Professor: Márcio André Araújo Cavalcante
Introdução aos Materiais Compósitos
Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Centro de Tecnologia - CTEC
Programa de Pós-Graduação em Materiais - PPGMAT
Disciplina: Materiais Compósitos
Ementa da disciplina
Fabricação, classificação e aplicações dos materiais
compósitos.
Aspectos da microestrutura.
Materiais compósitos avançados. Fibras e matrizes.
Particulados.
Nanocompósitos.
Macromecânica e Micromecânica de compósitos
laminados.
Mecanismos de falha. Critérios de resistência. Efeitos higrotérmicos.
Livro texto
Autor: Kaw, A.K. Ano: 2006
Título: Mechanics of Composite Materials
Edição: Segunda
Editora: Taylor & Francis
Série: Mechanical and Aerospace Engineering
Análise de estabilidade de uma haste
de seção circular
Carga crítica de Euler:
Momento de inércio de uma seção circular:
Análise de resistência e de
estabilidade de tubos de parede fina
Análise de resistência e de
estabilidade de tubos de parede fina
Análise de resistência e de
estabilidade de tubos de parede fina
Desvantagens e limitações dos compósitos
Alto custo de fabricação.
Caracterização mecânica mais complexa em relação aos
materiais convencionais (isotrópicos e homogêneos).
Os processos de reparação são mais complicados nos
compósitos em comparação aos metais.
Os compósitos não apresentam uma boa combinação
Tenacidade à fratura do material
Fator de intensidade de tensão na ponta da trinca:
A trinca avança quando o fator de intensidade de tensão atinge um valor crítico.
Tenacida à fratura do material = fator de intensidade de
Razões para o pequeno diâmetro das fibras
A resistência das fibras aumentam com a diminuição do diâmetro, por conta da menor presença de imperfeições (microfissuras).
Razões para o pequeno diâmetro das fibras
Para uma maior ductilidade e tenacidade do compósito, e
uma melhor transferência das cargas da matriz para as fibras, se faz necessária uma maior área de contato entre a matriz e as fibras.
A área de contato é inversamente proporcional ao diâmetro das fibras.
A flexibilidade à flexão aumenta com a diminuição do
diâmetro das fibras.
A flexibilidade à flexão da fibra é inversamente proporcional à quarta potência do seu diâmetro.
Fatores que influenciam na performance
mecânica do compósitos
Comprimento das fibras (longas ou curtas).
Orientação das fibras (unidirecional ou aleatória).
Forma das fibras (circular, hexagonal ou quadrada).
Material das fibras (módulo de elasticidade e resistência mecânica).
Propriedades físicas da matriz (propriedades elásticas, resistência mecânica, coeficiente de expansão térmica, resistência térmica e resistência à fadiga).
Classificação quanto a geometria do reforço
Reforçados com Partículas
Partículas imersas numa matriz cerâmica ou metálica. Isotropia devido a distribuição aleatória das partículas. Exemplos: borracha + partículas de alumínio; alumínio + partículas de carbeto de silício; concreto.
Classificação quanto a geometria do reforço
Reforçados com Fibras
Matriz reforçada por fibras curtas (descontínuas) ou longas (contínuas).
Matrizes: resinas (epóxi); metálicas (alumínio); cerâmicas (aluminossilicato de cálcio).
Classificação quanto a geometria do reforço
Reforçados com Fibras
Classificação quanto a geometria do reforço
Definição de Laminado
Compósitos de matriz polimérica
São os compósitos avançados mais empregados.
Consiste de um polímero (epóxi / poliéster) reforçado por fibras (vidro / grafite / carbono / aramida).
Os compósitos grafite/epóxi podem ser CINCO vezes mais
resistentes do que o aço (considerando-se o mesmo peso).
Vantagens:
Baixo custo;
Alta resistência;
Compósitos de matriz polimérica
Desvantagens:
Baixa temperatura de operação;
Altos coeficientes de expansão térmica e de umidade; No caso do reforço unidirecional, baixas propriedades mecânicas na direção transversal às fibras.
Propriedades físicas típicas do compósito:
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Fibras de vidro:
São as mais empregadas nos compósitos com matriz polimérica.
Vantagens: alta resistência mecânica; baixo custo; alta resistência química; bom isolamento térmico e elétrico.
Desvantagens: baixo módulo de elasticidade; pouca aderência ao polímero; sensibilidade à abrasão; baixa resistência à fadiga.
Compósitos de matriz polimérica
Fibras de vidro:
E-glass: inicialmente projetada para aplicações elétricas.
S-glass: contém um maior teor de sílica. Apresenta uma
maior resistência à fadiga e uma menor sensibilidade de suas propriedades mecânicas à altas temperaturas.
Compósitos de matriz polimérica
Fibras de grafite:
São muito comuns em aplicações que exigem altas relações rigidez/peso e resistência/peso (componentes estruturais de aeronaves).
Vantagens: altas relações rigidez/peso e resistência/peso; baixo coeficiente de expansão térmica; alta resistência à fadiga.
Desvantagens: alto custo; baixa resistência ao impacto; alta condutividade elétrica.
Compósitos de matriz polimérica
Fibras de grafite:
As fibras de grafite são diferentes das fibras de carbono, enquanto as fibras de grafite têm mais de 99% de teor de carbono, as fibras de carbono têm entre 93% e 95%.
