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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ PROGRAMA DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Rua Álvaro Mendes, Centro - CEP nº Teresina PI

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ PROGRAMA DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Rua Álvaro Mendes, 2294 - Centro - CEP nº 64000-060 – Teresina – PI PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 591/2012

RECLAMANTE: MARLENE RESPLANDES LIMA

RECLAMADO: CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A/ CCE PARECER

I – RELATÓRIO

Cuida-se de processo administrativo instaurado, nos termos da Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), bem como do art. 33 e seguintes do Decreto Federal nº 2.181/97, pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor, órgão integrante do Ministério Público do Estado do Piauí, visando apurar indício de perpetração infrativa às relações de consumo por parte do fornecedor CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A.

A Consumidora, no dia 19/04/2012, principiou reclamação, através da ficha de aten-dimento anexa (fls. 03). Na ocasião, informou que adquiriu uma TV 40 LCD CCE STILE D40 DTV, n° de serie BNQN4G00GTOUM500JX, no dia 16/10/2011, pelo valor de R$1.298,00 (um mil, duzentos e noventa e oito reais), junto à Loja Bompreço Supermercados, nota fiscal de n° 000.010.829.

Ocorre que o produto adquirido apresentou vício, ocasião em que a Demandante en-tregou o bem à Autorizada Connect para reparo, na data de 03/03/2012, OS n° 23906, às fls. 08. No entanto, até a data do início da Reclamação, em 19/04/2012, o fornecedor, ainda, não havia devolvi-do o aparelho consertadevolvi-do. Diante disso, a Reclamante se dirigiu a este PROCON/MP/PI para solici-tar a restituição do valor pago pelo equipamento, devidamente corrigido.

Destarte, o PROCON/MP-PI notificou o fornecedor reclamado e a Loja Bompreço Supermercados, para no prazo de 05 (cinco) dias, atender ao pleito da autora; bem como para, no prazo de 10 (dez) dias, comunicar as providências adotadas para a solução da contenda.

O Fabricante CCE protocolou defesa escrita, intempestivamente, na data de 12/06/2012. Neste ato, sustentou que não constava na reclamação qualquer informação que possibi-litasse a empresa de localizar o pleito em questão. Diante disso, solicitou que fossem esclarecidas as pendências por parte do PROCON/MP/PI, a fim de que pudesse localizar o objeto da autora e se po-sicionar sobre o caso, sob pena de cerceamento de defesa por afronta ao devido processo legal.

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A reclamante retornou ao PROCON/MP/PI, na data de 15/06/2012, a fim de compro-var que as notificações foram recebidas pelas empresas, às fls. 10 e 11; e cientificar de que não hou-vera o atendimento de seu pedido por parte dos fornecedores, às fls. 14. Nessa ocasião, diante da impossibilidade de uma composição amigável, a requerente foi orientada a procurar o Poder Judici-ário para ter o seu pleito atendido, às fls.15.

O vendedor Bompreço Supermercados protocolou defesa escrita intempestivamente, na data de 10/08/2012, propondo o atendimento ao pleito da reclamante, convidando, assim, a mes-ma a comparecer na loja em que adquiriu o produto viciado, para promover o cumprimento da sua proposta.

Empós, a Conciliadora deste PROCON/MP/PI considerou a arguição da demandante em face do fornecedor CCE como FUNDAMENTADA NÃO ATENDIDA. Foi instaurado o Proces-so Administrativo n° 591/2012, em face do fabricante, às fls. 18-19.

O Requerido, apesar de devidamente notificado, às fls. 21, não apresentou defesa ad-ministrativa, consoante certidão às fls. 22.

Após, vieram os autos conclusos.

II – DA POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO

Antes de se adentrar nos fatos propriamente ditos, alguns pontos preliminares devem ser explanados. Pois então, passamos à sua análise.

A Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5º, inciso XXXII, 170, in-ciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas disposições transitórias, sendo um sistema autôno-mo dentro do quadro Constitucional, que incide em toda relação que puder ser caracterizada coautôno-mo de consumo.

O Código de Defesa do Consumidor, como lei principiológica, pressupõe a vulnera-bilidade do consumidor, partindo da premissa de que ele, por ser a parte econômica, jurídica e tecni-camente mais fraca nas relações de consumo, encontra-se normalmente em posição de inferioridade perante o fornecedor, conforme se depreende da leitura de seu art. 4º, inciso I, in verbis:

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo. (grifos acrescidos)

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Neste diapasão, sedimenta o Professor RIZZATTO NUNES1:

O inciso I do art.4º reconhece: o consumidor é vulnerável.

