MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE SOCIAL
Gabinete do Secretário de Estado da Segurança Social
MEDIDAS DE REVISÃO DA PROTECÇÃO SOCIAL NA EVENTUALIDADE DE DESEMPREGO
«A protecção no desemprego constitui-se como uma das pedras basilares da generalidade dos sistemas de protecção social. Também em Portugal tal se verifica, sendo esta prestação um elemento essencial do sistema de segurança social, cuja importância tem vindo a aumentar com a aceleração dos ritmos de transformação dos sistemas económicos.».
É efectivamente imperioso que se tenha em conta a alteração dos paradigmas de funcionamento dos sistemas económicos e de protecção social. A garantia de elevadas taxas de emprego e a manutenção de taxas de desemprego estrutural reduzidas, só se poderá conseguir através de um aumento dos esforços no sentido da activação rápida dos trabalhadores que temporariamente se encontrem em situação de desemprego, pois o ciclo de deterioração das qualificações é hoje substancialmente mais acelerado. Por outro lado, exige-se também uma maior prioridade ao envelhecimento activo dos trabalhadores, em sintonia com a evolução da esperança média de vida.
Contudo, os níveis de desemprego que hoje se verificam em Portugal devem recordar-nos a verdadeira natureza e importância desta prestação, de onde decorre que não será pela redução dos direitos garantidos aos cidadãos, mas sim através de uma actuação pró-activa e preventiva que os problemas sociais serão melhor abordados.
O reforço e a sustentação da protecção social fazem-se por via do reforço das exigências das partes, na relação entre o Estado e os cidadãos. Não se poderá admitir uma atitude de passividade por parte dos beneficiários de subsídio de desemprego, no cumprimento das suas obrigações de procura activa de emprego e de disponibilidade total para todos os esforços de activação. Por outro lado, aos serviços públicos de emprego teremos que exigir uma actuação cada vez mais personalizada e mais e melhores esforços na garantia de novas oportunidades de qualificação e inserção profissional dos beneficiários.
Mas é também imperioso um reforço dos factores dissuasores dos comportamentos indevidos. O Estado deve acentuar a sua confiança nos cidadãos, mas deverá igualmente ser exemplar no tratamento das situações de abuso dessa confiança que venham a ser detectadas futuramente. É
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também agindo sobre estas situações que se reforçará a confiança dos cidadãos na globalidade do sistema de protecção social.
Importa, ainda, reforçar os mecanismos de garantia de que o acesso ao subsídio de desemprego ocorre apenas em situação de verdadeira involuntariedade do desemprego, pois o sistema de protecção social não deverá continuar a suportar os custos decorrentes de situações de acordo entre trabalhadores e empresas com vista à obtenção mútua de benefícios.
O Governo considera, não só desejável, como também possível, a construção de um elevado nível de consenso nos principais objectivos e nas medidas de reforma da protecção em situação de desemprego, muito em particular no que respeita:
• à co-responsabilização de beneficiários e serviços públicos de emprego relativamente à construção de um verdadeiro compromisso de activação e inserção profissional;
• à adequação dos mecanismos de avaliação da disponibilidade do beneficiário para as oportunidades de activação garantidas pelos serviços públicos de emprego, diferenciando-os em função das características dos beneficiários mas também da situação do mercado de trabalho onde se inserem;
• ao aprofundamento dos instrumentos de combate à fraude no acesso ao subsídio de desemprego, que faz perigar a protecção social e a sã concorrência entre as empresas;
• à promoção do envelhecimento activo dos trabalhadores, garantindo a cada um todas as possibilidades de permanência no mercado de trabalho, sem prejuízo da necessidade de reforçar os mecanismos de protecção social em situação de carência.
