PLATAFORMA DISTRITAL DA SOCIEDADE
CIVIL MOCUBA
RELATÓRIO DA AUDITORIA SOCIAL AO PESOD 2016 NO ÂMBITO DA
REALIZAÇÃO DA 3ª AUDIÇÃO PÚBLICA NO DISTRITO DE MOCUBA
I. INTRODUÇÃO
1.1. Enquadramento
A Plataforma Distrital da Sociedade Civil de Mocuba, no âmbito da promoção de iniciativas de boa governação e transparência na gestão da coisa pública, tem desenvolvido ações de monitoria da governação ao nível distrital desde 2015 usando a abordagem das Auditorias Sociais na senda da realização de Audições Públicas, através do ponto focal “NANA-Associação de Apoio ao Desenvolvimento” e parceiros.
As Audições Públicas constituem um espaço não-formal de diálogo que permite a articulação entre os provedores dos serviços públicos (governo) e a sociedade civil possibilitando uma análise crítica conjunta a volta da satisfação dos cidadãos sobre a prestação dos serviços públicos nos diferentes sectores, tomando como base instrumentos de planificação concebidos e aprovados oficialmente em sessões plenárias (PESOD e respectivo Relatório Balanço).
I. INTRODUÇÃO
1.1. Enquadramento
A ação plena e efectiva do trabalho de Auditoria Social é consubstanciado pela lei nr. 8/2003 – LOLE, no número 3, do artigo 3, que reitera a necessidade da
“participação activa dos cidadãos e incentiva a iniciativa local na solução dos problemas das comunidades aplicando os recursos ao seu alcance”.
É exactamente neste contexto que a Plataforma da Sociedade Civil contribui oferecendo constatações e recomendações na busca de soluções para os problemas locais rumo a um desenvolvimento inclusivo e participativo.
1.2.
Análise do Contexto 2016
2016 foi marcado por cenários e acontecimentos que constituíram impasse para o
progresso das actividades e estabilidade da vida social por todo país, com destaque para:
Orçamento do Estado Retificativo, revisão em baixa do crescimento do PIB fortes medidas de austeridade em alguns sectores vitais como a Educação e Acção Social;
Redução de investimento directo-estrangeiro. Alto do custo de vida,. Desvalorização do Metical face ao Dólar;
Tensão político-militar em 2016. Calamidades naturais, Seca e Estiagem, com impacto directo na produção agrícola.II. METODOLOGIA DE TRABALHO
Solicitação de Documentos
PESOD 2016 Relatório Balanço
Sessões de discussão dos documentos e seleção das actividades a serem auditadas
socialmente
Encontro de consulta e coordenação com o Governo nos diferentes níveis
Recolha de evidências no terreno
Compilação, partilha dos relatórios, pedido de realização da Audição Pública
III. CONSTATAÇÕES
A Auditoria Social obedeceu as Cinco Prioridades definidas no PQG 2015-2019. Para o efeito, foram selecionadas para os três postos administrativos a título de amostra algumas actividades planificadas e reportadas no relatório Balanço 2016.
III. CONSTATAÇÕES
1. EDUCAÇÃO, JUVENTUDE E TECNOLOGIA
1.1. EFECTIVOS ESCOLARES
De um plano de matricular 136.822 alunos para o ano 2016 nos diferentes níveis de ensino, sendo 136.312 foram matriculados 137.810. Comparativamente a 2015 nota-se um crescimento em 5,3%. O rácio aluno/turma é de 55.4, comparando com o ano 2015 que era de 54 houve um aumento em 1,4.
• A Plataforma Distrital pretende
compreender as causas que motivaram este cenário.
• Quais as aspirações do sector ao
nível distrital para contornar esta situação? Pedimos respostas!
III. CONSTATAÇÕES
1.2.APROVEITAMENTO PEDAGÓGICO
20.870
“Fora do Sistema”APROVEITAMENTO PEDAGÓGICO
É notável o esforço do governo distrital com vista a promoção do acesso da
educação para todos particularmente da rapariga, a julgar pelo número de
alunos do sexo feminino inscritos (65.350) de um universo de 137.222. Pelo
facto, saudamos o Governo!
Não obstante, perante o fenômeno da desistência escolar, a Plataforma
Distrital questiona:
•
Que ações estão sendo desenvolvidas pelo sector olhando para o
número elevado (20.870) com vista redução da desistência escolar?
•
Quais os desafios estão sendo levados a cabo pelo governo em relação
as 20.870 fora do sistema como refere os dados do sector?
1.3. GÉNERO
O sector planificou realizar 5 capacitações para membros de conselhos de escola e as 5 foram realizadas. Para além destas, foi realizado um encontro de troca de experiência dos membros dos conselhos de escola e palestra sobre direitos e deveres das crianças nas escolas.
A Plataforma Distrital nota falta de alinhamento destas realizações com a questão “Gênero”. As mesmas não apresentam detalhes em termos de informação como por exemplo os pacotes e temas abordados, objetivos, número de beneficiários (homens, mulheres, jovens), escolas e comunidades abrangidas pelas iniciativas.
