QUAES
OS
ELEITOS
QUE CONSTITUEM
ODIAGNOSTICO?
THE2E
APRESENTADAA
FACULDADE
DE IKDICIUi
DA BAHIA
EM
NOVEMBRO
DE
1865
PARA OBTER O GRAU
DE DOUTOR
HM.
BXSDIGINA
M1HWD
lOTOTM
HKDHTaiIU)
FILHO LEGITIMO
ilcííxomuaQo Jvuouòo Mooiílcuo e %w&a xltauia 7)oò Jbníoò Maouiclio,
MATOSm
BE
(Q&m&Vm
(PR®\7Dlía©flA©A
©ASMA)»Si lasantéestlepremierdes biens,
laMedicinedoit être lapremierdcs arts.
(Cabanis)
TYPOGRAPHIA
POGGETTI,
DE
TOURINHO
&
C.Buii
do Corpo
§axito
n.°
4?
FACULDADE DE
MEDICINA
DA
BAHIA.
DIRECTOR
O
JEjp.mo&nv. Conselheiro
JOr.•WoãaiB.
tiosAnjos*
Ex.
mo
Snr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Magalhães.ossns.doutores «*ANNO. matérias que leccionam . ,. ... "í physica cmgeral,cpailteulnrmcntc
Cons. Vicente Ferreirade Magalhães. .!
^
m
Suas apolicaçõcs a Medicina.FranciscoRodrigues daSilva ChimicaeMineralogia.
AdrianoAlves deLimaGordilho . . . Anatomiadescriptiva.
a.'ANNO.
Antóniode Cerqueira Pinto Chimicaorgânica. Physiologia.
António Mariano doBomfim botânicaeZoologia.
. .
Adi lano AlvesdeLimaGordilho. . . . Repetiçãode Anatomiadescriptiva.
3.*ANNO.
EliasJoséPedroza Anatomiageral epathologica. Joséde GóesSiqueira Pathologiageral.
Physiologia. 4.'ANNO.
Cons.ManoelLadisláoAranhaDantas. . Pathologia externa.
AlexandreJosé deQueiroz Pathologiainterna.
. „
| Partos, moléstiasde mulheres
peja-MathiasMoreiraSampaio dasede meninos rcccinnascidos.
AlexandreJosé de Queiroz Continuação de Pathologiainterna.
JoaquimAntónio dxHiveira Botelho . . Matériamedicaetherapeulica. . . ....„ „ ... ) Anatomia topographlca, Medicina
JoséAntónio deFreitas
\ operaiorla.capparethos.
6.*ANNO.
AntónioJosé Ozorlo Pharmacia.
Salustiano Ferreira Souto Medicinalegal.
DomingosRodrigues Seixas Hyglene,eHistoriada Medicina.
AntónioJosé Alves Clinicaexternado3.*e4.°anno. AntónioJanuáriodeFaria Clinicainternado5."eG.'anno,
Itozendo Apriglo PereiraGuimarães. .\
lgnacioJosédaCunha /
PedroRibeirodeAraújo >Secção Accessorla.
José lgnacio de Barros Pimentel. . .\
VirgílioClimaco Damazlo /
José AlTonso Paraizode Moura. . . .\
Augusto Gonçalves Martins /
DomingosCarlosdaSilva JSccçao Cirúrgica.
Demétrio CyriacoTourinho
(
Luiz Alvares dos Santos }Secção Medica.
JoãoPedro da CunhaValle \
JerónimoSodré Pereira ,->
SS(B^Sl?iSkía2(D»
O
Exm>
S»p.Dr. Cinciminto PintotiaSilva.©MUllM
3)A QJUlliMíiliiJílO
Sr» Dr.Tkomaz
«l'Aquiuoilaspar.QUAES
OS
ELEMENTOS
QUE
CONSTITUEM
DIAGNOSTICO
?PRIMEIRA
PARTE.
Lasclencedudiagnostic tientlepremierrangenlre toulesles
parlies de)'art,etenestlaplus utlle el laplusdiílicilc.
Ledis-cerneracntducaractere propre dechaquc genre de maladicet
deses diQcrenlesespècesest lasourcedesindicationscuratives.
Sansundiagnosticexact et prccis,latueorie est toujoursen
de-lam,et lapratiquesouventinfidèle. (LOUIS:Mémoiresurles
tumeursfongueuses deladure-mère.
)
I.
UANDO
avida, precioso licor d'immortali~ dade, estáparaentornar-sc no cálixinexgo-tavel do tempo, onde
tem
de renovar-se para continuar a indissolúvel cadêa dosse-res:
quando
amorte, limite intermediário das transformaçõesda vida, espera
na
estacadaquelhe traçaramas leisdana-tureza, a victima da sua fria e inexorável cubica, a
huma-nidade estremece, recordando o primeiro gemido, dolorosa nota quetocou-lhe o coração,sempre
vibrante aosentimen-to instinctivo da conservação, d'onde originou-se a
medi-cina.
Quanto
maiselevadoem
cathegoria é o ser, maiscruelo_
2
—
c.onflieto: triste apanágio das organisações perfeitas!
O
ho-mem
doente éo theatro da mais renhida lucta; a questãodevida e de morte éali mais
bem
representada; eo medicoas-siste de parte a esse duello, procurando
sempre
arrancar asarmas
ao mais atroz dos inimigos.«Heureuxles
hommes,
qui ontpuchoisirunbon
médecin,ets'en faire
un
ami: disse-o Requin e repetimol-o nós. »O
medico,não crusa os braços anteos esforçosda naturesa;es-preita-a, segue-a, indica-lhe o
caminho
a proseguir, econs-titue-se
um
auxiliar,um
defensor da causa que ella abraça:é mais
um
inimigo naliçaarmado
contra o elementomau.
Sciencia e arte
empenham-se
na lide, e nasmãos
vigoro-sas do medico prudente depositam-se as
armas
para debellar o inimigo, queassimconsideravamosantigosamoléstia,con-fiando todavia o vencimento ásúnicasforçasdanaturesa.
Na
arte militar, logoque o inimigose declara, ofimprin-cipal é destruil-o ou pelo
menos
enfraquecei-o; para isto épreciso antes de tudo reconhecel-o; e
ninguém
o irá atacarsem
que primeiro estude sua posição physiea e moral, suaforça, naturesa, todas as circunstancias emfim, quer boas quer más, que possaminfluirnoêxito do combate.
Na
arte me-dinatambém,
dada a moléstia, o fim principal é debellal-aTou pelo
menos
alliviar e dilatar os dias apertadosno férreo circulo deuma
incurabilidade.E
antesde tudo o que é pre-ciso faser? Diagnosticar.II.
O
quadro pathologicocm
quesedesenham
os traços, que symbolisam a supplica, que a naturesa nos dirigeem
favorde sua própria causa e de nossa conservação, é o espelho que
reflecte a luz que esclarece a rasão do medico, e a
decifra-ção dos problemas ali escriptos a mais brilhante acquisição
da
consciência do pratico.Na
escala das sciencias medicas o diagnostico é o degraumais difficil; subido elle, descobre-se o horisonte mórbido,
ou carregado das negruras de
uma
tempestade que não se desfaz, ou aclarando-se ao maisligeiro sopro de urnabonan-çosa aurora.
O
clinicoem
sua peregrinação intellcctual desde a maissubtilcircunstancia anamnesticaaté ao mais unívoco
symp-toma, sódescança quando encontra o marco onde está ins-cripta asentença de Baglivi: Qui benèjudicat, benè curai, e
que de
um
lado confinacom
todas as pesquisas etiológicase symptomatologicas, e do outro é a base onde se apoiamo prognostico e o tratamento, objectos que no exercício da medicina
miram
mais directamente os interesses dahuma-nidade.
Quem
negará hoje aimportância e a utilidade do diagnos-tico ? !Ninguém
!
