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Radiol Bras vol.50 número4

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Academic year: 2018

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Radiol Bras. 2017 Jul/Ago;50(4):266–276 Cartas ao Editor

Cyamella gigante: um raro sesamoide Giant cyamella: a rare sesamoid bone

Sr. Editor,

Homem de 46 anos de idade, com queixa de dor no joelho direito há três anos. Negou trauma, torção, cirurgias e prática de esportes. Exame físico com testes positivos para lesão menis-cal. Foi realizada ressonância magnética (RM), que demonstrou cyamella gigante, rotura complexa do corpo e do corno anterior do menisco lateral e lesões condrais no compartimento femoro -tibial lateral (Figura 1).

Os sesamoides são pequenos ossos acessórios localizados nos tendões e nos músculos, cuja função é facilitar a movimen -tação isiológica do tendão, apesar de, em alguns casos, causar doenças(1). Localizam-se, mais comumente, nos membros in -feriores(2). Embriologicamente, os sesamoides são geralmente mais comuns no feto, e com o crescimento esquelético e a matu-ração óssea eles muitas vezes se fundem(2,3). A patela é o maior osso sesamoide do corpo humano(2).

Normalmente, o tendão poplíteo tem origem no côndilo femoral lateral, com o seu músculo inserindo-se na superfície posterior da tíbia acima da linha sólea(4). Um osso sesamoide pode existir no tendão do músculo poplíteo e tem sido chamado

de cyamella, ou fabella poplítea, ou distalis fabella, ou os sesa -moideum genu inferius laterale(5). É muito confundido com a fabella, que se situa dentro da cabeça lateral do músculo gas-trocnêmio(5).

O cyamella é comum em outros primatas, mas muito raro em humanos, e quando ocorre, pode se articular com o côndilo lateral da tíbia e icar muito perto da cabeça da fíbula(3,4), apesar de não ter função bem deinida(6). Reside como osso acessório no próprio tendão poplíteo ou na interseção entre o tendão e o músculo(6,7), cujo tamanho pode variar consideravelmente(3), e deve ser claramente distinguido de corpos livres, calciicações, osteó itos, fabella e, até mesmo, de osteocondromatose(3) e avul-são do tendão poplíteo(7).

Várias modalidades de estudos de imagem, tais como radio -graia, tomograia computadorizada e RM, podem estabelecer o diagnóstico de cyamella(3). Este é visualizado como um ossículo que apresenta uma borda de sinal baixo nas sequências em T1, T2 e T2* da RM(6). Imagens de tomograia computadorizada demonstraram gordura dentro do ossículo(6). Devido à raridade do cyamella, sua caracterização e a potencial exclusão de outros diagnósticos é de particular relevância clínica(3).

Os médicos devem ter em mente a possibilidade de a cya -mella ser causa da dor em pacientes com dor lateral do joelho(1).

Figura 1. Ressonância magnética. Sequências em T2 SPIR (A) e DP (B), ambas sem contraste no corte sagital,

mostrando volumosa imagem ossiica -da no tendão poplíteo, medindo 2,2 × 1,7 × 1,5 cm (setas). Sequência em DP SPIR sem contraste no corte sagital (C) e sequência T2 SPIR sem contrate no corte axial (D) mostrando volumosa

imagem ossiicada no tendão poplíteo

(setas).

A

B

(2)

271

Radiol Bras. 2017 Jul/Ago;50(4):266–276

Cartas ao Editor

Hemangioma vesical: uma localização atípica

Hemangioma of the urinary bladder: an atypical location

Sr. Editor,

Paciente do sexo masculino, dois anos de idade, enca-minhado ao serviço de urgência e emergência pediátrica com quadro de hematúria macroscópica persistente. A ultrassono-graia abdominal (não incluída neste relato) revelou formação ecogênica no interior da bexiga, ixa à mudança de decúbito. Tomograia computadorizada de abdome mostrou lesão vesical expansiva sólido-cística, com componente vegetante, parcial-Geralmente não apresenta implicações patológicas, no entanto, sintomas de dor já foram descritos(1). Não há consenso em rela-ção ao tratamento em um diagnóstico tão raro, devendo ser pro-cedido caso a caso, levando em conta os sintomas e os exames de imagem do paciente(3).

