1 Discurso de Tomada de Posse como Diretor da FMUP
Magnífico Reitor da Universidade do Porto e restante Equipa Reitoral Excelentíssimos Membros do Conselho Geral da Universidade do Porto
Excelentíssimos Membros do Conselho de Representantes da Faculdade de Medicina Digníssimos Diretores das Unidades Orgânicas da Universidade do Porto
Cara Professora Amélia Ferreira, diretora cessante da Faculdade de Medicina e restantes membros do seu Conselho Executivo
Caros Colegas do atual Conselho Executivo da Faculdade de Medicina
Caros Colegas, Técnicos e Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Caríssimos Professores Aposentados, Jubilados ou Eméritos e Alumni
Ilustres convidados e representantes de outros Países, Universidades, Institutos Politécnicos, Escolas de Enfermagem, Hospitais Afiliados e outras Instituições de Saúde, Centros de Investigação, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Ordens Profissionais, Autarquias, Fundações e Associações
Muito estimados Amigos e Familiares presentes Minhas Senhoras e meus Senhores,
Muito bom dia a Todos.
O sentimento de honra que hoje sinto por estar aqui, na vossa presença, só é ultrapassado pelo sentimento de gratidão que tenho por muitos de vós que, ao terem-me acompanhado ao longo de tantos anos e partilhado comigo tantas alegrias e vicissitudes, me deram, com os vossos ensinamentos ou críticas, com a vossa paciência e tolerância, com o vosso apoio ou desafios, tudo aquilo que de melhor terei agora para retribuir e oferecer à Faculdade de Medicina, como seu novo diretor nos próximos quatro anos.
Assim, nesta ocasião tão especial para mim, quero agradecer à minha Família, aos meus avós, aos meus pais Maria Alice e Altamiro, ao meu irmão Paulo Alexandre, à minha ama Laura, à minha mulher Isabel, ao meu filho Miguel, aos meus sobrinhos João, Isabel, Luís e Diogo, bem
2 como a todos os meus Amigos. Quero a todos agradecer por, através do seu amor e mútuo respeito, me terem tornado em quem hoje sou.
Não posso também deixar de aqui recordar e agradecer a todos os meus Mestres, em particular ao primeiro, Joaquim Costa Maia, bem como aos meus Colegas da Faculdade de Medicina que me foram ensinando importantes saberes e atitudes adequadas, não esquecendo ainda todos aqueles que pelos escolhos, dificuldades e desafios que me foram colocando, me fizeram aprender melhor os valores da perseverança, flexibilidade, sagacidade e tenacidade, valores estes que são imprescindíveis a todos os que querem fazer obra útil e digna em terrenos pouco lavrados ou solos com pouca água. De qualquer forma, foi sempre essa a lição primordial de quem nos antecedeu, seja na construção e direção da Faculdade de Medicina, seja na construção desta nobre, mas igualmente improvável, nação portuguesa. Na verdade, a resiliência e a iniciativa foram sempre qualidades que não faltaram aos nossos melhores líderes. Por isso, os quero ter como exemplo, pesem embora as minhas numerosas limitações pessoais.
Não posso igualmente deixar de agradecer a todos aqueles que estão presentes nesta cerimónia, bem como a todos os outros que também desejariam estar, mas por razões várias não estão, nesta ocasião tão especial para a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Na verdade, a vossa presença, física ou em espírito, expressa claramente o respeito e a consideração que têm, não necessariamente por mim, enquanto pessoa, mas certamente pela Faculdade de Medicina do Porto, cuja origem antecede por um mês a da própria Universidade e que deu à nossa Cidade, ao nosso País e ao Mundo, personalidades e obras tão diversas e distintas como as de Júlio Dinis, escritor, Ricardo Jorge, higienista e reformador dos estudos médicos, Plácido da Costa, inventor de instrumentos de oftalmologia e fisiologia, Abel Salazar, investigador e artista plástico, Amândio Tavares, Reitor e visionário do desenvolvimento do polo da Asprela, Hernâni Monteiro, impulsionador da construção do Hospital Escolar de S. João ou, mais recentemente, Daniel Serrão, Walter Osswald, Nuno Grande e Pinto Machado, humanistas, pedagogos e intervenientes sociais e políticos, Fernandes da Fonseca, Araújo-Teixeira e Norberto Teixeira-Santos, clínicos, ou Paula-Barbosa e Sobrinho Simões, investigadores biomédicos, entre muitos outros professores da Faculdade e ainda alunos célebres, como Camilo Castelo Branco, escritor, Leite de Vasconcelos, pai da etnografia portuguesa, ou Jaime Cortesão, escritor e político.
