• Nenhum resultado encontrado

Lição 6 - Exercícios.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Lição 6 - Exercícios."

Copied!
16
0
0

Texto

(1)

Lição 6 - Exercícios.

Exercício

Área de uma região denida por duas curvas

Determinar a área da região nita delimitada pelos grácos das funções f(x) = x2− 1 e g(x) = −x2+ 2x.

Na gura 1 estão representados os grácos da duas funções. A região que queremos considerar corresponde ao intervalo [a, b] de valores de x. A expressão que nos dá a área dessa região é

Z b

a

(g(x) − f (x)) dx.

Note-se que o gráco de g(x) está acima do gráco de f(x) neste intervalo. A justicação para este integral ca clara se o escrevermos da forma

Z b a (g(x) − f (x)) dx = Z 0 a (g(x) − f (x)) dx + Z d 0 (g(x) − f (x)) dx + Z b d (g(x) − f (x)) dx. (1)

Figura 1: Área da região delimitada por duas curvas no intervalo [a, b]. Vejamos o signicado de cada um dos três integrais no segundo membro de (1).

1. No intervalo [a, 0] as regiões delimitadas pelos grácos e pelo eixo das abcissas estão ambas abaixo deste eixo, o que sinica que tanto R0

a f (x)dx como R 0

a g(x)dxsão negativos. O integral R 0

a (g(x) − f (x)) dx

(2)

2. No intervalo [0, d] as regiões delimitadas pelos grácos e pelo eixo das abcissas estão acima do eixo das abcissas, no caso de g(x), e abaixo deste eixo, no caso de f(x). Daqui decorre Rd

0 f (x)dx < 0e

Rd

0 g(x)dx > 0. O integral R d

0 (g(x) − f (x)) dxcorresponde a uma soma de áreas.

3. No intervalo [d, b] as regiões delimitadas pelos grácos e pelo eixo das abcissas estão ambas acima deste eixo, o que sinica que tanto Rb

d f (x)dx como R b

d g(x)dxsão positivos. O integral R b

d(g(x) − f (x)) dx

corresponde a uma diferença de áreas.

Para calcular o integral em (1) é preciso determinar os valores de a e b. Como são os dois únicos valores de xpara os quais se tem f(x) = g(x), temos que resolver esta equação.

f (x) = g(x) ⇔ x2− 1 = −x2+ 2x ⇔ −2x2+ 2x + 1 = 0 ⇔ x = 1 − √ 3 2 ! ∨ x = 1 + √ 3 2 !

O cálculo da área é imediato. Z b a (g(x) − f (x)) dx = Z (1+ √ 3)/2 (1−√3)/2 (−2x2+ 2x + 1)dx =  −2 3x 3+ x2+ x (1+ √ 3)/2 (1−√3)/2 = −2 3 1 +√3 2 !3 + 1 + √ 3 2 !2 + 1 + √ 3 2 ! − −  −2 3 1 −√3 2 !3 + 1 − √ 3 2 !2 + 1 − √ 3 2 !  = √3

A área da região delimitada pelas duas curvas é√3.

Exercício

Determinar a área da região nita delimitada pelos grácos das funções f(x) = x2− 1e g(x) = −x2+ 2xno

intervalo [c, b].

(3)

Usar um integral para obter uma fórmula para o comprimento do arco de curva (= bocado de curva) cor-respondente ao gráco de uma função f(x) no intervalo [a, b] de valores de x.

Na esquerda da gura 2 está representada uma curva a traço grosso, de comprimento L1. Podemos obter

um valor aproximado para L1 somando as medidas de segmentos de recta apoiados na curva. Seja L3 a

soma das medidas dos segmentos de recta de cor vermelha. É imediato vericar que L3 < L1 (porquê?).

Uma aproximação melhor que L3 pode ser conseguida substituindo cada segmento de recta a vermelho por

dois segmentos tracejados, conforme se vê na imagem esquerda da gura. Se L2 é o comprimento da linha

quebrada a tracejado, podemos escrever L3< L2< L1. Podemos melhorar ainda mais a aproximação,

subs-tituindo cada segmento de recta a tracejado por dois segmentos de recta apoiados na curva a traço grosso, somando depois os comprimentos dos segmentos que formam a linha quebrada resultante. Repetindo suces-sivamente o processo, vamos obtendo linhas quebradas com cada vez mais segmentos, cujos comprimmentos são aproximações cada vez melhores para o comprimento L1.

