ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO:
1) Denominação: também são chamados de pressupostos de existência do Estado.
São elementos indispensáveis para existência do Estado. 2) Divergência doutrinária:
a) quanto à identificação, b) quanto ao número,
- Minoria dos autores: acham que são dois:
Santi Romano (“L’Ordinamento Giuridico”, Florença) dispõe que são apenas a soberania e a territorialidade é que são peculiares do Estado, indica esses dois elementos.
Dallari que dispõe de quatro elementos: soberania, território, povo e finalidade. Para ele, tais elemntos conduz a um conceito de Estado que nos parece realista, porque considera todas as peculiaridades verificáveis no plano da realidade social.
Ataliba Nogueira: aponta a existência de cinco características: território, povo, sendo elementos materiais; soberania, poder de império, que representam dois aspectos do poder, constituindo um desdobramento do chamado elemento formal e a finalidade que indica mais especificamente, como a regulação global da vida social.
- Maioria dos autores entendem que são três: sendo dois elementos materiais De maneira geral, costuma-se mencionar a existência de dois elementos materiais, o território e o povo, havendo grande variedade de opiniões sobre o terceiro elemento, que muitos denominam formal. O mais comum é a identificação desse último elemento com o poder ou alguma de suas expressões, como autoridade, governo ou soberania. Entre a maioria temos Sahid Maluf apresenta três elementos do Estado, sendo: a) população; b) território: c) governo. Para ele a condição de Estado perfeito pressupõe a presença concomitante e conjugada de três elementos, revestidos de características essenciais: população homogênea, território certo e inalienável e governo independente.
A ausência ou desconfiguração de qualquer desses elementos retira da organização sócio-política a plena qualidade de Estado.
2) DIVISÃO:
- ELEMENTOS MATERIAIS: povo e território, - ELEMENTOS FORMAIS: soberania, finalidade
3) EXPLICAÇÃO DE CADA ELEMENTO CONSTITUTIIVO DO ESTADO
- POVO:
A) Diferenças:
É unânime a aceitação do elemento pessoal na caracterização de Estado, pois não é possível a existência de Estado sem ele, sendo que é para ele (elemento pessoal) que o Estado é formado.
Há autores que designam população e outros que designam povo. Portanto, é necessário estabelecer uma diferenciação entre os dois termos:
- Diferença entre Povo e população:
(Vale advertir que alguns autores confundem a concepção jurídica de povo com a concepção econômica e estatística de população)
- População é o conjunto de indivíduos que habita um determinado território (é um conceito numérico). População, por sua vez, se constitui em simples expressão demográfica (numérico-quantitativa) que tem por objetivo traduzir, sob o prisma econômico e estatístico, o conjunto de pessoas que se encontram no território pátrio temporária ou definitivamente. Portanto, população é mera expressão numérica, demográfica ou econômica que abrange o conjunto das pessoas que vivam no território de um Estado ou mesmo se achem nele temporariamente.
Porém o fato de alguém se incluir na população de um Estado nada revela quanto ao vínculo jurídico entre a pessoa e o Estado. Desta forma, a expressão população é utilizada no sentido numérico, não tendo teor jurídico, como na expressão: povo.
- Povo é um conjunto de indivíduos regulados pelas normas de um Estado (é um conceito jurídico). . Povo é, em essência, um conjunto de indivíduos que se constitui em comunidade para a realização de interesses
comuns (inicialmente por vontade própria (segundo as teorias associativas não contratuais) tendo, como elo inicial, um conjunto de vínculos comuns.
- Diferença entre povo e Nação:
Também, é importante esclarecer que os conceitos de povo e de Nação não devem igualmente ser confundidos.
- Nação designa a comunidade propriamente dita, ao passo que a
expressão povo, por seu turno, o conjunto de indivíduos que vai constituir a mencionada comunidade.
Evolução Histórica da designação “povo”:
Grécia e Império Romano: designação de cidadão e de pessoas pertecentes ao Estado (povo) são somente as pessoas que tinham certos direitos, não entrava nestes os escravos, as mulheres, as crianças, etc.
Somente com as revoluções do séc. XIII: sob a perspectiva de igualdade entre todos, surge a noção de “povo”, contemplando todos.
