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ECOLOGIA. no dia a dia

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Academic year: 2021

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ECOLOGIA

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ECOLOGIA NO DIA A DIA

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Conteúdo

Ecologia no dia a dia

Os Rs para tratar melhor o Planeta

Plásticos, descarte esta ideia

Microplásticos

Na higiene e limpeza, substâncias nocivas no nosso dia a dia

Algumas informações básicas para fazer produtos caseiros de higiene e limpeza

Receitas para fazer produtos caseiros de limpeza

Algumas informações básicas específicas para fazer produtos caseiros de higiene

Receitas para fazer produtos caseiros de higiene

Edição: Centro Ecológico

http://m.centroecologico.org.br Elaboração:

Equipe coordenada por Ana Luiza Meirelles Arte e Diagramação:

Versátil Artes Gráficas Ltda.

Este material foi produzido com a contribuição financeira da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (SIDA), através da Sociedade Sueca de Proteção à Natureza (SSPN). As visões expressas nele não refletem a opinião oficial da SSPN ou de seus doadores.

Dezembro 2020 3 7 11 13 17 23 34 43 53

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ECOLOGIA NO DIA A DIA

Laércio Ramos Meirelles1

Somos parte da natureza. Envolvidos por ela. Nossa conexão é ancestral, vem de nosso âmago, não há como afastar-se disso. Quem vive em ambiente rural percebe e desfruta desta conexão com mais facilidade. Quem vive nos centros urbanos, comumente busca maneiras de estabelecer alguma forma de contato com o meio natural, seja através do cultivo de plantas em vaso, de uma caminhada no parque, de um acampamento no fim de semana ou mesmo uma ida à praia. O prazer sentido com atividades como essa é, via de regra, imediato.

Quando buscamos essa reconexão com nosso habitat original, aumenta a possibilidade de percebermos o quão ligados estamos ao fio de vida que nos une a todas e todos. Dizia o chefe Seattle na famosa carta comumente atribuída a ele2:

“O homem (e a mulher) não tramou o tecido da vida;

ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer

ao tecido, fará a si mesmo.”

Todas nossas atividades cotidianas têm reflexos em nossas vidas. E na Vida, como um todo! Se optamos pelo carro ou pela bicicleta para sair de casa, iremos contribuir mais ou menos com o uso de combustíveis fósseis, com a extração de bauxita da Amazônia ou com a geração de lixo de difícil ou dis-pendioso tratamento.

Da mesma forma, quando usamos um simples detergente, ao lavar uma lou-ça, impactamos nossa vida, impactamos a natureza. Quem sabe podemos afirmar que nos afastamos um pouquinho mais do mundo natural a cada atitude que gera rupturas no mencionado fio da vida?

Quando paramos para refletir, mesmo sem sermos estudiosos do tema, per-cebemos que o plástico que envolve uma fruta que compramos, a bandeja de isopor e a sacola plástica que transporta as compras até nossa casa ou o xampu que usamos, geram dificuldades para o meio ambiente. Talvez o que menos pessoas saibam é que não é apenas o meio ambiente que é maltrata-do por essas substâncias: nosso corpo também!

Essa revista é a reedição, ampliada e melhorada, de uma cartilha produzida pelo Centro Ecológico, escrita por Ana Meirelles e Maria José Guazzelli, no ano 2000, há exatos 20 anos. Naquela ocasião, a ideia foi disponibilizar infor-mações para as famílias agricultoras avançarem em seu processo de

ecologi-1Engenheiro agrônomo,

agroecólogo, membro do Centro Ecológico, e escritor, autor dos livros Vozes da Agricultura Ecológica I e II.

2A “Carta Do Cacique

Seattle” teria sido escrita por um líder de etnias que viviam no que hoje é o Estado de Washington. Essa autoria é por vezes contestada, mas o teor da carta é um primor de descrição sobre a natureza e nossa relação com ela. Uma versão pode ser encontrada em: http://www.unisinos. br/ensino-propulsor/ carta-do-cacique-seattle/ - consultado em 12/11/2020.

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zação da propriedade, entendendo que a busca de evitar o uso de moléculas químicas sintéticas, potencialmente danosas à saúde e à natureza, deveria se estender para além da produção agrícola. Nessas duas décadas esse mate-rial espalhou-se, sendo ainda usado como fonte de receitas de produtos de higiene e limpeza amigáveis com o meio ambiente.

Quem tiver contato com este livreto em formato de revista verá que ele traz informações valiosas, de maneira simples, que nos impulsionam a fazer o que já sabemos que devemos fazer: ter um cotidiano mais respeitoso com aquela que muitos povos originais denominam de mãe natureza. Aliás, a ideia da mãe natureza foi, por milênios, fundamental para uma convivência mais harmônica da espécie humana com seu entorno. Segundo o que a filósofa eco-feminista norte-americana, Carolyn Merchant, escreveu em seu livro “A morte da na-tureza: mulheres, ecologia e a revolução científica (1980)”, ao perdermos a ideia da “madre tierra”, perdemos muito. Diz ela:

“A imagem da terra como organismo vivo e mãe

nutriente serviu como restrição cultural, limitando as

ações dos seres humanos. Não se mata facilmente

uma mãe, perfurando suas entranhas em busca de

ouro ou mutilando seu corpo. (...) Enquanto a terra

fosse considerada viva e sensível, seria uma violação

do comportamento ético humano levar a efeito

atos destrutivos contra ela.”

Sim, faz-se necessário, mais que nunca, um passo atrás nesse modelo de ci-vilização que não apenas perfura as entranhas da mãe mas, também, despeja sobre ela dejetos indesejáveis. Necessário e urgente.

Essa introdução tem também o objetivo de dizer que as ações positivas com a natureza tem, dentre outros, o benefício de nos trazer a sensação de estar sendo conivente com bem e o belo. De nos reconectar com a natureza. De preservar nossa saúde. De preservar a saúde de quem nos rodeia.

O Planeta nos pede mais cuidados. Quem sabe, nos exige. Porque nossos desatinos ambientais afetam sim a vida como um todo, e essa é razão sufi-ciente para mudar o que vimos fazendo. Mas é bem possível que, a seguir no ritmo que estamos, uma das espécies que será extinta sejamos nós, aqueles que nos auto denominamos, possivelmente de forma precipitada, de Homo sapiens sapiens.

O cuidado a que nos referimos é tarefa de todos. Mas não será apenas com ações individuais, guiadas pelo compromisso ou pela boa vontade, que su-peraremos o quadro de grave crise ambiental que criamos. Se os Estados nacionais não incrementarem, com firmeza e rapidez, políticas públicas que apontem para uma inversão da curva de poluição e contaminação em que mergulhamos o Planeta, a chance de manter os impactos em níveis acei-táveis para uma vida digna para o ser humano diminuirá muito. A situação exige que as mudanças necessárias sejam implementadas com rapidez e em

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ampla escala, só possíveis com decisões fortes por parte dos governantes e investidores que, infelizmente, ainda insistem em gerir e investir no e para o passado, impedindo o futuro de chegar no tempo necessário.

Esta revista pretende nos alertar sobre a gravidade do quadro, ao mesmo tempo em que nos mostra algumas ações que podemos executar e outras que devemos cobrar.

Nela vamos encontrar, além de outras informações, receitas de produtos para limpeza e higiene sem moléculas químicas sintéticas que prejudicam quem usa e poluem o meio ambiente. Podem ser feitos em casa, o que aumenta a dose de prazer e a sensação de dever cumprido, ou adquirido em tantas fei-ras locais e lojas de produtos ecológicos e naturais, com muito mais facilida-de do que anos atrás. É que, felizmente, vem crescendo facilida-de forma significativa o número de pessoas preocupadas com esses temas, ocupadas em agredir menos e colaborar mais, com os outros e com a Vida.

Boa leitura. E bom uso das receitas! Já quase posso ouvir o Planeta te agra-decendo...

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OS Rs PARA

TRATAR MELHOR O PLANETA

Sujeita a diferentes pressões, boa parte da sociedade atual identifica o poder consumir como sinônimo de felicidade e de bem-estar. Mas conseguir aten-der este consumo desenfreado significa explorar excessivamente recursos naturais, usando enormes quantidades de energia e de água, gerando tam-bém enormes quantidades de lixo.

O padrão atual de consumo exige uma quantidade maior de recursos do que a natureza consegue oferecer. Projeções moderadas das Nações Unidas para o aumento da população e do consumo indicam que em 2030 preci-saríamos da capacidade de duas Terras para acompanhar nosso nível de demanda por recursos naturais.

A PEGADA ECOLÓGICA

Desde 2006 a organização Global Footprint Network faz um cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra. Calcula o número de dias necessários para a Terra conseguir gerar os recursos naturais suficientes para atender o consumo da população humana mundial num determinado ano.

