na parte C da Prova Final de Português
na parte C da Prova Final de Português
9.
9.
o
o
ano
ano
Nesta parte da Prova Final, terás de escrever um texto expositivo.
Nesta parte da Prova Final, terás de escrever um texto expositivo.
Recorda as características desta tipologia.
Recorda as características desta tipologia.
Textos expositivos
Textos expositivos
: têm a função de
: têm a função de
expor ou explicar algo.
expor ou explicar algo.
Para tal, faz-se uma análi
Para tal, faz-se uma análi
se/ap
se/ap
resentação do objeto da exposição
resentação do objeto da exposição
ou explicação. Geralmente, usam-se os
ou explicação. Geralmente, usam-se os
verbos no presente.
verbos no presente.
A formulação dos itens e dos cenários de
A formulação dos itens e dos cenários de resposta foi adaptada ou construída a partirresposta foi adaptada ou construída a partir
de provas de Português realizadas desde 2009,
PROPOSTA 1
(1.
achamada 2009)
Lê as estâncias 122 e 123 do Canto III deOs Lusíadas , a seguir transcritas. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário
apresentado a seguir ao texto.
De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos
1enjeita
2,
Que tudo, em fim, tu, puro amor, desprezas
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo, e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,
Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo c’o sangue só da morte indina
3Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina,
Que pode sustentar o grande peso
Do furor Mauro
4, fosse alevantada
Contra ua fraca dama delicada?
Luís de Camões,Os Lusíadas, ed. preparada
por António José Saraiva, 2.ª ed., Porto, Livraria Figueirinhas, 1999
Escreve umtexto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes linhas fundamentais
de leitura do excerto deOs Lusíadas.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão. Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos seguintes:
• Identificação do episódio a que pertencem as estâncias e das personagens históricas nelas mencionadas. • Apresentação da decisão referida na segunda estância.
• Referência às razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão.
• Explicitação do sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e da razão que originou esse sentimento.
VOCABULÁRIO
1tálamos: leitos nupciais ou conjugais. 2enjeita: rejeita.
3indina: indigna. 4Mauro: mouro.
Estrutura da resposta Exemplo de resposta Introdução
• Identificação do episódio • Identificação das personagens
As estâncias transcritas pertencem ao episódio de Inês de Castro,
in-tegrado no Canto III e no plano da História de Portugal deOs Lusíadas.
Nessas estâncias, são mencionadas a própria Inês de Castro, o prínci-pe D. Pedro e seu pai, o rei D. Afonso IV.
Desenvolvimento
• Apresentação da decisão referida na segunda estância
• Referência às razões dessa decisão
Na segunda estância, o rei determina a morte de Inês, segundo o nar-rador, para evitar «o murmurar do povo» e por ser essa a única forma de terminar a relação que esta mantinha com D. Pedro e que o impe-dia de casar.
Conclusão
• Explicitação do sentimento expresso pelo narrador e da razão que o originou
Na sequência dessa decisão, o narrador manifesta a sua indignação pelo facto de o rei utilizar contra D. Inês as mesmas armas e a mesma força que utilizou contra os Mouros.
I l u s t r a ç ã o d e P e d r o P r o e n ç a
Lê as estâncias 33 e 34 do Canto I de Os Lusíadas , a seguir transcritas. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário
apresentado.
Sustentava contra ele Vénus bela,
Afeiçoada à gente Lusitana
Por quantas qualidades via nela
Da antiga, tão amada, sua Romana;
Nos fortes corações, na grande estrela
Que mostraram na terra Tingitana
1,
E na língua, na qual quando imagina,
Com pouca corrupção
2crê que é a Latina.
Estas causas moviam Citereia
3,
E mais, porque das Parcas
4claro entende
Que há de ser celebrada a clara Deia
5Onde a gente belígera
6se estende.
Assi que, um, pela infâmia que arreceia,
E o outro, pelas honras que pretende,
Debatem, e na perfia
7permanecem;
A qualquer seus amigos favorecem.
Luís de Camões,Os Lusíadas, ed. preparada
por A.J. da Costa Pimpão, 5.ª ed., Lisboa, MNE/IC, 2003
Escreve umtexto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes linhas fundamentais
de leitura do excerto deOs Lusíadas.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão. Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos seguintes:
• Identificação do episódio a que pertencem as estâncias.
• Identificação das duas personagens que, nestas estâncias, defendem posições opostas relativamente aos portugueses. • Explicitação do motivo da discussão entre essas duas personagens.
