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Academic year: 2021

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TÍTULO: PROPOSTAS DIDÁTICAS PARA O ENSINO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM TURMAS DO 1º CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

ÁREA:

SUBÁREA: Química

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ

INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): FELIPE PEREIRA DA SILVA

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): THAÍS PETIZERO DIONÍZIO

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1. RESUMO

Os seres vivos não se relacionam apenas entre si, mas possuem influência direta sobre o meio em que vivem, contudo, somente o ser humano atua de maneira racional. Na era da informação, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação na defesa da qualidade de vida (JACOBI, 2003). O homem, então, torna-se responsável pelas transformações ocorridas no meio, sejam por boas ações, como avanços tecnológicos, ou más, como poluição ambiental. Portanto, conscientizar as pessoas de que simples ações como uma coleta seletiva de lixo, uma economia de água e energia ou a reciclagem de uma garrafa pet, por exemplo, podem diminuir os danos causados ao meio ambiente. Com base nesta preocupação, alunos de EM da modalidade normal propuseram ações metodológicas educacionais possíveis de serem reproduzidos com seus futuros alunos de Ensino Fundamental (EF) 1º ciclo para que desde pequenos tenham uma conscientização ambiental. Palavras-chave: tema gerador; educação ambiental; ensino de química.

2. INTRODUÇÃO

Para obter satisfação e saciedade em seus anseios, o ser humano tem aumentado seu potencial em intervir na natureza e no meio ambiente, ocasionando diversas instâncias e situações no que diz respeito ao uso racional e sustentável do espaço e dos recursos a sua volta (MENDONÇA, 2010). O artigo 1º da Lei de Educação Ambiental nº 9.795/99 reconhece a Educação Ambiental como “o processo por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (CARDOSO, 1999). Diante disso, a Educação Ambiental torna-se uma significativa aliada na conscientização humana no que torna-se refere à responsabilidade, assim como atuação e igualdade na maneira de ver o mundo. Desta

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forma, a escola tem um papel importante em poder atuar e contribuir para formação da consciência ambiental nas crianças. É fundamental que os indivíduos, desde novos, tomem conhecimento de seu papel para um ambiente saudável, de modo que se tornem engajados em ações em prol da preservação ambiental, buscando um desenvolvimento sustentável, considerando, além dos fatores econômicos, os aspectos sociais e ecológicos. Torna-se necessário adotar ações racionais com os recursos que tem as mãos, promover a sustentabilidade e prever consequências de seus atos a curto, médio e longo prazos (MENDONÇA, 2010). Poder levar esta educação até as crianças é garantir um meio ambiente mais saudável no futuro. As crianças são ótimos alvos na educação, pois são curiosas e ávidas pelo conhecimento, não sentem vergonham de fazerem perguntas e facilmente se entusiasmam com uma novidade, como um experimento ou uma atividade prática (BELIAN et al., 2017). Para ensinar tais conhecimentos ambientais é necessário que os professores conheçam os conceitos a serem trabalhados a partir de uma leitura crítica dos conteúdos trazidos pelos livros didáticos, ou seja, contribuir também para uma boa formação destes profissionais é relevante para o processo de ensino-aprendizagem (LOTTERMANN e ZANON, 2012). Entende-se por tema gerador uma proposta fundamentada na teoria dialética do conhecimento, descrita primeiramente por Paulo Freire (1987). O meio ambiente pode ser utilizado como tema gerador, pelo fato de abranger questões de ordem social, ambiental, política e econômica, as quais podem, no caso da Química, ser aliadas à abordagem de diversos conteúdos que são desenvolvidos na disciplina (SILVA, 2012). Desta maneira, os conteúdos ministrados permitem ao estudante uma visão mais crítica de sua própria realidade e, de acordo com Lettres e Lindner (2007), possibilitam a interpretação das transformações ocorridas ao seu redor.