Este ano, o Dia da Sobrecarga da Terra caiu em 22 de agosto. Ou seja, mais de quatro meses antes do final de 2020 a humanidade esgotou o orçamento da natureza para o ano. A conta da humanidade com a Terra entrou no verme-lho, a partir desta data entramos no ‘cheque especial’ dos recursos naturais! Este déficit, entre outras coisas, se traduz em poluição, mudanças climáticas, problemas de saúde, etc.

https://www.footprintnetwork.org/our-work/earth-overshoot-day/

Foi depois da Rio 92 que se começou a falar em 3 Rs - Reduzir, Reutilizar e Reciclar - na busca por mudar os padrões de consumo para reduzir a geração de resíduos visando a melhor conservação dos recursos naturais e diminui-ção da pressão sobre o ambiente. Logo adiante, se falava em 4 e, depois, 5.

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O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) atualmente sugere 7 Rs: repensar, reintegrar, responsabilizar-se, recusar, reduzir, reaproveitar ou reutilizar e reciclar.

Obviamente isto se refere a tudo o que consumimos, o que é muito amplo.

https://idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/pratique-os-7-rs-repense-respeite-responsabilize-se-recuse-reduza-reaproveite-e-recicle https://www.ecodebate.com.br/2017/12/19/4-rs-da-sustentabilidade-repensar-reduzir-reutilizar-e-reciclar-por-lauro-charlet-pereira--e-marco-antonio-ferreira-gomes/ REPENSAR É o ato permanente de cada um de nós estar sempre reavaliando e mudando/

ajustando nosso consumo. Eu consumo só o que realmente preciso em relação a alimentos,

roupas, água, energia, combustíveis, etc.?

REINTEGRAR

É o ato de devolver à natureza, de forma adequada,

as sobras dos resíduos orgânicos (frutas e hortaliças, podas de jardim, trapos de tecidos

naturais como algodão, seda e lã, e serragem) através da compostagem doméstica.

RESPONSABILIZAR-SE

O que estou consumindo é eticamente aceitável? Causou sofrimento a animais, prejudicou

comunidades ou usou trabalho escravo, mal remunerado? Busco

consumir preferencialmente alimentos orgânicos

culti-vados localmente?

RECUSAR

Evitar embalagens desnecessárias dando preferência a alimentos a granel, usando sacolas

retornáveis, priorizando empresas e produtores com

responsabilidade ambiental.

REDUZIR

Diminuir o consumo de água e luz, por exemplo, mas também reduzir a quantidade de lixo produzida só comprando o

realmente necessário, e reduzir a emissão de poluentes no uso de produtos de higiene e limpeza

convencionais, optando por produtos caseiros.

REAPROVEITAR ou REUTILIZAR

Não descartar coisas que podem ser reutilizadas para outros fins, portanto, entre outras

coisas, doar ou trocar produtos que não são mais usados, como

roupas, brinquedos, móveis, etc.

RECICLAR

Separar materiais descartáveis do lixo orgânico já em casa, para permitir aproveitamento, reduzindo

o volume que vai para os aterros sanitários.

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GERAÇÃO E A DESTINAÇÃO

INADEQUADA

DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS,

TAMBÉM CHAMADOS DE LIXO

Segundo a Associação Brasileiras das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2019 a geração total de resíduos sólidos urbanos no Brasil foi de 79,6 milhões de toneladas, e até 2050 a produção de lixo deverá crescer cerca de 50%.

Atualmente, quase 60% dos resíduos sólidos urbanos são descartados de forma incorreta, para lixões ou aterros con-trolados.

Os resíduos orgânicos e plásticos contribuem com cerca de 60% do total, mas a proporção de plásticos vem aumentando ao longo dos anos.

Enquanto isto, a Lei 12.305/2010, que institui a Política Na-cional de Resíduos Sólidos (PNSR), está cada vez mais lon-ge de sair do papel. A legislação é descaracterizada em seus princípios e objetivos sob a gestão do atual Ministério do Meio Ambiente, não havendo espaço para metas como, por exem-plo, a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem e o tratamento dos resíduos.

http://www.ihu.unisinos.br/605653-destinacao-inadequada-de-residuos--solidos-urbanos-cresce-16-em-uma-decada http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/594969-ricardo-salles-sepulta--politica-nacional-de-residuos-solidos

Segundo estudo

de 2019 da WWF,

até 2030 mais

de 104 milhões

de toneladas de

plástico estarão

poluindo os

ecossistemas do

Planeta caso não

haja mudanças

no tratamento

destes resíduos.

São necessárias

ações amplas,

globais, mas

podemos fazer

nossa parte como

indivíduos. Para

tanto, precisamos

conhecer mais

sobre o tema.

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PLÁSTICOS,

DESCARTE ESTA IDEIA

Miriam Sperb1

Apesar do impacto ambiental da produção do plástico, muitos usos deste material são importantes e duradouros. Em diversos setores industriais, na eletrônica e na medicina, as resinas plásticas viabilizaram respeitáveis avan-ços. Ainda assim, há quem esteja buscando hospitais mais sustentáveis, com menos lixo plástico.

Mas, quando se trata de descartáveis de uso cotidiano, a gente bem que po-deria ver, por meio de um QR code, uma apresentação comparativa entre o custo da fabricação e o tempo de utilização de cada produto.

A primeira parte mostraria o volume de gases de efeito estufa emitido pela extração da matéria-prima e fabricação, por exemplo, de uma sacola plástica. Em seguida, por quanto tempo a sacola é utilizada e quanto tempo permane-cerá no ambiente. Se for perdida ou jogada fora, como tantas que certamente você já viu circulando desacompanhadas, para onde será que ela vai? Se for para o mar, qual a probabilidade de matar uma tartaruga, um albatroz, um pin-guim, toninha ou baleia? Se ficar na cidade, quanto vai contribuir para entupir um bueiro e, numa enxurrada, causar alagamento?

Por fim – falando somente dessa humilde sacolinha – quanto gás carbônico sua decomposição emitirá nos lixões, onde encontrará várias irmãs que, as-sim, como ela, guardaram resíduos orgânicos que poderiam ter sido reutiliza-dos como adubo?

Depois de saber que o custo ambiental do produto é tão alto, você pode avaliar se é oportuno, neste momento da Terra, buscar alternativas aos des-cartáveis. Para isso, pesquisamos dicas com “especialistas”, pessoas que já colocaram em prática, diariamente, estas sugestões.

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7 atitudes ao alcance de todxs

Planejar as compras.

Parece fácil, mas quem nunca saiu do trabalho e teve que passar na padaria, na farmácia, sem sacola? Por isso é bom carregar sempre uma bem leve, que não ocupe espaço. Uma, duas, três sacolinhas a menos fazem diferença sim.

Levar vidros, embalagens e saquinhos próprios para os produtos a granel. Esta medida exige ainda mais planejamento. Mesmo que nem sempre seja possível, vale tentar. A insistência tende a criar o hábito.

Reciclar seus próprios resíduos orgânicos. Com composteiras para pequenos espaços, para quem mora em apartamento. Em com-posteiras externas para quem tem pátio. Outra medida acessível é juntar os resíduos e bater num bom liquidificador com água. Esse coquetel é muito apreciado pelas plantas que moram ao ar livre, as de vaso não.

Usar papel de encartes, de jornais velhos, para recolher o “2” do seu pet na rua, se você não tiver à mão uma pazinha própria.

Vai dar uma festa? Um conceito super hoje em dia é o lixo zero depois dos eventos. Assim, pratos, copos, talheres, de plástico, são completamente out, démodé, enfim, qualquer termo para designar o que não cabe na vida de uma pessoa antenada como você. Existem alternativas para decorar – como papel crepom ao invés de balões e para servir. Talheres de madeira, prato feito de flor ou fibra de bananeira, quentinhas sustentáveis.

Vai guardar sobras de alimentos? Melhor usar recipientes de vidro, especialmente se as sobras estiverem quentes e forem de comida mais gordurosa. Folhosas e hortaliças, bem como frutas, sem óleo, sem iogurte ou creme de leite, até podem ser acomodadas em al-guma caixa plástica, sem muito risco de liberar substâncias prejudi-ciais à sua saúde.

Esqueça o papel filme PVC. Como os demais vasilhames plásticos e ainda com mais intensidade, este material pode perturbar os seus hormônios e, portanto, todo o equilíbrio do seu organismo. Existem muitas doenças associadas a esse mar de hormônios artificiais re-forçado pelo uso do plástico “na alimentação”.

Leve seu próprio copo. É seguro, bonito e sustentável, levar seu pró-prio copo ou caneca dentro da bolsa. Também protege a saúde das diversas substâncias artificiais prejudiciais dos copos de plástico e isopor.

