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Rev. Bras. Enferm. vol.41 número34 v41n3 4a02

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Academic year: 2018

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SUBsíDIOS pARA E.ABORAÇÃO DE UMA PROPOSTA

DE CURRICULO MINIMO PARA A FORMAÇÃO DO

ENFERMEIRO

1 INTRODUÇÃO

o esino suerior no Brasil vem sendo conti­ numente questionado ela sociedade de mdo ge­ rl e, picularmente, or a camada signiicativa daqueles que comem a chamaa comunidade aca­ dêica. Nem sempre estes questionamentos guar­ dam identidade entre si, ois não emergem de categorias de análises e ersectivas semelhantes.

É

quase imossível identiicar, no ojo dessas mani­ festaçes, a direcioalidade regular para esse ou aquele asecto do ensino suerior. Percee-se que o fco das críticas, a deender de sua origem, ou se deslca ou se mantém. Nesse sentido, as discusses sobre as características, prdutividade, qualidde e ertinência técnica, olítica, scial, tecnológica e cieníica de um detenado curso suerior nascem, em geral, entre dcentes e discentes, instituiçes e serviços que absorvem os egressos e, em algs ca­ sos, daqueles que sofrem, de forma direta ou indi­ reta, a intervenção do fazer/ensar que o curso constrói e conforma.

A mpla discussão, avaliação e questionamento atuais sobre o ensino de graduação em enfermagem origarm-se, menalmente, no nterior as es­ colas, das entidades organizativas dos enfermeiros, das istituiçes e serviços de saúde.

Guaradas as devidas diferenças que embasam e justicam esses questionametos, depreende-se que os pontos mais reqüentes da pauta de críticas, con­ siderados nucleares no prcesso que e instalou na comnidade de enferagem, referem-e:

- à dinânica de formação do enfermeiro e sua iserção no prcesso de trabalho em saúde;

- à articulação, unção e papel do enfermeiro como parte da força de trabalho de saúde e de en­ fermagem, em particular;

- à ertinência a atual estrutura curricular em orientar a formação do enfermeiro com a capacidade e otencial para intervir de maneira resolutiva, equânime e comeente no prcesso saúde/dença. No ojo deses questionamentos, váris ecolas, seviços e entides da categoria desencdearam dis­ cusses sobre a fomação do enfermeiro. .

Comissão e Esecialistas de Enfermagem e a Comissão de Educação da ABEn, or sua vez, vêm desenvolvendo, nos ltimos dois nos, com partici­ pação de docentes, discentes e enfermeiros de er­ viços, seios (regionais e nacionais) obre ensino superior de enfermagem, e eseciicamente, sobre eril e competência do enfermeiro.

Tais eventos têm evidencido, ainda que de foma heterogênea, a aisfação geral em relação ao atual currículo dos cursos de graduação em en­ fermagem do País.

Levando em cosideração as recomendaes dos Seários, a Comi;são de Esecilistas de Enf�r­ magem e a Comisão de Educação da ABEn, como cordendores desse prcesso de discussão, formu­ larm b Projeto "Elaoração de Nova Proosta de Currículo Mnimo para FormaçãQ do Enfermeiro em Nível de Graduação". Como 2� apa dese projeto, promoveram a Oicina de Trabalho, em BrasOia, nos dias 21 e 22 de julho do corrente ano, com b­ jetivo de reunir subsídios para elaoração de a proposta de Currículo Mmo para a formação do enfermeiro. Participaram desa Oicina, além de membros as referidas Comisses, dcentes envol­ vidos em estudos de currículo e representantes da CAPES e CNPq.

Resltou' desta Oicna o presente dcumento que, aós situar a disusão ue vem sendo deen­ volvida nos últimos nos sobre o ensino de enfer­ magem, apresenta a aálise sintética sobre o Parecer 163/72 e Resolução n? 4/72 CFE; resgata as recomendaçes aontas nos Seios; e su­ gere os pressuostos e princípios que deverão nor­ tear a formulação da nova proosta curricular.

Este documento prelr está sendo encami­ nhado às escolas de enfermagem e entiades da ca­ tegoria com o proósito de er mplamene discutido or Enfermeiros dcentes e de serviço e alunos de enfermagem, com vistas à elaoração de a pro­ posta curricular or ocasião dos Seinários Rego­ nais previstos. As proostas resultantes desses Seminários serão consolidadas em unção da elao­ ração de ua minuta de proosta curriclar que será apresentada e discutida em nível nacional.

