Relatório de
Projeto
Fortalecimento das capacidades de política nacional
para a construção conjunta da Nova Rota da Seda
em direção aos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável
Maio de 2021
Jointly Building Belt and Road
towards SDGs
NAÇÕES UNIDAS
DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS ECONÓMICOS E SOCIAIS
Índice
Abreviaturas ... vi
Resumo executivo ... 1
1 Antecedentes e justificação ... 7
1.1 A Agenda 2030 e a Nova Rota da Seda ... 7
1.1.1 A Agenda 2030 ... 7
1.1.2 A Nova Rota da Seda ... 8
1.2 O projeto NRS-ODS ... 14
2 Contextos nacionais ... 16
2.1 Visão geral dos 14 países do projeto ... 16
2.1.1 Economias ... 16
2.1.2 Pessoas ... 18
2.1.3 Ambiente ... 22
2.1.4 Evolução no sentido dos ODS ... 23
2.2 Contextos de desenvolvimento ... 26
3 Análise da evolução da NRS nos países do projeto... 31
3.1 Visão geral ... 31
3.1.1 Enquadramento da cooperação e coordenação de políticas ... 31
3.1.2 Conectividade das instalações: infraestruturas e investimentos ... 32
3.1.3 Comércio sem restrições ... 39
3.1.4 Integração financeira ... 40
3.1.5 Vínculos interpessoais ... 41
3.2 Desafios e oportunidades ... 45
3.2.1 Desafios no comércio e no investimento ... 45
3.2.2 Oportunidades de comércio e investimento ... 46
3.2.3 Riscos relacionados com os grandes projetos de infraestruturas ... 47
3.2.4 Gestão de projetos NRS ... 48
3.2.5 Sentimento público e comunidades locais ... 49
4.1 O Modelo de Previsão Económica Mundial ... 51
4.2 Simulações nacionais para o projeto ... 52
4.3 Problemas destacados pelo processo MPEM-e ... 66
5 O caminho a seguir: aproveitar oportunidades e gerir riscos... 67
5.1 Apropriação, capacidades e políticas nacionais ... 67
5.2 Âmbito, projetos e atividades da NRS ... 70
5.3 Coordenação, planeamento, gestão do risco, monitorização e avaliação ... 72
5.4 Transparência, comunicação e perceções públicas ... 76
5.5 Conclusões ... 77
References ... 78
Lista de figuras
Figura1.As Rotas da Seda: uma perspetiva histórica ... 10Figura2.Mapa da Iniciativa da Nova Rota da Seda ... 11
Figura 3. RNB per capita em dólares dos EUA correntes (método Atlas), 2019 ... 16
Figura 4.Participação setorial do valor acrescentado, 2019 (percentagem do PIB) ... 17
Figura 5.Percentagem do emprego total por setor, 2020 ... 17
Figura 6. Índice de Desenvolvimento Humano, 2019 ... 18
Figura 7.Esperança de vida à nascença, 2019 ... 18
Figura8.Anos de escolaridade média e esperada, 2019 ... 19
Figura 9.Classificação no rendimento per capita menos classificação no desenvolvimento humano, 2019 ... 19
Figura10.Índice de Ativos Humanos, países selecionados, 2000-2020 ... 20
Figura 11.Índice de Capital Humano, países selecionados, 2020 ... 20
Figura12.Jovens que não estudam, não trabalham ou não estão a ter formação, 2017–2019 (percentagem) ... 21
Figura 13.Percentagem da população que usa a Internet, 2019 ... 21
Figura 14.Total de rendimentos de recursos naturais, 2018 (percentagem do PIB) ... 23
Figura 16.Painel ODS 2020 para os 14 países do projeto NRS-ODS ... 24
Figura17.Pontuações do Índice ODS 2020 para os 14 países do projeto NRS-ODS ... 25
Figura18.Classificações do Índice ODS 2020 para os 14 países do projeto NRS-ODS ... 25
Figura 19.Pontuação do Índice ODS 9 para os 14 países do projeto NRS-ODS ... 25
Figura 20.Índice de Desempenho Logístico: qualidade das infraestruturas comerciais e de transporte ... 25
Figura21. Simulações MPEM-e selecionadas: Azerbaijão ... 52
Figura22. Simulações MPEM-e selecionadas: Bangladesh ... 53
Figura23. Simulações MPEM-e selecionadas: Camboja... 54
Figura24. Simulações MPEM-e selecionadas: Chéquia ... 55
Figura25. Simulações MPEM-e selecionadas: Geórgia ... 56
Figura26. Simulações MPEM-e selecionadas: Cazaquistão ... 57
Figura27. Simulações MPEM-e selecionadas: República do Quirguizistão ... 58
Figura28. Simulações MPEM-e selecionadas: República Democrática Popular do Laos ... 59
Figura29. Simulações MPEM-e selecionadas: Mongólia ... 60
Figura30. Simulações MPEM-e selecionadas: Myanmar ... 61
Figura31. Simulações MPEM-e selecionadas: Roménia ... 62
Figura32. Simulações MPEM-e selecionadas: Sérvia ... 63
Figura33. Simulações MPEM-e selecionadas: Sri Lanka ... 64
Abreviaturas
ASEAN Associação das Nações do Sudeste Asiático
IDH Índice de Desenvolvimento Humano
AC antes de Cristo TIC Tecnologias de informação e
comunicação BRF Fórum Nova Rota da Seda (NRS) para
a Cooperação Internacional
OIT Organização Internacional do Trabalho
NRS Nova Rota da Seda FMI Fundo Monetário Internacional
CHEC China Harbor Engineering Company Ltd.
PED País em desenvolvimento CECMR Corredor Económico
China-Mongólia-Rússia
MdE memorando de entendimento CNEEC China National Electric Engineering
Co., Ltd.
OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico CNY Yuan Chinês (renminbi) PET Politereftalato de etileno
CO2 dióxido de carbono ODS Objetivo de Desenvolvimento
Sustentável
COVID-19 doença do coronavírus 2019 UBTZ Caminhos de Ferro de Ulan Bator DAES Departamento de Assuntos
Económicos e Sociais (Nações Unidas)
PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
DAEP Divisão de Análise Económica e Políticas (DAES)
UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
UE União Europeia UNICEF Fundo das Nações Unidas para a
Infância
IDE investimento estrangeiro direto MPEM Modelo de Previsão Económica Mundial
ALC acordo de livre comércio MPEM-e Modelo expandido de Previsão Económica Mundial (DAES) PIB produto interno bruto OMS Organização Mundial da Saúde
RNB rendimento nacional bruto $ Dólar dos EUA
IAH Índice de Ativos Humanos € euro
Resumo executivo
A Nova Rota da Seda (NRS) e a Agenda 2030
Em 2013, o governo da China lançou a Nova Rota da Seda (NRS) para ligar os países e mares pela Ásia, Europa e outros países, com o objetivo de conseguir uma cooperação ampliada e aprofundada, maior prosperidade e uma economia mundial aberta. Os cinco pilares sobre os quais a NRS foi estabelecida incluem a coordenação de políticas, a conectividade de instalações, o comércio sem restrições, a integração financeira e os vínculos interpessoais.Com a participação de 140 países que compreendem mais de metade da população mundial e com a sua escala e âmbito imensos, a NRS pode ter um impacto global.
Embora a NRS e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável difiram na sua natureza e âmbito, partilham uma visão e uma série de princípios básicos que são semelhantes em muitos aspetos. A NRS tem potencial para transformar as vidas e as economias dos países participantes. Com menos cerca de dez anos antes de 2030, a evolução no sentido da consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não está a ocorrer na velocidade ou na escala necessárias, especialmente desde que a pandemia COVID-19 continua a contrariar as perspetivas de crescimento sustentável em todo o mundo. O alinhamento da implementação da NRS com a Agenda 2030 tem potencial para fornecer um novo impulso e levar a ganhos e oportunidades tangíveis para todos os países.