Assim, no desenvolvimento do Documento “Linhas Gerais de Revisão da Protecção Social na Eventualidade de Desemprego”, e tendo em conta os contributos oportunamente recebidos dos Parceiros Sociais, o Governo propõe as seguintes medidas:
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A ACTIVAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS E O PAPEL DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE EMPREGO
As medidas de activação dos beneficiários têm subjacente o princípio de que todos os inscritos no centro de emprego, e em particular os beneficiários do subsídio de desemprego, têm o dever de procurar activamente um emprego e participar em todas as acções que visem melhorar a sua empregabilidade e sujeitar-se ao controlo e acompanhamento por parte dos serviços públicos de emprego.
No âmbito da procura activa de emprego, cada beneficiário do subsídio de desemprego deve ser o primeiro responsável em encetar esforços no sentido de promover a sua empregabilidade.
Neste quadro, afigura-se de primordial importância, desde o primeiro momento, definir e contratualizar os limites mínimos a que o beneficiário está obrigado no esforço de procura activa e estabelecer mecanismos eficazes de comprovação desse esforço.
O Plano Pessoal de Emprego
O Plano Pessoal de Emprego (PPE) ao fixar, de acordo com o perfil e circunstâncias específicas de cada beneficiário, as acções a realizar que melhor promovam a sua empregabilidade, é também um instrumento de co- responsabilização dos serviços públicos de emprego perante o beneficiário, devendo ser assumido em conjunto com o beneficiário.
Os serviços públicos de emprego, de acordo com a avaliação que fizerem das características específicas de cada beneficiário, estabelecem uma proposta de plano pessoal de emprego que consiste num projecto de inserção sócio-profissional com o objectivo de definir e estruturar as acções que visam a integração do candidato no mercado de trabalho.
Nesse sentido, no PPE deverão ser estabelecidas orientações quanto às medidas que o beneficiário deve encetar no sentido de melhorar a sua empregabilidade, quais os esforços de procura activa mais adequados, eventuais necessidades de formação profissional e ainda, tendo em conta a conjuntura específica do mercado de trabalho, quais os empregos em que se poderá verificar uma mais rápida inserção profissional.
No quadro da contratualização do Plano Pessoal de Emprego, serão definidas as intervenções de Procura Activa de Emprego e
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respectiva forma e periodicidade da prova a desenvolver por parte do beneficiário, tendo em conta, nomeadamente, as suas características e do mercado de trabalho em que se insere;
Para o efeito, com a celebração do Plano Pessoal de Emprego os serviços públicos de emprego devem procurar assegurar uma forma adequada e eficaz de monitorização das diligências efectuadas pelos desempregados na procura activa de emprego, o que passará pela entrega ao beneficiário de um dossier para efeitos de compilação da informação comprovativa dos esforços e diligências por ele efectuadas, tais como:
• Respostas escritas a anúncios de emprego;
• Respostas e ou comparências a oportunidades de emprego divulgadas pelo centro de emprego ou pelos meios de comunicação social;
• Declarações de entidades empregadoras contactadas com o objectivo de procura de emprego;
• Apresentação de candidaturas espontâneas;
• Respostas a ofertas disponíveis na Internet;
• Registo de curriculum vitae em sites da Internet.
• Comprovativos de prestação de trabalho em regime de voluntariado nos termos previstos no DL 389/99, de 30 de Setembro, e bem assim de prestação de trabalho de utilidade social a favor de entidades sem fins lucrativos, não incluída no âmbito dos programas ocupacionais, por candidatos aptos com idade igual ou superior a 55 anos.
Os serviços públicos de emprego devem prestar acompanhamento a cada beneficiário, devendo este ser graduado em função das suas necessidades específicas, privilegiando-se sobretudo as medidas de apoio à sua colocação sempre que o mesmo apresente um perfil ajustado a uma inserção imediata no mercado de trabalho e as medidas que aumentam a sua qualificação, no sentido de promover um maior ajustamento às necessidades desse mercado, sempre que estes revelem competências inadequadas ou insuficientes para assegurar a sua inserção profissional.
