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Arq. NeuroPsiquiatr. vol.2 número1

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Academic year: 2018

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P A R A N O I A . A F R A N I O P E I X O T O . 1 volume com 120 páginas. Cia. Ed. Nacional.

S. Paulo, 1942.

Em colaboração com Juliano Moreira, Afranio Peixoto escreveu duas me-mórias que se tornaram clássicas: "Paranoia e síndromes paranoides" (publi-cações do Brasil Médico, Rio de Janeiro, 1904) e "Paranoia: sua origem e natureza" (relatório ao X V Congresso Internacional de Medicina, Lisboa, 1906). No estudo das concepções étiopatogenéticas da paranoia, tomou vulto, colocando-se ao lado do conceito antropológico de Tanzi e Riva e da teoria psicogenética de Bleulèr, a teoria da origem educacional de Juliano Moreira e Afranio Peixoto. A concepção desses autores, por sua originalidade, alcance filosófico e interesse prático, teve grande repercussão no começo deste século, embora, em nossos dias, já não satisfaça, principalmente no que respeita à paranoia genuína. Contudo, ainda é aceitável no que concerne ao delírio dos querelantes. Como todas as outras teorias, esta trouxe valioso contingente de conhecimento. Nenhum psiquiatra que se interesse pelo estudo da paranoia pode deixar de conhece-la. Sua reedição tornava-se, assim, imperiosa. Afranio Peixoto não só as reproduziu como acres-centou outra memória, de valor tão alto quanto as anteriores.

As duas primeiras memórias defendem a tese de que a paranoia é originária, isto é, o indivíduo traz consigo os germens da autofilia egocêntrica e a educação defeituosa permite que eles cresçam livremente, favorece-os, amplia-os, de sorte que, assim preparados, os atritos inevitáveis com o meio social vão ser os motivos ocasionais do desequilíbrio definitivo desse, instavelmente equilibrado no meio, que é o paranóico. Ha, pois, na paranoia, o terreno anômalo (a autofilia primária) e a persistência deste modo de ser por deficiência de educação e cultura. A

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Na terceira parte do livro, o autor discorre sobre os rudimentos da paranoia. A vaidade, que se revela pelos artifícios da moda e pelos enfeites na mulher e principalmente no homem, nada mais é que uma compensação de um Eu deficitário ou de uma inferioridade. A presunção é uma ascenção, um grau acima da vaidade e significa a opinião vantajosa sobre si mesmo. Comenta o complexo de inferiori-dade, demonstrando que não ha inferioridade sem compensação (vaiinferiori-dade, presun-ção, megalomania), fatos estes observados tanto individual como coletivamente. Historiando a evolução da paranoia, analisa os diversos conceitos étio-patogênicos surgidos. Estuda vários fatos históricos mundiais, acontecimentos nacionais, sen-timentos como o patriotismo, o orgulho nacional, os mitos populares dentre eles o de "Dom Sebastião", o do "Bandeirante", etc., entrevendo em todos eles a existência de uma paranoia coletiva, cujo fundamento básico parte de um

senti-mento de inferioridade. Isto o leva a concluir que "a paranoia e suas sub-variedades — desde as formas moderadas da vaidade e da presunção até os delírios de grandeza e perseguição que podem levar à ruina e à morte — não são só

individuais. Ha também povos fátuos, jactânciosos, delirantes. Pelo mundo, abun-dam nações queixosas, com complexos de inferioridade, guerreando, delirando, porque pressupõem a grandeza e interpretam a perseguição. Não ha hospícios para esses loucos, nem prisão para esses criminosos coletivos.

J O Y A R R U D A

otônicas. Outros explicam tais falhas de transmissão pela chamada "anteposição",

disráfico em alguns dos descendentes. Essa família serviu como ponto de partida para

Referências

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