Neste contexto, e tomando como exemplo tantas figuras inspiradoras quero, muito humildemente, procurar igualmente contribuir, como seu 37º diretor, para o
3 desenvolvimento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e dos estudantes por ela formados.
Magnífico Reitor da Universidade do Porto e restante Equipa Reitoral,
A gestão da Faculdade de Medicina que hoje inicio não será o mando de um para favorecer uns poucos, mas antes o produto das ideias e obra de muitos para benefício de todos!
De igual modo, o conhecimento da real situação pedagógica, científica ou financeira da Faculdade não será privilégio de alguns para o domínio de muitos, mas antes um desejável instrumento para uma gestão transparente e equitativa que ajude a fundamentar as decisões tomadas, de modo a que elas possam beneficiar a Faculdade como um todo!
Como sabe, recebo uma Faculdade com um corpo docente envelhecido e maioritariamente desanimado, arredado que tem sido da progressão nas suas carreiras e afastado que tem estado, há quase duas décadas, do governo da Faculdade que se quer agora, mais participado. No final deste mandato, espero devolver à Universidade uma Faculdade com renovada energia, rejuvenescida e, sobretudo, capaz de ter iniciativa própria – ao invés de apenas reagir, e timoratamente, às adversidades que lhe vão surgindo. Uma Faculdade capaz de proporcionar aos seus estudantes, vivências enriquecedoras – do ponto de vista pedagógico, científico, clínico e cívico – de modo a permitir-lhes enfrentar melhor os desafios com que se irão defrontar nas suas vidas profissionais, com a proficiência e o brio próprio de uma autoestima consciente, mas reservada.
Quero, pois, Magnífico Reitor, ajudar a melhorar a Faculdade. E o seu modo de funcionamento.
E, sendo-lhe leal e em consonância com as prioridades que vier a definir para a Universidade, quero também que me ajude a fazer as transformações que se impõem para o desejado desenvolvimento da Faculdade de Medicina.
Excelentíssimos Membros do Conselho Geral da Universidade do Porto,
Como já tive ocasião de vos dizer, saio do Conselho Geral com muita pena de nele não poder continuar. Na verdade, os quase já cinco anos em que nele permaneci são uma inesquecível memória de uma fecunda e grata aprendizagem.
4 E a experiência que dele retenho é a de um espaço de debate aberto, em liberdade e mútuo respeito, entre Docentes, Discentes, Técnicos e elementos da Comunidade. E retenho ainda a certeza de o Conselho Geral ser um espaço imprescindível de representatividade democrática da Universidade, capaz tanto de apoiar e fortalecer o trabalho do Reitor como de monitorizar e avaliar a sua ação.
Nestas minhas novas funções espero, contudo, ter muitas outras ocasiões de continuar a trabalhar convosco, seja com o Conselho num todo, seja no âmbito das suas Comissões Permanentes, designadamente a da Terceira Missão. De facto, tendo participado na sua criação, acredito que esta comissão poderá vir a trazer benefícios significativos à Universidade e à sociedade em geral, fruto não só do trabalho dos seus membros como do crucial empenho do seu coordenador, o Doutor Santos Silva, pessoa que muito respeito e cujas qualidades de liderança e experiência pessoal, foram já bem demonstradas na forma como tem vindo a presidir ao Conselho Geral.
Excelentíssimos Membros do Conselho de Representantes da Faculdade de Medicina,
Ao me elegerem no passado dia 4 de outubro, com todos os direitos e deveres inerentes ao cargo de Diretor da Faculdade, deram-me sobretudo o privilégio da vossa confiança. Nos próximos 4 anos, espero não só poder vir a mantê-la como, idealmente, vir a merecê-la ainda mais. E com o poder que me atribuíram, deram-me igualmente uma enorme responsabilidade de que espero também poder ser digno.
