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NATALIA PEREIRA MENEZES
ESTUDO E CARACTERIZAC¸ ˜AO DE DISPOSITIVOS ORG ˆANICOS EM MULTICAMADA UTILIZANDO DI ´OXIDO DE TIT ˆANIO NANOESTRUTURADO
CURITIBA 2018
NATALIA PEREIRA MENEZES
ESTUDO E CARACTERIZAC¸ ˜AO DE DISPOSITIVOS ORG ˆANICOS EM MULTICAMADA UTILIZANDO DI ´OXIDO DE TIT ˆANIO NANOESTRUTURADO
Dissertac¸ ˜ao apresentada ao Programa de P ´os- Graduac¸ ˜ao em Engenharia El ´etrica, ´Area de Concentrac¸ ˜ao de Circuitos e Instrumentac¸ ˜ao Eletr ˆonica, do Setor de Tecnologia, Univer- sidade Federal do Paran ´a, como parte das exig ˆencias para a obtenc¸ ˜ao do t´ıtulo de Mestre em Engenharia El ´etrica.
Orientador: Prof. Dr. C ´esar Augusto Dartora (DELT/UFPR)
Co-Orientador: Prof. Dr. Fabiano Thomazi (PIPE/UFPR)
CURITIBA 2018
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AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar agradec¸o ao meu orientador Prof. Dr. C ´esar Augusto Dartora e ao meu Co-orientador Prof. Dr.Fabiano Thomazi pela orientac¸ ˜ao, apoio e por todas as lic¸ ˜oes que aprendi, bem como `a minha fam´ılia pelo suporte, compreens ˜ao e amor incondicional e, aos colegas pela contribuic¸ ˜ao durante o desenvolvimento do projeto. Tamb ´em gostaria de agradecer `a Prof. Dra. Cl ´audia Marino, ao Prof. Dr. Cyro K. Saul e ao Prof. Dr. Ezequiel Burkarter por cederem o espac¸o e os equipamentos que contribu´ıram para a realizac¸ ˜ao deste trabalho.
Agradec¸o ao Centro de Microscopia Eletr ˆonica da UFPR, ao Laborat ´orio de ´Optica de Raios-X e Instrumentac¸ ˜ao do Departamento de F´ısica da UFPR, ao Laborat ´orio de Magnetismo, Medidas e Instrumentac¸ ˜ao do Departamento de Engenharia El ´etrica da UFPR e, ao Laborat ´orio de Materiais do Instituto Federal de Educac¸ ˜ao, Ci ˆencia e Tec- nologia do Paran ´a - Campus Curitiba pela contribuic¸ ˜ao na obtenc¸ ˜ao dos resultados.
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenac¸ ˜ao de Aperfeic¸oamento de Pessoal de N´ıvel Superior - Brasil (CAPES) - C ´odigo de Financiamento 001.
“If we knew what we were doing, it wouldn’t be called research, would it? “ (A. Einstein)
RESUMO
O presente projeto relata o desenvolvimento de Diodos T ´unel Org ˆanicos que apresentam heteroestruturas TiO2/PVA/P3HT, nas quais o PVA representa a bar- reira de tunelamento da junc¸ ˜ao. Os dispositivos fabricados apresentam geometria empilhada, na qual o c ´atodo ´e um contato de tit ˆanio met ´alico e o ˆanodo ´e um con- tato de ouro, entre eles h ´a uma dupla camada diel ´etrica de TiO2 e PVA e, por fim, o semicondutor org ˆanico elegido foi o P3HT regioregular. Previamente `a fabricac¸ ˜ao dos diodos, houveram investigac¸ ˜oes sobre di ´oxido de tit ˆanio nanoestruturado que le- varam a formac¸ ˜ao de nanoesponjas, nanotubos, estruturas porosas e estruturas gra- nuladas atrav ´es de diferentes m ´etodos de processamento, entre eles encontram-se s´ıntese eletroqu´ımica potenciost ´atica, tratamento t ´ermico e combinac¸ ˜oes de ambos.
Al ´em disso, foram criados Transistores de Efeito de Campo Org ˆanicos com a finali- dade de testar a efici ˆencia da junc¸ ˜ao de TiO2 nanoestruturado/P3HT, j ´a aplicada com sucesso em c ´elulas fotovoltaicas org ˆanicas. Foram conduzidos testes de Microscopia Eletr ˆonica de Varredura, Espectroscopia por Energia Dispersiva e Difrac¸ ˜ao de Raio- X para caracterizac¸ ˜ao das nanoestruturas de di ´oxido de tit ˆanio e, as curvas carac- ter´ısticas dos dispositivos fabricados foram obtidas por meio de medidas feitas em um Analisador de Par ˆametros de Semicondutores Agilent 4155C. As curvas I-V dos diodos caracterizaram-se pela presenc¸a de regi ˜oes de resist ˆencia negativa, proprie- dades t´ıpicas de diodos t ´unel e, portanto, com o intuito de comprovar que o PVA se porta como barreira de tunelamento e de validar os resultados experimentais, foram realizados testes com amostras de controle, e um modelo te ´orico da heterojunc¸ ˜ao foi desenvolvido para meios de comparac¸ ˜ao.
Palavras Chave: Diodo T ´unel Org ˆanico. P3HT. TiO2 nanoestruturado. Heteroes- truturas. Resist ˆencia Negativa.
ABSTRACT
The current project reports the development of Organic Tunnel Diodes with TiO2/PVA/P3HT heterostructues, in which the PVA represents the tunneling barrier of the junction. The fabricated devices present a stacked geometry, where the cathode is a metallic titanium contact and the anode is a contact made of gold, in between the terminals a TiO2 and PVA bilayered dielectric is positioned and, the elected organic semiconductor is a regioregular P3HT. Previously to the assemble of the diodes, there were investigations regarding nanostructured titanium dioxide that led to the formation of nanosponges, nanotubes, porous structures and granulated structures through dif- ferent processing methods, such as potentistatic electrochemical synthesis, annealing and combinations of both. Besides, Organic Field Effect Transistors were created to test the efficiency of the nanostructured TiO2/P3HT junction, which have been suc- cessfully implemented to Organic Photovoltaic Cells. Scanning Electronic Microscopy, Dispersed Energy Espectroscopy and X Ray Diffraction were conducted to characte- rize the titanium dioxide nanostructures and, the characteristic curves of the fabrica- ted devices were obtained by means of the Agilent 4155C Semiconductor Parameter Analyzer. The I-V curves of the diodes are characterized by the presence of negative resistance regions, typical properties of tunnel diodes. Thus, in order to verify that the PVA behaves as a tunneling barrier and to validate the experimental results, tests were conducted using control samples and a theoretical model of the heterojunction was proposed for comparison purposes.
Keywords: Organic Tunnel Diode. P3HT. Nanostructured TiO2. Heterostructures.
Negative Resistance.
SUM ´ARIO
1 Introduc¸ ˜ao 14
1.1 Desenvolvimento dos Diodos . . . 15
1.2 A Fam´ılia Diodos . . . 17
1.2.1 Diodo de Junc¸ ˜ao . . . 18
1.2.2 Diodo Schottky . . . 18
1.2.3 Diodo Zener . . . 19
1.2.4 Diodo T ´unel . . . 20
1.2.5 Diodos emissores de luz . . . 21
1.3 Justificativa e Objetivos . . . 21
1.3.1 Objetivos . . . 28
1.4 Estrutura desta Dissertac¸ ˜ao . . . 29
2 Fundamentac¸ ˜ao Te ´orica 30 2.1 Pol´ımeros Conjugados . . . 30
2.2 Condutividade em Pol´ımeros . . . 34
2.3 P3HT e PVA . . . 36
2.3.1 P3HT . . . 36
2.3.2 PVA . . . 38
2.4 Diodos Org ˆanicos . . . 39
2.5 Transistores de Efeito de Campo Org ˆanicos . . . 48
2.5.1 Principais Escolhas . . . 51
2.6 Di ´oxido de Tit ˆanio . . . 54
3 Obtenc¸ ˜ao e Caracterizac¸ ˜ao de Nanoestruturas de Di ´oxido de Tit ˆanio 59 3.0.1 Nanoesponjas e estruturas porosas . . . 60
3.0.2 Nanotubos . . . 61
3.0.3 Estruturas granuladas . . . 62
3.1 MEV, EDS e DRX para An ´alise das Nanoestruturas de TiO2 . . . 62
3.1.1 MEV . . . 64
3.1.2 EDS . . . 66
3.1.3 DRX . . . 68
4 Fabricac¸ ˜ao e Caracterizac¸ ˜ao de Transistores de Efeito de Campo Org ˆanicos e Diodos T ´unel Org ˆanicos 72 4.1 Transistores de Efeito de Campo Org ˆanicos . . . 72
4.1.1 Caracterizac¸ ˜ao dos OFETs fabricados . . . 76
4.2 Curvas Caracter´ısticas e de Transfer ˆencia obtidas pelos OFETs . . . 77
4.3 Diodos T ´unel Org ˆanicos . . . 80
4.3.1 Caracterizac¸ ˜ao dos OTDs fabricados . . . 81
4.4 Curvas I-V correspondentes aos OTDs . . . 82
4.4.1 Modelagem Te ´orica das Heteroestruturas de TiO2/PVA/P3HT . . . 89
5 Conclus ˜ao 93 5.1 Perspectivas . . . 95
Refer ˆencias 96
LISTA DE FIGURAS
1.1 V ´alvula termi ˆonica de John A. Fleming. . . 16 1.2 Em (a), a estrutura construtiva do diodo de junc¸ ˜ao ´e apresentada e em (b)
o comportamento do dispositivo ´e ilustrado atrav ´es da curva de IxV para diferentes tipos de semicondutor . . . 18 1.3 A figura mostra as caracter´ısticas IxV de um diodo zener. . . 19 1.4 O comportamento incomum do diodo t ´unel ´e apresentado pela curva IxV . 20 1.5 Cadeia de valores da Eletr ˆonica Org ˆanica . . . 26 2.1 (a) Ilustrac¸ ˜ao das ligac¸ ˜oesσeπentre dois ´atomos de carbono vizinhos. (b)
Mol ´ecula de Benzeno, na qual ´e poss´ıvel ver a deslocalizac¸ ˜ao dos el ´etrons πcom a superposic¸ ˜ao dos orbitais pz. . . 31 2.2 Orbitais ligantes e antiligantes σeπ e,σ* eπ*. . . 32 2.3 Distribuic¸ ˜ao de HOMO e LUMO para um pol´ımero conjugado, na qual s ˜ao
encontrados estados intermedi ´arios entre as extremidades das curvas de HOMO e LUMO. . . 33 2.4 Representac¸ ˜ao de segmentos conjugados de uma cadeia polim ´erica. . . . 34 2.5 Movimentac¸ ˜ao de um el ´etron entre ´atomos de carbono atrav ´es de hopping.
