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ESTADO DO RIO GRA,NDE DO SUL

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PODER JUDICIARIO ..:;•. :~ _-;.. TRIBUNAL DE JUSTiÇA '>.. ~ RS / AAL N° 70027240902 2008/CíVEL

APELAÇÃO CíVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. PROMESSA DE CASAMENTO. RUPTURA DO NOIVADO POUCOS DIAS ANTES DA DATA APRAZADA PARA A CERIMÔNIA RELIGIOSA.

DANOS MATERIAIS. FILMAGEM E TRATAMENTO PSICOLÓGICO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO.

1. Para que fosse o réu condenado ao ressarcimento das despesas materiais, com filmagem e tratamento psicológico, necessária a comprovação do pagamento pela autora. Não demonstrado o adimplemento dos débitos com os terceiros, inviável a condenação do réu, sob pena de configurar enriquecimento ilícito.

2. Com relação aos danos morais, ainda que não se desconheça o abalo sofrido em decorrência da ruptura de um relacionamento, cuida-se de fato que qualquer ser humano, que estiver aberto a se relacionar, está sujeito. O caso dos autos, mesmo que inegável a mágoa da apelante, não há nada que extrapole a normalidade decorrente da ruptura de noivado. Assim, inexiste o dano moral. RECURSO DE APELAÇÃO DESPROVIDO.

SEXTA CÂMARA CíVEL

RAQUEL ELlSANDRA ARCE DA

ROSA

Vistos, relatados e discutidos os autos.

Acordam os Desembargadores integrantes da Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado,

à

unanimidade, em negar provimento ao recurso de apelação.

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N° 70027240902 2008/cíVEL

Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes

Senhores DES. Luís AUGUSTO COELHO BRAGA (PRESIDENTE) E DES.

NEY WIEDEMANN NETO.

DES. ARTUR ARNILDO LUDWIG, Relator.

Trata-se de recurso de apelação interposto por RAQUEL

ELlSANDRA ARCE DA ROSA da sentença que julgou parcialmente

procedentes os pedidos contidos na ação ajuizada contra RODRIGO DE SOUZA, condenando o réu no pagamento de R$ 125,00 referente aos danos materiais, acrescido de juros de mora de 12% a.a., a partir da citação, e correção monetária, pelo IGPM, desde o efetivo dispêndio. Condenou a autora no pagamento de 70% das custas processuais e 30% ao réu. Diante da revelia, condenou apenas o requerido no pagamento de R$ 500,00 referentes aos honorários advocatícios. Suspensa a exigibilidade com relação

à

autora por litigar ao abrigo da AJG.

Em razões recursais, sustenta a apelante que teve prejuízos materiais de R$ 1.500,00 oriundos dos preparativos do casamento, diante do noivado rompido poucos dias antes do casamento. Refere que teve gastos com tratamento psicológico e com a contratação prévia da filmagem. Além do mais, sofreu imenso abalo psicológico, beirando ao suicídio. Pede o provimento do recurso para que seja o réu condenado na integralidade dos danos.

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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO ...:.. TRIBUNAL DE JUSTiÇA ~ RS / AAL N° 70027240902 2008/CíVEL

o

recurso de apelação foi recebido.

Diante da revelia, subiram os autos a esta Egrégia Corte, vindo-me conclusos para julgamento.

Registro, por fim, que tendo em vista a adoção do sistema informatizado, os procedimentos para observância dos ditames dos arts. 549, 551 e 552, do CPC foram simplificados, mas observados na sua integralidade.

É o relatório.

DES. ARTUR ARNILDO LUDWIG (RELATOR) Ilustres Colegas.

Cuida-se de ação indenizatória por danos materiais e morais fundados no fato de que autora e réu eram noivos e, pouco menos de um mês antes da realização da cerimônia religiosa de casamento, o réu rompeu o noivado.

Ainda que a promessa de casamento não seja um contrato em si, cuida-se de uma obrigação pré-contratual, a qual pode trazer prejuízo ao nubente que se sentir lesado em razão da ruptura.

Não cabe, nessa seara, rediscutir a questão da obrigação do réu com a autora, enquanto a sentença reconheceu o direito da autora de ser ressarcida pelos danos materiais decorrentes do curso realizado pelos nubentes no valor de R$ 125,00. Assim, o recurso de apelação limita-se ao pedido de reconhecimento dos demais danos materiais sofridos e o dano moral.

Ocorre que, com relação aos demais danos materiais, quais sejam, a filmagem e o tratamento psicológico, a autora não se desincumbiu comprovar que por eles tenha efetivamente realizado o pagamento aos contratados. Ao contrário, do depoimento do Sr. Ronner - responsável pela

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AAL

N° 70027240902 2008/cíVEL

filmagem contratada (fls.55/56) - e do depoimento da psicóloga que atendeu a autora, percebe-se que, muita embora tenha efetuado as contratações, não pagou os valores correspondentes.

Assim, a mera expectativa de direito não pode ser alvo de condenação.

Consoante se verifica da prova produzida nos autos, pouco antes de ser concretizado o casamento religioso da autora e do réu, que se realizaria na cidade de Taquari em 23/12/2006, a requerente teve o seu noivado rompido.

Ainda que não se desconheça o sofrimento inerente da ruptura de noivado, quanto mais já havia ela dado início aos preparativos do casamento, não verifico no caso o alegado dano moral.

Em que pese a revelia do demandado, a apelante sequer narra nos autos a forma como conheceu o noivo, o tempo de namoro ou de noivado a fim de demonstrar o estágio do comprometimento do casal.