Se, no final do Mandato, a maioria da comunidade académica da FMUP se sentir então mais participativa, mais recompensada pelo que faz, mais feliz com os resultados alcançados e, sobretudo, mais identificada, ou mesmo mais orgulhosa da instituição onde trabalha, creio que terei, ou melhor, teremos (pois a gestão da Faculdade é um trabalho em equipa), teremos sido bem-sucedidos. Se não, então será melhor que o Conselho reconsidere o seu apoio e outros nos venham substituir, de modo a levarem mais longe a Faculdade de Medicina. Mas, se conseguirmos ser bem-sucedidos, será, com toda a certeza, porque os que aqui agora estão e os muitos outros que aqui não puderam estar deram o seu melhor contributo. Porque a Faculdade é uma construção que se vai fazendo por todos os que nela trabalham, desde aqueles que a mantêm limpa e organizada aos que nela ensinam ou investigam.
5 Apenas para vos dizer que me sinto muito feliz por poder vir a estar na vossa companhia nas reuniões que iremos partilhar com o Senhor Reitor e, desejando desde já que a vossa paciência e boa vontade possa acompanhar as dificuldades que surgirão naturalmente no decorrer das negociações para a distribuição do próximo orçamento de estado pelas diversas unidades orgânicas da UP, quero também dizer-vos que poderão contar sempre comigo para a promoção de uma saudável e desejável colaboração interinstitucional, baseada no interesse e respeito mútuos. E uma muito especial ao recém-eleito diretor do ICBAS, Henrique Cyrne de Carvalho com quem espero vir a trabalhar intensamente numa cada vez maior aproximação e colaboração institucional, a bem do ensino e da investigação em Medicina.
Cara Professora Amélia Ferreira, diretora cessante da Faculdade de Medicina e restantes membros do seu Conselho Executivo,
Desejo apenas aqui reconhecer, e de modo inequívoco, aquilo que considero serem os três aspetos principais do legado relativo ao mandato que hoje terminou.
Em primeiro lugar, o aspeto da primazia dos interesses dos estudantes sobre os demais interesses da Faculdade. Embora sem paternalismos desadequados à desejável maturação e autonomia dos nossos estudantes, espero continuar a prosseguir um caminho que dê, cada vez mais, a prioridade da qualidade de ensino a quem nos procura. Neste âmbito, terá uma particular relevância a avaliação da recente reforma curricular de modo a poder vir a corrigir situações que estejam a correr menos bem. Na verdade, bem mais que da implementação de grandes reformas sou adepto da criação de mecanismos de monitorização da qualidade do ensino, pré e pós-graduado, de forma a permitir fazer, regular e sistematicamente, intervenções corretivas ou inovadoras.
Seguidamente, a primazia da qualidade do corpo docente da Faculdade, espelhado nos exigentes critérios pedagógicos, científicos e profissionais definidos para a contratação e avaliação do seu desempenho. Atendendo às naturais especificidades de cada ciclo de estudos e ao grau relativo de produção científica das unidades e dos departamentos da Faculdade, espero continuar a pugnar por critérios rigorosos e transparentes, que assegurem os mais elevados padrões de qualidade e de ética nos docentes e investigadores da FMUP. Por último, a tentativa de reorganização interna, através da criação de oito novos departamentos a partir da reformulação dos já existentes, num processo de redução tanto do seu número como da autonomia e identidade das unidades ou serviços neles incluídos. Se sou
6 um fervoroso adepto dos esperados benefícios provenientes do aumento da eficiência da gestão – com a concomitante diminuição de redundâncias e de desperdícios – não serei menos adepto de pugnar pela identidade e autonomia das unidades ou serviços, cuja história e especificidades não deveremos menorizar nunca, sob pena de diminuirmos a riqueza e a diversidade, científica e pedagógica, própria da Universidade.
Assim, se em relação a qualquer um destes três aspetos reconheço o mérito da ação reformadora da Professora Amélia Ferreira, haverá também muito ainda a fazer e a melhorar, de modo a garantir uma agenda sustentável de desenvolvimento da Faculdade, onde a sua comunidade académica nela se identifique e nela participe, com entusiasmo.
Caros Colegas do atual Conselho Executivo da Faculdade de Medicina,
Em primeiro lugar, quero agradecer-vos, ao Francisco, ao Gerardo, à Lia e ao Armando, a disponibilidade que, desde o primeiro momento, manifestaram em me acompanhar nesta difícil missão de servir a Faculdade nos próximos quatro anos.