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Plásticos, clima e reciclagem

850 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, é a quantidade que a produção e incineração de plásticos teria gerado em 2019, segundo estima-tiva do relatório Plástico e Clima: o custo oculto de um Planeta de plástico2.

Essa quantidade de GEE equivale às emissões de 189 usinas de carvão de quinhentos megawatts.

No ambiente, a degradação do plástico continua a impactar o clima. Um es-tudo inicial já mostrou que, na superfície do oceano, o plástico libera continu-amente metano e outros GEE. Essas emissões aumentam à medida em que o material se decompõe.

20% dos resíduos plásticos produzidos no mundo são recolhidos para reci-clagem. Na Europa, conforme o relatório Solucionar a poluição plástica: trans-parência e responsabilização, há perda de quase metade do material coletado durante a reciclagem.

396 milhões de toneladas de plástico foram produzidas em 2016. Essa quan-tidade corresponde a 53 quilos de plástico por pessoa, no Planeta.

40% até 2030, é o potencial de redução da demanda por plásticos, somente com a eliminação gradual dos descartáveis.

Em 2019, o Brasil estava entre os 5 países maiores produtores mundiais de lixo plástico, reciclando efetivamente apenas pouco mais de 1%

Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilização

https://d335luupugsy2.cloudfront.net/cms/files/51804/1552932397PLASTIC_RE-PORT_02-2019_Portugues_FINAL.pdf

https://www.menos1lixo.com.br/posts/plastico-verde-existe

Curiosidades essenciais

Plástico verde NÃO é biodegradável, e sua matéria-prima provém de mono-cultivos que usam agrotóxicos e transgênicos.

Oxibiodegradável também NÃO é biodegradável. De fato, podem se de-compor, mas geram microplásticos.

Microplásticos

Se, no futuro, outra civilização investigar fósseis humanos e animais da nos-sa era, poderá encontrar pelo menos um elemento alheio às moléculas que compõem os seres vivos: os microplásticos. Eles estão em toda parte. Prova-velmente no seu corpo também. Apesar disso, e das reportagens sobre o as-sunto, ainda há muito desconhecimento sobre o invisível resíduo inorgânico mais abundante da face da Terra.

2Plastic & Climate: The Hidden Costs of a Plastic Planet, disponível em

https://www.ciel.org/wp-content/uploads/2019/05/ Plastic-and-Climate-FINAL-2019.pdf

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O que são e onde estão os microplásticos

Partículas de plástico de 1 micrômetro a 5 mm, geradas a partir da degrada-ção de peças plásticas maiores ou adicionadas a produtos de higiene, limpe-za, fertilizantes, tintas, revestimentos e abrasivos para jato de areia. Esses três últimos segmentos, junto com o desgaste dos pneus, podem ser considera-dos os maiores emissores de microplásticos da atualidade.

Mas, entre as toneladas do material transportado pelo ar e água até o fundo dos oceanos, certamente estão microesferas plásticas usadas por nós em produtos de cuidado pessoal. Xampus, cremes dentais, filtros solares, sabone-tes, esfoliantes e mesmo esmalsabone-tes, tinturas de cabelo e maquiagens, contêm microplásticos. A extensa lista de funções justifica a adição das partículas: controlar viscosidade, formar filme protetor, dar toque sedoso, volume, entre outras. A lavagem de roupas e cobertores sintéticos também gera o poluente. Enquanto os plásticos maiores podem ser vistos, coletados e até mesmo reci-clados, o microplástico não pode ser retirado do ambiente. O que pode ser feito, agora, é reduzir o descarte de plásticos de macro e micro dimensões. Além disso, seguir a proposta de países como Reino Unido, França Canadá, de banir as par-tículas de microplásticos em cosméticos. Existem alternativas de origem natural, como argila, sementes, grãos, farinhas, para substituir as partículas plásticas.

Agência científica nacional da Austrália (CSIRO) https://www.csiro. au/en/News/News- -releases/2020/14-million- -tonnes-of-microplastics--on-seafloor https://www.frontiersin. org/articles/10.3389/ fmars.2020.576170/full https://www.dw.com/pt-br/ micropl%C3%A1sticos- derivados-de- ve%C3%ADculos- est%C3%A3o-inundando-os-oceanos/a-54178603 Intentionally added microplastics in products - Final report - European Commission (DG Environment) https://ec.europa.eu/ environment/chemicals/ reach/pdf/39168%20 Intentionally%20added%20 microplastics%20-%20 Final%20report%20 20171020.pdf https://nossofuturoroubado. com.br/quem-somos/

Efeitos

Na fauna

Assim como os plásticos visíveis são confundidos com alimento e matam animais marinhos grandes, como as tartarugas, os microplásticos afetam também a fauna menos visível. Em diversas espécies de crustáceos e minho-cas por exemplo, foi observado que, na presença dos microplásticos, elas se alimentavam e reproduziam menos, entre outros impactos.

No clima

A poluição por microplásticos pode afetar a taxa de derretimento do gelo no Ártico. Cientistas descobriram que, de acordo com as tendências climáticas globais de circulação, as partículas geradas pelo tráfego rodoviário, de cor mais escura, absorvem mais calor do Sol. Quando depositadas na neve e superfícies de gelo, poderiam atuar como impurezas absorvedoras de luz, acelerando o derretimento.

No corpo humano

Diversos caminhos podem levar os microplásticos ao interior do organismo humano: água – principalmente de garrafinhas plásticas –, peixes, alimentos embalados em filmes PVC ou armazenados em potes plásticos (estes são ainda piores para alimentos com gordura), sal de cozinha. Diversas marcas de sal investigadas na Indonésia apresentaram, em maior ou menor grau, mi-croesferas plásticas. Ainda são desconhecidos os efeitos dos microplásticos sobre a saúde humana.

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MACRO NÚMEROS PARA MICROPLÁSTICOS

Estudo de outubro de 2020 estimou em 14 milhões de toneladas a quantidade de microplásticos presente nas profundezas dos oceanos.

Um estudo na Alemanha revelou que cada pessoa daquele país emite em torno de 5,4 quilos de microplásticos por ano. Os cientistas recomendam que essa quantidade seja reduzida a 200 gramas por ano.

Se cada um dos 30 mil habitantes de uma cidade como Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, gerarem 5,4 quilos de microplásticos por ano, lançariam ao ambiente 162.000 quilos de microesferas plásticas. Ao reduzir para 200 gramas, lançariam 6.000 quilos.

ROUPAS SINTÉTICAS NA

MÁQUINA DE LAVAR:

MAIS UM PONTO PARA A

POLUIÇÃO MICROPLÁSTICA

Tecidos sintéticos na lava-roupas foram recente-mente apontados como a principal fonte de micro-plásticos nos oceanos. A liberação das micropartí-culas decorre dos esforços mecânicos e químicos que os tecidos sofrem durante o processo de lava-gem à máquina: as microfibras dos fios que consti-tuem o tecido se desprendem e, devido às diminu-tas dimensões, passam parcialmente por estações de tratamento de efluentes e daí para o mar. As microfibras liberadas durante a lavagem variam de 124 a 308 miligramas por quilo de tecido, de-pendendo do tipo de peça de roupa lavada, o que corresponde a um número de microfibras que varia de 640.000 a 1.500.000.

A contribuição dos processos de lavagem de roupas sintéticas para a poluição microplástica.

https://www.nature.com/articles/s41598-019-43023-x Foto: Freeimages.com / David Jones

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ECOLOGIA NO DIA A DIA

16 ECOLOGIA NO DIA A DIA

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NA HIGIENE E LIMPEZA,

SUBSTÂNCIAS NOCIVAS NO

NOSSO DIA A DIA

Em relação a produtos de higiene e limpeza, você sabia que:

Detergente, sabão em pó e outros produtos de limpeza, são produzidos a partir de agentes químicos, que não se degradam completamente, sendo altamente poluidores das águas?

Especialmente os que contém cloro causam danos ao ser humano, e à cama-da de ozônio, aumentando o risco de câncer de pele?

Mesmo muito bem enxaguados, estes produtos não saem completamente das louças e roupas que usamos no dia a dia. Portanto, acabamos ingerindo estas substâncias?

Alguns contém substâncias que o organismo humano reconhece como hormônios femininos, perturbando o funcionamento do corpo, especial-mente em bebês e adolescentes?

E ainda: 97,5% das águas do Planeta estão em mares e oceanos, isto é, impróprias para consumo sem um tratamento especial.

2,25% do total é constituído por água doce, incluindo geleiras e águas a grandes profundidades.

APENAS 0,25% das águas do Planeta estão acessíveis para uso.