Figura 2: Comprimento de um arco de curva.

Na imagem da direita no gura 2 está representado um arco da curva e um segmento de recta aproximante (a vermelho). O comprimento ∆sido segmento de recta pode ser calculado usando o teorema de Pitágoras e

as diferenças de ordenadas, ∆yi, e de abcissas, ∆x, dos pontos inicial e nal do arco. A gura sugere a forma

de obter uma linha quebrada formada pela justaposição de segmentos de recta: dividimos o intervalo [a, b] em n partes iguais de medida ∆x, correspondendo a cada uma um pedaço da curva e o respectivo segmento de recta aproximante. O comprimento do i-ésimo segmento é ∆si = p(∆x)2+ (∆yi)2. A soma Sn dos

comprimentos dos n segmentos da linha quebrada é

Sn = n X i=1 p (∆x)2+ (∆y i)2 = n X i=1 s 1 + ∆yi ∆x 2 ∆x.

(4)

Fazendo n → ∞ a taxa de variação ∆yi/∆x tende para a derivada da função y0 no ponto xi. Se o limite

existe, então pode exprimir-se somo um integral denido, bastando que a função p1 + (y0)2 seja contínua

no intervalo [a, b], o que acontece se y0 = f0(x) for contínua neste intervalo. Obtemos uma fórmula para o

comprimento de uma curva suave y = f(x) no intervalo [a, b] de valores de x. S = lim n→∞Sn = n→∞lim n X i=1 s 1 + ∆yi ∆x 2 ∆x = Z b a p 1 + (y0)2dx.

Exercício

Volume de um sólido de revolução

Usar um integral para determinar a fórmula do volume de um sólido gerado pela revolução da curva y = f(x), a ≤ x ≤ b, em torno do eixo das abcissas.

Na revolução de uma curva em torno de um eixo, cada ponto da curva descreve uma trajectória circu-lar em torno do eixo e perpendicucircu-lar a este. O sólido cuja superfície é formada pela reunião de todas as trajectórias circulares dos pontos da curva, diz-se sólido de revolução.

Figura 3: Sólido de revolução.

Figura 4: Volume de um sólido de revolução.

Na imagem esquerda da gura 3 está esboçado o cone gerado pela revolução do segmento de recta a traço grosso em torno do eixo das abcissas. Podemos obter uma aproximação para o volume do cone a partir da revolução em torno do eixo das abcissas da função em escada representada na imagem da direita na gura 3. A largura de cada `degrau' é ∆x = (b − a)/n. O sólido gerado é a sequência de discos na imagem da esquerda da gura 4. O volume Vn deste sólido obtém-se somando os volumes dos discos envolvidos.

(5)

Vn = n X k=1 πf2(xk)∆X, (2) sendo πf2(x

k)a área da base do k-ésimo disco e ∆x a sua largura. Quanto maior for o número de discos

usado, melhor a aproximação ao valor do volume do sólido. O valor V deste volume obtém-se calculando o limite do somatório quando n → ∞.

V = lim n→∞Vn = n→∞lim n X k=1 πf2(xk)∆X = Z b a πf2(x)dx

Esta é a expressão geral para o volume do sólido gerado pela revolução do arco de curva denido por f (x), a ≤ x ≤ b, em torno do eixo das abcissas. Como exemplo, se f(x) = x2 e [a, b] = [1, 4], o volume V do

sólido de revolução é calculado da forma que se segue. V = Z 4 1 πx4dx = π x 5 5 4 1 = 1023π/5

Exercício

Energia cinética de um corpo

Um objecto de massa m (kg), deslocando-se segundo uma trajectória linear, com uma velocidade de módulo vi(m/s), é actuado por uma força de intensidade F (N), com a direcção e o sentido do movimento do corpo.