• Apresentação de três razões que suportam a posição sustentada pela personagem que defende os portugueses.
• Justificação, com base no teu conhecimento da obra, da importância deste episódio na glorificação do herói deOs Lusíadas.
VOCABULÁRIO
1terra Tingitana: Norte
de África. 2corrupção: alteração; mudança. 3Citereia: Vénus. 4Parcas: as três divindades que, segundo a mitologia clássica, presidiam aos destinos dos homens.
5Deia: deusa. 6belígera: guerreira. 7 perfia: porfia;
teimosia nas palavras e nas ações.
Estrutura da resposta Exemplo de resposta Introdução
• Identificação do episódio
• Identificação das personagens que defendem posições opostas
As estâncias transcritas pertencem ao episódio do Consílio dos
Deu-ses, incluído no Canto I de Os Lusíadase integrado no plano
mitoló-gico. Nelas intervêm Vénus e Baco, que defendem posições opostas quanto aos portugueses.
Desenvolvimento
• Explicitação do motivo da discussão entre as duas personagens
• Apresentação das três razões que justificam a posição de Vénus
Os desentendimentos surgem relativamente ao sucesso da viagem empreendida pelos navegadores lusos. Apesar da oposição de Baco, Vénus defende que aqueles devem atingir os seus objetivos, porque os considera semelhantes aos romanos, até na língua, reconhecendo neles uma enorme coragem. Vê os portugueses como um povo pre-destinado ao sucesso e acredita que será celebrada por estes nos locais por onde passarem.
Conclusão
• Justificação da importância deste episódio
na glorificação do herói deOs Lusíadas.
Este episódio acentua a importância do herói de Os Lusíadas, cujo
destino obriga os deuses a reunirem-se em assembleia.
I l u s t r a ç ã o d e P e d r o P r o e n ç a
PROPOSTA 3
(1.
achamada 2011)
Lê a estância 84 do Canto IV deOs Lusíadas , a seguir transcrita. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário
apre-sentado.
E já no porto da ínclita Ulisseia
1,
Cum alvoroço nobre e cum desejo
(Onde o licor mistura e branca areia
Co salgado Neptuno o doce Tejo)
As naus prestes estão; e não refreia
Temor nenhum o juvenil despejo
2,
Porque a gente marítima e a de Marte
Estão pera seguir-me a toda parte.
Luís de Camões,Os Lusíadas, ed. preparada
por A.J. da Costa Pimpão, 5.ª ed., Lisboa, MNE/IC, 2003
Escreve umtexto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes linhas fundamentais
de leitura do excerto deOs Lusíadas.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão. Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos seguintes:
• Indicação do episódio a que pertence a estância.
• Identificação do narrador e dos grupos de personagens referidos como «a gente marítima e a de Marte» (verso 7). • Referência ao momento da ação e apresentação de um elemento relativo ao espaço.
• Descrição do estado de espírito das personagens.
• Referência a uma semelhança entre este episódio e o episódio do gigante Adamastor.
VOCABULÁRIO
1ínclita Ulisseia: ilustre cidade de Lisboa. 2despejo: atrevimento; desenvoltura.
Estrutura da resposta Exemplo de resposta Introdução
• Indicação do episódio
A estância transcrita pertence ao episódio das Despedidas em Belém,
incluído no Canto IV deOs Lusíadas.
Desenvolvimento
• Identificação do narrador
• Referência ao momento da ação e apresentação de um elemento relativo ao espaço
• Identificação da «gente marítima e a de Marte»
• Descrição do estado de espírito das personagens.
O narrador, Vasco da Gama, conta ao rei de Melinde os momentos que antecederam a partida de Belém («no porto da ínclita Ulisseia») da sua tripulação composta por marinheiros («gente marítima») e soldados («gente de «Marte»).
Estes estão animados e dispostos a seguir Vasco da Gama para onde quer que seja, não cedendo perante qualquer ameaça de perigo.
Conclusão
• Referência a uma semelhança entre este episódio e o episódio do gigante Adamastor
Deste modo, os portugueses mostram a sua coragem face aos peri-gos da viagem que empreendem, o que vem a revelar-se também, por exemplo, no episódio do gigante Adamastor, narrado no Canto V.
I l u s t r a ç ã o d e P e d r o P r o e n ç a
Lê a estância 30 do Canto IV deOs Lusíadas , a seguir transcrita. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário
apre-sentado.
Começa-se a travar a incerta guerra:
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão
1da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la.
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba e encontra
2e a terra em fim semea
Dos que a tanto desejam, sendo alhea.