A consecução dos benefícios potenciais da NRS não é automática. Para aproveitarem as oportunidades trazidas pela NRS e acelerarem o cumprimento dos ODS, os países precisam de capacidade adequada. Neste contexto, o projeto intitulado “Fortalecer as capacidades políticas nacionais para a construção conjunta da Nova Rota de Seda em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (também referido como projeto NRS-ODS) visa reforçar as capacidades nacionais na formulação de políticas de desenvolvimento económico e sustentável, atraves do apoio aos esforços dos países para compreenderem melhor as implicações da NRS e dos ODS e para formularem respostas políticas que maximizem os benefícios e atenuem riscos possíveis. Os catorze países NRS que participam no projeto incluem o Azerbaijão, o Bangladesh, o Camboja, a Chéquia, a Geórgia, o Cazaquistão, a República do Quirguizistão, a República Democrática Popular do Laos, a Mongólia, Myanmar, a Roménia, a Sérvia, o Sri Lanka e a Tailândia. Estes países representam economias cujo rendimento varia entre o médio-baixo e o elevado, além de terem contextos de desenvolvimento diferentes, estando incluídos no grupo quatro países em desenvolvimento (PED).
Cooperação e investimentos na NRS
O presente relatório analisa o âmbito e a escala da evolução da NRS nos países do projeto à luz dos cinco pilares da Iniciativa.
Os mecanismos de coordenação política da NRS consistem principalmente de acordos bilaterais entre a China e os países participantes. Adicionalmente, o Fórum da Nova Rota de Seda para a Cooperação Internacional proporciona uma plataforma de alto nível para o diálogo entre os países participantes. As diferenças nas definições nacionais quanto ao que constitui um projeto NRS representam desafios para análises cruzadas ou agregadas. Ao longo do projeto NRS-ODS, houve iniciativas para definição de limites e categorias mais claras para os investimentos da NRS.
Durante o período do projeto NRS-ODS, a NRS estimulou investimentos avultados na conectividade de instalações, principalmente através do desenvolvimento de infraestruturas numa série de setores. As infraestruturas de transporte e logística são predominantes nos investimentos da NRS. A NRS também serviu de motivação para diversos investimentos em infraestruturas comerciais, mineração, indústrias químicas e de manufatura, agricultura e agroindústrias, transferência de tecnologia, geração e distribuição de energia (incluindo energias renováveis) e para o desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação (TIC).
Duas questões relevantes para o pilar do comércio sem restrições da NRS predominam entre os países do projeto. Em primeiro lugar, a implementação da NRS originou melhorias na passagem e no processamento do comércio alfandegário e o aumento do volume de negócios com a China. Em segundo lugar, quase todos os países relatam saldos comerciais negativos com a China; os países ricos em recursos (nomeadamente a República Democrática Popular do Laos e o Cazaquistão) são as exceções.
A NRS também teve impacto sobre a integração financeira entre a China e os países participantes. Alguns exemplos identificados nos relatórios nacionais incluem investimentos no setor financeiro dos países da NRS, nomeadamente nos bancos e nas bolsas de valores.
Desafios e oportunidades
O presente relatório identifica desafios, oportunidades e riscos associados aos projetos da NRS nos 14 países do programa, nomeadamente no que diz respeito à governação e às relações com a comunidade.
Alguns dos principais desafios associados à cooperação da NRS estão relacionados com os desequilíbrios comerciais e os encargos da dívida. Os saldos comerciais negativos com a China são uma questão predominante, apesar de terem sido em certa medida atenuados peloinvestimento direto estrangeiro emgrande escala (IDE) trazido pela NRS.As lacunas nas políticas precisam de ser abordadas nos países da NRS para que o comércio alcance o seu potencial máximo. Em vários países, os investimentos chineses tornaram-se uma importante fonte de IDE, criando por vezes o risco de uma dívida insustentável.
A consecução de resultados ótimos a partir das oportunidades relacionadas com a NRS requer planeamento estratégico e coordenação. Os investimentos em transportes da NRS encurtaram os tempos de viagem; isto já contribuiu significativamente para expandir o comércio, aumentar o investimento e gerar empregos, o que contribuirá bastante para reduzir a pobreza. Serão necessárias reformas políticas complementares para otimizar os efeitos positivos dos projetos de transporte da NRS e para garantir que os ganhos sejam amplamente partilhados. Por conseguinte, um planeamento robusto para o desenvolvimento nacional no médio e no longo prazo é uma condição sine qua non para a maximização dos benefícios resultantes da colaboração da NRS.
A NRS chamou a atenção para os riscos associados a grandes projetos infraestruturais. Os grandes investimentos infraestruturais que envolvem financiamento por dívida implicam riscos relativos à sustentabilidade da dívida. Os riscos de governação, nomeadamente a corrupção e as deficiências em aquisições públicas, foram nomeados nalguns relatórios NRS-ODS. Os grandes projetos infraestruturais são conhecidos por exporem países e comunidades a riscos ambientais, e os projetos da NRS não constituem exceção. Os grandes projetos infraestruturais também são conhecidos por aumentarem os riscos e vulnerabilidades sociais. Serão necessárias avaliações ambientais e sociais rigorosas antes da aprovação do projeto, além de um mecanismo de supervisão para garantir que tais avaliações não sejam enviesadas a favor da entidade que implementa o projeto.
É necessária uma avaliação cuidadosa das relações entre investidores, governos e comunidades locais para garantir que as perceções e reações do público relativamente aos investimentos da NRS permaneçam positivas. Preveem-se riscos reputacionais no caso de elites políticas ou grandes empresas ganharem mais com os projetos da NRS do que as economias locais. Os relatórios da NRS-ODS recomendam expandir a inclusão de empresas locais nos projetos de investimento público financiados pela NRS e aumentar o uso de mão-de-obra local qualificada. O endereçamento dos riscos reputacionais associados à NRS requer o envolvimento eficaz de todas as partes interessadas relevantes e alinhado com as melhores práticas internacionais. Os países anfitriões devem, em última instância, basear a tomada de decisões em estratégias coerentes para o desenvolvimento nacional.
Simulações com o Modelo Expandido de Previsão Económica Mundial
Em geral, os resultados das simulações produzidas pela versão expandida doModelo de Previsão Económica Mundial das Nações Unidas (MPEM-e) mostram que os investimentos da NRS podem ter um impacto positivo, pelo menos nos primeiros anos.Passado o período inicial, a probabilidade do investimento na NRS acarretar o sobre-endividamento ou custos ambientais elevados dependerá da eficácia das contramedidas adotadas por cada país; estas podem ser ações executadas para reduzir a dívida até níveis sustentáveis, fazer cumprir a legislação ambiental existente ou desenvolver novas leis que sejam necessárias. A transparência, robustez e disponibilidade de dados sobre os investimentos da NRS são motivo de preocupação; os dados disponíveis carecem de coerência e transparência em termos da definição e do valor dos investimentos da NRS para um determinado país.
A análise da evolução da NRS nos países do projeto destaca a importância de definir claramente os limites estabelecidos na estrutura de cooperação da NRS, para que dados de melhor qualidade possam permitir uma modelagem macroeconómica adequada e a formulação de políticas e tomada de decisões fundamentadas.
O caminho a seguir: aproveitar as oportunidades e gerir os riscos
As experiências dos 14 países do projeto fornecem ideias e sugestões para aproveitar as oportunidades relacionadas com a NRS e, ao mesmo tempo, gerir os riscos que podem ter um impacto na evolução no sentido do cumprimento dos ODS.
implementação de políticas económicas e ambientais abrangentes ajudariam a atenuar estes efeitos adversos, ao exigirem a apropriação nacional e fomentarem as políticas-quadro.
A definição do âmbito dos projetos e atividades da NRS é fundamental. A utilização da ferramenta de simulação MPEM-e permitiria aos decisores e especialistas locais avaliar criticamente o impacto dos investimentos associados à NRS (nomeadamente, o impacto das atividades da NRS sobre ODS selecionados) através de uma abordagem quantitativa e organizada. Os países conseguiriam examinar as atividades da NRS tanto na perspetiva do crescimento económico como do desenvolvimento sustentável, considerando os potenciais efeitos secundários. A capacidade local poderia ser desenvolvida através da formação de especialistas locais e do estabelecimento de uma plataforma online, por meio da qual estes especialistas poderiam usar o MPEM-e de forma independente.
O planeamento, a coordenação, a gestão do risco e a monitorização e avaliação eficazes poderiam resolver muitas das restrições identificadas na cooperação NRS. O planeamento das atividades da NRS, incluindo o planeamento intersectorial, tem de iniciar-se na fase de arranque do projeto. Os países precisam de identificar nichos de investimento onde a NRS possa contribuir de forma otimizada para o crescimento e desenvolvimento sustentáveis. As reformas políticas que reforcem o impacto positivo destes investimentos ou que atenuem o impacto negativo devem ser identificadas na fase de planeamento, e a identificação e gestão de riscos também devem ser iniciadas nesta fase. A monitorização e a avaliação (nomeadamente, avaliações de impacto social, ambiental e de outras áreas de impacto) precisam de ser planeadas como parte integrante dos projetos. As simulações do MPEM-e salientam os riscos o endividamento, apontando para a necessidade da monitorização cuidadosa da dívida contraída nos projetos da NRS e da aplicação de mecanismos de ajuste para a sustentabilidade da dívida.