Assim, a higiene pessoal e a tarefa diária de lavar roupas, louças e fazer a limpeza geral tornou-se mais uma fonte de poluição do meio ambiente e contaminante da saúde humana. A mídia nos vende as imagens do “branco mais branco” e da necessidade de um número excessivo e até absurdo de produtos que devem ser usados nos corpos e nas casas de modo que se con-siga uma “limpeza profunda”. De acordo com pesquisas feitas em países da Europa, para uma limpeza eficiente é necessário água e sabonete, ou água e sabão, que podem (e devem!) ser caseiros, como nos velhos tempos. Buscar alternativas aos produtos de higiene e limpeza sintéticos, industrializados, é atualmente uma necessidade daquelas pessoas que já estão preocupadas com a sua saúde e com a saúde do Planeta.

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Sabonetes, xampus, sabão em pó, sabões, detergentes, desinfetantes, al-vejantes, limpadores de diferentes tipos para todos os gostos, de todos os odores, para o corpo e banheiro, cozinha, para roupa, para louça... São hoje infinitas as opções de produtos de higiene e limpeza disponíveis nas pratelei-ras dos supermercados.

Além da contaminação das águas, a preocupação com os produtos de uso pes-soal ou doméstico cresceu bastante a partir das informações de que os agen-tes químicos que compõem esagen-tes produtos são ou podem dar origem quando decompostos a substâncias chamadas de “estrogênios fracos”, isto é, não são de fato estrogênios, mas se comportam dentro do nosso organismo como tal. Quais as conseqüências? Inúmeras e assustadoras: diferentes tipos de cân-cer (mama por exemplo), diminuição de número de espermatozóides, rever-são de sexo (já relatados em diversas espécies na natureza), dentre outras ... Além disso, são caros, principalmente devido ao custo de fabricação de suas embalagens, o que também acaba aumentando o volume de lixo produzido. Também, algumas misturas de produtos de limpeza podem ocasionar rea-ções químicas violentas e muito tóxicas como é o caso do cloro (presente nas águas sanitárias e misturado com outros produtos a base de amônia, como desinfetantes). Essa mistura forma um gás chamado cloramina, que é muito tóxico quando inalado. Também se deve evitar usar água sanitária misturada com ácidos ou soda cáustica.

O que fazer? Buscar os produtos de composição simples e tradicionais não agressivos ao homem e à natureza.

Alguns componentes de produtos

de higiene e limpeza que afetam

a saúde e o ambiente

€ Almíscares sintéticos – encontrados em amaciantes de roupas e produ-tos de aromatização, estão sob suspeição de serem disruptores endócrinos e pelo menos um, o Tonalide, em um estudo com animais, impediu as células de bloquearem a entrada de tóxicos.

€ Amoníaco – usado como desengordurante. Tem efeito irritante podendo provocar queimaduras na pele, olhos e trato respiratório.

€ Benzeno – este composto orgânico volátil de uso comum em produtos de limpeza, é um conhecido carcinogênico humano e tem sido relacionado ao aumento do risco de leucemia e outras doenças do sangue, além de ser tóxico para os órgãos do corpo.

€ Cloro – é o ingrediente (hipoclorito de sódio) da água sanitária. Mesmo tomando os cuidados necessários como utilizar luvas, máscaras e manter o ambiente amplamente arejado, podem apresentar sérios riscos para quem os utiliza. Quando em contato com o ar provoca irritação das vias aéreas (indo

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diretamente para a corrente sanguínea), danos aos olhos e dores de cabeça. Um estudo feito com 9 mil crianças da Holanda, Espanha e Finlândia identifi-cou que o uso frequente (ao menos 1 vez por semana) torna as crianças mais suscetíveis a desenvolverem doenças respiratórias como gripe, amigdalite, sinusite, bronquite e pneumonia, pois o impacto nas células que revestem os pulmões, quando as substâncias são inaladas, deixa o órgão mais vulnerável à entrada de vírus e bactérias. O cloro é tóxico para todos os organismos vi-vos e grande parte das águas sanitárias e outros alvejantes também contêm estabilizadores e metais pesados, como o mercúrio, por exemplo, que poluem os sistemas hídricos, prejudicando diretamente a vida aquática e, consequen-temente, a cadeia ambiental.

€ Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) – são componentes químicos presentes em diversos tipos de materiais sintéticos ou naturais. Transformam--se em gás ao entrar em contato com o ar. Exemplos são: benzeno, etilenogli-co, formaldeído, cloreto de metileno, tetracloroetileno, tolueno, xileno, 1,3-bu-tadieno, 1,4-diclorobenzeno. Podem ser encontrados em solventes em geral, repelentes, produtos de limpeza, maquiagem e cosméticos, agrotóxicos, rou-pas lavadas a seco, tintas, móveis, carpetes, papel carbono, cola, combustíveis. Qualquer material sintético com algum tipo de cheiro tem VOCs na sua com-posição. Provocam irritação da garganta, tonturas, asma, alergias, intoxicações.

€ Dioxano ou 1,4-dioxano – é um VOC e pode estar presente em qualquer produto que contenha matérias primas que foram fabricadas usando um pro-cesso químico chamado de etoxilação, usado na fabricação de detergentes, emulsionantes e agentes solubilizantes. Assim, é encontrado em cosméticos e produtos de limpeza. É um poluente muito tóxico que pode causar diversos danos à saúde humana, inclusive câncer. Pode aparecer nas embalagens com diversos nomes: 1,4-diethylenedioxide; 1,4-dioxacyclohexane; 1,4-dio-xane; di(ethyleneoxide); diethylene dioxide; diethylene ether; dioksan; dioxa-an-1,4; dioxan; dioxdioxa-an-1,4; dioxane; dioxane-1,4; glycol ethylene ether; para--dioxane; p-dioxan; ppara--dioxane; p-dioxin, tetrahydro-; tetrahydro-1,4-dioxin; tetrahydro-para-dioxin e tetrahydro-p-dioxin.

€ EDTA – empregado em produtos de limpeza e também na preparação de produtos de higiene pessoal, cosméticos, alimentos industrializados e bebi-das, suspeito de ser cancerígeno.

€ Estireno – uma substância química presente em produtos de limpeza domésticos, está conectado ao câncer, tem efeitos sobre o nascimento e o desenvolvimento de bebês, toxicidade sobre os sistemas biológicos e proble-mas para a reprodução e a fertilidade.

€ Etilglicol – presente em muitos produtos de limpeza multiuso e de limpe-za de vidros, pode danificar os rins, a medula óssea, fígado e sistema nervoso.

€ Fenol – um ingrediente muito comum nos detergentes, também é encon-trado em desinfetante bucal. É tóxico e as pessoas que são hipersensíveis podem experimentar sérios efeitos colaterais, mesmo em baixas doses. Pes-quisas têm relacionado os fenóis a danos aos sistemas respiratório e circu-latório, ao coração, ao fígado, rins e olhos, além de problemas respiratórios.

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€ Formaldeído – presente em sprays e desodorizadores de ar, suspeito de ser carcinogênico.

€ Fosfatos – presentes em detergentes e sabões em pó, são extremamente agressivos ao meio ambiente, pois causam problemas de eutrofização artifi-cial resultando na proliferação de algas em corpos d'água, que produzem ga-ses venenosos, diminuindo o oxigênio disponível, o que mata peixes, destrói áreas de lazer e torna a água de represas e lagos imprópria para consumo.

€ Ftalatos – têm efeitos disruptores no sistema endócrino humano, particu-larmente durante a gravidez, amamentação e a infância. Estudos com certos ftalatos em animais mostraram que essas substâncias químicas podem cau-sar prejuízo ao desenvolvimento e reprodução, danos a órgãos, supressão imunológica, alteração no sistema endócrino e câncer.

€ Lauril Sulfato de Sódio (SLS), Lauril Éter Sulfato de Sódio (SLES) – são surfactantes que, por serem baratos, fazem parte de muitos produtos de higiene (sabonetes, xampus, cremes dentais, etc.). Essas substâncias ajudam na produção maior de espuma, melhorando a distribuição dos produtos durante a lavação de cabelos, pele ou dentes. O SLS tem sido associado a irritação na pele e aftas. Mas um dos principais problemas do SLS é que o processo de sua fabricação (etoxilação) resulta na possível contaminação por 1,4 dioxano.

€ Nonilfenol (NPE) – causa problemas reprodutivos e danos no fígado e rins. É ingrediente comum em detergentes para roupa e produtos de limpeza para todos os fins, está banido na Europa e é conhecido por ser um potente disruptor endócrino. Já identificado como sendo a causa da transformação de peixes machos em fêmeas em vários locais do Planeta.

€ Parabenos – atuam como eficazes conservantes, muito utilizados em cosméticos, alguns alimentos e em produtos farmacêuticos. Pesquisas com-provaram a ligação entre a presença de parabenos no organismo com o sur-gimento do câncer de mama. Os parabenos possuem a capacidade de mime-tizar (ter ação parecida ou igual) ao hormônio estrogênio.

