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Tributario Na Pratica-Alexandre Mazza

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Academic year: 2021

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ISBN 978850262758-1 Mazza, Alexandre Tributário #naprática / Alexandre Mazza. – 1. ed. – São Paulo : Saraiva, 2015. Bibliografia. 1. Direito tributário - Brasil 2. Direito tributário - Brasil - Concursos 3. Ordem dos Advogados do Brasil - Exames, questões etc. 4. Prática forense - Brasil I. Título. 15-01408 CDU-34:336.2(81)(079.1) Índices para catálogo sistemático: 1. Ordem dos Advogados do Brasil : Prática tributária : Exames de Ordem 34:336.2(81) (079.1) Diretor editorial Luiz Roberto Curia Gerente editorial Thaís de Camargo Rodrigues Assistente editorial Deborah Caetano de Freitas Viadana Coordenação geral Clarissa Boraschi Maria Preparação de originais Maria Izabel Barreiros Bitencourt Bressan e Ana Cristina Garcia (coords.) | Luciana Cordeiro Shirakawa Projeto gráfico, arte e diagramação Claudirene de Moura Santos Revisão de provas Amélia Kassis Ward e Ana Beatriz Fraga Moreira (coords.) | Simone L. C. Silberschimidt |Wilson Imoto Conversão para E-pub Guilherme Henrique Martins Salvador Serviços editoriais Elaine Cristina da Silva | Kelli Priscila Pinto | Tiago Dela Rosa Capa Casa de Ideias Data de fechamento da edição: 26-5-2015 Dúvidas?

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Acesse www.editorasaraiva.com.br/direito

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora Saraiva. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

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S

UMÁRIO

Prefácio Parte 1 - Noções gerais Capítulo 1 - PREPARANDO O SEU VADE MECUM OU COLETÂNEA Capítulo 2 - DEFININDO A PEÇA CORRETA (cabimento) Capítulo 3 - SOCORRO, NÃO IDENTIFIQUEI A PEÇA! Capítulo 4 - ENDEREÇAMENTO Capítulo 5 - ESTÉTICA DA PEÇA Capítulo 6 - RASURAS Capítulo 7 - DÁ PARA FAZER RASCUNHO? Capítulo 8 - LINGUAGEM ADEQUADA Capítulo 9 - ERROS DE LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 10 - EXPRESSÕES EM OUTRO IDIOMA Capítulo 11 - NÓS, QUEM? Capítulo 12 - ELABORANDO OS TÍTULOS DA PEÇA Capítulo 13 - O QUE É EPÍGRAFE? Capítulo 14 - QUALIFICAÇÃO DAS PARTES Capítulo 15 - “DOS FATOS” Capítulo 16 - “DO DIREITO” (ESTRUTURA GERAL) Capítulo 17 - TRANSCREVENDO NORMAS Capítulo 18 - SÚMULA Capítulo 19 - NÃO ACHEI SÚMULA Capítulo 20 - NÃO TENTE ENGANAR O EXAMINADOR! Capítulo 21 - SOBRE A FALTA DE ESPAÇO Capítulo 22 - EXISTE MAIS DE UMA TESE? Capítulo 23 - COMO ACHAR UMA TESE

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Capítulo 24 - REPERTÓRIO DE “EXPRESSÕES-CHAVE” Capítulo 25 - ELEGENDO A TESE PRINCIPAL Capítulo 26 - SOCORRO, NÃO TEM TESE! Capítulo 27 - RACIOCÍNIO JURÍDICO SOBRE A TESE PRINCIPAL Capítulo 28 - ACRESCENTANDO TESES ACESSÓRIAS Capítulo 29 - SOCORRO, NÃO VI TESE ACESSÓRIA! Capítulo 30 - CONCLUINDO O ITEM “DO DIREITO” Capítulo 31 - LIMINAR E TUTELA ANTECIPADA Capítulo 32 - PEDIDOS Capítulo 33 - REPERTÓRIO DE PEDIDOS Capítulo 34 - FINALIZAÇÃO DA PEÇA Capítulo 35 - SOCORRO, O TEMPO ESTÁ ACABANDO! Capítulo 36 - AS QUESTÕES DISCURSIVAS Capítulo 37 - PREPARANDO OS LIVROS Capítulo 38 - FICHAMENTOS Capítulo 39 - POR ONDE COMEÇAR A PROVA? Capítulo 40 - DICAS ÚTEIS PARA O DIA DA PROVA Capítulo 41 - JÁ SEI, VOU COLAR! Capítulo 42 - SAIU O GABARITO! Capítulo 43 - SAIU O RESULTADO! Parte 2 - Fichamento simplificado das peças Parte 3 - Fichamento simplificado das teses Parte 4 - Modelos de peças Parte 5 - Treinando peças Exercícios Gabaritos comentados Parte 6 - Repertório de questões discursivas

