilita para uma melhor elaboração de plano de trabalho com aquela pessoa, e até mesmo na adequação de linguagem que deverá ser utilizada para uma melhor compreensão.
Aqui temos outro ponto fundamental. A avaliação do humor pode influenciar todo o resultado de uma avaliação.
Se uma pessoa está deprimida, suas funções neuropsicológicas estarão rebaixadas e a maioria dos testes terá seu resultado alterado.
Um humor deprimido faz com que a atenção da pessoa esteja voltada para seus próprios pensamentos e devaneios, e como já estudamos, a atenção é a porta de entrada de todas as informações, se esta porta estiver fechada, nenhuma informação nova será assimilada.
Por isso, avaliar o humor da pessoa é tão importante, se não for feito, você corre o risco de encontrar uma série de déficits, onde o que ocorre na verdade é uma depressão, e que sendo tratada, reabilita as funções rebaixadas.
Avaliar a personalidade do paciente também é muito esclarecedor e imprescindível dentro de um diagnóstico diferencial.
Compreender a dinâmica psíquica desta pessoa vai colaborar na compreensão do caso de maneira geral e também facilitar um tratamento adequado na fase de reabilitação.
As características de personalidade podem ser avaliadas pelo olhar clínico treinado e não necessariamente precisa ser utilizado um teste para isso.
Alguns testes para avaliação da cognição global são o WISC- IV, TIG-NV, R1, R2, Matrizes Avançadas de Raven, Matrizes Progressivas Coloridas de Raven.
Avaliando Personalidade e Humor
Como já visto na aula anterior as funções executivas englobam uma série de fatores que permitem a execução de tarefas refinadas como velocidade do processamento, controle inibitório, planejamento e organização e flexibilidade metal.
Uma pessoa com dificuldades executivas tem problemas na execução correta de suas tarefas, que podem aparecer como lentidão, grande número de erros, esquecimentos, discurso incompreensível, rigidez, comportamento impulsivo, entre outros. São questões que, de acordo com o grau, podem fazer com que uma pessoa seja disfuncional.
É um grande desafio avaliar a função executiva, por se tratar de áreas tão refinadas, é difícil termos testes que tenham tamanha sensibilidade.
Podemos utilizar de outros testes, para observar qualitativamente alguns aspectos das funções executivas, como por exemplo, observar o controle inibitório no desempenho de um teste de atenção.
Os testes favoráveis que temos para avaliar as funções executivas são o Teste do Relógio, o Teste de Winsconsin e o D2.
Podemos utilizar a Torre de Hanói como avaliação qualitativa.
Os testes de humor são em sua maioria escalas e questionários, como A Escala Baptista de Depressão, Escala de Pensamento Depressivos, Escala de Estresse para Adolescentes, Inventário de Depressão de Beck.
Os testes de personalidade são o HTP, As pirâmides de Pfister, Bateria Fatorial de Personalidade, Rorschach C
Avaliando Função Executiva
Fazer uma avaliação é um processo trabalhoso, e após feita tem a etapa de correção dos testes e elaboração do relatório.
Os testes podem ser reaplicados num intervalo de 6 meses.
Reavaliações devem ser feitas após um processo de reabilitação, para avaliar os ganhos obtidos com o processo.
Avaliando Visuoconstrução e Visuopercepção
Reabilitação Neuropsicológica?
Esses dois processos estão relacionados com a nossa percepção visual, portanto, todo teste que utilize esse recurso pode ser utilizado para avaliar qualitativamente essas duas funções.
Jogos e tarefas que proponham organização e construção espacial, são válidos também para somar nesta parte da avaliação.
Testes como o Desenho do Relógio, Cancelamento de Sinos, Desenho da Figura Humana, Trilhas Coloridas, Teste de 5 dígitos e Bender podem ser utilizados para avaliação dessas funções.
Considerações
É uma estimulação das funções neuropsicológicas, focando nas funções comprometidas, mas com o intuito de trabalhar a parte neuropsicológica de maneira geral.
Tem por objetivo a melhora dessas funções de maneira de favoreça a qualidade de vida, bem estar e inserção social.