A força é exercida durante ao longo do percurso linear de medida D (m). Qual a velocidade vf do corpo no

nal do segmento de comprimento D? (imagem esquerda, gura 5)

Figura 5:

Vamos fazer uma experiência matemática para averiguar que informação nos pode dar o produto F D. Por ser F = ma constante, a aceleração a(t) é também constante, sendo a velocidade v(t) linear e crescente (gura 6). Podemos escrever

F D = maD = m∆v

∆tD = m∆v D

(6)

sendo ∆t o tempo que o objecto leva a percorrer o trajecto linear de medida D e ∆V/∆t a aceleração. A variação de velocidade é ∆v = vf− vi e D/∆t representa a velocidade média (vf+ vi)/2. Usando (3) ca

F D = m(vf− vi) vf+ vi 2 , ou F D = mv 2 f− v2i 2 F D = 1 2mv 2 f− 1 2mv 2 i. (4)

Figura 6: Aceleração constante, positiva; velocidade linear, crescente.

Conhecendo a força F , a distância D, a massa do corpo m e a sua velocidade inicial vi, podemos usar (4)

para calcular a velocidade nal vf pretendida.

Um signicado físico para a expressão mv2

i/2pode ser obtido se suposermos que a força tem o sentido

contrário ao do movimento do corpo, conforme a imagem na direita da gura 5. Qual a distância D ao m da qual o corpo pára por acção da força −F ? A resposta é dada usando a fórmula (4), com F substituida por −F e vf substituida por 0, por ser nula a velocidade do corpo parado. Resolvendo a equação resultante

em ordem a D, temos

D = mv

2 i

2F . (5)

Vericamos que, conhecida a força F , o termo mv2

i/2 é directamente proporcional à distância necessária

para travar o corpo. O termo mv2

i/2dá-nos uma medida do estrago que o corpo causa quando embate num

alvo. É designado por energia cinética (= energia de movimento) do corpo. Obviamente, um corpo parado tem energia cinética nula.

(7)

Exercício

Corpos com o mesmo momento linear

Dois corpos com massas e velocidades, respectivamente m1 = 5kg, v1 = 10m/s e m2 = 10kg, v2 = 5m/s,

colidem contra alvos iguais. Qual deles provoca maior dano no alvo?

Note-se que os corpos têm o mesmo momento linear p = mv (também chamado quantidade de movimento). Como vimos acima, a medida do dano causado no alvo é dada pela energia cinética (EC) do corpo.

Corpo 1: EC = 1 2m1v 2 1 = 1 25 × 10 2 = 250J (joules) Corpo 2: EC = 1 2m2v 2 2 = 1 210 × 5 2 = 125J (joules)

Concluimos que o corpo 1 é o que causa maior dano no alvo. Fica uma pergunta: qual o signicado físico da igualdade dos momentos lineares?

Exercício

Corpo travado por uma mola

Na gura 7 está representada a colisão de um corpo de massa m (kg) com uma mola. A velocidade do corpo no momento inicial da colisão é vi(m/s). A constante da mola é k (N/m). Qual a medida D da compressão

da mola necessária para que o corpo pare?

Figura 7: Corpo actuado por uma força variável.

Consideremos a imagem à esquerda na gura 7. Supomos que a mola está xada no seu lado esquerdo, estando o lado direito livre. Quando a mola está em repouso (não está comprimida nem alongada), a posição do extremo direito é x = 0. Quando a mola é comprimida ou alongada, a força com que ela responde é dada por F = −kx, sendo k a constante da mola e x > 0 se a mola for alongada, ou x < 0 se for comprimida. A relação linear F = −kx, dita lei de Hooke, só é válida para valores de x relativamente pequenos. Ao longo deste texto supomos que esta condição se verica. A medida D de compressão da mola necessária para

(8)

travar o corpo (imagem da direita na gura 7), está relacionada com a energia cinética do corpo. A fórmula (5) mostra-nos como calcular D quando a força aplicada é constante. No caso da mola comprimida a força aplicada ao corpo é positiva (porquê?) e crescente ao longo do percurso. Na gura 8 temos a indicação de como calcular a energia cinética ganha, ou perdida, por um corpo em movimento sujeito a uma força variável.

Figura 8: Corpo em movimento, travado por uma mola.