Na figura, ”t”especifica os saltos realizados. . . 35 2.6 Estrutura qu´ımica do P3HT. . . 37 2.7 (a) P3HT regioregular, onde os n ´umeros em vermelhor correspondem as
posic¸ ˜oes em que ligac¸ ˜oes podem ser feitas. (b) P3HT irregioregular. . . 38 2.8 Estrutura qu´ımica do ´alcool polivin´ılico. . . 39 2.9 Caracter´ısticas IxV de diodos PIN (em vermelho) e NIP (em preto tracejado). 41 2.10 Caracter´ısticas IxV do diodo Zener de Kleeman et al. (2010) com variac¸ ˜ao
na espessura da camada intermdi ´aria; . . . 42 2.11 Curvas caracter´ısticas do diodo Schottky em relac¸ ˜ao a mudanc¸a de tempe-
ratura em kelvin (K). . . 44
2.12 (a) Diodos T ´unel desenvolvidos por Heinonen (2015), onde o dispositivo de refer ˆencia n ˜ao apresenta camada de TiO2; (b) Diodo T ´unel demonstrado por Guttman et al. (2017) com temperatura de deposic¸ ˜ao da camada de TiO2 a 300 graus . . . 46 2.13 (a) Curvas de Sa´ıda de um OFET. S ˜ao apresentados os regimes linear e
de saturac¸ ˜ao, bem como a regi ˜ao de pinch-off. (b) ´E exibida uma curva caracter´ıstica de um OFET em regime linear. . . 50 2.14 Geometrias comumente encontradas em OFETs. (a) bottom gate- bottom
contact; (b)Bottom gate-Top contact; (c)Top gate- Bottom contact; (d)Top gate-Top contact . . . 52 3.1 Sistema utilizado para a s´ıntese eletroqu´ımica do Ti met ´alico em eletr ´olito
aquoso. . . 60 3.2 Apar ˆencia f´ısica das nanoestruturas de TiO2 (a) Nanoesponjas; (b) Estru-
turas porosas ou nanotubos; (c) Nanotubos baseado em Serikokv et al.
(2017); (d) Tratamento t ´ermico a 500◦; (e) Tratamento t ´ermico a 1000◦; . . 63 3.3 Imagens de MEV para (a) nanoestrutura porosa formada for oxidac¸ ˜ao em
eletr ´olito n ˜ao aquoso; (b) estrutura granulada como consequ ˆencia da combinac¸ ˜ao de tratamento t ´ermico a 500 ◦C e s´ıntese eletroqu´ımica em eletr ´olito n ˜ao aquoso; (c) processo baseado no trabalho de Serikov et al. (2017); (c) es- trutura granulada criada atrav ´es de tratamento t ´ermico a 500◦C seguido de oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito aquoso. . . 65 3.4 Nanoestruturas encontras nas amostras formadas por: (a) tratamento t ´ermico
a 1000◦C; (b) associac¸ ˜ao de oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito aquoso com tratamento t ´ermico a 1000◦C; (c) nanotubos de TiO2gerados por meio de oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito n ˜ao aquoso; (d) nanoesponjas obtidas em s´ıntese eletroqu´ımica em eletr ´olito aquoso; . . . 66 3.5 (a) Amostra obtida atrav ´es de tratamento t ´ermico a 1000 ◦C sem oxidac¸ ˜ao
pr ´evia; (b) Nanoestrutura resultante de s´ıntese eletroqu´ımica potenciost ´atica com eletr ´olito n ˜ao aquoso durante 4 horas; . . . 67
3.6 Azul claro, laranja, vermelho e verde representam oxig ˆenio, tit ˆanio, car- bono e fl ´uor, respectivamente. (a) Distribuic¸ ˜ao qu´ımica para a amostra tra- tada termicamente; (b) Distribuic¸ ˜ao qu´ımica para a amostra sem tratamento t ´ermico; . . . 68 3.7 Grupo de amostras que apresentaram estrutura cristalina. (a) Tratamento
t ´ermico a 500◦C seguido de oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito aquoso; (b) Tratamento t ´ermico a 500 ◦C mais oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito n ˜ao aquoso; (c) Oxidac¸ ˜ao seguida de tratamento t ´ermico a 1000◦C; (d) Tratamento t ´ermico a 1000◦C 69 3.8 Grupo de amostras sem detecc¸ ˜ao de estruturas cristalinas de TiO2. (a)
Oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito n ˜ao aquoso por uma hora; (b) Nanotubos baseados em Serikov et al. (2017); (c) Nanotubos por oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito n ˜ao aquoso por 4 horas; (d) Nanoesponja por oxidac¸ ˜ao em eletr ´olito aquoso por 1 hora; . . . 70 4.1 Conex ˜ao entre os terminais de um dos OFETs e o sistema de medic¸ ˜ao do
Analisador de Par ˆametros Agilent 4155C. . . 76 4.2 Resposta em corrente dos dispositivos OFET 1 com relac¸ ˜ao a variac¸ ˜ao da
tens ˜ao aplicada ao terminal de porta. (a) Amostra 1; (b) Amostra 2; (c) Amostra 3; (d) Amostra 4; . . . 78 4.3 Curvas de sa´ıda OFET 3 - T1. . . 79 4.4 R ´e a resist ˆencia encontrada entre Fonte e Dreno e Rm ´e a resist ˆencia
entre Dreno e Porta. Para tunelamento, Rm menor que R. . . 80 4.5 Estrutura aplicada aos OTDs fabricados com foco no empilhamento das
camadas. . . 81 4.6 Sistema aplicado para caracterizac¸ ˜ao dos diodos fabricados, no qual alfi-
netes s ˜ao utilizados como contatos conectados ao analisador de par ˆametros. 82 4.7 Diodo PT ´e o primeiro da esquerda para a direita, seguido do exemplo de
OTD sem a camada extra e um AC. . . 83 4.8 Curvas I-V para amostras (a) PT e (b) AC. Para cada tipo de OTD foram
fabricadas quatro amostras. . . 84
4.9 Diagrama de bandas dos OTDs fabricados. . . 86 4.10 Condut ˆancia diferencial para amostras PT. . . 87 4.11 Validac¸ ˜ao da camada diel ´etrica de PVA como barreira de tunelamento,
onde as curvas vermelhas representam as amostras de controle para (a) OTDs PT e (b) OTDs AC. . . 88 4.12 Estrutura de bandas do TiO2e do P3HT aproximadas atrav ´es das equac¸ ˜oes
(4.2) e (4.3). . . 91 4.13 Comparac¸ ˜ao entre as curvas I-V experimental do e te ´orica. . . 92
LISTA DE TABELAS
1.1 Principais aplicac¸ ˜oes da eletr ˆonica org ˆanica em importantes setores indus- triais. . . 23 1.1 Principais aplicac¸ ˜oes da eletr ˆonica org ˆanica em importantes setores indus-
triais. . . 24 1.2 Aplicac¸ ˜oes da eletr ˆonica org ˆanica e previs ˜oes de marcado . . . 25 2.1 Exemplos de semicondutores utilizados para fabricac¸ ˜ao de diodos org ˆanicos. 47 2.1 Exemplos de semicondutores utilizados para fabricac¸ ˜ao de diodos org ˆanicos. 48 4.1 Resumo dos OFETs fabricados. . . 75 4.2 Dispers ˜ao de valores de corrente e tens ˜ao para os picos das curvas IxV
dos dispositivos OTD-PT e OTD-AC. . . 85
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
A - Ampere, unidade de medida de corrente Al - Alum´ınio
Au - Ouro
ALD - do ingl ˆesAtomic Layer Deposition BGBC - do ingl ˆes Bottom gate- Bottom contact BGTC - do ingl ˆes Bottom gate - Top contact CD - do ingl ˆesCompact Disc
cm−2 - Unidade de Medida para densidade de corrente
cm−2V−1s−1 - Unidade de medida para mobilidade de portadores de carga CuPc - Ftalocinina de Cobre
DRX - Difrac¸ ˜ao de Raio - X
EDS - do ingl ˆesEnergy Dispersive Sprectroscopy GaAs - Arsenieto de g ´alio
GLAD - do ingl ˆes Glancing Angle Deposition HCl - ´Acido Clor´ıdrico
HF - ´Acido fluor´ıdrico
HOMO - do ingl ˆes Highest Occupied Molecular Orbital H3PO4 - ´Acido Fosf ´orico
H2SO4 - ´Acido Sulf ´urico
ICP-RIE - do ingl ˆes Inductively Coupled Plasma Reactive Ion Etching ID - Corrente de Fonte-Dreno
InSb - Antimoneto de ´ındio ITO - do ingl ˆesIndium Tin Oxide IZO - do ingl ˆesIndium Zinc Oxide
LAMMI - Laborat ´orio de Magnetismo, Medidas e Instrumentac¸ ˜ao LEDs - do ingl ˆes Light Emitting Diodes
LITS - Laborat ´orio de Inovac¸ ˜ao em Tecnologia de Sensores LUMO - do ingl ˆes Lowest Unoccupied Molecular Orbital
MEH-PPV - Poly[2-methoxy-5-(2-ethylhexyloxy)-1,4-phenylenevinylene]
MEV - Microscopia Eletr ˆonica de Varredura MgPc - Ftalocianina de Magn ´esio
MIM - do ingl ˆesMetal- Insulator- Metal
NDR - do ingl ˆes Negative Differential Resistance
NFC - do ingl ˆesNear Field Comunication nm - Corresponde a 10−9 metros
OD - Diodos Org ˆanicos, do ingl ˆesOrganic Diodes
OE-A - do ingl ˆes Organic and Printed Electronics AssociationOFET - do ingl ˆes Orga- nic Field-Effect Transistor
OLED - do ingl ˆes Organic Light Emitting Diodes OLET - Transistores Emissores de Luz
OTD - do ingl ˆesOrganic Tunnel Diode
OTFTs - do ingl ˆes -Organic Thin Film Transistors PC - Policarbonato
PEDOT:PSS - Poliestireno Sulfonato Poli
PIN - Material do tipo p - material intr´ınseco - material do tipo n pH - Escala num ´erica adimensional para acidez ou basicidade PVA - ´Alcool Polivin´ılico
PQT-12 - do ingl ˆespoly(3,3”’didodecylquarterthiophene) P3HT - Poli(3-hexiltiofeno)
RFID - do ingl ˆes Radio-Frequency IDentification rpm - Rotac¸ ˜ao por Minuto
SCLC - do ingl ˆes Space Charge Limited Current TGBC - do ingl ˆes Top gate - Bottom contact TGTC - do ingl ˆes Top gate - Top contact TiO2 - Di ´oxido de Tit ˆanio
TFT - Transistor de Filme Fino
UHF - do ingl ˆes - Ultra High Frequency V - Volts, unidade de medida para tens ˜ao VDS - Tens ˜ao de Fonte-Dreno
VGS - Tens ˜ao de Porta- Fonte Vth - Tens ˜ao de limiar
wt% - Porcentagem de peso π - Orbital ligante
π∗ - Orbital antiligante σ - Orbital ligante σ∗ - Orbital antiligante
μL - Equivalente a 10−6 litros
Cap´ıtulo 1 Introduc¸ ˜ao
Seja a um smartphone, smartTv, tablet, computador de bordo, smartWatch ou um notebook, as pessoas est ˜ao sempre expostas a dispositivos eletr ˆonicos e che- gam at ´e a ser dependentes deles, isso porque s ˜ao esses aparelhos que possibilitam que todos estejam conectados ao espac¸o de integrac¸ ˜ao tecnol ´ogica que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos. Apesar de essa tecnologia ter tido uma evoluc¸ ˜ao repentina, a eletr ˆonica de semicondutores tem uma longa hist ´oria, que teve seu in´ıcio no final do s ´eculo XIX, bem como a l ˆampada de Thomas Edison, com a criac¸ ˜ao da v ´alvula termi ˆonica. A palavra diodo vem da contrac¸ ˜ao da express ˜ao ”dois eletrodos”, o que implica em um dispositivo de dois terminais que tem como principal finalidade possibilitar a passagem de corrente el ´etrica em apenas um sentido (SEDRA; SMITH, 2004; MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; MALVINO; BATES, 2007; REZENDE, 2004).