E
ainda que se nos figurasse o quadro das moléstias,therapeutica assentada na simples indicação fornecida pelos
symp
tomas era sufliciente para extirpar o mal, responde-ríamos a medicina das apalpadellascom
os factos tiradosdo escuro do
mesmo
quadro, quebem
provam
ainverosi-milhançade
um
tratamento, queao envez de atacaramolés-tiaataca asua sombra.
III.
O
diagnostico é dedusido do conhecimento das circuns-tancias que envolvem o centrocommum
de todos os raiosnoso-physiologicos, quer nos elevemos áidéa de força e de
substancia, e
em
tornoda noção de unidade affectivae dasrelações que se estabelecem entre a unidade e osdiversos
phenomenos
mórbidos, procuremos os seus elementos; quer desçamos á simples exploração damatéria organisada,com
o fim de discernir a entidade nosologica.
A
sciencia pôdeem
seus voos de águiaelevar-se à gran-des alturas nas frouxasazasde suas theorias,porem
a lógicados factos é mais rigorosa. Barker demonstrou a analogia
da pratica de Hippocrates e de Galeno, da de Sydenhain e
de Boerhaave; e,
como
pensa Lordat, póde-se ter opiniõestheoricas differentes, interpretar os factos a seu
modo,
mas
nem
por isso deixam estes de subsistir, servindo denorma
de proceder. Acrescenta ainda Gintrac: póde-setambém
naapplicação dosprincípiosseguir viasdiversas, empregar meios ou processos differentes; cada
um
segundo suaexpericn-cia pessoal adopta aquellesque melhor correspondem ásua
espectativa. Para o vulgo ha diversidade, ha opposição,
quando
para o observador iniciado no espirito dos methodostherapeuticos ha analogia de acção, identidade defim.
Entre as condições indispensáveis aomedico para
estabe-lecer
com
segurançaepromptidão oseu diagnostico ha duas,diz Auber, sobre tudo muitoimportantes.
A
primeira épos-suir
uma
theoria vasta e elevada; é conhecer a fundo osprincípios da medicina, e todas as leisda physiologia e da
pathologia.
A
segunda é teradquerido nos hospitaesohabi-to de vereexaminardoentes.
Com
effeito, é preciso possuiruma
theoria vasta e elevada; porquesem
theoria não haphilosophia,
sem
philosophia não ha princípios,sem
princí-pios não ha sciencia, e por conseguinte não ha verdadeirapratica, que
em
conclusão não é senão a sciencia applicada.É
preciso ter adquerido o habito de ver e examinardoen-tes
; porque é somente á sua cabeceira que seaprende aser
pratico.
E
lá quese ouve a verdadeira linguagem danatu-reza, e que se a vêtal qualella é, e não
como
no-larepre-sentam tantos escriptores infiéis.
Com
os conhecimentos theoricospóde-se certamente oc-cuparum
logar distincto na sciencia, póde-se ate figuraren-tre os sábios mais justamente considerados;
mas
se se nãotem
feito, por sua conta, applicação frequente de suastheo-rias e de seus conhecimentos no leitodo doente, fica-se
qua-si
sempre
um
artista imperfeito,um
pratico vulgar,com-promettendo a cada passo e ao
mesmo
tempo
a vida dodoente e a sua própria reputação.
appa-—
6—
rencia
um
lado mau: muitas vezes traza desanimadoracom-provação de
uma
irremediável incurabilidade. Mas, dizemosnós, que importa o desanimo causado peloreconhecimento da moléstia
embora
incurável, quando a scienciacaminha
com
o descobrimento das verdades, que porsua vez trazema animação e a esperança?! « Obrar
em
muitascircunstan-cias, continua o auetor quecitamos, e abster-se
em
muitas outras, é praticarcom
prudência e discernimento, é imitaros sábios ».
E
no exercício daarte medica qual é a alavancamais poderosa para tal proceder?
O
diagnostico.IV
Como
BehiereHardy
julgamosplconastica adenominação de diagnosticodifferencial;mas
com
ellesmesmos
ecom
to-dosos authores admittimol-a, porisso que corre na sciencia, e
bem
assim a denominação de diagnostico simples ou es-pecial.A
percepção dos factos pathologicos e sua apreciaçãofun-dadas na recapitulação das circunstanciasque precederam o
momento
da observação, noexame
completo do estadoactu-aldodoente, e na observação attenta da
marcha
ulterior damoléstia, e dos effeitos doseu tratamento, são osprincipaes
actos daimportante operarão intellectual, resultado da
intel-ligencia, saber eexperiência. Estudar a acção e a reacção, isto é, elucidar as causas morbificas, a natureza do individuo e da affecção, a força medicalriz, suas tendências erecursos,
é conhecer a natureza da causa, a modificaçãovitalou
orgâ-nica, o
temperamento
e constituição do individuo, efinal-mente
as alterações successivas, quesão oresultado aceiden-talou
inevitável dessa tormenta geral.Em
ultima analyse é,como
quer Auber, fazer o diagnosticodobem,
eodiag-nostico do mal.
Que
hapoisno domínio da pathologia que não possafor-necer elemento para o diagnostico?! Causas, symptomas, prodromos, temperamentos, idiosyncrasias, marcha,
trata-mento
da moléstiaác,
lembram
opassado,acompanham
oapresente, e
prevêem
o futuro do doente.A
mais ligeiranu-vem,
o ponto mais apagado na esphera pathologica, é muitavezpara o observador attento o melhorguia na indagação e apreciação dos factos; e a difficuldade proveniente da
im-mensa
variedade deindivíduos vai pouco a pouco desappa-recendo á reflexão da luz da experiência, que esclarece omedico noslabyrinthicos segredos das individualidades.
Attenção, comparação, e raciocíniosão os principaes actos
de quese
compõe
toda a operação doespirito: assimpensam
os philosophos da eschóla moderna.
Em
medicina aobser-vação dos
pheno menos
e de suas relações entre si,abstra-indo o seu valor, representa a attenção, que, no que
tem
de relação
com
a pathologia, não é, verdadeiramente fallan-do, mais do que a baze do diagnostico.O
valor relativo de—
8
—
cada
um
destes phenomenos, osigna!em
linguagem medica, obtem-n'o a comparação; e o raciocínioencaminhando
paraum
ponto todos esteselementos dáem
resultado o diagnos-tico, que é o ultimo dessa serie de actos intellcctuaes.Á
medida que o observador recolhe os symptomas, estescoordenam-se no seu espirito, e se transformam
em
signaes,que por seu approximamento, pelas relações queofFerecem entre si, e pelo apoio que
mutuamente
se prestam, fazemderivar o diagnostico: Gintrac o disse.
E
nós acrescentamos que não só osymptoma,
senão quetambém
toda e qualquer outra circunstancia capaz de auxiliar o medico na pesquizadamoléstia, será considerada elemento dediagnostico, quan-do tiver sido convertida ein signal.
Portanto, terminando a primeira parte do nossoescripto,
podemos
concluir que o signal é o verdadeiro elemento dodiagnostico, e quea semeiotica é a synthcse do nosso ponto.
—
<)—
SEGUNDA
PAUTE.
Uicn n'est plus utile an médecinque lascicncodes signes
dcsmaladies. Elle estlcprcmierélémenl de sabonneou
mau-vaise fortune, desaréputalionou desa ruine.(Auber. Science
Mèdicale).
Ainda
o génio de Hippocrates não tinha ereadoadoutrina dossignaes, dandovalor e significaçãoaosphenomenos
mór-bidos,quando
a observação dossymptomas
ja era objecto das sentençasda eschólade Cnido.O
espaço que vai do medico de Cós ao medico dePerga-mo,
nãoabafou a semeiologiaem
suas trevas,nem
desviou-aem
suas revoluções scientificas, porque o fio de ouroque a ligava á medicina, era omesmo
que^aencaminhava
atravezdos numerosos e differentes systemas. Depois, os tractados
especiaes de Prosper-Alpino,
Wucherer,
Vater, Gruner,Broussonnet, Landré-Beauvais, Double, Dance e de outros,
íiseram bastantejustiça á parte mais importante da patholo-gia, segundo Boerhaave.