Subdivide-se o percurso em pequenos deslocamentos ∆x nos quais a força pode ser tomada como constante (esta aproximação é tanto melhor quanto menor for ∆x). Para cada deslocamento ∆x a variação da energia cinética do corpo é dada por F (x)∆x, que corresponde à área do rectângulo. Trata-se agora de somar os produtos F (x)∆x para os restantes rectângulos da subdivisão do trajecto, e fazer o número de rectângulos tender para innito na expressão resultante. Temos o mesmo processo que já encontrámos no cálculo do comprimento de uma curva, ou no cálculo do volume de um sólido de revolução. Podemos reescrever a expressão (4) para o caso de uma força variável,

Z xf xi F (x)dx = 1 2mv 2 f− 1 2mv 2 i, (6)

sendo xi e xf, respectivamente, as posições inicial e nal de acção da força. No caso da mola comprimida

pelo corpo (imagem esquerda da gura 7) a fórmula (6) ca Z −D 0 −kxdx = −1 2mv 2 i, (7)

uma vez que xi = 0 é a posição do extremo direito da mola quando se inicia a compressão, xf = −D é a

posição do extremo direito da mola quando o objecto pára, F (x) = −kx é a força que a mola devolve, e vf = 0é a velocidade do corpo no ponto de compressão máxima. Resta calcular o integral em (7) e resolver

(9)

a equação resultante em ordem a D. Z −D 0 −kxdx = −1 2mv 2 i ⇔  −kx 2 2 −D 0 = −1 2mv 2 i ⇔ −kD 2 2 = − 1 2mv 2 i ⇔ D = r m kvi (8)

Uma inspecção da fórmula (8) permite tirar conclusões interessantes. Por exemplo, se a velocidade inicial de impacto vi duplicar, a distância de compressão D necessária para parar o corpo também duplica. Já

relativamente à massa m do corpo, vericamos que esta deve quadruplicar para que a distância D de paragem do corpo duplique. Também observamos que quanto maior for k (mola mais `dura'), menor o valor de compressão D necessário para parar o corpo.

Para os dois corpos com massas e velocidades m1 = 5kg, v1= 10m/s e m2 = 10kg, v2 = 5m/s, de um

exercício anterior, as compressões de uma mola com constante k = 3000 N/m necessárias para os parar, são Corpo 1: D = r m1 k v1 = r 5 300010 ≈ 0.41 m Corpo 2: D = r m2 k v2 = r 10 30005 ≈ 0.29 m.

A mola é mais comprimida no caso do corpo 1, porque este corpo tem maior velocidade.

Exercício

Corpos com igual momento linear

Dados dois corpos com o mesmo momento linear, p = mv, é sempre o corpo com maior velocidade aquele que tem a maior energia cinética?

Exercício

Momento linear igual ⇒ tempo de paragem igual

Um objecto de massa m (kg), deslocando-se segundo uma trajectória linear com uma velocidade de módulo vi (m/s), é actuado por uma força constante F (N), com a direcção e o sentido do movimento do corpo.

A força é exercida durante um intervalo de tempo com a duração de T segundos. Qual a velocidade vf do

(10)

Vamos fazer uma experiência matemática para averiguar que informação nos pode dar o produto F T . Por ser F = ma constante, a aceleração a(t) é também constante, sendo a velocidade v(t) linear e crescente (gura 6). Podemos escrever

F T = maT = m∆v

∆tT = m∆v T ∆t,

Como a velocidade é linear com t, o cociente ∆v/∆t pode ser calculado para ∆t qualquer. Se zermos na expressão anterior ∆t = T , obtemos

F T = m∆v = m(vf− vi) = mvf− mvi. (9)

Conhecendo F , T , m e vi, podemos obter de (9) o valor da velocidade vf pretendido.

A fórmula (9) permite dar resposta a uma pergunta interessante. Dado um corpo de massa m que se des-loca numa trajectória linear à velocidade constante de vi(m/s), qual o intervalo de tempo T necessário para

o corpo ser parado por uma força constante, com intensidade F e sentido oposto ao sentido de deslocamento do corpo? Resolvendo (9) em ordem a T temos

T = m(vf− vi)

F . (10)

Se ao m de T segundos de aplicação da força o corpo pára, então vf = 0. Substituindo este valor em (10)

e escrevendo −F em vez de F , obtemos

T = mvi

F . (11)

Este resultado é notável, porque nos diz que o tempo necessário para o corpo ser parado por uma força de intensidade F é igual para corpos com o mesmo momento linear p = mv.

