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ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA BRASILEIRA

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ENSINO RELIGIOSO NA

ESCOLA BRASILEIRA

Prof. Elcio Cecchetti (SED/SC)

[email protected]

1

(2)

Distinção conceitual

Ensino da Religião: prática específica de

evangelização, catequização ou doutrinação em espaços formais ou informais.

Ensino Religioso: prática sistemática de instrução

religiosa nos estabelecimentos de ensino, com o caráter de ‘disciplina escolar’.

Ensino leigo: práticas educativas pautadas na

liberdade de consciência e no caráter “público” da escola.

Ensino Religioso: componente curricular responsável por

assegurar o respeito à diversidade religiosa, sem proselitismo.

(3)

O Ensino da Religião

Os reis de Portugal buscaram estabelecer na colônia

brasileira um Estado Católico;

O ‘Estado’ assumiu um caráter eminentemente

confessional;

No contexto do século XVI, ao rei cabia zelar pela

vivência e execução dos valores religiosos; administrar os dízimos; sustentar os clérigos; garantir os estatutos jurídicos das ordens religiosas, etc. (Paiva, 2004).

Regime do padroado.

(4)

O Ensino da Religião

A Religião (Igreja Católica) não estava à parte, mas

amalgamada à tessitura do todo social;

O religioso estava profundamente incorporado ao

poder político, cabendo àquele evangelizar e doutrinar, especialmente aos (ainda) não cristãos;

Tanto o rei como o clero eram responsáveis pela

instrução popular: colégios foram instalados para conjugar o indissociável ensino da fé e das letras.

Era impensável a educação não ser religiosa!

(5)

O Ensino da Religião

Coube às ordens religiosas, como a jesuíta e a

franciscana, a tarefa da catequese e instrução;

O ensino da religião se fundiu a um processo de

subjugação dos povos indígenas, produzindo a subalternização cultural de fundo religioso;

Mais tarde, a mesma estratégia foi utilizada para com

os povos africanos trazidos ao Brasil;

Processo de conversão do outro e negação da

diversidade religiosa.

(6)

O Ensino Religioso

A instalação da Monarquia não produziu ruptura da

lógica colonial-confessional;

A Igreja continuou respaldada pelo poder estatal no regime do regalismo, que fazia do Imperador a

autoridade maior da Igreja Católica;

A primeira Constituição do país, de 1824, previa, em

seu artigo 5º, que a “religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império” (Brazil, 1924).

(7)

O Ensino Religioso

A Igreja mantinha uma relação privilegiada com o

Estado, cabendo-lhe a responsabilidade direta pela instrução, conforme previsto no Artigo 6º do Decreto Imperial de 15 de outubro de 1827:

“[...] os professores ensinarão a ler, escrever as quatro operações de arithmética, prática de quebrados, decimaes, proporções, as noções, mais geraes de geometria prática, a gramática da língua nacional, e os princípios de moral christã e da doutrina da religião cathólica apostólica romana, proporcionados à compreensão dos meninos; preferindo para as leituras a Constituição do Império e a história do Brasil”.

(8)

O Ensino Religioso

Decreto nº 630/1851, que reformou o ensino primário e

secundário do Município da Corte, ao estabelecer uma divisão nas escolas públicas, definiu os conteúdos específicos para cada uma:

Nas [escolas] de segunda classe o ensino deve limitar-se á leitura, calligraphia, doutrina christã, principios elementares do calculo e systemas mais usuaes de pesos e medidas.

Nas [escolas] de primeira classe o ensino deve, alêm disto, abranger a grammatica da lingua nacional, e arithmetica, noções de algebra e de geometria elementar, leitura

explicada dos evangelhos, e noticia da historia sagrada,

elementos de geographia, e resumo da historia nacional, desenho linear, musica e exercicios de canto (BRASIL, 1851).