A transparência, a comunicação e as perceções públicas precisam de ser abordadas. A adoção das melhores práticas de transparência fortaleceria a cooperação na NRS. Alguns relatórios nacionais da NRS-ODS mencionam que o Governo carece de mecanismos para a divulgação transparente de dados sobre os projetos da NRS e que isto tem por vezes alimentado a insatisfação pública com a NRS. As boas práticas de governação, tais como contratos públicos abertos e transparentes, podem atenuar este risco, assim como o cumprimento de normas internacionais sobre transparência, boa governação empresarial e cooperação internacional para o desenvolvimento.
1 Antecedentes e justificação
1.1 A Agenda 2030 e a Nova Rota da Seda
1.1.1 A Agenda 2030
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os estados-membros das Nações Unidas em setembro de 2015, define um plano de ação para as pessoas, o planeta, a prosperidade, a paz e a parceria (Nações Unidas, Assembleia Geral, 2015). Existem 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que constituem o núcleo da Agenda 2030, que apela à união de todos os países numa parceria global para acabar com a pobreza e outras carências, melhorar a saúde e a educação, reduzir a desigualdade e estimular o crescimento económico enquanto se combatem as alterações climáticas e se trabalha na preservação dos oceanos e das florestas do mundo.
A Agenda 2030 baseia-se em décadas de trabalho dos países e das Nações Unidas. A sua cuidadosamente negociada redação de visão, princípios, objetivos, metas e indicadores decorre de compromissos internacionais anteriores e do progresso alcançado até agora.1 Durante todo o processo, oDepartamento das Nações Unidas para os Assuntos Económicos e Sociais(DAES) desempenhou um papel fundamental no apoio à realização de importantes etapas de desenvolvimento.Atualmente, o DAES é o Secretariado do Fórum Político anual de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, que constitui a plataforma central das Nações Unidas para o acompanhamento e revisão dos ODS.
A Agenda 2030 tem um âmbito abrangente, que abarca os componentes económicos, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável. O seu âmbito e escala alargados obrigam a uma ação coletiva enquadrada por uma gama proporcional de parcerias. A concretização dos objetivos articulados na Agenda 2030 exigirá a sinergia e a integração dos esforços de indivíduos, sociedades, países e regiões, enquadrados por uma visão que seja ambiciosa mas enraizada no pragmatismo e nas lições aprendidas nas últimas décadas.
Restando pouco menos de dez anos até 2030, a evolução no sentido da consecução dos ODS não está a acontecer à velocidade ou na escala necessárias.Os líderes mundiais na Cimeira dos ODS em setembro de 2019 “apelaram a uma Década de Ação e de entrega para o desenvolvimento sustentável e comprometeram-se a mobilizar financiamento, a melhorar a implementação nacional e a fortalecer as
1Incluem-se aqui a Agenda 21 (Rio de Janeiro, 1992); a Declaração do Milénio e os Objetivos de
instituições para atingirem os Objetivos até à data-alvo de 2030, não deixando ninguém para trás” (Nações Unidas, s.d.(c)). A escala e a ambição da Agenda 2030 requerem um envolvimento global intensivo que reúna governos, o setor privado, a sociedade civil, o sistema das Nações Unidas e outros intervenientes e que mobilize todos os recursos disponíveis. A implementação da Agenda 2030 e a consecução dos ODS exigirão ações concretas, nomeadamente o fortalecimento da cooperação internacional, aos níveis global, regional, nacional e subnacional, por todas as partes interessadas. Em 2020, a evolução no sentido dos ODS sofreu um importante retrocesso com o impacto da doença do coronavírus 2019 (COVID-19). A 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a COVID-19 uma pandemia e, à medida que esta se espalhou pelo mundo, teve graves repercussões sobre vidas e economias. A escala da pandemia e a taxa de propagação são assustadoras: foram notificados em 2020 cerca de 83 milhões de casos e mais de 1,8 milhões de mortes e no fim de janeiro de 2021 os números tinham disparado para mais de 102 milhões de casos e 2,2 milhões de mortes (OMS, 2021). Globalmente, o crescimento abrandou ou diminuiu, acompanhando a imposição, pelos governos, de uma série de medidas de contenção limitadoras da mobilidade e da atividade económica. O comércio caiu a pique e atingiu mínimos históricos, recuperando em certa medida com os consumíveis e equipamentos sanitários.
Em resposta à pandemia de COVID-19, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a resolução 74/270 de 2 de abril de 2020, apelando à solidariedade global para responder à crise em todas as suas dimensões.Na resolução, a Assembleia Geral reconhece que a “pandemia requer uma resposta global baseada na unidade, na solidariedade e na renovação da cooperação multilateral” e salienta a necessidade de “uma resposta global coordenada à pandemia e aos seus impactos adversos sociais, económicos e financeiros em todas as sociedades" e de "uma recuperação sustentável e inclusiva”. O Secretário-Geral das Nações Unidas fez um apelo para “reconstruir melhor”: apoiar e facilitar a transição para uma economia sustentável, como preconizado na Agenda 2030 e no Acordo de Paris (United Nations Web TV, 2020).
1.1.2 A Nova Rota da Seda
A China emergiu nas últimas décadas como uma parte interessada essencial para o desenvolvimento sustentável global. A China não é só o país do mundo com maior população, mas é também a segunda maior economia mundial e um motor essencial do crescimento e do comércio. O rumo do seu desenvolvimento futuro e o grau do seu compromisso com o fornecimento de bens públicos globais podem ter um impacto significativo sobre todo o mundo.
Caixa 1. A Rota da Seda
A Rota da Seda não era uma estrada única, mas antes uma antiga rede de rotas comerciais estabelecidas formalmente durante a Dinastia Han da China. A rede da Rota da Seda ligava as regiões do mundo antigo através do comércio, desde cerca de 130 anos antes da Era Comum (AEC), quando a Dinastia Han iniciou oficialmente o comércio com o Ocidente, até 1453, quando o Império Otomano boicotou o comércio com o Ocidente e fechou as rotas (Mark, 2018). O general Zhang Qian da China é o homem frequentemente citado pela abertura da primeira rota da China para o Ocidente, no segundo século AEC (UNESCO, 2021). Estas rotas desenvolveram-se ao longo do tempo, de acordo com contextos geopolíticos mutáveis. As rotas marítimas sempre ocuparam um lugar significativo na história da China. Antes do terceiro século AEC, começou a crescer uma cultura marítima chinesa, centrada em cidades portuárias como Quanzhou (província de Fujian), na costa sudeste da China. Localizada na foz do rio Jin, Quanzhou tornou-se o centro de várias rotas marítimas. A partir da Dinastia Qin (221-206 aC), a navegação passou a ocupar um lugar essencial na política, na diplomacia, na cultura e na economia. Apoiados pela astronavegação e pela movimentação das monções, os navegadores chineses começaram a viajar para outras regiões da Ásia. Quanzhou tornou-se um importante centro de comércio entre a China e regiões distantes, especialmente durante a Dinastia Tang (618-907). (ibid.)
Figura1.As Rotas da Seda: uma perspetiva histórica
Fonte: UNESCO (2021).