Com
eífeito, a maior parte dos antigos escriptoresestu-davam
a semeiotica maisem
relação ao prognostico que aodiagnostico; os modernos, porem, apoiadosnos estudos
ana-tomo-pathologicos, teem alargado o seu horisonte á princi-pio limitado á observação clinica e á physiologia.
IO
—
II.
Às
informações que o medico é quasisempre
obrigado adar, para satisfaser a curiosidade legitima das pessoas
inte-ressadaspelodoente, quelhe fasem perguntas sobre a causa,
perigo, e terminação da moléstia, esperando,
como
dizAuber, respostas tão seguras
como
oráculos,devem
apoiar-seno perfeito conhecimento da semeiologia; condição que o torna esclarecido e consciencioso na pronunciação de suas sentenças, as quaes
devem
ser dedusidas dos factos e das provas, coisas tão volúveis na arte medica!E bem
pensaBouchut
quando
asseveraque a symptomatologia não éuma
sciencia rigorosa, e que é impossível faser-se
um
quadrosynoptico das lesões somáticas
em
relaçãocom
asperturba-ções queas
acompanham;
porque, diz elle, entre asinfluen-cias inorbiíicas e as moléstias, entre as lesões e seus
symp-toinas, ha o organismovivocom
sua forçaou suafraquesa,sua sensibilidade ou sua apathia: ha a vida, e o
modo
deresentiras influencias morbificas, e asdesordens que
reben-tam
na confederação visceral.É
ainda a sciencia dos signaes que faz maravilhar amui-to sceptico e ignorante, que no intentode desconceituar a
mais sublime das artes, aproveita os
momentos
fortuitospara comprovar a sua incredulidade.
Ora
éum
prognosticofatal, feito no meioda mais apparente calma, quese verifica;
ora é
um
prognostico feliz, prophetisado na tormenta deimprevis-—
11—
tos por muitos, e tão convincentes
em
favor dasciencia, di-ante dosquaes engrandecea reputação do medicoIFechemos
este capitulocom
palavras de Trousseau:
« L/empirique peut guérir
um
accès de fièvre; au médecinil appartient de guérir la fièvre.
Au
médecin il appartientde faire
une
diagnose impossible à 1'empirique.—
Savoirqu'un malade a, chaquejour, un
paroxysme
fébrilecom-mençant
pardu frisson et suivi de chaleur et de sueur, c'est làune
notion d*une vulgarité extreme, ce n'estpasun
diag-nostic; mais savoir que ce paroxysme n'estpas lié à
une
phlegmasie cachée, á une suppuration profonde, à une
disposition toute spéciale du système nerveux, si
commune
chez certaines femmes; savoir qu'elle est bien 1'expressionde 1'iníluence exercée parle
miasme
palustre; c'estlàuneno-tion fort complexe qui ne peut être que du domaine
du
médecin. Apprécier maintenant la gravite decet empoi-sonnement, 1'influence qu'il a exercée et quil doit encore
exercer sur 1'individu malade, et proportioner par
consé-quent ladurée et 1'énergie de la médication à la gravite
du
mal, c'est encore ce qui ne peut être duressort de
Pem-pirique ».
III.
A
grammatica da arte de curar, segundo a expressão de Brousonnet,comprehende
trez ordens de signaes: 1.a
Os
—
i2
—
diagnósticos: 3.a
Os
signaes prognósticos. Rostan acrescenta unia 4.° ordem, que é adossignaes therapeuticos.Mas
estes últimos,bem
como
grande parte dos signaes prognósticos,confundem-se
com
aquelles queconduzem
aoconhecimen-to edistincção da moléstia; porque sabida esta
como
requerum
diagnostico perfeito, está mais oumenos
prevista a suamarcha, duração, terminação, e indicado o seu tratamento. Pelos signaes
commemorativos
nosremontamos
ao passado, que, se quasi sempre carecedo apoio doexame
actual paranoslevar ao diagnostico, algumasvezes dá por si só
um
re-sultado satisfactorio. Pelos signaes diagnósticosreconhece-mos
o presente, echegamos
ás mais das vezes aoconheci-mento
do estadoactual, quer esclarecido pela sua única luz,quer ajudado pelo concurso de outras circunstancias. Pelos signaes prognósticos antecipamosa marcha, duração, termi-nação, o futuro emfim, da moléstia, que por sua vez pode comprovarjuizos mal seguros, ou indicaroutros ainda não pensados por ventura.
Os
signaes subdividem-seem
carac-tcristicos,communs,
e accidentaes.Os
primeiros,que
tam-bém
sedenominam
pathognomonicos, unívocos, essenciaes,sufficientes, e verdadeiros, são aquelles que, ou são
insepa-ráveis da moléstia (pathognomonicos de muitos,) ou
acom-panhando-aquasisempre, são bastantes para classifical-a e
determinal-a.
Os
segundos,quelambem
sechamam
equívo-cosou insuficientes,são aquelles quese apresentam
em
mui-tas e differentes moléstias, não podendo portanto
constituil-as essenciale exclusivamente.
Os
accidentaes finalmente sãoaquelles que, apparecendo no curso de qualquer moléstia,
—
1;j—
Entre ossignaes, aquelles que
dependem
demudanças
or-gânicas e maleriaes, os que ferem directamente os sentidos
do medico,
chamam-se
physicosousensíveis: e aquelles que consistemem
simples sensações manifestadas pelo doente,denominam^se
racionaes.Uns
dividem ainda os signaesem
críticos e acriticos,se-gundo
a epocha e omomento
de seu apparecimento. Outros,porem, não attendendotalvez ás diversascircuinstancias que
podem
modificarou alteraro valor de cada signal,diminuin-do ou
augmentando
o seu grau de certeza, appellidam-os ainda certos e incertos. Finalmente,Chomel
e outrosadmit-tem
ossignaes positivos e negativos.Mas
a respeitodaexis-tênciados últimos nãonos será difficilacontestação.
IV.
O
signal, previlegio exclusivodohomem
da sciencia,ja-mais deve ser confundido
com
osymptôma,
que, pelacom-paração de Requin, é
uma
caria fechada, cujo segredo éve-dado ás pessoas estranhas á arte. «Uintellect ne sert qu'á reduire les
symptômes
en signes; il nesaisitpas directement lessymptômes;
dizRaciborski.»Os
sentidos encarregam-se de apprehender uns; á intelligencia compete formarosou-tros.
Mus
nãosepersuadam
que signal ésomente o valorda-do ao
symptôma:
todoo facto de qualquerordem
enaturesa,sendo
uma
vezdado e conhecido no passado,no
presente e até no futuro, pode servir para fundar inducçõesconoernen-—
14—
tes ao que ha de desconhecidono estado presente, futuro e
passado. Ora, independente dos
symptomas
ha muitos outrosphenomenos
e circunstancias, quepodem
ser invocados ati-tulo designaes. Bouchutquer, que assim sejão consideradas todas as circunstancias capazes de esclarecer a natureza
in-timade
uma
moléstia, seusprodromos, seussymptomas
pre-sentes, ascausasquefavoreceram asua invasão, e teem
en-tretido a sua marcha, os meios precedentemente applicados para terminaro seu curso &c. Para
Chomel
eslascircuns-tancias são: os
symptomas
passados e presentes, as causasque
tem
preparado ou determinado o desenvolvimento damoléstia, o
modo
como
ellatem
começadoecaminhado até omomento
actual, e os effeitos dos meios applicados.Auber
acrescenta ainda a acção espontânea e medicatriz da
na-tureza.
Innumeros e variados são os elementos do diagnostico.
