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Rev. Col. Bras. Cir. vol.43 número5

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Academic year: 2018

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Rev. Col. Bras. Cir. 2016; 43(5): 311-311

DOI: 10.1590/0100-69912016005001

O

s Aneurismas das Artérias Viscerais (AAV), embo-ra consideembo-rados embo-raros por muito tempo, na verda-de não são tão incomuns. Sua incidência varia verda-de 1,5 a 3% na literatura e consistem de dilatações segmentares dos ramos viscerais da aorta abdominal. Por não apre-sentarem sintomas característicos específicos, assumem grande importância clínica, pois cerca de 22% deles irão manifestar-se como emergência cirúrgica.

Classicamente o diagnóstico era efetuado na vigência de uma laparotomia exploradora para tratamen-to de abdômen agudo hemorrágico. Atualmente moder-nos exames de imagem permitem um diagnóstico preco-ce dos aneurismas vispreco-cerais.

Na presente edição da Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões são relatados três casos de aneurismas viscerais. O aneurisma de artéria esplênica é o de maior prevalência, podendo estar presente em até 10,4% de necropsias em pacientes com mais de 60 anos. Na maioria das vezes é assintomático, sendo que a ruptura pode ser o primeiro sintoma. Especialmente sujeitos a ruptura são os aneurismas presentes em grá-vidas no terceiro trimestre de gestação. No relato apre-sentado, o aneurisma é diagnosticado ao realizar-se um exame de angiorressonância magnética de aorta abdominal, durante investigação de adenomegalia cer-vical, em paciente de 51 anos. Embora assintomático, a cirurgia estava indicada, uma vez que o aneurisma apresentava diâmetro de 2,5cm. Foi possível tratar o referido caso com a realização de uma esplenectomia eletiva.

O aneurisma de artéria hepática é o terceiro em frequência entre os aneurismas viscerais. A locali-zação é extra-hepática em 80% e intra-hepática em 20% dos casos. A maioria tem a forma sacular. A ar-téria hepática comum é a mais afetada seguida de seu ramo direito, local do aneurisma relatado. No presente

relato o paciente apresenta-se sintomático, com qua-dro de dor abdominal e anemia, o que tornou o caso mais complexo. O diagnóstico só foi possível com a realização de uma tomografia abdominal e o tratamen-to cirúrgico consistiu na ligadura da artéria hepática direita. Em pacientes de alto risco, como o relatado, o cirurgião teria também a opção de utilizar, com suces-so, uma técnica endovascular de embolização seletiva da referida artéria.

O terceiro relato é de um caso de ruptura de aneurisma de tronco celíaco causado por doença de Behçet. Um caso realmente extremamente raro. Os aneurismas de tronco celíaco correspondem a 4% dos aneurismas viscerais, sendo a grande maioria dos pacien-tes assintomática. Muitos são detectados em exames de imagem realizados para investigação de outras doenças. Nesses casos, como os próprios autores comentam, a ci-rurgia aberta com ressecção do aneurisma e reconstrução vascular é uma boa opção. O tratamento endovascular com implante de endopróteses ou embolização com mo-las também pode ser empregado. No presente caso, devi-do à situação de emergência, optou-se por ressecção devi-do aneurisma com rafia da aorta, que demonstrou ser uma boa opção frente a esse desafio, que evoluiu com suces-so, após 40 dias de internação.

Atualmente, a maioria dos AAV pode ser tra-tada pelo método endovascular. As indicações são as mesmas da cirurgia direta: presença de forma sacular, sintomas de expansão ou ruptura. Todos os pseudoaneu-rismas devem ser tratados. Segundo Arno von Ristow, embora haja autores que recomendem o tratamento de AAV tronculares assintomáticos a partir de 15mm, 20mm é o limite mais aceito, mas é consenso geral que os AAV não saculares assintomáticos, que tenham triplicado o diâmetro original da artéria nativa normal, necessitam tratamento.

1 - Hospital Federal dos Servidores do Estado, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Aneurismas viscerais

Visceral artery aneurysms

Sergio Silveira leal MeirelleS, TCBC-rJ1.

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