(9)

O Ensino Religioso

O Decreto nº 7.427/1879, que reformou o ensino primário e secundário no município da Corte e em todo o Império, estabeleceu que a “Instrução moral” e a “Instrução religiosa” constituía “disciplina” do ensino primário:

“Os alumnos acatholicos não são obrigados a frequentar a aula de instrucção religiosa que por isso deverá effectuar-se em dias determinados da semana e sempre antes ou depois das horas destinadas ao ensino das outras disciplinas” (BRASIL, 1879).

(10)

O Ensino Religioso

Fatos novos:

- O Ensino da Religião, que até então estava integrado ao das demais matérias, passou a ser disciplina, ‘distinto’ das ciências escolares;

- Pela primeira vez a legislação reconhece a existência de estudantes ‘não católicos’, abrindo a possibilidade da ‘facultatividade’ do Ensino Religioso, oferecido agora ‘fora’ dos horários normais do ensino das demais Ciências.

(11)

O Ensino Leigo

Com a República, o Decreto nº 119-A de 1890:  extinguiu o regime do padroado;

 proibiu o Estado de eleger ou vetar alguma religião ou

de criar diferenças de tratamento entre cidadãos por motivos de crenças, adesão filosófica ou religiosa;

 Assegurou a liberdade religiosa, para que todas as

confissões pudessem praticar seus cultos;

A Constituição de 1891, estabeleceu que fosse “leigo o

ensino ministrado nos estabelecimentos públicos” (§6º, Art. 72, Brasil, 1891).

(12)

O Ensino Leigo

A partir de então, o Ensino Religioso deveria ser

excluído, já que representava a permanência do elemento eclesial na escola.

Mas a questão da sua exclusão ou permanência se

tornou um dos temas mais polêmicos da história da educação brasileira.

As disputas em torno da questão marcaram as

constituintes estaduais realizadas no final do século XIX;

(13)

O Ensino Leigo

Surgiram movimentos pós e contra, os quais deram

origem a distintos encaminhamentos em âmbito regional, estadual e nacional;

Vários Estados (CE, MG, RS, SE, PE e SC) ‘flexibilizaram o

ensino leigo’, mantendo ou reintroduzindo o ER;

Esta flexibilização ocorreu por conta da mobilização

regional da Igreja, que militou não somente com as congregações religiosas, mas também disputando a opinião pública através da imprensa.

(14)

Ensino Leigo x Ensino Religioso

Tão logo Vargas iniciou o Governo Provisório, criou o

Ministério da Educação e da Saúde Pública, nomeando Campos como ministro;

Em troca de apoio político, Vargas estreitou as relações

com a Igreja, concedendo à ela alguns dos seus pedidos;

Inspirado na ‘solução mineira’, Campos atendeu o

desejo dos católicos e acabou regulamentando o ER nos cursos primário, secundário e normal, através do Decreto n° 19.941, de 30 de abril de 1931:

(15)

Ensino Religioso

Art. 1º Fica facultado, nos estabelecimentos de instrução primária, secundária e normal, o ensino da religião.

Art. 4º A organização dos programas do ensino religioso e a escolha dos livros de texto ficam a cargo dos ministros do respectivo culto [...]

Art. 5º A inspeção e vigilância do ensino religioso pertencem ao Estado, no que respeita a disciplina escolar, e às autoridades religiosas, no que se refere à doutrina e à moral dos professores.

Art. 6º Os professores de instrução religiosa serão designados pelas autoridades do culto a que se referir o ensino ministrado (Brasil, 1931).

(16)

Ensino Religioso

 Em meio a fortes embates, a Constituição de 1934 definiu que o

ER de,

“freqüência facultativa e ministrado de acordo com os princípios da confissão religiosa do aluno manifestada pelos pais ou responsáveis” e que “constituiria matéria dos horários nas escolas públicas primárias, secundárias, profissionais e normais” (Brasil, 1934).

Nota-se:

Manutenção da fórmula da facultatividade.

Inclusão definitiva da disciplina no horário escolar.

Persistência do caráter confessional garantindo a

continuidade do controle das autoridades religiosas sobre a “escola laica”.

(17)

Ensino Religioso

Em detrimento da laicidade do Estado, a oferta

facultativa foi a ‘solução’ encontrada pelos legisladores para garantir o direito à liberdade de consciência dos não católicos.

