Poder Judiciário Justiça do Trabalho
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
RECURSO ORDINÁRIO TRABALHISTA ROT 0010520-13.2019.5.15.0001
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Relator: LUIZ ROBERTO NUNES
Processo Judicial Eletrônico
Data da Autuação: 24/07/2020 Valor da causa: R$ 180.802,98
Partes:
RECORRENTE: PAULO SERGIO DE OLIVEIRA - CPF: 365.256.558-46
ADVOGADO: MARCUS VINICIUS PERRETTI MINGRONE - OAB: SP0177809
RECORRENTE: ASSOCIACAO ATLETICA PONTE PRETA - CNPJ: 46.125.175/0001-26 ADVOGADO: JOAO FELIPE ARTIOLI - OAB: SP0284178
RECORRIDO: PAULO SERGIO DE OLIVEIRA - CPF: 365.256.558-46
ADVOGADO: MARCUS VINICIUS PERRETTI MINGRONE - OAB: SP0177809
RECORRIDO: ASSOCIACAO ATLETICA PONTE PRETA - CNPJ: 46.125.175/0001-26
ADVOGADO: JOAO FELIPE ARTIOLI - OAB: SP0284178
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHOTRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO PROCESSO nº 0010520-13.2019.5.15.0001 (ROT)
1º Recorrente: PAULO SERGIO DE OLIVIERA
2º Recorrente: ASSOCIAÇÃO ATLETICA PONTE PRETA Origem: 1ª VARA DO TRABALHO DE CAMPINAS Juíza sentenciante: CAMILA CERONI SCARABELLI
R E L A T O R : L U I Z R O B E R T O N U N E S
Relatório
Inconformadas com a r. sentença que julgou procedentes em parte os pedidos e que foi complementada por decisões que acolheram parcialmente os embargos de declaração, recorrem ordinariamente as partes.
O reclamante insurge-se contra a concessão da justiça gratuita à ré, requer o pagamento de diferenças de direito de imagem, majoração do percentual dos honorários devidos pela parte adversa e alteração do índice de correção monetária.
A reclamada alega preliminarmente nulidade da r. sentença e incompetência material da Justiça do Trabalho. No mérito, requer alteração quanto aos valores liquidados em sentença, pugna pela majoração dos honorários sucumbenciais devidos pelo autor, insurge-se contra a aplicação das multas previstas nos artigos 467 e 477 da CLT e alega litigância de má-fé.
Foram indeferidos os benefícios da justiça gratuita à ré, conforme decisão prolatada por este Relator às fls. 1009, em que foi excluída a concessão de tal benesse e determinado o preparo recursal pela ré, o que foi efetuado.
Contrarrazões apresentadas pelas partes.
Os autos não foram encaminhados à D. Procuradoria Regional do Trabalho.
É o breve relatório.
Fundamentação
Vínculo de emprego com início em 01/04/2018 e término em 30/11/2018.
Ajuizada a reclamação trabalhista em 16/04/2019 e proferida sentença em 22/04/2020.
Conheço dos recursos interpostos, pois preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Por conter questões preliminares, passa-se primeiramente à análise do apelo da reclamada.
RECURSO DA RECLAMADA Preliminar
1 - Nulidade da sentença/ Reprodução de trechos da réplica
A reclamada alega que tanto a r. sentença de mérito quanto a proferida em sede de embargos de declaração são nulas já que reproduzidos os argumentos esposados pelo reclamante em sede de réplica no que se refere à incompetência material da Justiça do Trabalho, sem existir qualquer menção sobre a validade do foro de eleição da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) para dirimir todas as questões envolvendo a relação contratual entre as partes.
Sem qualquer razão.
Analisando tanto a r. sentença de mérito (fls. 721) como a decisão proferida em embargos de declaração (fls. 781) e as confrontando com a réplica trazida pelo autor (fls.
688) não se verifica nenhuma reprodução de argumentos. Houve detalhada fundamentação (artigo 11 CPC cc 489, II, CPC), inclusive quanto ao foro de eleição, inexistindo cópia de trechos utilizados pelo reclamante em réplica, como alega a recorrente.
Rejeito.
2 - Convenção de arbitragem/ Foro de eleição
A reclamada alega que o feito deve ser extinto sem resolução de mérito em razão da existência de cláusula arbitral firmada entre as partes convencionando que eventuais questões do contrato deveriam ser solucionadas pela CNRD.
O artigo 507-A da CLT, incluído pela Lei nº 13.467/2017, previu a possiblidade de as partes convencionarem a submissão de questões decorrentes do contrato de trabalho à convenção de arbitragem, nos seguintes termos:
Art. 507-A. Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996.