Outrossim, não há prova suficiente do constrangimento sofrido pela autora, pois muito embora se trate de uma cidade do interior, ao que parece, os fatos não foram de grande repercussão. Aliás, o noivo sequer residia em Taquari e a traição por ele praticada - de acordo com a alegação da autora - ao que parece não teve publicidade na cidade.

Dispõe o art.1514 do CCB., que o casamento deve ser contraído mediante a livre manifestação da vontade, não estando, portanto, o promitente obrigado ao casamento.

Assim, o rompimento do noivado, por si só, desacompanhado de prova contundente do tempo da relação e do constrangimento que diz ter a autora sofrido, não gera o dever de indenizar os danos morais.

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DANO MORAL. INDENIZAÇÃO. ROMPIMENTO DE NOIVADO PROLONGADO.1. Não se pode desconhecer que inúmeros fatos da vida são suscetíveis de provocar dor, de impor sofrimento, nem se olvida que qualquer sentimento não correspondido pode produzir mágoas e

decepção, E nada impede que as pessoas, livremente, possam alterar suas rotas de vida, quer antes, quer mesmo depois de casadas. 2. Descabe indenização por dano moral decorrente da ruptura, quando o fato não é

marcado por episódio de violência física ou moral e

também não houve ofensa contra a honra ou a dignidade da pessoa. 3. Não tem maior relevância o

fato do namoro ter sido prolongado, sério, ter havido relacionamento próximo com a família e a ruptura ter causado abalo emocional, pois são fatos próprios da vida. Recurso desprovido. (Apelação Cível NO 70012349718, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 07/12/2005)

RESPONSABILIDADECIVIL. DANO MATERIALE MORAL. ROMPIMENTO DE NOIVADO. Preliminar de incompetência recursal rejeitada. Voto vencido. A ruptura do compromisso de casamento somente direito ao ressarcimento do dano material quando houver demonstração de que a parte reclamante contribuiu para a aquisição dos bens. Caso em que a autora não produziu prova convincente nesse sentido. Embora inegável a dor e o sofrimento decorrentes do término do relacionamento afetivo e da frustração quanto ao enlace matrimonial, não há como imputar, ao réu, a prática de ato ilícito. O rompimento é decisão relacionada ao sentimento de cada pessoa, não cabendo ao Judiciário valorá-Ia, Apelo desprovido. (Apelação Cível NO 70006731715, Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Leo Lima, Julgado em

18/09/2003)

Danos morais, Noivado. Promessa de casamento. Desfazimento. É incabível dano moral contra o parceiro que desiste de contrair casamento. Improcedência do recurso e condenação da recorrente nos ônus de sucumbência, suspensa a exigibilidade em face da concessão a assistência judiciária gratuita. (Recurso Cível NO 71000485318, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Maria José Schmitt Sant Anna, Julgado em 04/05/2004)

AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO. RESCISÃO DE PROMESSADE CASAMENTOCUMULADACOM PERDASE

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DANOS. DANO MORAL. INVIABILIDADE DE SER REPARADA A DOR DO LAÇO AFETIVO DESFEITO, PORQUANTO INSUSCETÍVEL DE AFERIÇAO A ILICITUDE DA CONDUTA DITA DEFLAGRADORA DO DANO. SENTIMENTOS PERSONALÍSSIMOS, QUE TRANSBORDAM A SIMPLES ANÁLISE DE DOLO OU CULPA. RESPONSABILIDADE CIVIL NÃO DEFLAGRADA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO INDENIZA TÓRIA MANTIDA. APELO DESPROVIDO.

(Apelação Cível NO 70002665149, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relatar: Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira Rebout, Julgado em 29/10/2003)

Aliás, cabe transcrever fragmento do voto de lavra do E. Oes. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, ao analisar caso análogo, quando do julgamento da Apelação Cível nO70012349718:

Realmente essa história de amor teve desfecho

que magoou profundamente a autora, mas

é

rigorosamente

igual a centenas de outros

e

que acontecem a cada dia.

As perdas que cada pessoa enfrenta a cada dia, pela morte, pelo abandono ou pela quebra da confiança ou

pela descoberta do afeto não correspondido, que geram

desilusão

e

decepção, são acontecimentos próprios da vida.

Não se pode desconhecer que inúmeros fatos

da vida são suscetíveis de provocar dor, de impor

sofrimento, nem se olvida que qualquer sentimento não

correspondido pode produzir mágoas

e

decepção. E nada

impede que as pessoas, livremente, possam alterar suas

rotas de vida, quer antes, quer mesmo depois de casadas. Assim, tenho que se mostra descabido o pedido

de indenização por dano moral decorrente da ruptura,

quando o fato não

é

marcado por nenhum acontecimento

excepcional, nenhum episódio de violência física ou moral

e

também não houve ofensa contra a honra ou a dignidade da pessoa.

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RS AAL N° 70027240902 2008/cíVEL

Portanto, mesmo que não se desconheça o abalo sofrido em decorrência da ruptura do relacionamento, que levou a autora até a procurar auxílio psicológico, cuida-se, na verdade, de fato inerente do cotidiano de qualquer ser humano que estiver aberto a se relacionar.

É inegável a mágoa sofrida pela apelante, contudo, não há nada que extrapole a normalidade decorrente da ruptura de noivado. Assim, inexiste o dano moral alegado.

Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso de

DES. NEY WIEDEMANN NETO (REVISOR) - De acordo com o(a)

Relator(a).

DES. Luís AUGUSTO COELHO BRAGA (PRESIDENTE)

DES. Luís AUGUSTO COELHO BRAGA - Presidente - Apelação Cível nO

70027240902, Comarca de Taquari: "NEGARAM PROVIMENTO AO

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