SUBsíDIOS pARA E.ABORAÇÃO DE UMA PROPOSTA
DE CURRICULO MINIMO PARA A FORMAÇÃO DO
ENFERMEIRO
1 INTRODUÇÃOo esino suerior no Brasil vem sendo conti numente questionado ela sociedade de mdo ge rl e, picularmente, or a camada signiicativa daqueles que comem a chamaa comunidade aca dêica. Nem sempre estes questionamentos guar dam identidade entre si, ois não emergem de categorias de análises e ersectivas semelhantes.
É
quase imossível identiicar, no ojo dessas mani festaçes, a direcioalidade regular para esse ou aquele asecto do ensino suerior. Percee-se que o fco das críticas, a deender de sua origem, ou se deslca ou se mantém. Nesse sentido, as discusses sobre as características, prdutividade, qualidde e ertinência técnica, olítica, scial, tecnológica e cieníica de um detenado curso suerior nascem, em geral, entre dcentes e discentes, instituiçes e serviços que absorvem os egressos e, em algs ca sos, daqueles que sofrem, de forma direta ou indi reta, a intervenção do fazer/ensar que o curso constrói e conforma.A mpla discussão, avaliação e questionamento atuais sobre o ensino de graduação em enfermagem origarm-se, menalmente, no nterior as es colas, das entidades organizativas dos enfermeiros, das istituiçes e serviços de saúde.
Guaradas as devidas diferenças que embasam e justicam esses questionametos, depreende-se que os pontos mais reqüentes da pauta de críticas, con siderados nucleares no prcesso que e instalou na comnidade de enferagem, referem-e:
- à dinânica de formação do enfermeiro e sua iserção no prcesso de trabalho em saúde;
- à articulação, unção e papel do enfermeiro como parte da força de trabalho de saúde e de en fermagem, em particular;
- à ertinência a atual estrutura curricular em orientar a formação do enfermeiro com a capacidade e otencial para intervir de maneira resolutiva, equânime e comeente no prcesso saúde/dença. No ojo deses questionamentos, váris ecolas, seviços e entides da categoria desencdearam dis cusses sobre a fomação do enfermeiro. .
Comissão e Esecialistas de Enfermagem e a Comissão de Educação da ABEn, or sua vez, vêm desenvolvendo, nos ltimos dois nos, com partici pação de docentes, discentes e enfermeiros de er viços, seios (regionais e nacionais) obre ensino superior de enfermagem, e eseciicamente, sobre eril e competência do enfermeiro.
Tais eventos têm evidencido, ainda que de foma heterogênea, a aisfação geral em relação ao atual currículo dos cursos de graduação em en fermagem do País.
Levando em cosideração as recomendaes dos Seários, a Comi;são de Esecilistas de Enf�r magem e a Comisão de Educação da ABEn, como cordendores desse prcesso de discussão, formu larm b Projeto "Elaoração de Nova Proosta de Currículo Mnimo para FormaçãQ do Enfermeiro em Nível de Graduação". Como 2� apa dese projeto, promoveram a Oicina de Trabalho, em BrasOia, nos dias 21 e 22 de julho do corrente ano, com b jetivo de reunir subsídios para elaoração de a proposta de Currículo Mmo para a formação do enfermeiro. Participaram desa Oicina, além de membros as referidas Comisses, dcentes envol vidos em estudos de currículo e representantes da CAPES e CNPq.
Resltou' desta Oicna o presente dcumento que, aós situar a disusão ue vem sendo deen volvida nos últimos nos sobre o ensino de enfer magem, apresenta a aálise sintética sobre o Parecer 163/72 e Resolução n? 4/72 CFE; resgata as recomendaçes aontas nos Seios; e su gere os pressuostos e princípios que deverão nor tear a formulação da nova proosta curricular.
Este documento prelr está sendo encami nhado às escolas de enfermagem e entiades da ca tegoria com o proósito de er mplamene discutido or Enfermeiros dcentes e de serviço e alunos de enfermagem, com vistas à elaoração de a pro posta curricular or ocasião dos Seinários Rego nais previstos. As proostas resultantes desses Seminários serão consolidadas em unção da elao ração de ua minuta de proosta curriclar que será apresentada e discutida em nível nacional.