O processo de reabilitação pode ser feito por outros profissionais além do neuropsicólogo, como o psicopedagogo e o terapeuta ocupacional, desde que esses tenham formação para tal.
Aqui estamos falando de um tratamento,que não terá um número fechado de sessões como a avaliação. O ideal é que se faça no mínimo 6 meses de estimulação e posteriormente se faça uma reavaliação.
Para que se faça um bom trabalho de reabilitação é necessário que o paciente tenha feito uma avaliação anterior, pois precisamos do relatório para compreender quais funções precisam ser trabalhadas e para que se possa montar o plano de reabilitação.
Você mesmo pode ter feito a avaliação ou o paciente ter feito com outro profissional, se esse for o caso, você pode entrar em contato com esse profissional para alinhar informações e tirar dúvidas.
Como fazer a Reabilitação Neuropsicológica?
Aqui a primeira sessão também será de coleta de informações, você pode solicitar que o paciente envie o relatório previamente para que você estude e já vá para a primeira sessão com alguns questionamentos.
É sempre importante compreender qual é a dificuldade que aqueles comprometimentos acarretam no dia a dia daquele paciente, independente da faixa etária.
Após a primeira sessão você irá montar o plano de reabilitação, que consiste em identificar, pelo relatório, as funções comprometidas e também as mais desenvolvidas.
É importante identificar quais são as aptidões desse paciente, pois usar o que ele gosta e faz bem, será um bom caminho pra trabalhar o que ele tem mais dificuldade.
No caso de adultos, você pode explicar a ele como será o processo de reabilitação no fim da primeira sessão ou no inicio da segunda.
Após a explicação, se iniciam as tarefas.
Para crianças damos a orientação aos pais e depois para a criança.
É muito importante que a pessoa entenda qual a função da reabilitação.
Reabilitação não é psicoterapia, mas psicoterapia pode ser uma forma de reabilitação.
Vamos estudar como estruturar uma sessão de reabilitação.
Vamos considerar uma sessão de 50 minutos e dividi-la em 3 etapas.
1 etapa – 10 minutos iniciais.
2 etapa – 30 minutos
Tarefa de nível fácil, com temas que sejam de interesse do paciente e que trabalhem funções que não esteja com grande comprometimento.
Tarefa de nível difícil, que trabalhe as funções comprometidas.
3 etapa – 10 minutos finais
Tarefa de nível médio, que seja um desafio possível e possa dar motivação. Também é interessante finalizar com exercícios de relaxamento e respiratórios.
Como fazer a Reabilitação Neuropsicológica?
Como selecionar as tarefas?
Devemos selecionar as tarefa de acordo com a necessidade e conhecimento do paciente.
Podemos utilizar jogos, brincadeiras, tarefas, atividades e até mesmo alguns testes.
Na grande maioria das vezes o paciente tem mais de uma função comprometida e os jogos também são capazes de trabalhar mais de uma função por vez, por isso, adequar cada jogo a necessidade do trabalho será fundamental.
Um paciente de 10 anos tem comprometimentos nas funções de atenção e de função executiva, principalmente controle inibitório e tem bastante facilidade com organização visual, gosta de desenhar, tem ótima visuoconstrução e visuopercepção.
Para as tarefas de nível fácil posso usar “jogos” que trabalhem e envolvam percepção visual e desenho, como quebra cabeças e desenho dirigidos.
Para as tarefas de nível difícil, usar “jogos” que trabalhem a atenção e controle inibitório, como gênios, bopit, UNO, rouba monte, lince.
Exemplo.
Como já falamos anteriormente a atenção é uma das funções mais importantes do nosso sistema neuropsicológico e é importante que sempre seja trabalhada em todas as sessões.
A grande maioria dos pacientes virá com alguma alteração atencional. E também a maioria dos jogos tem a exigência da atenção, o que facilita a estimulação constante dessa função.
Lince Bopit Gênios Xadrez Damas
Jogo dos 7 erros Batalha naval.
Para as tarefas de nível médio usar tarefas de continuidade, montar um quadro com os desenho dentro de uma mesma linha de raciocínio, um pôster, uma pasta de desenho, uma caixa de material para desenho.
Jogos para trabalhar atenção
Jogos para trabalhar Memória
Jogo da memória Perfil
Sudoku Xadrez.