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Questões discursivas

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Doutor e Mestre em Direito Administrativo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). Professor de Direito Administrativo e Direito Tributário da Rede LFG. Advogado. Autor das obras Manual de

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Dedico este livro às minhas filhas, Duda e Luísa.

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P

REFÁCIO

Escrevi este livro para registrar parte da minha experiência de 16 anos ininterruptos como professor de Prática Tributária em turmas preparatórias para 2ª fase do Exame de Ordem e cursos livres.

Trata-se de obra diretamente ligada ao meu Manual de direito tributário, também publicado pela Editora Saraiva. Em conjunto, os dois livros formam um sistema completo de preparação para provas da OAB, concursos públicos ou mesmo para quem pretende iniciar na advocacia tributária.

Para facilitar o acesso à informação, procurei dar ao texto a clareza de linguagem comum nas minhas aulas.

Os capítulos iniciais falam sobre o passo a passo da elaboração da peça prático-profissional, além de apresentar dicas gerais sobre as provas de processo tributário e a preparação dos materiais.

Na sequência, abordo as peças e teses mais importantes na defesa do contribuinte e, depois, do Fisco. Nesse ponto organizo o assunto resumindo as informações em fichamentos, uma técnica de estudos extremamente eficaz, testada e aprovada por milhares de alunos ao longo desses anos.

A seguir, trago os modelos explicativos de todas as peças do processo tributário, quer no âmbito judicial, quer no administrativo.

Ao final, inseri exercícios para que o leitor possa treinar a elaboração de peças e questões discursivas, conferindo ao final nos gabaritos oficiais o acerto das respostas.

Vale destacar que, em função da sanção do novo Código de Processo Civil, Lei n. 13.105, em 16 de março de 2015, em todos os momentos em que o Código de Processo Civil de 1973 foi mencionado, fiz remissão ao novo CPC, no corpo do texto ou em notas de rodapé. No entanto, vale lembrar que, em função da “vacatio legis”, o novo CPC só

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entrará em vigor a partir de 16 de março de 2016! Portanto, para os Exames da Ordem e concursos públicos ao longo do ano de 2015, é válido ainda o Código de Processo Civil de 1973.

Como sempre, solicito encarecidamente ao querido leitor que, tendo qualquer dúvida, sugestão ou comentário, entre em contato comigo. O seu sucesso é o meu objetivo! Bons estudos. Alexandre Mazza Instagram: @professormazza Twitter: @professormazza Facebook: Alexandre Mazza Revisões Site: www.sitedomazza.com.br

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Parte 1

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Capítulo 1

PREPARANDO O SEU VADE MECUM

OU COLETÂNEA

CONHEÇA O SEU EDITAL

A maioria das provas de processo tributário só permite consulta à legislação. Por isso, a Coletânea de Legislação Tributária torna-se um aliado fundamental em nossa batalha contra o Examinador.

Antes de qualquer coisa, porém, é importante que você leia o edital da sua prova. Conheça as regras sobre uso de materiais. O que pode e o que não pode.

QUAL COLETÂNEA OU COMPILAÇÃO COMPRAR?

Escrevo este tópico destinado especificamente para provas que permitem consulta à legislação seca. É o caso do Exame de Ordem.

Como vamos fazer uma prova de direito tributário, é preciso ter uma Coletânea de Legislação Tributária. Tenha sempre um livro novo e o mais atualizado que existe. Ainda que isso exija algum sacrifício, vale a pena adquirir um livro novo para fazer a prova, porque livros usados podem ter marcações incompatíveis com o edital ou, pior, podem estar desatualizados.