Atualmente, o diodo mais comum ´e o diodo de junc¸ ˜ao, no qual ´e encontrada uma interface entre regi ˜oes p e n de um mesmo material, caracterizando ent ˜ao a junc¸ ˜ao pn. Idealmente, este dispositivo deve se comportar como um circuito aberto com re- sist ˆencia infinita quando polarizado reversamente e como um curto-circuito com re- sist ˆencia nula quando em polarizac¸ ˜ao direta. Em dispositivos reais, no entanto, h ´a uma pequena resist ˆencia em polarizac¸ ˜ao direta enquanto que, em polarizac¸ ˜ao re- versa, h ´a um resist ˆencia alta, mas n ˜ao infinita (SEDRA; SMITH, 2004; MARQUES;
CRUZ; J ´UNIOR, 2012; REZENDE, 2004).
Assim como s ˜ao encontrados diferentes tipos de junc¸ ˜ao, bem como heterojunc¸ ˜oes, junc¸ ˜oes metal-semicondutor e metal- ´oxido-semicondutor, tamb ´em existe uma gama de diodos, como diodos Zener, Schottky ou t ´unel, destinados a uma variedade de func¸ ˜oes. Exemplos de aplicac¸ ˜oes para os dispositivos diodo s ˜ao circuitos limitado- res e retificadores, detectores de pico, circuitos de alta frequ ˆencia ou de chavea-
mento r ´apido, osciladores, geradores de microondas, equipamentos eletro-eletr ˆonicos, telecomunicac¸ ˜oes, c ´elulas solares e assim em diante. Ou seja, os diodos est ˜ao pre- sentes em grande parte do cotidiano do ser humano moderno, mesmo que nem sem- pre sejam reconhecidos (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; MALVINO; BATES, 2007;
REZENDE, 2004; DRIMITRIJEV, 2000).
1.1 Desenvolvimento dos Diodos
Michael Faraday, em 1833, muito antes da teoria qu ˆantica do estado s ´olido ser idealizada e dos diodos ganharem tal nome, foi o primeiro cientista a conduzir expe- rimentos relacionados aos materiais semicondutores. Na ´epoca, Faraday investigava a depend ˆencia da condutividade el ´etrica do sulfeto de prata com relac¸ ˜ao a mudanc¸as de temperatura. Foi ent ˜ao que uma propriedade t´ıpica dos semicondutores foi desco- berta, ou seja, h ´a aumento na condutividade com o aumento de temperatura (JEN- KINS 2005).
No entanto, foi s ´o a partir da d ´ecada de 1870 que houveram desenvolvimentos significativos para a eletr ˆonica de semicondutores, j ´a que em 1873 Frederick Guthrie notou em um de seus experimentos que havia descarga de corrente quando o sis- tema estudado estava sob tens ˜ao positiva, enquanto n ˜ao havia fluxo de el ´etrons sob tens ˜ao negativa. Neste mesmo ano, Willoughby Smith descobriu a fotocondutividade do sel ˆenio, que s ´o foi comprovado como semicondutor em 1907. Apesar de Guthrie ter observado um poss´ıvel efeito retificador em seu experimento, foi Ferdinand Braun que em 1874 descobriu tal fen ˆomeno no ponto de contato entre metais e certos materiais cristalinos. Braun demonstrou seu dispositivo que possibilitava o fluxo de corrente em um ´unico sentido em Leipzig em 1876, por ´em, tal aparato n ˜ao teve aplicac¸ ˜ao funcional at ´e o surgimento dos r ´adios no in´ıcio do s ´eculo XX.
Em 1880, um assistente de Thomas Edison, William J. Hammer descreveu um brilho azul ao redor do polo positivo e escurecimento do polo negativo de uma das l ˆampadas de Edison. Essa ocorr ˆencia foi chamada de Hammer’s Phantom Shadow at ´e 1883, quando a l ˆampada incandescente foi patenteada e o fen ˆomeno renomeado para Efeito Edison. Foi tamb ´em em 1883 que a considerada primeira c ´elula fotovol- taica foi desenvolvida por Charles Fritts (JENKINS 2005; LAWS, 2013).
Assim que Hertz provou a exist ˆencia de ondas de r ´adio em 1887, Jagadis Chan- dra Bose, em 1901, preencheu requerimento de patente americana para um retificador de ponto de contato com cristal de galena aplicado `a detecc¸ ˜ao de sinais de r ´adio e
Braun usou retificadores semicondutores para recepc¸ ˜ao de sinais sem fio. A primeira v ´alvula termi ˆonica, vista na Fig. 1.1, foi criada em 1904 por John Ambrose Fleming na University College of London. Esse dispositivo atuava como detector de ondas de r ´adio eficiente e foi utilizado at ´e meados de 1980. Muitos dispositivos de alta frequ ˆencia s ˜ao derivados deste tipo de v ´alvula (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012;JENKINS 2005;
LAWS, 2013).
FIGURA 1.1:V ´alvula termi ˆonica de John A. Fleming.
FONTE: Laws (2013).
Ainda inspirado pela experi ˆencia de Hertz em 1887, Greenleaf Whitteir Pickard provou, em 1906, que entre grande parte dos materiais semicondutores, o sil´ıcio era o mais est ´avel para aplicac¸ ˜ao em detectores de ondas de r ´adio.
Apesar dos materiais semicondutores terem tido grande influ ˆencia tecnol ´ogica at ´e 1911, foi somente neste ano que a palavra ”semicondutor”’ foi atribu´ıda a tal classe de material. Assim como os semicondutores, os diodos s ´o receberam este nome em 1919 atrav ´es do f´ısico ingl ˆes William Henry Eccles, pois, antes eram chamados de retificadores. Neste meio termo, Carl Benedicks introduziu o germ ˆanio como semicon- dutor e o retificador Cat’s Whisker (JENKINS 2005; LAWS, 2013).
No in´ıcio dos anos 1920, os semicondutores despontaram com seu potencial tecnol ´ogico, mas, na metade da d ´ecada, perderam grande parte de seu apelo. Foi somente com a Segunda Guerra Mundial que esses materiais voltaram a chamar a atenc¸ ˜ao, isso porque havia grande necessidade de desenvolvimento de tecnologias
para aplicac¸ ˜ao em radares. Neste per´ıodo foram fabricados milhares de diodos reti- ficadores para uso em radares receptores dos aliados. Foi tamb ´em neste espac¸o de tempo que a f´ısica do estado s ´olido e a teoria qu ˆantica aplicada a semicondutores fo- ram desenvolvidos, facilitando ent ˜ao, a compreens ˜ao de descobertas como a ruptura diel ´etrica de isolantes de Clarence M. Zener em 1943 e a junc¸ ˜ao pn de Russel Ohl em 1940 (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; LAWS, 2013).
Enquanto os semicondutores ainda estavam em alta, em 1908, Henry Joseph Round relatou emiss ˜ao de luz em um semicondutor, efeito esse que s ´o foi redesco- berto em 1920 pelo cientista russo Oleg Bladimirovich Lossev por meio de diodos de ponto de contato diretamente e reversamente polarizados. Em 1940, Lossev concluiu que a luminesc ˆencia dos diodos provinha de uma camada ativa na superf´ıcie do se- micondutor (DUPUIS; KRAMES, 2008).
