I OFICINA DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIAS EM SAÚDE HOSPITALAR
HOSPITAL BASEADO EM EVIDÊNCIAS: MODELOS DE APLICAÇÃO, MÉTODO PROCESSUAL E DESFECHOS.
Eduardo Coura Assis
Técnico Especializado da Coordenação Geral de Avaliação de Tecnologias em Saúde Departamento de Ciência e Tecnologia – DECIT
Monitoramento do Horizonte Tecnológico
“Horizon Scanning “
“Tem por objetivo: identificar, filtrar e priorizar
tecnologias
novas
e
emergentes
;
avaliar
ou
prever
seus impactos na saúde, nos gastos, na
sociedade e nos sistema de saúde; e informar
TECNOLOGIAS EMERGENTES
aquelas que se encontram entre a fase de desenvolvimento e a
fase de adoção. São as tecnologias que estão em fase de
experimento, protótipos ou modelos de simulação.
TECNOLOGIAS NOVAS
Aquelas em fase de adoção, podendo ou não estarem
registradas. Já passaram pela fase experimental, mas
podem estar na tramitação para registro, ou já
registradas, todavia com recente inserção na assistência.
Ex: vídeo cirurgia assistida por robô
Tecnologia - Ciclo de Vida
Emergente Uso Aceita
Nova
Adoção Difusão Abandono Incorporação Uti liz ação 100% Obsoleta
Classificação das Fases Tecnológicas
Emergentes: antes da adoção
Novas: em fase de adoção
Uso: incorporadas no sistema de saúde
Obsoletas: a serem retiradas de uso
Objetiva:
• Visão sistemática do horizonte tecnológico;
• Identificar e encaminhar temas prioritários para ATS no
tempo adequado;
• Alertar os gestores e as organizações quanto as
tecnologias com potencial para:
– Mudar alternativas disponíveis e decisões
– Mudar conduta e diretrizes clinicas
– Requerer planejamento adicional ou nova organização
Proposta de MHT da EuroScan
Monitoramento do horizonte/identificação Identificação dos clientes
do sistema de MHT Determinação do horizonte de tempo Filtragem Priorização Avaliação Disseminação Atualização da informação Não cumprem critérios iniciais Cumprem critérios iniciais
Revisão por pares
MHT- Etapa 1
Identificação do cliente
Clientes serão os grupos que solicitarão e receberão as
avaliações realizadas no MHT, não se trata do paciente.
A identificação dos clientes definirá o foco que as atividades de
MHT irão assumir em todas as etapas do processo.
Ex: Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais,
Hospitais, Associações Médicas entre outros.
MHT- Etapa 2
Horizonte de tempo do MHT
Está ligado a fase em que a tecnologia alvo de MHT deverá estar.
Estágios específicos do ciclo de vida do produto:
- Desenvolvimento de inovação
- Pré mercado
- Pós mercado
- Introdução no SUS
- Difusão da marca
QUAL É O PRAZO PREVISTO PARA QUE UMA TECNOLOGIA SEJA INCORPORADA
NUM SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE ?
Isso irá variar dependendo do tipo e características da tecnologia
Pesquisa Básica Desenvolvimento e Pesquisa Pré Clínica Pesquisa Clínica (I, II e III) Autorização de
MHT- Etapa 3
Identificação da tecnologia
A Identificação da tecnologia pode ser:
-Proativa: onde uma gama de fontes são pesquisadas para informação em tecnologias novas e emergentes, por caráter de pesquisa
- Reativa: quando a identificação está em função de um problema de saúde, uma epidemia, ou uma alternativa tecnológica importante.
-Há inúmeras fontes de dados para pesquisa, onde para cada tecnologia há uma fonte mais apropriada.
MHT- Etapa 4
Filtragem (Critérios Iniciais)
Nessa etapa, o tomador de decisão, estabelecerá um filtro, ou seja, irá elencar quais famílias de tecnologia ele pretende focar, seja pela
importância estratégica ao serviço ou pelo impacto-orçamentário.
Nessa etapa, deverá ser considerada os interesses dos “stakeholders” e seu horizonte temporal;
Será importante obter algumas informações técnicas da tecnologia para filtragem adequada
PERGUNTAS PARA FILTRAGEM
A tecnologia em estudo é apropriada e relevante para o serviço ? Qual sua associação com os dados epidemiológicos locais ?
Há tratamentos alternativos eficazes, seguros e viáveis financeiramente para esta tecnologia?