Para melhor alinhamento, a Plataforma Distrital propõe que aquando da elaboração do relatório seja considerado um subtítulo “Participação Comunitária na Gestão Escolar” para incorporação de ações desta natureza e igualmente permitirá analisar os avanços alcançados através do esforço conjugado entre o governo e parceiros.
III. CONSTATAÇÕES
2. SAÚDE, MULHER E AÇÃO SOCIAL
2.1. GESTÃO DE MEDICAMENTOS
•
Insuficiência de APEs nas comunidades•
Envolvimento dos Comitês de Co-gestão na Monitoria do processo dedistribuição de Kits de Medicamentos ao longo de toda a cadeia, incluindo campanhas de limpeza nas US.
Assim, a Sociedade Civil pretende saber:
•
Qual a situação actual de APEs ao nível do distrito?III. CONSTATAÇÕES
2. SAÚDE, MULHER E AÇÃO SOCIAL
2.2. GESTÃO DE MEDICAMENTOS
De um plano anual de introduzir ao TARV, 4.327 pacientes, sendo 3.716 adultos e 611 crianças foram introduzidos um total de 3.085, sendo 2.890 adultos e 539 crianças, correspondente a um cumprimento na ordem de 71,3% contra um total de 3.376 de 2015 com um decréscimo de 8,6%. A Plataforma Distrital pretende saber as possíveis razões deste decréscimo.
Igualmente questiona-se: Qual comparação pode ser feita em relação a prevalência de HIV no distrito (7.3%) tendo em conta os anos passados 2015, 2014.
III. CONSTATAÇÕES
2. SAÚDE, MULHER E AÇÃO SOCIAL
2.3. CONSTRUÇÃO / REABILITAÇÃO DE UNIDADES SANITÁRIAS
O relatório balanço faz menção da reabilitação de 2 casas de mãe espera em Mataia e Namanjavira-sede. A Plataforma deslocou-se até ao terreno e constatou que as casas mãe espera foram reabilitadas em encontram-se em pleno funcionamento.
As Comunidade beneficiadas saúdam o governo pelo esforço pois a existência de casa mãe espera em condições permite o aumento no número de partos institucionais seguros!
A Plataforma Distrital apela as comunidades a usarem racionalmente estas infraestruturas com vista a sua sustentabilidade.
2.3. CONSTRUÇÃO / REABILITAÇÃO DE UNIDADES SANITÁRIAS (Cont...)
Paralelamente, o Governo procedeu a entrega de 10 motos ambulâncias às US dos Postos Administrativos de Mugeba e Namanjavira. A Plataforma Distrital ouviu os cidadãos residentes os quais reiteraram a importância das motos ambulâncias e louva o esforço do Governo e a Visão Mundial, parceiro financiador.
Não obstante, os mesmos mostram a sua preocupação pois atualmente em Mugeba encontra-se em circulação apenas 1 Moto ambulância, estando outra avariada e em Namanjavira-sede apenas 1 Moto encontra-se em circulação.
3. INSTITUTO NACIONAL DE GESTÃO DE CALAMIDADES
3.1. CONSTRUÇÃO DE CASAS PARA OS BAIRROS DEFINITIVOS
O INGC em parceria com INAS construiu 25 casas do tipo 2 com material convencional nos bairros de Mocuba Sisal (15 casas) e Naverua 2 (10 casas) e 40 casas do tipo 1 em parceria com a igreja católica.
3.1. CONSTRUÇÃO DE CASAS PARA OS BAIRROS DEFINITIVOS
Passados alguns meses, as casas do Tipo-2 construídas no Bairro Mocuba Sisal apresentam elevados sinais de deficiência da sua estrutura como ilustra a imagem.
Pretende-se saber: • Qual foi o custo de
cada casa?
• Modelo definido
pelo Governo para a construção das casas, incluindo casas de banho?
IV.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
•
A Plataforma Distrital da Sociedade Civil saúda o Governo pelos
significativos avanços registados na planificação, implementação e
sobretudo no reporte das realizações. O relatório balanço 2016 apresenta
explicações e justificações sobre atividades não realizadas relacionando o
planificado e o executado.
•
Reiteramos a necessidade de promoção de ações de boa governação,
transparência na gestão da coisa pública, diálogo com atores não estatais,
envolvimento das comunidades na tomada de decisão sobre a governação
local e acesso a informação como “Oxigênio da Democracia”.
IV.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
•
Saudamos a abertura do governo para interagir com a Sociedade Civil. Agradecimentos ao GDM, especialmente na pessoa do Excelentíssimo Senhor Administrador do Distrito e pelo que lhe desejamos boas-vindas ao distrito de Mocuba “Onde os Caminhos se Cruzam e Moçambique se Abraça”, ao Secretário Permanente Distrital pela disponibilidade em colaborar com a Sociedade Civil, aos Chefes dos Postos Administrativos e Localidades, Chefes dos diferentes sectores, técnicos de planificação, em geral, a Equipe Técnica Distrital.•
Agradecimentos são extensivos a NANA e seus parceiros Diakonia e OXFAM-IBIS pelo apoio técnico e financeiro no âmbito da prossecução do trabalho da Plataforma Distrital, sem o qual não seria possível desenvolver essas ações.Pela atenção dispensada
MUITO OBRIGADO!
“Juntos por uma Governação Inclusiva e Participa”