Tal reconhecimento é uma primeira medida de realização da isonomia garan-tida na Constituição Federal. Significa que o consumidor é a parte mais fraca na relação jurídica de consumo. Essa fraqueza, essa fragilidade, é real, con-creta, e decorre de dois aspectos: um de ordem técnica e outro de cunho eco-nômico.

Assim, outro não é o entendimento da Jurisprudência pátria:

Vale ressaltar que a hipossuficiência não se confunde com o conceito de vulnerabilidade do consumidor, princípio esse previsto no art. 4º, I do Código Consumerista, que reconhece ser o consumidor a parte mais fraca da relação de consumo. Tal princípio tem como consequência jurídica a intervenção do Estado na relação de consumo para que seja mantido o equilíbrio entre as partes, de modo que o poder de uma não sufoque os direitos da outra. A vulnerabilidade é uma condição inerente ao consumidor, ou seja, todo consumidor é considerado vulnerável, a parte frágil da relação de consumo.” (TJDFT – AGI nº 20080020135496 - 4º Turma Cível – Rel. Des. Arlindo Mares – DJ. 13/05/09) (grifos inseridos)

A proteção ao consumidor decorre da constatação de ser o consumidor o elemento mais fraco da relação de consumo, por não dispor do controle sobre a produção dos produtos, sendo submetido ao poder dos detentores destes, surgindo, assim, a necessidade da criação de uma política jurídica que busque o equilíbrio entre os sujeitos envolvidos na relação consumerista.

A boa-fé objetiva, a qual é tida como outro princípio máximo do CDC, trata-se do princípio geral do direto contratual, do qual se retira a necessidade de agir corretamente, com lisura e de acordo com as regras da moral. Neste diapasão, impõe o CDC aos contratantes a obediência aos deveres anexos ao contrato – como é o dever de cooperação que pressupõe ações recíprocas de lealdade.

A equidade impõe equilíbrio às relações consumeristas, mantendo-se os direitos e deveres das partes contratantes em harmonia, com a finalidade de encontrar a justiça contratual.

O princípio da transparência, por sua vez, é corolário ao princípio da informação e educação e significa que tanto os fornecedores como os consumidores deverão ser educados e informados acerca dos seus direitos e deveres com vista à melhoria do mercado de consumo.

A Professora CLÁUDIA LIMA MARQUES2, por sua vez, ensina que esta vulnerabilidade se perfaz

em três tipos: técnica, jurídica e econômica:

Na vulnerabilidade técnica o comprador não possui conhecimentos específi-cos sobre o objeto que está adquirindo e, portanto, é mais facilmente engana-do quanto às características engana-do bem ou quanto à sua utilidade, o mesmo ocorrendo em matéria de serviços.

1NUNES, Rizzatto. Curso de Direto do Consumidor. 4. Ed. Saraiva: São Paulo, 2009.

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Noutro aspecto, vale discorrer sobra a boa-fé nas relações de consumo. Esta, por sua vez, é considerada como a boa conduta humana que se espera de todos nas relações sociais (art. 4º, inciso III, do CDC).

Na linha do Código de Defesa do Consumidor, o artigo 422 do Código Civil estabelece que “os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios da probidade e boa-fé”. A boa fé diz respeito ao exame objetivo e geral da conduta do sujeito em todas as fases contratuais (pré-contratual, contratual e pós-contratual), servindo, a partir de suas funções, como parâmetro de interpretação dos contratos, identificação de abuso de direitos e criação de deveres anexos.3

É natural, nos ordenamentos jurídicos modernos, que têm a dignidade da pessoa humana como fundamento, a imposição dessa boa-fé nas relações contratuais e, sobretudo, nas relações de consumo, enquanto concretizadora de direitos fundamentais4.

Nesse viés, ensina o Superior Tribunal de Justiça:

O princípio da boa-fé se aplica às relações contratuais regidas pelo CDC, impondo, por conseguinte, a obediência aos deveres anexos ao contrato, que são decorrência lógica deste princípio. O dever anexo de cooperação pressupõe ações recíprocas de lealdade dentro da relação contratual. A violação a qualquer dos deveres anexos implica em inadimplemento contratual de quem lhe tenha dado causa. (STJ – Resp 595631/SC – Rel. Min. Nancy Andrighi – DJ 02.08.2004) (grifos inclusos)

III – DA INFRAÇÃO AO ARTIGO 18, §1°, II DO CDC

Para deslinde do processo, deve-se analisar a pretensão deduzida à luz do art. 18, da Lei nº 8.078/90, que trata sobre a responsabilidade pelo vício de produto.

