INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA
ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA E GESTÃO
R E L A T Ó R I O D E E S T Á G I O
LUÍS FILIPE SALGADO ALVES
RELATÓRIO PARA A OBTENÇÃO DO DIPLOMA DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM TOPOGRAFIA E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
Este estágio ensinou-me a olhar para o trabalho de outra maneira, trabalhar em Topografia deixou de ser trabalho, mas sim uma forma de vida. Ser topógrafo é sentir a liberdade, tocá-la e levar a vida de uma perspectiva mais real.
Estagiário: Luís Filipe Salgado Alves Número de identificação: 1009894
Curso: CET – Topografia e Sistemas de Informação Geográfica
Escola: Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico da Guarda Local de estágio: Viamapa, serviços de Topografia , Lda.
E-mail: [email protected] Telefone: [+351] 252 685 965 Fax: [+351] 252 626 371 Site: http://viamapa.pt/ Patrono: Paulo Silva
Supervisor estágio: Eng. Topografa Gina Brito Orientador do estágio: Eng. Geógrafo André Sá Data de inicio: 5 de Julho de 2010
Data de fim: 17 de Setembro de 2010
Plano de estágio
De acordo com o regulamento do estágio curricular, a empresa e o estagiário tiveram de preencher os impressos necessários para formalizar e dar início ao estágio. Um dos impressos era referente ao plano de estágio, de seguida transcrevo o que outrora foi planeado.
Plano de estágio:
“
Acompanhamento de preparação de obra e marcação de trabalhos em obra.Formação em levantamentos topográficos em diversas especialidades (ETAR’s; Vias; Terrenos; Habitações, etc.)
”
O plano de estágio foi plenamente cumprido, sendo comprovado pela descrição dos trabalhos efectuados. O estagiário participou activamente, executou levantamentos topográficos e implantações em obra.
O estágio curricular foi realizado na empresa Viamapa, Lda. com a duração de 420 horas como estipulado no regulamento de estágio curricular do curso em questão. O trabalho desenvolvido em estágio passou por diversas localidades do país abrangendo regiões desde o Alentejo ao Alto Douro.
Efectivamente, aquilo que o estagiário aprendeu a nível académico foi agora posto em prática e ganhou um novo enquadramento e interesse. Houve uma responsabilidade e dedicação que foi necessária para garantir qualidade profissional e bons resultados finais.
Embora a maioria do trabalho executado tenham sido levantamentos topográficos, o estagiário aprendeu normas que pode agora aplicar em trabalho e futuramente utilizar numa licenciatura de Engenharia Topográfica, que pretende ingressar no final do estágio curricular.
Este estágio foi de enorme importância, valorizou imenso a formação técnica do estagiário e também trouxe alguma experiência de vida em áreas ainda não abordadas.
Pessoalmente, considero que fez grandes progressos em duas vertentes. Por um lado aprendeu bastante sobre Topografia, por outro lado evoluiu muito no que toca a trabalhar em equipa, pois aprendeu a respeitar mais as opiniões dos outros, o que se deveu à interacção em trabalho com pessoas mais velhas e mais instruídas.
Os trabalhos em que estive envolvido foram: Implantações de obra;
Levantamentos Topográficos pormenorizados; Levantamentos Topográficos para telas finais; Georreferênciação de pontos no terreno;
Agradecimentos
A empresa teve uma super disponibilidade ao integrar-me inicialmente numa obra, tendo sido o meu primeiro encontro com a Topografia numa obra de grande porte.
De um modo geral, o estágio foi em grande parte realizado fora da minha área de residência, obrigando-me assim à deslocação para assim poder estagiar.
A empresa foi prestável, deu-me alojamento, e ajudou, em parte, nas despesas. Passei por bons momentos, aprendi a trabalhar e desenvolvi capacidades que não se desenvolvem durante um curso, por muito prático que seja.
Em especial agradeço aos topógrafos Bruno Marcos e Tiago Guimarães, pelos bons momentos passados juntos, mas em primeiro lugar à experiência e ao companheirismo transmitidos.
Ao topógrafo Bruno Santos, com quem passei pouco tempo, mas apesar disso foi uma experiencia bem vivida de novos conceitos e aplicações na Topografia.
À Engenheira Gina Brito pela disponibilidade e apoio na empresa, bem como, a integração nas equipas de trabalho, tendo exercido, em grande parte a maior responsabilidade sobre o meu estágio na empresa.
Agradeço vivamente a todas os colaboradores da Viamapa, que me apoiaram durante este longo estágio.