Jogos para trabalhar Linguagem
Quebra cabeça Jogo da memória Dama
Xadrez
Jogos da tabuleiro Sudoku
Caça palavras Dominó Cilada.
Ditado
Estórias (ler, escrever, desenhar) Encenação teatral
Estórias com bonecos Cruzadinha
Rimas Paródias Mímica.
Jogos para trabalhar Visuoconstrução e Visuopercepção
Jenga Pula pirata Jogo da vida Banco imobiliário Amarelinha Vivo ou morto Imitação UNO
Jogos para trabalhar Funções Executivas
Jogos de cartas Rouba monte WAR
Música Bopit Cilada.
Orientações
É fundamental que o paciente entenda porque estamos utilizando aquele jogo, explicar quais funções estão envolvidas e como elas serão estimuladas fará grande diferença na evolução do processo.
Fazer correlações do jogo com situações do dia a dia, explicando que são as mesmas funções utilizadas fará o paciente entender a seriedade do trabalho, e que não se trata de ir ao consultório para brincar.
A estimulação, por meio do processo de reabilitação, possibilita que aquela função com comprometimento seja treinada, e como qualquer parte do corpo, quando treinada ela melhora seu desempenho.
O melhor desempenho destas funções levará a mais facilidade para realização de tarefas, mais autonomia, elevação da auto- estima, melhor qualidade de vida e inserção social.
Esposa do paciente entrou em contato buscando avaliação neuropsicológica por indicação de uma psicóloga e orientação dos médicos. A primeira sessão foi agendada com a esposa, pois o paciente estava com dificuldade de mobilidade.
Estudo de Caso
Relato
Paciente X, 35 anos, sofreu um acidente de carro com lesão nos lobos frontais e occipitais. Ficou em coma por 2 meses, 1 mês de recuperação no hospital e voltou para a casa a 1 mês. A 1 mês recuperou a capacidade de fala, após a volta do coma, não conseguia falar. Atualmente estão morando na casa da mãe do paciente para facilitar os cuidados, teve perda de movimentos do lado esquerdo e esta em desorientado. Os médicos avisaram a família que havia possível comprometimento cognitivo e recomendaram tratamentos para isso. E assim a paciente chegou ate mim.
Paciente casado a 10 anos, tem um filho de 2 anos, coordenador da área de gestão de qualidade da empresa que trabalhava. Corria maratonas de triátlon e falava 3 línguas (português, espanhol e inglês e estava aprendendo francês e alemão). Ativo físico e intelectualmente. Viajava bastante com a família.
Esposa relatou no primeiro contato que o marido não estava falando coisa com coisa, que estava desorientado e que parecia outra pessoa, que não se lembrava de coisas mais recentes, como por exemplo do nascimento do filho.
Combinamos os detalhes práticos do processo e agendamos o próximo encontro com o paciente.
Hipótese e Preparação para Avaliação Neuropsicológica
Informações mais relevantes:
1. Sofreu acidente de carro;
2. Lesão nos lobos frontal e occipital;
3. Perda de fala temporária;
No primeiro encontro com o paciente, levei apenas um questionário de cognição global (TICs, Minimental) e me coloquei a ouvir o relato do próprio paciente.
Ele não se lembrava do acidente e por vezes achava que estava na Bahia, numa viagem a trabalho (em conversa com a esposa, ele havia feito essa viagem cerca de 5 anos atrás). Não se dava conta da situação que estava vivendo e repetia muitas vezes as mesas coisas que acabava de ter dito.
Recordava bem de sua historia de vida até seu casamento (5 anos atrás), após isso não recordava. Em momentos se apresentava com mais lucidez, lembrava que tinham contado para ele do acidente, em momentos não.
Na realização do questionário o paciente teve dificuldades de orientação (data e local) e bastante dificuldade para realização da atividade que exigia destreza motora e visual. Não conseguiu fazer copia de desenho pois não percebia o desenho.
Aqui já foi possível identificar o real comprometimento das funções visuoconstrutiva e visuoperceptiva, atenção, memória e função executivas.
Linguagem e compreensão estavam preservadas, apenas com uma pequena lentidão na fala.