Devo alertar, todavia, que as Coletâneas de Legislação Tributária normalmente não contêm leis gerais como Código Civil, Código Penal e Consolidação das Leis do Trabalho

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(CLT).

Por isso, recomendo que o candidato leve para a prova dois volumes de legislação: 1) Coletânea de Legislação Tributária; 2) Vade Mecum Geral.

Compre Compilações ou Coletâneas novas e não faça qualquer tipo de marcação nelas. Não escreva nada! Só vale colocar o nome.

MARCAÇÕES EXTERNAS E INTERNAS

Minha experiência mostra que quanto mais prepararmos a Coletânea de Legislação Tributária para a prova, mais fácil será nossa vida no dia do exame.

Tenho um sistema completo de marcações na Coletânea que é a minha marca registrada. Quem já foi meu aluno sabe “o poder” dessas minhas marcações.

E o mais importante: sem descumprir qualquer regra do edital.

Evidentemente que tudo aqui não passa de sugestão. Cada candidato pode adotar um sistema próprio de marcação e até adaptar minhas dicas às suas próprias. O mais importante é perceber que a Coletânea de Legislação Tributária é a sua melhor amiga na hora da prova! Vou ensinar meu método. Tudo começa separando as marcações em dois tipos: 1) marcações externas: feitas com clipes; 2) marcações internas: feitas com canetas grifa-texto.

DICA: vamos fazer essas marcações somente na Coletânea de Legilação Tributária. O Vade Mecum levaremos na prova somente por precaução, ou seja, para nos prevenir contra a possibilidade de perguntas do examinador sobre leis “extravagantes”, que não

constem do repertório comum do direito tributário. O Vade Mecum não precisa de nenhum tipo de marcação.

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Antes de qualquer coisa devo dizer que as marcações externas não funcionam sozinhas. Elas só têm sentido quando utilizadas trabalhando junto com as marcações internas, isto é, remetendo a páginas grifadas de maneira apropriada. Por isso, não usem o sistema pela metade. Marquem a Coletânea de Legislação Tributária por fora (clipes) e por dentro (grifa-texto).

Vamos lá.

Adquira clipes cinzas comuns de tamanho normal e uma caixa de clipes pequenos coloridos.

Os clipes cinzas vamos usar para marcar duas coisas diferentes na Coletânea de Legislação Tributária: a) primeira página de leis importantes: coloque um clipe cinza (na parte de cima da folha) na página de abertura de cada lei relevante para sua prova. Exemplos: Constituição Federal, CTN, CPC, Lei n. 6.830/80 (Execuções Fiscais). Vá inserindo esses clipes durante o processo de preparação para sua prova. Assim, a parte de cima funciona como o grande índice de leis relevantes na Coletânea! Mas isso só funciona se poucas marcações forem feitas. Escolha NO MÁXIMO vinte leis para “clipar”, hein?

b) fundamento de peças: marque com um clipe cinza (na parte de baixo da folha) as páginas da Coletânea de Legislação Tributária onde estejam os fundamentos de cada uma das peças processuais estudadas aqui no livro. Por exemplo: veremos que o Mandado de Segurança Individual é fundamentado em dois dispositivos: os arts. 5º, LXIX, da Constituição Federal e 1º da Lei n. 12.016/2009. Então, você deve procurar onde estão esses dois dispositivos dentro da Coletânea de Legislação Tributária e colocar um clipe cinza na parte de baixo de cada uma dessas duas páginas, deixando os dois alinhados entre si. Assim, quando fechar a Coletânea de Legislação Tributária poderá perceber que os dois clipes estão relacionados, isto é, tratando de um mesmo assunto, pois são o duplo fundamento do Mandado de Segurança Individual. Simples, não?

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respeito a um mesmo assunto. Desse modo, quando a Coletânea de Legislação Tributária estiver fechada, você poderá observar pequenas fileiras de clipes representando marcações relativas a um tema só. Abrindo cada clipe de uma fileira você consegue

facilmente recuperar todos os dispositivos pertinentes a uma sequência temática (de peças, de teses ou de qualquer outra coisa que desejar).