2 O PARECER 163/72 E A RESOLUÇÃO 04/72 DO CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO (CFE)
A atual estrutura curicular dos curss de enfer magem no Brasil, expressa no Parcer 163/72 e re gulamentada ela Reolução 4/72 - CFE, tem
. como fator desencadeante a Refoma Uiversitária deida na ei 5540/68. Res�ta-e orém ue, já na década de 50, a quetão do currículo do curso de enfeagem foi lvo e bjeto de mlips dises.
• Doumento preliminar elaorado durante a Oicina e Trabalho promovida ela Comissão e Especialistas (SSU-MEC) e Co missão de ducação da Associação Brasileira de Enfemagem.
o Currculo Mínimo deinido em 1962 (Parecer 271/62) ão conseguiu, contudo, preencher e aten der as reivindicaçes pretendidas. Tanto é que, aós a aprovação desse currículo, as "inquietaçes" dos enfermeiros e das entidades de enfermagem erma ncerm e se prolongaram até quando, or exigên cia a Reforma Universitária, surgiu a oporunidade de formular novo Currículo Mnimo.
A proosta, que entra em vigor em 1973, frag menta o eixo de formação, compartimentalizando-o em três partes: pré-proissional, tronco proissional comum e habilitaçes, privilegiando o desenvolvi mento do ensino centrado no mdelo médico de s
sistência hospialar vigente.
A Resolução 4/72 - CFE, num primeiro mo mento, apresena como novidade a incororação de cohecimentos básics de ciêncis do omoamento que contemplam o movimento da iluênca s te orias de adinistração de enfermagem. Cosolida, contudo, o enfque biol6gico e, tanto na esfera das ciências biol6gicas como das ciências do comorta mento, limita-se a deinir como conteúdo do ciclo básico oções gerais s áreas do conhecimento nele contidas.
Ressalte-se que, no desenvolvimento do tronco pré-proissional, ão se prevê a articulação das dis ciplinas básicas com a eseciicidade da prática de enfermagem.
No tronco proissional comum, a capacitação de enfermeiros pata a intevenção em Saúde ública se resume a uma aordagem preliminar e insuiciente. Privilegia tamém o enfque tecnicisa, uncionlista e a ssistência ao ndivíduo hospiado. Nesse sen tido, favorece a compreensão dicotomizaa de saúde/dença, prevenção/cura, assistência hos pitalar/saúde pública, unidade de interna ção/mbulat6rio.
Ao fragmentar estuuralmente a formação do enfermeiro, o l Curículo Mimo comete um grave equívco pra a formação proissioal, que se relete na práica. Este quívco se evidencia na sub divisão do curso em abilitaçes (Efemagem Médico-Cirúrgica, Enfermagem Obstétrica e Enfer magem de Saúde Pública). Estas habilitaçes deslo cm a formaço do efermeiro conteúdos esenciais, relacionados sobretudo à assistência à mulher e à saúde coletiva, a vez que o tronco proissional co mum tende a se concenrr em conhecimentos da ra
mdico-cirúrgica. lém desta consideraço, á de se destacar que, ao longo da aplicação da Resolução 4/72 CFE, as habilitaçes não estaelecem diferen ças de impacto, quer a aborção, quer a iserção do enfermeiro no mercado de trabalho, haja visa, por exemplo, que a existência do enfermeiro abi litado não criou vantagem no plano de cargos e a lários, em nível nacional. Ainda é preciso considerar que a questão do caráter ocional das habilitaçes (tanto para o esudante, qanto para o 6rgão for mador), assim como o caráter de especialização
pre-180 R. Bras. Enfem., Brasia, 41, (3/4): 179-182 jul./dez. 1988
cce conigurado na sa aplicação, geram problemas de ordem adinistrativa, conceitual e ética.
Vale ressaltar que a licenciatura prevista a Re solução 04/72 CFE não se enquadra nestas caracte rísticas. Atende a necessidade do enfermeiro exercer
o magistério na ra de enfermagem, ao nível de I? e 2? graus, e lhe ermite a inserção em outro es paço de trabalho, essencial no prcesso de formação das demais categorias que comem a força de tra balho em enfermagem.