A partir da d ´ecada de 1940 houveram diversos avanc¸os com relac¸ ˜ao aos diodos e semicondutores, como por exemplo a substituic¸ ˜ao da v ´alvula por diodos semicondu- tores at ´e que os diodos de ponto de contato e as l ˆampadas incandescentes passaram a ser substitu´ıdos por diodos de junc¸ ˜ao e diodos emissores de luz, a invenc¸ ˜ao dos diodos Zener, t ´unel, gunn e do laser de diodo semicondutor e, a fabricac¸ ˜ao de sil´ıcio 99,999% puro. Sendo assim, foi neste contexto que os diodos se desenvolveram, ba- seados no esforc¸o de diferentes cientistas e na necessidade de avanc¸o tecnol ´ogico (REZENDE, 2004; JENKINS 2005; LAWS, 201; DUPUIS; KRAMES, 2008).
1.2 A Fam´ılia Diodos
A fam´ılia dos diodos ´e constitu´ıda desde os diodos mais simples at ´e aqueles com aplicac¸ ˜oes especiais. Nesta sec¸ ˜ao ser ˜ao apresentadas breves definic¸ ˜oes da estrutura, do princ´ıpio de funcionamento e das aplicac¸ ˜oes dos diodos de junc¸ ˜ao, Schottky, Zener, t ´unel e Diodos Emissores de Luz (LEDs1).
´E importante relembrar que os diodos s˜ao dispositivos n˜ao lineares de dois ter- minais que permitem passagem de corrente el ´etrica em um ´unico sentido. O terminal positivo ´e chamado ˆanodo e o negativo c ´atodo (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012;
REZENDE, 2004).
1do ingl ˆes -Light Emitting Diodes
1.2.1 Diodo de Junc¸ ˜ao
O diodo de junc¸ ˜ao se caracteriza por uma junc¸ ˜ao pn e dois contatos met ´alicos, como visto na Fig. 1.2.a (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; REZENDE, 2004).
FIGURA 1.2:Em (a), a estrutura construtiva do diodo de junc¸ ˜ao ´e apresentada e em (b) o compor- tamento do dispositivo ´e ilustrado atrav ´es da curva de IxV para diferentes tipos de semicondutor
FONTE: Adaptado de Rezende (2004); Dimitrijev (2000).
Diferentemente dos diodos ideiais, o diodo de junc¸ ˜ao apresenta estados de on e off com resist ˆencias consideravelmente baixas e substancialmente altas, respecti- vamente. Ou seja, quando diretamente polarizado, o dispositivo ter ´a uma resist ˆencia baixa, mas n ˜ao nula e, em polarizac¸ ˜ao reversa, a resist ˆencia ´e significativa, por ´em, n ˜ao ´e infinita. A Fig. 1.2.b exibe as caracter´ısticas I-V de diodos de junc¸ ˜ao para sil´ıcio, germ ˆanio e arsenieto de g ´alio (REZENDE, 2004; DIMITRIJEV, 2000).
Este tipo de dispositivo pode ser aplicado a circuitos retificadores de tens ˜ao al- ternada em fontes de alimentac¸ ˜ao, como detectores de pico e em circuitos limitadores e grampeadores (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; REZENDE, 2004; DIMITRIJEV, 2000).
1.2.2 Diodo Schottky
Os diodos Schottky s ˜ao diodos que consistem em contatos metal-semicondutor, a partir do qual uma barreira de potencial ´e criada por meio da diferenc¸a das func¸ ˜oes
trabalho do metal e semicondutor utilizados na construc¸ ˜ao do dispositivo. Apesar de apresentarem caracter´ısticas I-V similares aos diodos de junc¸ ˜ao, os Schottky traba- lham apenas com portadores majorit ´arios, isso porque n ˜ao h ´a camada de deplec¸ ˜ao.
Isso implica em uma resposta mais r ´apida a chaveamentos bruscos de tens ˜ao, pois, n ˜ao h ´a portadores minorit ´arios a serem removidos de um lado para o outro da barreira.
Neste contexto, os diodos Schottky tornam-se atrativos para aplicac¸ ˜ao em cir- cuitos detectores de alta frequ ˆencia ou de chaveamento r ´apido, al ´em de serem ideais para uso em computadores, pois, estes exigem o menor tempo de resposta de seus componentes (MALVINO; BATES, 2007; REZENDE, 2004).
1.2.3 Diodo Zener
Diodos de junc¸ ˜ao normais, quando em polarizac¸ ˜ao reversa, apresentam uma pequena corrente, desde que a tens ˜ao aplicada seja menor que a tens ˜ao estabelecida para ruptura. Quando em valores de tens ˜ao maiores que a de ruptura, ocorre o efeito de avalanche, no qual h ´a um aumento significativo da corrente reversa, o que pode causar danos ao dispositivo. No entanto, os diodos Zener s ˜ao fabricados de modo a suportar o efeito avalanche e operar nessa regi ˜ao, ou seja, a tens ˜ao de ruptura, como vista na Fig. 1.3, ´e praticamente constante com variac¸ ˜ao significativa de corrente reversa. Neste caso, ´e necess ´ario limitar o valor de corrente reversa para que n ˜ao haja danos ao diodo (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; DIMITRIJEV, 2000).
FIGURA 1.3: A figura mostra as caracter´ısticas IxV de um diodo zener.
FONTE: Rezende (2004).
A principal aplicac¸ ˜ao do diodo zener ´e em reguladores de tens ˜ao, j ´a que a tens ˜ao de sa´ıda ´e mantida constante, mesmo que haja excurs ˜ao de tens ˜ao na entrada do
circuito (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; REZENDE, 2004).
1.2.4 Diodo T ´unel
O diodo t ´unel ´e um dispositivo de junc¸ ˜ao pn, na qual ambas as regi ˜oes p e n s ˜ao fortemente dopadas, o que pode causar, com aumento de tens ˜ao direta, um efeito de tunelamento de el ´etrons pela barreira de potencial, implicando no aumento da corrente direta at ´e que h ´a reduc¸ ˜ao de tunelamento e, portanto, queda de corrente com aumento da tens ˜ao, criando ent ˜ao, uma regi ˜ao de resist ˆencia negativa (NDR2).
A caracter´ıstica I-V peculiar dos diodos t ´unel ´e apresentada na Fig. 1.4, na qual
´e poss´ıvel ver que, logo ap ´os a queda, h ´a um aumento de corrente direta resultante da soma das correntes de tunelamento e de difus ˜ao (MALVINO; BATES, 2007; RE- ZENDE, 2004).
FIGURA 1.4:O comportamento incomum do diodo t ´unel ´e apresentado pela curva IxV .
FONTE: Rezende (2004).
O comportamento do diodo t ´unel com relac¸ ˜ao `a regi ˜ao de resist ˆencia negativa propicia o uso destes dispositivos em osciladores, pois, estes fornecem pot ˆenciaac ao circuito. Como o efeito de tunelamento tamb ´em n ˜ao oferece atrasos devido `a deriva e difus ˜ao, esse tipo de diodo tamb ´em pode ser aplicado a circuitos com chaveamento r ´apido (MALVINO; BATES, 2007; REZENDE, 2004).
2do ingl ˆes -Negative Differential Resistance
1.2.5 Diodos emissores de luz
Os LEDs s ˜ao diodos desenvolvidos para emitir luz quando em polarizac¸ ˜ao direta, isso porque, h ´a injec¸ ˜ao de portadores na junc¸ ˜ao pn do dispositivo.
Em diodos de sil´ıcio e germ ˆanio, quando em polarizac¸ ˜ao direta, h ´a uma grande quantidade de portadores atravessando a regi ˜ao de deplec¸ ˜ao e recombinando-se nas imediac¸ ˜oes dela. No entanto, durante o processo de recombinac¸ ˜ao, os el ´etrons cos- tumam emitir f ˆonons, ou seja, calor, pois sil´ıcio e germ ˆanio s ˜ao materiais com gap indireto. No caso dos LEDs, que consistem de semicondutores de gapdireto, quando h ´a recombinac¸ ˜ao os el ´etrons emitem f ´otons, isto ´e, luz (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; MALVINO; BATES, 2007; REZENDE, 2004).
Em geral, para cada tipo de LED ´e utilizado um semicondutor diferente. GaAs com certas quantidades de f ´osforo gera cores vis´ıveis como vermelho, laranja, verde ou azul. InSb ou GaAs com alum´ınio normalmente s ˜ao utilizados para luz infraverme- lha e Zn corresponde `a ultravioleta.
Os LEDs que operam no vis´ıvel podem ser adotados em instrumentos eletr ˆonicos, displays e mostradores alfanum ´ericos. J ´a os de infravermelho s ˜ao utilizados em alar- mes, transmiss ˜ao de dados por fibra ´optica, aparelhos de CD e controles remotos (MARQUES; CRUZ; J ´UNIOR, 2012; REZENDE, 2004).
1.3 Justificativa e Objetivos
Historicamente, materiais org ˆanicos eram implementados `a eletr ˆonica de semi- condutores em posic¸ ˜oes de suporte ao processo de fabricac¸ ˜ao de dispositivos base- ados em materiais inorg ˆanicos, no qual eram utilizados como fotoresiste e isolantes.
Pesquisas voltadas a outras aplicac¸ ˜oes e propriedades desses materiais s ´o tiveram in´ıcio entre as d ´ecadas de 1970 e 1980. Foi neste per´ıodo que Hideki Shirakawa, Alan MacDiarmid e Alan Heeger uniram-se com o objetivo de explorar caracter´ısticas dos pol´ımeros e por fim descobriram os pol´ımeros condutores, o que mais tarde lhes rendeu o pr ˆemio Nobel de Qu´ımica. A partir deste ponto, o que antes era conside- rado apenas uma ferramenta tornou-se um campo de pesquisa com imenso potencial de inovac¸ ˜ao tecnol ´ogica (SHAW; SEIDLER, 2001; KARIMOV; KHAN; QAZI, 2009; RI- VERA, R., TEIXEIRA, 2014).