Já os clipes coloridos vamos utilizar para marcar (na lateral da folha) os fundamentos de teses, utilizando uma cor para cada tese estudada. Assim, é importante adquirir uma caixa de clipes pequenos com várias cores sortidas.

Atribua uma cor qualquer disponível de clipe para cada grande tese de direito tributário. Por exemplo: verde-prescrição, vermelho-imunidade, azul-isenção, amarelo-ISS.

Conforme você for estudando certo tema de direito tributário material (teses), vá marcando na Coletânea de Legislação Tributária as leis, normas especiais e súmulas mais importantes daquela tese, criando uma fileira na lateral da Coletânea com clipes da cor que você atribuiu ao respectivo tema. Desse modo, por exemplo, todas as leis, normas e súmulas que estudou pertinentes ao tema prescrição estarão marcadas numa fileira alinhada de clipes na cor verde na lateral da Coletânea de Legislação Tributária.

Inicie com fileiras próximas à parte de cima da Coletânea.

Para evitar confusão, não repita cores de clipe nas fileiras próximas umas das outras. Ao final do processo, a lateral da Coletânea de Legislação Tributária terá cerca de vinte ou trinta fileiras coloridas de clipes organizando todo o acesso ao direito material da coletânea.

Meu querido, se tudo deu certo, nas vésperas da prova sua Coletânea de Legislação Tributária terá cerca de vinte clipes na parte superior funcionando como um prático índice das leis mais importantes para a prova. Na lateral, centenas de clipes organizados em fileiras coloridas remetendo para tudo o que há de mais importante sobre o direito tributário material. E na parte de baixo, dezenas de clipes, alguns relacionados em pares ou trios, apontando para os fundamentos de todas as peças prático-profissionais que

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podem ser abordadas na prova. Gostou?

Mas isso é só a metade do meu sistema... agora vêm as marcações internas.

MARCAÇÕES INTERNAS

As marcações externas só fazem sentido se remeterem a páginas internamente marcadas. Pense bem. De que adianta abrir a página da Coletânea de Legislação Tributária marcada por um clipe e não existir nada ali indicado?

Por isso, vou tratar agora das marcações internas.

Adquira canetas grifa-texto de seis cores diferentes. Certifique-se de que sejam cores que permitam ler o texto após grifarmos. Além disso, veja se o traçado da caneta não vaza para o verso podendo confundir marcações na outra página da Coletânea. Se uma das duas coisas acontecer, procure outra marca de caneta.

Escolhida a marca apropriada, atribua uma função específica e exclusiva para cada cor. Por exemplo (pelo amor de Deus, estou só exemplificando, você não precisa fazer exatamente assim!): 1) caneta de COMPETÊNCIA (VERDE); 2) caneta de FUNDAMENTO (AMARELA); 3) caneta de CABIMENTO (LARANJA); 4) caneta de PEDIDOS (AZUL); 5) caneta de DETALHES ESPECIAIS (VERMELHA); 6) caneta de TESE (ROXA).

CUIDADO: importante lembrar que o significado específico dessas cores DEVE SER

MEMORIZADO PELO CANDIDATO. NUNCA DECODIFIQUE O SIGNIFICADO DE CADA COR NO SEU EXEMPLAR!

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1) caneta de COMPETÊNCIA: deve ser usada para grifar todas as normas processuais a respeito de endereçamento das peças específicas;

2) caneta de FUNDAMENTO: utilize para sublinhar somente os números dos artigos que fundamentam as peças processuais. Essa marcação deve ser associada ao clipe cinza na parte de inferior da página;

3) caneta de CABIMENTO: de uso mais raro, serve para marcar por exemplo normas processuais que detalham a hipótese de interposição de recursos, muitas vezes em normas diferentes daquelas que contêm seu fundamento. Exemplo: “Da sentença cabe apelação” (art. 513 do CPC/73 [art. 1.009 do CPC/2015] – grifar o texto todo);

4) caneta de PEDIDOS: use para sublinhar todos os textos normativos que descrevam os pedidos específicos das peças. A utilização adequada dessa caneta facilita enormemente a elaboração formal de provas prático-profissionais;

5) caneta de DETALHES ESPECIAIS: utilize para marcar quaisquer informações que considerar relevantes sobre determinada peça, como prazos, causas de pedir, lembretes etc.;

6) caneta de TESE: será a mais utilizada na Coletânea. Normalmente os alunos acabam comprando mais de uma! Reserve essa como a única caneta para fazer todas as marcações internas relativas a quaisquer teses. Evite sublinhar dispositivos inteiros. Marque somente os números e, no máximo, sublinhe alguns trechos fundamentais, sempre lembrando de associar o uso dessa caneta com um clipe (na lateral) inserido na fileira e da cor exata que você atribuiu àquele tema específico.