Para que
um
phenomeno
apparentese torne signal demo-léstia, disse muito
bem
o professor Landré-Beauvais, não 6sempre necessário que a physiologianos mostre os meios de
sua união
com
o objectoqueelle indica: a observação clini-ca e aanatomia pathologica nosconduzem
aomesmo
resulta-do.A
coexistência constante ou muito frequente de dousphenomenos
torna-se para nósuma
prova de sua ligação.—
15—
symptoinatico: sãotão claras a suaexistência e naturesa, que
reclamam
pouco esforço daintelligencia do pratico. Outras,porem, tudo é trevas: o estado pathologico existe,
mas
tão disfarçado, quenenhum
signal revela asuacausa, sua sedeenaturesa. Entãodesgraçado d'aquelledoentese, abandona-do daforça inedicatriz da natureza, o tino medico, previlégio
exclusivo das intelligencias predestinadas, ou resultado da
experiência e do saber, não
vem
em
seu soccorro !As
causasmoraes que por sua influenciacontinuatornam-se, para assim diser, inherentes ao organismo, dão origem
á milharesde factos desta ordem;
mas
quantas vezes,felis-mente
para os que estam enlevados na contemplação daes-curidade doquadro,fusila
um
rápidorelâmpago, queesclarece os traços nosologicos, e que passa desapercebido para osdesattentos!
Que
foipor ventura elemento paraErasistrato diagnosticar oamor
de Antiocho por Stratonice?Um
olhar !um
gesto !17
—
TERCEIRA
PARTE.
Adsigna quoc perlioet pars in tria distribuitur:in
cognilio-nemprceleritorum, incontemplationcm proesenllum, in pnesa-gilionem futurorum.(Galeno).
Ja dissemos
na
primeira parte do nosso escripto que osignal é o verdadeiro elemento do diagnostico; javimos na segunda quão numerosas e variadas são as fontes que lhe
podem
dar origem; na terceira cumpre-nos indicar estas fontes,não minuciosa e extensamentecomo
fazem ostrata-dos de pathologia, que tanto não
comportam
nossas forças,nem
o nosso trabalho,mas como podem
o desejo e vontade de cumprir o nosso dever.Ao
approximar-se do leito do doente o medicoprocura lerno
passado,no
presente, e muitavezna marcha,dura-ção,
no
futuro, emfim, damoléstia, a verdadeiralinguagem da natureza, que oscommemorativos lembram,
que o estadoactual indica, e queofuturo pode revelar.
É
pois destas trez fontes, que hão-deemanar
os signaes, quepor sua vezana-lysados, comparados e reflectidos dão
em
ultimo resultado ocompleto conhecimento do estado mórbido.
Ninguém
contesta o valor e importância dos—
18
—
rativos, tios signaes racionaesemfim:
porem
observamosque
ossignaes que o medicoobtém
com
o testemunho de seus própriossentidos,devem
ter outro caracter de certeza, que não os signaes fornecidos pela informação do doente, ou das pessoas queorodeam; porque a falta deverdade, ainfideli-dade da
memoria
e muitas outras circunstancias, contra asquaesse deve estar
sempre
prevenido, são outrostantosobs-táculosá verdadeira indagação, e apreciação dosfactos. Mas,
observa
também
Racle quandocomeça
a indicar as fontesdodiagnostico, se os
phenomenos
experimentados pelodoen-te, eospercebidos pelomedico são os primeirose os mais
im-portantes elementos do diagnostico, nãose deve desprezar
factosdeoutra ordem, e independentes damoléstia, taes
co-mo
aedade eo sexo do doente, a influencia da herança, daprofissão, dasmoléstias anteriores
&c;
emaisadiante omes-mo
author acrescenta aoscommemorativos
o temperamento,a constituição, a influencia do tratamento que o doente
tem
seguido, as do paiz, do clima, da estação, das causas occa-sionaes edeterminantes, das endemiasc epidemias, <Sic. São
poistodas estas circunstancias que
vamos
estudarem
relação ao diagnostico; e posto que saibamos que muitas deliasnão são verdadeiros commemorativos, não
queremos
—
19
II.
Quem
tem
atravessado os differentes períodos da vida desde a primeira infância até a velhice, e ao influxo dos frouxos e amortecidos raios deum
sol que se vae esconder,contempla o quadro tão variado da existência, recorda as diversas e intimas revoluções porque
tem
passado o seuor-ganismo, desde asprimeiras vibrações do seu pensamento
até aos seus últimos lampejos. «
Cada
existência lançada no tempo e no espaço, eléva-se, pairaem
uma
certa altura, edepois cahe ».
A
vida é assim; e as edades são os degráosda escada que sobe, e os degráos da escada quedesce.
Nas
creanças, cuja circulação é muito activa, e a pellemuito vascular,
predomina
a plasticidade, e os tecidosestamem
rápido crescimento. Osapparelhoslymphatico, glandular,e vascular, funccionam
com
a maior energiav e osystemanervoso, muito impressionavel, traduzno exterior sua exci-tabilidade pela vivacidade dos movimentos, pelo excesso da
sensibilidade, e pelo desenvolvimento da rasão. Neste
perío-do da vida a reacção das moléstias agudas é muito
conside-rável, e fora de proporção
com
anatureza e extensão daslesões orgânicas.
Na
edade adulta, que os órgãosteem
ad-quirido todo o seudesenvolvimento,e
desempenham
suasfunc-ções na plenitude de seu poder, a actividadeorgânicapre-dominante parece terpor sede o peito; as funcções
vascu-lares lymphaticas
cedem
o domínio ácirculação sanguínea,—
20
—
do que na infância.
A
reacção estáem
relaçãocom
a causamorbifica, e os
symptomas
prendem-se regularmente ásle-sões somáticas.
No
velho, que, na phrase de Cabanis, tudo tende ao re-pouso, até que a impossibilidade de sustentaras fracasim-pulsões de
uma
vida desfallecente, lhe torne desejado ene-cessário este repouso eterno, que a natureza partilha
com
todos os seres,
como
uma
noite calma apozum
diade agita-ção, aactividade do apparclho vascular arterial diminue, as secreções sãomenos
activas, a pellese endurecee seenruga; a vista e o ouvido enfraqueem; as percepções sãomenos
vi-vas; os
movimentos
mais embaraçados; o apparelhodigestivoe o fígado se atrophiam; os pulmõesse alteram
em
conse-quência da diminuição nonumero
de suas cellulas, o quetraz a reducção e o estreitamentodo thorax; todosos tecidos fibrosos se vão ossificando, e as funeções seexecutam
com
uma
lentidão que se torna cada vez maior: então a reacção febril é fraca, c ossymptomas
sãoem
desacordocom
a gravidade das lesões, queacabam
de inclinar o plano, por ondese precipita a vidano
abysmo,cm
quese vão sepultartodas as existências passageiras.
Deste quadro, traçado
em
parte por Bouchut,podemos
avaliar mais oumenos
a importância que sedeve dar á eda-dequando
achegamo-nos ao leitododoente.Não
subscrevemoscom
Racle a antiga sentençaque
attri-bue ao
menino
as moléstias da cabeça, ao adulto as aífec-ções dopeito, eaovelho as moléstiasabdominaes.Em
cada edade observam-se muitasaífecções de cadauma
destastrez—
21—
que cada edade
tem
suas espécies, ou aomenos
suas formas de predilecção.A
febre rarasvezes é na infância o annunciador de gran-des lesões.A
erupção deum
dente, a presençade vermesintestinaes, a simples picada de
um
alfinete,desenvol-vem
ásvezesum
movimento
febril tão forte, e de acordocom
oorganismo que cresce, quea não ter-seem
considera-ção o período da vida, e suarespectiva physiologia, assusta-ria aquemquer
quejulgasse a natureza e extensão da lesãopela manifestaçãosymptomatica ou sympathica,
como
se por ventura observasseum
adulto.No
velho, porem, oelemen-to febril
tem
outra importância quena
creançaemesmo
noadulto.
O
quadro das febres essenciaesquasi que desappare-cena
velhice; equantas vezeslesões tão profundas eexten-sas desfarçam oseu eminente golpe
n'um movimento
febriltão fraco !