A NRS pretende criar uma arquitetura de cooperação económica regional aberta, inclusiva e equilibrada.Os objetivos principais da Iniciativa consistem em aumentar a prosperidade económica dos países ao longo da Nova Rota da Seda, promover a cooperação e o intercâmbio entre diferentes países e fortalecer a paz, o desenvolvimento e o entendimento cultural. Para que a NRS atenda aos interesses de todas as partes interessadas, os países ao longo da Nova Rota da Seda precisarão de integrar e coordenar melhor as suas estratégias de desenvolvimento e políticas económicas e ampliar e aprofundar a cooperação regional. A NRS acolhe o impulso atual no sentido da globalização económica (nomeadamente, um regime global de livre comércio e uma economia mundial aberta) e do aumento da diversidade cultural e da digitalização. (Comissão para o Desenvolvimento e Reforma Nacional, Ministério dos Negócios Estrangeiros e Ministério do Comércio da República Popular da China, 2015)
A NRS promove a conectividade entre a Ásia, a Europa e a África e os seus mares adjacentes- e a rede continua a expandir-se. A NRS liga o Leste Asiático à Europa e abrange países com grande potencial para o desenvolvimento económico. A Nova Rota da Seda concentra-se em reunir a China, a Ásia Central, a Federação Russa e a região europeia do Báltico, em ligar a China ao Golfo Pérsico e ao Mediterrâneo através da Ásia Central e Ocidental e em ligar a China ao Sudeste Asiático, à Ásia Meridional e ao Oceano Índico. A Rota da Seda Marítima do século XXI estende-se da costa da China à Europa, através do Mar do Sul da China e do Oceano Índico por uma rota, e da costa da China através do Mar do Sul da China ao Pacífico Sul, por outra. Por terra, a Rota aproveita as rotas internacionais de transporte, recorrendo a cidades cruciais ao longo da Nova Rota de Seda e usando importantes parques industriais e económicos como plataformas de cooperação. Por mar, a Rota concentra-se na construção conjunta de rotas estáveis, seguras e eficientes para ligar portos marítimos importantes ao longo da Nova Rota de Seda (ibid.). O alcance da Rota continua a crescer; “anteriormente centrado no continente Euro-asiático mais amplo, desde 2017 que a NRS se expandiu de modo a incluir o continente africano, partes da América Latina, a Oceânia e o Oceano Ártico” (Rolland, 2019).
FIGURA2.MAPA DA INICIATIVA DA NOVA ROTA DA SEDA
Fonte : Conselho para o Desenvolvimento Comercial de Hong Kong (2016).
A NRS começa a tomar forma em simultâneo com vários esforços para melhorar a conectividade das infraestruturas e para financiar a conectividade na região.IEstes esforços incluem a Parceria Trilateral Austrália-Japão-Estados Unidos para Investimento em Infraestruturas,a estratégia da UE para ligar a Europa à Ásia, e vários mecanismos bilaterais e multilaterais de financiamento fornecidos por instituições internacionais de crédito para o desenvolvimento, como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento.
O investimento em infraestruturas ao longo da Nova Rota da Seda concentra-se em seis corredores económicos (OCDE, 2018):
(a) O Novo Corredor Económico Terrestre da Eurásia envolve o transporte ferroviário da China para a Europa através do Cazaquistão, da Federação Russa, da Bielorrússia e da Polónia, chegando a vários portos costeiros da Europa. As rotas ferroviárias proporcionam o transporte de cargas de ferrovia para ferrovia, além da comodidade de “uma declaração, uma inspeção, uma autorização de carga” para todas as cargas transportadas.
(b) O Corredor Económico China-Mongólia-Rússia inclui ligações ferroviárias e o
desenvolvimento da Estrada das Estepes na Mongólia, que se ligará à ponte terrestre. (c) O Corredor Económico China-Ásia Central-Ásia Ocidental liga o Cazaquistão, a República do
Quirguizistão, o Tadjiquistão, o Usbequistão, o Turquemenistão, a República Islâmica do Irão e a Turquia. O Corredor parte de Xinjiang, na China, para se juntar às redes ferroviárias da Ásia Central e da Ásia Ocidental, antes de atingir a costa do Mediterrâneo e a Península Arábica.
(d) O Corredor Económico China-Península da Indochinaliga o Vietname, a Tailândia, a República Democrática Popular do Laos, o Camboja, Myanmar e a Malásia. O Corredor liga os países ao longo do rio Mekong através de nove autoestradas internacionais, ligando o leste e o oeste e o norte ao sul. Também envolve uma linha ferroviária internacional entre Nanning e Hanói e introduz rotas aéreas para algumas das mais importantes cidades do sudeste Asiático. (e) O Corredor Económico China-Paquistão liga a cidade de Kashgar, na região sem acesso ao
mar de Xinjiang, ao porto de águas profundas de Gwadar, no Paquistão.
(f) O Corredor Económico Bangladesh-China-Índia-Myanmar liga a Índia à China através de Myanmar e do Bangladesh, por meio de ligações rodoviárias, ferroviárias, marítimas e aéreas.
A NRS tem cinco metas ou prioridades declaradas (Comissão para o Desenvolvimento e Reforma Nacional, Ministério dos Negócios Estrangeiros e Ministério do Comércio da República Popular da China, 2015):
(a) A coordenação de políticas significa apoiar a implementação de projetos de cooperação em grande escala e chegar a soluções negociadas e mutuamente benéficas.
(b) A conectividade das instalaçõessignifica melhorar a conectividade transfronteiriça e a qualidade das infraestruturas nas áreas do transporte terrestre, marítimo e aéreo, nas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e na energia.
reconhece que as empresas chinesas devem impulsionar as economias locais, aumentar o emprego local, melhorar o modo de vida local e assumir a responsabilidade social pela proteção da biodiversidade local e do meio ambiente.
(d) A integração financeira significa aprofundar a cooperação em áreas como a estabilização cambial, os sistemas de investimento e financiamento, os sistemas de informação de crédito, as regulamentações financeiras e a gestão de crises e de avisos prévios de riscos financeiros. (e) Os vínculos interpessoaissignificam fortalecer o apoio do público à iniciativa.Para tal, a NRS
compromete-se a promover uma série de atividades de cooperação e de programas de intercâmbio nas áreas da cultura, do desporto, do ensino,2 da comunicação social, do voluntariado, do turismo, da saúde, do emprego, da investigação, da ciência e tecnologia e da administração pública. O reforço da cooperação, da comunicação e do intercâmbio pode também contribuir para o fortalecimento institucional dos órgãos públicos, legislativos e políticos e para os esforços de redução da pobreza.
A NRS tem potencial para exercer influência considerável (e, por conseguinte, de ter um impacto considerável) sobre a economia global. Em junho de 2019, estimou-se que os 71 países situados ao longo dos seis corredores económicos terrestres da NRS seriam responsáveis por mais de 30 por cento do produto interno bruto (PIB) global e por 60 por cento da população mundial (Banco Mundial, 2019). Em janeiro de 2021, já tinham aderido 140 países à NRS através da assinatura de um memorando de entendimento (MdE) com a China (Nedopil Wang, 2021). Entre 2013 e junho de 2020, a China investiu cerca de 755 mil milhões de USD nos países da NRS (ibid.), nomeadamente da criação de milhares de empregos (Park, 2018).
1.2 O projeto NRS-ODS
O alinhamento da implementação dos ODS e da NRS permite concretizar oportunidades tangíveis. A escala e o âmbito da Agenda 2030 e da NRS são ambiciosos. A NRS pode e deve posicionar-se como um acelerador para os ODS e a expansão dos bens públicos globais. O planeamento, a monitorização e a avaliação da implementação da NRS precisarão de ser tratados a partir de uma perspetiva alinhada com a arquitetura das metas, objetivos e indicadores constituintes da Agenda 2030.
Existe uma sobreposição substancial entre as cinco prioridades da NRS e o modelo dos ODS.A Agenda 2030 complementa a NRS, ao proporcionar um modelo unificado para a promoção do desenvolvimento sustentável.O alinhamento da NRS com a Agenda 2030 cria alicerces sólidos para melhorar a cooperação para o desenvolvimento global, abordar os riscos ambientais e sociais, assegurar a coerência de políticas e a coesão social, facilitar o diálogo eficaz entre partes interessadas e fortalecer as capacidades nacionais. A colaboração para fortalecimento da complementaridade entre a NRS e os ODS pode levar a um resultado mutuamente benéfico. Um compromisso genuíno para concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável de longo prazo incorporados na Agenda 2030 permitirá provavelmente que a NRS transcenda os interesses comerciais ou políticos de curto prazo e recolha apoios positivos junto dos cidadãos dos países participantes (Horváth, 2017).
A consecução da visão e do potencial de transformação da NRS requer a mitigação dos riscos associados.Osgovernos participantes precisam de fazer escolhas políticas estratégicas que lhes permitam gerir os riscos ambientais, sociais, reputacionais, de sustentabilidade e de outra natureza, associados às atividades relacionadas com a NRS.Dependendo do setor e do país, poderão ser necessárias reformas políticas, mesmo na fase de pré-investimento, para maximizar os ganhos líquidos. Por exemplo, seria um desperdício construir e manter um corredor de transporte que ligasse países vizinhos se as suas políticas comerciais não fossem propícias às trocas comerciais. Os ganhos decorrentes das aglomerações e dos corredores de transporte estimularão o investimento nas suas áreas de influência, mas os investimentos terão de ser estruturados de tal forma que apoiem o crescimento inclusivo e que não agravem as desigualdades.