Então, é isso!

Aplique esse sistema inteiro de marcações na sua Coletânea.

Quanto mais você trabalhar durante a preparação, mais fácil será no dia da prova.

Agora que você já sabe como preparar seu material, vamos começar o estudo das peças.

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Capítulo 2

DEFININDO A PEÇA CORRETA (

CABIMENTO

)

INTRODUÇÃO

É sempre recomendável iniciar as provas pela elaboração da peça.

Não há dúvida de que a escolha adequada da peça a ser elaborada pelo candidato consiste no mais importante fator de aprovação em um exame prático-profissional. São raros os casos de sucesso optando por peça diferente da prevista no gabarito final.

Porém, diferentemente do que se possa pensar, a identificação da peça correta não depende somente de uma experiência prática substancial obtida em anos de estágio na área tributária. Isso até ajuda, mas o mais importante é dominar uma técnica (que ensinarei a seguir) e treinar. Treinar muito. É o que podemos chamar de processo de FIXAÇÃO DO CABIMENTO. O processo de fixação do cabimento envolve os seguintes passos: 1 – Perceber que o enunciado sempre dá dicas; 2 – Encontrar e grifar palavras-chave; 3 – Memorizar as hipóteses de cabimento de todas as peças do processo tributário; 4 – Fazer exercícios.

O ENUNCIADO SEMPRE DÁ DICAS

A primeira coisa a ser dita é que, por mais difícil que a prova seja, o enunciado sempre

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dá dicas para o candidato conseguir identificar a peça.

Isso porque, não havendo dicas apontando para certa peça, o próprio examinador deixará de ter critérios para elaborar o gabarito. E gabarito sem critério gera nulidade da prova.

Por isso, acostume-se a procurar no enunciado do problema palavras-chave que funcionem como pistas daquilo que o examinador quer.

GRIFANDO PALAVRAS-CHAVE

A busca por palavras-chave independe da tese a ser defendida. Leia o enunciado várias vezes, sem se preocupar por enquanto com o raciocínio que deverá ser empregado na defesa do cliente (tese). Leia o problema e sublinhe expressões/informações importantes como LANÇAMENTO, AUTUAÇÃO, PENHORA, SENTENÇA, INDEFERIMENTO DA LIMINAR, VOTAÇÃO UNÂNIME, CITAÇÃO, DECISÃO INTERLOCUTÓRIA, ACÓRDÃO, MAORIA DE VOTOS etc.

Essas são algumas das pistas que o examinar deixa no enunciado para identificarmos a peça cabível (e para que o próprio examinador, posteriormente, justifique o gabarito).

A partir daí você terá “enxugado” o texto de modo a facilitar a identificação da peça.

HIPÓTESES DE CABIMENTO NO PROCESSO TRIBUTÁRIO

O passo seguinte consiste em compreender e memorizar a hipótese de cabimento de todas as peças do processo tributário. Esse processo ficará muito mais fácil para quem fizer as FICHAS DAS PEÇAS (falarei delas mais para frente), pois a elaboração da ficha já ajuda a fixar o assunto.

Lembre-se de que as hipóteses de cabimento abaixo enumeradas baseiam-se nas palavras-chave que o enunciado sempre fornece.

Segue agora uma lista com as mais importantes peças do processo tributário e seus respectivos cabimentos simplificados:

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1 – Mandado de Segurança: é a medida cabível contra qualquer exigência fiscal indevida anterior à execução fiscal. O MS é também a peça residual (quando não couber repetição, consignatória, embargos, agravo, apelação etc., usar o MS).