O tema diz respeito justamente aos produtos que não atendem à sua finalidade específica.

Desta feita, importante assinalar o caput do artigo 18 do CDC:

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. (grifos insertos)

LEONARDO ROSCOE BESSA5 preceitua que, de acordo com a leitura do artigo

3BESSA, Leonardo Roscoe; MARQUES, Cláudia Lima; BENJAMIN, Antônio Herman V. Manual de Direito do

Consumidor. 3. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, p. 324.

4 KHOURI, Paulo R. Roque A. Direito do Consumidor - Contratos, Responsabilidade Civil e Defesa do Consumidor

em Juízo, 2ª Edição, Atlas: São Paulo, 2005, p. 65

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supratranscrito, existem três espécies de vícios, quais sejam: 1) vício que torne o produto impróprio para o consumo; 2) vício que lhe diminua o valor; 3) vício decorrente da disparidade das características dos produtos com aquelas veiculadas na oferta e publicidade.

O Preclaro doutrinador elucida que, existindo vício, possui o consumidor direito a, alternativamente e à sua livre escolha: a) substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; b) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; c) abatimento proporcional do preço.

Preleciona que, antes da escolha de uma das três alternativas que se abrem em favor do consumidor na hipótese de vício de produto, o fornecedor possui prazo de 30 (trinta) dias para saná-lo, conforme se depreende da leitura do §1º, do artigo 18, da Legislação Consumerista Pátria:

Art. 18 - (…) § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço. (grifos implementados)

Ora, quando realizada a escolha pelo consumidor entre a substituição do produto, a restituição do valor pago ou abatimento proporcional do preço, faz este jus ao cumprimento imediato de uma daquelas alternativas, nos exatos termos do dispositivo legal transcrito alhures, sendo, assim, considerado desarrazoado, desproporcional e ilegal a exigência de novos prazos para o cumprimento da lei.

Da exegese do dispositivo legal, outro entendimento não se pode chegar, senão a de que a restituição do valor pago, monetariamente corrigido, pelo produto viciado deve ser imediata, aplicando-se este entendimento à hipótese de escolha da troca do bem.

Sendo este o direcionamento da Jurisprudência Pátria:

CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. COMPRA DE VEÍCULO NOVO COM DEFEITO. LEGITIMIDADE PASSIVA DA CONCESSIONÁRIA. REVELIA. AFASTAMENTO. RESCISÃO CONTRATUAL. DEVOLUÇÃO DO VALOR PAGO. RETORNO AO STATUS QUO ANTE. PERDAS E DANOS. RESTITUIÇÃO PROPORCIONAL. DANOS MORAIS. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos do artigo 18, §1º, do CDC, ultrapassado o prazo de 30 (trinta) dias para solução do vício do produto, é facultado ao consumidor a restituição imediata da quantia paga pelo bem, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. Vale dizer, apresentando o veículo novo defeito não sanado em 30 (trinta) dias, faz jus o adquirente à rescisão contratual com o respectivo recebimento integral do valor pago por aquele bem. ( TJ/DF. Apelação Cível nº 67661-12.2009.807.0001 – Rel. Des. Cruz Macedo. 4º Turma Cível – Publ. 05/04/11, Pág. 130) (grifos adicionados)

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Nesse diapasão, é importante sublinhar que a verdadeira intenção do Código de Defesa do Consumidor foi a de que os fornecedores, ocorrendo quaisquer das hipóteses que facultam ao consumidor as escolhas do artigo 18, imediatamente, já realizassem a troca do bem ou a restituição do valor pago, sem a necessidade de se recorrer aos Órgãos de Proteção e Defesa do Consumidor ou ao Poder Judiciário.

Infelizmente, as empresas tentam, a todo preço, esquivar-se de suas responsabilidades, sendo obrigação do PROCON equilibrar esta balança, na qual coexistem os interesses dos fornecedores e dos consumidores.

Outrossim, referindo-se especificamente ao fato ensejador do presente processo ad-ministrativo, cumpre assentar o entendimento deste PROCON, em consonância com a legislação consumerista, de que ultrapassado o prazo legal para sanar o vício do produto, é assegurado ao con-sumidor a restituição do valor pago ou a substituição do bem por um novo, conforme sua opção.