A mitigação de riscos e as reformas complementares requerem o fortalecimento das capacidades institucionais. É necessária capacidade institucional para avaliar riscos, conceber cenários de risco para os decisores e prever tendências em mais de um setor. Os benefícios potenciais decorrentes da NRS não são automáticos e requerem capacidade enquadramentos políticos adequados que garantam a orientação dos investimentos para a realização dos ODS. Em 2018, o DAEP/DESA lançou um projeto plurianual e multinacional3 para reforçar as capacidades nacionais na formulação de políticas macroeconómicas, sociais e ambientais coerentes e integradas que visem acelerar a evolução no sentido da consecução dos ODS; os 14 países da NRS que participam no projeto incluem o Azerbaijão, o Bangladesh, o Camboja, a Chéquia, a Geórgia, o Cazaquistão, a República do Quirguizistão, a República Democrática Popular do Laos, a Mongólia, Myanmar, a Roménia, a Sérvia, o Sri Lanka e a Tailândia. O projeto, intitulado
3 O projeto é financiado pela Agenda 2030 para o Subfundo de Desenvolvimento Sustentável do Fundo das
"Fortalecimento das capacidades de política nacional para a construção conjunta da Nova Rota da Seda em direção aos ODS" (doravante denominado projeto NRS-ODS), tem os dois objetivos seguintes (Nações Unidas, sd (a)):
- Capacidades reforçadas dos decisores e responsáveis nacionais para analisar e formular políticas mais integradas, nomeadamente através da utilização de ferramentas de modelação como o MPEM-e;
- Envolvimento reforçado e aprofundado para análise de políticas e debate de políticasentre decisores e especialistas dos países participantes ao longo da Nova Rota da Seda, nomeadamente o envolvimento com organizações internacionais.
2 Contextos nacionais
A Secção 2.1 proporciona uma visão geral sobre os países do projeto utilizando informações de bases de dados internacionais para permitir comparações genéricas.4 A Secção 2.2 resume o desenvolvimento e o contexto dos ODS em cada país com base nos relatórios nacionais da NRS-ODS e nalgumas fontes internacionais. É fundamental compreender o contexto mais amplo para cada um dos 14 países do projeto para avaliar o papel da NRS na criação de rumos para se atingirem os ODS.
2.1 Visão geral dos 14 países do projeto
2.1.1 Economias
Os países do projeto representam economias cujo rendimento varia entre o médio-baixo e o elevado (Figura 3), e quatro deles - Bangladesh, Camboja, República Democrática Popular do Laos e Myanmar - são classificados como países em desenvolvimento (PED) (Nações Unidas, sd (b)). Nalguns destes países, a indústria e os serviços são os principais contribuintes para o PIB; outros têm forças de trabalho que operam principalmente no setor agrícola (nomeadamente, na silvicultura e na pesca), mas a contribuição da agricultura para o PIBé relativamente pequena, o que é indicador de baixa produtividade (verFigura 4 e Figura 5)
FIGURA 3.RNB PER CAPITA EM DÓLARES DOS EUA CORRENTES (MÉTODO ATLAS),2019
Fonte: Banco Mundial, Indicadores de Desenvolvimento Mundial.
Nota: Posteriormente à definição das categorias de rendimento com base nos dados de 2019 para o exercício de
2021, o Sri Lanka foi reclassificado pelo Banco Mundial de economia de rendimento médio-elevado para economia de rendimento médio-baixo.
4Como os dados fornecidos nos relatórios nacionais da NRS-ODS nem sempre são comparáveis ou
normalizados, foi tomada a decisão de confiar em dados internacionais de fontes reconhecidas que passaram por verificações de qualidade.As bases de dados internacionais usadas incluem as mantidas pelo Departamento das Nações Unidas para os Assuntos Económicos e Sociais, pela Organização Internacional do Trabalho, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Banco Mundial.
1,240 1,390 1,530 1,940 2,570 3,790 4,020 4,480 4,780 7,030 7,260 8,820 12,630 21,940 Kyrgyz R. Myanmar Cambodia Bangladesh Lao PDR Mongolia Sri Lanka Azerbaijan Georgia Serbia Thailand Kazakhstan Romania Czech R. Lower-middle income High income Upper-middle income World Bank classification for 2019
(FY 2021) Chéquia Roménia Cazaquistão Tailândia Sérvia Geórgia Azerbaijão Sri Lanka Mongólia RDP Laos Bangladesh Camboja Myanmar R. Quirguiz. Rendimento médio-baixo Rendimento elevado Rendimento médio-alto Classificação do Banco Mundial para
FIGURA 4.PARTICIPAÇÃO SETORIAL DO VALOR ACRESCENTADO, 2019(PERCENTAGEM DO PIB)
Fonte: Banco Mundial, Indicadores de Desenvolvimento
Mundial.
Notas: As percentagens não totalizam 100 em alguns
países; para estes, a diferença foi calculada e designada como “outros”. Isto dever-se-á provavelemente a diferenças de classificação entre os sistemas de contabilidade nacional. Não foi feita qualquer tentativa para normalizar para 100 por cento. Os dados para Myanmar são de 2018.
FIGURA 5.PERCENTAGEM DO EMPREGO TOTAL POR SETOR, 2020
Fonte: Banco Mundial, Indicadores de Desenvolvimento
Mundialde estimativa modelada da Organização Internacional do Trabalho. 6 21 11 21 15 12 6 13 4 2 4 7 8 7 37 39 40 41 43 50 51 53 56 57 58 58 59 61 Azerbaijan Cambodia Mongolia Myanmar Lao PDR Kyrgyz R. Serbia Bangladesh Kazakhstan Czech R. Romania Sri Lanka Thailand Georgia
Others Agriculture Industry Services D
62 48 31 38 41 24 31 21 36 27 20 15 3 15 12 16 30 22 14 30 23 30 15 19 25 27 37 20 26 36 39 41 44 46 46 49 50 54 55 58 60 64 Lao PDR Myanmar Cambodia Bangladesh Georgia Sri Lanka Thailand Romania Azerbaijan Mongolia Kyrgyz R. Serbia Czech R. Kazakhstan
Agriculture Industry Services
Geórgia Tailândia Sri Lanka Roménia Chéquia Cazaquistão Bangladesh Sérvia R. Quirguiz. RDP Laos Myanmar Mongólia Camboja Azerbaijão
Outras Agricultura Indústri a Serviços D Cazaquistão Chéquia Sérvia R. Quirguiz. Mongólia Azerbaijão Roménia Tailândia Sri Lanka Geórgia Bangladesh Camboja Myanmar RDP Laos
2.1.2 Pessoas
O desenvolvimento humano é um fator importante para o crescimento económico sustentável e está relacionado com o bem-estar. Com base nos seus respetivos valores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os 14 países do projeto classificam-se com valores médios a muito elevados de desenvolvimento humano (ver Figura 6). Este índice composto tem três dimensões: uma vida longa e saudável, representada pela esperança de vida à nascença (ver Figura 7); o conhecimento, representado pelos anos de escolaridade média e esperada (verFigura8); e uma qualidade de vida aceitável, representada pelo rendimento nacional bruto (RNB)per capita (verFigura 3) (PNUD, 2020).
FIGURA 6.ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO,2019
Fonte: PNUD (2020).
FIGURA 7.ESPERANÇA DE VIDA À NASCENÇA,2019
Fonte: PNUD (2020).
Os níveis elevados de desenvolvimento humano nem sempre estão ligados a rendimentos elevados; também derivam da implementação de políticas apropriadas. Determinados países do projeto, como o Sri Lanka, a República do Quirguizistão e a Geórgia, têm uma posição de desenvolvimento humano muito mais elevada do que outros países de rendimento comparável (o que se reflete num elevado valor relativo quando a classificação do IDH é subtraída da classificação do RNB per capita); em contrapartida, outros há que têm níveis mais reduzidos de desenvolvimento humano do que outros países de rendimento comparável (verFigura 9)
FIGURA8.ANOS DE ESCOLARIDADE MÉDIA E ESPERADA, 2019
Fonte: PNUD (2020).
