PORTUGUÊS - 3
o
ANO
MÓDULO 59
ASPECTOS
MORFOSSINTÁTICOS:
ESTUDO DAS PALAVRAS
Como pode cair no enem
O apelido de Maria Teresa, para Norberto,
era “Quequinha”. Depois do casamento,
sempre que queria contar para os outros uma
da sua mulher, o Norberto pegava sua mão,
carinhosamente, e começava:
— Pois a Quequinha...
E a Quequinha, dengosa, protestava:
— Ora, Beto!
Com o passar do tempo, o Norberto deixou
de chamar a Maria Teresa de Quequinha; se
ela estivesse ao seu lado e ele quisesse se
referir a ela, dizia:
— A mulher aqui...
Ou, às vezes:
— Esta mulherzinha...
Mas nunca mais de Quequinha.
(O tempo, o tempo. O amor tem mil
inimi-gos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca
em silêncio. O tempo usa armas químicas.)
Com o tempo, Norberto passou a tratar a
mulher por “Ela”.
— Ela odeia o Charles Bronson.
— Ah, não gosto mesmo.
Deve-se dizer que o Norberto, a esta altura,
embora a chamasse de Ela, ainda usava um
vago gesto da mão para indicá-la. Pior foi
quando passou a dizer “essa aí” e apontar
com o queixo.
— Essa aí...
E apontava com o queixo, até curvando a
boca com um certo desdém.
(O tempo, o tempo. O tempo captura o
amor e não o mata na hora. Vai tirando uma
asa, depois a outra...)
Hoje, quando quer contar alguma coisa da
mulher, o Norberto nem olha na sua direção.
Faz um meneio de lado com a cabeça e diz:
— Aquilo...
(Luis Fernando Verissimo. Novas comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM, 1996.p. 70-1.)
No fragmento “...se ela estivesse ao seu
lado e ele quisesse se referir a ela, dizia:...”
presente no texto acima, a conjunção
sub-ordinativa em destaque é classificada como:
a) condicional
d) causal
b) temporal
e) final
— Ah, não gosto mesmo.
Deve-se dizer que o Norberto, a esta altura,
embora a chamasse de Ela, ainda usava um
vago gesto da mão para indicá-la. Pior foi
quando passou a dizer “essa aí” e apontar
com o queixo.
— Essa aí...
E apontava com o queixo, até curvando a
boca com um certo desdém.
(O tempo, o tempo. O tempo captura o
amor e não o mata na hora. Vai tirando uma
asa, depois a outra...)
Hoje, quando quer contar alguma coisa da
mulher, o Norberto nem olha na sua direção.
Faz um meneio de lado com a cabeça e diz:
— Aquilo...
(Luis Fernando Verissimo. Novas comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM, 1996.p. 70-1.)
No fragmento “...se ela estivesse ao seu
lado e ele quisesse se referir a ela, dizia:...”
presente no texto acima, a conjunção
sub-ordinativa em destaque é classificada como:
a) condicional
d) causal
b) temporal
e) final
c) consecutiva
Fixação
1) (UERJ)
Existe sempre um conceito por trás do que faço,
só que nem sempre a montagem se
completa.
Em relação ao que foi dito anteriormente, o uso da expressão destacada tem o valor de:
a) realce
c) exclusão
Fixação
Os desastres de Sofia
Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão
e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele.
O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Em vez de nó na
garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um
fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas
atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que,
ofendida, eu adivinhara. Passei a me comportar mal na sala. Falava muito alto, mexia com
os colegas, interrompia a lição com piadinhas, até que ele dizia, vermelho:
- Cale-se ou expulso a senhora da sala.
Ferida, triunfante, eu respondia em desafio: pode me mandar! Ele não mandava, senão
estaria me obedecendo. Mas eu o exasperava tanto que se tornara doloroso para mim ser
objeto do ódio daquele homem que de certo modo eu amava. Não o amava como a mulher
que eu seria um dia, amava-o como uma criança que tenta desastradamente proteger um
adulto, com a cólera de quem ainda não foi covarde e vê um homem forte de ombros tão
curvos. (...)