Os beneficiários terão acesso a uma gama de serviços em regime de livre acesso, disponibilizados sob a forma de várias modalidades, nomeadamente através de serviços interactivos via
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Internet (IEFP NETemprego), bem como do apoio dos técnicos dos centros de emprego na aquisição de estratégias de aproximação ao mercado de trabalho, ou outras intervenções promotoras da empregabilidade
Neste âmbito, será criada uma nova funcionalidade que permitirá a cada beneficiário, após identificação das suas características específicas, obter informação on-line das ofertas de emprego disponíveis, que mais se lhe adequem, ainda que noutros espaços territoriais.
Os serviços públicos de emprego promoverão diligências junto das empresas, no sentido de aumentar a oferta de emprego disponível, criando canais de informação céleres e eficazes à disposição dos beneficiários desempregados.
A contratualização dos Plano Pessoais de Emprego será concretizada de acordo com a seguinte categorização, que decorre do prognóstico de dificuldades de inserção que o Centro de Emprego efectua a cada desempregado na entrevista inicial:
para os que não tenham dificuldades significativas de inserção, mas apresentem défices de empregabilidade, a definição do Plano Pessoal de Emprego (PPE) e a respectiva contratualização será feita, em regra, no momento da inscrição no Centro de Emprego (no chamado fluxo);
para os que apresentem um perfil ajustado ao mercado de trabalho, podendo à partida ser de mais fácil (re)inserção, o PPE e respectiva contratualização só é realizado se este não obtiver uma colocação após 30 dias de inscrição, caso em que o PPE será celebrado nos trinta dias seguintes;
para os que apresentem dificuldades significativas de inserção, o PPE e respectiva contratualização serão efectuados em sessão colectiva ou em entrevista individual, de acordo com a marcação efectuada na entrevista inicial, no prazo máximo de trinta dias.
A AVALIAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE ACTIVAÇÃO: O CONCEITO DE EMPREGO CONVENIENTE
O actual conceito de emprego conveniente é bastante vago, impreciso e pouco operativo no sentido de permitir a melhor e mais rápida colocação no mercado dos beneficiários.
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A indefinição legal, nomeadamente quanto à delimitação do conceito de prejuízo grave, tem facilitado recusas indevidas, pelo que importa concretizar este conceito de modo mais preciso e clarificador.
Por outro lado, reconhecendo a importância de uma intervenção precoce, que evite a criação de situações de desemprego de longa duração numa lógica de intervenção preventiva, torna-se ainda necessário ajustar o conceito de emprego conveniente com a gestão da carreira profissional de cada beneficiário desempregado e que promova o percurso profissional que lhe for mais favorável e lhe permita uma inserção no mercado de trabalho sustentada e sustentável a médio e longo prazo.
Esta perspectiva de intervenção exige que se possam introduzir critérios de ajustamento da oferta à procura, numa perspectiva realista e possível de concretizar face à conjuntura do mercado de trabalho que em cada momento se verificar.
Tendo em conta estes objectivos, propõe-se a introdução do seguinte conceito de emprego conveniente:
Os candidatos não podem recusar ofertas de emprego que, cumulativamente, reúnam os seguintes requisitos:
Natureza das funções a desempenhar
A oferta de emprego consista no exercício de funções que se considerem susceptíveis de poderem ser por ele desempenhadas atendendo, nomeadamente, às suas aptidões físicas, habilitações literárias e formação profissional.
Despesas de deslocação
Não implique despesas para deslocações entre a residência e o local de trabalho superiores a 20% da retribuição líquida mensal.
Tempo de deslocação
O tempo gasto na deslocação não exceda 25% do horário de trabalho, ou, excedendo-o, não ultrapasse o tempo gasto com a deslocação no emprego imediatamente anterior.
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Remuneração
Nos primeiros seis meses:
A remuneração ilíquida oferecida se encontre conforme a legislação aplicável, e corresponda pelo menos ao montante do subsídio de desemprego acrescido de 20% sobre esse valor.
Nos seis meses subsequentes:
A remuneração ilíquida oferecida se encontre conforme a legislação aplicável, e corresponda pelo menos ao montante do subsídio de desemprego.