€ Solventes de petróleo – presente em limpadores de piso, podem danifi-car membranas das mucosas.

€ Terpenos sintéticos – comumente usados em produtos de limpeza do-méstico com aromas de pinho, limão ou laranja. Interage com o ozônio na atmosfera produzindo substâncias tóxicas similares ao formaldeído, um co-nhecido carcinogênico.

€ Triclosan – este produto químico tem sido relacionado a preocupações sobre resistência a antibióticos e ação como disruptor endócrino, ou seja, associado a vários problemas de saúde, tais como câncer de mama, ová-rio, próstata e testicular, bebês prematuros e com baixo peso ao nascer, pu-berdade precoce em meninas e criptorquidia (testículos não descidos) em meninos. Pode ser encontrado em sabonetes, pastas de dentes, sabonetes bactericidas, sabão para lavar roupas, antissépticos, perfumes, objetos de primeiros socorros com função antimicrobiana, roupas, sapatos, carpetes, plásticos próprios para serem utilizados em alimentos, brinquedos, roupas de

www.articles.mercola. com/sites/articles/ archive/2008/05/24/how- safe-are-green-cleaning-products.aspx www.ecodebate.com. br/2013/02/20/relatorio- da-onu-analisa-ligacao- entre-produtos-quimicos-e-problemas-de-saude/ https://portuguese. mercola.com/sites/articles/ archive/2020/10/30/ ingredientes-toxicos-da-pasta-de-dente.aspx https://www.ecycle.com. br/2200-dioxano.html https://www. cleanconscience.com/ blog/2015/04/harmful- effects-bleach-can-children/ https://routebrasil. org/2020/07/16/os- produtos-de-limpeza- sao-responsaveis-pela- contaminacao-dos-oceanos/

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cama, colchões, adesivos, em equipamentos como ar-condicionado, tintas, mangueiras de combate a incêndios, banheiras, equipamentos de produção de gelo, borrachas, escovas de dente e desodorantes.

Optando por uma limpeza

mais saudável

Várias substâncias auxiliam para se ter uma limpeza mais saudável, entre elas, as principais são:

€ Água oxigenada – ou peróxido de hidrogênio, na forma líquida a 3%, 10 volumes, é usada na limpeza para remover manchas e maus odores, e indica-da para pessoas alérgicas. É biodegradável.

€ Álcool – auxilia na conservação e é veículo de aromas para os produtos. É bactericida e virucida (para vírus lipofílicos).

€ Argila branca ou dolomita – é abrasiva e auxilia na limpeza.

€ Babosa – a Aloe vera é ótima para amaciar os tecidos e proteger as mãos em produtos de limpeza.

€ Bicarbonato de sódio – é um limpador não tóxico, e tem poder desin-fetante e neutralizador de maus odores. Indicado na limpeza para remover manchas e maus odores. É biodegradável e indicado para pessoas alérgicas.

€ Bórax – é um produto que elimina mofo, odores, manchas, indicado para pessoas alérgicas, é biodegradável. Pessoas sensíveis podem ter reações indesejadas pelo contato com a pele.

€ Carbonato de sódio – serve para diluir minerais da água aumentando o poder de limpeza do sabão. Aumenta o poder alvejante e melhora o desem-penho em águas duras.

€ Carvão vegetal – retira maus odores e é abrasivo.

€ Ervas aromáticas – possuem propriedades antissépticas e podem ser utilizadas na limpeza e aromatização de ambientes.

€ Hidrolatos e óleos essenciais – são substâncias aromáticas e volá-teis produzidas pelas plantas, e têm propriedades antissépticas, bactericidas, fungicidas, podendo ser utilizados por seus efeitos benéficos e também para aromatizar os ambientes.

€ Sabão – de preferência, os feitos em casa.

€ Sal grosso – remove sujeira, mofo, mau odor. É biodegradável e indicado para pessoas alérgicas.

€ Vinagre – a sua composição química é o ácido acético. É um produto utilizado para amaciar tecidos, eliminar gorduras, mofos e mau odor. É biode-gradável e indicado para pessoas alérgicas.

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ALGUMAS INFORMAÇÕES

BÁSICAS PARA FAZER

PRODUTOS CASEIROS

DE HIGIENE E LIMPEZA

A grande maioria das mulheres nas áreas rurais de atuação do Centro Ecoló-gico sabe fazer sabão caseiro, mas sempre é possível aprimorar a qualidade e baratear os custos. Por exemplo, em relação à qualidade, é comum sobrar soda nos sabões caseiros (é aquela camada branca que fica na superfície quando o sabão em barra seca) ou ficar ‘forte demais’ e irritar a pele das mãos (devido ao pH ter ficado muito alto).

Assim, este material busca trazer informações para auxiliar a obter melhores produtos, e também aprender a aproveitar a matéria-prima derivada da ex-tração local de hidrolatos e óleos essenciais a partir de plantas da horta ou do quintal agroflorestal. O Centro Ecológico, desde 2011, vem difundindo os benefícios dos hidrolatos e óleos essenciais, extraídos localmente de plantas cultivadas ou silvestres. Estes produtos, promotores de bem estar físico, men-tal e emocional podem ser usados na elaboração de produtos de higiene e limpeza para uso doméstico.

Vamos, então, rever algumas informações básicas sobre as matérias primas, os processos de elaboração, etc1.

O que é o sabão?

O sabão é um produto resultante de uma reação química entre um óleo ou gordura (animal ou vegetal) e uma solução alcalina (lixívia = água + soda cáustica ou água + potassa). O outro produto resultante desta reação é a glicerina.

Qual é a diferença entre sabão e sabonete?

Sabonete é um nome genérico dado ao sabão + glicerina originada da rea-ção química (gordura + lixívia). Neste processo são adicionadas substâncias para atuarem na hidratação, emoliência e limpeza da pele. Os sabonetes in-dustriais mais comuns não são sabões, são na verdade detergentes sintéti-cos para a pele. A vantagem do sabonete artesanal é que ele limpa, através do sabão, e hidrata através da glicerina que permanece no produto, conser-vando as camadas de proteção natural da pele.

1Estas informações

fazem parte do material disponibilizado para o curso Preparo de Produtos de Higiene e Limpeza com Hidrolatos e Óleos Essenciais para Uso Caseiro, ministrado pela

bióloga Isabel Kirsten. O curso foi organizado em Ipê pelo Centro Ecológico em 2016. Em 2017 e 2018, o Centro Ecológico publicou a Série Preparo de Produtos de Higiene e Limpeza com Hidrolatos e Óleos Essenciais para Uso Caseiro, com 13 Boletins

elaborados por Isabel Kirsten e Elaine Cavazzola, que tratam de produtos de limpeza, higiene, cosméticos e aromas. Os Boletins podem ser acessados sem custo em http://m.centroecologico. org.br/boletins

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Qual é a diferença entre sabão e detergente?

O sabão se degrada completamente na natureza enquanto nem todos os com-ponentes dos detergentes são biodegradáveis. Além disso, produtos sintéti-cos adicionados para melhorar o desempenho e durabilidade dos detergentes podem ser tóxicos à saúde humana e aos ecossistemas, como já vimos.

Qual é a diferença entre o sabão industrial

e o sabão artesanal?

No processo industrial, o sabão geralmente é separado da glicerina. Alguns sabões industriais são, na verdade, detergentes, pois, ao invés de uma reação química entre uma solução alcalina e gordura, são adicionados produtos sin-téticos que desempenham a mesma função do sabão, além de aditivos para maior conservação e poder de limpeza, bem como para aumentar o peso e a densidade do produto.

Já no sabão artesanal, a glicerina resultante, geralmente, permanece no pro-duto. O sabão artesanal possibilita utilizar técnicas e reagentes ecológicos e saudáveis em sua fabricação.

Quais gorduras e óleos usar?

É possível fazer sabão com qualquer óleo ou gordura. No entanto, recomen-da-se não usar óleos de soja, milho e algodão, por serem transgênicos na sua grande maioria. Além do grande aumento de uso de agrotóxicos nas lavouras, os transgênicos colocam em risco a saúde, o meio ambiente e as sementes tradicionais das variedades de alimentos que consumimos no dia a dia. São considerados óleos duros, ou gorduras, os óleos de coco, dendê, banha e sebo. E são gorduras moles, os óleos de girassol, arroz, oliva, gergelim, linhaça, amêndoas, abacate e semente de uva, entre outros. Cada tipo de óleo e gordura (animal ou vegetal) confere ao sabão determinadas características próprias.

Os óleos mais duros vão conferir mais dureza e limpeza ao sabão, o que pode ser bom para o desempenho nos tecidos, mas em excesso podem causar ressecamento da pele, não sendo bons para os sabonetes. Já os óleos mais moles aumentam as características condicionantes e a facilidade de absor-ção pela pele, mas têm maior propensão de criarem ranço.