A duração a estaelecia nos diplomas le gais do CFE, para o curso de enfermagem é de 2.50hs/3 nos (enfermeiro) e 3.00hs/ 4 a 6 anos abilitaçs). Esta dração, não obstante parça uma questão estrutural, tem coseqüências na dinâmica peag6gica dos cursos. Pticularmente, as escolas privaas limita-se, em geral, a cumprir o imo, acarretando prejuzos ou, elo menos, um esvazia mento na formulação de a proosta de currículo pleno. Ademais, em tas as discusses sobre en sino de enfermagem, a duração está sendo conside rada como um asecto a ser redimensioado, tendo em vista a natureza da formulação do enfermeiro e a necessidade de garntir ao estudante espaço para o trabalho individual, para uso da biblioteca, para atividades de esquisa e participaçes em suas en tidades, dentre outros.
3 DIFICU LDADES APONTADAS NOS SEMINÁRIOS: PERTIN�NCIA AO CU RRrCULO MrNIMO OU PLENO
As diiculdades e recomendações apresentadas nos seinários contemplam problemas de ordem ge ral pertinentes ao ensino de graduação e à prática de enfermagem, que deverão ser equacionados nos pro cesso de repensar o desenvolvimento dos currículos plenos de cada escola, e outras que indicam diretri zes para a reformulação do currculo nimo. Os cur rículos plenos se coniguram com a expressão da autonomia de cada curso em decidir a organização do seu ensino diante das especiicidades regionais (características epidemiol6gicas e sanitárias).
Assim sendo, esta organização da formação do enfermeiro em cada escola deve estar mediada or um conjunto de referências, conceitos, estruturas e recursos (humnos, materiais, nanceiros e de equi pamentos) que ermitam prduzir um proissioal cujo processo de formação tenha aderência com os modelos assistenciais dirigidos ao atendimento de saúde a opulação.
O currículo mmo, emora o abrnja texl mente estas diretries, âo deve negar ou imr que determinadas referências e determindos conceitos venham a ser contemplados no currículo pleno.
e-minários reivindicam transformaçes no Currculo Mínimo que aonam para o seguinte:
a) que se tea referência a compreensão con jnural do país e, nesta, o contexto de aúde;
b) que se enfatize o compromisso social do en fermeiro;
c) que se cosidere a Política Nacioal de aúde e os princípios de universalidade, equanimi dade , hierarquiação, integraliade e resolutividade das açes de saúde; .
d) que se considere a Lei do Exercício Profis sioal;
e) que se considere a necessidade da extinção das habilitaçes;
) que e considere a ertinência do aumento da duração do currculo em hors e anos, eseciicado -se o míimo de 4 ns para a sua ntegralização; .
g) que e rmensione no rol de atérias o des-dobramento s disciplas, indicndo revisão das áreas de ciêncis hs, biológicas e de aúde pú blica.
É
preciso ressaltar que caerá a cda curo o en cmento das questes que se referem a dei niço de arco conceil a foação "generalista"do efemeio; ao delnemento do seu el, ex plicindo sus unçes s váias res de ação;
ao
desenvolvmento de rabalho com a comunidade através de a prática relexiva ermanente; ao de linemento de estratégias estrurais pra a oera cionalização do ensino (integração docen te-assistencial , articulação do tronco pré -proissional com o proissional, ticulação com a equisa e a s-gradaço, ere ouros). Cosidera -e que tais questes deendem essencialmente das bases conceitais que undmental a orienação de cada curso no que e refere à compresão do pro cesso saúde-dença, da assistência de enfermagem, do papel da uiversidade, s práticas agógicas, e outros.4 PRESSUPOSTOS E PRINC[PIOS QUE
DEVEM ORIENTAR A FORMU LAÇÃO
DO CU RR[CU LO MlNIMO PARA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ENFER
MAGEM
Para a compreenão dos pressuostos e princí pios que orientam a fomulação do Curículo Mí
mo
é necessário ressaltar os limite que devem presidir as cometêncas do CFE e das escolas.4.1 Competências e limites do CFE:
Cae ao CFE a deição de conteúdo e duração dos cursos:
a. Quanto o contedo - cae ao CFE a de termnaão s matés, estendendo-se, o xo, à indicação de disciplinas que comem cada ua
delas sem, contudo, esgotar tdos os desdobramen tos, possíveis ou necesários, que estas têm ao ível de cada curso.
b. Quanto à duraão -a duração deida elo CFE deve se referir, unicamente, ao total mmo de horas e ao temo de integralzação, mmo e má ximo, em. termos de anos ou semestres letivos. Qualquer esecificação absoluta ou ercentual de carga horária or matéri/disciplia seria uma extra polação que ode uncioar, na implementação do Currículo Mínimo, como a "cmia de força" para os cursos ou para a consolidação de tendências que não contemplem as características regionais ou institucionais.