Séc. XIX surge os doutrinadores na defesa da expressão “povo” abarcando todas as pessoas pertencentes ao Estado. As teorias têm raízes no Contrato Social de Rousseau, no qual afirma que os associados, que compõe a sociedade e o Estado, recebem coletivamente o nome de povo, cabendo-lhes a designação particular de cidadãos quando participam da autoridade soberana e sujeitos quando submetidos às leis do Estado.
Noções atuais:
Dallari: Em primeiro lugar, verifica-se que o povo, elemento essencial do Estado, continua ser componente ativo mesmo depois que o Estado foi constitído.
Povo: Conjunto dos indivíduos que, através de um momento jurídico, se unem para constituir o Estado, estabelecendo com este um vínculo jurídico de caráter permanente, participando da formação da vontade do Estado e do exercício do poder soberano. Assim, adquirem a condição de cidadãos, podendo-se, assim, conceituar povo como o conjunto dos cidadãos de Estado.
Porém, cidadão ativo, é aquele que está em pleno gozo de seus direitos políticos, sendo que dispõe dos requisitos objetivos traçados pelo Estado para adquirir essa cidadania ativa.
“É instituída uma cidadania da União européia. É cidadão da União toda pessoa tendo a nacionalidade de um Estado- membro. A cidadania da União acrecenta-se à cidadania nacional e não a substitui. Os cidadãos da União gozam dos direitos previstos pela Constituição”.
Direitos decorrentes dessa cidadania:
1) Livre locomoção dos cidadãos por todo o território da União Européia, sendo ignorados para esse efeito as fronteiras dos Estados, as quais entretanto, continuam existindo e constituem barreiras para outros efeitos.
2) Direito de agir perante as Cortes Judiciais européias, mesmo contra seu próprio Estado, para defesa de seus direitos.
3) Direito de voto para escolha dos membros do Parlamento europeu, os deputados são eleitos por meio de sufrágio unversal direto.
TERRITÓRIO:
Território é a base física, o ângulo geográfico da nação, onde ocorre a validade da sua ordem jurídica.
(Hans Kelsen)
A importância do Território como elemento constitutivo do Estado é muito grande. Por um lado, marca o domínio dentro do qual o Estado exerce a sua soberania. Em segundo lugar, e referindo-se agora a sua extensão, é factor de defesa militar e de defesa económica, sobretudo quando à extensão se alia a fertilidade do solo ou a riqueza do subsolo.
A designação de território só surge com o Estado Moderno. Nos Esatdos antigos e na Grécia, não havia a noção de território, pois a cidade-Estado era limitada a um centro urbano e uma zona rural circunvizinha, não havia conflitos de fronteiras, assim, não houva a necessidade de delimitação territorial.
Da Idade Média em diante é que começaram os conflitos. Começaram, nesta época, a surgir conflitos de poderes, de autoridades, tornou-se necessária a noção de dois pontos: soberania, que indicava o poder mais alto, devendo dominar, e a de territóri, onde esse poder seria mais alto.
Somente no Estado Moderno o território surge como elemento essencial do Estado.
Existem várias teorias a respeito do relacioanemnto entre Estado e Território. BONAVIDES, dispõe o agrupamento das teorias e indica quatro concepções fundamentais:
1) Território-patrimônio: não diferencia imperium e dominium, concebendo o poder do Estado sobre o território exatamente como o direito de qualquer proprietário sobre o imóvel.
2) Território-objeto: concebe território como um direito real de caráter público. Embora com certas peculiaridades, a relação entre Estado e território é a de domínio.
3) Território-espaço: território é extensão espacial da soberania do Estado. Estado tem um caráter pessoal, implícito na idéia de imperium. é o poder de império (poder sobre todas as coisas no território pátrio) e o poder de dominação (poder sobre todas as pessoas no território pátrio) 4) Território- competência: considera o território o âmbito de validade da
ordem jurídica do Estado.
Assim, território é o espaço certo e delimitado onde se exerce o poder do governo sobre os indivíduos. Patrimônio do povo, não do Estado como instituição. O poder diretivo se exerce sobre as pessoas, não sobre o território. Tal poder é de imperium, não de dominium. Nada tem em comum com o direito de propriedade. A autoridade governamental é de natureza política, de ordem jurisdicional. (Maluf)
LIMITES DO TERRITÓRIO: Extensão territorial:
a) Terra firme: vai até as fronteras e divisas com outros Estados.
b) Sobre o mar: faixa de mar é denominada de mar territorial. A incorporação de uma faixa do mar ao território é uma prática antiga, pois era uma forma de segurança onde determinavam a extensão do mar territorial sobre o qual o Estado exercia sua soberania. Assim, os primeiros critérios fixado foi o do “alcance das armas, consagrando-se a fórmula terrae potestas finitur ubi finitur armorum vis (cessa o poder territorial onde cessa a força das armas) mencionando-se a partir do séc. XVII o alcance do tiro de canhão.