CARACTERÍSTICAS CONFERIDAS AO SABÃO PELOS ÓLEOS DUROS/GORDURAS E ÓLEOS MOLES

Dureza Bolhas Durabilidade Limpeza Hidratação das mãos e tecidos Óleo de coco, gorduras animais Óleo de coco e, em menor grau, óleos de girassol, gergelim e semente de uva Óleo de coco, gorduras animais Óleo de coco e, em menor grau, os óleos moles

Óleo de girassol, linhaça, gergelim, semente de uva, banhas bovina e suína, sebo de ovelha

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Observação: Para ter um sabão com boa qualidade e eficiência o ideal é combinar óleos duros e óleos moles. Se for utilizado óleo de coco ou de pal-mas, o desempenho do sabão será ainda melhor. O uso de gordura animal é opcional, e quando utilizada deve ser limpa e tratada para não dar mau cheiro no produto final, principalmente nos tecidos.

O que é necessário saber sobre a lixívia?

A lixívia é a solução composta de água e uma base forte para produção do sabão. A soda cáustica é o ingrediente principal para a fabricação artesanal de sabão sólido, mas também é possível usar potassa cáustica.

Cuidados no manuseio da soda cáustica:

1. Soda + água libera um gás tóxico e corrosivo, por isso deve ser prepara-da em local ventilado, com uso de máscara. Durante a cura do sabão o gás continua sendo liberado, portanto esta deve ser realizada também em local ventilado.

2. A soda é corrosiva e tóxica para a pele, e deve ser manuseada com luvas, óculos, avental e sapato fechado. Caso algum acidente ocorra, é importante lavar a região com água fria corrente por 15 minutos. Lavar com um pouco de vinagre para neutralizar a ação da soda no local afetado pode auxiliar, mas ter uma torneira com água por perto é indispensável, principalmente no caso de respingar nos olhos ou na face.

3. Soda + água libera calor, podendo ocasionar queimaduras. É importante seguir a ordem de ir adicionando a soda aos poucos na água, e não fazer o contrário.

4. Utilizar exatamente as quantidades recomendadas de soda para que esta não sobre na mistura e falte óleo para ela reagir, o que deixa o produto final alcalino demais. Neste caso, a soda excedente acaba no esgoto e pode mo-dificar o pH das águas, resultando prejudicial ao ambiente.

5. O excesso de soda pode destruir os tecidos e roupas durante a lavagem, diminuindo sua vida útil, e pode causar irritação, descamação e queimaduras na pele.

6. A soda deve ser de boa qualidade (pois existe muita adulteração), com concentração mínima de 97%.

7. Armazenar o produto e o sabão em cura em local fora do alcance de crian-ças e animais de estimação, e mantê-los afastadas do local de preparo das fórmulas.

Quais aditivos utilizar?

Uma grande diversidade de materiais pode ser adicionada ao sabão, tanto para um efeito decorativo quanto para dar propriedades desejadas ao sabão, melhorando seu desempenho.

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O que usar para melhorar o peso do sabão, sua textura e

poder de limpeza, desinfecção e alvejante?

No caso do sabão para limpeza doméstica, podemos adicionar:

€ Álcool – torna o endurecimento do sabão mais rápido. Pode ser dispensado caso se note que ao fim dos 20 minutos de agitação a massa de sabão já tem uma consistência adequada para ser colocada na forma. Deve ser adicionado aos óleos e gorduras, e recomenda-se que constitua até 10% da fórmula.

€ Babosa ou Aloe vera – o gel é ótimo para amaciar os tecidos e proteger as mãos em produtos de limpeza.

€ Bicarbonato de sódio – é indicado na limpeza para re-mover manchas, maus odores e também para pessoas alér-gicas, é biodegradável. Recomenda-se que constitua até 5% da fórmula.

€ Bórax – é um branqueador e tira odores indesejáveis, eli-mina mofos e manchas, indicado para pessoas alérgicas, é biodegradável. Deve ser adicionado aos óleos e gorduras e recomenda-se que constitua até 10% da fórmula. É necessá-rio ter cuidado na manipulação.

€ Breu – melhora a adstringência e o cheiro, e torna o sa-bão mais duro. Deve ser adicionado aos óleos e gorduras e recomenda-se que constitua até 10% da fórmula.

€ Carbonato de cálcio, dolomita ou caolim – conservan-te para evitar a oxidação. Aumenta o rendimento da massa, reduz a necessidade de branqueador ótico, que é poluente. Tem propriedades bactericidas e melhora a dureza do sabão. Deve ser adicionado aos óleos e gorduras e recomenda-se que constitua até 10% da fórmula.

€ Carbonato de sódio – aumenta o poder alvejante e melhora o desempenho em águas duras. Deve ser adicionado aos óleos e gorduras e recomenda-se que constitua até 10% da fórmula.

€ Carvão vegetal – retira maus odores. Recomenda-se que constitua até 5% da fórmula.

€ Farinha de milho ou fubá – auxilia na limpeza e no rendimento da mas-sa. Recomenda-se que constitua até 10% da fórmula.

€ Vinagre – é o ácido acético, utilizado para amaciar tecidos, eliminar gor-duras, mofos e maus odores, indicado para pessoas alérgicas, é biodegradá-vel. Recomenda-se que constitua até 10% da fórmula.

€ Sal - proporciona maior homogeneização dos componentes. Remove sujeira, mofo, mau odor, indicado para pessoas alérgicas, é biodegradável. Recomenda-se que constitua até 5% da fórmula.

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Aromatizantes

É possível tornar o sabão mais agradável e cheiroso utilizando ervas aro-máticas, resinas, raízes, cascas de cítricos, folhas, hidrolatos e óleos es-senciais.

Além de aromatizar, essas ervas podem trazer propriedades antissépticas, bacteriológicas e desinfetantes para os sabões, e sugerimos utilizá-las das seguintes maneiras:

yMacerar nos óleos ou gorduras, a fim de aromatizá-los.

yNa forma de tintura alcoólica ou extrato aromático que deve ser adicio-nada após o traço (não exceder 10% da fórmula) e lembrar que o álcool pode endurecer o sabão de forma repentina. Traço é o momento em que a mistura chega na consistência adequada, é o ponto do sabão.

yChá de infusão ou fervura, dependendo da parte da planta, e esse chá compor o volume de água da solução alcalina.

Os hidrolatos e óleos essenciais também podem ser utilizados com a mes-ma finalidade das ervas e acrescentados depois do traço, ou na desodori-zação e preparo do óleo vegetal. A quantidade razoável para um bom aro-ma é compor de 1 a 5% do peso do sabão. A quantidade de óleo essencial pode ser calculada como 3 a 10% dos óleos base.

Se a finalidade é a limpeza de tecidos e ambientes, recomenda-se os hidrolatos e óleos essenciais mais acessíveis e mais baratos. Uma dica são óleos essenciais com propriedades antissépticas, como alecrim, louro, citronela, eucalipto, capim limão, tomilho e orégano.

Cuidados:

yAromas que aceleram o traço: tomilho e orégano.

yAromas que permanecem mais tempo: capim limão e alecrim.

Se a finalidade são produtos para higiene, eventualmente se podem usar outros óleos essenciais e hidrolatos que auxiliam a pele e cabelos.

O QUE SÃO OS ÓLEOS ESSENCIAIS?

Os óleos essenciais (OEs) são componentes vegetais extremamente vo-láteis, formados por muitas substâncias, e extraídos por destilação, hi-drodestilação, expressão ou por solventes. Os OEs, nas suas diferentes apresentações, são muito utilizados em produtos higiene e de limpeza, na perfumaria, e também na aromaterapia.

O QUE SÃO OS

HIDROLATOS?

Os hidrolatos são a água condensada no processo de des-tilação a vapor de plantas aromáticas para a obtenção de óleos essenciais. São obtidos por simples destilação com vapor de água a partir de plantas frescas ou secas. Esta água contém quantidades variáveis de óleos es-senciais dissolvidos e de outras substân-cias presentes na água. Assim como os óleos essenciais, têm propriedades tera-pêuticas e curativas. Um hidrolato pode ser bastante diluído e continuar sendo efetivo, apresen-tando propriedades antivirais, fungistá-ticas, antifúngicas e antibacterianas, além de repelir insetos. Também têm proprie-dades adstringentes, calmantes e antipruri-ginosas, e podem ser usados diretamente sobre a pele. São facilmente obtidos localmente, em quan-tidades que viabilizam seu uso em produtos caseiros para higiene e limpeza.

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Como conservar melhor o sabão?

Quais conservantes utilizar?