Atendendo às propostas agora apresentadas, destinadas a reforçar a flexibilidade e celeridade no regresso ao mercado de trabalho por parte dos beneficiários, o prazo de suspensão das prestações de desemprego é alargado para 3 anos. Caso o beneficiário complete novamente o prazo de garantia para acesso ao subsídio antes da ocorrência de nova situação de desemprego, retomará a prestação, com o montante que recebia à data da suspensão, caso lhe seja mais favorável, durante o período de tempo que lhe faltava para completar o período de concessão no momento em que se verificou a suspensão.
A AVALIAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE ACTIVAÇÃO: CONCEITO DE TRABALHO SOCIALMENTE NECESSÁRIO
Importa introduzir alterações à Portaria n.º 192/96, de 30 de Maio que regula os programas ocupacionais, com quatro sentidos fundamentais:
Clarificar o conceito de actividade ocupacional desenvolvida para o exercício de trabalho socialmente necessário, de modo a assegurar uma distinção mais rigorosa dessas actividades face a postos de trabalho ou funções permanentes das instituições promotoras de programas ocupacionais;
Co-responsabilizar mais as entidades promotoras no desenvolvimento de projectos no âmbito dos programas ocupacionais, apostando designadamente numa maior comparticipação das mesmas no desenvolvimento desses projectos;
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Alargar a capacidade de envolvimento dos desempregados subsidiados, visando contribuir para reforçar o esforço de activação efectiva destes desempregados, combatendo as situações de fraude;
Diferenciar mais os apoios concedidos em função do tipo de destinatário abrangido, privilegiando por exemplo a inclusão nestes Programas de desempregados com mais dificuldades de (re)inserção no mercado de trabalho, como os que tem 55 ou mais anos, as pessoas com deficiência e os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI).
O INCUMPRIMENTO POR PARTE DO BENEFICIÁRIO Recusa do Plano pessoal de emprego
A recusa do plano pessoal de emprego, entendida como manifestação de vontade por parte do interessado em que não está disponível para o trabalho, leva à anulação da inscrição do beneficiário nos centros de emprego e consequente cessação das prestações.
Considera-se como recusa do plano pessoal de emprego a não aceitação ou a não assinatura injustificada do plano pessoal de emprego.
Incumprimento do plano pessoal de emprego
o A primeira situação de incumprimento injustificado do Plano Pessoal de Emprego, nomeadamente o incumprimento do dever de procura activa, determina a aplicação de sanção de admoestação escrita;
o O segundo incumprimento injustificado determina a cessação da prestação de desemprego.
Recusa de oferta de emprego conveniente, formação profissional ou de trabalho socialmente necessário
Os beneficiários tem de estar disponíveis para aceitar qualquer emprego que o serviço público de emprego considere conveniente e ou quaisquer outras intervenções que lhes sejam propostas no sentido de melhorar as sua empregabilidade.
As recusas injustificadas de ofertas de emprego, formação profissional ou trabalho socialmente necessário, devem ser entendidas como manifestação de indisponibilidade por parte do beneficiário para o trabalho, sendo que
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nesse caso há lugar à anulação da inscrição no centro de emprego e consequente cessação da atribuição das prestações de desemprego.
Considera-se ainda como recusa a desistência injustificada das intervenções após o seu início, exceptuando-se a desistência após a colocação num posto de trabalho, considerando que o reinício às prestações estará vedado, por não se configurar como desemprego involuntário.
As faltas a convocatórias dos Serviços Públicos de Emprego
Estabelecer-se-á um regime específico para as faltas e para a sua justificação no âmbito das relações do desempregado com o Centro de Emprego, através de remissão expressa para o Código do Trabalho, tendo em conta as necessárias especificidades da relação entre o candidato a emprego e o centro de emprego.
Considera-se como falta a situação de ausência do beneficiário, sempre que convocado regularmente pelos serviços públicos de emprego, nomeadamente para as seguintes diligências:
• Comparência no centro de emprego para acções de controlo, acompanhamento e ofertas de emprego;
• Comparência em acções de formação profissional ou trabalho socialmente necessário;
• Comparência nas entidades empregadoras para efeitos de aceitação de oferta de emprego.