MHT- Etapa 5 - Priorização
Após a filtragem, já podemos iniciar a priorização obedecendo os novos critérios estabelecidos. Os critérios de priorização podem incluir:
Grupo de pacientes
-Número de pacientes (prevalência/incidência) - Doenças infecto-contagiosas
- Opções atuais para pacientes -Potencial impacto
- impacto na morbidade, mortalidade, qualidade de vida e diagnóstico
- Custo, aumento ou economia dos custos, grandes despesas importantes, custos diretos e indiretos para pacientes e sociedade
- Serviço/ de organização ex: aumento ou decréscimo do uso, reorganização do serviço, mudanças estruturais e treinamento da equipe
MHT- Etapa 5 - Priorização
Ênfase externa
- Política
- Grupos de pacientes - Experts
-Potencial para difusão inapropriada de acordo com a evidência disponível - Muito rápido
- Muito lento
- empregado incorretamente
Exemplos de critérios de aplicação:
A tecnologia é aplicável a uma proporção significante da população e pode ter
significância clínica ou impacto no custo (Ex: bomba de insulina para Diabetes Tipo I) A tecnologia é aplicável para uma pequena proporção da população mas tem um grande potencial benefício, exemplo RNM, acompanhamento de mulheres com alto risco de câncer de mama.
QUEM PRIORIZA ?
Priorização pode ser realizada internamente, por comitês de experts permanentes ou ad hoc e também por clientes
EXEMPLOS DE CRITÉRIOS UTILIZADOS PELAS AGÊNCIAS DE ATS
AATRM CADTH OSTEBA TNO
Prevalência Doenças infecto-contagiosas Freqüência de utilização Doenças infecto-contagiosas Custos da tecnologia Impacto clínico Prevalência Prevalência
Freqüência de utilização Impacto orçamentário Mudanças em resultados de saúde Benefícios para o paciente Doenças infecto-contagiosas Impacto econômico Aspectos éticos e legais Custos diretos para o paciente
Mudanças em resultados de saúde Evidência disponível Custos Conseqüências econômicas
MHT- Etapa 6 – Avaliação ou predição de Impacto
Irá novamente depender dos interesses dos stakeholders e as necessidades
Tipos de Avaliação
As avaliações podem ser:
Rápidas: 24-36 horas, uma página com uma visão geral breve. Avaliações rápidas são
usualmente conduzidas em resposta a uma específica requisição de um stakeholder
Brief : Mais detalhado, mas ainda uma visão geral breve, gastando aproximadamente 0,5 a 02
semanas e 4 a 6 páginas. Incluiria informações contendo um background da tecnologia, como ela funciona, dados epidemiológicos da doença, comparador atual, segurança e eficácia e aspectos de custo, aspectos sociais, éticos e legais
Completa: aproximadamente 12 semanas > 40 páginas. Não se trata de uma revisão sistemática,
mas uma avaliação rápida ou concentrada numa estratégia de pesquisa estruturada e expansiva em cada seção incluindo um brief da visão geral da avaliação.
MÉTODOS DE AVALIAÇÃO
Algumas agências utilizam peritos clínicos para preparar avaliações
É recomendado que um molde de avaliação seja mantido o qual irá permanecer inalterado para todas avaliações.
• Informação da tecnologia: nome, descrição, modo de administração, escala da dose,
empresa ou fabricante, estágio de desenvolvimento, tipo de tecnologia (drogas, dispositivos etc.) uso, isto é (terapêutico, diagnóstico etc.) , licenciamento, planos de reembolso.
• Informação relacionada ao paciente: indicações, especialidades, número de pacientes, ajuste para o uso da tecnologia, tecnologia complementar ou alternativa, tecnologia atual. • Predições de impacto: impacto na saúde, difusão prevista: custo, infra-estrutura e
conseqüências econômicas: ética, social, legal, política e impacto cultural.
• Evidência e política: evidência clínica e segurança; avaliação econômica, pesquisa em curso e ATS em curso ou planejada.
ESTRATÉGIAS DE PESQUISA
Uma estratégia de pesquisa deve ser desenvolvida para garantir consistência;
A abrangência da pesquisa irá depender do produto em estudo, ie; rapid, brief ou completa.
Recursos para avaliação incluem fontes como(jornal, alertas de notícia, indústria, opiniões de expert etc.)
Uma pesquisa da base de dados da Euroscan deve ser incluída para verificar se alguma outra agência tem também identificada a tecnologia em estudo.
Uma breve pesquisa para material adicional deve ser conduzida (Histórico, segurança e eficácia). Termos Mesh podem ser usados para isso.