Consignadas as explanações aqui exposta, que tratam sobre os direitos previstos na Lei nº 8.078/90, e examinados os autos do processo, tem-se que o âmago da questão controvertida se encontra na procrastinação do atendimento do pleito da consumidora, após escoado o prazo legal de 30 (trinta) dias, bem como no desatendimento da determinação do PROCON/PI constante na no-tificação recomendatória.

Resta cristalina a desídia do fornecedor que, embora comprovadamente sabedor da manifestação de sua cliente, manteve-se inerte, sem diligenciar-se em cumprir suas obrigações, decorrente de norma legal de ordem pública, no caso, do Código de Defesa do Consumidor.

De mais a mais, verifica-se que a empresa descumpriu a determinação do PROCON/MP/PI para no prazo de 05 (cinco) dias, atender ao pleito da autora.

Digno de nota que o prazo concedido aos fornecedores em sede de Notificação Recomendatória é para atendimento ao pleito no prazo de 05 (cinco) dias, devendo as empresas apresentar defesa no prazo de 10 (dez) dias para comunicar o procedimento adotado, ou seja, comprovar a substituição do produto por um novo ou a restituição do valor pago, conforme opção do cliente.

No caso em comento, contudo, o fabricante CCE, sequer apresentou proposta de acordo, sob a alegação de que no Termo da Reclamação não constava qualquer informação que possibilitasse à Reclamada localizar o pleito em questão, tal como o nome da Assistência Técnica Autorizada.

Ora, inicialmente, ressalta-se que não houve omissão de informações no termo de reclamação. Conforme pode-se inferir às fls. 03, foram repassadas todas as informações necessárias e suficientes para a localização da demanda, veja-se a transcrição do termo:

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A reclamante afirma que no dia 16/10/2011, comprou uma TV CCE 40 LCD, no valor de R$1.298,00, com entrada de R%500,00 (quinhentos reais) e 08 parcelas de R$99,75, Nota Fiscal n° 000010829. Ocorre que o produto apresentou vício e foi enviado para a Assistência Técnica Autorizada por 01 vezes de acordo com a OS n° 23906 de 03/03/2012, porém até a presente data o problema não foi resolvido. Diante do exposto e com amparo no art. 18 do Código de Defesa do Consumidor solicita a reclamante a imediata restituição das quantias pagas, devidamente corrigidas.

Assim, verifica-se que a única informação que não foi posta no referido documento seria o nome da Assistência Autorizada, conforme exemplificado pela empresa. Todavia, essa informação não é indispensável para a localização do objeto, até mesmo porque, é obrigação do fornecedor manter contato com as suas Assistências Autorizadas, para ter ciência das demandas que foram resolvidas e das que não fora possível o cumprimento do prazo legal, conforme o caso vertente.

Logo, percebe-se que a conduta do fornecedor foi desidiosa desde o momento em que o prazo para o reparo do produto foi extrapolado, devendo a empresa, nesta oportunidade, já colocar a disposição do cliente as alternativas dadas pelo artigo 18, §1° do CDC.

Verifica-se, assim, a má-fé do requerido que possuía diversos meios, independente dos esclarecimentos complementares que solicitou, para promover a localização da demanda, inclusive, porque os dados da consumidora foram disponibilizados ao fornecedor para a localização do objeto por meio do número do CPF da Demandante, por exemplo.

Nessa feita, constata-se que a defesa apresentada pelo requerido visa única e exclusivamente ludibriar o julgador deste Processo. O documento ora apresentado é peça indigente, de conteúdo genérico e vazio. Apelo de caráter protelatório, que não enfrenta, em qualquer aspecto, o fundamento da decisão, não havendo que se falar ainda em cerceamento de defesa.

Ainda assim, mesmo que a defesa da empresa estivesse prejudicada pelo motivo exclusivo de não constar o nome da Assistência Autorizada no termo da reclamação, consigna-se que o objeto deste Processo não é o atendimento do pleito da reclamante, mas a apuração da ocorrência de infração à legislação consumerista para aplicar a devida sanção administrativa nos termos do disposto no art.56 do CDC, posto que superado o prazo legal para o reparo do produto, em desconformidade com o artigo 18, §1° do CDC.

Nesta toada, cabe assinalar inicial transgressão por parte do fornecedor, uma vez que não disponibilizou à requerente, logo após o transcurso do prazo legal, a opção pela devolução do valor despendido ou pela troca do objeto adquirido.

De outro tanto, a empresa manteve a conduta ilícita, pois não apresentou proposta de resolução da demanda e, sequer, apresentou defesa administrativa para se manifestar sobre a instau-ração deste Processo Administrativo.