No caso em análise, as partes celebraram contrato de trabalho por prazo determinado, de 01/04/2018 a 30/11/2018, mediante empréstimo do reclamante, jogador de futebol profissional, pelo clube Mirassol à Ponte Preta.
Conforme cláusula 11, restou eleita a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, como foro de arbitragem, conforme fls. 234 e 229:
"Em observância a Lei nº 9.307/1996, somando ao quanto contido nas Cláusulas 11.1 e 11.2, acima, o ATLETA expressa sua formal concordância com a pactuação de cláusula compromissória de arbitragem, ficando eleita a Câmara Naiconal de Resolução de Dusputas (CNRD) da CBF, aplicando-se o Regulamento da CNRD e especialmente o art. 3º, II, do Regulamento da CNRD, como único competentwe para dirimir quaisquer controvérsias porventura oriundas do presente instrumento, renunciando a qualquer outro".
Incontroverso que o autor foi contrato mediante salário de R$21.000,00 (vinte e um mil reais) mensais, bastante superior a dois salários mínimos, afastando-se a exceção contida no próprio artigo 507-A, da CLT, sendo a norma celetista aplicável à hipótese.
Além disso, importante destacar que o reclamante, durante todo o processo de celebração do contrato de empréstimo, esteve assessorado pela empresa Elenko Sports (fls. 239/241), o que reforça a tese da ré de que não houve qualquer vicio de consentimento e que o autor não é parte hipossuficiente na relação.
Portanto, plenamente válida a cláusula de eleição de foro de arbitragem, conforme legislação atual vigente.
A Lei nº 9.307/1996 que dispõe sobre a arbitragem, estabelece, em seu artigo 18 que "O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou E o artigo 31da mesma lei, fixa que "Art. 31. A sentença arbitral a homologação pelo Poder Judiciário".
produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo"
Nesse passo, o Código de Processo Civil, ao elencar no artigo 515 as hipóteses de título executivo judicial, menciona no inciso VII a sentença arbitral.
Por fim, o CPC dispõe no artigo 485, inciso VII, que "O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência".
Assim, acolhe-se a preliminar suscitada pela ré para extinguir o feito, sem resolução de mérito, nos termos do artigo 485, VII, do CPC.
Resta prejudicada a análise das demais matérias debatidas no apelo do reclamado e no recurso do autor.
Honorários advocatícios sucumbenciais, pelo reclamante, no importe de 5% sobre o valor atribuído à causa.
Para todos os efeitos, considero prequestionada a matéria e reputo incólumes os dispositivos legais e constitucionais invocados nas razões de recurso.
Dispositivo
Diante do exposto, decido: conhecer do recurso ordinário interposto pelo
e acolher a preliminar de convenção de arbitragem, extinguindo o feito sem resolução de mérito,nos termos do artigo 485, VII, do CPC; declarar prejudicado o recurso ordinário interposto pelo reclamante P
nos termos da fundamentação.
AULO SERGIO DE OLIVIERA,
Honorários advocatícios sucumbenciais, pelo reclamante, no importe de 5% sobre o valor atribuído à causa.
Custas pelo reclamante, no valor de R$3.616,05, calculadas sobre o valor atribuído à causa, de R$180.802,98.
PROCESSO JULGADO EM SESSÃO ORDINÁRIA POR VIDEOCONFERÊNCIA REALIZADA EM 20 DE OUTUBRO DE 2020.
Presidiu o julgamento o Exmo. Sr. Desembargador do Trabalho Luiz Roberto Nunes.
Composição:
Relator Desembargador do Trabalho Luiz Roberto Nunes Desembargadora do Trabalho Erodite Ribeiro dos Santos Desembargador do Trabalho Claudinei Zapata Marques
Compareceram para sustentar oralmente pelo recorrente/reclamante (PAULO SERGIO DE OLIVIERA), o Dr. DANIEL LOURENÇO e pela recorrente/reclamada (ASSOCIAÇÃO ATLETICA PONTE PRETA), o Dr. Renato Maringoni Lopes.
Ministério Público do Trabalho: Exmo(a). Sr(a). Procurador(a) ciente.
ACÓRDÃO
Acordam os magistrados da 8ª Câmara - Quarta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região em julgar o processo nos termos do voto proposto pelo Exmo. Sr. Relator.
Votação unânime.
L U I Z R O B E R T O N U N E S
Relator
Votos Revisores
Documentos Id. Data de
Juntada
Documento Tipo
02c4e67 20/10/2020
19:02 Acórdão Acórdão