2 O PARECER 163/72 E A RESOLUÇÃO 04/72 DO CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO (CFE)

A atual estrutura curicular dos curss de enfer­ magem no Brasil, expressa no Parcer 163/72 e re­ gulamentada ela Reolução 4/72 - CFE, tem

. como fator desencadeante a Refoma Uiversitária deida na ei 5540/68. Res�ta-e orém ue, já na década de 50, a quetão do currículo do curso de enfeagem foi lvo e bjeto de mlips dises.

• Doumento preliminar elaorado durante a Oicina e Trabalho promovida ela Comissão e Especialistas (SSU-MEC) e Co­ missão de ducação da Associação Brasileira de Enfemagem.

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o Currculo Mínimo deinido em 1962 (Parecer 271/62) ão conseguiu, contudo, preencher e aten­ der as reivindicaçes pretendidas. Tanto é que, aós a aprovação desse currículo, as "inquietaçes" dos enfermeiros e das entidades de enfermagem erma­ ncerm e se prolongaram até quando, or exigên­ cia a Reforma Universitária, surgiu a oporunidade de formular novo Currículo Mnimo.

A proosta, que entra em vigor em 1973, frag­ menta o eixo de formação, compartimentalizando-o em três partes: pré-proissional, tronco proissional comum e habilitaçes, privilegiando o desenvolvi­ mento do ensino centrado no mdelo médico de s­

sistência hospialar vigente.

A Resolução 4/72 - CFE, num primeiro mo­ mento, apresena como novidade a incororação de cohecimentos básics de ciêncis do omoamento que contemplam o movimento da iluênca s te­ orias de adinistração de enfermagem. Cosolida, contudo, o enfque biol6gico e, tanto na esfera das ciências biol6gicas como das ciências do comorta­ mento, limita-se a deinir como conteúdo do ciclo básico oções gerais s áreas do conhecimento nele contidas.

Ressalte-se que, no desenvolvimento do tronco pré-proissional, ão se prevê a articulação das dis­ ciplinas básicas com a eseciicidade da prática de enfermagem.

No tronco proissional comum, a capacitação de enfermeiros pata a intevenção em Saúde ública se resume a uma aordagem preliminar e insuiciente. Privilegia tamém o enfque tecnicisa, uncionlista e a ssistência ao ndivíduo hospiado. Nesse sen­ tido, favorece a compreensão dicotomizaa de saúde/dença, prevenção/cura, assistência hos­ pitalar/saúde pública, unidade de interna­ ção/mbulat6rio.

Ao fragmentar estuuralmente a formação do enfermeiro, o l Curículo Mimo comete um grave equívco pra a formação proissioal, que se relete na práica. Este quívco se evidencia na sub­ divisão do curso em abilitaçes (Efemagem Médico-Cirúrgica, Enfermagem Obstétrica e Enfer­ magem de Saúde Pública). Estas habilitaçes deslo­ cm a formaço do efermeiro conteúdos esenciais, relacionados sobretudo à assistência à mulher e à saúde coletiva, a vez que o tronco proissional co­ mum tende a se concenrr em conhecimentos da ra

mdico-cirúrgica. lém desta consideraço, á de se destacar que, ao longo da aplicação da Resolução 4/72 CFE, as habilitaçes não estaelecem diferen­ ças de impacto, quer a aborção, quer a iserção do enfermeiro no mercado de trabalho, haja visa, por exemplo, que a existência do enfermeiro abi­ litado não criou vantagem no plano de cargos e a­ lários, em nível nacional. Ainda é preciso considerar que a questão do caráter ocional das habilitaçes (tanto para o esudante, qanto para o 6rgão for­ mador), assim como o caráter de especialização

pre-180 R. Bras. Enfem., Brasia, 41, (3/4): 179-182 jul./dez. 1988

cce conigurado na sa aplicação, geram problemas de ordem adinistrativa, conceitual e ética.

Vale ressaltar que a licenciatura prevista a Re­ solução 04/72 CFE não se enquadra nestas caracte­ rísticas. Atende a necessidade do enfermeiro exercer

o magistério na ra de enfermagem, ao nível de I? e 2? graus, e lhe ermite a inserção em outro es­ paço de trabalho, essencial no prcesso de formação das demais categorias que comem a força de tra­ balho em enfermagem.