Luís de Camões,Os Lusíadas, introd. A. J. Saraiva,
Porto, Figueirinhas, 1999
Escreve umtexto expositivo, com um mínimo de 70 palavras e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes linhas
fundamentais de leitura do excerto deOs Lusíadas.
O teu texto deve incluir uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos seguidamente apresentados. • Identificação do episódio a que esta estância pertence.
• Localização do episódio na estrutura externa e na estrutura interna deOs Lusíadas.
• Identificação dos grupos a que se refere a expressão «ambas partes» (verso 2). • Apresentação das razões que opõem esses grupos.
• Identificação e caracterização da personagem referida como «o grande Pereira» (verso 5). • Relação entre o comportamento do «grande Pereira» nesta estância e o desfecho do episódio.
VOCABULÁRIO
1defensão: defesa. 2encontra: ataca.
Estrutura da resposta Exemplo de resposta Introdução
• Identificação do episódio
• Localização do episódio na estrutura externa
e na estrutura interna deOs Lusíadas
A estância transcrita pertence ao episódio da Batalha de Aljubarrota,
situado no Canto IV deOs Lusíadase integrado no plano da História
de Portugal.
Desenvolvimento
• Identificação dos grupos a que se refere a expressão «ambas partes»
• Apresentação das razões que opõem esses grupos
• Identificação e caracterização da personagem referida como «o grande Pereira»
Os grupos a que se refere a expressão «ambas partes» são o exército português e o exército castelhano. O primeiro luta para defender as suas terras e o segundo para as conquistar.
No exército português, as atenções viram-se para D. Nuno Álvares Pereira («o grande Pereira»), homem honrado e de grande valor.
Conclusão
• Relação entre o comportamento do «grande Pereira» nesta estância e o desfecho do episódio
De facto, a coragem de D. Nuno, que avança contra o inimigo antes de qualquer outro, conforme se narra nesta estância, será determinante para a vitória portuguesa no final do episódio.
I l u s t r a ç ã o d e P e d r o P r o e n ç a
PROPOSTA 5
(modelo)
Lê as estâncias 39 e 40 do Canto V deOs Lusíadas , a seguir transcritas. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário
apresentado.
Não acabava, quando ua figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida
1,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
Tão grande era de membros que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso
2,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
C’um tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!
Luís de Camões,Os Lusíadas, introd. A. J. Saraiva,
Porto, Figueirinhas, 1999
Escreve umtexto expositivo, com um mínimo de 70 palavras e um máximo de 120 palavras, no qual apresentes linhas
fundamentais de leitura do excerto deOs Lusíadas.
O teu texto deve incluir uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos seguidamente apresentados. • Identificação do episódio a que estas estâncias pertencem.
• Localização do episódio na estrutura externa e na estrutura interna deOs Lusíadas.
• Caracterização da personagem descrita.
• Referência à reação dos portugueses perante a visão dessa personagem.
• Explicação, com base no teu conhecimento da obra, da forma como os portugueses ultrapassam este obstáculo. • Explicação, com base no teu conhecimento da obra, do valor simbólico deste episódio.
Estrutura da resposta Exemplo de resposta Introdução
• Identificação do episódio
• Localização do episódio na estrutura externa
e na estrutura interna deOs Lusíadas
As estâncias transcritas pertencem ao episódio do gigante
Ada-mastor, situado no Canto V deOs Lusíadase integrado no plano da
viagem.
Desenvolvimento
• Caracterização da personagem descrita • Reação dos portugueses
• Explicação da forma como os portugueses ultrapassam este obstáculo
O gigante apresenta-se com o rosto sombrio, a barba suja, uma expressão medonha, os cabelos cobertos de terra, a boca negra e os dentes amarelos.
Quando os portugueses se aproximam, o gigante provoca neles um enorme terror, levando-os a crer que não prosseguiriam viagem. No entanto, ao responder a uma pergunta de Vasco da Gama, o gigante conta a história do seu amor por Tétis e revela-se um ser emocio-nalmente frágil, acabando por se afastar, vencido pelo amor e pela comoção.
Conclusão
• Explicação do valor simbólico deste episódio
Deste modo, ultrapassado este símbolo do medo, os portugueses reforçam o seu heroísmo.
VOCABULÁRIO
1esquálida: suja.
2Colosso de Rodes: estátua de Apolo, na ilha de Rodes,
uma das sete maravilhas do mundo.
I l u s t r a ç ã o d e P e d r o P r o e n ç a