3. OBJETIVOS

Este trabalho teve como objetivo geral levar o aluno do curso normal de um colégio público do município de Queimados (RJ) a ampliar sua visão e consciência ambiental. Seus objetivos específicos são os de assimilar a importância de um mundo sustentável e ecologicamente saudável, bem como a de pesquisar metodologias

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didáticas possíveis de serem aplicadas nas séries iniciais em prol de ajudar seus futuros alunos a terem um contato inicial com a educação ambiental e desde então compreenderem a importância de preservar o planeta para uma vida de qualidade.

4. METODOLOGIA

Esta atividade foi proposta a 2 turmas de 2º ano de formação de professores do CIEP 341 em Queimados, RJ, envolvendo um total de 35 alunos. Inicialmente foram feitos momentos de reflexão e discussão com a turma acerca da importância da educação ambiental para a sociedade e como a química tem uma influência direta no desenvolvimento da sociedade e como pode contribuir para um mundo mais sustentável. Este tipo de diálogo foi trazido durante o decorrer do ano, sempre apresentando o conteúdo disciplinar de maneira contextualizada. No terceiro bimestre foi proposto a eles a elaboração de atividades práticas possíveis de serem compreendidas por seus futuros alunos e que pudessem conscientizá-los de cuidar do planeta em que vivem para terem um futuro ambientalmente saudável. As turmas foram divididas em grupos e alguns temas foram distribuídos para elaboração das propostas. Foram estipuladas datas para a apresentação das propostas durante o 4º bimestre de aula e uma atividade de orientação foi iniciada durante o 3º e 4º bimestre para ajudar os alunos no desenvolvimento da proposta didática. Ao final das aulas semanais de química, eram dadas orientações aos alunos sobre o tema e o que haviam pesquisado, eram sanadas dúvidas sobre experimentos e a viabilidade das propostas. Durante este tempo muitas atividades pesquisados por eles foram trocadas, propostas foram elaboradas, modificadas e aprimoradas até que as possibilidades se adequassem ao contexto escolar do publico-alvo. Conforme acordado durante as aulas, no dia marcado para apresentação os grupos tiveram que entregar um plano de aula com a descrição do tema, conteúdos, público-alvo, duração da aula, etc., e tiveram 15 minutos de apresentação para exporem suas propostas de aula e as práticas elaboradas, seguidos ainda de 5 minutos de arguição e comentários pelo professor da disciplina e pelos colegas de turma. Os temas pesquisados por eles foram reciclagem, reutilização e descarte de pilhas e baterias.

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5. DESENVOLVIMENTO

5.1 O uso de propostas didáticas no ensino

A nível nacional, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) são um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental, o que também se aplica ao Ensino Médio. Basicamente, eles

“têm a função de orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual.” (BRASIL, 1997)

Ainda hoje, é recorrente alunos reclamarem das aulas que lhes são oferecidas nas mais diversas disciplinas, seja por acharem-nas extremamente desinteressantes ou por imaginá-las sem quaisquer aplicações práticas. Essa é uma questão que piora quando falamos de professores que ministram aulas de disciplinas voltadas para o ensino de ciências mais exatas, como é o caso de matemática, química e física, por exemplo.

Para contornar este tipo de problema, sendo uma das principais atribuições de um bom professor, tornar facilitado o aprendizado do conteúdo ministrado, o uso de estratégias como a que os alunos são incentivados a pensar em como aplicar determinado conteúdo surge como um método bastante útil para o ensino, a fim de auxiliar no aprendizado e discussão de diversos assuntos.

A vantagem deste tipo de atividade é a consequente reflexão por parte dos alunos sobre o quão difícil é a tarefa de educar pessoas.

5.2 A educação ambiental

Com o advento da revolução industrial, tem sido perceptível a influência do homem no espaço geográfico. Segundo CARVALHO a “ intervenção do Homem no meio ambiente visa à adaptação de seus próprios objetivos, onde é crescente o processo de modificação do ecossistema para que fique de acordo com suas necessidades” (2006, p. 26).