Depois com os avanços das armas, sendo fixado em milhas, por meio do Direito Internacional Público, foi fixado três milhas. Porém, o critério de segurança (sendo que as potencias das armas atuais podem atravessar o mar e lançar de um continente a outro), foi cedendo lugar a outros objetivos, como o econômico.
Assim, surge a fixação de duzentas milhas, feita por tratados internacionais ou por atos unilaterais dos Estados. “Atualmente invocando não só os interesses da defesa externa mas também os da exploração econômica, os Estados como o Brasil, Argentina, Uruguai,
Chile, Equador e outros vêm adotando o limite de duzentas milhas marítimas
de mar territorial” (Sahid Maluf)
c) Sobre o espaço aéreo: configura um grande problema na era contemporânea, pois com os avanços da aeronáutica, com a intensa utilização do espaço aéreo surge inúmeros problemas realcionados a matéria. Considerou o direito de passagem inocente das aeronaves em qq Estado. Porém, ainda há desentendimentos com a utilização de aviões para ataques terroristas e missões de espionagem. Ainda há outras discussões quanto aos satélites artificiais e naves espaciais. A ONU vem discutindo vários problemas, e dispôs sobre a impossibilidade de algum país se apoderar do espaço ultraterreste, da lua e dos planetas. O Direito Aéreo é formado por uma série de acordos Bilaterais e Multilaterais, que o fazem contrastar com muitas regras de origem consuetudinária vigentes em direito marítimo.
d) Domínio Terrestre: o Domínio Terrestre é a parte do Território que faz parte o solo e o subsolo situados dentro das fronteiras do Estado. O subsolo, seja qual for a profundidade, é considerado pertencente ao Estado que exerce soberania sobre o solo correspondente.
e) Domínio Fluvial: o Domínio Fluvial é constituído por todos os cursos de água ou pela parte dos mesmos que correm no Território de um Estado e pela parte dos cursos de água que o separam de outro ou outros Estados e sobre o qual exercem soberania.
f) Domínio Lacustre: os lagos são superfícies maiores ou menores de água doce totalmente rodeados de terra.
A Nação, como realidade sociológica, pode subsistir sem território próprio, sem se constituir Estado, como ocorreu com a nação judaica durante cerca de dois mil anos, desde a expulsão de Jerusalém até a recente partilha da Palestina. Porém, como visto acima, Estado sem território não é Estado.
SOBERANIA:
1) Dificuldade conceitual:
a) Significado do Termo:
Latim super omnia ou de superanus ou supremitas (caráter dos domínios que não dependem senão de Deus), significa, vulgarmente, o poder supremo e, neste aspecto, incontestável do Estado, acima do qual nenhum outro poder se encontra.
Soberania, em termos objetivos, se traduz através de um conceito extremamente
complexo.
Trata-se de uma expressão que pode ser traduzida simultaneamente por intermédio de duas diferentes classes gramaticais, ou seja, a classe substantiva e a adjetiva.
No sentido material (substantivo) é o poder que tem a coletividade humana
(povo) de se organizar jurídica e politicamente e de fazer valer no seu território a universalidade de suas decisões.
No aspecto adjetivo, por sua vez, a soberania se exterioriza conceitualmente
como a qualidade suprema do poder, inerente ao Estado, como Nação política e juridicamente organizada. (Deve ser observado que, pelo menos inicialmente, a maioria dos estudiosos
do tema não conseguiam perceber o aspecto binário da caracterização conceitual da soberania, optando, por efeito, por traduzi-la ora por seu aspecto substantivo (acepção de poder efetivo), ora por seu aspecto adjetivo (como qualidade inerente (e essencial) do poder estatal).
Ranelletti parece ter sido, neste particular, o primeiro autor e arranhar a concepção contemporânea de soberania, permitindo a dupla tradução do vocábulo como poder (elemento essencial de caracterização do Estado) e como qualidade inerente ao Estado (embora, em termos mais corretos, a soberania deva ser percebida, em seu aspecto adjetivo, como qualidade do próprio poder e não do Estado, posto que todo Estado é, em tese, soberano.) “O primeiro aspecto importante a considerar é o que se refere ao conceito de soberania.