As gorduras e os óleos rancificam quando expostos ao meio ambiente ex-terno. Dentre as alternativas saudáveis podemos usar conservantes naturais como ervas, vitamina E, óleos essenciais, higienizar as gorduras usadas, esto-car o sabão em local escuro e em embalagem fechada, e não estoesto-car grande quantidade. Os conservantes podem ser adicionados depois do traço e não devem ultrapassar 5% da fórmula do sabão.

Para conservar o sabão é interessante:

yCombinar óleos duros/gorduras e óleos moles.

yUtilizar conservantes naturais, adicionando nos óleos ou após o ponto (tra-ço). Exemplos: a vitamina E pode compor 1 a 2% do peso dos óleos e gor-duras. Os óleos essenciais de tomilho, orégano, cravo, tea tree/melaleuca, capim limão, cravo, canela e alecrim podem compor 0,5% do peso dos óleos/ gorduras. O extrato de própolis alcoólico pode compor 0,5% do peso dos óleos/gorduras.

yUsar ácido cítrico, que pode ser obtido de frutas ácidas como limão, laranja, tangerina, maracujá, entre outras. É conservante e tem ação antioxidante.

Corantes naturais

Os corantes naturais para o sabão servem para criar efeitos decorativos e para melhorar a aparência. Portanto, seu uso é opcional. Utilizando matérias--primas naturais se pode acrescentar propriedades medicinais e de melhor desempenho na pele e saúde. Alguns exemplos estão na tabela a seguir, e a tonalidade desejada é dada pela quantidade usada. Se ficar muito claro, aumentar, se ficar muito escuro, diminuir.

Corante

Materiais, preparo e quantidade

(máximo 10% da receita)

Alaranjado óleo de dendê como sobreengordurante. Laranja e cenoura em pó, diluídas no óleo vegetal Amarelo açafrão da terra/cúrcuma, diluído no óleo vegetal

Lilás e roxo uva em pó, açaí em pó, hibisco/vinagreira em pó Marrom cacau, café, chocolate em barra diluídos no óleo vegetal Preto carvão vegetal hidratado diluído no óleo vegetal

Salmão canela, gengibre, páprica doce, urucum em pó diluídos no óleo vegetal Verde espinafre em pó, erva-mate diluídos no óleo vegetal Vermelho urucum em pó, diluído no óleo vegetal

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Como tratar óleo de cozinha usado?

Procedimento lento – coar em pano tipo voil, deixar decantar por um mês e coar novamente.

1° Aquecer o óleo em uma panela.

2° Prender um tecido grosso, no intuito de utilizá-lo como coador, em um bal-de e verter o óleo quente para que passe pelo tecido liberando as sujidabal-des mais grossas.

3° Se o cheiro do óleo estiver muito ruim é preciso seguir a dica seguinte de lavar o óleo. Se não estiver muito forte pode adicionar folhas de eucalipto e outras ervas e óleos essenciais, e voltar a aquecer em fogo baixo. Então, coar novamente.

Para lavar o óleo – leve para ferver 1 litro de água com cada litro de óleo que se deseja limpar. Ao levantar fervura, desligue o fogo, misture bem e acrescente 1 litro de água fria para cada litro da mistura quente. A sujeira ficará no fundo e a gordura solidificará, ficando fácil de ser removida e usada na receita do sabão.

Aromatização do óleo – para cada parte de erva, acrescente 5 partes de óleo comum. Leve a mistura em banho-maria por 2 horas, sem deixar que a água ferva. Depois que esfriar, coe o óleo em um pano limpo e esprema bem o resíduo que restar no pano. Ervas: lavanda, hortelã, alecrim, orégano. Para gengibre, canela, casca de laranja e limão e cravo, deixar imersos por 1 mês. As folhas de mamoeiro, resinas e breu, e a raiz de guanxuma também são utilizadas para neutralizar o cheiro de gorduras. Dica: Experimente aromatizar com camomila um sabão destinado a roupas de bebê.

Como tratar sebo animal?

Retirar manualmente os restos de pele, carne e sangue, e ferver por duas ho-ras. Coar em pano grosso ainda quente. Depois proceder à lavagem e aroma-tização da gordura, assim como se faz com a gordura e óleo vegetal. Rendi-mento: 8 a 9 quilos de sebo resultam em 3 quilos de gordura derretida líquida.

Quais equipamentos e materiais são

necessários para fazer sabão?

Diversos equipamentos e materiais são necessários e importantes para fazer sabão de boa qualidade:

ybalança de precisão digital (de 1 em 1 grama), pois o produto fica melhor se TUDO FOR BEM PESADO!

ypanelas de inox

yespátulas de silicone

yrecipientes de vidro, inox ou plástico resistente (só para saponificação a frio) - não utilizar alumínio ou Tefal, pois reagem com a soda

ybatedor de inox para claras

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yformas de madeira, plástico, silicone, caixas de sapato, canos de PVC, etc.

yplástico, papel manteiga para embalar

yfitas plásticas para medir o pH

Quais óleos e gorduras escolher?

As formulações podem ser feitas com óleos e gorduras mais comuns, baratos e acessíveis, gerando pro-dutos finais de boa qualidade. Um bom sabão funciona na limpeza sem agredir a pele, faz espuma, tem bom prazo de validade e uma duração razoável.

O ideal é combinar 50% óleos du-ros e 50% óleos moles. Se usarmos somente óleos moles, o sabão não terá tanta qualidade e eficiência. Se for utilizado óleo de coco ou de palma (30% a 100% da quantida-de quantida-de gorduras ou óleos duros da receita), o desempenho do sabão será ainda melhor.

Os óleos mais duros vão conferir mais dureza e limpeza ao sabão, mas em excesso podem causar ressecamento da pele. Já os óleos mais moles au-mentam suas características condicionantes e facilidade de absorção pela pele, entretanto, têm maior propensão de criarem ranço.

Para um bom balanceamento, pode-se utilizar óleos duros em até 60% do total dos óleos, ou óleos moles em até 70% do total dos óleos.

Como calcular a quantidade de soda necessária?

Cada óleo e gordura é diferente um do outro. Então, para fazer a saponifica-ção não podemos usar a mesma quantidade de soda para todos eles, como se eles fossem iguais. Para gerar um sabão de boa qualidade, e seguro para a saúde e o meio ambiente, a quantidade de soda é calculada para cada tipo de óleo e sua quantidade na receita. A quantidade de soda em gramas (g) necessária para saponificar 1 grama de óleo é chamada de índice de saponificação.

O excesso de soda pode destruir os tecidos e roupas durante a lavagem, diminuindo sua vida útil. Em muitos relatos de receitas que usam excesso de soda na fabricação do sabão, percebe-se que, com o passar dos dias, o sabão vai branqueando. Isso se deve ao acúmulo da soda que não reagiu e que, ao reagir com o ar, forma carbonato de sódio, que é branco. Esse sabão pode causar desidratação e reações alérgicas em contato com a pele, e poluir o meio ambiente. Por isso, muitas pessoas reclamam do sabão caseiro dizendo

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que é agressivo à pele. Mas, na realidade, o problema não está no sabão, e sim na quantidade de soda usada.

Para calcular a quantidade de soda necessária, determina-se a quantidade de cada óleo/gordura em gramas e o tipo de base a ser utilizado. Aí multipli-ca-se cada óleo/gordura pelo seu índice de saponificação correspondente (ver tabela a seguir) e converte-se em gramas. Depois, soma-se a quantidade de soda obtida para cada tipo de óleo/gordura.

TABELA DE ÍNDICE DE SAPONIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS ÓLEOS

E GORDURAS UTILIZADOS NA OBTENÇÃO DO SABÃO (1 G)

Óleo/gordura (1 g) Potassa (g) Soda cáustica (g)

Gordura de porco 0,198 0,138 Gordura de frango 0,197 0,138 Sebo de boi 0,201 0,143 Sebo de carneiro 0,193 0,140 Gordura de coco 0,258 0,184 Óleo de girassol 0,190 0,136 Óleo de arroz 0,179 0,127

Óleo de semente de uva 0,126 0,177

Isabel Kirsten, curso Preparo de Produtos de Higiene e Limpeza com Hidrolatos e Óleos

Essenciais para Uso Caseiro, Centro Ecológico, Ipê/RS, 2016.

Exemplo: Quero fazer um sabão sólido utilizando soda cáustica e 500 g de óleo de girassol + 250 g de gordura de coco + 250 g de banha. A quantidade de soda que deve ser usada é 145,53 g a 144,05 g.

Óleo/gordura Quantidade (g) Índice de saponificação da soda = quantidade em g Girassol 500 0,136 68 Banha 250 0,138 34,5 Coco 250 0,184 46 Total 1.000 148,5 Desconto na soda (2 a 3%) 145,53 a 144,05 O desconto de 2-3% é uma margem de segurança para que reste este per-centual de óleo não saponificado na mistura. Este desconto vai garantir que toda a soda utilizada entre em reação com os óleos e que, ao final, o sabão não fique demasiadamente corrosivo.