Um obrigado especial para os meus pais e irmão, que me apoiaram sempre apesar da distância que as vezes nos separaram e é claro, agradeço especialmente pelo suporte de todos os custos que o estágio albergou.
Para finalizar agradeço ao Engenheiro Geógrafo André Sá, que foi o meu orientador no estágio e me apoiou plenamente.
FICHA DE IDENTIFICAÇÃO ... II
PLANO DE ESTÁGIO ... III
RESUMO DO ESTÁGIO ...IV
AGRADECIMENTOS ... V ÍNDICE GERAL... A ÍNDICE DE IMAGENS ... C CAPITULO I: INTRODUÇÃO ... 1 a) Apresentação da empresa ... 1 c) Equipamentos Acessórios ... 3
CAPITULO II: TRABALHO REALIZADO... 4
1. Obra de manutenção e construção e conservação de estradas, IP8-concessão Baixo Alentejo ... 4
2. Execução de travessias e levantamentos clássicos no IP8 Ferreira do ... 7
Alentejo-Beja ... 7
a. Levantamento de pormenor de um travessia e zona envolvente ... 7
b. Levantamento clássico de zona de vegetação densa e com variações de relevo ... 10
3. Levantamento de condutas adutoras de água – Mirandela ... 11
4. Levantamento Topográfico telas finais de condutas de água – Barcelos ... 14
5. Levantamento de redes de esgotos, fossas sépticas, estações elevatórias e ETAR’s – Belmonte ... 18
CAPITULO III: EQUIPAMENTOS UTILIZADOS ... 23
1. GNSS Topcon RTK Hiper + ... 23
2. Estação total Leica TCRM1205 (Robótica) ... 24
3. Estação total Leica TCR805 ... 24
4. Acessórios de apoio ... 25
CAPÍTULO IV – CONCLUSÃO ... 27
BIBLIOGRAFIA ... 28
GLOSSÁRIO ... 29
IMAGEM I–ESTAGIÁRIO EM TRABALHO DE CAMPO ... II
IMAGEM II–LOGÓTIPO VIAMAPA ... 1
IMAGEM III–ORGANIGRAMA DA VIAMAPA SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA,LDA. ... 2
IMAGEM IV–IMAGEM LOCALIZAÇÃO GOOGLEMAPS... 2
IMAGEM V–ESTACA DE LIMITES DE EXPROPRIAÇÃO ... 5
IMAGEM VI–PRINTSCREEN DO DESENHO DA IMPLANTAÇÃO ... 5
IMAGEM VII–ESTAÇÃO TOTAL LEICA TCRM1205 ... 6
IMAGEM VIII–GPSTOPCON RTK ... 6
IMAGEM IX–PORMENOR DE DESENHO TOPOGRÁFICO DE UM LEVANTAMENTO DE UMA TRAVESSIA ... 7
IMAGEM X–PORMENOR DE TRAVESSIA,LATERAL DIREITA ... 8
IMAGEM XI–PORMENOR DE TRAVESSIA,LATERAL ESQUERDA ... 9
IMAGEM XII–LEVANTAMENTO CLÁSSICO DE ZONA DE OLIVAL ... 10
IMAGEM XIII–EXEMPLO DE FICHEIRO DE PONTOS EXTRAÍDOS DO APARELHO ... 12
IMAGEM XIV–IMPORTAÇÃO DOS PONTOS DO TRABALHO PARA O AUTOCAD ... 12
IMAGEM XV–PONTOS SEM FORMATAÇÃO... 13
IMAGEM XVI–PONTOS JÁ DEVIDAMENTE FORMATADOS ... 13
IMAGEM XVII–EXTRACTO DO DESENHO DO LEVANTAMENTO ... 13
IMAGEM XVIII–DETECTOR DE METAIS FISHER’S ... 14
IMAGEM XIX–VÁLVULA REDUTORA DE PRESSÃO VRP ... 15
IMAGEM XX–BOCA-DE-INCÊNDIO ... 15
IMAGEM XXI–VÁLVULA DE CORTE PARA BOCAS-DE-INCÊNDIO ... 15
IMAGEM XXII–VÁLVULA DE CORTE DE RAMAL ... 16
IMAGEM XXIII–RAMAL E ÁGUA, SAÍDA PARA HABITAÇÃO S/ TRATAMENTO... 16
IMAGEM XXIV–RAMAL APÓS TRATAMENTO.JÁ EM UTILIZAÇÃO POR HABITAÇÃO ... 16
IMAGEM XXV–VÁLVULA DE NÓ ENTRE CONDUTAS ... 16
IMAGEM XXVI–MARCA DE BRONZE GEORREFERENCIADA ... 17