Entre os autores há quem se refira a ela como um poder do Estado, enquanto outros preferem concebê-la como qualidade do poder do Estado, sendo diferente a posição de
Kelsen, que, segundo sua concepção normativista, entende a soberania como expressão da unidade de uma ordem.
Miguel Reale:
No sentido substantivo (que alguns autores salientam como o principal), a soberania é também concebida,
em termos políticos, como o poder incontrastável de requerer coercitivamente
e de fixar competências (soberania como elemento de expressão última da plena eficácia do poder),
em termos jurídicos, como o poder de decidir em última instância sobre a
eficácia da normatividade jurídica, e,
em termos culturais (que alguns autores como Miguel Reale, preferem denominar concepção política, mas que, em essência, é uma tradução mista político-jurídica), como o poder de organizar-se política e juridicamente e de fazer valer, no âmbito de seu território (princípio da aderência territorial) a universalidade de suas decisões no “limite dos fins éticos de convivência”
1) CONCEITO DE SOBERANIA
Soberania é um poder superior que não pode ser limitada por
nenhum outro poder.
Lês Six Livres de la Republique, de Jean Bodin de 1576, é a
primeira obra teórica a desenvolver o conceito de soberania, como
padrão para análise, a situação da França. Inicia-se o Livro I com
conceituação da República, e capítulo VIII do Livro I, esclarece
Bodin que a “Soberania é o poder absoluto e perpétuo de uma
república, palavra que se usa tanto em ralação aos particulares
quanto em relação aos que manipulam todos os negócios de
estudo de uma República”. É perpétuo, pois a soberania não pode
ser exercida por um tempo certo. Sendo absoluto, a soberania não
é limitada nem em poder e nem em cargo, porém, as únicas coisas
que o limitam, são as leis divinas e naturais.
Em 1762, Rousseau em “O Contrato Social” no Livro II,
Capítulo I, ele demonstra que a Soberania é inalienável e também
indivisível, inalienável por se exigido da vontade geral e indivisível
porque a vontade só é geral se houver participação do todo.
Rousseau também traça os limites do poder soberano, dizendo que
“o poder soberano, completamente absoluto, sagrado e inviolável,
não ultrapassa nem pode transgredir os limites das convenções
gerais. A regra básica da limitação é que o soberano não pode
sobrecarregar os cidadãos de coisas inúteis à comunidade e
tampouco pode exigi-las, devendo fazer exigências iguais a todos
os súditos.”
Voltando ao aspecto conceitual da palavra Soberania, há
vários autores há quem se refira a ela como um poder do Estado,
como também há outros que preferem concebê-la como qualidade
do poder do Estado, diferentemente de Kelsen, que segundo sua
conceituação normativista, entende a soberania como expressão da
unidade de uma ordem. Por outro lado, Heller e Reale, ela é uma
qualidade essencial do Estado, enquanto Jellinek já entende-se
como nota essencial do poder do Estado. Entenda-se que a noção
de soberania está sempre ligada a uma concepção de poder. Há,
no entanto, uma progressão de entendimentos em termos
puramente político para uma interpretação jurídica, mas que o
resultado seja absoluto.
Em termos jurídicos, leva ao conceito de Soberania como o
poder de decidir em última instancia sobre a atributividade das
normas, sobre a eficácia do direito. Partindo do pressuposto de que
todos os atos dos Estados são passíveis de enquadramento
jurídico, tem-se como soberano o poder que decide qual a regra
jurídica aplicável em cada caso, podendo, até, negar a juridicidade
da norma. Portanto, não há Estados mais fortes ou mais fracos,
uma vez que para todos a noção de direito é a mesma.
Para o nosso brilhante jurista Miguel Reale, o denomina como
política e o define, “A soberania é o poder de organizar-se
juridicamente e de fazer valer dentro de seu território a
universalidade de suas decisões nos limites dos fins éticos de
convivência”.