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Na era da informação, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação na defesa da qualidade de vida (JACOBI, 2003).

A tríade meio ambiente-desenvolvimento-sustentabilidade surge como uma problemática de dificuldade acentuada quanto à sua gestão. Assim, de acordo com JACOBI (2003), a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na qual a co-responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover o desenvolvimento.

Nota-se que a educação ambiental, mesmo não sendo suficiente, é condição necessária para modificar um quadro de crescente degradação socioambiental, se convertendo em “mais uma ferramenta de mediação necessária entre culturas, comportamentos diferenciados e interesses de grupos sociais para a construção das transformações desejadas”, segundo TAMAIO (2000).

Por ser uma área multi e transdisciplinar, ela consegue dialogar com as mais diversas existentes. Além disso, muitos são os temas possíveis de serem trabalhados à sua luz, como é o caso da geração cada vez maior de resíduos nas cidades, poluição das águas, ar e solo, bem como os tipos de remediações possíveis para cada tipo destes, por exemplo.

Falando-se especificamente dos resíduos sólidos gerados (popularmente conhecidos como “lixo”) pode ser considerado um caso de saúde pública se lembrarmos que doenças como dengue e leptospirose, que matam muitos no mundo todo, podem estar associadas a ele, bem como problemas de enchente, que trazem uma série de complicações. No fim, a conscientização só gera benefícios para todos.

6. RESULTADOS

O projeto foi um sucesso e ver como os alunos se empenharam e desenvolveram suas tarefas foi gratificante. O interesse e o cuidado que eles tiveram em abordar algo para o ensino fundamental 1º ciclo com uma linguagem acessível as crianças e com experimentos de fácil compreensão mostra que eles entenderam o sentido do projeto e abraçaram a causa. No início, tiveram muitas dúvidas sobre o que elaborar pois há um leque muito grande de atividades práticas mas nem todas adequadas a crianças. Semanalmente tiravam-se dúvidas e crescíamos juntos em

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conhecimento. Como neste mesmo ano eles começaram a fazer o estágio supervisionado, começaram a adquirir experiências no ensino fundamental e lidar com as crianças como educadores. Muitos já traziam para a sala de aula algum relato do que havia vivenciado no estágio e havia um troca de conhecimentos e experiências aluno-aluno e aluno-professor. Ao acompanhar as turmas durante o desenvolvimento das tarefas foi notável o crescimento em criatividade e conhecimento, o amadurecimento, o comprometimento e a preocupação de desenvolver um recurso metodológico de conscientização acreditando na contribuição para um amanhã mais saudável, com menos poluição, menos lixos jogados a rua, mais reutilização e reciclagem de produtos, etc. Estas atividades foram incluídas no portfólio destes futuros professores para uma futura utilização quando forem lecionar. Ao todo foram 35 alunos participantes divididos em 5 grupos, os quais abordaram as seguintes atividades: GRUPO 1 – Tema: Reciclagem – Atividade: fazer papel reciclado a partir de papeis que não serão mais utilizados, como rascunhos, jornais, revistas e etc., cola e água; GRUPO 2 – Tema: Reutilização – Atividade: confeccionar uma vassoura com garrafas pet, cabo de madeira, tesoura, arame e fita adesiva; GRUPO 3 – Tema: Reutilização – Atividade: confeccionar um brinquedo tipo bilboquê utilizando garrafa pet, tesoura, tampinha de garrafa e fio de náilon; GRUPO 4 – Tema: Pilhas e baterias – Atividade: realizar o experimento “curto circuito” utilizando pilhas e palha de aço, além de abordar curiosidades sobre o tema e alertar sobre o descarte correto deste material; e GRUPO 5 – Tema: Pilhas e baterias – Atividade: realizar uma abordagem sobre as utilidades da pilha em uso doméstico e realizar um experimento de contato direto entre a pilha e a palha de aço. Antes da apresentação do experimento, todos os grupos fizeram uma explicação inicial sobre o tema, conteúdos abordados, conscientização ambiental e reflexões sobre uma vida melhor, mais sustentável e um planeta saudável. Alguns utilizaram Datashow com explicações, curiosidades, vídeos, outros utilizaram somente o quadro branco e um bate-papo. Eles poderiam ficar à vontade para expor o conteúdo utilizando os recursos que desejassem e que estivessem disponíveis na escola. A arguição ao final da apresentação de cada grupo também incorporou minutos de aprendizagem coletiva, pois todos os participantes puderam aprender novas experiências e tirar dúvidas sobre a temática abordada. Os próprios alunos relataram que atividades como estas iriam encantar as crianças, pois prendem a atenção e aguçam a curiosidade. E quem sabe até mesmo elas poderiam participar daqueles que não apresentassem risco algum.