IMAGEM XXVII–GPS ESTACIONADO COM BASE DE FERRO SOBRE MARCA DE BRONZE ... 17
IMAGEM XXIX–CAIXA MARCADA COM BILL-GRAFE APÓS EFECTUADO O CADASTRO DA
MESMA ... 19
IMAGEM XXX–FUNDO DE CAIXA ASSOREADA E CHEIRA DE ÁGUA RESIDUAL ... 20
IMAGEM XXXI–BRUNO MARCOS, COLEGA DA EMPRESA A CATALOGAR E FOTOGRAFAR A CAIXA JÁ CADASTRADA ... 20
IMAGEM XXXII–EXEMPLO DE UMA FICHA DE COORDENADAS DE UM MARCO ... 21
IMAGEM XXXIII–BRUNO MARCOS, TOPOGRAFO DA EMPRESA A INSERIR AS COORDENADAS NO INSTRUMENTO PARA PROCEDER À MARCAÇÃO DOS PONTOS ESTAÇÃO ... 22
IMAGEM XXXIV–ESTAGIÁRIO A ESTACIONAR EQUIPAMENTO NUM MARCO GEODÉSICO ... 22
IMAGEM XXXV–PONTO ESTAÇÃO MARCADO COM PREGO E CARICA.SINALIZADO COM SPRAY ... 22
IMAGEM XXXVI–TRIPÉ ESTACIONADO SOBRE PONTO DE APOIO MARCADO COM PREGO TOPOGRÁFICO E SINALIZADO COM BILL-GRAFE ... 22
IMAGEM XXXVII–GPSTOPCON RTKHIPER + ... 23
IMAGEM XXXVIII–ESTAÇÃO TOTAL LEICA TCRM1205(ROBÓTICA) ... 24
IMAGEM XXXIX–ESTAÇÃO TOTAL LEICA TCR805 ... 24
IMAGEM XL–MINI-PRISMA ... 25
IMAGEM XLI–RECEPTOR GNSS ESTACIONADO EM BASE DE FERRO PARA MARCOS ... 25
IMAGEM XLII–MARCADOR BILL-GRAFE ... 25
IMAGEM XLIII–PRISMA 360º LEICA ... 25
IMAGEM XLIV–TRIPÉ DE MADEIRA LEICA ... 26
IMAGEM XLV–RÉGUA DE 5METROS PARA CADASTRO DE CAIXAS DE ÁGUAS/SANEAMENTO 26 IMAGEM XLVI–MARCAÇÕES COM BIL-GRAFE ... 26
a) Apresentação da empresa
A empresa Viamapa, Lda. foi criada em 2004 e actua na área de Serviços Topográficos especializados em Topografia, Cartografia, Cadastro e Fiscalização, incluindo Geo-Referência e Levantamento de Fachadas de construções
existentes, e aluguer de equipas de Topografia para apoio topográfico à execução de obra.
Actualmente a empresa é composta por 49 funcionários.
Alguns dos trabalhos realizados pela empresa foram (para mais informações consultar página da empresa na internet http://www.viamapa.pt):
Scut da Ilha de S. Miguel – Açores; Aeroporto Sá Carneiro;
Adutoras e reservatórios de água do subsistema de Balsemão; Etar’s da Nazaré, Carregado, São João da Ribeira, e Monfalim;
Variante à EN207: do IP9 – Longra / Felgueiras – obras de arte corrente; Hidrografia do Rio Cávado;
A11/IC14 – Sublanço EN 205 – Barcelos;
Concessão Douro Litoral A43/IC29 – Gondomar / Aguiar de Sousa (IC24); Reforço de potência da barragem da Caniçada – Terras do Bouro;
Autódromo de Portimão;
Etar’s da Nazaré, Carregado, São João da Ribeira, e Monfalim; Reabilitação da EN entre Videle e Mereni – Roménia;
Adutoras e reservatórios de água do subsistema de Balsemão;
Concessão Douro Litoral A41 Picoto “IC2”/Nó da Ermida “IC25” - Ponte sobre o Rio Sousa.
Apresento seguidamente um organigrama da empresa com as funções e cargos ocupados hierarquicamente.
b) Localização :
Viamapa - Serviços de Topografia Unipessoal, Lda.
Rua José Moreira Morim, 919 4490-099 A-Ver-O-Mar Póvoa de Varzim
Telefone: [+351] 252 685 965 Fax: [+351] 252 626 371 E-mail: [email protected]
Imagem III – Organigrama da Viamapa serviços de Topografia, Lda.
