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Rev. Bras. Enferm. vol.41 número34 v41n3 4a11

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COOPERAÇÃO INTERNACIONAL EM ENFERMAGEM

1

INTRODUÇÃO

A diusão, o aproundamento e a busca de novos

conhecimentos seja no camo a cultura ou da téc­

nica vem aproximando povos e marcando a sua his­

tória desde éocas remotas, contudo no século XX

o desenvolvimento

s

tecnologias de transorte e

comunicação ermitiu um maior avanço desse meca­

nismo. A coeração intenacipnal tem no seu ojo

concepções de distntas naturezas que vão desde uma

relação de ra ermeada ela compreeão da deter­

minação scial dos processos econÔmicos, políticos

e ideológicos de cada nação, até àquelas em que os

interesses de dominação unilateral impem uma

relação desigual sobreondo-se os interesses de uns

sobre os outros. A proosta da criação do forum das

Naçes Unidas de se considerar como inserida no

primeiro tipo, enquanto as relaçes de dominação

ravés de coloação de ovos seja poltica ou eco­

nÔmica como caracterizando o segundo tio. Entre

estes dois polos desprende-se uma gama múltipla e

variada de processos de coperação internacional.

Inquestionavelmene, em qualquer das formas que se

dá a cooperação ocorre em maior ou menor grau o

intercâmbio cultural e técnico; o desejável seria que

este mecanismo assegurasse o desenvolvimento do

cohecimento a busca de autdeterminação.

É

neste contexto característico de dependência

aos países centrais que e observa que a intesidade

e continuidade da coperação responde aos mesmos

determinantes que marcaram a unilateral idade dis­

cutida anteriormente, a necessidade de cosolidar

o processo prdutivo capitalista . .

Frente a esses antecedentes, é chegado o

momento de rever as bases de coperação interna­

cional em enfermagem principalmente, quando se

observa uma nova reordenação e intensiicação de

intercâmbio entre as naçes como resultado da crise

• Professor Adjunto da Universidade de Braslia.

Vice-Diretora do Núclo de Estudos de Saúde Pública/UnB .

Alina Maria de Almeida Souza *

Roseni Rosângela Chompré**

da ordem econÔmica mdial. Fz-se necesário re­

letir sobre a exeriência anterior e buscar as alter­

nativas para que o esaelecimento de baes concen­

uais de coeração estanelecimento de bases

concentais de coeração relita o princípio de mul­

ilateralidade e reeite os press econôicos, olí­

ticos e ideológicos dos ovos. Neste sentido, este

artigo, pretende contribuir para esta discsão, des­

crevedo e analisado uma eeriência de coeração

inteacional

2

O PROJETO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA

DE ENFERMAGEM DA U FMG

o

projeto de desenvolvimento na Enfermagem

na América Latia implementado pela Escola de

Enfermagem a Uiversidade Federal de Minas

Gerais com o aoio da Funação W.K. Kellogg há

um ano vem endo oeraciolizdo através de ati­

vidades de intercâmbio e colaoração intenacional

entre instituiçes de educação de . enfermagem da

América atina e Estdos Unidos da América do

Norte.

Como a UFMG organizou o Projeto

A parir de

a

enquete que buscou nformaçes

básicas sobre as Instituiçes de ducação de enfer­

magem universitárias

a

América Latina, reuniu-se

o comitê consultivo do pojeto para delierar as lihs

básicas e estretégias de ação a erem desenvolvidas.

O

comitê consulivo integrado or proissionais de

Istituiçes de Educação, Serviço, Associaçes Pr­

issionais e Agências inanciadoras (Brasil, Cile,

ColÔmbia, Eqdor, México, U.S.A . , LC.N. e W.K.

Kellogg Foundation) , tomando or base

"

o

coheci-.. Professor Assistente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

(2)

mento dos problemas de saúde da América Latina,

seus determinantes sciais, a problemática da enfer­

magem no contexto da assistência à saúde, delie­

rou sobre o programa de visita a 13 Instituiçes de

Educação de Enfermagem em 7 países da mérica

Latina (Brasil, Chile, ColÔmbia, Costa Rica,

qdor, México e Porto Rico) Além disto reconhece

a imorância do trabalho coperativo intenacional

como instrumento de intercâmbio de conhecimento

e aoio mútuo e proe identiiar com o programa

de visitas Instituiçes com otencial para construir­

-se em "desenvolviento de enfermagem" nesta

região.