4.2 Competências e Limites dos Cursos de Enfermagem :
a. Quanto ao Conteúdo - se or um lado com pete ao CFE a detenação s matérias, or ou tro, cae aos cursos de desdobramentos e aproundamentos ssíveis ou necessários em ter mos dos conhecimentos e prcedimentos que a for mação do enfemeiro requer.
b. Quanto à duração - aear do CFE deinir
a duração mna e máxima do currículo, os cursos não devem se limitar ao mínimo estaelecido, uma vez que esse parâmetro mo unciona como um instumento que favorece a criação e manutenção de cursos restritivos ou imdiivos do aproundamento de cohecimento e desenvolvimento de cometên cias técnicas, cientíicas e olíticas, tanto do dcente como do discente. Ademais, esse parâmetro nimo restringe a ossibilidade de uma integração mais am pla com os serviços.
c. Quanto aos procedentos diáticos e eto dológicos - a diica dos asectos didáticos e me todológicos no prcesso de fomação proissional é prerrogativa do órgão fomador sendo, ortanto, namissível que os mesmos estejam defmidos na es trutura do Currculo Mnimo. A organicidade didático-edagógica e metdológica do currculo pleo inclui carga horáa or disciplina, distribuição da carga horária em teórica e prática, defnição da naureza da prática (laoratóio, ensino clnico ou es tágio curricular suervisionado) .
Esses limites e cometências do CFE e dos cur sos costituem um pressuosto inicial a ser consi derado quando se pretende alterar o Currículo Mno, a vez que tem sido costante a indicação de problemas para serem resolvidos elo CFE qndo, na verade, a a rsolução comete aos cur
sos, escolas e universidades.
Outros pressuosts devem orientr a fomu lação de a nova proosta de Currículo Mo para a foação do enfemeiro, ais como:
- A integrale do currculo deve ser ex pressa e aserada na deição e esturação do conhecimento, de l foa que os agentes do
cesso particiem das tividades do trabalho em saúde e desenvolvam a assistência de enfemagem de forma articulada com s demais trabalhadores de saúde e de enfermagem.
- O currículo deve assegurar a teinalie
do prcesso de formação do enfermeiro, exclundo do nível de gradução a tendência à falsa eseciali dade. Este pressuosto gera um pricípio orienta
dor de m Currículo Mmo estuturado de forma
contnua, com duração em temo e horas compatí veis com um erl proIssional cometente para aual, preferencialmente, rede básica dos serviços de saúde.
Participantes da OIcna de Trabalho:
ABIGAIL MOUA RODRIGUES , Cordeadora da Comisão de Educação da ABEn - CENTRAL.
VIMA DE CRVALHO, Codeaora a Comis são de Esecilisas de EnfeagelSESu/MEC
ERLIT A RODRIGUES DOS SANTOS ABEn -Seção DF - UB
FRANCISCA NAZAR
É
LIBERALINO C.E. ABEn-CENTRAL - UFN182 R. Bras. Enfem. , Brasnia, 41, (3/4): 179-182 jul./dez. 1988
IAN� NOGUEIRA VALE - C.E. - ABEn -CENTRAL - UNICAMP
JOSICÉLIA DUM�T FERNANDES - C.E. ABEn-CENTRAL - UFBA
�NIA SCHMIDT EIBNIT A - UFSC MARIA AUXILIADORA CÓRDOVA CHRISTÓFARO - ABEE - UFMG
MAIA DA GLÓRIA IOTO RIGHT - CNPq MAIA JOSEFINA LEUBA SALM - EEUSP NEIDE MARIA FRERE FERRAZ CEEnf -SESu/MEC
NEUZA APARECIDA RAMOS CEEnf -SESu/MEC
RAMUNDA MEDEIROS GERMANO C.E. -ABEn-CENTRAL
SID�NIA ALVES SID
Ã
O ALENCAR MENDES - C.E. - ABEn-CENTRAL - UFFTELMA IBEIRO GARCIA - UFAC