ATENÇÃO 1: em concursos não é recomendável impetrar MS contra ato judicial. Prefira o recurso apropriado.

ATENÇÃO 2: como o MS é a peça residual, geralmente não há palavras-chave no

enunciado que permitam concluir pelo cabimento dessa peça. Assim, raciocine por exclusão: não cabe nenhuma outra, então é o MS.

ATENÇÃO 3: devido ao vasto campo de cabimento do MS, o candidato que não conseguir identificar qual a peça do enunciado (branco total!) deve optar pelo MS (em

90% das vezes o MS é considerado pelo gabarito uma das peças corretas). Na dúvida, faça MS. Autoridades coatoras (para Exame de Ordem e Concursos) a) TRIBUTOS FEDERAIS: Ilmo. Delegado da Receita Federal do Brasil b) TRIBUTOS ESTADUAIS: Ilmo. Diretor da Secretaria de Arrecadação do Estado de ... c) ISS E EXIGÊNCIAS MUNICIPAIS DESVINCULADOS DE IMÓVEIS: Ilmo. Diretor do Departamento de Rendas Mobiliárias do Município de ...

d) DEMAIS TRIBUTOS MUNICIPAIS: Ilmo. Diretor do Departamento de Rendas Imobiliárias do Município de ...

e) TRIBUTOS EM ZONA ADUANEIRA: Ilmo. Inspetor da Receita Federal do Brasil 2 – Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico-Tributária: é a ação cabível contra qualquer exigência indevida anterior ao lançamento. Portanto, se o enunciado falar em lançamento, autuação ou lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM), esqueça a declaratória.

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MS (peças de cabimento comum). Porém, há casos especiais em que se deve optar só por uma das peças.

Assim, SEMPRE opte pelo MS (e não pela declaratória) se:

a) o enunciado exigir a adoção da medida mais célere ou menos onerosa para o contribuinte;

b) o problema tratar de recusa de emissão de certidões tributárias, liberação de mercadoria ou recusa de inscrição no CNPJ (nesses casos, não existe propriamente uma relação tributária cuja inexistência se pretenda declarar);

c) houver dúvida se já ocorreu o lançamento.

Do mesmo modo, SEMPRE opte pela declaratória (e não pelo MS) se:

a) o tributo for cobrado por entidade descentralizada (parafiscalidade), como autarquias, fundações, agências, sindicatos ou conselhos de classe;

b) tiver escoado o prazo de 120 dias do ato coator;

c) houver necessidade de produzir prova testemunhal, pericial, depoimento pessoal (MS só admite prova documental).

3 – Medida Cautelar: cabível nos mesmos casos da declaratória e do MS (qualquer exigência indevida anterior ao lançamento).

ATENÇÃO: apesar de comum na prática tributária, a medida cautelar não tem aparecido em gabaritos de concurso. Portanto, melhor impetrar MS.

4 – Ação Anulatória de Débito Fiscal: é a ação adequada para desconstituir lançamento tributário ou Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM). Cabe após o lançamento e antes da execução.

IMPORTANTE 1: se o enunciado fizer qualquer referência ao início da execução fiscal é preferível opor embargos.

IMPORTANTE 2: também é possível anular o lançamento impetrando MS (anulatória

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peças.

SEMPRE opte pelo MS (e não pela anulatória) se:

a) o enunciado exigir a adoção da medida mais célere ou menos onerosa para o contribuinte;

b) o problema tratar de recusa de emissão de certidões tributárias, liberação de mercadoria ou recusa de inscrição no CNPJ (nesses casos, não existe propriamente uma relação tributária cuja inexistência se pretenda declarar);

c) houver dúvida se já ocorreu o lançamento.

Ao contrário, NUNCA opte pelo MS (faça anulatória) se:

a) o tributo for cobrado por entidade descentralizada (parafiscalidade), como autarquias, fundações, agências, sindicatos ou conselhos de classe;

b) tiver escoado o prazo de 120 dias da ciência do ato coator;

c) houver necessidade de produzir prova testemunhal, pericial, depoimento pessoal (MS só admite prova documental).

IMPORTANTE 3: em concursos, nunca pressuponha a ocorrência do lançamento.