A empresa possuía um vasto número de equipas no terreno, não só na Topografia de levantamentos, mas também em equipas de obra e cadastro.
Apresento agora alguns dos equipamentos que a empresa possuía. (*) Estação total Sokkia set5e;
3 Estações total Leica TCRM 1205 R1000; 2 Estações total Leica TCRM 1205 R400; 2 Estações total Leica TCRM 1205 R300; 2 Estações total Leica TCRM 1203 R1000; Estação total Leica TCR 805 POWER; Estação total Leica TCR 705 XR; Estação total Topcon GPT 7005; 3 GNSS Topcon RTK;
Nível óptico automático Leica.
Para além destes equipamentos, tínhamos acesso também a todo o tipo de acessórios e instrumentos de apoio, como
Bastões e prismas; Mini-Prismas;
Réguas, Fitas métricas; Tripés (Estação e Gps); Tripés de pinças;
Bases de ferro para marcos geodésicos;
Marcadores (Bil-grafes, Sprays e fita sinalizadora);
Pregos (normais, topográficos), estacas de madeira, martelos, marretas; Luvas, capacetes, coletes reflectores, botas de biqueira e palmilha de aço.
(*) Alguns equipamentos que a empresa utiliza não estão aqui referidos, a informação foi retirada do site da mesma. A empresa também utiliza de equipamentos alugados em situações permanentes de obra.
Capitulo II: Trabalho realizado
1. Obra de manutenção e construção e conservação de estradas, IP8-concessão Baixo Alentejo
A concessão rodoviária do Baixo Alentejo encontra-se adjudicada às ESTRADAS DA PLANÍCIE, sociedade que incorpora as competências de project finance, construção e exploração de infra-estruturas de um grupo qualificado de empresas.
A concessão tem como accionistas a EDIFER, a IRIDIUM, a DRAGADOS, a TECNOVIA e a CONDURIL.
A Viamapa, Lda. na qual fiz o estágio curricular, estava adjudicada à Edifer.
Foi um trabalho numa obra que estava apenas a começar, onde todo trabalho se resumiu à implantação de estacas de zonas para futura expropriação, passagens hidráulicas e zonas protegidas de ratos “cabrera”.
As estacas de expropriação haviam já sido implantadas, mas uma vez que a obra esteve parada foi necessária a sua verificação para que as equipas de Motosserristas pudessem desbastar a maior parte das árvores protegidas (Azinheiras, Sobreiros e Eucaliptos), para além de serem espécie muito propícias em Portugal, houve a necessidade de as contabilizar pois são árvores valiosas que demoram cerca de 30 anos a serem rentáveis.
Esta obra teve uma extensão de vinte quilómetros, em que nada estava desmatado e a maioria dos terrenos tinham vedações, o que não permitia uma fácil abordagem perante o terreno que encontrávamos. Nesta obra utilizou-se dois equipamentos, um receptor GNSS Topcon RTK e uma estação total Leica TCRM 1205 robótica.
De seguida, mostram-se algumas imagens das estacas implantadas em campo, bem como do trabalho em geral e uma breve descrição destes aspectos.
Estacas azuis
Eram usadas na marcação dos limites de expropriação da obra.
Estacas amarelas
Eram utilizadas na marcação de passagens hidráulicas.
Estacas brancas
Eram utilizadas na marcação das áreas protegidas dos ratos “cabrera”.
Embora este estágio estágio não tenha existido uma vertente de gabinete, eu mantive uma prática regular de trabalho em AutoCad.
Seguidamente, apresento uma imagem onde mostro em detalhe uma parte do trabalho implantação.
Imagem V – Estaca de limites de expropriação
Na imagem as zonas delimitadas com polígonos de cores verde, branca e vermelha, são a parte de todo o trabalho, a única que se destacou. Estas zonas foram delimitadas com estacas brancas pois são as áreas propícias para a ocorrência da espécie de ratos “cabrera”.
Estes ratos, são uma espécie protegida que habita em zonas húmidas, e para além de terem trazido um atraso na obra, foram parte de um grande estudo sobre a vegetação da zona. Como qualquer estudante de Topografia, nunca tinha visto um trabalho como este, onde a Topografia foi utilizada em protecção da natureza e da biodiversidade do país.
Neste trabalho foram utilizados dois equipamentos, uma estação total robotizada Leica TCRM 1205 e um receptor GNSS Topcon RTK. Destes equipamentos, a estação total robotizada não se enquadrou muito com o trabalho, visto que a vegetação era densa e mesmo a trabalhar autonomamente era problemática porque a vegetação fazia a estação total perder a localização do prisma, mesmo sendo ele um Prisma360º LEICA, era ideal para o trabalho com GPS.