4. 2 meses em coma (curva de Glasgow);
5. Perda de mobilidade do lado esquerdo;
6. Está desorientado e parece outra pessoa.
7. Dificuldades de memória de fatos mais recentes.
Comprometimentos nas funções atenção, funções executivas, visuopercepção e visuoconstrução, memória. Linguagem recuperada.
Sessão com o Paciente
Bateria de Testes
Preparei a bateria selecionando testes mais auditivos do que visuais.
Isso pelo fato do paciente estar com grande comprometimento nas funções de processamento visual, devido a lesão no lobo occipital.
A cada sessão eu precisava fazer o processo de me apresentar e explicar o que iriamos fazer, porque ele não lembrava nem me reconhecia.
Realizamos todos os testes numa média de 5 sessões.
Organização de Estudo
Relatório
Anotem:
Funções preservadas;
Comprometimento leve;
Comprometimento moderado:
Comprometimento grave.
Identificação:
Relatório de Avaliação Neuropsicológica
Paciente: X Idade: 35 anos Lateralidade: Destro
Escolaridade: Ensino Superior Completo Profissão: Técnico em Qualidade
História do Quadro Clínico e Queixa
Paciente casado a 10 anos, com filho de 2 anos, trabalhava na área de qualidade, ativo fisicamente, praticava natação e fazia travessias no mar, lecionava e é pós graduado em sua área. Vítima de acidente automobilístico com demora no socorro e diagnóstico de traumatismo cranioencefálico (TCE), inchaço cerebral e lesão axonal.
Paciente em coma por quase 2 mês e alta para tratamento domiciliar em estado neurovegetativo após 3 meses do acidente. Esposa buscou avaliação por a solicitação do neurologista devido a quadro de confusão mental e graves dificuldades de memória. Atualmente paciente está em casa, possui movimentação com auxilio, após um mês em casa voltou a falar espontaneamente. Em tratamento com fisioterapia, fonoaudiologia, natação e home care.
Sustentada
Comprometimento grave para atenção sustentada que é a capacidade em manter a atenção em um determinado estímulo.
Apresenta maior facilidade para sustentar atenção com informações numéricas e de cálculos em detrimento de informações verbais.
Alternada
Comprometimento grave na capacidade de alternar o foco da atenção entre dois estímulos conseguindo retornar ao estímulo inicial.
Dividida
Comprometimento grave para a capacidade de sustentar a atenção em dois ou mais estímulos simultaneamente.
Ítens Avaliados
Atenção
Memória de Curto Prazo
Comprometimento moderado para a capacidade de armazenar informações imediatamente após a recepção da mesma e converte-la em memórias de longo prazo.
Memória Episódica (Longo Prazo)
Paciente em estado de confusão mental, não se recorda do acidente e sua orientação temporal dos últimos 5 anos, em média, está alterada. Reconhece pessoas e locais, porém há momentos de confusão. Comprometimento grave para informações pessoais, espaciais e temporais.
Memória Semântica (Longo Prazo)
Comprometimento grave para informação geral que abstraiu do meio
ambiente. Envolve memória remota, habilidade em compreender, capacidade de pensamento associativo e fluência verbal.
Memória Operacional
É a habilidade de manipulação da informação e de reversibilidade, envolve a capacidade de organizar e integrar lógica e seqüencialmente estímulos complexos, compreensão da significação de uma situação interpessoal, julgando suas implicações e antecipando suas consequências, para estas funções o paciente esta com comprometimento moderado.
Memória
Velocidade do Processamento
Comprometimento leve na velocidade de processar a informação recebida do meio.
Pensamento
Comprometimento grave para a capacidade de abstrair conceitos verbais a partir de categorias distintas, raciocínio indutivo e lógico (pensamento abstrato).
Controle Inibitório
A capacidade de identificar e isolar características essenciais das não essenciais está com comprometimento grave.
Planejamento e Organização
Sua capacidade de organização e planejamento está preservada para estímulos concretos, porém para estímulos abstratos que exigem uma flexibilidade mental está com comprometimento moderado devido a dificuldades na manutenção da atenção.
Flexibilidade Mental
Comprometimento grave no que se refere a flexibilidade mental, capacidade de análise de problemas, formulação de novas hipóteses, regulação do comportamento a partir de feedback do meio (adequação de estratégias).