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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta atividade acrescentou em experiência para a carreira acadêmica dos normalistas e levaram-los a refletir a importância da educação ambiental e criar estratégias para abordá-la com as crianças. Aprenderam as contribuições da química para sociedade e também sobre a preservação do meio ambiente através da reutilização/reciclagem de materiais e sobre descarte de pilhas e baterias. Ao longo do percurso semestral, percebeu-se um crescimento conceitual em relação ao tema, contribuindo para a conscientização ambiental e ações escolares, promovendo vínculos entre professores e alunos. Embora se tenha alcançado um grau considerável de sensibilização ambiental, o caminho a percorrer no sentido de acabar com as ações que agridem o meio ambiente ainda é muito extenso, mas devemos continuar firmes neste objetivo. Em suma, este projeto trouxe à tona momentos de aprendizagem significativa e contextualizada, que nos levam a crer que é possível levar educação ambiental às crianças.

Agradecimentos: Ao CIEP 341.

8. FONTES CONSULTADAS

BELIAN, M. F.; LIMA, A. A.; FILHO, J. R. F. ENSINANDO QUÍMICA PARA SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: O uso da experimentação e atividade lúdica como estratégias metodológicas. Experiências em Ensino de Ciências v.12, n.4, 2017. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (5ª a 8ª Série): Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília. MEC/SEF, 1997.

CARDOSO, F. H. Lei No 9.795, DE 27 de abril de 1999. Presidência da República,

Casa Civil, 1999. Disponível em:

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CARVALHO, Vilson Sérgio de. Educação ambiental e desenvolvimento comunitário. 2. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2006.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido.17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

JACOBI, P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. São Paulo: Cadernos de Pesquisa, 2003. n. 118, p. 189-205.

LETTRES, R., LINDNER, E. L. Concepções e princípios para uma proposta curricular para o ensino de Química no EJA/PROEJA. In: SANTOS, S. V. Reflexões sobre a prática e a teoria PROEJA: produções da especialização PROEJA/RS. Porto Alegre: Evangraf Ltda., 2007.

LOTTERMANN, C. L.; ZANON, L. B. A Inserção da Química no Ensino de Ciências Naturais: um olhar sobre Livros Didáticos no Ensino Fundamental. XVI ENEQ e X EDUQUI, 2012.

MENDONÇA, S. M. Educação ambiental nas séries iniciais do ensino fundamental: estratégias para o envolvimento dos alunos. ESAB, SP, 2010. Disponível em:

<http://br.monografias.com/trabalhos3/educacao-ambiental-series-ensino-fundamental/educacao-ambiental-series-ensino-fundamental.shtml>. Acesso em: 22 ago. 2018.

SILVA. M. C. Análise de metodologias de ensino de Química para debater a temática Biodiesel à luz do enfoque CTSA: alfabetização científica no ensino médio. Dissertação de Mestrado em Química, UFES, 2012.

TAMAIO, I. A Mediação do professor na construção do conceito de natureza. Campinas, 2000. Dissert.(Mestr.) FE/Unicamp.

Referências

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