Alem
disto, não são indifferentes na creança,no
adulto eno
velho, asformasataxica e adynamica de que as vezes sereveste a febre: no primeiro haprobabilidade para suppor-seuma
meningite;no
segundouma
febre thyphica;
e no terceiro
uma
affecção chronicadoapparelhourinário,ou
um
amollecimento cerebral &c.As
moléstias eruptivasteem
na edade do individuoata-cado
uma
circumstancia importantíssimaem
favor dodia-gnostico.
Os exhanthemas
febrisnas creanças, a syphilis noadulto, e o
eczema
chronicono
velho, são probabilidades das manifestações cutâneas.O
valor eimportância das convulsões cresce na razão daedade; e para concluirmos,
lembramos
o rachitismo e a—
22
—
ossos,
mas
queno
estado actual da sciencianinguém
diráque
um
adultopadece de rachitismo,nem
queuma
creança soffre deosteomalaxia;embora
as poucas differenças queexistem entreestasduasmoléstias, só
dependam,
para muitos, das differenças histológicas relativas ás edadesem
que ellasseapresentam.
III.
Quando
senosabrem
as paginasdo verdadeiro livro depathologia, e procuramos lêr os segredos que a
mão
da na-turesa alitem
impresso, nãodevemos
prescindirdoconheci-mento
dosexo e das modificaçõesporelle produzidas no or-ganismo, quesão, para assim dizer, pensamentos doprolo-go, que muito orientam na comprehensão dotodo.
Ainda que
Chomel
e outrosdêem
mais importânciano
desenvolvimento das moléstias ao
modo
de viver difíerentedo
homem
e da mulher, do queá constituição vital e orgâ-nica peculiarao sexo, nãopodemos
deixar de acreditartam-bém,
com
a maior parte dos authores, na influencia devida á outras differenças, independentes das que estabelecem os órgãos sexuaes.Ouçamos
Bouchut á esse respeito: «Vede
adifferença exteriorindependente da presença dos órgãos
se-xuaes.
Vede
a intelligencia e a excitabilidade nervosa dasmulheres, o
volume
e o peso de seu cérebro mais conside-rável que nohomem,
comparativamente ao peso damassa
—
23
—
da respiração, descoberta por Andrale Gavarret, e
caracte-risada pela combustão de
uma
menor
quantidade de carbo_no.
Yede emfim
ovolume menor
de seu coração, aquanti-dade maior d'agua do sangue, a
menor
proporção dos gló-bulos, da albumina e dos saes deste liquido. Tantasdifferen-ças entre os sexos,
sem
fallar das que ignoramos ainda, eda acção sympathiea dasfuncções genitaes,
demonstram
apresença de
uma
força especial, independente da forçacom-mum
á espécie; e apathologia forneceuma
nova prova desua existência »
.
Sabemos
todos que, excepto asmoléstias do apparelho ge-nital, nãoha
affecções exclusivas a cada sexo; porque até arespeito da chlorose e dahysteria o
campo
se divide.Mas
a compleição naturalmente delicada, que coadunacom
opa-pel social quea
mulher
representa, predispõe acontrahirum
certo grupo de moléstias, que o
homem
com
sua robustezpodeevitar,
sem
comtudo
poderresistir áquellas quesua pró-pria natureza favorece.Quem
tiverem
consideração a excitabilidadede queé tão susceptível o systemanervoso da mulher, não duvidará deabraçar acomparação, que
em
certospontos fazem Behier eHardy
entre amulher
e a creança; enem
também
ligará, áprimeira vista, o cortejo assustador de symptômas, ora ca-racterisado pela intensidade de
uma
febre delirante, ora pormovimentos
convulsivos e desordenados, e ora por paraly-sias parciaes, ámesma
lesãoem
natureza,em
sede, eem
extensão, que por ventura comprometteriaa organisação deum
homem,
quando
theatro de scenas destaordem.Equem
gran-—
24
—
de seriedas nevroses,desde o abalonervoso mais ligeiro até
à catalepsia mais
bem
caracterisada?!
IV.
«
As
moléstiassão impressões transformadas, isto é,reac-ções vitaes contra as causas morbificas; e os
temperamentos
são maneiras de ser compatíveis
com
a saúde, ecaracterisa-das pelo predomínio de
um
dosgrandesapparelhos doorga-nismo
sobre todos os outros.» Admittindo, pois,com
Bou-chut, a influenciadotemperamento
no desenvolvimento dasmoléstias,não
podemos
negarcom
Racle a sua utilidade e importânciacomo
elemento parao diagnostico.Ecom
effeito, reagindo a economia na razão de sua força e danaturezaque otemperamento
lhetem
imprimido,asmo-léstias
devem
revestir-se,em
geral, do caracter nervoso,in-flammatorio, saburroso, e scrophuloso, segundo
predomina
oelemento nervoso, sanguíneo, bilioso ou lymphatico; e
da
relaçãoque maiscommummente
existe entre cadaum
desteselementos, e certogénero de moléstias, pode-sesuppor
com
probabilidade,e asvezes concluir para estados pathologicos,
que na faltadesta noção,seriam de difficil determinação;
co-mo
acontece no estado adiantado de certas moléstias, nasquaes, por se não ter levado
em
conta otemperamento
dodoente,
quando
em
boas condições de saúde, erra-se mui-tas vezes tomando-se o effeito pela causae vice-versa.—
25
—
iipparelhosfunccionaes,
ou
expressãoda maioroumenor
for-çada economia.A
idéadeforte ou robusto,de fracoou débil,tem
algum
peso nabalança dos signaes diagnósticos; e assim devia ser, porquanto as constituições débeiscedem
com
fa-cilidade a certas influencias morbificas, cuja força não basta
para vencer a resistência quelhes
oppoem
as constituiçõesfortes, asquaes por sua vez sendoatacadas,
pagam
com
maisfortesreacções a sua temporária immunidade.
Se nosfossedadoentrar ospenetraesdafecundação, c ahi
apanhar
em
flagrante osmysterios dageração, aobstétrica ea hygiene lucrariam
immenso,
e apathologia iria pouco epoucoapagandoainfluencia hereditária do quadrodas causas orgânicas. Infelizmente, porem, para a sciencia epara a
humanidade
um
véu espesso e indestructivel esconderá aosmais penetrantes olhos esse segredo, que sónos é revelado
por seuseífeitos,
como
o são todas as operações intimas eprofundas do organismo.
De
ha muito que senão
contesta a herança physiologicae pathologica; a historia, o crusamento das raças e os factos
physiologicos attestam a veracidadeda primeira; e da
segun-da ja Baillou, o Hippocrates francez do século 16,
como
ochamou
Requin, dizia: «Utbonorum
hsereditates,itaetmor-borum
successiones ad pósteros perveniunt.»
A
impressão generativa physiologica transmilteaonovo sei—
2G
—
a semelhança de seus progenitores, quer no exterior, quer no intimo da organisação: os traços do rosto, o talhe,a
con-formação, a côr á., e até a longevidade.
Rush
diz nãoterconhecido octogenário
em
família que não tivesseexemplo
de longevidade.E, reciprocamente,
também
ha famílias,em
que otermo fatalé mais
ou menos
certoeprecoce. Todossa-bem
o factodeum
membro
dafamíliaTurgot,que aoapproxi-mar-sedos cincoenta annos, apesar da apparenciadeuma
boa saúde e deum
temperamento
vigoroso, pôz einordem
todososseus negócios; porquanto,diziaelle,sua vidaestava a
termi-nar-se,porissoqueeraaquellaaeclade de duração de seus pro-genitores. E, comeffeito, morrco aos 53annos!
«A
naturezamoral do
homem,
observa Bouchut, suas inclinações, seus defeitos, suas qualidades e seus vícios, se transmittem aindacom
mais segurança pela geração, do que sua conformaçãophysicaexteriorouinterior.Porser
menos
apreciável ofacto,não é
menos
certo; c sea transmissão não é necessariamen-te constante, e pôde ser impedida pelo crusamento, pelaeducação moral ou religiosa, não deixa de ser estabelecida
sobre provas irrefragaveis. »
Da
impressão generativaphysi-ologicaá morbifica vai muito pequena distancia.