Para alguns autores em particular, como Pedro Calmon:
Todavia, o mais correto é entender o fenômeno em questão como inconteste elemento de formação (ou caracterização) do Estado que possui, desta feita, dois âmbitos distintos de atuação: o interno (de caracterização institucional)
e o externo (de projeção no cenário internacional). Internamente, é o direito
de criar o governo, as instituições e a própria Constituição (por intermédio do Poder Constituinte que, em essência, se traduz como a expressão máxima da soberania). Externamente, é o poder absoluto aderente ao território que propiciou forjar, no direito internacional público, o conceito basilar de não-intervenção entre os Estados (soberanos) no contexto mundial.
Maluf denomina soberania como uma autoridade superior que não pode ser
limitada por nenhum outro poder.
Pinto Ferreira é a capacidade de impor a vontade própria, em última instância,
para a realização do direito justo.
Clóvis Beviláqua: por soberania nacional entendemos a autoridade superior,
que sintetiza, politicamente, e segundo os preceitos de direito, a energia coativa do agregado nacional.
2) Precedentes históricos de seu aparecimento:
Estado Antigo até Império Romano: não se encontra noção de soberania, o que havia era apenas uma automia autárquica das cidades-Estado, o que não indica supremacia de poder apenas uma auto-suficiencia. Até mesmo em Roma, não chega a ter menção sobre a soberania, o que havia era termos como: majestas, imperium que designavam poderes militares ou de uma autoridade.
Na Idade Média com feudalismo ainda não havia soberania de poder, uma vez que o rei dividia o poder com Senhores Feudais, estes exerciciam os poderes sobre suas terras e seus vassalos, portanto, havia poder senhorial e real.
No séc. XVI: Jean Bodin destaca que a soberania do rei é originária, ilimitada, absoluta, perpétua e irresponsável em face de qualquer outro poder temporal ou espiritual.
No séc. XIII o monarca vai ampliando a esfera de sua competência exclusiva, afirmando-se soberano de todo o reino, cima de todos os barões. No final da Id. Média os monarcas já possuem supremacia.
3) Características da soberania:
Rousseau: No contrato social dispõe de algumas características da
soberania, ao mencionar que:
“o contrato social gera o corpo político, chamado Estado quando passivo,
Soberano quando ativo e Poder quando comparado com os
semelhantes”.No livro II afirma que a soberania é inalienável por ser o exercício da vontade geral, não podendo esta se alienar. E indivisível porque a vontade só é geral se houver a participação do todo.
2) Características da Soberania:
A Soberania é una, porque não pode existir mais de uma
autoridade soberana em um mesmo território. “É inadmissível a
coexistência de poderes iguais na mesma área da validez das
normas jurídicas”.
A Soberania é indivisível. O poder soberano delega
atribuições, reparte competências, como no caso dos Poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, mas não divide soberania.
A Soberania é inalienável, ou seja, não se transfere a
outrem. O Poder Soberano emana do corpo social (entidade
coletiva dotada de vontade própria), constituída pela soma das
vontades individuais. Os representados devem exercer o poder de
soberania segundo a vontade do corpo social consubstanciada na
Constituição e nas leis.
A Soberania é imprescritível, ou seja, não sofre
limitações pelo tempo. Não se admite soberania por tempo
determinado.
Para fins característicos da soberania, temos ela como una,
porque não se admite num mesmo Estado a convivência de duas
soberanias; Indivisível: se aplica à universalidade dos fatos
ocorridos no Estado, sendo inadmissível, por isso mesmo, a
existência de várias partes separadas da mesma soberania;
Inalienável: aquele que a detém desaparece quando ficar sem ela,
seja o povo, a nação, ou o Estado;
Imprescritível: porque jamais seria verdadeiramente superior se
tivesse prazo certo de duração. Todo poder soberano aspira a
existir permanentemente e só desaparece quando forçado por uma
vontade superior.
4) Titularidade:
As teorias teocráticas, de modo geral, partem do pressuposto de que, direta (direito divino sobrenatural) ou indiretamente (direito divino providencial), a titularidade da soberania pertence ao monarca, como uma autêntica concessão divina.
As teorias democráticas, por sua vez, reconhecem a inconteste titularidade
do povo, ainda que adstrito a um contexto evolutivo que pode ser concebido desde a idéia primitiva de população (teoria da soberania do povo), passando pela noção de agrupamento com efetivo vínculo de nacionalidade (teoria da soberania da Nação), até chegar à concepção contemporânea (inaugurada no século XX) de povo como conjunto de nacionais, institutivamente considerado (teoria da soberania do Estado).
5) Limitações:
Segundo Maluf.