5 – Repetição de Indébito: ação adequada para o contribuinte recuperar valor já pago indevidamente ou a maior (a mais).

6 – Ação Declaratória cumulada com repetição de indébito: ação cabível quando o cliente deseja simultaneamente afastar exigência fiscal indevida e restituir tributo pago a maior.

7 – Consignação em Pagamento: cabe especialmente na hipótese de duas ou mais entidades diferentes exigirem tributos sobre o mesmo fato gerador ou sobre a mesma base de cálculo (bitributação).

ATENÇÃO 1: só cabe consignatória se o contribuinte estiver diante de exigências simultâneas de dois pretensos credores e AINDA NÃO PAGOU A NENHUM DELES. A ação de consignação serve para evitar o risco de pagamento a quem não tem direito ao

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crédito (lembre-se: “quem paga mal paga duas vezes”). ATENÇÃO 2: se as duas exigências simultâneas vierem da mesma entidade federativa (“bis in idem”), como no caso de Município que exige IPTU e taxa do lixo sobre valor venal do imóvel, NÃO CABE CONSIGNAÇÃO, mas MS. ATENÇÃO 3: além da bitributação, o art. 164 do CTN menciona outras hipóteses de cabimento da consignatória (raríssimas em concurso): a) o fisco se recusar a receber o pagamento; b) houver subordinação do recebimento ao pagamento de outro tributo ou penalidade; c) ocorrer subordinação do recebimento ao cumprimento de obrigação acessória;

d) existir subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal.

8 – Embargos à Execução Fiscal: é a defesa do contribuinte na execução fiscal. Os embargos são cabíveis quando o enunciado mencionar uma das seguintes ocorrências:

a) início da execução fiscal;

b) oferecimento de bens à penhora; c) intimação da penhora.

CUIDADO: inscrição na dívida ativa não é execução. Se o enunciado mencionar que a dívida foi inscrita, mas não disser nada sobre o início da execução, não cabem embargos, e sim anulatória.

9 – Exceção de Pré-Executividade: a exceção foi concebida pela doutrina e jurisprudência como meio de permitir que o contribuinte, sem necessidade de garantir o juízo, se defenda em execuções fiscais com grave vício formal (em geral, na Certidão da Dívida Ativa – CDA). Porém, seu uso indiscriminado fez com que se transformasse em uma medida “multiuso” vista com desconfiança pelo Poder Judiciário.

Em provas, dê sempre preferência por defender o cliente usando os Embargos, reservando a exceção de pré-executividade apenas para o caso de contribuinte sem

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patrimônio para garantir o juízo (o enunciado terá que dizer isso, caso contrário sempre prefira os embargos) ou se o cliente não quiser embargar.

10 – Agravo de Instrumento: é o recurso cabível contra decisões judiciais interlocutórias, especialmente quando o juiz: a) indeferiu medida liminar; b) denegou antecipação da tutela; c) rejeitou exceção de pré-executividade. ATENÇÃO: o CPC transformou a interposição de agravo de instrumento em exceção (o agravo retido[1] virou a regra). Mas em provas convém interpor agravo de instrumento,

reservando a forma retida apenas para os casos em que o enunciado expressamente solicitar o uso do agravo retido. 11 – Contraminuta em Agravo de Instrumento: é a defesa do contribuinte quando o enunciado disser que o fisco interpôs agravo de instrumento. 12 – Agravo Retido[2]: cabível contra qualquer decisão judicial interlocutória. Porém, recomendo em concursos a interposição de agravo de instrumento, exceto se o enunciado expressamente solicitar o emprego de interposição do recurso na forma retida.

IMPORTANTE: de acordo com o art. 522 do CPC/73 [art. 1.015 do CPC/2015], não cabe agravo retido (só agravo de instrumento) nos casos de inadmissibilidade da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida.

13 – Contraminuta em Agravo Retido: é a defesa do contribuinte quando o agravo retido for interposto pelo fisco.

14 – Apelação: é o recurso cabível contra sentença (decisão que põe fim ao processo com ou sem julgamento de mérito).

ATENÇÃO 1: como os embargos à execução têm natureza de ação, a decisão que os rejeita liminarmente ou os julga improcedentes é atacável por APELAÇÃO, não agravo.