As faltas são comunicadas aos serviços públicos de emprego com a antecedência mínima de cinco dias, ou sendo imprevisíveis logo que possível.
Os candidatos a emprego têm de justificar as faltas no prazo de cinco dias após a verificação da ocorrência.
As ausências por doença são justificadas por certificado de incapacidade para o trabalho emitido pelo Serviço Nacional de Saúde e a situação de incapacidade passa a estar sujeita à intervenção dos serviços de verificação de incapacidade para o trabalho da segurança social, quando tal se justifique.
A falta injustificada constitui violação do dever de disponibilidade para o trabalho e determinam a anulação da inscrição no centro de emprego e cessação da atribuição do subsídio de desemprego.
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COMBATE À FRAUDE
Medidas que visam combater a fraude por parte dos beneficiários do subsídio de desemprego
Sempre que ocorrerem situações de reinício de prestações, nomeadamente por cessação dos motivos que determinaram a suspensão da atribuição do subsídio de desemprego, há lugar à verificação se o beneficiário preenche todos os requisitos estabelecidos para o acesso à prestação, nomeadamente a involuntariedade da nova situação de desemprego.
Os beneficiários que acumulem indevidamente as prestações de desemprego com rendimentos de trabalho ficam impedidos, durante o período de dois anos, de aceder às prestações sociais substitutivas dos rendimentos de trabalho.
Prevê-se ainda um aumento do número de convocatórias para a apresentação e acções de activação dos beneficiários, por parte dos centros de emprego.
No âmbito das acções de carácter supletivo de controlo aos beneficiários das prestações de desemprego, estabelece-se a obrigatoriedade de apresentação quinzenal dos beneficiários, a título voluntário ou por convocação, nos serviços públicos de emprego, nas UNIVAS e Clubes de Emprego ou nos serviços da segurança social da área de residência, para confirmação da comparência em território nacional e apresentação do dossier comprovativo da procura activa de emprego, cuja apresentação será atestada pela aposição de carimbo pela respectivos serviços;
• O incumprimento da obrigação de apresentação quinzenal acarreta:
o A primeira situação de incumprimento injustificado determina a aplicação de sanção de admoestação escrita;
o O segundo incumprimento injustificado determina a cessação da prestação de desemprego.
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Em ordem a reforçar os mecanismos de controlo da fraude, e designadamente com o objectivo de desincentivar a acumulação de trabalho com o subsídio de desemprego e permitir a adequada fiscalização domiciliária dos beneficiários, estabelece-se a obrigatoriedade de permanência na residência habitual, no período de 2 horas diárias no período da manhã ou da tarde, alternados semanalmente.
• Apenas são admissíveis as ausências durante o período atrás fixado no cumprimento das obrigações decorrentes da procura activa de emprego, do cumprimento do plano pessoal de emprego, ou nas situações passíveis de enquadramento em sede de faltas justificadas.
• A verificação desta obrigação é efectuada pelos serviços de fiscalização da segurança social e em caso de incumprimento são aplicáveis as seguintes sanções:
o A primeira situação de incumprimento injustificado determina a aplicação de sanção de admoestação escrita;
o O segundo incumprimento injustificado determina a cessação da prestação de desemprego.
Os beneficiários serão dispensados da obrigação de apresentação periódica e da obrigação de permanência na residência durante um período anual que não deverá exceder o limite máximo do direito a férias previsto no Código do Trabalho.