Tal formulação, ambígua e contraditória, foi adotada

por todas as demais Cartas Magnas do século XX;

Até meados da década de 1990, o ER continuou

diretamente vinculado às instituições religiosas, enquanto disciplina confessional nas escolas;

(18)

Constituição Federal 1988

Art. 210:

§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá

disciplina dos horários normais das escolas públicas de

(19)

1995: Fundação FONAPER

19

(20)

LDB 9.394/96

O Ensino Religioso na Escola de hoje

Art. 33 em sua redação alterada pela Lei nº 9.475/97:

“O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental,

(21)

Currículo do Ensino Religioso

Primeiras Orientações Nacionais (Pós 1997)

(22)

Ensino Religioso

ESTUDO DOS

FENÔMENOS RELIGIOSOS

(23)

• Proporcionar o conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, a partir das experiências religiosas vivenciadas no contexto dos educandos;

(24)

Objetivos do Ensino Religioso

Analisar o papel das tradições religiosas na estruturação e manutenção das diferentes culturas e manifestações socioculturais;

(25)

Objetivos do Ensino Religioso

Valorizar a diversidade cultural presente na sociedade, a fim de auxiliar na convivência entre identidades e diferenças, no constante propósito da promoção dos direitos humanos.

(26)

Eixos Organizadores do Conteúdo

 Culturas e Tradições Religiosas;

 Textos Sagrados;

 Teologias;

 Ritos;

 Ethos.

(27)

Tratamento Didático

Ensino-Aprendizagem

:

- Problematização; - Contextualização; - Debates; - Leituras; - Análises; - Pesquisas; - Produções; - Reflexões;

(28)
(29)

Função Social

- (Re)conhecimento da diversidade religiosa;

- Valorização das identidades pessoais e sociais;

- Ruptura com as formas excludentes de compreender a diversidade (processos de exclusão e desigualdade);

(30)

Formação Continuada de Docentes

 Caderno 01: ER: disciplina integrante da formação básica do cidadão  Caderno 02: ER na diversidade cultural-religiosa do Brasil

 Caderno 03: ER e o conhecimento religioso

 Caderno 04: O Fenômeno Religioso (FR) no Ensino Religioso

 Caderno 05: ER e o FR nas Tradições Religiosas de Matriz Indígena  Caderno 06: ER e o FR nas Tradições Religiosas de Matriz Ocidental  Caderno 07: ER e o FR nas Tradições Religiosas de Matriz Africana

 Caderno 08: ER e o FR nas Tradições Religiosas de Matriz Oriental  Caderno 09: Ensino Religioso e o Ethos na vida cidadã

 Caderno 10: ER e os seus Parâmetros

 Caderno 11: ER na Proposta Pedagógica da Escola.  Caderno 12: ER no Cotidiano da Sala da Aula.

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Base Comum Nacional

Integram a base nacional comum nacional:

a) Língua Portuguesa; b) Matemática;

c) Conhecimento do mundo físico, natural, da realidade social e política, especialmente do Brasil, incluindo-se o estudo da História e das Culturas Afro-Brasileira e Indígena,

d) a Arte, em suas diferentes formas de expressão, incluindo-se a música;

e) a Educação Física; f) o Ensino Religioso.

(32)

Currículo EF9 anos

Os componentes curriculares obrigatórios do Ensino Fundamental serão assim organizados em relação às áreas de

conhecimento: I – Linguagens:

II – Matemática;

III – Ciências da Natureza; IV – Ciências Humanas:

V – Ensino Religioso.

(33)

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

(34)

Ações Concretas

Projeto Cultura Negra na Escola - Diversidade Religiosa Brasileira: A Força Negra

Autoras: Adriana Candido Delphino e Cleusa Schmidt Krüger (Jaraguá do Sul)

Prêmio Elpídio Barbosa – CEE/SC 2010

http://www.fonaper.com.br/noticia.php?id=1011

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Ações Concretas

Projeto Cultura e religiosidade africanas nas aulas de ensino religioso

Autor: Morche Ricardo Almeida

Escola Básica Municipal Machado de Assis (Blumenau/SC)

http://www.fonaper.com.br/noticia.php?id=967

(36)

Referências

BRAZIL. Constituição política do Imperio do Brazil, outorgada em 25 de março

de 1824. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado dos Negocios do Imperio do Brazil, Liv. 4º de Leis, Alvarás e Cartas Imperiaes, 1824, p. 17.