Exercício

Duração de uma colisão

Na gura 7 está representado o embate de um corpo de massa m (kg) com uma mola. A velocidade do corpo no momento inicial da colisão é vi(m/s). A constante da mola é k (N/m). Seja t = 0s o instante em que o

(11)

Vamos usar a fórmula (6) para obter uma expressão de v(x), a velocidade do corpo em função da posição x. De seguida usamos a fórmula de v(x) para obter uma fórmula para o tempo decorrido t(x) em função da posição x. Para isso, fazemos na igualdade

Z xf xi F (x)dx = 1 2mv 2 f− 1 2mv 2 i, as seguintes substituições: xi= 0, xf = −xe vf = v(−x). Z −x 0 F (x)dx = 1 2mv 2(−x) −1 2mv 2 i

Fazendo agora F (x) = −kx e supondo que conhecemos k, m, vi, resolvemos a equação resultante em ordem

a v(−x). Z −x 0 −kxdx = 1 2mv 2(−x) −1 2mv 2 i − kx2 = 1 2mv 2 (−x) −1 2mv 2 i ⇔ mv2(−x) = mvi2− kx2 v(−x) = − r v2 i − k mx 2

Como v(−x) = v(x) podemos escrever a última igualdade da forma v(x) = − r v2 i − k mx 2. (12)

O sinal negativo de v(x) deve-se ao deslocamento do corpo se fazer da direita para a esquerda, o sentido oposto ao do eixo que se usa como referência para medir a posição do objecto. O gráco de v(x) é o arco de elipse representado na gura 9 (recordar a equação da elipse no Anexo deste texto). x = 0 é o ponto de velocidade máxima em módulo v(0) = vi. x = −D é o ponto em que a velocidade se anula, v(−D) = 0.

(12)

Figura 9: Velocidade em função da posição.

Vamos usar a fórmula (12) para obter uma expressão para t(x), o tempo decorrido para o corpo ir da origem x = 0 até à posição −x. Na imagem em baixo na gura 9 representa-se um rectângulo de largura ∆x e altura v(xk)(a velocidade para x = xk). O intervalo ∆x é sucientemente pequeno para que a velocidade

se mantenha aproximadamente constante no trajecto correspondente. Associado ao intervalo ∆x está o intervalo de tempo ∆t que o corpo leva a percorrê-lo. Da relação

v(xk) ≈ ∆x/∆t

obtém-se

∆t ≈ ∆x/v(xk).

Esta aproximação é tanto melhor quanto menor for o intervalo ∆x, independentemente do ponto xk

consi-derado. Uma forma de exprimir matematicamente esta armação é dt = dx

v(x). (13)

Esta igualdade, por sua vez, permite-nos escrever Z t 0 dt = Z −x 0 dx v(x).

(13)

Note-se a correspondência entre os extremos de integração nos dois membros. Substituindo nesta igualdade a expressão obtida para v(x), temos

Z t 0 dt = Z −x 0 dx −qv2 i − k mx2 . (14)

O integral da esquerda é igual a t (porquê?) e representa o tempo que o corpo leva para ir da posição x = 0 à posição −x. O integral da direita resolve-se com uma substituição trigonométrica (ver o Anexo deste texto) do modo que se segue.

1. Faz-se a substituição

x = r m

kvisen(u), a que corresponde o diferencial

dx = r m

kvicos(u). O integral indenido ca

I = Z dx −qv2i − k mx 2 = Z pm kvicos(u) −vip1 − sen2(u) du = Z − pm kvicos(u) vicos(u) du = − Z r m kdu = − r m ku + C. 2. Por ser u = arcsen r k m x vi ! (porquê?), obtemos I = −r m karcsen r k m x vi ! + C.

A fórmula (14) pode escrever-se da forma seguinte. Z t 0 dt = Z −x 0 dx −qv2 i − k mx2 ⇔ t = " −r m karcsen r k m x vi !#−x 0 ⇔ t(x) = r m karcsen r k m x vi ! . (15)

(14)

tempo que a mola leva a parar um objecto de massa m e velocidade vi que colide com ela. Basta determinar

t(D), sendo

D = r m kvi

o comprimento de compressão da mola necessário para o corpo ser parado, calculado num exemplo anterior. t(D) = r m karcsen r k m pm kvi vi ! t(D) = r m karcsen(1) = π 2 r m k (16)

A fórmula (16) permite-nos tirar uma conclusão notável: o tempo necessário para a massa parar o objecto, depende apenas da massa deste, m, não dependendo da velocidade vi com que o corpo colide com a mola!