REFERÊNCIAS

1. Rehmatullah N, McNair R, Sanchez-Ballester J. A cyamella causing pop -liteal tendonitis. Ann R Coll Surg Engl. 2014;96:91E–93E.

2. Akansel G, Inan N, Sarisoy HT, et al. Popliteus muscle sesamoid bone (cyamella): appearance on radiographs, CT and MRI. Surg Radiol Anat. 2006;28:642–5.

3. Khanna V, Maldjian C. The cyamella, a lost sesamoid: normal variant or posterolateral corner anomaly? Radiol Case Rep. 2015;9:e00031. 4. Reddy S, Vollala VR, Rao R. Cyamella in man – its morphology and review

of literature. Int J Morphol. 2007;25:381–3.

Márcio Luís Duarte1, André de Queiroz Pereira Silva2, Simone Botelho Alvarenga3, José Luiz Masson de Almeida Prado4, Luiz Carlos Donoso Scoppetta4

1. WebImagem, São Paulo, SP, Brasil. 2. CADI Diagnóstico, Imperatriz, MA, Brasil. 3. Axial Medicina Diagnóstica, Belo Horizonte, MG, Brasil. 4. Hospi-tal São Camilo, São Paulo, SP, Brasil. Endereço para correspondência: Dr. Márcio Luís Duarte. Avenida Marquês de São Vicente, 446, Barra Funda. São Paulo, SP, Brasil, 01139-020. E-mail: [email protected].

5. Keats TE, Anderson MW. Atlas of normal roentgen variants that may sim -ulate disease. 9th ed. Philadelphia: Mosby Elsevier; 2007.

6. Munk PL, Althathlol A, Rashid F, et al. MR features of a giant cyamella in a patient with osteoarthritis: presentation, diagnosis and discussion. Skeletal Radiol. 2009;38:69, 91–2.

7. Jadhav SP, More SR, Riascos RF, et al. Comprehensive review of the anat -omy, function, and imaging of the popliteus and associated pathologic conditions. Radiographics. 2014;34:496–513.

http://dx.doi.org/10.1590/0100-3984.2015.0240

mente delimitada, contornos lobulados, apresentando pequena calciicação focal de permeio e realce pelo meio de contraste do componente sólido, com epicentro no teto vesical (Figura 1A). Posteriormente, ressonância magnética do abdome demonstrou formação com sinal intermediário em T1, sinal heterogêneo com predomínio de hipersinal em T2 e intenso realce lesional pelo meio de contraste (Figura 1B). Realizou-se cistectomia parcial (Figura 1C) e o histopatológico demonstrou lesão representa -da por proliferação de vasos de diferentes tamanhos, tipo veias, com intensa congestão e sem atipias, compatível com heman-gioma cavernoso (Figura 1D).

Figura 1. A: Imagem axial de

tomo-graia computadorizada de abdome

mostrando lesão vesical expansiva sólido-cística com componente ve-getante, parcialmente delimitada, contornos lobulados, apresentando

pequena calciicação focal de per -meio e realce pelo -meio de contraste do componente sólido, com epicentro no teto vesical. B: Imagem de refor-matação sagital em sequência pon-derada em T2 de ressonância mag-nética de abdome demonstrando formação expansiva com sinal inter-mediário em T1, sinal heterogêneo com predomínio de hipersinal em T2 e intenso realce lesional pelo meio de contraste. C: Cistectomia parcial mostrando lesão tumoral. D: Histo-patológico demonstrando lesão com-patível com hemangioma cavernoso.

A

B

Imagem

Figura 1. Ressonância magnética.
Figura 1. A: Imagem axial de tomo- tomo-graia  computadorizada  de  abdome  mostrando lesão vesical expansiva  sólido-cística com componente  ve-getante, parcialmente delimitada,  contornos lobulados, apresentando  pequena  calciicação  focal  de   per-mei

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