Em meados de 1980, C. Tang e S. VanSlyke, pesquisadores da Eastman Ko- dak, demonstraram o primeiro dispositivo emissor de luz eficiente baseado em se-
micondutores org ˆanicos, atualmente chamado de LED org ˆanico (OLED3). Apesar de a performance do dispositivo de Tang e VanSlyke n ˜ao ser compar ´avel ao dos LEDs convencionais, a demonstrac¸ ˜ao abriu as portas para o que hoje ´e conhecido como eletr ˆonica org ˆanica (RIVERA; TEIXEIRA, 2013; FORREST; THOMPSON,2007).
A eletr ˆonica org ˆanica ´e uma tecnologia emergente que vai al ´em da t´ıpica eletr ˆo- nica baseada no sil´ıcio, podendo abranger diversas ´areas do conhecimento como f´ısica, qu´ımica, materiais, biomedicina, engenharia eletr ˆonica e, al ´em disso, caracteriza- se pela utilizac¸ ˜ao de duas principais classes de materiais org ˆanicos, sendo elas mol ´e- culas de baixo peso molecular e pol´ımeros. Esse ramo tecnol ´ogico consiste no princ´ıpio de integrac¸ ˜ao de propriedades el ´etricas encontradas em dispositivos comuns, como mobilidade de portadores de carga, `as caracter´ısticas t´ıpicas de materiais org ˆanicos como flexibilidade mec ˆanica, baixo custo e facilidade de fabricac¸ ˜ao, ampla gama de substratos e processabilidade em diversos solventes.
Exemplos de dispositivos org ˆanicos s ˜ao OLEDs, Transistores de Efeito de Campo Org ˆanicos (OFETs 4), Diodos Org ˆanicos (ODs5), c ´elulas fotovoltaicas, biosensores, tags de r ´adio frequ ˆencia, mem ´orias org ˆanicas e outros componentes que possibilitam a inovac¸ ˜ao em aplicac¸ ˜oes cotidianas. A Tabela 1.1 exibe uma relac¸ ˜ao de poss´ıveis finalidades de dispositivos org ˆanicos em diferentes setores industriais, entre elas en- contram-se tanto as mais comuns como OLEDs em pain ´eis edisplaysflex´ıveis, quanto as mais complicadas como sensores biol ´ogicos. Neste sentido, percebe-se que a eletr ˆonica org ˆanica n ˜ao ´e um campo tecnol ´ogico com apenas uma aplicac¸ ˜ao que o mant ´em no mercado, mas sim uma ind ´ustria em maturac¸ ˜ao que est ´a crescendo em diversos setores (KARIMOV; KHAN; QAZI, 2009; OA-E7, 2016; FORREST; THOMP- SON,2007; KELLEY et al., 2004).
3do ingl ˆes -Organic Light Emitting Diodes
4do ingl ˆes -Organic Field-Effect Transistors
5do ingl ˆes -Organic Diodes
TABELA 1.1: Principais aplicac¸ ˜oes da eletr ˆonica org ˆanica em importantes setores industriais.
Setor Aplicac¸ ˜oes
Automotiva Iluminac¸ ˜ao de OLEDs para elementos encontrados no interior e no exterior do autom ´ovel; displays curvos; sensores de toque; colheita de energia
utilizando c ´elulas fotovoltaicas org ˆanicas Eletr ˆonicos com foco no
consumidor
Displays dobr ´aveis e flex´ıveis para
telefones/tablets/dipositivos vest´ıveis; displays para aplicac¸ ˜oes decorativas; lumin ´arias de OLED;
superf´ıcies funcionais etouch; tecnologia vest´ıvel
´Area da sa´ude Displays para uso em dispositivos vest´ıveis e rel ´ogios inteligentes; biosensores; OLEDs para terapia da luz;
biocompatibilidade de materiais e substratos;
monitoramento e diagn ´ostico: em cl´ınicas, automonitoramento para cuidados preventivos, para
bem estar
Internet das coisas Integrac¸ ˜ao de displays em objetos cotidianos; fontes de energia baseadas em c ´elulas fotovoltaicas org ˆanicas para dispositivos aut ˆonomos; etiquetas inteligentes, incluindo amostragem de temperatura Impressos e embalagem Displays de baixo custo e consumo para etiquetas de
prec¸o e melhora de embalagens; etiquetas etickets inteligentes; embalagens inteligentes que combinam
sistemas de sensores, colheita de energia e armazenamento
(Continua)
TABELA 1.1: Principais aplicac¸ ˜oes da eletr ˆonica org ˆanica em importantes setores industriais.
(Continuac¸ ˜ao)
Setor Aplicac¸ ˜oes
Contruc¸ ˜oes inteligentes C ´elulas fotovoltaicas para sensores aut ˆonomos;
OLEDs como iluminac¸ ˜ao de
decorac¸ ˜ao/arquitetural/funcional; sistemas de sensores para uso durante e depois da construc¸ ˜ao (temperatura, umidade, integridade estrutural) e para
gerenciamento de energia (janelas inteligentes) FONTE: OA-E7 (2016).
Anualmente, a Organic and Printed Electronics Association (OE-A) publica um roteiro para as principais aplicac¸ ˜oes da eletr ˆonica org ˆanica com foco em previs ˜oes de mercado a longo prazo e em alta escala. Na Tabela 1.2 encontram-se as perspec- tivas do roteiro de 2017 e ´e poss´ıvel observar que h ´a cinco linhas principais, sendo elas iluminac¸ ˜ao atrav ´es de OLEDs, c ´elulas fotovoltaicas org ˆanicas, displays e pain ´eis flex´ıveis de OLEDs, dispositivos impressos e sistemas inteligentes. Percebe-se que, apesar de ainda n ˜ao causar mudanc¸as significativas no mercado dos semicondutores, a eletr ˆonica org ˆanica j ´a ´e realidade e se encontra principalmente na forma dedisplays flex´ıveis e televisores curvos, nos quais s ˜ao aplicados OLEDs, que fornecem melhor qualidade de imagem coloridas e em preto e branco, espessura mais fina e melhor tempo de resposta. Al ´em disso, ´e uma plataforma tecnol ´ogica com imenso potencial de evoluc¸ ˜ao, como visto nas sec¸ ˜oes de longo prazo da tabela e, ainda que apresente produc¸ ˜ao em massa de OLEDs, ´e preciso uma integrac¸ ˜ao de desenvolvimento na ca- deia de criac¸ ˜ao desde a escolha e deposic¸ ˜ao dos materiais utilizados at ´e a adaptac¸ ˜ao das aplicac¸ ˜oes para fins de consumo. Isto ´e, ´e necess ´ario que haja progresso em todas as etapas da cadeia de valores para que a eletr ˆonica org ˆanica ganhe espac¸o na ind ´ustria eletr ˆonica mundial. Estima-se que esse processo leve de cinco a vinte anos, dependendo da aplicac¸ ˜ao (RIVERA; TEIXEIRA, 2013; OE-A, 2016).
TABELA1.2:Aplicac¸˜oesdaeletrˆonicaorgˆanicaeprevis˜oesdemarcado Existente2017Curtoprazo2018-2020M´edioprazo2021-2023Longoprazo2024+ Iluminac¸˜aode OLEDM´odulosr´ıgidosdeOLED branco;Aplicac¸˜oesauto- motivasparaOLEDsver- melhoser´ıgidos;
OLEDscoloridose flex´ıveis;OLEDsbran- coseflex´ıveis OLEDstransparentes; OLEDsflex´ıveisever- melhosparaaplicac¸˜oes automotivas;
OLEDs3D;Sinalizac¸˜ao dinˆamicacomOLEDs;Fi- taslongas;OLEDsaplica- dosailuminac¸˜aoemgeral; C´elulasfo- tovoltaicas orgˆanicas
Carregadoresfotovoltaicos port´ateisFolhasdegrande´area;ob- jetosfotovoltaicos;c´elulas fotovoltaicasopacaspara integrac¸˜aoempr´edios
C´elulasfotovoltaicasinte- gradasaprodutosprediaisC´elulasfotovoltaicasem embalagens;Colheitade energiacombinadaaar- mazenamento Flex´ıveiseDis- playsdeOLEDDisplaysdeOLEDcurva- dos;Etiquetas,Displays secund´ariosemcelulares; displaysparavest´ıveis
Pulseiras;displaystrans- parentes;maiorintegrac¸˜ao dedisplaysevest´ıveis Displayscurvadospara aplicac¸˜aoemautom´oveis; integrac¸˜aoemvestimentas
Displayscomopapelde parede Eletrˆonicose componentesDispositivosimpressos; mem´oria,RFID,antenas, baterias;sensores:glu- cose,toque,temperatura, umidade
Dispositivosde comunicac¸˜aoimpres- sosbaseadosemantenas, sensoresleves;resistores econdutoresestic´aveis; sensoresdetoque3D Bateriasdel´ıtioimpressas; supercapacitoresimpres- sos;sensoresdegestose toque
L´ogicacomplexaeim- pressa;eletrˆonicadegran- des´areasflex´ıvele3D SistemasInteli- gentesIntegra- dos
Sensoresdeglucoseapli- cadosaocorpo;sensores depress˜ao;etiquetasNFC (doinglˆesNearFieldCom- munication Etiquetasinteligentes;dis- playseeletrˆonicaembar- cados Emplastrosparamonitora- mentoemhumanos;sen- soresdescart´aveispara qualidadealiment´ıcia;sen- soresbiom´edicos Tagsderadiofrequˆencia totalmenteimpressas; etiquetasNFC;sensores paraseguranc¸a(explosi- vos) FONTE:OA-E7(2016)
A cadeia de valores da eletr ˆonica org ˆanica mostrada na Fig. 1.5 descreve desde a escolha dos materiais at ´e suas principais aplicac¸ ˜oes. Embora tenham algumas propriedades semelhantes, os dispositivos org ˆanicos e os convencionais apresentam processos de fabricac¸ ˜ao consideravelmente diferentes. Como ´e poss´ıvel visualizar na sec¸ ˜ao de processos produtivos, h ´a diversos m ´etodos de obtenc¸ ˜ao das camadas de materiais org ˆanicos. Exemplos de processos de deposic¸ ˜ao em que mol ´eculas e pol´ımeros podem ser adotados s ˜ao impress ˜oes, deposic¸ ˜oes a v ´acuo, fotolitografia e spin coating, sendo que todos incentivam a expans ˜ao da eletr ˆonica org ˆanica, pois, s ˜ao procedimentos que prop ˜oem baixo custo e facilidade de processamento (RIVERA;
TEIXEIRA, 2013; FORREST; THOMPSON,2007).