O GNSS foi dos dois o que melhor se enquadrava neste tipo de trabalho, tendo porem encontrado alguns problemas derivados ao efeito multi-trajectodo sinal.
Estive presente neste trabalho durante cinco semanas, tendo ganho uma maior experiência em trabalho de campo, familiarizando-se assim às condições atmosféricas e à morfologia do terreno.
Imagem VII – Estação total Leica TCRM 1205
2. Execução de travessias e levantamentos clássicos no IP8 Ferreira do Alentejo-Beja
a. Levantamento de pormenor de um travessia e zona envolvente
Esta travessia fazia parte de um troço do traçado da obra do IP8, com uma diferença da obra anterior. Esta já estava construída e apenas se pretendia a actualização e manutenção da mesma.
Para a execução deste trabalho utilizamos uma estação total Leica TCRM 1205 robótica, foi um trabalho simples e rápido de executar, embora desse apenas um pouco mais de trabalho em gabinete dado que temos de utilizar os pontos em Z, a cota, e desenhar em duas dimensões apenas com afastamento e abcissa. Este ficou com a seguinte configuração depois de desenhado em gabinete. Segue em anexo uma proposta para o desenho deste trabalho.
Pela imagem anterior (Página7) conseguimos retirar que para fazer o levantamento ao pormenor de uma travessia, não temos apenas de nos limitar ao levantamento da travessia em si, mas também o levantamento da envolvente pedido pelo gabinete técnico da obra.
A travessia em si tem dois desenhos, um da lateral direita e outro da lateral esquerda como podemos averiguar pelas imagens seguintes.
Como podemos constatar, entre os pormenores da travessia, diferem alguns valores da lateral direita para a lateral esquerda o que nos ajuda a fazer os cálculos de profundidades e desníveis que serão precisos para a requalificação da estrada.
Como já referi anteriormente, segue em anexo (Anexo1), um exemplo do que poderá ser entregue no gabinete técnico da obra para serem efectuados os devidos cálculos. O exemplo que vou submeter em anexo não está em plena conformidade com o trabalho entregue pela empresa, pois este foi realizado pelo estagiário e pelo colegae de trabalho Tiago Guimarães.
b. Levantamento clássico de zona de vegetação densa e com variações de relevo
O levantamento clássico é uma terminologia utilizada entre os entendidos da Topografia, ou seja, consiste apenas num normal levantamento topográfico como aprendido em aulas, mas é uma maneira de diferenciar este de outros levantamentos.
O levantamento que executamos, teve como equipamento de apoio uma estação total Leica TCRM 1205 robótica e foi realizado efectivamente na mesma zona da travessia.
A única dificuldade era a existência de uma vasta área de olival, o que nos levou a um maior trabalho pois nem sempre havia inter-visibilidade entre a estação total e o prisma.
Este levantamento teve a mesma finalidade que o anterior, entregar ao gabinete técnico da obra, tendo em conta que existiam algumas dúvidas acerca das características do terreno que podiam diferenciar das áreas envolventes. Este trabalho tem também evidenciado no desenho uma travessia, que já havia sido desenhada e entregue em gabinete. Um dos aspectos para o qual este trabalho foi necessário, foi que havia uma valeta em terra, que sazonalmente, em épocas de chuvas poderia o seu caudal ser em excesso e por isso também podia precisar de algum tipo de intervenção.
Segue em anexo
(Anexo2) uma proposta para o desenho deste trabalho.
Esta obra consistiu no levantamento topográfico de condutas adutoras de águas para que os reservatórios existentes fossem posteriormente restaurados, e ou aumentados e depois prosseguir á unificação da conduta par que a rede ficasse mais consistente e sólida o que iria permitir uma maior qualidade no abastecimento de água.
Para este trabalho utilizamos apenas um receptor GNSS Topcon Hiper RTK Hiper+. Este trabalho foi simples pois tinha um único objectivo que era efectuar levantamento dos caminhos de terra batida por onde havia passado a conduta e também fazer o levantamento de uma faixa de terreno entre 2 a 3 metros, laterais aos caminhos, para que fosse assim mais facilitado o trabalho em gabinete para desenhar o traçado e calcular os desníveis entre os reservatórios de água.
O estagiário realizou o desenho do levantamento para corrigir, em conjunto com o seu supervisor em campo, algumas falhas, eventualmente alguns pontos sobrepostos e/ou em falta.