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ECOLOGIA NO DIA A DIA

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Como calcular a quantidade de água necessária?

A quantidade de água para diluição da soda pode ser feita de um modo mais simplificado calculando a quantidade de água como sendo 30% do peso dos óleos. Se o sabão for composto de 60% de óleos duros o valor de água pode ficar em 35%.

Quais cuidados são necessários?

Para iniciar o processo de saponificação são necessários os cuidados já apresentados no item O que é necessário saber sobre a lixívia? (p. 25). É realmente importante seguir as recomendações apresentadas.

Qual método escolher:

a frio ou a quente?

Tanto o processo a frio quanto o a quente possuem suas vantagens e desvantagens.

Processo a frio

Após o processo de saponificação ter iniciado, a massa é colocada nos moldes e após o seu endure-cimento, o sabão é cortado e dei-xado em processo de cura. Este processo, apesar de ser mais eco-lógico, pois gasta menos energia, pode levar de 39 a 45 dias para ser finalizado. Durante este período, a reação de saponificação continua, e o sabão vai baixando a alcalini-dade para chegar próximo ao pH ideal, entre 9 e 10. Também ocorre evaporação de água, e o sabão vai perdendo umidade até atingir sua forma final.

Modo de fazer:

yMisturar, com auxílio do mixer (que deve ficar completamente submerso na mistura), até atingir o ponto de traço.

ySempre retirar as partes grudadas nas laterais, com auxílio de uma espátu-la, para que voltem a compor a massa.

yAdicionar aditivos e aromas.

yDespejar nos moldes forrados e cobrir com papel.

yApós a massa endurecida, cortar e esperar a cura. Para ter certeza de que o processo ocorreu, pode-se medir o pH com uma fita medidora e uma amostra do sabão na água.

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Processo a quente

O processo de saponificação e evaporação da lixívia é obtido pelo calor e o sabão está adequado para uso logo após a conclusão do processo, pois os óleos e/ou gorduras são completamente saponificados até o final do período de tratamento. A fabricação do sabão feita a quente tolera mais a adição de corantes e fragrâncias.

Modo de fazer:

yEm banho-maria, misturar até atingir o traço e mexer a cada 30 minutos, durante 3 a 4 horas, atingindo todas as fases.

ySempre retirar as partes grudadas nas laterais, com auxílio de uma espátu-la, para que voltem a compor a massa.

yAdicionar aditivos e aromas.

yDespejar nos moldes forrados e cobrir com papel.

yTestar o pH ao final do processo.

Como substituir óleos ou gorduras numa receita de sabão

Caso exista alguma necessidade, ou simplesmente vontade, é possível subs-tituir os óleos no preparo de um sabão, porém alguns cuidados devem ser to-mados. O ponto chave para a substituição de óleos é encontrar um óleo com propriedades semelhantes em termos de como ele vai atuar no sabão. Além disso, vale lembrar que cada óleo tem seu índice de saponificação, sendo necessário recalcular a quantidade de soda da fórmula. Isso só não é neces-sário quando o índice de saponificação dos óleos/gorduras é praticamente o mesmo, daí é preciso ajustar as propriedades desejadas que cada óleo e gordura conferem ao sabão.

ySe o objetivo for manter o aspecto do sabão – o primeiro passo para subs-tituir um óleo é identificar se este tem a mesma consistência que o original em temperatura ambiente. Isto é, se este é um óleo duro ou um óleo líquido. Em geral temos que substituir um óleo duro por outro óleo duro, e um óleo líquido por outro óleo líquido. Essa regra é para manter o equilíbrio entre eles.

ySe o objetivo for manter as propriedades – primeiro é preciso saber as propriedades que o óleo que se está retirando da fórmula original iria dar ao sabão: dureza/limpeza/condicionamento/tipo de espuma, e aí substitui por um similar.

ySelecionar óleos que vão dar a mesma qualidade ao sabão vai ajudar a manter as mesmas propriedades da fórmula original.

yMas é muito importante levar em conta que mesmo que os óleos tenham características similares, é necessário respeitar a quantidade recomendada de uso para cada tipo de óleo. Por exemplo: para uma boa consistência e ela-boração de uma receita com propriedades equilibradas, os óleos duros, como o óleo de coco, podem ser usados em até 30% do total de gorduras, com as manteigas compondo 15% do total de gorduras, lembrando sempre que as regras não são tão rígidas.

O QUE FAZER

COM SOBRAS DE

SABÃO E COM O

SABÃO QUE NÃO

DEU CERTO?

yRalar a massa de sabão e pesar.

yCalcular 5% do seu peso em água morna e acrescentar à massa ralada, misturar bem e deixar descansar por uma hora.

yColocar em banho-maria, com a panela tampada, até obter uma massa homogênea. yDeixar baixar a temperatura. yRepor ativos, aditivos ou aromas. yColocar na forma às colheradas, apertando bem para não deixar bolhas de ar.

yPode ser usado assim que esfriar e endurecer.

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As receitas a seguir são pesando corretamente as quantidades dos ingredientes.

SABÃO EM BARRA A FRIO

Ingredientes:

y2.250 g de óleo de girassol

y750 g de gordura animal aromatizada

y960 g de hidrolato (ou chá de ervas ou gel de babosa)

y410 g de soda Modo de preparo:

Diluir a soda na água e esperar amornar. Junte a mistura à gordura e ao óleo, e bata com o mixer até fica consistente e homogênea. O álcool serve para acelerar o traço e atingir o ponto de sabão, se quiser acrescente 10% do peso total dos óleos

Rendimento: 4.200 g de sabão

SABÃO EM BARRA A QUENTE

Ingredientes:

y1.125 g de óleo de girassol

y375 g de gordura animal aromatizada

y480 g de hidrolato (chá de ervas ou gel de babosa)

y205 g de soda Modo de preparo:

Diluir a soda na água e esperar amornar. Junte a mistura à gordura e o óleo, e bata com o mixer até fica consistente e homogêneo. Levar ao fogo em uma panela de inox e adicionar água. Este processo leva de 2 a 3 horas em fogo médio. O sabão estará pronto quando ficar transparente e denso.

Rendimento: 2.000 g de sabão

SABÃO LÍQUIDO A FRIO

Ingredientes:

y400 g de sabão ralado

y15 litros de água fervente ou chá de ervas

y100 ml de água oxigenada a 10 volumes 3%

y300 g de bórax

y100 g bicarbonato de sódio

y50 ml de tintura (opcional)

y200 g carbonato de sódio (opcional)

y50 ml de gel de Aloe vera (opcional)

y5 colheres de sal grosso (opcional) Modo de preparo:

Misturar 1 litro de água fervente no sabão até dissolver. Quando estiver mor-no, acrescentar os demais ingredientes e misturar com um mixer. Diluir em mais 4 litros de água e passar para galões de 5 litros.

RECEIT

AS P

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Rendimento: 20 litros de sabão líquido

SABÃO LÍQUIDO A QUENTE

Ingredientes:

y150 g de sabão caseiro em barra ralado (a partir da primeira receita apre-sentada na página anterior)

y3 litros de água fervente ou hidrolatos ou chá de ervas

y10 ml de álcool ou vinagre, puros ou em tinturas (opcional)

y10 ml de gel de babosa Modo de preparo:

Colocar o sabão em uma panela de inox grande e adicionar a água, hi-drolato ou chá de ervas. Levar ao fogo médio e mexer até o sabão atingir a cor de caramelo. O tempo aproximado do “cozimento” é de 2 a 3 horas. Por último, colocar a tintura e o gel de babosa, e misturar bem. Deixar es-friar e embalar. Como todo produto de limpeza, deixe fora do alcance das crianças.

Rendimento: 2,5 litros de sabão líquido

SABÃO EM PÓ 1 KG (PARA MÁQUINA DE LAVAR)

Ingredientes:

y400 g de sabão ralado (não é indicado o de óleo reciclado 100%)

y300 g de bórax

y100 g de bicarbonato de sódio

y100 g de carbonato de sódio (Barrilha leve)

yRaspas de limão, laranja Modo de preparo:

Rale o sabão, acrescente o bórax, o carbonato e o bicarbonato de sódio. Mis-ture tudo e coloque num recipiente bem fechado para ele durar mais tempo. Este sabão em pó pode ter uma validade menor dependendo do tipo de sa-bão ralado que for usado.

ALVEJANTE DE CINZA

Ingredientes:

y2 litros de água fria

y500 g de cinza de fogão a lenha, sem carvão Modo de preparo:

Misturar a cinza com a água e deixar descansar cerca de 12 horas. Após, retirar somente a água e engarrafar.

AMACIANTE DE ROUPAS 1

Ingredientes:

Referências

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