Notar que estamos a considerar que, durante todo o processo, os deslocamentos são sucientemente pequenos para ser válida a lei de Hooke, F = −kx.

ANEXO

Equação standard da elipse.

Na gura 10 está representada uma elipse. O semieixo maior está apoiado sobre o eixo das abcissas e tem medida a. O semieixo menor está apoiado sobre o eixo das ordenadas e tem medida b. Nos pontos de coordenadas (−c, 0) e (c, 0) situam-se os focos da elipse, sendo c =√a2− b2.

Os pontos (x, y) da elipse são aqueles cuja soma das distâncias aos focos é constante e igual a 2a. Com base nesta denição, vamos deduzir a chamada equação standard da elipse (representa uma elipse que tem os eixos maior e menor apoiados sobre os eixos do referencial).

1. Distância do ponto (x, y) ao foco F1: d1 = p(x + c)2+ y2.

2. Distância do ponto (x, y) ao foco F2: d2 = p(x − c)2+ y2.

3.

d1+ d2 = 2a

p

(x + c)2+ y2+p(x − c)2+ y2 = 2a

4. Obter uma nova igualdade, elevando ao quadrado ambos os membros da igualdade anterior. x2+ c2+ y2− 2a2= −p

(15)

5. Obter uma nova igualdade, elevando ao quadrado ambos os membros da igualdade anterior, depois de fazer no primeiro membro c2− 2a2= a2− b2− 2a2= −a2− b2.

x4+ 2x2y2+ 2x2(−a2− b2) + y4+ 2y2(−a2− b2) + (−a2− b2)2

= (x + c)2(x − c)2+ y2(x + c)2+ y2(x − c)2+ y4

Eliminando termos comuns nos dois membros, obtém-se a igualdade x2b2+ y2a2= a2b2e, por m,

x2 a2 +

y2 b2 = 1

que é a equação standard da elipse.

Figura 10: Elipse.

Integrais do tipo R

1 a2−bx2

dx

Um integral do tipo I = Z 1 √ a2− bx2dx

resolve-se da forma seguinte. 1. Faz-se a substituição

x = √a

bsen(u),

com o objectivo de trocar o radical que aparece no integral por p1 − sen2(u) = cos(u). O diferencial

dx ca

dx = √a

(16)

O resultado da substituição é o seguinte. I = Z 1 √ a2− bx2dx = Z √a bcos(u) r a2− ba bsen(u) 2 du = Z √a bcos(u) pa2− a2sen2(u)du = Z √a bcos(u)

ap1 − sen2(u)du

= Z √a bcos(u) acos(u) du I = Z 1 √ bdu = 1 √ bu + C

2. Substituindo agora u da forma

u = arcsen √ b a x ! , obtém-se I = √1 barcsen √ b a x ! + C. Bibliograa

1. Cálculo Diferencial e Integral, vol I, N. Piskounov. 2. Calculus, Howard Anton.

Créditos

Referências

Documentos relacionados

A combinação dessas dimensões resulta em quatro classes de abordagem comunicativa, que podem ser exemplificadas da seguinte forma: interativo/dialógico: professor e

& LOY J966 que trabalh.aram com raças PSI e Quarto de Milha de cinco a dezenove meses de idade com raçao completa peleti zada e com a mesma ração na forma farelada, obtendo um

A ideia da pesquisa, de início, era montar um site para a 54ª região da Raça Rubro Negra (Paraíba), mas em conversa com o professor de Projeto de Pesquisa,

The purpose of this study is to recognize and describe anatomical variations of the sphenoid sinus and the parasellar region, mainly describing the anatomy of

Revogado pelo/a Artigo 8.º do/a Lei n.º 98/2015 - Diário da República n.º 160/2015, Série I de 2015-08-18, em vigor a partir de 2015-11-16 Alterado pelo/a Artigo 1.º do/a

Considerando que a maioria dos métodos publicados até os dias de hoje realizam a separação de um, ou no máximo dois metais de transição, e que a aplicabilidade

O presente texto, baseado em revisão da literatura, objetiva relacionar diversos estudos que enfatizam a utilização do dinamômetro Jamar para avaliar a variação da

Estudos sobre privação de sono sugerem que neurônios da área pré-óptica lateral e do núcleo pré-óptico lateral se- jam também responsáveis pelos mecanismos que regulam o