Na verdade, se durante o primeiro ano muito teremos que fazer em termos de levantamento de dados relativos às ambições dos nossos docentes, técnicos e estudantes, relativos aos espaços a renovar, a transformar ou a vivificar, ou relativos aos atuais recursos humanos e financeiros da Faculdade, nos anos seguintes muito mais teremos que fazer se quisermos delinear planos de ação e implementar medidas concretas e viáveis, à luz dos diversos constrangimentos financeiros e organizacionais, com que nos iremos entretanto deparar. Do vosso empenho pessoal e voluntário – pois que não irão nem ganhar mais nem ter diminuições significativas das vossas tarefas e funções atuais – muito dependerá o sucesso deste Mandato.
Caros Docentes e Técnicos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto,
Apenas umas brevíssimas palavras. De vós espero tudo e a vós irão retornar todos os sucessos que venham a ser conseguidos pela Faculdade de Medicina, pois a Faculdade é para muitos de vós a sua principal Casa e mesmo para aqueles que o não é, a Faculdade é certamente a instituição que vos dá um gosto profissional acrescido, já que não é de certeza a pouca compensação económica que dela auferem que justificará o vosso empenho académico ou a vossa permanência na instituição.
7 Se temos por objetivo pautar-nos para que trabalhar na Faculdade seja motivador e até motivo de orgulho, a verdade é que também contamos com o contributo de todos no sentido de proporcionar uma melhoria contínua desta nossa Instituição, saudando uma participação ativa e interessada dos diferentes membros desta Casa.
Àqueles que, desde 1995, partilharam comigo esta aventura de criar novas áreas de saber, e de dar novos destinos pedagógicos e científicos à Faculdade, que comigo partilharam tantas derrotas e vitórias, ao longo de mais de duas décadas, aos meus colaboradores do SBIM, do CIDES e agora do MEDCIDS, quero deixar-vos a minha gratidão pelo vosso empenhado trabalho e a admiração pela qualidade académica que conseguiram alcançar. Mas lembrem-se que esta lembrem-será apenas mais uma missão que tal como todas as outras do passado, é igualmente transitória.
Finalmente, uma menção muito especial ao Bernardes, à Dulce e ao José Castro Lopes por me aturarem ao longo de tantos anos, seja nos meus momentos de maior alegria e entusiasmo, seja nos outros, de desânimo, de contrariedades ou mesmo de arrependimento, que não raras vezes se sucedem num desenrolar próprio da vida.
Caros Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e seus representantes da AEFMUP,
Se é certo que o futuro vos irá trazer desafios, talvez mais difíceis e preocupantes do que alguma vez a minha geração enfrentou – tais como a falta ou a precariedade de emprego, a perspetiva de menores salários ou mesmo a relativa falta de condições para exercerem o vosso trabalho digna e eficientemente – também não será menos verdade que talvez nunca o futuro se tenha apresentado a alguma geração mais cheio de novas e excitantes oportunidades, fruto tanto da melhoria do acesso ao conhecimento e à tecnologia, como à globalização dos mercados de trabalho.
Por isso, não haverá de ter medo de o enfrentar, mas antes deverão procurar sedimentar o que já conseguiram alcançar e continuarem a procurar – com rigor, disciplina e sacrifício pessoal quanto baste – tudo aquilo que necessitem para a consolidação do vosso percurso profissional e humano, com a certeza de que poderão vir a seguir caminhos muito diversificados face ao que se considera mais habitual. Mas, mesmo numa sociedade em rápida mudança, valores como o do compromisso com uma causa, como o da honestidade intelectual e o da amizade duradoura, continuarão sempre em alta, pois eles sempre foram o
8 alicerce de qualquer sociedade. Por isso não os esqueçam, tanto durante a vossa formação académica como nas vossas futuras profissões.
Pessoalmente, tudo farei para que os diversos corpos constitutivos da Faculdade, a saber o seu corpo Docente, o seu Corpo Técnico e o seu corpo Discente, se possam vir a unir num só corpo identitário, constituindo e integrando assim, uma verdadeira comunidade académica, tal qual Alma Mater, da Medicina.
E ainda um agradecimento também muito especial às Tunas de Medicina e ao Grupo de Fados, por se associarem a esta cerimónia, tão cheia de significado para a Faculdade, e demostrarem uma vez mais, com a sua presença e atuações, a tão fecunda interação da Arte com Medicina.
Caríssimos Professores Aposentados, Jubilados ou Eméritos e Alumni,
Em primeiro lugar, muito obrigado por não se terem esquecido da Vossa Faculdade de Medicina. Na medida da disponibilidade e das possibilidades de cada um de vós, a Faculdade continua a precisar da vossa ajuda. Pessoalmente, estarei sempre muito grato tanto pela vossa colaboração em futuros projetos como pela vossa participação passada no desenvolvimento da Faculdade que nos legaram.