Não obstante o atributo basilar da soberania – de ausência de restrição
à sua exteriorização efetiva –, em sua acepção substantiva, se constituir como inconteste poder ilimitado (e incondicionado), é fato, conforme já afirmamos, que a soberania, como sinérgico poder (aspecto material), pode ser analisada através de dois diferentes âmbitos de atuação (o interno (de caracterização
institucional) e o externo (de projeção no cenário internacional), permitindo, por efeito, análises diversas (e complexas):
Particularmente no que concerne ao primeiro prisma, em decorrência
de suas inerentes especificidades, vale consignar que a matéria é amplamente controvertida, existindo alguns autores a
defender a tese segundo a qual o direito natural (individual e grupal) se constitui em insuperável elemento de restrição ao exercício do poder estatal derivado da soberania no âmbito interno de atuação da mesma.
“Limitam a soberania os princípios de direito natural, porque o Estado é apenas instrumento de coordenação do direito, e porque o direito positivo que do Estado emana só encontra legitimidade quando se conforma com as leis eternas e imutáveis da natureza. Como afirmou São Tomás de Aquino, uma lei humana não é verdadeiramente lei senão enquanto deriva da lei natural;
se, em certo ponto, se afasta da lei natural não é mais lei e sim uma violação da lei. E acrescenta que nem mesmo Deus pode alterar a lei natural sem alterar a matéria – Neque ipse Deus dispensare potest a lege naturali, nisi
mu-Já no que alude à esfera de atuação exterior da soberania, a questão
apresenta notáveis fatores de complexidade, posto, sobretudo, que, no cenário internacional, coexiste uma série de protagonistas estatais, todos dotados do idêntico atributo da soberania, com projeção teórica ilimitada de poder.
“Notadamente no plano internacional, a soberania, é limitada pelos
imperativos da coexistência de Estados soberanos, não podendo invadir a esfera
de ação das outras soberanias. Uma vez não contrariando as normas de
direito nem ultrapassando os limites naturais de competência estatal, a soberania
é imperiosa e incontrastável. Sem ser arbítrio nem onipotência, acentuou Mouskreli, é poder absoluto, encontrando, porém, sua limitação natural na própria finalidade que lhe é essencial.
Assim, no plano internacional limita a soberania o princípio da coexistência pacífica das soberanias.
Atualmente, as nações integram uma ordem continental, e, dentro dessa ordem superior, o poder de autodeterminação de cada uma limita-se pelos imperativos da preservação e da sobrevivência das demais soberania”
Assim, Maluf menciona que diz que no plano internacional limita a soberania o princípio da coexistência pacífica da soberanias.
Um outro importante aspecto relacionado à soberania diz respeito ao
recente fenômeno da globalização que, segundo opinião de vários estudiosos,
também tem contribuído, sobremaneira, para impor efetivas restrições (limites)
à esfera de influência das várias soberanias nacionais. A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE SOBERANIA: Carla Amado Gomes.
É frequente, nos dias de hoje, ver-se posta em causa a noção de
soberania.
Em primeiro lugar, relativamente às causas que começaram por abalar os alicerces da tradicional noção de soberania, cabe dizer que eles despontaram em meados deste século, na sequência das duas terríveis
guerras que abalaram a Europa.
1 ) A necessidade de reconstrução e o anseio do estabelecimento de
condições para uma paz duradoura desencadearam uma nova concepção
de relacionamento entre os Estados, que abandonaram o seu proteccionismo económico e o seu orgulhoso individualismo político em prol de uma nova atitude de colaboração e entre-ajuda.
A clássica concepção da soberania como um poder ilimitado, que não reconhece superior na ordem interna e não se subordina a qualquer tipo de dependência no plano internacional, cujo berço se encontraria na obra de Bodin é, está hoje demonstrado, um claro equívoco histórico que importa sublinhar.
Na sequência desse engano, cabe também desmistificar a soberania como um conceito quantitativo - como um conjunto de poderes de que o Estado seria titular -, indivisível e inalienável, para afirmar antes o seu carácter qualitativo e divisível, desde que preservado na sua essência.
A reconstrução – rectius, a releitura – do conceito de soberania deve ser feita a partir dessa constatação.