FIGURA 9.CLASSIFICAÇÃO NO RENDIMENTO PER CAPITA MENOS CLASSIFICAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO, 2019
Fonte: PNUD (2020).
Os 14 países do projeto também podem ser examinados na perspetiva do Índice de Ativos Humanos (IAH) (verFigura10) Este índice composto foi desenvolvido pelo DAES com base em seis indicadores-chave que contribuem para o desenvolvimento dos ativos humanos num país: taxa de mortalidade abaixo dos cinco anos, taxa de mortalidade materna, prevalência de atrasos no crescimento, taxa bruta de matrícula no ensino secundário, taxa de alfabetização de adultos e índice de paridade de género para as matrículas brutas no ensino secundário. O IAH é um dos três componentes usados pelas Nações Unidas para determinar o estado de desenvolvimento de um país (Comité das Nações Unidas para o Secretariado de Política de Desenvolvimento, 2020).Os ativos humanos são vitais para garantir o desenvolvimento sustentável e o crescimento económico no longo prazo. São necessárias crianças saudáveis e bem alimentadas, ensino, igualdade de género e literacia funcional para o reforço dos ativos humanos.
O capital humano está intimamente relacionado com a produtividade e o PIB. O Índice de Capital Humano (ICH), desenvolvido pelo Grupo do Banco Mundial, fornece uma medida relativa do capital humano que uma criança nascida hoje pode esperar adquirir até aos 18 anos, com base na situação sanitária e do ensino num determinado país.5Em países onde o ICH é inferior a 0,50 (como é o caso de Myanmar, do Bangladesh e da República Democrática Popular do Laos), prevê-se que a produtividade aos 18 anos de uma criança nascida hoje seja menos de metade da produtividade de outra pessoa de 18 anos que tenha tido o benefício de uma saúde plena e de um ensino completo. O ICH está relacionado com a quantidade de receita que um país consegue gerar; uma pontuação de ICH de 0,50 significa que o PIB por trabalhador poderia ser o dobro, se o país tivesse atingido os valores de referência relevantes para a saúde e o ensino (ver Figura 11) (Banco Mundial, 2020b).
5O ICH reflete os seguintes componentes do capital humano: a probabilidade de sobrevivência até os cinco
anos, a expetativa de anos de escolaridade na infância, os resultados em testes harmonizados como medida da qualidade da aprendizagem (combinada com anos de escolaridade para obter anos de escolaridade ajustados pela aprendizagem), a taxa de sobrevivência na idade adulta (parcela da população de 15 anos que sobreviverá até os 60 anos) e a proporção de crianças sem atrasos de crescimento.
10.7 11.0 11.5 11.6 12.9 13.0 14.1 14.2 14.3 14.7 15.0 15.3 15.6 16.8 5.0 5.3 5.0 6.2 10.6 11.1 10.6 10.3 11.1 11.2 7.9 13.1 11.9 12.7 Myanmar Lao PDR Cambodia Bangladesh Azerbaijan Kyrgyz R. Sri Lanka Mongolia Romania Serbia Thailand Georgia Kazakhstan Czech R.
Mean years of schooling Expected Years of schooling
FIGURA10.ÍNDICE DE ATIVOS HUMANOS, PAÍSES SELECIONADOS,2000-2020
Fonte: Comité das Nações Unidas para o
Secretariado de Política de Desenvolvimento (2020), Estimativas das séries temporais dos critérios dos PMD, 12 de abril de 2020.
Nota: Não estavam disponíveis dados para a
Chéquia, a Roménia e a Sérvia.
FIGURA 11.ÍNDICE DE CAPITAL HUMANO, PAÍSES SELECIONADOS,2020
Fonte: Banco Mundial (2020b),Projeto de Capital
Humano.
Nota: Não estavam disponíveis dados para o
Camboja e o Sri Lanka.
Os jovens são cruciais nos esforços para desenvolver o capital humano. Existem vários indicadores que capturam a situação dos jovens num determinado contexto nacional. A percentagem de jovens que não estudam, não trabalham ou têm formação reflete a qualidade do ensino de um país, a sua capacidade de resposta à procura do mercado de trabalho, a força da sua economia e o acesso dos jovens ao ensino e ao desenvolvimento de competências (verFigura12).Os jovens tendem a ser pioneiros na adoção das tecnologias digitais e estão entre os mais afetados pelos esforços de um país para melhorar a conectividade com a Internet e para desenvolver competências em TIC. A percentagem da população com acesso à Internet nos últimos três meses é um indicador da evolução de um país neste aspeto (verFigura 13).6
6A Internet pode ser acedida por meio de dispositivos como computadores, telemóveis, assistentes digitais
pessoais, consolas de jogos e televisores digitais (inteligentes).
30 55 37 44 79 88 83 80 75 88 89 68 72 72 75 92 92 94 94 95 97 98 C a mbo d ia My a n mar L a o P D R B a n g lad e s h A z e rb a ija n S ri L a n k a Tha ila n d K y rg y z s ta n Mon g o lia Ge o rg ia K a z a k h s ta n Year 2000 Year 2020 0.45 0.45 0.46 0.57 0.53 0.58 0.59 0.59 0.61 0.66 0.73 0.47 0.48 0.49 0.59 0.61 0.62 0.63 0.64 0.65 0.70 0.77 Lao PDR Bangladesh Myanmar Azerbaijan Georgia Kyrgyz R. Thailand Mongolia Kazakhstan Serbia Czech R.
Female HCI Male HCI
C a mbo ja My a n mar RD P L a o s B a n g lad e s h A z e rb a ijã o Sri La n k a Tailân d ia Qu irg u iz is tã o Mon g ó lia Ge ó rg ia Ca z a q u is tã o Ano 2000 Ano 2020 Chéquia Sérvia Cazaquistã o Mongólia Tailândia R. Quirguiz. Geórgia Azerbaijão Myanmar Bangladesh RDP Laos
FIGURA12.JOVENS QUE NÃO ESTUDAM, NÃO TRABALHAM OU NÃO ESTÃO A TER FORMAÇÃO,2017–2019
(PERCENTAGEM)
Fonte: Banco Mundial, Indicadores de
Desenvolvimento Mundialde estimativas modelada da Organização Internacional do Trabalho.
Nota: Não estavam disponíveis dados sobre o
Azerbaijão.
FIGURA 13.PERCENTAGEM DA POPULAÇÃO QUE USA A
INTERNET,2019
Fonte: Banco Mundial, Indicadores de
2.1.3 Ambiente
O bem-estar sustentável das pessoas está intimamente ligado ao estado do ambiente.Em qualquer país, o risco de degradação ambiental é maior quando a economia depende fortemente dos rendimentos dos recursos naturais.7Os governos estão cada vez mais conscientes desta situação e estão a envidar esforços para reduzir a dependência de recursos naturais como florestas, recursos de água doce e marinhos e recursos minerais e de hidrocarbonetos. Entre os 14 países do projeto a Mongólia, o Azerbaijão, o Cazaquistão e a República do Quirguizistão têm os maiores rendimentos de recursos naturais como percentagem do PIB, seguidos pela República Democrática Popular do Laos e por Myanmar (ver Figura 14).
A mudança do indicador que inclui o acesso a serviços básicos de água potável (indicador ODS 1.4.1) para o novo indicador sobre a proporção da população que usa serviços de água potável geridos de forma segura (indicador ODS 6.1.1) representa desafios na medição.Três dos países do projeto - Myanmar, Tailândia e Sri Lanka - não têm dados nacionais comparáveis disponíveis para o novo indicador.8Não obstante, os países estão a envidar esforços para medir este indicador, que considera a natureza da fonte de água, a saúde do ambiente e a capacidade institucional para gerir e fornecer água potável segura. Para este indicador, a Chéquia ocupa o primeiro lugar entre os países do projeto, seguida pelo Cazaquistão e pela Roménia. Como ilustra a Figura 15, todos os países têm dados que mostram uma elevada cobertura de serviços básicos de água potável (incluídos no indicador 1.4.1),9 mas isso não é garantia da qualidade da água, o que é uma preocupação genuína, já que a contaminação significativa com Escherichia coli (E. coli) é um risco comum (Bain e outros, 2014).
7Os rendimentos totais dos recursos naturais são a soma dos rendimentos do petróleo, do gás natural, do
carvão (hulha e betuminoso), rendimentos minerais e rendimentos florestais (Banco Mundial, sd (b),Indicadores de Desenvolvimento Mundial).