Publicações recentes devem ser identificadas, através do uso de bases de dados incluindo Medline, Pubmed, Embase etc.
Pesquisas farmacêuticas incluem bases de dados da indústria ( ex: PharmaProjects, Adis),
Sites de registro e licenciamento (EMEA para designação de drogas raras, EudraPharma para produtos autorizados, Scottish Medicines Consortium, FDA, Canadian Commom Drug Review).
Conferências científicas relevantes (ex. ASCO)
Bases de dados em ensaios clínicos devem ser consultados, ex: (WHO International Clinical Trials Registry, Current Controlled Trials, Clinical Trials
Os critérios básicos para elaboração de informação baseada em evidência pode ser aplicada também em avaliações no estágio inicial, assim se possível é recomendável especificar critérios de seleção dos estudos, avaliação de qualidade e classificação do nível de evidência.
Embora a revisão de pares é colocada aqui na etapa 7, ela pode ser empregada também nas etapas anteriores no processo para confirmar os desfechos prioritários etc.
A revisão de grupo é usualmente utilizada para checar pela qualidade e acurácia das produções dos relatórios de alerta.
Opções para revisão, incluem:
- Redes locais usadas para identificação de tecnologias - Peritos clínicos para checar pela acurácia
- Conselho de especialistas
A indústria pode ser questionada a comentar com ênfase particular na acurácia de dados da tecnologia
MHT- Etapa 7 – FLUXO PARA REVISÃO DE GRUPO
Peritos Clínicos Peritos metodológicos OUTROSVerificações para: Significância, Apresentação, Evidência, raciocínio, teoria, duração, aspectos éticos, legais, sociais etc.
Verificações para: Significância, Apresentação, Evidência, raciocínio, teoria, duração, aspectos éticos, legais, sociais etc.
Os revisores fazem recomendações para aceitar/revisar/rejeitar, adicionar ou complementar o documento
Os revisores fazem recomendações para aceitar/revisar/rejeitar, adicionar ou complementar o documento
Autores realizam alterações no documento ou complementam de acordo com os comentários dos revisores e/ou respondem as
perguntas dos revisores
Agência edita e publica o documento e dissemina os resultados para os tomadores de decisão
MHT – ETAPA 8 - Disseminação
A estratégia de disseminação é de vital importância para garantir que a informação produzida está alcançando o público correto de forma oportuna.
Disseminação irá depender do interesse e da necessidade dos tomadores de decisão Meios de disseminação podem ser:
Web sites ( Agências, Ministérios, Instituições de Ensino e Pesquisa) Publicações em revistas
Etapas para Disseminação do Relatório
Definir grupos alvos;
• Médicos ( autônomos, organizações/associações médicas); • Pacientes ( Associações/conselhos);
• EAS ( Hospitais, Clínicas, Organizações Sociais); •Governo, setor privado;
• Garantia de qualidade e organizações revisoras; • Pesquisadores Biomédicos;
• Organizações de ATS;
• Empresas de produtos para saúde; • Instituições de Ensino
Plano de Disseminação
Definição de mídias : impressa, eletrônica;Implementação de técnicas ou estratégias: orientada ao paciente, orientado ao médico,
orientado à Instituição;
Alocação de recursos: orçamento, pessoal, materiais Avaliar a disseminação do impacto do plano
MHT – ETAPA 9 – Atualização da informação
Quando as informações podem ser atualizadas:
-Quando os tomadores de decisão tem um interesse específico na tecnologia ou estão esperando por novos estudos para ver o que acontece como uma promessa lançada;
- Quando os resultados de estudos ou coleta de dados de sistemas de monitoramento para novas tecnologias tornam-se disponíveis;
- Quando novos dados em segurança e eficácia são produzidos e modifica substancialmente a informação anterior
Proposta de Checklist
Estágio 1 – Identificar seu mercado ( quem pretende informar, qual tecnologia, tipo de
informe)
Estágio 2 – Determine seu horizonte de tempo (pré-comercialização, pós comercialização,
difusão da tecnologia)
Estágio 3 – Identificação de Fontes (base de dados para realização dos estudos)
Estágio 4 – Filtragem ( Definição dos critérios de filtragem, impacto econômico, político etc.) Estágio 5 – Priorização (ênfase externa, impacto potencial, grupo de pacientes)
Estágio 6 – Avaliação (Tipo de avaliação: rápida, resumida, completa) Estágio 7 – Revisão por pares ( indústria, especialistas entre outros) Estágio 8 – Disseminação ( meios de disseminação)