A duração a estaelecia nos diplomas le­ gais do CFE, para o curso de enfermagem é de 2.50hs/3 nos (enfermeiro) e 3.00hs/ 4 a 6 anos abilitaçs). Esta dração, não obstante parça uma questão estrutural, tem coseqüências na dinâmica peag6gica dos cursos. Pticularmente, as escolas privaas limita-se, em geral, a cumprir o imo, acarretando prejuzos ou, elo menos, um esvazia­ mento na formulação de a proosta de currículo pleno. Ademais, em tas as discusses sobre en­ sino de enfermagem, a duração está sendo conside­ rada como um asecto a ser redimensioado, tendo em vista a natureza da formulação do enfermeiro e a necessidade de garntir ao estudante espaço para o trabalho individual, para uso da biblioteca, para atividades de esquisa e participaçes em suas en­ tidades, dentre outros.

3 DIFICU LDADES APONTADAS NOS SEMINÁRIOS: PERTIN�NCIA AO CU RRrCULO MrNIMO OU PLENO

As diiculdades e recomendações apresentadas nos seinários contemplam problemas de ordem ge­ ral pertinentes ao ensino de graduação e à prática de enfermagem, que deverão ser equacionados nos pro­ cesso de repensar o desenvolvimento dos currículos plenos de cada escola, e outras que indicam diretri­ zes para a reformulação do currculo nimo. Os cur­ rículos plenos se coniguram com a expressão da autonomia de cada curso em decidir a organização do seu ensino diante das especiicidades regionais (características epidemiol6gicas e sanitárias).

Assim sendo, esta organização da formação do enfermeiro em cada escola deve estar mediada or um conjunto de referências, conceitos, estruturas e recursos (humnos, materiais, nanceiros e de equi­ pamentos) que ermitam prduzir um proissioal cujo processo de formação tenha aderência com os modelos assistenciais dirigidos ao atendimento de saúde a opulação.

O currículo mmo, emora o abrnja texl­ mente estas diretries, âo deve negar ou imr que determinadas referências e determindos conceitos venham a ser contemplados no currículo pleno.

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e-minários reivindicam transformaçes no Currculo Mínimo que aonam para o seguinte:

a) que se tea referência a compreensão con­ jnural do país e, nesta, o contexto de aúde;

b) que se enfatize o compromisso social do en­ fermeiro;

c) que se cosidere a Política Nacioal de aúde e os princípios de universalidade, equanimi­ dade , hierarquiação, integraliade e resolutividade das açes de saúde; .

d) que se considere a Lei do Exercício Profis­ sioal;

e) que se considere a necessidade da extinção das habilitaçes;

) que e considere a ertinência do aumento da duração do currculo em hors e anos, eseciicado­ -se o míimo de 4 ns para a sua ntegralização; .

g) que e rmensione no rol de atérias o des-dobramento s disciplas, indicndo revisão das áreas de ciêncis hs, biológicas e de aúde pú­ blica.

É

preciso ressaltar que caerá a cda curo o en­ cmento das questes que se referem a dei­ niço de arco conceil a foação "generalista"

do efemeio; ao delnemento do seu el, ex­ plicindo sus unçes s váias res de ação;

ao

desenvolvmento de rabalho com a comunidade através de a prática relexiva ermanente; ao de­ linemento de estratégias estrurais pra a oera­ cionalização do ensino (integração docen­ te-assistencial , articulação do tronco pré­ -proissional com o proissional, ticulação com a equisa e a s-gradaço, ere ouros). Cosidera­ -e que tais questes deendem essencialmente das bases conceitais que undmental a orienação de cada curso no que e refere à compresão do pro­ cesso saúde-dença, da assistência de enfermagem, do papel da uiversidade, s práticas agógicas, e outros.

4 PRESSUPOSTOS E PRINC[PIOS QUE

DEVEM ORIENTAR A FORMU LAÇÃO

DO CU RR[CU LO MlNIMO PARA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ENFER­

MAGEM

Para a compreenão dos pressuostos e princí­ pios que orientam a fomulação do Curículo Mí­

mo

é necessário ressaltar os limite que devem presidir as cometêncas do CFE e das escolas.

4.1 Competências e limites do CFE:

Cae ao CFE a deição de conteúdo e duração dos cursos:

a. Quanto o contedo - cae ao CFE a de­ termnaão s matés, estendendo-se, o xo, à indicação de disciplinas que comem cada ua

delas sem, contudo, esgotar tdos os desdobramen­ tos, possíveis ou necesários, que estas têm ao ível de cada curso.

b. Quanto à duraão -a duração deida elo CFE deve se referir, unicamente, ao total mmo de horas e ao temo de integralzação, mmo e má­ ximo, em. termos de anos ou semestres letivos. Qualquer esecificação absoluta ou ercentual de carga horária or matéri/disciplia seria uma extra­ polação que ode uncioar, na implementação do Currículo Mínimo, como a "cmia de força" para os cursos ou para a consolidação de tendências que não contemplem as características regionais ou institucionais.

