Espiritualidade do comunicador
Helena Corazza, fsp Espiritualidade e comunicação têm em comum o processo relacional. Se vamos à essência da comunicação que é relacionamento com alguém, entendemos que no relacionamento com Deus buscamos alguém, a pessoa de Jesus e não apenas uma ideia. O documento de Aparecida, n. 243, confirma: “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa”. A espiritualidade cristã se fundamenta numa experiência pessoal com a pessoa de Jesus, que dá sentido e consistência à missão.
A comunicação, em sua dimensão antropológica, envolve todo o ser humano, que é comunicação por natureza. Ele busca compartilhar com o semelhante o que é e vive, num contexto cultural e social concreto. Daí a necessidade de tomar consciência de que somos comunicação e de que a essência de todo o ser humano é comunicar-se. A comunicação não é apenas ato exterior, mas brota da interioridade, o que requer o cultivo dos valores do Evangelho.
A espiritualidade cristã tem sua dimensão trinitária, e é vivenciada na consagração batismal, vivida no dia a dia. Alimenta-se e se fortalece na participação da comunidade cristã que se reúne “Por causa de Jesus” (2Cor 4,5), na união e na partilha. A missão do cristão é clara: fazer com que todos se tornem filhos de Deus. No batismo de Jesus, a voz do Pai é esta: “Este é o meu Filho amado, escutem o que Ele diz”. Na gruta de Belém, os anjos cantam: “Glória a Deus e Paz às pessoas de boa vontade”.
Uma espiritualidade integral
Numa sociedade fragmentada como a atual, é preciso centrar as energias e coloca todas as forças humanas e espirituais a serviço da vida e da fé. Só uma espiritualidade centrada no Cristo todo para o homem todo, pode satisfazer a sede de Deus que as pessoas tem.
humana - mente, vontade, sentimento - para a própria salvação e para um apostolado mais fecundo”. Assumiu para si e sua família religiosa essa espiritualidade centrada em Jesus, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6) e nela, o “Cristo todo para o homem todo para Deus”.
Ao elaborar o projeto Queremos ver JesusCaminho, Verdade e Vida (2004-2007), a Igreja do Brasil recupera essa visão integral da espiritualidade cristã. E a Conferência de Aparecida (2007) a assume como projeto: “Discípulos missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).
Jesus, comunicador do Pai
Pela encarnação, Jesus torna próxima a presença do Pai. Ele vem mostrar o rosto de Deus à humanidade, torna-se o interlocutor entre Deus e o homem. Ele é a Palavra viva e eficaz pronunciada pelo Pai. Jesus de Nazaré é o Logos, a imagem do Deus invisível (Cf. Cl 1,15).
O documento Igreja e comunicação rumo ao novo milênio, 1997, assim se expressa: “Desenvolver a espiritualidade do comunicador cristão que se fundamenta no exemplo de Jesus Cristo que, ao optar por um processo inculturado e dialógico de comunicação, possibilitava ao povo que o ouvia e com ele convivia, a inefável ventura de rever a comunicação de Deus Pai, fonte de toda verdade, amor, perdão e comunhão, como também a descoberta de Deus no mundo e a criação, da consciência crítica junto aos receptores de sua mensagem.”
Apóstolo Paulo: ícone do evangelizador na cultura da comunicação
Paulo de Tarso se define “apóstolo por vocação”( Rm 1,1), enviado aos gentios. Chamado por Deus para evangelizar na comunidade primitiva, se serviu de toda a comunicação disponível na época – cartas, visitas, sinagogas – para encontrar as pessoas e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Formou discípulos e discípulas, lideranças, organizou comunidades e pedia a todos o testemunho: “Vocês são a nossa carta, escrita nos nossos corações, conhecida e lida por todos os seres humanos” (2Cor 3,2).