Procedimentos para efectuar o desenho do traçado:
Após levantamento extraíamos o ficheiro de pontos do equipamento, que vinha em ficheiro .*txt , onde utilizavamos alguns dos seguintes códigos em campo segundo as normas da empresa, estes códigos eram apontados numa caderneta. Segue em anexo (Anexo3) um exemplo da mesma.
MPS – Muro de pedra solta M - Muro
CAMTERRA – Caminho de terra BET – Pavimento a betuminoso CUBO – Pavimento a cubo CT - Cota VED - Vedação PI – Poste de iluminação PTLF – Poste telefónico ARV - Árvore L – Lancil
CX SAN – Caixa de saneamento CX EDP – Caixa EDP
Seguidamente à extracção dos pontos do equipamento, procedemos à importação dos ficheiros para o software AutoCad CIVIL 3D bem como à formatação dos pontos para uma maior facilidade no trabalho, ou seja, modificar a forma, cor e as escalas dos pontos de maneira a facilitar o trabalho.
Imagem XIII – Exemplo de ficheiro de pontos extraídos do aparelho
Os pontos foram importados correctamente já com as devidas formatações nos mesmos, e após isto procedemos à execução do desenho. Que ficou como apresento a seguir.
Imagem XV – Pontos sem formatação
Imagem XVI – Pontos já devidamente formatados
4. Levantamento Topográfico telas finais de condutas de água – Barcelos
Esta obra estava a cargo da empresa “Águas de Barcelos”, para a qual efectuamos o levantamento para telas finais da rede de águas que havia sido executada e concluída entre 2007 e 2009. Ocorreu na aldeia de Remelhe, concelho de Barcelos.
O levantamento para este fim, teve alguns aspectos básicos a levantar, em que apenas só tinha interesse o levantamento dos seguintes elementos:
Válvulas redutoras de pressão (VRP);
Válvulas de corte individuais para ramais de habitações e bocas-de-incêndio;
Ramais junto às habitações, ou caixas de contadores de água já existentes nos muros das habitações;
Bocas-de-incêndio; Nós entre condutas;
Este trabalho foi realizado com apoio de cartografia digital da área (Sem escala, apenas para localização), ortofotomapas (Sem escala, apenas para localização), Rede de pontos de apoio da Câmara Municipal de Barcelos e respectivas fichas identificativas que se baseavam também na cartografia digital. Em anexo seguem os exemplos da cartografia digital utilizada (Anexo4), das fichas identificativas da rede de pontos de apoio (Anexo5) e também extractos dos ortofotomapas com o desenho da rede a levantar (Anexo6).
Este trabalho foi de fácil execução pois as marcas da obra ainda estavam visíveis, embora em caminhos de terra tenha sido difícil identificar o
local onde passava a conduta e as válvulas que haviam sido deixadas mais abaixo do pavimento para que futuramente se passasse á repavimentação com cubo, ou outro material com asfalto. Este aspecto levou-nos a utilizar em campo ferramentas que nunca haviam sido utilizadas, como o detector de metais e algumas alfaias para escavar
superficialmente o terreno. Imagem XVIII – Detector de
Para este trabalho utilizamos um conjunto de equipamentos como: Estação total Leica TCR 805;
Receptor GLONASS Leica que comunica com a RENEP via GSM e com apoio da Rede Nacional de Estações Permanentes;
Detector de metais;
Equipamentos de apoio em campo.
Apresento seguidamente um conjunto de imagens que caracterizam esta obra.
Imagem XIX – Válvula Redutora de Pressão VRP
Imagem XXI – Válvula de corte para bocas-de-incêndio
Imagem XX – Boca-de-incêndio
Imagem XXII – Válvula de
corte de ramal água, saída para habitação s/ Imagem XXIII – Ramal e tratamento
Imagem XXV – Válvula de nó entre condutas
Imagem XXIV – Ramal após tratamento. Já em utilização por habitação
A georreferênciação deste trabalho foi realizada através das marcas de bronze da Câmara Municipal de Barcelos coordenadas localmente em altimetria e planimetria, tendo em conta que a maior parte do trabalho foi executada com GNSS, só precisamos efectivamente de um sítio para estacionar pois o GNSS teve sinal suficiente para toda a área do trabalho.
Como as marcas de bronze da câmara estão localizadas normalmente em topo de muros, para evitar uma maior degradação, estacionámos o receptor GNSS com a base de ferro e seguidamente escolhemos alguns pontos que nos fossem mais úteis para o trabalho.