8OPrograma de Monitorização Conjunta OMS/UNICEFpara Abastecimento de Água, Saneamento e Higiene é a
principal fonte para o indicador ODS 6.1.1., que reflete a percentagem da população que usa fontes de água potável geridas de forma segura (fontes melhoradas livres de contaminação fecal e química prioritária, acessíveis no local e disponíveis quando necessário).
9Para os países menos desenvolvidos, é usado o indicador ODS 1.4.1. (acesso a serviços básicos de água
FIGURA 14.TOTAL DE RENDIMENTOS DE RECURSOS NATURAIS,2018(PERCENTAGEM DO PIB)
Fonte: Banco Mundial, Indicadores de
Desenvolvimento Mundial.
FIGURA 15.PERCENTAGEM DA POPULAÇÃO QUE USA SERVIÇOS DE ÁGUA POTÁVEL GERIDOS DE FORMA SEGURA E SERVIÇOS BÁSICOS DE ÁGUA POTÁVEL,2017
Fontes: OMS e UNICEF, Programa Conjunto de
Monitorização OMS/UNICEFpara Abastecimento de Água, Saneamento e Higiene; UNICEF, UNICEF Data Warehouse.
2.1.4 Evolução no sentido dos ODS
Comparar a evolução no sentido do cumprimento dos ODS entre os países é desafiante. As diferenças na interpretação dos ODS, as complexidades decorretnes dos ODS (nomeadamente, a utilização de diferentes conjuntos de indicadores), a falta de dados comparáveis e as diferenças nos contextos nacionais e nas situações iniciais representam desafios específicos.
O Índice ODS representa um esforço para avaliar e classificar o desempenho dos países e para resumir as tendências relativamente aos ODS individuais e a todos os 17 ODS. Este é um índice composto calculado a partir de dados publicamente disponíveis do sistema das Nações Unidas de e outras fontes. O Índice ODS 2020 abrange 166 países e consiste em 115 indicadores: 85 indicadores globais e 30 indicadores adicionados especificamente para países que sejam membros daOrganização para a Cooperação e o DesenvolvimentoEconómico (OCDE). O procedimento para calcular o Índice ODS inclui ignorar os valores extremos da distribuição para cada indicador, redimensionar os dados para garantir a comparabilidade entre indicadores e agregar os indicadores dentro de e entre os ODS (ver Figura 16) (Sachs e outros, 2020). 0.1 0.2 0.7 0.8 0.8 1.0 1.3 2.0 6.6 6.7 11.5 22.4 29.6 40.1 Sri Lanka Czech R. Bangladesh Georgia Cambodia Romania Serbia Thailand Myanmar Lao PDR Kyrgyz R. Kazakhstan Azerbaijan Mongolia 16 24 26 55 68 74 75 80 82 90 98 0 20 40 60 80 100 Myanmar Sri Lanka Thailand Lao PDR Mongolia Cambodia Bangladesh Kyrgyz R. Azerbaijan Serbia Georgia Romania Kazakhstan Czech R.
Safely managed drinking water Basic drinking water (no quality testing)
Mongólia Azerbaijão Cazaquistão R. Quirguiz. RDP Laos Myanmar Tailândia Sérvia Roménia Camboja Geórgia Bangladesh Chéquia Sri Lanka Chéquia Cazaquistão Roménia Geórgia Sérvia Azerbaijão R. Quirguiz. Bangladesh Camboja Mongólia RDP Laos Tailândia Sri Lanka Myanmar
FIGURA 16.PAINEL ODS2020 PARA OS 14 PAÍSES DO PROJETO NRS-ODS País Objetiv o 1 Objetivo 2 Objetivo 3 Objetivo 4 Objetivo 5 Objetivo 6 Objetivo 7 Objetivo 8 Objetivo 9 Objetivo 10 Objetivo 11 Objetivo 12 Objetivo 13 Objetivo 14 Objetiv o 15 Objetivo 16 Objetivo 17
Chéquia verde laranja laranja laranja laranja verde laranja verde laranja amarelo amarelo laranja vermelh o cinza amarel o amarelo vermelh o Sérvia verde laranja laranja amarelo laranja laranja amarelo laranja laranja amarelo laranja laranja amarelo cinza laranja laranja amarelo
Roménia verde laranja laranja amarelo laranja laranja amarelo amarelo laranja vermelh
o amarelo laranja amarelo vermelh
o verde laranja amarelo
Tailândia verde laranja vermelh
o amarelo laranja laranja laranja amarelo laranja vermelh
o laranja laranja laranja laranja laranja laranja laranja
R. Quirguiz. amarel
o laranja laranja amarelo laranja laranja amarelo vermelh
o vermelh
o amarelo laranja amarelo amarelo cinza amarel
o vermelh
o amarelo
Azerbaijão verde laranja laranja amarelo vermelh
o laranja amarelo vermelh
o laranja laranja amarelo amarelo laranja cinza laranja vermelh
o amarelo
Geórgia laranja laranja vermelh
o amarelo vermelh
o amarelo amarelo laranja laranja vermelh
o laranja amarelo amarelo laranja amarel o amarelo laranja Cazaquistão verde vermelh o vermelh
o amarelo amarelo amarelo amarelo laranja laranja vermelh
o amarelo laranja laranja cinza laranja vermelh o laranja Sri Lanka amarel o vermelh o laranja verde vermelh o vermelh o vermelh o amarelo vermelh o vermelh
o laranja amarelo verde laranja laranja vermelh
o laranja
Myanmar laranja laranja vermelh o vermelh o laranja vermelh o vermelh o vermelh o vermelh o laranja vermelh
o verde amarelo laranja laranja laranja vermelh o Camboja amarel o vermelh o vermelh o laranja vermelh o vermelh o vermelh o vermelh o vermelh
o laranja laranja verde verde vermelh o laranja vermelh o laranja Mongólia amarel o vermelh o vermelh o verde laranja vermelh o vermelh o laranja vermelh o vermelh o vermelh o vermelh o vermelh o cinza amarel o vermelh o amarelo Bangladesh laranja vermelh o vermelh o amarelo laranja vermelh o laranja amarelo vermelh o laranja vermelh
o verde verde laranja laranja vermelh o vermelh o RDP Laos laranja vermelh o vermelh o laranja laranja vermelh o laranja laranja vermelh o vermelh
o laranja verde verde cinza laranja vermelh
o
vermelh o
verde Realização do objetivo laranja Desafios significativos
amarelo Desafios remanescentes vermelho Desafios importantes
cinza N/D
Fonte : Sachs e outros (2020).
Os países com um menor Índice ODS têm geralmente desafios relacionados com vários ODS.Estes desafios tendem a estar ligados ao subdesenvolvimento e à desigualdade, particularmente os ODS 2 e 3 e os ODS 5 a 10, relacionados com nutrição, saúde, género, água e saneamento, energia, emprego, infraestruturas e desigualdades. Entre estes, o ODS 9 tem uma relação direta com os investimentos em infraestruturas para a NRS, especialmente na componente comercial e de transportes (ver Figura 19eFigura 20).
FIGURA17.PONTUAÇÕES DO ÍNDICE ODS2020 PARA OS 14 PAÍSES DO PROJETO NRS-ODS
Fonte: Sachs e outros (2020).
FIGURA18.CLASSIFICAÇÕES DO ÍNDICE ODS2020 PARA OS 14 PAÍSES DO PROJETO NRS-ODS
Fonte: Sachs e outros (2020).
FIGURA 19.PONTUAÇÃO DO ÍNDICE ODS9 PARA OS 14
PAÍSES DO PROJETO NRS-ODS
Fonte: Sachs e outros (2020).
FIGURA 20.ÍNDICE DE DESEMPENHO LOGÍSTICO:
QUALIDADE DAS INFRAESTRUTURAS COMERCIAIS E DE TRANSPORTE
Fonte : Sachs e outros (2020).