Na actualidade, porém, o âmbito do domínio reservado vem sofrendo uma redução considerável por força da preocupação internacional com o respeito e
defesa dos direitos humanos
“Há cem anos não havia nem telefone, nem cabos submarinos, nem aeronáutica, nem comunicações telefónicas. Havia diligências, barcos de madeira, viagens intermináveis cheias de dificuldades e por vezes de perigos... a indústria ainda estava na infância, a máquina só introduzida recentemente; havia pequenos estabelecimentos de fornecimento modesto que serviam um público local ou regional cujas necessidades, limitadas e bem conhecidas,
determinavam a produção; a indústria exigia pequeno investimento de capital, ocupando, geralmente, apenas um lugar secundário na economia dos países, de que a agricultura era, então, a base principal.
Assim, para resolver os principais problemas que o cercavam, não necessitava, em geral, mais do que aconselhar-se consigo mesmo, guiado apenas pelos seus interesses. A máquina do Estado tinha força suficiente para satisfazer as exigências da vida da comunidade e a noção de «soberania» {absoluta, quer o autor significar} encontrou um apoio considerável na independência que cada entidade nacional usufruía.
Ora, tais limitações à tradicional independência do Estado, ainda que somente verificadas a um nível económico, são a gota de água que faz transbordar o copo da clássica concepção de soberania. A sua consideração como um
conjunto de poderes, como um todo compacto, indivisível e inalienável, cai definitivamente por terra com a irrupção das experiências de integração económica. É forçoso, por isso, abandonar a noção de soberania quantitativa, para abraçar uma ideia de soberania qualitativa.
A independência - no sentido de auto-suficiência do Estado não deve ser encarada como sinónimo de soberania.
Ser independente é não ter relações de dependência; ser soberano é ter a capacidade de utilizar a sua independência para tomar as decisões que mais interessam ao seu corpo social, se necessário com limitações de independência”
A soberania surge então como divisível e parcialmente alienável, pois já não é de um conjunto rígido de poderes que estamos a falar, mas antes de uma qualidade intrínseca do Estado, da sua possibilidade de optar nos aspectos
mais relevantes da sua vida interna, da sua organização política, das grandes directrizes da governação, enfim, da preservação da sua identidade como organismo autónomo. Aliás, além da perda parcial do seu ius tractum, um outro
aspecto mais flagrante, até, para as clássicas concepções de soberania -desta mutação é aquele que diz respeito ao ius belli: a integração de um Estado na ONU força-o a abdicar do seu “direito” de intervenção armada, da possibilidade indiscriminada de resolver os conflitos pela via bélica.
LUÍS DE CAMÕES
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o mundo é composto de mudança e dotado de novas qualidades.”
A variação do conteúdo da noção de soberania não deve ser vista como uma perda do vector último da figura do Estado - a sua identidade histórica e cultural -, mas antes como um sinal do tempo.
FINALIDADE:
1) Importância: alguns autores diz que a legitimidade dos atos do Estado depende de sua adequação às finalidades.
2) Fins objetivos: prende-se ao papel representado pelo Estado no desenvolvimento da história da humanidade. Fins objetivos universais. Depois no séc. XIX várias correntes contra, entre elas a defesa de que o Estado é o fim em si mesmo, negando a existência de finalidade objetiva. Depois outras no sentido de que existem fins particulares objetivos.
Fins subjetivos: importante é o encontro das relações entre Estados e
os fins individuais. O Estado é sempre uma unidade de fim, ou seja, é uma unidade conseguida pelo desejo de realização de inúmeros fins particulares, sendo importante localizar os fins que conduzem a unificação.
Fins expansivos: preconizam o crescimento desmensurado do Estado
a tal ponto que se acaba anulando o indivíduo. a) utilitárias: fim material em detrimento da liberdade dos indivíduos, b) ética: moral e ética fazem do Estado ser superior, onipotente.
Fins limitados: reduzem ao mínimo as atividades do Estado, a)
Segurança,
c) liberdade. C) contratualista, Estado de Direito.
Fins relativos: leva em conta a necessidade de uma atitude nova dos
indivíduos no seu relacionamento recíproco, bem como as relações entre o Estado e os indivíduos.
Fins exclusivos: que só devem caber ao Estado, compreendem a
segurança, externa e interna.
Fins concorrentes: busca favorecer o desenvolvimento e o progresso
social.
Conclusão Dallari: o fim do Estado é o bem comum, como denomina o Papa João XXIII, o conjunto de todas as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana.
Estado busca o bem comum de um certo povo, situado em determinado território.