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Por estas razões, em função das evidentes lesões à legislação consumerista, no senti-do de que o prazo para cumprimento das obrigações insertas na Lei Consumeristas não podem ficar ao alvedrio dos fornecedores, medida que se impõe é a penalização do reclamado, a fim de que se abstenha de trilhar a conduta abusiva combatida.

Derradeiramente, cumpre frisar que as sanções administrativas impostas, nos termos do artigo 56 do CDC, possuem um viés didático, a fim de que o fornecedor, que descumpriu as or-dens do citado código, não reitere sua conduta e adote ações que se coadunem com o espírito da lei consumerista.

IV – CONCLUSÃO

Ante o exposto, por estar convicta da existência de transgressão à Lei nº 8.078/90, opino pela aplicação de multa aos reclamados CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A, tendo em vista perpetração infrativa ao artigo 18, §1°, II da Lei nº 8.078/90.

É o parecer.

À apreciação superior.

Teresina, 11 de Outubro de 2013.

Gabriella Prado Albuquerque Técnico Ministerial – Matrícula n°102

Assessor Jurídico PROCON/MP/P

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ PROGRAMA DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Rua Álvaro Mendes, 2294 - Centro - CEP nº 64000-060 – Teresina – PI PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 591/2012

RECLAMANTE: MARLENE RESPLANDES LIMA

RECLAMADO: CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A/ CCE DECISÃO

Analisando-se com percuciência e acuidade os autos em apreço, verifica-se indubitável infração aos artigos 18, §1°, II do Código de Defesa do Consumidor e perpetrada pelo fornecedor CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A, razão pela qual acolho o parecer emitido pela M.D. Técnico Ministerial, impondo-se, pois, a correspondente aplicação de multa, a qual passo a dosar.

Passo, pois, a aplicar a sanção administrativa, sendo observados os critérios estatuídos pelos artigos 24 a 28 do Decreto 2.181/97, que dispõe sobre os critérios de fixação dos valores das penas de multa por infração ao Código de Defesa do Consumidor.

A fixação dos valores das multas nas infrações ao Código de Defesa do Consumidor dentro dos limites legais (art. 57, parágrafo único da Lei nº 8.078, de 11/09/90), será feito de acordo com a gravidade da infração, vantagem auferida e condição econômica do fornecedor.

Fixo a multa base no montante de R$8.000,00 (oito mil reais) ao fornecedor CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A.

Considerando a existência de circunstância atenuante contida no art. 25, II do Decreto 2.181/97, por ser o infrator primário. Considerando a existência da circunstância agravante contida no art. 26, IV, do Decreto 2.181/97, por ter o infrator deixado, tendo conhecimento do ato lesivo, de tomar as providências para evitar ou mitigar as suas consequências. Mantenho a obrigação no importe de R$8.000,00 (oito mil reais), tendo em vista que uma atenuante anula uma agravante.

Pelo exposto, em face do fornecedor CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A torno a multa fixa e definitiva no valor de R$8.000,00 (oito mil reais).

Para aplicação da pena de multa, observou-se o disposto no art. 24, I e II do Decreto 2.181/97.

Posto isso, determino:

- A notificação do fornecedor infrator CEMAZ INDUSTRIA ELETRONICA DA AMAZONIA S.A, na forma legal, para recolher, à conta nº 1.588-9, agência nº 0029, operação 06, Caixa Econômica Federal, em nome do Ministério Público do Estado do Piauí, o valor da multa arbitrada, correspondente a R$8.000,00 (oito mil reais), a ser aplicada com redutor de 50% para pagamento

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sem recurso e no prazo deste, ou apresentar recurso, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar de sua notificação, na forma dos arts. 22, §3º e 24, da Lei Complementar Estadual nº 036/2004;

- Na ausência de recurso ou após o seu improvimento, caso o valor da multa não tenha sido pago no prazo de 30 (trinta) dias, a inscrição do débito em dívida ativa pelo PROCON Estadual, para posterior cobrança, com juros, correção monetária e os demais acréscimos legais, na forma do caput do artigo 55 do Decreto 2181/97;

- Após o trânsito em julgado desta decisão, a inscrição do nome do infrator no cadastro de Fornecedores do PROCON Estadual, nos termos do caput do art. 44 da Lei 8.078/90 e inciso II do art. 58 do Decreto 2.181/97.

Teresina-PI, 11 de outubro de 2013.

Dr. CLEANDRO ALVES DE MOURA Promotor de Justiça

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