Cálculo
Preservada a habilidade de utilizar conceitos numéricos de maneira simples.Comprometimento moderado na agilidade mental e habilidade de transformar problemas verbais em operações aritméticas.
Funções Executivas
Cognição
Apresentou um desempenho intelectual global médio. Quando dessecamos o desempenho intelectual, em tarefas específicas (parte verbal e parte de execução), esse revela-se na faixa média superior para a parte verbal e limítrofe para a parte de execução. Classificação média no que refere a compreensão verbal, ou seja, capacidade de formação de
conceitos, raciocínio verbal, e do conhecimento adquirido do ambiente (longo prazo). Quanto a Organização Perceptual que são as habilidades do raciocínio perceptual fluido, processamento espacial, e da integração
visomotora, sua classificação foi limítrofe. Curva de aprendizagem encontra-se irregular.
Visuoconstrução e Visuopercepção
Quanto a percepção do objeto, organização visual, formação de conceitos viso espaciais, discriminação visual de detalhes, processamento visual, velocidade perceptual e manipulativa, bem como capacidade de orientação espacial e coordenação visomotora encontra-se com comprometimento grave devido a hemiparesia lateral esquerda.
Nomeação: preservada Repetição: preservada Gramática: preservada
Fluência: alteração na fluência da fala devido ao fluxo do pensamento estar com comprometimento grave.
Compreensão: Preservada para compreensão verbal de comandos e regras, porém com comprometimento leve para habilidade para usar julgamentos práticos nas ações sociais, senso moral, maturidade social e capacidade de avaliar experiências passadas.
Linguagem
Comportamento e Humor
Colaborou com todos os testes durante o período integral do exame, realizando as tarefas propostas com seu melhor desempenho.
Demonstra alto nível de ansiedade e preocupações infundadas devido ao comprometimento da memória, no qual lembra parcialmente de situações e consequentemente faz julgamentos indevidos das mesmas.
Conclusão
Paciente com desempenho intelectual global médio, porém com comprometimentos graves na memória episódica e semântica (longo prazo) principalmente dos últimos 5 anos e grave comprometimento em converter as memórias de curto para longo prazo.
Comprometimento grave nas funções visoconstrutivas que exigem movimento ocular sacádico, assim como nas funções de atenção, controle inibitório, flexibilidade mental, abstração do pensamento e alterações comportamentais Desta forma é possível indicar provável lesão nos lobos parietal, occipital e frontal.
Encaminhamentos
Manutenção dos tratamentos já iniciados, como fisioterapia, psicoterapia, fonoaudiologia e natação. Indico tratamento em reabilitação neuropsicológica a fim de estimular o fortalecimento dos déficits apresentados.
Reabilitação Neuropsicológica
Neste caso a devolutiva foi feita para a esposa e para a mãe do pacientes que eram as atuais cuidadoras, o relatório feito em cópias para todos os profissionais que atuavam com ele.
Foi também conversado com ele, mesmo considerando sua dificuldade de retenção das informações novas.
A família optou por seguir com o tratamento da reabilitação.
Funções preservadas:
Comprometimento leve;
Comprometimento moderado:
Comprometimento grave:
Linguagem, cognição global, cálculo, planejamento e morganização de estímulos concretos.
Velocidade do processamento.
Memória de curto prazo e operacional, planejamento e organização de estímulos abstratos (pensamento), personalidade e humor.
Atenção (concentrada, alternada e dividida), memória de longo prazo (semântica e episódica), pensamento, controle inibitório, flexibilidade mental, visuoconstrução e visuopercepção.
Monte uma sessão, considerando o modelo que
1 etapa – 10 minutos iniciais. Tarefa de nível fácil, com temas que sejam de interesse do paciente e que trabalhem funções que não esteja com grande comprometimento.
2 etapa – 30 minutos Tarefa de nível difícil, que trabalhe as funções comprometidas.
3 etapa – 10 minutos finais Tarefa de nível médio, que seja um desafio possível e possa dar motivação. Também é interessante finalizar com exercícios de relaxamento e respiratórios.
estudamos na aula anterior e os jogos adequados para cada função.