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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 número3

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Academic year: 2018

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A importância da Faculdade de Medicina da Universidade

Estadual do Ceará

Tenho a honra e a satisfação de apresentar, voluntariamente, as minhas sinceras congratu-lações ao atual reitor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) (Prof. Dr. Manassés Claudino Fonteles) e ao competente e interessado corpo docente desta alentada universidade, pela cria-ção da Faculdade de Medicina da UECE. Julgo ser um prêmio de incentivo e esperança ao sofrido e explorado povo do Ceará.

Uma escola médica inserida no contexto de uma prestigiada universidade (que respeita o pluralismo de idéias e a liberdade de pensa-mento) constitui um lugar apropriado para a criação e divulgação do saber, bem como presta uma valorosa contribuição ao desen-volvimento regional.

É de relevante valia e de máximo prestí-gio, a instituição deste curso para a comunida-de cearense e norcomunida-destina, pois se trata comunida-de uma

Universidade PÚBLICA e GRATUITA. A univer-sidade pública não objetiva o lucro, tem papel preponderante na formação de médicos dotados de qualidade e competência. Nela a pesquisa se destaca, contribuindo para a qualidade do produto final.

Inquestionavelmente, o ensino superior privado cresceu, demasiadamente, no fami-gerado governo FHC. Atualmente, o ensino superior brasileiro é liderado por duas institui-ções particulares (a Universidade Paulista – UNIP, com 81.459 alunos - dados do ano 2001 e pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, com 60.067 alunos). Esta últi-ma, faz vestibular: tradicional, por computa-dor, portador de diploma (isenção do vestibu-lar), transferência externa, Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), quase semanalmente. Realiza múltiplos convênios com taxas de des-contos diferenciadas e muita propaganda, en-chendo, diariamente, as páginas dos grandes jornais. Possui notáveis “lobistas”, enquanto nas universidades públicas não há dinheiro sequer para coisas elementares, quem dirá para propaganda. Possui um curso médico, que não formou, até o presente, nenhuma turma. Não possui hospital universitário pró-prio, conseqüentemente usa o hospital públi-co (Hospital Geral de Bonsucesso – HGB) do Ministério da Saúde para o ensino (internato), num convênio lesivo para o patrimônio e

interesse público, segundo o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed).

Tenho esperança que, na minha querida terra natal, o novo governador recém-eleito (Lúcio Gonçalo Alcântara), tenha uma visão mais clara e progressista do que seja universidade e de seu papel para com a sociedade. Este mandatário é médico e professor universitário, portanto espero uma maior sensibilidade para a questão, não devendo se omitir e nem ceder às pressões de distintas origens. O Hospital Universitário da UECE, já foi batizado, recentemente, com o nome do seu ilustre pai, Waldemar de Alcântara, também médico e professor de medicina, a quem tive o privilégio de conhe-cer. Foi uma justa homenagem prestada.

Li e aprovei, recentemente, os argumen-tos irrefutáveis a propósito da viabilidade financeira do curso de Medicina da UECE, escrita pelo competente e dedicado Professor Titular de Saúde Pública da UECE Marcelo Gurgel Carlos da Silva, destacado escritor e meu contemporâneo na Faculdade de Medici-na (UFC). Portanto, repito, considero por demais viável a Faculdade de Medicina na UECE, pois acredito que aumentará a compe-titividade entre os cursos médicos no Ceará. Torna-se imprescindível a retirada urgente da cobiça, da inveja e da vaidade de ilustres per-sonalidades locais. A grande psicanalista Mela-nie Klein (Viena, 1882 – Londres, 1960) rela-tou em “Inveja e Gratidão”, que “o invejoso adoece diante do regozijo do outro”. Só se sente bem com a miséria alheia. “Todo esfor-ço para satisfazer um invejoso é infrutífero”. Não considero exaltação recomendar a releitura do consagrado livro: Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, escrito por Matias Aires da Silva de Eça (1705-1763) (Editora Martins Fontes, 1993). É preciso colocar o ensino médico público, que não é mercado-ria, acima dos interesses individuais e priva-dos. Finalizando, não há porque recuar na instituição desta nova escola médica. A qual-quer preço, deve-se manter o concurso ves-tibular/2003, com as 40 (quarenta) vagas para o curso de Medicina. E, subseqüentemente, ministrar um excelente curso, com qualidade e competência, pois possui infra-estrutura adequada e um corpo docente de elevado padrão técnico-científico.

PAULO CÉSAR ALVES CARNEIRO

Rio de Janeiro - RJ

Importância do PCR para hepatite C na triagem de

doadores de sangue

Desde 1999, o Hospital do Câncer está trabalhando com um teste de biologia mole-cular para detectar diretamente o RNA do vírus da hepatite C baseado em reação em cadeia da polimerase (PCR) e oferecendo este serviço aos doadores de sangue da Instituição, além do exame de triagem obrigatório de detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C. Neste período, observamos que muitos doadores apresentavam teste positivo na técnica de PCR sem a presença de anticor-pos (Método imunoenzimático de 3ª geração Abbott Murex, versão 4.0:negativo). Opta-mos por reconvocar estes doadores e repetir os exames em nosso laboratório e em outra instituição, através de metodologia Amplicor-versão 2.0 Roche e nested PCR, respectiva-mente, a partir de janeiro de 2001 a maio de 2002. Na maioria das repetições não foi confirmado o teste positivo quando as amos-tras foram testadas individualmente em ambas as instituições e atribuímos este fato à padro-nização inicial desta rotina. Além disso, confir-mamos, com concordância de resultados, o caso de um doador de repetição que detalha-remos a seguir:

I.E.S., 52 anos, sexo feminino, natural de Bauru. Os antecedentes epidemiológicos são negativos para transfusão prévia e uso de drogas, apenas relatava que nos últimos sete anos trabalhava com crianças carentes de 0 a 4 anos. Os resultados dos testes realizados nas doações de sangue e na repetição encon-tram-se na tabela na página ao lado.