Ilustres convidados e representantes de outros Países, Universidades, Institutos Politécnicos, Escolas de Enfermagem, Hospitais Afiliados e outras Instituições de Saúde, Centros de Investigação, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Ordens Profissionais, Autarquias, Fundações e Associações,
Quero afirmar-vos, de modo muito claro, que a Faculdade tem bem consciência da real mais valia que para ela representam todas as instituições e entidades com quem tem trabalhado e espera continuar a trabalhar, se possível ainda em maior sintonia ou renovada sinergia. Começando pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, como instituição irmã na Universidade do Porto e pelo Centro Hospitalar de S. João, mas incluindo, obviamente, todos os outros hospitais e centros de saúde com ela afiliados, unidades de investigação, como o I3S, o CINTESIS, a UnIC e o ISPUP, entre muitas outras unidades de I&D, nacionais e internacionais, a indústria farmacêutica, a da biotecnologia e a digital, para além de muitas outras entidades públicas e privadas das áreas da Saúde, da Ciência ou da Cultura. Ou seja, sozinha, fechada em si mesma, a FMUP servirá para muito menos à Sociedade do que poderá
9 servir articulada em parcerias institucionais. Ou seja, para Ser Mais a FMUP tem de procurar Ser Melhor e mais articulada com os diferentes atores da sociedade onde se insere.
Na verdade, permitam-me, a propósito de um tema candente e mediático, lembrar aqui que, em 1925, aquando das comemorações do Centenário da Real Escola de Cirurgia do Porto, Alfredo Magalhães, então diretor da Faculdade de Medicina do Porto e reconhecendo o abandono da assistência materno-infantil na sua cidade e no norte do País, inicia um movimento que, por subscrição pública e após alguns apoios governamentais, acabou por dar origem à Maternidade de Júlio Dinis, inaugurada em 1939, cerca de 14 anos após a sua iniciativa pioneira. E, como sabemos todos, a história vai-se repetindo, embora de modos diferentes e com distintos atores, e agora temos aí o Joãozinho que desespera por um final igualmente feliz!
Muito estimados Amigos e Familiares presentes,
O tempo deste discurso já vai longo, mas não posso esgotá-lo sem vos dizer que na ausência da vossa constante e inabalável amizade, nunca teria podido sobreviver às provações próprias duma carreira académica. E, para o conseguir, tive de sacrificar muitos momentos que poderiam ter sido bem mais agradáveis na vossa companhia, sobretudo na do meu querido filho Miguel, dos meus adoráveis sobrinhos ou da minha, muito amada, Isabel, e sua mãe, Margarida.
Caros Colegas, minhas Senhoras e meus Senhores,
Como creio que terão depreendido das minhas anteriores palavras, a concretização dos objetivos que traçamos para os próximos quatro anos de gestão da Faculdade de Medicina irá ser uma tarefa imensa que só poderá ser realizada através a participação empenhada de toda a Comunidade Académica da FMUP. Para realizar tal tarefa, não bastará o empenho do seu novo Diretor, mesmo que bem acompanhado pelos outros quatro docentes do seu Conselho Executivo pois, face à complexidade da tarefa e às inúmeras barreiras internas e externas que encontraremos – falo de constrangimentos organizacionais, financeiros ou mesmo políticos – não seremos suficientes para esta concretização, pois necessitaremos da colaboração de todos.
Mas, não sendo uma tarefa fácil, o Mudar para melhor a Faculdade, também não será um desígnio impossível de alcançar. Sobretudo, se utilizarmos o modelo de gestão participada
10 que, na minha candidatura a diretor, designei por DAR: D de Descentralizar, A de Articular e R de Responsabilizar. E, como todos sabemos, os maiores desafios são também aqueles que acabam por mais nos inspirar.
Por isso apelo, aqui e desde já, à Comunidade Académica global da FMUP, para que dê uma contribuição muita ativa e que, dos professores catedráticos aos mais caloiros dos seus estudantes, e passando, obviamente, pelos técnicos, todos se sintam motivados para tentar continuar a fazer da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto o que sempre foi, uma grande Escola Médica!
Muito obrigado uma vez mais a todos.
Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, 14 de novembro de 2018 Altamiro da Costa-Pereira