Em anexo (Anexo5) segue um exemplo das fichas de apoio das marcas de bronze da câmara municipal de Barcelos.
Imagem XXVI – Marca de bronze georreferenciada
5. Levantamento de redes de esgotos, fossas sépticas, estações elevatórias e ETAR’s – Belmonte
O próximo trabalho faz referência ao levantamento de uma rede de esgotos existente que se apoiava em ETAR’s, EEAR’s e fossas sépticas.
O objectivo era executar a requalificação da rede de saneamento e aguas residuais, e ou construção/requalificação de ETAR’s e EEAR’s para uma melhor funcionalidade da mesma rede.
Tudo isto levou-nos a um trabalho ao qual o estagiário ainda não tinha presenciado que era ao cadastro integral das caixas de saneamento, e também a uma parte perigosa da Topografia. O estagiário teve de andar sobre ruínas de uma antiga e degrada ETAR que estava a despejar resíduos a céu aberto o que se torna perigosa para a saúde e bem-estar.
Neste trabalho utilizamos um receptor GNSS Topcon RTK Hiper +, o que se tornou bastante funcional tendo em conta que estavamos a trabalhar no meio de localidades com pouca densidade populacional, e mais uma vez, o ponto mais importante do trabalho eram as cotas dos locais por onde passavam as condutas e o cadastro das caixas pedido pelo gabinete técnico.
O cadastro das caixas era efectuado, quando possível com o receptor GNSS onde tirávamos um ponto no fundo da caixa, e na soleira dos tubos de entrada e saída existentes. No caso da profundidade da caixa ultrapassar a altura máxima a que o equipamento poderá funcionar, utilizávamos uma fita métrica com um peso de ferro na ponta e uma régua extensível até 5 metros.
Para cadastrar as caixas, utilizávamos uns impressos predefinidos pela empresa para este meio. Era essencial saber se a caixa estava assoreada ou não, se estava cheia, o numero de tubos existentes e seus diâmetros, e a profundidade da mesma.
Imagem XXX – Fundo de caixa assoreada e cheira de água residual
Imagem XXXI – Bruno Marcos, colega da empresa a catalogar e fotografar a caixa já cadastrada
Os trabalhos de georreferênciação eram um simples processo de marcação de pontos de apoio no terreno, georreferenciados com apoio na Rede Geodésica Nacional.
Estes pontos tinham como função permitir que uma outra equipa da empresa que fosse para o terreno com estação total, pudesse realizar outros trabalhos já georreferenciados de acordo com estes pontos de apoio marcados.
Os marcos geodésicos existiam com uma visível degradação e alguns deles com difícil acesso. Para simplificar estes problemas, utilizávamos o site do Instituto Geográfico Português, onde podíamos encontrar a ficha de apoio que vemos na imagem seguinte.
Nesta ficha tínhamos acesso às coordenadas dos marcos, à sua caracterização e também a uma fotografia e um extracto da cartografia digital da sua localização. Isto facilitava o trabalho pois são informações bastante úteis.
Apresento agora algumas fotografias tiradas nos marcos, bem como a implantação de pontos estação no terreno.
Imagem XXXIV – Estagiário a estacionar equipamento num marco
geodésico
Imagem XXXIII – Bruno Marcos, topografo da empresa a inserir as coordenadas no instrumento para proceder à marcação dos
pontos estação
Imagem XXXV – Ponto estação marcado com prego e carica.
Sinalizado com spray
Imagem XXXVI – Tripé estacionado sobre ponto de apoio marcado com prego topográfico e
Durante o estágio utilizei alguns equipamentos das marcas Leica e Topcon.
Seguidamente apresento algumas descrições dos equipamentos utilizados acompanhados de uma fotografia para melhor os caracterizar.
1. GNSS Topcon RTK Hiper +
Este equipamento é um equipamento GNSS de posicionamento em tempo real que aceita a utilização das duas constelações (GPS e
GLONASS) em simultâneo. Foi um
equipamento que facilmente aprendeu a utilizar, tendo em conta que já tinha utilizado um similar durante o curso, na cadeira de Sistemas Globais de Posicionamento Globais. É um equipamento que raramente trás problemas e onde podemos operar sempre só com uma pessoa na equipa. Isto trás um pouco de vantagem em relação às estações totais, tem mais rendimento de trabalho, mas torna-se inutilizável em algumas zonas. Por exemplo, em zonas de florestas e no centro de cidades com altos edifícios, etc.