O
facto é omesmo
no estado physiologico e pathologico.Enumerar
osmilhares de exemplosseria impossível aqui; e não hapessoa, ainda estranha á sciencia, que não tenha observado casos
de moléstia herdada.
Os homens
dafamília Lambert,obser-vada por Geoffroy-Saint Hilaire, tinham ocorpo coberto de
ichthyoses córneas, á excepção do rosto, palmas das
mãos
e plantasdos pés.
Eduardo
Lambert
teve seis filhos, e todos assimcomo
elle, apresentaramamesma
singularidade desdea27
etláde de seis semanas.
O
único quesobreviveotransmittio-a,como
seu pae, a todos os seusfilhos; e esta transmissãocami-nhando
dehomem
ahomem,
continuou na família durante cinco gerações, a ponto defazer alguém acreditar naforma-ção de
uma
nova raça daespéciehumana
'
Nem
todas as moléstias são transmissíveis por influencia hereditária.As
aííeccõcs orgânicas, diathesicas, chronicas,ou, finalmente, as que se
tem
apoderado, para assim dizer,moléculapor molécula de todo o organismo, e que de
algum
modo
(deixaetambém
passar o arrojo, para nos fasermoseomprehender
melhor,)se tem identificadocom
a forçavital,sãoasquese
herdam
com
facilidade.A
phtysica, as scrophu-las, as lesões orgânicas, a syphilis, osdarthros &.', são ocruel emuita vez o único legado de milhares de famíliasv
que
gemem
por se desherdarem d'aquillo que nãoambicio-naram;
em
quantoqueoutras arriscam asua posteridade aos tristes resultados deuma
cubicatorpe! Deixemos, porem, ao moralista e ao hygienista o cuidado dessas considerações econselhos, e terminemos a nossa tarefa
com
o exemplo se-guinte:Um
doente no qual se notaum
emmagrecimento
poucoconsiderável, certalanguidez, tosse secca ou pouco húmida, mais
incommoda
pela perseverança que por sua intensida-de, ligeiro embaraço na respiração; dando aperceber pela percussãoum
som
mais ou menos,obscuro,mesmo
abaixo das clavículas, e pela esculaçãouma
modificação no ruidovesicular, difficil deserclassificada; tudoisto
acompanhado
ounãojde
movimento
febril pouco intenso ou passageiro. Com-estes signaes,emaisoconhecimento de queos pãesdodoen-—
28
—
tesão ou foramphthysicos,
devemos
concluir antes paraa tu-berculisacãopulmonar
noprimeiroou nocomeço
do segundoperíodo, do qne para outra qualqueraffecção doapparelho
respiratório,
como
uma
dilataçãobronchica,uma
pneumonia
chronica &.
Como
estepoderíamos citarmilhares de exem-plos. Portantoéde
muitautilidade eimportância para odia-gnostico de qualquer doente a historia deseus antepassados.
VI.
a Habito é a força interior que impelle oorganismo a re-petir de
um
modo
quasi irresistível osmesmos
actos, que maisdeuma
vez elletem
voluntariamente praticado.Bem
explorada, esta força deveser o guia da vida moral eda
edu-cação physica do
homem;
mas
abandonada asimesma,
sua tyrannia nãotarda a tradusir-se pelo excessodas paixões, epor males
sem
numero. » Quando, pois, se estiverrecapi-tulandoas circunstancias anamnesticas,
convém
nãoesquecerde
modo
algum
ohabitoouos hábitos que porventuratenhacontrahido o doente, cujo estado mórbido sequer determi-nar; porque se
bem
dirigidos concorrem para oentreteni-mento
e exercício dasaúde,como
diz Bouchut, desregrados, basta muita vez a suaúnicainfluencia para explicargrandenumero
decasos pathologicos.O
usoimmoderado
de bebi-das alcoólicas explica os diversosgraus do alcoolismo; oha-bitodamasturbação determina myriadas de alterações
—
29
—
As
profissões, diz Racle, exercem sua influencia de di-versasmaneiras: orapor acçõesparticulares, inconimodas epenosas que ocorpodeveexecutar; orapelas influencias
me-teorológicas a queellas expõem; ora, finalmente, pela acção
especial ou especifica dos rnateriaes manejados. Vê-se por tanto o cuidado e attençãoque requera profissão,
quando
seindagaa natureza do moléstia.
Umas
vezes ellasobram
como
causas predisponentes, outrascomo
específicos, dandoem
resultado verdadeiros envenenamentos.
As
cólicas dechum-bo
ou decobre, o tremor mercurialác,
podem
serdiagnos-ticados só
com
ocommemorativo
—
profissão.VII.
A
influenciadasestações, doclima, dalocalidade, dacons-tituição medica, das endemias, e epidemias, é tão clara e
manifesta
em
certoscasos no desenvolvimento e no caractermesmo
dasmoléstias, que não deve escapar aomedicocomo
fonte preciosa de signaes diagnósticos. Entrenós,
como
em
todos os paizes, a estação novatraz comsigo certa
constitui-ção medica, e ásvezes epidemias
bem
francas,desenvolvidas á custa deseus próprios elementos, oupreparadaspelaesta-ção que passou,
como
quer a maiorparte dos epidemiolo-gistas.O
clima segundo é frio, quente ou temperado, dispõe asorganisações physiologicamente aseu
modo,
etorna-as maistyphus-—
30
—
féverdevasta naIrlanda, Suécia, Norte da
Allcmanha
e da America; a peste do Oriente no Cairo e na Alexandria; a fe-bre amarellaem
Nova-Orleans, Golpho do México, e Brazil,sobre tudo nos emigrados; eassimpordiante.
As
endemias eepidemias conforme reinam aqui ou ali,onde está, ou de onde veioo doente, orientam muito no
co-nhecimento damoléstia.
E
quanto ás localidades,contentar-nos-hemos
com
repetir as palavras deRacle. « Lorsquelaconslitutionmédicale d'unpays, observée surplace, auraété etablie,le diagnostic en tirera de grandeslumières, maissur placeseulement. »
VIVI.
As
moléstias anteriores ao estado actualtambém
nãode-vem
ser esquecidas,quando
se tracta de fazer odiagnostico.Um
doente quejatenhasido vaccinado, ou tenha tido a va-ríola,embora
apresente todos os prodromos desta moléstia,muito provavelmente não seráella que o ataca. Outro tanto
sepoderádizerda febre typhica, dafebre amarella, dos
ex-hanthemas
febris, das moléstias, emfim, que nãocostumam
accommettera
organisação maisdeuma
vez durante a vida.Ao
contrario, ha estadosmórbidos queuma
vezdadosnoor-ganismo, se reproduzem
com
muita facilidade.As
febresin-termittentes, as affecções saturninas, os rheíimatismos, as
pneumonias, as pleuresias, as blennorrhagias &c.
Ac,
são desse numero. Ha, finalmente, moléstias ou affecções, que—
31—
são quasi conhecidas, quasi fatalmente determinadas,
como
observaRacle, peloconhecimento dos accidentesanteriores.Por
exemplo:uma
erupção duvidosa,com
um
commemora-tivode cancro indurado, é muito provavelmente syphilitica.
Accidentes duvidosos detubérculos
tomam
uma
significação evidente, seanteriormentehouve hemoptysis,pleuresias &c.IX.
Alem
das considerações que acabamos de fazer,cumpre
lembraroutras circunstanciasanamnesticas, taescomoospro-dromos, ainvasão damoléstia,a idiosyncrasia, a
immunida-de, a alimentação
ác,
quepodem
servir de muitona
apre-ciação do facto pathologico; não esquecendo
também
as cau-sas, esobre tudoasdeterminantes especificas, cujoconheci-mento
équasi sempre sufficiente para desvanecerpresump-ções que muito prejudicariam, caso fossem aproveitadas. Se examinardes
um
doente,cujossymptomas
se assemelhemaosdacholera morbus,e depois souberdes que elle ingerio certa
dosede acido arsenioso, deveis repellir immediatamente a idéadecholera, para abraçar ade
envenenamento
poraquellasubstancia.