No sentido de se promover um mais rigoroso controlo da situação de doença por parte dos beneficiários do subsídio de desemprego, considera-se que as situações de doença comprovada pelo Serviço Nacional de Saúde que se prolonguem por um período superior a trinta dias, e que suscitem dúvidas sobre a sua subsistência, devem ser confirmadas pelo médico do Centro de Emprego ou comunicadas para efeitos de fiscalização pelos Serviços de Verificação das Incapacidades;
Combate à fraude através de medidas que visam sancionar comportamentos indevidos por parte das entidades empregadoras
A falta de cumprimento das obrigações de comunicação à segurança social da admissão de novos trabalhadores previstas no DL 124/84, de 18 de Abril terá como consequência a presunção que o trabalhador
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iniciou a prestação de trabalho ao serviço da entidade empregadora faltosa no primeiro dia do 6.º mês anterior ao da verificação do incumprimento com a correspondente obrigação de pagamento das contribuições à segurança social desde essa data, considerando-se, quando aplicável, completado o período experimental do contrato de trabalho.
No caso de o trabalhador se encontrar a receber as prestações de desemprego a entidade empregadora é obrigada a pagar as contribuições desde o início do período de concessão das prestações de desemprego ou desde a data considerada como de início de actividade, caso esta seja anterior.
Para o efeito, será criada na página da Internet da segurança social uma nova funcionalidade que permite a comunicação da admissão do beneficiário através de preenchimento de formulário próprio on line.
Caso se verifique a comunicação imediata de um novo trabalhador que esteja a ser subsidiado, o sistema enviará um alerta à entidade empregadora dando conta que o trabalhador está a receber subsídio de desemprego e que se procederá à cessação imediata e oficiosa da prestação de desemprego.
O governo equacionará ainda a possibilidade de introduzir alterações ao quadro legal no sentido da conversão imediata em contrato de trabalho sem termo dos contratos a termo certo e incerto, nas situações em que se verifique o incumprimento do dever de comunicação da admissão de novos trabalhadores nos casos em que os mesmos estejam a receber prestações de desemprego.
Ficará vedado o acesso durante dois anos do direito de acesso a medidas activas de emprego, designadamente, medidas de apoio à contratação, medidas de estágios profissionais, bem como a regimes especiais de isenção ou redução de TSU, nas situações de fraude ora descritas.
Agravar-se-ão significativamente as coimas aplicáveis em situação de incumprimento, para que as mesmas possam traduzir de forma eficaz e dissuasora um instrumento de combate à fraude e que possa traduzir-se em factor suficientemente desincentivador de comportamentos futuros.
Por outro lado, estabelecer-se-á ainda a responsabilidade solidária pelo pagamento das coimas dos administradores, gerentes ou directores das entidades empregadoras: Se a entidade empregadora for pessoa colectiva ou equiparada, respondem pelo pagamento da correspondente coima, solidariamente com aquela, os respectivos administradores, gerentes ou directores.
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De referir ainda as seguintes medidas:
• Interligação permanente da base de dados da segurança social com a base de dados do serviço público de emprego, agilizando procedimentos e reforçando o combate à fraude;
• Criação de Balcão Único de Atendimento aos Desempregados, com o objectivo de melhorar o atendimento ao cidadão, no âmbito da gestão das prestações de desemprego, através da simplificação de processos relativos ao requerimento e consequentes ocorrências relativas às prestações de desemprego, evitando assim deslocações a serviços diferentes para obter resposta às suas solicitações.
• Reorganização administrativa dos procedimentos legais aplicáveis, numa lógica de racionalização, estabelecendo regras específicas quanto às diferentes etapas do procedimento desde a inscrição no centro de emprego até à atribuição dos subsídio pelo serviço de segurança social, no sentido de reduzir os procedimentos desnecessários e redundantes, promovendo uma maior simultaneidade nos actos praticados pelos serviços públicos de emprego e pela segurança social, por forma a que o processo de atribuição do subsídio de desemprego possa ser mais célere, rápido e eficaz e que permita de igual modo prevenir e combater eventuais situações de fraude.