8 4 .7 80 .6 75 .2 74.8 7 4 .5 73.0 7 2 .6 71.9 71.1 66.9 64 .6 6 4 .4 64.0 6 3 .5 62.1 3 8 .5 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Hi g h e s t Cze ch R. S e rb ia Ro m a n ia T h a ila n d K yr g yz R. A ze rb a ija n Ge o rg ia K a z a kh sta n S ri L a n ka M ya n m a r Ca m b o d ia M o n g o lia B a n g la d e sh L a o P DR L o we st Lower-middle income High income Upper-middle income
World Bank classification for 2019 (FY 2021) 1 . Hi g h e st 8 . Cze ch R. 3 3 . S e rb ia 3 8 . Ro m a n ia 4 1 . T h a ilan d 5 2 . K yr g yz R. 5 4 . A ze rb a ija n 5 8 . G e o rg ia 6 5 . K a za kh sta n 9 4 . S ri L a n ka 10 4 . M yan m ar 1 0 6 . Cam b o d ia 1 0 7 . M o n g o lia 1 0 9 . B a n g lad e sh 1 1 6 . L a o P DR 1 6 6 . L o west Ranking 1 Ranking 166 1 7 .5 4 2 3 .4 7 2 4 .7 5 2 4 .9 9 2 6 .5 5 2 8 .4 3 3 3 .7 9 3 4 .6 4 3 7 .1 5 4 0 .9 7 4 9 .4 4 5 3 .2 5 5 3 .5 7 8 .4 4 L a o P D R My a n mar B a n g lad e s h C a mbo d ia Mon g o lia K y rg y z R . S ri L a n k a A z e rb a ija n Ge o rg ia K a z a k h s ta n S e rb ia R o man ia Tha ila n d C z e c h R . 1 7 .9 6 2 2 .5 5 2 4 .7 7 3 5 .2 3 3 5 .5 5 3 5 .8 6 3 8 .2 3 4 0 .4 1 4 3 .0 0 4 5 .4 6 5 0 .6 4 5 9 .4 1 6 9 .9 1 8 4 .7 7 M ya n m a r M o n g o lia Ca m b o d ia K yr g yz R. Ge o rg ia B a n g la d e sh L a o P DR S ri L a n ka K a z a kh sta n S e rb ia A ze rb a ija n Ro m a n ia T h a ila n d Cze ch R. M a is b a ix o RD P L a o s B a n g la d e sh M o n g ó li a Cam b o ja M ya n m a r S ri L a n ka Caza q u ist ã o Ge ó rg ia A ze rb a ijã o R. Q u irg u iz. T a ilâ n d ia Rom é n ia S é rvia Ché q u ia M a is e lev a d o 1 6 6 M a is b a ixo 1 1 6 RDP L a o s 1 0 9 B a n g lad e s h 1 0 7 M o n g ó lia 1 0 6 Ca m b o ja 1 0 4 M ya n m a r 9 4 S ri L a n ka 6 5 Ca za q u istã o 5 8 G e ó rg ia 5 4 A ze rb a ijã o 5 2 R. Qu ir g u iz. 4 1 T a ilâ n d ia 3 8 Ro m é n ia 3 3 S é rvia 8 Ch é q u ia 1 O m a is e lev a d o C h é q u ia Tailân d ia R o mén ia S é rv ia C a z a q u is tã o Ge ó rg ia A z e rb a ijã o S ri L a n k a R . Qu irg u iz . Mon g ó lia C a mbo ja B a n g lad e s h My a n mar R D P L a o s Ché q u ia T a ilâ n d ia Rom é n ia A ze rb a ijã o S é rvia Caza q u ist ã o S ri L a n ka RD P L a o s B a n g la d e sh Ge ó rg ia R. Q u irg u iz. Cam b o ja M o n g ó li a M ya n m a r Clas-sificação 1 Clas-sificação 166 Rendimento médio-baixo Rendimento elevado Rendimento médio-elevado
Classificação do Banco Mundial para 2019
2.2 Contextos de desenvolvimento
Azerbaijão. Para conseguir um crescimento inclusivo e sustentável, o Azerbaijão está a a priorizar a diversificação económica para além do setor dos hidrocarbonetos. Devido à sua localização estratégica na encruzilhada transcontinental, o Azerbaijão aspira a tornar-se um centro económico e de transportes na Eurásia Central e uma plataforma para projetos de transporte ao longo dos corredores de Cooperação Económica Regional da Ásia Central.Os baixos preços do petróleo, os confinamentos da COVID-19 e os cortes nas remessas devidos à desaceleração na Federação Russa e na Turquia contribuíram para uma contração de 2,7 por cento no PIB no primeiro semestre de 2020, apesar de um estímulo fiscal igual a 4,3 por cento do PIB, que limitou a contração (Banco Asiático de Desenvolvimento, 2020). A estratégia nacional do país (Azerbaijão 2020: Olhar para o Futuro) visa transformar o Azerbaijão numa economia baseada no conhecimento, aumentar a competitividade do país e diversificar a sua estrutura económica (Azerbaijão, 2020). Uma revisão da evolução dos ODS no Azerbaijão mostra os principais desafios ligados aos ODS 5, 8 e 16, embora o Azerbaijão tenha bons resultados na redução da pobreza (ODS 1) e uma pontuação relativamente alta no Índice de Desempenho Logístico (parte do ODS 9), que indica a qualidade das infraestruturas comerciais e relacionadas com transportes (Sachs e outros, 2020).
Bangladesh. No Bangladesh, a rápida evolução na redução da pobreza e na sustentação do crescimento económico implicou outros desafios (Nações Unidas, sd (d)).A oferta de infraestruturas e de serviços não acompanhou a rápida urbanização do país nem a crescente procura por infraestruturas de energia e transporte. A propagação da COVID-19 reduziu o crescimento do PIB para cerca de 5,2 por cento no exercício de 2020, abaixo do crescimento de 8,2 por cento no exercício de 2019 (Banco Asiático de Desenvolvimento, 2020).As metas de desenvolvimento são articuladas nas estratégias nacionais, Visão 2021 e Visão 2041. O Bangladesh tem um Índice ODS relativamente baixo, devido aos grandes desafios associados aos ODS 2, 3, 6, 9, 11, 16 e 17 (Sachs e outros, 2020). Outro desafio é a elevada vulnerabilidade do país às alterações climáticas (ODS 13).
RChéquia. A Chéquia é altamente industrializada e possui infraestruturas relativamente bem desenvolvidas nos setores rodoviário, ferroviário, da energia e das telecomunicações.A economia depende principalmente da indústria transformadora (automóvel e eletrónica), da indústria pesada e de setores agrícolas tecnologicamente avançados. Ter uma economia com uma participação excecionalmente alta da indústria no PIB apresenta riscos (Nações Unidas, 2020, Chéquia). Isto foi visível durante a atual pandemia de COVID-19: o setor transformador, e em especial a produção de automóveis, foi duramente atingido pela diminuição da procura global. Em 2020, a procura nacional, as receitas fiscais e as exportações caíram, e estima-se que o PIB tenha diminuído 6,5% (FMI, 2020). O crescimento no longo prazo exigirá indústrias com maior valor acrescentado baseadas em novas tecnologias, o que implica investimentos significativos no capital humano e alterações correspondentes nas políticas fiscais e estruturais. Redes rodoviárias, ferrovias de alta velocidade, um porto ferroviário e energias renováveis são áreas possíveis para investimento da NRS, apesar de não ter sido ainda tomada qualquer medida a este respeito (Nações Unidas, 2020, Chéquia).O plano nacional, um quadro estratégico conhecido como Chéquia 2030 e baseado na Agenda 2030, define objetivos e identifica áreas para melhoria. A Chéquia ocupa a posição mais alta entre os 14 países do projeto e a oitava posição global no Índice ODS de 2020, tendo conseguido uma evolução significativa no sentido da consecução da maioria dos ODS. Os principais desafios assinalados são as emissões sob o ODS 13 e as parcerias (nomeadamente, para apoio oficial ao desenvolvimento enquanto país do Comité de Apoio ao Desenvolvimento da OCDE) sob o ODS 17 (Sachs e outros, 2020).
Geórgia. As reformas económicas na Geórgia levaram à redução da pobreza e melhoraram os padrões de vida na última década. Porém, crê-se que a pandemia da COVID-19 reverteu alguns destes ganhos, com as estimativas para 2020 a indicar uma contração de 5% no crescimento do PIB para o ano (Banco Asiático de Desenvolvimento, 2020). A estratégia de desenvolvimento nacional, Geórgia 2020, é o principal instrumento de planeamento do país. A Geórgia identificou quatro ODS que podem ser alinhados com a NRS: ODS 7 (energia), ODS 8 (trabalho), ODS 9 (infraestruturas) e o ODS 10 (desigualdade) (Nações Unidas, 2020, Geórgia). O Índice ODS para a Geórgia está acima da mediana, embora permaneçam desafios importantes nos ODS 3, 5 e 10 (Sachs e outros, 2020).