4.2 Competências e Limites dos Cursos de Enfermagem :

a. Quanto ao Conteúdo - se or um lado com­ pete ao CFE a detenação s matérias, or ou­ tro, cae aos cursos de desdobramentos e aproundamentos ssíveis ou necessários em ter­ mos dos conhecimentos e prcedimentos que a for­ mação do enfemeiro requer.

b. Quanto à duração - aear do CFE deinir

a duração mna e máxima do currículo, os cursos não devem se limitar ao mínimo estaelecido, uma vez que esse parâmetro mo unciona como um instumento que favorece a criação e manutenção de cursos restritivos ou imdiivos do aproundamento de cohecimento e desenvolvimento de cometên­ cias técnicas, cientíicas e olíticas, tanto do dcente como do discente. Ademais, esse parâmetro nimo restringe a ossibilidade de uma integração mais am­ pla com os serviços.

c. Quanto aos procedentos diáticos e eto­ dológicos - a diica dos asectos didáticos e me­ todológicos no prcesso de fomação proissional é prerrogativa do órgão fomador sendo, ortanto, namissível que os mesmos estejam defmidos na es­ trutura do Currculo Mnimo. A organicidade didático-edagógica e metdológica do currculo pleo inclui carga horáa or disciplina, distribuição da carga horária em teórica e prática, defnição da naureza da prática (laoratóio, ensino clnico ou es­ tágio curricular suervisionado) .

Esses limites e cometências do CFE e dos cur­ sos costituem um pressuosto inicial a ser consi­ derado quando se pretende alterar o Currículo Mno, a vez que tem sido costante a indicação de problemas para serem resolvidos elo CFE qndo, na verade, a a rsolução comete aos cur­

sos, escolas e universidades.

Outros pressuosts devem orientr a fomu­ lação de a nova proosta de Currículo Mo para a foação do enfemeiro, ais como:

- A integrale do currculo deve ser ex­ pressa e aserada na deição e esturação do conhecimento, de l foa que os agentes do

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cesso particiem das tividades do trabalho em saúde e desenvolvam a assistência de enfemagem de forma articulada com s demais trabalhadores de saúde e de enfermagem.

- O currículo deve assegurar a teinalie

do prcesso de formação do enfermeiro, exclundo do nível de gradução a tendência à falsa eseciali­ dade. Este pressuosto gera um pricípio orienta­

dor de m Currículo Mmo estuturado de forma

contnua, com duração em temo e horas compatí­ veis com um erl proIssional cometente para aual, preferencialmente, rede básica dos serviços de saúde.

Participantes da OIcna de Trabalho:

ABIGAIL MOUA RODRIGUES , Cordeadora da Comisão de Educação da ABEn - CENTRAL.

VIMA DE CRVALHO, Codeaora a Comis­ são de Esecilisas de EnfeagelSESu/MEC

ERLIT A RODRIGUES DOS SANTOS ABEn -Seção DF - UB

FRANCISCA NAZAR

É

LIBERALINO C.E. ABEn-CENTRAL - UFN

182 R. Bras. Enfem. , Brasnia, 41, (3/4): 179-182 jul./dez. 1988

IAN� NOGUEIRA VALE - C.E. - ABEn­ -CENTRAL - UNICAMP

JOSICÉLIA DUM�T FERNANDES - C.E. ABEn-CENTRAL - UFBA

�NIA SCHMIDT EIBNIT A - UFSC MARIA AUXILIADORA CÓRDOVA CHRISTÓFARO - ABEE - UFMG

MAIA DA GLÓRIA IOTO RIGHT - CNPq MAIA JOSEFINA LEUBA SALM - EEUSP NEIDE MARIA FRERE FERRAZ CEEnf -SESu/MEC

NEUZA APARECIDA RAMOS CEEnf -SESu/MEC

RAMUNDA MEDEIROS GERMANO C.E. -ABEn-CENTRAL

SID�NIA ALVES SID

Ã

O ALENCAR MENDES - C.E. - ABEn-CENTRAL - UFF

TELMA IBEIRO GARCIA - UFAC

Referências

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