Além disso, as fibras de grafite são produzidas a
temperaturas superiores a 1900ºC, enquanto as fibras de carbono são produzidas a uma temperatura de 1316ºC.
Compósitos de matriz polimérica
Fibras de aramida:
Composto orgânico aromático feito de carbono, hidrogênio,
oxigênio e nitrogênio.
Vantagens: baixa densidade; alta resistência à tração; baixo custo; alta resistência ao impacto.
Desvantagens: baixa resistência à compressão; baixo
módulo de elasticidade à compressão; degradação quando exposto à luz do sol.
Compósitos de matriz polimérica
Fibras de aramida:
Kevlar 29®: empregada principalmente na confecção de
coletes à prova de bala, cordas e cabos.
Kevlar 49®: apresenta uma maior rigidez específica, sendo
Compósitos de matriz polimérica
Polímeros:
Poliéster: baixo custo e translúcido (vantagens); baixa temperatura de serviço – 77ºC, fragilidade e alta retração durante a cura – 8% (desvantagens).
Fenólicos: baixo custo e alta resistência mecânica (vantagens); alto teor de vazios (desvantagem).
Epóxi: alta resistência mecânica e boa aderência aos metais e vidros (vantagens); alto custo e dificuldade de
Compósitos de matriz polimérica
Resina Epóxi:
É a resina mais comumente empregada (encontrada em mais de 2/3 dos compósitos empregados na indústria
aeroespacial).
Principais vantagens:
Alta resistência;
Baixa viscosidade (evitando o desalinhamento das fibras); Baixa volatilidade durante a cura;
Baixa retração (menores tensões residuais nas interfaces); Mais de 20 tipos disponíveis (possibilitando atender
Compósitos de matriz polimérica
Polímeros Termofixos e Termoplásticos:
Termofixos: são insolúveis e infusíveis depois da cura, pois suas macromoléculas são fortemente unidas por meio de ligações covalentes.
Exemplos: epóxi, poliéster, fenólico e poliamida.
Termoplásticos: são moldáveis quando submetidos à altas temperaturas, pois suas macromoléculas são fracamente unidas, apresentando ligações do tipo van der Waals.
Exemplos: polietileno, poliestireno, poliéter-éter-cetona (PEEK) e sulfureto de polifenileno (PPS).
Compósitos de matriz polimérica
Prepreg (Pré-impregnado):
É uma fita pré-fabricada composta por fibras embebidas em matriz polimérica.
A fita pode ser armazenada sob refrigeração ou à
temperatura ambiente, a depender do polímero da matriz ser um termofixo ou um termoplástico, respectivamente.
Essas fitas podem ser aplicadas manual ou mecanicamente, compondo uma estrutura de material compósito.
A aplicação pode ser auxiliada por um saco de vácuo e a cura realizada sob altas pressões e temperaturas.
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Enrolamento Filamentar:
As fibras impregnadas através de um banho de resina
(enrolamento molhado) ou pré-impregnadas (enrolamento seco) são enroladas em um mandril.
O enrolamento molhado é barato e permite o controle das propriedades do compósito.
O enrolamento seco é mais limpo, no entanto, mais caro, sendo menos comum.
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Autoclave:
Este método emprega compósitos pré-impregnados.
Um filme feito de nylon ou celofane revestido com Teflon deve ser colocado no molde.
O Teflon é usado para a remoção fácil da peça, podendo ser substituído por desmoldantes líquidos ou em pó.
Os compósitos pré-impregnados podem ser aplicados manual ou mecanicamente, onde cada camada deve ser pressionada para remover o ar e evitar ondulações.
O lay-up é selado nas bordas para formar um vedante a vácuo.
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Autoclave:
O lay-up é ensacado, e várias conexões de vácuo são instaladas nas suas extremidades e no topo.
Um vácuo parcial é desenvolvido para alisar a superfície do saco.
Todo o conjunto é colocado num autoclave, em que o calor e a pressão são aplicados por meio de um gás inerte.
O sistema de vácuo é mantido em funcionamento para
remover os voláteis durante o ciclo de cura e para manter o
lay-up ajustado ao molde.
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Moldagem por Transferência de Resina:
(Resin Transfer Molding - RTM)
Uma resina de baixa viscosidade (poliéster ou epóxi) é injetada sob baixa pressão em um molde fechado que contém o reforço.
Quando o fluxo de resina para, a peça continua o seu processo de cura.
A cura é feita à temperatura ambiente ou a temperaturas elevadas (para aplicações envolvendo altas temperaturas).
Moldagem por Transferência de Resina:
(Resin Transfer Molding - RTM)
Vantagens do RTM:
- Menos caro do que o processo de hand lay-up.
- Pode ser automatizado.
- Não precisa de armazenamento refrigerado de compósitos
pré-impregnados.
A principal desvantagem é a necessidade de ter dois moldes ao invés de um, como ocorre no processo que utiliza a
autoclave.
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Moldagem por Transferência de Resina:
(Resin Transfer Molding - RTM)
Compósitos de matriz polimérica
Compósitos de matriz polimérica
Moldagem por Transferência de Resina Assistida por Vácuo
(Vacuum-Assisted Resin Transfer Molding - VARTM):
Trata-se de uma variedade do RTM, onde a resina é aspirada para dentro do molde por meio do vácuo, ao invés de ser bombeada sob pressão.