(Clarice Lispector)
2) (PUC)
(...) homem QUE de certo modo eu amava.
A palavra QUE exerce no texto a função sintática de:
a) sujeito
d) complemento nominal
b) objeto direto
e) agente da passiva
c) objeto indireto
Fixação
17 de julho
Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrá-gios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importa-dores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo:
Eia, passemos em revista as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabone-tes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas...
E o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna a seguir. Quando voltou à tona trazia entre os dedos esta pérola:
“Uma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios, deseja encontrar por esposo um homem de meia-idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela cansado de viver só; resposta por carta ao escritório desta folha, com as iniciais M. R...., anunciando, a fim de ser procurada essa carta.”
Gentil viúva, eu não sou o homem que procuras, mas desejava ver-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato, porque tu não és qualquer pessoa, tu vales alguma cousa mais que o comum das mulheres. Ai de quem está só! dizem as sagradas letras; mas não foi a religião que te inspirou esse anúncio. Nem motivo teológico, nem metafísico. Positivo também não, porque o positivismo é infenso às segundas núpcias. Que foi então, senão a triste, longa e aborrecida experiência? Não queres amar; estás cansada de viver só.
E a cláusula de ser o esposo outro aborrecido, farto de solidão, mostra que tu não queres enganar, nem sacrificar ninguém. Ficam desde já excluídos os sonhadores, os que amem o mistério e procurem justamente esta ocasião de
Fixação
Os desastres de Sofia
Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão
e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele.
O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Em vez de nó na
garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um
fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas
atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que,
ofendida, eu adivinhara. Passei a me comportar mal na sala. Falava muito alto, mexia com
os colegas, interrompia a lição com piadinhas, até que ele dizia, vermelho:
- Cale-se ou expulso a senhora da sala.
Ferida, triunfante, eu respondia em desafio: pode me mandar! Ele não mandava, senão
estaria me obedecendo. Mas eu o exasperava tanto que se tornara doloroso para mim ser
objeto do ódio daquele homem que de certo modo eu amava. Não o amava como a mulher
que eu seria um dia, amava-o como uma criança que tenta desastradamente proteger um
adulto, com a cólera de quem ainda não foi covarde e vê um homem forte de ombros tão
curvos. (...)
(Clarice Lispector)
2) (PUC)
(...) homem QUE de certo modo eu amava.
A palavra QUE exerce no texto a função sintática de:
a) sujeito
d) complemento nominal
b) objeto direto
e) agente da passiva
c) objeto indireto
Fixação
17 de julho
Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrá-gios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importa-dores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo:
Eia, passemos em revista as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabone-tes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas...
E o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna a seguir. Quando voltou à tona trazia entre os dedos esta pérola:
“Uma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios, deseja encontrar por esposo um homem de meia-idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela cansado de viver só; resposta por carta ao escritório desta folha, com as iniciais M. R...., anunciando, a fim de ser procurada essa carta.”
Gentil viúva, eu não sou o homem que procuras, mas desejava ver-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato, porque tu não és qualquer pessoa, tu vales alguma cousa mais que o comum das mulheres. Ai de quem está só! dizem as sagradas letras; mas não foi a religião que te inspirou esse anúncio. Nem motivo teológico, nem metafísico. Positivo também não, porque o positivismo é infenso às segundas núpcias. Que foi então, senão a triste, longa e aborrecida experiência? Não queres amar; estás cansada de viver só.