Membros do Comiê Conultivo, do Comitê Exe­

cutivo e Assessores Intenacionais indicados ela

Fundação W.K. Kellogg formaram três equies de

visitas às Istituiçes selecionadas. As recomen­

daçes dos três gruos foram analisadas a 2� reu­

nião do Comitê Executivo realizada em dezembro de

1987 na Cidade do México. Cosiderando-se a oten­

cialidade da maioria dos programas visitados em pro­

mover desenvolvimento institucional, ntercâmbio de

experiência e cooperação técnica entre países das

Américas, decidiu-se sugerir para decisão intena

desta Fundação o apoio

à

elaoração de projetos is­

tiucionais de polos de desenvolvimento da Enfer­

magem em seis países laltino-americanos (Brasil,

ColÔmbia, Costa Rica, Equador, México e Porto

Rico) .

Para concluir a primeira fase do projeto de aoio

ao desenvolvimento da Enfermagem

a

América

Laia, liderado pela Escola de Enfermagem da Uni­

versidade Federal de Minas Gerais, o Comitê Exe­

cutivo em cordenação com a Fundação W.K.

Kellogg organizou

a

visita às Instituiçes Norte­

-mericanas de Educação em Enfermagem no perído

de 17 a 25 de março de 1988.

o

Programa de visita teve como objetivo:

- Participar da reunião " Global Nurering Colla­

boration" , organizada ela Escola de Enfea­

gem da Universidade do Texas em Galveston ­

Centro Colaborativo de Enfermagem da

OMS/OPS;

- Visitar programas de ós-graduação de enferma­

gem do Cos6rcio de Universidade do Mid-West

Americans e,

- Discutir com a Fundação W. K. Kellogg mecanis­

mos de aoio para o desenvolviento de projetos.

A reunião glbal de colaoração em enferma­

gem, desenvolveu-se em tomo de três temas bási­

cos: educação, prática e esquia intenacioal de

enfermagem. Cada

m

dos tems foi desenvolvido

através de conferências, painel, plenária e discussão

de gmo Considerando-se a necessidade de criar

a

rde de colaorço e tercmbio regional nestas rês

rs.

Tdos s particites discuiram à luz da pro­

osta da OMS de aúde para tdos no ano 200

-ST/200, as necessidades de educação no âmbito

de graduação e ós-graduação, desenvolvmento da

força de trabalho e a esquisa, esta visa no contexto

da avaliaão de progr

s

e mdelos de assistência

em enfermagem. Foi expresada tamém a necessi­

dade de cosiderar colaoração nteacioal as

Américas como

m

prcesso aerto, soliário e

demcrático, reseitando as diferenças e soeranias

dos países paricipantes. Tdos foram convcados à

relexão bre a rlide

s

plaçes " carentes"

as Américs a ncessidade de comprender deter­

miaçes cais dos probles e participar mais ati­

vamente no encmento de oluçes tanto ao

nível a totlidade a ocidade como ao nível do

etor aúde e a enfeagem.

Centros colaborativos da OMS/OPS

A reunião "Global Nursing Colaoration"

constitui-se em

a

ativdade do Centro colaorativo

da Universidade do Texas para a OMS/OPS.

Os centros colaorativos de enfermagem da

OSP/OMS a Reguião das Américas ão cinco, três

nos Estdos Unidos a América do Norte: Univer­

sidade de Chicago - Illinois, Universidade a Pen­

sylvânia em Philadelphia e Universidade do Texas

em Galveston; e, dois a América do Sul: Univer­

sidade de São Paulo, Rieirão Preto, Brasil, e Ass­

ciação Colombia de Escolas de Enfermagem,

Bogá, ColÔmbia. Os dois úlmos esão em prcesso

de orgação. Cda centro proe

a

linha de tra­

balho esecíico no camo a colaoração intea­

cional, o da Uiverside de Chicago defme como

prioritário

O

eenvolvmento de intercâmbio voltado

para as questes a assistência de enfermagem nos

serviços bsicos de aúde. Este centro deverá n­

cioar mém oo

a

cra execuiva a rde

de centrs co1aorativs.

O Centro da Uiversidade do Texas em Galves­

ton tem como pricial aracterística estar integrndo

a área de saúde coo

m

tdo com o proósito de

desenvolver intercâmbio na ára de educação e prá­

tica de enfermagem a nível de graduação e ós­

-graduação.

O Centro de ieirão Preto deverá constiuir-e

como referência a rea de nvestigação e o Centro

da ColÔmbia a

r

a de ducação.