BRASIL. Decreto nº 630, de 17 de setembro de 1851. Autorisa o Governo para

reformar o ensino primario e secundario do Municipio da Côrte. In: Coleção de Leis do Império do Brasil - 1851, Vol. 1, pt I, p. 56.

 BRASIL. Decreto nº 2.006, de 24 de Outubro de 1857. Approva o Regulamento

para os collegios publicos de instrucção secundaria do Municipio da Côrte. In: Coleção de Leis do Império do Brasil - 1857, Vol. 1, pt II, p. 384.

 BRASIL. Decreto nº 7.247, de 19 de abril de 1879. Reforma o ensino primario e

secundario no municipio da Côrte e o superior em todo o Imperio. In: Coleção de Leis do Império do Brasil – 1879, Vol. 1, pt. II, p. 196.

(37)

 BRASIL. Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890. Prohibe a intervenção da

autoridade federal e dos Estados federados em materia religiosa, consagra a plena liberdade de cultos, extingue o padroado e estabelece outras

providências. In: Coleção de Leis do Brasil - 1890, Vol. 1, p. 10.

BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891.

Diário Oficial da União: Rio de Janeiro, 24 fev. 1891.

 BRASIL. Decreto nº 19.941, de 30 de Abril de 1931. Dispõe sobre a instrução

religiosa nos cursos primário, secundário e normal. Diário Oficial da União. Rio de Janeiro, Seção 1, 6 mai. 1931, p. 7191.

 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934.

Diário Oficial da União: Rio de Janeiro, 17 jul. 1934.

CUNHA, Luiz Antônio. Confessionalismo versus laicidade no ensino público.

In: SAVIANI, Demerval. Estado e políticas educacionais na história da educação brasileira. Vitória: EDUFES, 2010, p. 187-215.

 CURY, Carlos Roberto Jamil. Ensino religioso e escola pública: o curso

histórico de uma polêmica entre Igreja e Estado no Brasil. Educação em Revista, nº 17, p. 20-37, jun. 1993.

(38)

FIGUEIREDO, Anísia de Paulo. Fuentes antropológicas y sociológicas de la

educación religiosa en el sistema escolar brasileño, en la perspectiva foucaultiana: la evolución de una disciplina entre religión y área de conocimiento. Madrid: Universidad Complutense de Madrid. Facultad de Filosofía. Departamento de Filosofía I (Metafísica y Teoría del Conocimiento), 2006, 995p.

MINAS GERAIS. Constituição Política da Província de Minas Geraes, de 15 de

junho 1891.

 MINAS GERAIS. Decreto nº. 1.947, de 30 de setembro de 1906. Approva o

programma do ensino primario. In: Collecção de leis e decretos do estado de Minas Geraes (1906). Bello Horizonte: Imprensa Official do Estado, 1906.

 MINAS GERAIS. Decreto nº 800, de 27 de setembro de 1920. Reorganiza o

ensino primario do Estado e contém outras disposições. In: Collecção de leis e decretos do estado de Minas Geraes (1920). Bello Horizonte: Imprensa Official do Estado, 1920.

(39)

 MINAS GERAIS. Decreto nº 7.970-A, de 15 de outubro de 1927. Approva o

regulamento do Ensino Primário. In: Collecção das leis e decretos do estado de Minas Geraes (1927). Vol. II. Bello Horizonte: Imprensa Official do Estado, 1928.

 PAIVA, José Maria de. Igreja e educação no Brasil Colônia. In: STEPHANOU,

Maria; BASTOS, Maria Helena Câmara (Orgs.). Histórias e memórias da educação no Brasil. Petrópolis, Vozes, 2004 (vol.1).

Referências

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