E
a duvida estabelecida entre a hydrophobia rá-bica, euma
nevroseessencial ou não,vem
dissipal-a o—
33
—
EXAME
ACTUAL
EM
RELAÇÃO
AO
DIAGNOSTICO.
Lorsque 1'élère vientdelireunIrailédepathologie
médica-le, il luisemblequ'ilestdéjàmédecin; mais,arrifeen présence
d'un malade, iléprouveIe plusélrange embarras,etcomprend
bientôt que letcrrainmanqueseusses pieds.(Trosseau. Clini-queMédicale).
O
exame
deum
doentecompõe-
se de duaspartes: do in-terrogatório, e doexame
propriamentedicto. Aquelletem
porfim especial recapitular as circunstancias anamnesticas
ou
commemorativas, de que ja tratamos; este aprecia ossymptomas
actuaes, cujo estudo vai nos occupar agora.Antes, porem, de
começarmos
este trabalho,convém
lembrar
ou
prevenir que não trataremos dasvantagensque
um
doente, dotado de certograu de intelligencia, pôde offe-recer ao medicono
acto de ser interrogado,nem
dasdiffi-culdades provenientes de
uma
intelligenciaabolida ouper-vertida,
como
em
casos de moléstia cerebral; enfraquecida,como
na velhice; e, finalmente, não desabrochada ainda,como
na creanca, que só dispõe da linguagemdossignaes,—
34
—
deque
Deus
a dotara antesda palavra, e da qual o observa-dordeve terconhecimento.Não
enumeraremos
também
as qualidades necessárias aopratico para indagar convenientemente a moléstia,
nem
descreveremos os diversos meios de exploração de que
dis-põe a arte,
como
a percussão, a auscultação, a palpação&c.
porque não estam comprehcndidos no nosso ponto, que só
abrange os elementosdodiagnostico, enãoos processos
em-pregados para obtel-o.
II,
Os symptomas
podem
ser recolhidos seguindo-se aordem
chronologica, isto é, enumerando-os á
medida
que elles sevão apresentando; eposto que este
methodo
concorra muito para a apreciação damarcha
da moléstia, não nosserve anós, que
examinamos
o estado actual do doente.Podem
ser coordenados segundo aordem
topographica,examinando
-se suecessivamente as diversas partesdo corpo;mas
estemethodo tem
o inconveniente deromper
acorres-pondência dos órgãos
com
suas respectivas funecões.A
ordem
anatomo-physiologica, quetem
por base asgrandes divisões seguidas no
exame
dos órgãos e dasfune-cões, posto que estabeleça entre os
symptomas
um
laçona-tural, e faça distinguir as partes do organismo que são
mais ou
menos
affectadaspelo estado mórbido,tem
também
unifor-—
35
—
me
para todasasfuncções, e deprolongar muitooexame.
A
ordem
clinicaou
pathologica, aquella, finalmente,que
tem
por ponto de partida as funcçõesou
órgãos, nos quaes parece principalmente residir amoléstia, é amais adoptada geralmente.Nem
Boerhaave recapitulandoem
primeiro lo-gar ossymptomas
sensíveispara o medico, edepois ossen-síveis para o doente;
nem
Bayleexaminando
primeiro ossymptomas
physicos, para chegar depois aos vitaes;nem
Chomcl
passandoem
resenha as funcções de relação, degeração, e assimiladoras,
determinavam
o estado pathologicocom
tanta presteza,como
aquelles queexaminando
em
pri-meiro logar o ponto doloroso, se existe, e a funcção
pertur-bada
em
seu exercício, estudamos principaesphenomenos
mórbidos offerecidos pelo doente, seguindo o conselho de
Rostan.
Onde
lhe dóe?... é o ponto de partidaaconselhado pelos practicosmodernos
: d'ahi seguir-se-ha então oexame
de todas as funcções ou órgãos,começando
por aquelles, quepareçam
mais directamente ligados ao órgão doente, ou âfuncção perturbada.
Quando,
porem, não halogarexclusiva-mente
doloroso, observa Bouchut, e que todo o corpo está aífectado, ouquando
ha perturbações funccionaessem
dorviva, deve-se estudara forma, o grau ea espécieda pertur-bação, suas relações
com
asoutras funcções, e tudo que se desvia do estado normal.Sabido, pois, o melhor
methodo
a seguir noexame
dos órgãose apparelhosda economia, seriapor venturaa occasiãodedescreveras myriadas de
symptomas
quesoem
—
36
—
escripto, e a convicção que
devemos
ler de cousaalguma
podermos acrescentar ao que
tem
dicto Bouchut,Hardy
e Behier, Chomel,Monneret
e outros, mão fossem limitesque nossos poucos conhecimentos não
podem
transgredir.Mas
paraque não nos péze o dezar de não termos tocado oalvo que mirámos, faremos sobre os
symptomas
as conside-rações que vão seguir-se, lidas pela maior parte na grande obrade Monneret.III.
O
principio morbifico actuando no organismo desafia areacção; a saúde recua para dar logar a moléstia; e os
sym-ptomas, interpretes da economia soffredôra,
tomando
a van-guarda dosphenomenos
physiologicos, seníinellasavançadas do exercícioregulardos órgãos, dãoo grito de alerta! grito,que na phrase philosophica deAuber, não é somente a ex-pressão dos órgãos que soffrem,
mas
também
apalavra danalureza que defende os seus direitos.
Nem
sempre
osphenomenos
mórbidos se revelam; a lueta dá-se lenta e traiçoeira nas profundezas daorganisação, e quasisempre
o primeiro signal de sua existência c desgraçadamente oulti-mo
esforçoda vida !D'ahi a divisão dos
symptomas
cm
oecultos e apparentes.Estes, que são os de que nos
vamos
oceupar, porque nãosesubtrahem,
como
os oecultos, aos nossos meios de—
37
—
pela moléstia,e são geracs
quando
resultam deperturbações sobrevindas aomesmo
tempo
em
grandenumero
de func-ções e de órgãos. São physicos ou reflexos, conforme sãoabsolutamente caracterisados pela presença de
phenomenos
physicos produsidos noórgão, oupela sensibilidade particu"
lardos tecidos e órgãos doentes. São ainda primitivos
ou
secundários, segundo a
ordem
deseu apparecimento.Também
se pode accomodaraossymptomas
a classificaçãodos signaes diagnósticos, tanto mais quanto ellase derivada symptomatologia.
E
as denominaçõesde epiginomenos,su-pervenientia,
symptomas
accessorios &c. abraçadasgeral-mente
pelos antigos, sãobem
substituídas hoje pela deepi
phenomenos.
IV.
Em
respeito aomodo
de geração dos symptomas,devem
elles ser considerados de
ordem
physica, chimica, vitalou
dynamica, segundo o
phenomeno
mórbido resulta daalte-ração de
uma
ou
de outra propriedade correspondentedo
corpo
humano.
Os symptomas
physicosprocedem
de modificações causa-das pela moléstia: na situação, isto é, nasede deum
órgão jdsuas connexões naturaescom
aspartesvisinhas,ou
no
seudescollocamento,
como
os desvios e prolapsosuterinos:no
volume,
como
ashypertrophiase atrophias:na
configuração,peito-—
38
—
ral, a curvadura rachidiana ác: no
numero,
como
as monstruosidades: naconsistência,como
os amollecimentos,osendurecimentos, a fragilidade dos tecidos inílammados, a
gangrena &c:
no
pezo,como
as hypertrophias e atrophias,apolysarcia e
marasmo: na
elasticidade,como
a rigidezdas artérias, das válvulas cardíacas, dos ligamentos articulares,a inflammação e outras alterações das cordas vocaes
ác:
na
coloração,como
a chlorosee anemia, aicterícia, acyanose&c:
na
temperatura,como
as febres agudas, asinflamma-ções, a cholera asiática, o
edema
dos recemnascidos <6c:naspropriedadesacústicas,
comooaugmento
ou
adiminuição da sonoridadedo thorax, os ruidosanormaes docoraçãoe dopulmão
(fec: nas propriedades ópticas,como
as alteraçõesnarefrangibilidade do cristalino, e da córnea transparen-te: nos effeitos dagravidade,
como
o accumulo de líquidospara aspartesmaisdeclives: e,finalmente, na densidade dos
líquidos,
como
os diversosruidos produzidospela alteraçãodosangue, a ourina carregada de albumina, deglycose, (fec.