E a cláusula de ser o esposo outro aborrecido, farto de solidão, mostra que tu não queres enganar, nem sacrificar ninguém. Ficam desde já excluídos os sonhadores, os que amem o mistério e procurem justamente esta ocasião de
comprar um bilhete na loteria da vida. Que não pedes um diálogo de amor, é claro, desde que impões a cláusula da meia-idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno. Não há de ser um náufrago, à espera de uma tábua de salvação, pois que exiges que também possua. E há de ser instruído, para encher com as cousas do espírito as longas noites do coração, e contar (sem as mãos presas) a tomada de Constantinopla.
Viúva dos meus pecados, quem és tu que sabes tanto? O teu anúncio lembra a carta de certo capitão da guarda de Nero. Rico, interessante, aborrecido, como tu, escreveu um dia ao grave Sêneca, perguntando-lhe como se havia de curar do tédio que sentia, e explicava-se por figura: “Não é a tempestade que me aflige, é o enjoo do mar.” Viúva minha, o que tu queres realmente não é um marido, é um remédio contra o enjoo. Vês que a travessia ainda é longa, - porque a tua idade está entre trinta e dous e trinta e oito anos, - o mar é agitado, o navio joga muito; precisas de um preparado para matar esse mal cruel e indefinível. Não te contentas com o remédio de Sêneca, que era justamente a solidão, “a vida retirada, em que a alma acha todo o seu sossego”. Tu já provaste esse preparado; não te fez nada. Tentas outro; mas queres menos um companheiro que uma companhia.(Machado de Assis, A Semana, 1892.) 3)
A cláusula mostra QUE tu não queres enganar. A classe gramatical da palavra QUE no trecho anterior é a mesma da palavra QUE na seguinte frase:
a) “Ficam desde já excluídos os sonhadores, os QUE amem o mistério”.
b) “Não foi a religião QUE te inspirou esse anúncio”. c) “QUE não pedes um diálogo de amor, é claro”. d) “QUE foi então, senão a triste, longa e aborrecida ex-periência?”
Fixação
4)
As estrelas dirão: - Ai! nada somos,
Pois ela se morreu, silente e fria...
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.
Pois ela SE morreu (...)
(Alphonsus de Guimarães)
A palavra SE é:
a) pronome reflexivo;
b) pronome recíproco;
c) índice da indeterminação do sujeito;
d) partícula apassivadora;
e) partícula de espontaneidade.
Fixação
5) Identifique o valor morfológico das palavras QUE e SE nas charges a seguir:
Fixação
4)
As estrelas dirão: - Ai! nada somos,
Pois ela se morreu, silente e fria...
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.
Pois ela SE morreu (...)
(Alphonsus de Guimarães)
A palavra SE é:
a) pronome reflexivo;
b) pronome recíproco;
c) índice da indeterminação do sujeito;
d) partícula apassivadora;
e) partícula de espontaneidade.
Fixação
5) Identifique o valor morfológico das palavras QUE e SE nas charges a seguir:
Proposto
O silêncio expectante e a voz inesperada
Na penumbra da sala do laboratório, uniforme e absolutamente fechada,
Isolada do som e da luz, isolada do tempo e do espaço,
Procedia-se à investigação memorável.
Procurava-se descobrir o espaço completo e geral
Onde se pudesse definir a pulsação originária;
Pulsação que seria a substância de todas as vibrações,
Desde as que iluminam as estrelas Cefeides
Até as que comovem o coração humano,
As que marcam, domesticamente, o tempo civil nos relógios
E as que passam ondulando nas cordas dos violoncelos;
Pulsação que fosse o sangue de futuros nascimentos e de novas cosmogonias.
Dela viria a angústia da matéria dispersa em meio às nebulosas
E que ainda não pôde se converter em estrelas,
Viria a angústia das almas inascidas que, com o frio, e o medo de não nascer,
Se abrigam no ventre das mulheres.
Naquele ambiente inerte e indeterminado
Reinava um silêncio liso e sinistro;
Um silêncio que fora a consequência de rumores especiais e preciosos,
Um silêncio-fronteira de ruídos apagados em macios
de paina e de veludo.
(...)”