O sangue total coletado na doação de 01/04/2002 foi desprezado, a doadora foi orientada e está em acompanhamento com infectologistas, iniciando tratamento antiviral. Durante o período de 17 meses detecta-mos uma soroconversão em 20.000 doações de sangue.

Nos EUA, Europa e Japão a prevalência de portadores da hepatite C atinge, nos dias atu-ais, médias percentuais entre 1% e 2% da população geral. No Brasil, os dados são ainda muito precários, com as estimativas atuais atingindo 1,5%, em média¹.

O risco de contágio de hepatite C por transfusão de sangue e hemoderivados

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reduziu-se drasticamente nos anos 90 com a introdução de testes de alta sensibilidade e técnicas de inativação viral, passando de 0,5% por unidade de sangue transfundida nos anos 70 para cerca de 0,01% a 0,001% após 1994. Com os testes de terceira geração e em alguns centros de hemoterapia em que se faz a seleção de doadores de sangue por PCR individualmen-te ou em “pool”, o risco individualmen-tem reduzido ainda mais acentuadamente¹. O período de janela imunológica pode ser reduzido para 60 dias com a introdução de PCR para triagem rotineira de doadores de sangue para hepatite C².

Segundo a Portaria n° 79 do DOU 03/02/ 2003³, a partir de fevereiro de 2004 todo o sangue coletado no país deverá ser testado através de técnicas de biologia molecular para diminuir a transmissão transfusional de hepati-te C (HCV) e do vírus da imunodeficiência adquirida humana (HIV), denominadas de teste de ácidos nucléicos (NAT).

As principais dificuldades para a implanta-ção do NAT em doadores de sangue têm sido a logística, alto custo e problemas de contami-nação das amostras4.

A maioria dos países desenvolvidos já adotou esta metodologia desde 1999, isoladamente ou de forma combinada (“primers” diferentes para cada agente infeccioso) utilizando a modalidade Multiplex da técnica de PCR.

Experiência semelhante foi descrita na Alemanha, em que o teste de HCV-RNA é

obrigatório desde abril de 1999. Hitzler e Runkel5 identificaram uma doação HCV-RNA

positiva com anticorpo negativo. Estes auto-res também não conseguiram informações sobre os fatores de risco dos doadores infectados².

A Cruz Vermelha japonesa avaliou desde outubro de 1999 um teste Multiplex para detecção simultânea de hepatite B-DNA, he-patite C-RNA e HIV 1-RNA e encontrou para HCV-RNA uma média de detecção de 31 dias antes do anticorpo HCV. A média de detecção para HIV1-RNA foi de 14 dias antes do anti-corpo HIV1 e uma média de nove dias antes do antígeno p246.

O risco de transmissão transfusional de hepatite C ainda existe devido a falha dos testes de triagem sorológica atuais em identificar os doadores recentemente infectados durante o período de janela imunológica ou em detectar variantes anti -gênicas destes vírus, além das diferenças individuais na resposta imune dos doadores que limitam a eficácia dos testes de anti-corpos para hepatite C².

Segundo modelo matemático utilizado nos Estados Unidos desde 1990 para estimar a probabilidade da existência de uma doação potencialmente infectante no estoque de san-gue, houve redução no risco de transmitir hepatite C de 1: 120.000 antes da implantação do NAT para 1: 1.000.000 na Austrália e de 1:800.000 para 1:10.000.000 na França7.

Referências

1. Focaccia R, Conceição O, Oliveira UB em I Consenso da Sociedade Paulista de Infec-tologia para Manuseio e Terapia da Hepatite C 2002; 7-8.

2. Hitzler WE e Runkel S. Routine HCV-PCR screening of blood donations to identify early HCV infection in blood donors lacking anti-bodies to HCV. Transfusion 2001; 41: 333-7. 3. Portaria 79 DOU 03/02/2003.

4. Widell A, Molnegren V, Pieksma F, Cal-mann M, Peterson J e Lee SR. Detection of hepatitis C core antigen in serum or plasma asa marker of hepatitis C viraemia in the sero-logical window-phase. Transfusion Medicine 2002; 12: 107-13.

5. Hitzler WE e Runkel S. Screening of blood donations by hepatitis C virus polymerase chain reaction (HCV-PCR) improves safety of blood products by window period reduction. Clin Lab 2001; 47: 219-22.

6. Meng Q, Wong C, Rangachari A, Tama-tsukuri S, Sasaki M, Fiss E et al. Automated Multiplesx Assay System for simultaneous detection of hepatitis B virus DNA, hepatitis C virus RNA and Human Immunodeficiency virus type 1 RNA. Journal of Clinical Microbiology 2001; 39: 2937-45.

7. Glynn SA, Kleinman SH, Wright DJ, Busch MP. International application of the Incidence Rate/Window Period model. Transfusion 2002; 42: 966-71.

MÔNICA CAAMAÑO CRISTOVÃO POLI RAFAEL COLELLA DENISE ALBUQUERQUE DOURADO YONÁ MURAD CATARINA SIMPSON NANCI ALVES SALLES SÃO PAULO - SP

Data PCR Hospital do Câncer PCR Fundação Pró-Sangue

19/09/2001 negativo –

26/12/2001 negativo –

01/04/2002 positivo –

30/04/2002 (repetição de amostra) positivo Positivo

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