• Reforço da informação aos beneficiários dos direitos e deveres que sobre ele impendem, nomeadamente a incluir nos formulários do requerimento da prestação
CRITÉRIOS DE ATRIBUIÇÃO DA PRESTAÇÃO
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PERÍODO DE CONCESSÃO E MONTANTE DA PRESTAÇÃO
Em ordem a diferenciar a protecção no desemprego, reforçando a contributividade da prestação, e tendo em vista uma melhor adequação dos prazos de concessão à situação dos beneficiários perante o mercado de trabalho, melhorando a prestação para aqueles trabalhadores com mais idade, que até agora não viam a duração do subsídio depender da sua carreira contributiva, propõe-se:
Redução do prazo de concessão do subsídio de desemprego para 6 meses e aumento do período de concessão do subsídio social de desemprego para 1 ano, para os beneficiários com idade inferior a 30 anos e registo de contribuições inferior a 24 meses, garantindo, deste modo, que não se altera o prazo global de concessão da prestação para este escalão etário, mas reforçando o rigor, através do aumento do período de concessão sujeito a condição de recursos;
Aumento do prazo de atribuição do subsídio de desemprego para os beneficiários com idade entre os 40 e 45 anos, de 2 meses por cada grupo de 5 anos com registo de remunerações nos últimos 15 anos, para além dos 24 meses já previstos actualmente.
Serão ainda alteradas as regras relativas ao cálculo da prestação, em cumprimento do disposto na lei de bases da segurança social, de modo a que o valor do subsídio de desemprego não possa ser superior ao valor líquido da remuneração de referência que serve de base de cálculo a esta prestação.
PRAZO DE GARANTIA
Tendo em conta a experiência recente em Portugal no que diz respeito às regras de contributividade das prestações de desemprego, aliado ao facto de coexistirem no âmbito do ordenamento jurídico português duas prestações, o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego, com prazos de garantia distintos, e considerando que os beneficiários que não cumpram os requisitos relativos ao prazo de garantia para atribuição do subsídio de desemprego, podem beneficiar da protecção conferida em sede do subsídio social de desemprego, desde que satisfaçam a condição de recursos:
Será revogado o prazo de garantia do subsídio de desemprego constante do Decreto Lei n.º 84/2003 ( PEPS) .
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Estabelece-se um novo prazo de garantia de 450 dias por trabalho por conta de outrem, com o correspondente registo de remunerações, num período de 720 dias imediatamente anterior à data do desemprego.
INVOLUNTARIEDADE DO DESEMPREGO
A experiência tem vindo a demonstrar a necessidade de clarificar as disposições constantes na lei relativamente a esta matéria, objectivando os critérios de consideração da involuntariedade da situação de desemprego.
Importa, contudo, atender ao facto de que a revogação, sem mais, das medidas existentes, poderia vir a redundar numa rigidificação significativa do mercado de trabalho, acabando por afectar negativamente os níveis de criação de novos empregos, designadamente com maior estabilidade, e deste modo os trabalhadores em geral. Por isso, propõe-se:
1. Considerar-se-á como involuntária toda a situação decorrente da iniciativa da entidade empregadora, desde que o fundamento invocado pelo empregador não constitua justa causa de despedimento ou, constituindo- o, o trabalhador prove que interpôs acção judicial contra o empregador 2. As situações de reinício da prestação de desemprego dependem da
verificação do requisito de involuntariedade da cessação da relação laboral.
3. Rescisão por mútuo acordo
Em determinados contextos em que a impossibilidade de manutenção do contrato de trabalho resulta objectivamente de questões que se prendem com a actividade das entidades empregadoras, e, nessas situações, sendo incontornável a impossibilidade de manutenção do vínculo laboral até para a viabilização da própria empresa ou ainda para a manutenção dos restantes postos de trabalho, devem ter-se em consideração estes factores para efeitos de acesso às prestações de desemprego.
Neste aspecto importa que o regime legal permita o necessário equilíbrio na abordagem desta matéria, o que se julga obter com a proposta apresentada.
Por um lado, limita-se fortemente a possibilidade de grandes processos de redução de efectivos se fazerem com uma externalização significativa dos custos para a segurança social, mas por outro mantém-se algum grau de flexibilidade no mercado de trabalho, permitindo que ajustes pontuais na estrutura produtiva, sobretudo das empresas mais pequenas, possam
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ser realizados sem conflitualidade social, tendo em conta que tal se traduzirá num factor positivo para o aumento da competitividade nacional, e assim para o crescimento económico e do emprego.