Pós-Graduação em Enfermagem

A ós-graduação tem repreentado um espaço

(3)

primordial de intercâmbio quer seja a utili­ zação, prdução e diusão do conhecimento or via bibliográica ou a participação em si mesmo de estu­ dantes de diferentes stituiçes e mesmos países. Nesse etido, a pós-graduação constitui-se em lcais aglutiadores do ensamento a enfermagem. Veriica-se

a

marcante tendência à absorção de mdélos concebidos e costuídos em realiades dis­ tintas e sa aplicação a crítica estágio de formação social diferente.

O programa de visita ermitiu observar os pro­

gramas de ós-graduação

s

principais universida­

des do consórcio de universidades do mid-west norte americano que corresonde aos Estados lllinois , Michigan, Ohio, North Dakota e South Dakota, Indiaa e Wiscosin. Este programas têm, em geral uma proposta de colaoração para formação de qua­ dros ós-grdados de vários países do mundo, inclu­ sive a América Latina.

Os programas de universiddes reletem tendên­ cia de educação em enfermagem de todo o território americano; embora se ossa caracterizar tendências específicas em algumas áreas ao que se fará referên­ cia posteriormente, pode-se generalizar alguns ele­ mentos básicos . Do onto de vista acadêmico são oferecidos programas de mestrado, doutorados, pro­ fissionais e acadêmicos. Os programas de mestrado são voltados essencialmente para a preparação clí­ nica especíica enquanto os doutorados, mesmo que­ les de cuho proissional, enfatizam a formação de pesquisadores . Os doutorados são cohecidos como DNSc ou DNS , programas essencialmente proissio­ nais e PhD os programas acdêmicos. Tdos os pro­ gramas requerem a admissão de estrangeiros , o exame de proiciência de idioma inglês (TOFEL) o exame de aptidão de trabalho acadêmico de ós­ -graduação (GRE) e para as áreas que requerem prá­ tica proissional o exame.

As áreas esecializadas mais comumente ofere­ cids são istração, educação, psiquiatria, desen­ volvimento de olticas e undamentação da ciência em enfermagem. A duração em média para mestrado é de dois anos e quatro anos para o doutorado. Tda­ via observa-se uma tendência marcante de lexibili­ dade de temo em unção de programas oferecidos em eríodos vespertino, vero e à distância para aten­ der a demanda dos proissionais em atividades nos serviços.

Os programas buscam resonder as questões prioritárias dos serviços de saúde lcal e a costrução do conhecimento de um mdelo de assistência de enfermagem "adequado" à realidade. O ntercâmbio com estudantes estrangeiros busca enriquecer o cohecimento desta realidade, tendo em vista a pró­ pria participação de gruos minoritários de outras regies do mundo na scieade mericana, e tam­ bém conhecer e analisar realidades de outros países. uanto ao referencial teórico que oriente os pro­ gramas de ós-graduação um estudo recente de ten­ dências da ós-graduação de eferagem nos Estados Unidos realizado pela Dra. Philips

B

kritek da Uni­ versidade de Wisconsin aponta algumas caracterís­ ticas básicas regionais. No mid-west o referencial tende para a conceitualização programática na socie­ dade americana. Na Costa Leste, os programas são

" tradicioais " no sentido do próprio desenvolvi­ mento da e'nfermagem. predomiando o pesamento neo-positivista e o desenvolvimento de teorias pau­ tadas em elementos de ducação e história da enfer­ magem, cupa um espaço imortante nesta região no pemento da enfermagem americana liderado pelas teorias de Marta Rogers . No Sul, os programas são, ainda, considerados insipientes sem uma identidade própria, No Oete, busca-se a experiência do novo, através de utiliação de instrumentos de aálie e refe­ rencial de visão do mundo com bases ilosóficas para além do próprio âmbito do neo-ositivismo, emer­ gindo a utilização de métdos teoria crtica e feno­ menologia. Fora do âmbito regional a análise do conjunto

s

escolas católicas realizado elo Dr. Kri­ tek caracteriza estes programas como fcalizando os aspectos éticos, legais e de regulamentação de pro­ issão .

Mesmo de forma insipiente os países da Amé­ rica Latina estão buscando oferecer espaços de intercâmbio e coeração intenacional em seus pro­ grams e ós-graduação, no Brasil, México e Colôm­ bia,

Tendo em vista estas tendências é importante cosiderar a ós-gradação em enfemagem nos Esa­ dos Unidos como um espaço privilegiado de cola­ boração internacional , desde que haja um entendimento preliminar de que o " cuidar" é social­ mente determnado e que a instrunlentalização atra­ vés da pós-graduação permite construir mdelos que respondam às necessidades de cada sociedade ,

Referências

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