FIGURA 1.5: Cadeia de valores da Eletr ˆonica Org ˆanica
FONTE: Rivera; Teixeira (2013).
No contexto de fabricac¸ ˜ao em larga escala, baixo custo e facilidade de proces- samento s ˜ao alguns dos benef´ıcios que a eletr ˆonica org ˆanica oferece. E entre os restantes, encontram-se a variedade de substratos que podem ser utilizados, versa-
tilidade das caracter´ısticas dos materiais atrav ´es de diferentes s´ınteses e compati- bilidade com diversos solventes. Portanto, com a f ´acil manipulac¸ ˜ao das proprieda- des das mol ´eculas e pol´ımeros utilizados em dispositivos org ˆanicos, torna-se vi ´avel a utilizac¸ ˜ao de um mesmo material para diversas aplicac¸ ˜oes. O leque de poss´ıveis sol- ventes, associado aos diferentes substratos dispon´ıveis e ao fato de que grande parte dos materiais org ˆanicos podem ser tratados em baixas temperaturas e em ambien- tes menos controlados, quando comparados a semicondutores como o sil´ıcio, levam a utilizac¸ ˜ao de pr ´aticas comumente adotadas na ind ´ustria de semicondutores e que apresentam t ´ecnicas mais simples e com melhor custo-benef´ıcio (SHAW; SEIDLER, 2001; KARIMOV; KHAN; QAZI, 2009; FORREST; THOMPSON,2007).
Resumindo, as principais caracter´ısticas que tornam a eletr ˆonica org ˆanica uma das plataformas mais promissoras da ind ´ustria dos semicondutores s ˜ao a possibili- dade de produc¸ ˜ao cont´ınua, robustez, flexibilidade mec ˆanica, leveza, variedade de substratos e solventes, processabilidade em baixas temperaturas, abund ˆancia de ma- teriais e possibilidade de aplicac¸ ˜oes amig ´aveis com o meio ambiente (SHAW; SEI- DLER, 2001; KARIMOV; KHAN; QAZI, 2009; RIVERA; TEIXEIRA, 2013; KELLEY et al., 2004; M ¨ULLER, 2009).
Por outro lado, h ´a diversos obst ´aculos impedindo que a eletr ˆonica org ˆanica al- cance todo seu potencial tecnol ´ogico. E entre eles est ˜ao a otimizac¸ ˜ao de carac- ter´ısticas como performance, estabilidade, confiabilidade e tempo de vida, pois, al ´em dos dispositivos serem sujeitos `a degradac¸ ˜ao por umidade, variac¸ ˜oes t ´ermicas e luz ultravioleta, a reprodutibilidade e a mobilidade de portadores de carga podem ser afe- tadas pela desordem da cadeia polim ´erica. Isto ´e, h ´a desafios com relac¸ ˜ao a cus- tos, processos, encapsulamento, produc¸ ˜ao em larga escala e padr ˜oes de fabricac¸ ˜ao e inspec¸ ˜ao. Sendo assim, n ˜ao existe uma ´unica soluc¸ ˜ao para todas as aplicac¸ ˜oes, j ´a que h ´a grande variac¸ ˜ao nas condic¸ ˜oes em que os dispositivos s ˜ao incrementados (SHAW; SEIDLER, 2001; KARIMOV; KHAN; QAZI, 2009; RIVERA; TEIXEIRA, 2013;
OE-A, 2016; FORREST; THOMPSON,2007).
A eletr ˆonica org ˆanica encontra-se em um momento de evoluc¸ ˜ao, no qual h ´a grande esforc¸o na investigac¸ ˜ao e experimentac¸ ˜ao para que os desafios encontra- dos ao longo da produc¸ ˜ao e aplicac¸ ˜ao dos dispositivos possam ser vencidos, ou seja, o crescimento da ind ´ustria ´e realista. As principais tend ˆencias para a eletr ˆonica org ˆanica, segundo a OE-A s ˜ao (RIVERA; TEIXEIRA, 2013):
• Displaysde OLED continuar ˜ao a ser o maior sucesso entre as aplicac¸ ˜oes org ˆanicas e ainda dominar ˜ao o mercado da eletr ˆonica org ˆanica;
• Setores industriais importantes t ˆem adotado a eletr ˆonica org ˆanica;
• Troca de dispositivos vest´ıveis/dobr ´aveis por produtos estic ´aveis;
• Crescimento de sistemas h´ıbridos, que integram sil´ıcio e materiais org ˆanicos;
• Eletr ˆonica org ˆanica est ´a se estabelecendo na ind ´ustria de semicondutores;
• Crescimento realista continua e h ´a produtos org ˆanicos em um maior n ´umero de aplicac¸ ˜oes.
Logo, de acordo com o potencial tecnol ´ogico e econ ˆomico da eletr ˆonica org ˆanica, o presente projeto se prop ˜oe a fabricac¸ ˜ao de dispositivos org ˆanicos multicamada que adotem o poli(3-hexiltiofeno) (P3HT) como camada semicondutora associada a uma camada nanoestruturada de di ´oxido de tit ˆanio (TiO2) a fim de reproduzir o sucesso da utilizac¸ ˜ao desses materiais em c ´elulas fotovoltaicas e em outras aplicac¸ ˜oes (THOMAZI et al., 2014).
1.3.1 Objetivos
O objetivo geral desta dissertac¸ ˜ao resume-se a fabricac¸ ˜ao, caracterizac¸ ˜ao e es- tudo de dispositivos eletr ˆonicos org ˆanicos multicamada, sendo eles OFETs e diodos, utilizando pol´ımeros conjugados e di ´oxido de tit ˆanio.
Para fins de atingir o prop ´osito principal do projeto, objetivos espec´ıficos foram definidos e seguem abaixo:
• Especificac¸ ˜ao da estrutura dos dispositivos e dos materiais a serem implemen- tados;
• Fabricac¸ ˜ao dos dispositivos;
• Ajustes no sistema de fabricac¸ ˜ao de modo a obter um m ´etodo funcional e repro- dut´ıvel;
• Caracterizac¸ ˜ao e an ´alise dos dispositivos.
1.4 Estrutura desta Dissertac¸ ˜ao
No presente cap´ıtulo foram apresentadas as principais ideias relacionadas a eletr ˆonica org ˆanica a fim de situar o leitor sobre o estado da arte, buscando expla- nar a contribuic¸ ˜ao deste trabalho. No Cap´ıtulo 2 ser ´a apresentada a Fundamentac¸ ˜ao Te ´orica pertinente para a compreens ˜ao da condutividade em pol´ımeros, princ´ıpio de funcionamento e geometrias de diodos e transistores org ˆanicos e obtenc¸ ˜ao de carac- ter´ısticas do P3HT e TiO2. No Cap´ıtulo 3 ser ˜ao apresentados as t ´ecnicas de obtenc¸ ˜ao de nanoestruturas de di ´oxido de tit ˆanio, bem como sua caracterizac¸ ˜ao e a an ´alise dos resultados adquiridos. J ´a no Cap´ıtulo 4, ser ˜ao encontrados os processos de fabricac¸ ˜ao e an ´alise de curvas I-V obtidas atrav ´es da caracterizac¸ ˜ao de Transistores de Efeito de Campo Org ˆanicos e Diodos T ´unel Org ˆanico.
Cap´ıtulo 2
Fundamentac¸ ˜ao Te ´orica
Neste cap´ıtulo ser ˜ao apresentados os conceitos te ´oricos voltados aos principais t ´opicos abrangidos durante o desenvolvimento deste projeto. Tamb ´em ser ˜ao aborda- dos exemplos da literatura, principais estruturas e geometrias e, os principais materiais utilizados.
2.1 Pol´ımeros Conjugados
Pol´ımeros1s ˜ao macromol ´eculas constitu´ıdas por unidades, chamadas mon ˆome- ros, que se repetem in ´umeras vezes. Cada mon ˆomero pode ser considerado uma mol ´ecula isolada que apresenta ligac¸ ˜oes covalentes com outras mol ´eculas e que con- siste de orbitais moleculares (FALEIROS, 2007; DE ALMEIDA, 2009; JASTROMBEK, 2016).
Pol´ımeros conjugados, portanto, s ˜ao macromol ´eculas com repetic¸ ˜ao de unida- des, nas quais h ´a altern ˆancia de ligac¸ ˜oes simples e duplas. Refere-se `as ligac¸ ˜oes simples como σ e, `as duplas, como σ e π, sendo que as ligac¸ ˜oes π fornecem aos materiais conjugados caracter´ısticas fotof´ısicas e de condutividade el ´etrica. Isto ´e, uma estrutura que apresenta altern ˆancia de ligac¸ ˜oes possivelmente se comportar ´a como um semicondutor org ˆanico, assim caracterizando uma classe de materiais que associam propriedades t´ıpicas dos pol´ımeros como flexibilidade mec ˆanica e facilidade de processamento a caracter´ısticas encontradas principalmente em semicondutores inorg ˆanicos (FALEIROS, 2007; JASTROMBEK, 2016; THOMAZI, 2016; FURUKAWA, 2001; H ¨UMMELGEN; ROMAN; LIMA, 1998; SALZMANN et al., 2016).
1do grego, ondepoli significa muitos emeros corresponde a partes
O principal elemento encontrado em cadeias conjugadas ´e o carbono, seguido por hidrog ˆenio e alguns hetero ´atomos que podem ser inclu´ıdos na estrutura molecular.
Neste contexto, a configurac¸ ˜ao eletr ˆonica do carbono consiste em 1s2 2s2 2p2, no entanto, como os orbitais 2s e 2p s ˜ao muito pr ´oximos energeticamente, h ´a a criac¸ ˜ao de orbitais h´ıbridos, sendo eles, para o carbono, sp, sp2 e sp3 (JASTROMBEK, 2016;
THOMAZI, 2016).