Esta proposta salvaguarda, portanto, as situações das empresas em verdadeira dificuldade e diferencia positivamente as condições de acesso ao subsídio de desemprego de trabalhadores de Micro-empresas e P.M.E´s.
Nesse âmbito, consideram-se como situações de desemprego involuntário as revogações do contrato de trabalho nas situações decorrentes da cessação do contrato de trabalho por mútuo acordo, que se integrem num processo de redução de efectivos, quer por motivo de reestruturação, viabilização ou recuperação da empresa, quer ainda por a empresa se encontrar em situação económica difícil, independentemente da dimensão da empresa.
Para este efeito, consideram-se:
a) Empresa em reestruturação, a pertencente a sector assim declarado por diploma próprio nos termos do disposto no Decreto-Lei n.º 251/86, de 25 de Agosto e no n.º 1 do artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 206/87, de 16 de Maio;
b) Empresa em situação de recuperação ou viabilização, aquela que se encontre em processo especial de recuperação, previsto no Código dos Processos Especiais de Recuperação da Empresa e Falência, bem como no Código da Insolvência e Recuperação de Empresa, ou no Processo Extra-judicial de Conciliação;
c) Empresa em situação económica difícil aquela que assim seja declarada nos termos do disposto no Decreto-Lei 353-H/77, de 29 de Agosto.
Para além destas situações, mantém-se a possibilidade de acesso ao subsídio de desemprego após cessação de contrato de trabalho por mútuo acordo, desde que fundamentada em motivos que permitam o recurso ao despedimento colectivo ou por extinção do posto de trabalho, tendo em conta a dimensão da empresa e o número de trabalhadores abrangidos, nos termos seguintes:
a) Nas empresas que empreguem até 100 trabalhadores, são consideradas as cessações de contrato de trabalho até 2 trabalhadores inclusive, ou 10% do quadro de pessoal;
b) Nas empresas com mais de 100 trabalhadores são consideradas as cessações de contrato de trabalho, com o limite de 10 trabalhadores.
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Os limites estabelecidos nas alíneas anteriores são aferidos por ano civil e reportam-se ao número de trabalhadores da empresa no mês anterior ao da cessação de contrato de trabalho.
Nos casos em que se comprove que a entidade empregadora prestou informações erróneas ao trabalhador sobre o número de revogações efectuadas em cada ano, e que sejam determinantes para efeitos de acesso ao subsídio de desemprego, a mesma será obrigada a proceder ao pagamento do montante global das prestações de desemprego a que o trabalhador, nesse caso, manterá o direito.
MEDIDAS DE PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ACTIVO
O enquadramento legal das medidas de protecção social para os trabalhadores mais idosos que esgotem o período de concessão, nomeadamente o regime de acesso à pensão antecipada deve ser analisado numa perspectiva de promoção do envelhecimento activo.
Nessa medida, deverá promover-se a permanência e o regresso ao mercado de trabalho dos trabalhadores mais idosos, sem prejuízo do reconhecimento das especificidades deste grupo profissional, devendo neste âmbito, valorizar-se a adopção de medidas de protecção social que respondam às situações de maior carência.
A opção deverá ser por um regime de flexibilidade da idade de reforma que não promova a saída precoce dos trabalhadores do mercado de trabalho, em parte dos casos a partir de iniciativa da entidade empregadora, sem deixar de garantir níveis mínimos de protecção, nomeadamente aos desempregados mais idosos e carenciados que tenham esgotado os prazos de concessão das prestações de desemprego.
Por outro lado, com o objectivo de introduzir medidas que favoreçam a permanência dos trabalhadores mais idosos no mercado de trabalho, serão introduzidas alterações aos regimes de incentivo à contratação, por forma a torná-los mais favoráveis às situações de maior dificuldade no regresso ao mercado de trabalho.