A
ordem
chimica pertence todo osymptoma
oupheno-meno
mórbido, que traduzmudança
produzida pela moléstiana composição elementardossólidos, doslíquidos edos gazes contidos
no
corpohumano.
Estasmudanças
são: alteraçõesde certas propriedades
chamadas
organolepticas,como
ocheiro, o sabor, a acidez, a alcalnidade dos corpos sólidos, líquidos e gozosos: alterações de composição elementar,
co-mo
adiminuição da aguana
ourina dos febricitantes, eaug-mento
no corpo dos hydropicos: alterações na composição immediata dos corpos,como
a diminuição dos glóbulos sanguíneos na chloro-anemia e oaugmento
na plethora,—
30
—
a proporçãomaior de íibrina na inflainma£ão, a presença do
principio corante da bílis na ourina eno sangue, de
albu-mina na
ourina dos albuminuricos, e de çlvcosena
dos dia-beticos; e, finalmente, alteração dos productosimmediatos,como
a saliva, o suecogástrico, o leile ác.Os
symptomas
dynamicos consistem na perturbação deuma
faculdade vital, e do actoque lhecorresponde.A
exci-tabilidade, a sensibilidade, a contractilidade, a tonicidade, as faculdades intellectuaes, as sensações de necessidade, deinstincto.
como
a fome, a sede, a necessidade de respirar,de se reproduzir <fcc, alteram-se
em
diíferentes grausem
grandenumero
de moléstias: d'ahiprovém
osphenomenos
mórbidos dynamicos.
As
perturbações da excitabilidade constituem a irritação e a asthenia,symptomas
muitocommuns
aum
grandenu-mero
de febreschamadas
sthenicasou
adynamicas, segundopredomina
uma
ou outraordem
dephenomenos
mórbidos.A
anesthesia cutânea denuncia ás vezes a hysteria, orheumatismo, o
envenenamento
pelochumbo
ou pelochlo-roformio; a amaurose a congestão da retina ou do cérebro; e a surdez
uma
carie do rochedo &c.A
hysteriaannuncia-se aindaem
alguns doentes pelopes-tanejar das pálpebras, por
um
espasmoephemero
do pha-ringe, e a raivaporestamesma
constricção.Um
musculodoantebraçoou da espadoa pode ser paralysado por
um
rheu-matismo, porlesão deum
ramo
nervoso &c.As
faculdades intellectuaes soffremem
muitas moléstias.Uma
hemorrhagia cerebralfaz perder ao doente amemoria
—
40
—
tem
durantemuitotempo
uma
só espécie de allucinaçãodavista, e raciocina
bem
sobre tudo, que não lemque
vercom
a visão phantastica; aquelle outro crê-se affectado de
uma
moléstiado estômago (nosomania) &e.
Finalmente,
uma
sede continuapôde indicara glycosuria,uma
fomeincessante a gastralgiahypocondriaca, (bulimia). Este doente é impellido a excessos venéreos que arruinam asua saúde; e aquelle a actos
immoraes
que só os pódcex-plicara perversão da intelligencia.
V.
Não
basta saber que osymptoma
é physico, chimicoou
dynamico,para ter-seo elemento-dodiagnostico. Antes
mes-mo
de se o converterem
signal,convém
entrarem
outras consideraçõesque fazaindaMonneret.Em
quantoatravez dosymptoma
se não perceber lesão apreciável detextura, que o explique, eem
quantose estiverna impossibilidade deadescubrir, seremosobrigados a
con-siderar o
symptoma como
a própria moléstia, edar-lhe-he-mos, ao
menos
provisoriamente, a denominação deidiopa-thico ou essencial.
Que
são o delírio, a polyuria, aalbumi-núria, a glycosuria muitavez, senão
phenomenos
idiopathi-cos, porquedesconhecemos a causadamoléstia, e portanto a sua relação
com
ella?E
grande parte das entidadesmór-bidas, que descrevem os livros depathologia, nãose
compõe
de actosphysicos, chimicosou dynamicos, idiopathicos, isto é, cuja causa ignoramos!
—
41—
É
importantee até indispensável a expressão depheno-meno ousymptoma
idiopathico, consagradaem
pathologia, ebem
assim as de symptomatico e sympathico, queservem
paradesignar o grau de certeza, e a relação do
symptoma
com
a causa próxima da moléstia; e cujatríplice descripção, tão fecunda de applicações clinicas e indicações therapeu-ticas,é base da discripção geraldetodos ossymptomas
edasemeiologia.
A
moléstia provoca ordinariamentephenomenos
morbi• dos sympathicos e symptomaticos;mas
é difficilestabelecer-se entre elles
uma
linha divisóriabem
clara.Devem
cha-mar-se symptomaticososphenomenos
queteemsua
sedeem
uma
ouem
muitas partesdo apparelho, que está atacado damoléstia. Assim,os
symptomas
dasmoléstias do cérebro sãoasperturbações das faculdades intellectuaes, do
movimento
e do sentimento; e os deuma
affecção do coração são todosos
phenomenos
mórbidos, que residem n'elle e nos seus an-nexos. N'este caso não é grande a difficuldade;quando
po-rem, a moléstia é geral, tem-se muito trabalho
em
discri-minar os
symptomas
sympathicos.Nas
alterações do san-gue,nafebre typhica,nosexhanthemas, nacholera&c.,équa-si impossível dizer-se o queé sympathico e o que é
sympto-matico. Entretanto póde-se,
em
geral,chamar symptomas
osphenomenos
mórbidosque teem logar nos tecidos eór-gãosmais constantemente alterados.
Nos
exhanthemas é napelle, nafebre typhica é no tubodigestivo, que se
desenham
ossymptomas
mais essenciaes; e ainda este caracter é tão incerto, dizomesmo
author, que não se podelevarem
con-to nadivisão dos symptomas.A
cephalalgia, as vertigens,_
42
—
os sobrcsaltos dos tendões, as epistaxis, assudaminas são
symptomas
ouphenomenos
sympathicos?Dever-se-hão
chamar
symptomaticososphenomenos
cons•tantes, e sympathicos os que nada
teem
de fixo? Eis aindaum
elemento muito variável. Entretanto vêr-se-haembara-çado o medico
numa
moléstia dosangue,em
que não haum
tecido,um
órgão, que não possa soífrerem
consequên-cia doseu contacto
como
sanguealterado.Ve-se, pois,quea difficuldade é invencível, e que nos
de-vemos
contentarcom
estudar os symptomas, segundo o scograu de aífínidade
com
o solido ou o liquido maisespecial-mente
atacado pela moléstia.A
respeitotermina Monneretcom
aseguinte consideração:«
Um
signal que nos parece de grande importância, eque
aplaina muito
bem
a difficuldade,mas
somentequando
setrata de moléstia caracterisada porlesão de textura,
con-siste
em
queo órgão que é a sede dosphenomenos
sympa-thicos, não é nunca alteradoem
sua contextura. Sesobre-vem
uma
alteração material, estatoma
então onome
decomplicação. »
Quando
o observadortem
obtido os diversossymptomas
da moléstia, quer subjectivos pela informação dodoente,
querobjectivos pelaobservaçãodirectados órgãos, apparelhos
e funeções;