´E poss´ıvel ver na Fig. 2.1.a que a hibridizac¸˜ao sp2se caracteriza pela superposic¸ ˜ao dos orbitais 2s, 2px e 2py, a qual acarreta na formac¸ ˜ao de tr ˆes novos orbitais σ em conjunto com orbitais pz. Quando no estado sp2, o carbono apresenta tr ˆes ligac¸ ˜oes σ, duas com outros ´atomos de carbono e uma com hidrog ˆenio ou outras cadeias po- lim ´ericas, por fim, h ´a uma ligac¸ ˜ao π da superposic¸ ˜ao dos orbitais pz com ´atomos de carbono vizinhos (FALEIROS, 2007; JASTROMBEK, 2016; THOMAZI, 2016).
FIGURA 2.1:(a) Ilustrac¸ ˜ao das ligac¸ ˜oesσeπentre dois ´atomos de carbono vizinhos. (b) Mol ´ecula de Benzeno, na qual ´e poss´ıvel ver a deslocalizac¸ ˜ao dos el ´etronsπcom a superposic¸ ˜ao dos orbitais pz.
FONTE: adaptado de Nawaz (2017).
A Fig. 2.1.b mostra uma mol ´ecula de benzeno, a qual ´e considerada uma das cadeias conjugadas mais est ´aveis, suas ligac¸ ˜oesσencontradas no plano e as ligac¸ ˜oes πortogonais ao plano da cadeia. A interac¸ ˜ao entre orbitais pz vizinhos gera uma regi ˜ao em que os el ´etrons π s ˜ao espacialmente deslocalizados e encontrados sobre todo o esqueleto molecular do pol´ımero conjugado, isto porque as ligac¸ ˜oesπs ˜ao mais fracas e deslocalizadas do que as σ, onde os el ´etrons ficam principalmente localizados no sentido da ligac¸ ˜ao (DE ALMEIDA, 2009; JASTROMBEK, 2016; NAWAZ, 2017).
Atrav ´es da interac¸ ˜ao entre os orbitais at ˆomicos de carbonos vizinhos, s ˜ao criados os orbitais moleculares ligantes e antiligantes,σeπe,σ* eπ*, respectivamente. Como visto na Fig. 2.2 a separac¸ ˜ao energ ´etica entre os orbitais σ ligante e antiligante (E1)
´e maior que a diferenc¸a entre πeπ* (E2). De acordo com a probabilidade de estados dos el ´etrons, o orbital ocupado ser ´a o de maior energia, ou seja, o orbital ligante π, que nesse caso pode ser denominado como HOMO 2, ´e considerado o orbital de maior energia ocupado. Sendo assim, o orbital antiligante π* ´e considerado o orbital de menor energia desocupado ou LUMO 3 (DE ALMEIDA, 2009; THOMAZI, 2016;
H ¨UMMELGEN; ROMAN; LIMA, 1998).
FIGURA 2.2:Orbitais ligantes e antiligantesσeπe,σ* eπ*.
FONTE: a autora.
A estrutura de bandas HOMO e LUMO pode ser comparada `as bandas de val ˆencia e de conduc¸ ˜ao encontradas em materiais inorg ˆanicos, bem como a diferenc¸a de ener- gia entre os orbitais pode ser tamb ´em classificada comoband gapou banda proibida.
Em pol´ımeros conjugados, o valor deband gappode variar entre 1,5 a 3,5 eV e serve de par ˆametro para medida de excitac¸ ˜ao de el ´etrons, pois, quanto menor o valor do gap, menor a energia exigida para el ´etrons serem excitados (DE ALMEIDA, 2009;
JASTROMBEK, 2016; THOMAZI, 2016; H ¨UMMELGEN; ROMAN; LIMA, 1998).
Como em materiais conjugados a distribuic¸ ˜ao dos n´ıveis de HOMO e LUMO est ˜ao suscet´ıveis a estrutura polim ´erica e a sua aleatoriedade com relac¸ ˜ao a tamanho e defeitos, a melhor representac¸ ˜ao desses orbitais ´e uma gaussiana. Um exemplo de distribuic¸ ˜ao de HOMO e LUMO ´e encontrado na Fig. 2.3, bem como as armadi- lhas de carga, ou seja, regi ˜oes altamente localizadas, vistas entre as extremidades das distribuic¸ ˜oes. A presenc¸a de ´areas com armadilhas retratam uma limitac¸ ˜ao no
2do ingl ˆes - Highest Occupied Molecular Orbital
3do ingl ˆes - Lowest Unoccupied Molecular Orbital
transporte de portadores, j ´a que, s ˜ao necess ´arias grandes quantidades de energia para possibilitar que a carga chegue ao n´ıvel de transporte (JASTROMBEK, 2016;
THOMAZI, 2016; NAWAZ, 2017).
FIGURA 2.3: Distribuic¸ ˜ao de HOMO e LUMO para um pol´ımero conjugado, na qual s ˜ao encontra- dos estados intermedi ´arios entre as extremidades das curvas de HOMO e LUMO.
FONTE: Thomazi (2016).
Como visto na Fig. 2.4, um semicondutor org ˆanico apresenta segmentos con- jugados, representados pelos ret ˆangulos azuis, isto ´e, a conjugac¸ ˜ao pode ser inter- calada com regi ˜oes amorfas, normalmente criadas por defeitos estruturais e inserc¸ ˜ao de impurezas, e apresentar variac¸ ˜ao de comprimento. ´E poss´ıvel confirmar na figura que quanto menor o comprimento do segmento, mais localizados ser ˜ao os el ´etrons e, portanto, maior o valor doband gap (DE ALMEIDA, 2009; THOMAZI, 2016; SALVATI- ERRA, 2014).
Os estados nos quais os portadores de carga de um pol´ımero conjugado s ˜ao en- contrados s ˜ao conhecidos como ´exitons, p ´olarons e bip ´olarons. Enquanto os ´excitons dependem do spin presente nas cargas para serem definidos, os p ´olarons surgem quando um portador de carga negativa ´e adicionado ao LUMO ou retirado do HOMO e ´e associado a uma deformac¸ ˜ao estrutural no segmento conjugado. Dessa forma, um bip ´olaron ´e constitu´ıdo pela combinac¸ ˜ao de dois p ´olarons de mesmo sinal (THOMAZI, 2016; FURUKAWA, 2001).
FIGURA 2.4:Representac¸ ˜ao de segmentos conjugados de uma cadeia polim ´erica.
FONTE: a autora.
2.2 Condutividade em Pol´ımeros
A condutividade dos materiais ´e normalmente definida pela relac¸ ˜ao entre n ´umero de portadores de carga e sua mobilidade, por ´em, para materiais polim ´ericos ´e necess ´ario que sejam consideradas as influ ˆencias de impurezas e de portadores aprisionados em estados localizados criados pela desordem estrutural (THOMAZI, 2016; SALVATI- ERRA, 2014).
Sendo assim, a condutividade encontrada em pol´ımeros conjugados n ˜ao dopa- dos, ou com baixos graus de dopagem, ´e baseada principalmente no mecanismo de tunelamento de el ´etrons denominado hopping, atrav ´es do qual portadores de carga realizam pulos entre diferentes estados energ ´eticos para atravessar o band gap. A Fig. 2.5 ilustra o fen ˆomeno de modo que ´e poss´ıvel verificar a excurs ˜ao do el ´etron entre os orbitais de ´atomos de carbono vizinhos.
FIGURA 2.5: Movimentac¸ ˜ao de um el ´etron entre ´atomos de carbono atrav ´es de hopping. Na figura,
”t”especifica os saltos realizados.
FONTE: a autora.
Como os portadores n ˜ao possuem energia suficiente para passar do HOMO para o LUMO diretamente e, como h ´a estados localizados distribu´ıdos aleatoriamente no in- terior da banda proibida, o transporte dessas cargas depende da absorc¸ ˜ao e emiss ˜ao de energia vibracional provinda de f ˆonons que auxilia os portadores a transitar de um s´ıtio intermedi ´ario ao outro. Os saltos s ˜ao termicamente ativados, ou seja, caso hou- ver aumento de temperatura, a quantidade de f ˆonons presentes no sistema aumenta e, ent ˜ao, os el ´etrons alcanc¸am n´ıveis energ ´eticos mais altos e a condutividade do ma- terial aumenta. No entanto, se houver diminuic¸ ˜ao da temperatura, por consequ ˆencia haver ´a diminuic¸ ˜ao na condutividade do material, j ´a que haver ˜ao menos f ˆonons para assistir o tunelamento (JASTROMBEK, 2016; THOMAZI, 2016; SALVATIERRA, 2014).
Em situac¸ ˜ao oposta ao hopping, h ´a o modelo para materiais polim ´ericos dopa- dos, no qual a condutividade ´e dependente da quantidade de dopantes injetados e portadores como p ´olarons e bip ´olarons movem-se ao longo das cadeias por meio de mudanc¸as geom ´etricas. ´E importante ressaltar que para materiais altamente dopados a condutividade diminui ao inv ´es de aumentar, j ´a que os portadores encontram maior quantidade de armadilhas e centros de dispers ˜ao, o que prejudica sua mobilidade (FURUKAWA, 2001; SALZMANN et al., 2016; SALVATIERRA, 2014).
Um fator que influencia a performance de dipositivos optoeletr ˆonicos org ˆanicos com relac¸ ˜ao `a condutividade ´e o contato org ˆanico/inorg ˆanico, visto que, atrav ´es da in- terface entre os materiais org ˆanicos e inorg ˆanicos ocorre limitac¸ ˜ao de corrente ou n ˜ao.
Isto ´e, a passagem de portadores entre os materiais pode ser facilitada ou bloqueada dependendo do tipo de contato utilizado e de como ele se comporta com relac¸ ˜ao `as func¸ ˜oes trabalho do metal e do pol´ımero. Sendo assim, h ´a dois principais tipos de contato, o ˆohmico e o Schottky, que limitam corrente por meio da mobilidade de porta-
dores e de barreiras de potencial, respectivamente.