(Joaquim Cardozo)1) (UERJ) Em um texto costuma haver palavras ou locuções que, retomando informações já dadas,
permitem a interligação de seus períodos e parágrafos.
Funcionam desse modo as unidades “Dela” (verso 12) e “que” (verso 13). Indique a palavra do
texto a que cada uma dessas unidades se refere.
Proposto
O silêncio expectante e a voz inesperada
Na penumbra da sala do laboratório, uniforme e absolutamente fechada,
Isolada do som e da luz, isolada do tempo e do espaço,
Procedia-se à investigação memorável.
Procurava-se descobrir o espaço completo e geral
Onde se pudesse definir a pulsação originária;
Pulsação que seria a substância de todas as vibrações,
Desde as que iluminam as estrelas Cefeides
Até as que comovem o coração humano,
As que marcam, domesticamente, o tempo civil nos relógios
E as que passam ondulando nas cordas dos violoncelos;
Pulsação que fosse o sangue de futuros nascimentos e de novas cosmogonias.
Dela viria a angústia da matéria dispersa em meio às nebulosas
E que ainda não pôde se converter em estrelas,
Viria a angústia das almas inascidas que, com o frio, e o medo de não nascer,
Se abrigam no ventre das mulheres.
Naquele ambiente inerte e indeterminado
Reinava um silêncio liso e sinistro;
Um silêncio que fora a consequência de rumores especiais e preciosos,
Um silêncio-fronteira de ruídos apagados em macios
de paina e de veludo.
(...)”
(Joaquim Cardozo)1) (UERJ) Em um texto costuma haver palavras ou locuções que, retomando informações já dadas,
permitem a interligação de seus períodos e parágrafos.
Funcionam desse modo as unidades “Dela” (verso 12) e “que” (verso 13). Indique a palavra do
texto a que cada uma dessas unidades se refere.
Proposto
2) Identifique a classe gramatical e a função sintática da palavra “que” (verso 13) e “onde”
(verso 5).
Proposto
3) (PUC) “O pai havia partido sem deixar nenhum recado ao filho, o que deixou sua mãe
extrema-mente preocupada”.
Pode-se afirmar que a expressão O QUE tem como antecedente os termos:
a) o pai.
b) havia partido;
c) ao filho;
d) nenhum recado;
Proposto
3) (PUC) “O pai havia partido sem deixar nenhum recado ao filho, o que deixou sua mãe
extrema-mente preocupada”.
Pode-se afirmar que a expressão O QUE tem como antecedente os termos:
a) o pai.
b) havia partido;
c) ao filho;
d) nenhum recado;
e) toda parte do enunciado que antecede à própria expressão O QUE.
Proposto
4) (ENEM)
Texto I
Chão de esmeralda
Me sinto pisando
Um chão de esmeraldas
Quando levo meu coração
À Mangueira
Sob uma chuva de rosas
Meu sangue jorra das veias
E tinge um tapete
Pra ela sambar
É a realeza dos bambas
Que quer se mostrar
Soberba, garbosa
Minha escola é um catavento a girar
É verde, é rosa
Oh, abre alas pra Mangueira passar.
(BUARQUE, C.; CARVALHO, H. B. Chico Buarque de Mangueira. Marola Edições Musicais Ltda. BMG. 1997.)
Texto II
Quando a escola de samba entra na
Mar-quês de Sapucaí, a plateia delira, o coração
dos componentes bate mais forte e o que vale
é a emoção. Mas, para que esse verdadeiro
espetáculo entre em cena, por trás da cortina
de fumaça dos fogos de artifício, existe um
ver-dadeiro batalhão de alegria: são costureiras,
aderecistas, diretores de ala e de harmonia,
pesquisador de enredo e uma infinidade de
profissionais que garantem que tudo esteja
perfeito na hora do desfile.
(AMORIM, M.; MACEDO, G. O espetáculo dos bastidores. Revista
de Carnaval 2010: Mangueira. RJ: Mangueira, 2010.)