Imagem XXXVII – GPS Topcon RTK Hiper +
2. Estação total Leica TCRM1205 (Robótica)
Esta estação total com que trabalhou foi das melhores e mais complexas que alguma vez vi. Com esta estação usavamos um prisma 360º Leica que permitia trabalhar com ela autonomamente, em que apenas uma pessoa podia fazer o trabalho de topógrafo e porta-miras ao mesmo tempo. O estagiário teve alguma dificuldade ao trabalhar com ela, foi a primeira Leica que utilizou e demorou alguns dias até se adaptar a trabalhar com a estação total na perfeição. Esta estação total dava no entanto para trabalhar das duas maneiras, robóticamente ou não, com porta miras.
3. Estação total Leica TCR805
A estação que vou falar, foi a última a ser utilizada por mim e já foi um pouco mais intuitiva de utilizar pois já não era a primeira interacção com a marca Leica. Esta estação é uma estação um pouco antiga, ainda não tem um software recente nem, usa um teclado alfanumérico e ainda usa um pequeno ecrã o que nos leva a perder algum interesse pela estação. Tirando os pormenores da tecnologia já ultrapassada, não deixa no entanto de ser uma estação total funcional e bastante simples para o uso diário.
Imagem XXXVIII – Estação Total Leica TCRM 1205
(Robótica)
Imagem XXXIX – Estação Total Leica TCR 805
Utilizei vários acessórios de apoio a estes equipamentos, vou fazer aqui uma pequena listagem, seguida de algumas fotografias:
Bastões e prismas; Mini-Prismas;
Réguas, Fitas métricas; Tripés (Estação e GPS); Tripés de pinças;
Bases de ferro para marcos geodésicos e marcas de bronze; Detector de Metais;
Marcadores (Bill-grafes, Sprays e fita sinalizadora);
Pregos (normais, topográficos), estacas de madeira, martelos, marretas; Luvas, capacete, colete reflector, bota de biqueira e palmilha de aço.
Imagem XLI – Receptor GNSS estacionado em base de Ferro para
marcos
Imagem XL – Mini-Prisma
Imagem XLII – Marcador Bill-grafe
Imagem XLIII – Prisma 360º Leica
Imagem XLIV – Tripé de madeira Leica
Imagem XLV – Régua de 5metros para cadastro de caixas de águas/saneamento
Imagem XLVI – Marcações com Bil-grafe
No decorrer do estágio curricular, ocorreram diversas alterações entre os níveis de dificuldade dos trabalhos, diferenças essas que foram ultrapassadas com apoio da empresa e dos colegas de trabalho.
No aspecto da adaptação à empresa, ao árduo trabalho e à dura vida de topógrafo, o estagiário conseguiu transparecer uma grande adaptação às mesmas. Para tal, houve algum companheirismo entre colegas de trabalho que ajudou em grande parte a esta súbita mudança de hábitos e à eficaz tarefa de conclusão do estágio.
O estágio foi em pleno a melhor disciplina do curso, tendo por si só completado toda a formação e levou a uma maior aprendizagem ao forçar o estagiário a por em prática um vasto leque de matérias teóricas e práticas aprendidas a nível académico.
A diversidade de trabalhos efectuados e a sua competência nas diversas áreas ajudou em muito ao estagiário para obter uma maior força e interesse para a realização do estágio, bem como para aprender a ter uma maior visão sobre a Topografia em si.
Numa visão geral, o estágio foi uma prova de conhecimentos. Este estágio oscilou entre levantamentos e trabalhos em obra o que levou a uma super aprendizagem e adaptação ao mundo do trabalho e as características bem presentes na Topografia.
Bibliografia
Sites da internet:
WWW.VIAMAPA.PT
WWW.IGEO.PT
RTK-Real Time Kinematic
GNSS-Global Navigation Satellite System ETAR-Estação de tratamento de águas residuais EEAR-Estação elevatória de águas residuais ReNEP-Rede Nacional de Estações Permanentes
ANEXO 1
PORMENOR DE LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO DE TRAVESSIA
ANEXO 2
LEVANTAMENTO CLÁSSICO
ANEXO 3
CADER NETAS DE APOIO A LEVANTAMENTO DE CAMPO
ANEXO 4
CARTOGRAFIA DIGITAL BARCELOS (EXTRACTO)
ANEXO 5
FICHAS DA REDE DE PONTOS DE APOIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE BARCELOS
ANEXO 6
Anexo 1
PORMENOR DE
Anexo 2
Anexo 3
CADERNETAS DE APOIO A
LEVANTAMENTO DE CAMPO
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CARTOGRAFIA DIGITAL BARCELOS
(EXTRACTO)
Luís Filipe Salgado Alves