No caso do contato ˆohmico, h ´a ac ´umulo de cargas positivas no interior do pol´ıme- ro, j ´a que a func¸ ˜ao trabalho do metal ´e maior do que a do material org ˆanico e h ´a movimentac¸ ˜ao de cargas do pol´ımero para o metal, o que causa a formac¸ ˜ao de uma regi ˜ao de acumulac¸ ˜ao na interface entre os materiais. O contato Schottky ocorre quando a func¸ ˜ao trabalho do pol´ımero ´e maior que a do metal e, portanto, h ´a injec¸ ˜ao de cargas negativas no material org ˆanico, o que cria uma regi ˜ao de deplec¸ ˜ao ou tamb ´em chamada de barreira Schottky na inteface metal/pol´ımero tornando o contato um blo- queador (THOMAZI, 2016).
2.3 P3HT e PVA
2.3.1 P3HT
A Fig. 2.6 apresenta a estrutura qu´ımica de um pol´ımero conjugado denomi- nado Poli(3-hexiltiofeno), mais conhecido como P3HT. A estrutura de um mon ˆomero de P3HT consiste de um anel arom ´atico de tiofeno com altern ˆancia de ligac¸ ˜oes sim- ples e duplas, o qual ´e anexado a uma cadeia lateral de aquil. O P3HT ´e um dos pol´ımeros conjugados mais estudados e aplicados `a eletr ˆonica org ˆanica. Isso por- que este pol´ımero oferece vantagens com relac¸ ˜ao a outros materiais, sendo elas pro- cessabilidade em diversas soluc¸ ˜oes, compatibilidade com processos de produc¸ ˜ao de alta produtividade, estabilidade, baixa toxicidade, extenso sistema conjugado e carac- ter´ısticas el ´etricas, como alta condutividade el ´etrica com mobilidade de portadores de carga em torno de 10−2cm2V−1s−1, taxa de recombinac¸ ˜ao de 2,3 ~0,023 10−6 e band gap de aproximadamente 2 eV (THOMAZI, 2016; NAWAZ, 2017; HOLLIDAY et al., 2016; ESENTURK; MELINGER; HEILWEIL, 2008; YANG, 2013).
FIGURA 2.6:Estrutura qu´ımica do P3HT.
FONTE: Nawaz (2017).
Lee (2013) relata que a mobilidade de pol´ımeros, incluindo o P3HT, ´e dependente de uma s ´erie que fatores envolvendo peso molecular, comprimento e funcionalidade das cadeias laterais, morfologia do filme associada `a regioregularidade e `a cristalini- dade do material, assim como o alinhamento das cadeias moleculares.
Filmes finos de P3HT consistem de uma distribuic¸ ˜ao de regi ˜oes amorfas e cris- talinas, sendo que sua cristalinidade ´e diretamente dependente da regioregularidade do pol´ımero. A regioregularidade do P3HT ´e dada pela organizac¸ ˜ao das cadeias la- terais e pela posic¸ ˜ao em que os mon ˆomeros se ligam. A exemplo da Fig. 2.7.a, as cadeias laterais s ˜ao conectadas na posic¸ ˜ao 3 ou 4 do mon ˆomero e est ˜ao todas apon- tando para a mesma direc¸ ˜ao, sendo que a repetic¸ ˜ao das unidades principais segue o padr ˜ao cabec¸a-cauda (2,5’), ou seja, as unidades ser ˜ao conectadas pela posic¸ ˜ao 2 e 5. J ´a na Fig. 2.7.b ´e visto um exemplo de P3HT irregular, que pode seguir padr ˜oes de ligac¸ ˜ao cabec¸a-cabec¸a (2,2’) ou cauda-cauda (5,5’) e, apresenta cadeias laterais com sentidos n ˜ao concordantes (NAWAZ, 2017; DIXON et al., 2018; LEE et al., 2013).
De acordo com Mas-Torrent (2011) o P3HT regiorregular ´e o pol´ımero mais estudado para aplicac¸ ˜oes em OFETs, j ´a que, com a utilizac¸ ˜ao deste material, os dispositivos fabricados alcanc¸aram uma das melhores mobilidades, cerca de 0,1 a 0,2 cm2V−1s−1, encontradas em OFETs com pol´ımeros conjugados. Segundo Cook (2008) e Holliday (2016) o P3HT ´e o semicondutor org ˆanico mais usado em c ´elulas fotovoltaicas org ˆanicas e o ´unico que est ´a dispon´ıvel em grandes quantidades para
produc¸ ˜ao em alta escala de pain ´eis solares org ˆanicos comerciais e impressos. O P3HT foi implementado como doador de cargas (material do tipo p) com sucesso em aplicac¸ ˜oes como c ´elulas fotovoltaicas org ˆanicas e OFETs por Thomazi (2014), Dang (2011) e por Nawaz (2017), e em sensores de gases por Han (2016) e Xie (2015).
FIGURA 2.7: (a) P3HT regioregular, onde os n ´umeros em vermelhor correspondem as posic¸ ˜oes em que ligac¸ ˜oes podem ser feitas. (b) P3HT irregioregular.
FONTE: Adaptado de Nawaz (2017).
2.3.2 PVA
O ´alcool polivin´ılico, mais conhecido como PVA, ´e uma macromol ´ecula que foi sintetizada pela primeira vez em 1942 por Hermann e Haehnel atrav ´es da hidr ´olise de acetato de polivinila em etanol e hidr ´oxido de pot ´assio. Este pol´ımero ´e um material sint ´etico, inodoro, ins´ıpido, transl ´ucido, que apresenta gr ˜aos de colorac¸ ˜ao branca ou creme muito utilizado em aplicac¸ ˜oes como isolantes org ˆanicos comband gapde apro- ximadamente 5,56 eV, membrana de separa-
c¸ ˜ao de misturas gasosas e l´ıquidas e, encapsulamento aliment´ıcio. Algumas de suas principais caracter´ısticas que atraem atenc¸ ˜ao s ˜ao a n ˜ao toxicidade, solubilidade em
´agua, alta constante diel ´etrica (entre 5 e 8), alta capacidade de armazenamento de cargas, disponibilidade no mercado, baixo custo de produc¸ ˜ao, flexibilidade mec ˆanica, compatibilidade com substratos flex´ıveis e f ´acil formac¸ ˜ao de camadas uniformes por meio de m ´etodos de deposic¸ ˜ao simples, al ´em de ser biodegrad ´avel. Grande parte das propriedades do PVA s ˜ao dependentes do n´ıvel de hidr ´olise no qual o pol´ımero foi sintetizado (JASTROMBEK, 2016; NAWAZ, 2017; TESEI; PARADOSSI; CHIESSI, 2012; KULSHRESTHA; CHATTERJEE; GUPTA, 2014).
FIGURA 2.8: Estrutura qu´ımica do ´alcool polivin´ılico.
FONTE: Nawaz (2017).
Jastrombek (2016) e Nawaz (2017) reportaram o uso de PVA como camada diel ´etrica de OFETs, no entanto, devido a grande quantidade de armadilhas de carga associadas aos grupos cetona e hidroxila presentes na estrutura qu´ımica do pol´ımero, como visto na Fig. 2.8, foi proposta a realizac¸ ˜ao decross-link para tratar a superf´ıcie da camada diel ´etrica antes da deposic¸ ˜ao do semicondutor org ˆanico. De acordo com Nawaz (2017), que utilizou uma interface de PVA e P3HT 98% regioregular, o cross- link do PVA quando combinado ao P3HT regioregular n ˜ao resulta em melhora na per- formance dos dispositivos fabricados, enquanto o PVA sem tratamento de superf´ıcie mostrou-se a melhor opc¸ ˜ao para melhora na mobilidade de portadores.
2.4 Diodos Org ˆanicos
Entre dispositivos org ˆanicos como OLEDs, OFETs, mem ´orias org ˆanicas e c ´elulas fotovoltaicas, os diodos org ˆanicos n ˜ao s ˜ao t ˜ao extensamente estudados e difundidos, mesmo que sejam de fundamental import ˆancia em quesitos como retificac¸ ˜ao de sinais AC para DC. Assim como diodos a base de sil´ıcio, os diodos org ˆanicos separam-se em diversas categorias, entre elas encontram-se os diodos Schottky, Zener, T ´unel e retificador. De acordo com a literatura, a principal geometria fabricada ´e a verti- cal/empilhada, na qual, as camadas s ˜ao depositadas uma sobre as outras, sendo poss´ıvel encontrar duas estruturas que s ˜ao comumente implementadas neste tipo de dispositivo, a MIM4e PIN5(KRAFT, 2017).
Lin et al. (2011) relatou a fabricac¸ ˜ao de diodos retificadores de alta frequ ˆencia para aplicac¸ ˜ao em folhas flex´ıveis e sem fio para transmiss ˜ao de energia. Conforme
4do ingl ˆes Metal- Insulator- Metal
5material do tipo p - material intr´ınseco - material do tipo n
os autores citam no trabalho, retificadores org ˆanicos podem consistir de duas estrutu- ras, a de um diodo Schottky e a de um Transistor de Filme Fino (TFT) adaptada para trabalhar como diodo. No caso, o tempo de resposta da estrutura baseada em um TFT ´e limitada pelo comprimento do canal. J ´a para dispositivos inspirados em dio- dos Schottky, a espessura da camada ativa pode ser regulada de forma a capacitar operac¸ ˜ao em altas frequ ˆencias. Alguns dos requisitos para implementac¸ ˜ao de diodos retificadores a altas frequ ˆencias s ˜ao alta densidade de corrente em polarizac¸ ˜ao direta, baixa densidade de corrente em polarizac¸ ˜ao reversa, para que a corrente de fuga seja m´ınima, e baixa tens ˜ao de ativac¸ ˜ao a fim de reduzir a queda de tens ˜ao no diodo e assim, aumentar a tens ˜ao de sa´ıda.
Foram produzidos dispositivos com dois tipos de politiofeno, P3HT e PQT-126, sendo que o PQT-12 ´e utilizado em duas formas, purificado e comum. No caso, o diodo retificador com melhor performance foi o que utilizou o PQT-12 purificado, j ´a que este apresenta boa resposta em polarizac¸ ˜ao direta, maior relac¸ ˜ao de retificac¸ ˜ao e maiores frequ ˆencias de operac¸ ˜ao (LIN et al., 2011)
6do ingl ˆespoly(3,3”’didodecylquarterthiophene)