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apelação, não agravo.

15 – Contrarrazões de Apelação: é a defesa do contribuinte quando a apelação for interposta pelo fisco.

16 – Recurso Ordinário Constitucional (ROC): recurso cabível contra acórdão prolatado em MS de competência originária de Tribunal. No processo tributário, o ROC é utilizado contra acórdão que julga improcedente MS impetrado para impugnar celebração de Convênio/ICMS pelo Governador.

17 – Contrarrazões em Recurso Ordinário Constitucional: é a defesa do contribuinte quando o ROC for interposto pelo fisco.

18 – Recurso Especial: é o recurso cabível contra acórdão do TJ ou do TRF cujo teor contrarie norma federal, especialmente o CTN.

19 – Contrarrazões de Recurso Especial: é a defesa do contribuinte quando o recurso especial for interposto pelo fisco.

20 – Recurso Extraordinário: é o recurso cabível contra acórdão do TJ ou do TRF cujo teor contrarie norma da Constituição Federal.

21 – Contrarrazões de Recurso Extraordinário: é a defesa do contribuinte quando o recurso extraordinário for interposto pelo fisco.

22 – Embargos Infringentes: recurso cabível contra acórdão não unânime que, em sede de apelação ou rescisória, tiver reformado/rescindido a sentença de primeiro grau.

ATENÇÃO: os embargos infringentes sempre caberão contra acórdão que pode ser atacado também por outro recurso (não têm cabimento isolado). É recomendável, em provas, que o candidato evite usar os embargos infringentes, dando preferência por

atacar o acórdão por meio de recurso especial ou recurso extraordinário.

23 – Contrarrazões em Embargos Infringentes: é a defesa do contribuinte quando os embargos infringentes forem interpostos pelo fisco.

24 – Embargos de Divergência: recurso cabível contra decisão de turma do STJ ou do STF que:

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a) em recurso especial, divergir do julgamento de outra turma, da seção ou do órgão especial;

b) em recurso extraordinário, divergir do julgamento de outra turma ou do plenário. 25 – Contrarrazões em Embargos de Divergência: é a defesa do contribuinte quando o enunciado disser que os embargos de divergência foram interpostos pelo fisco.

26 – Recurso Adesivo: de acordo com o art. 500 do CPC/1973 [art. 997 do CPC/2015], sendo vencidos autor e réu (sucumbência recíproca), ao recurso interposto por qualquer deles poderá aderir a outra parte.

ATENÇÃO: na prova, somente interponha recurso adesivo se o enunciado

expressamente o solicitar.

27 – Contrarrazões em Recurso Adesivo: é a defesa do contribuinte quando o recurso adesivo for interposto pelo fisco.

28 – Agravo (antigo regimental): é o recurso cabível para impugnar decisões singulares em tribunais (Presidente, Vice ou Relator).

29 – Contraminuta em Agravo Interno: é a defesa do contribuinte quando o agravo interno for interposto pelo fisco.

30 – Ação Rescisória: é a ação cabível para desconstituir decisão judicial transitada em julgado.

31 – Contestação em Ação Rescisória: é a defesa do contribuinte quando o fisco propuser ação rescisória.

32 – “Querela Nullitatis Insanabilis”: é a medida processual utilizada para declarar inexistente decisão judicial transitada em julgado e que padeça de gravíssimo vício formal. Ex.: sentença prolatada por um não juiz.

33 – Correição Parcial: é a medida processual apropriada para sanar ato do juiz que produza inversão tumultuária do processo.

ATENÇÃO: só utilizar a correição se o enunciado da prova expressamente mencionar a ocorrência da “inversão tumultuária do processo”.

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34 – Pedido de Reconsideração: é a providência processual apropriada para solicitar que determinada autoridade judicial reveja decisão desfavorável ao contribuinte. É cabível, por exemplo, contra a decisão do relator que converte o agravo de instrumento em retido.

35 – Embargos de Declaração: trata-se do recurso apto a impugnar decisão judicial contraditória, obscura ou omissa.

ATENÇÃO: somente usar os embargos de declaração quando o enunciado expressamente falar em contraditoriedade, obscuridade ou omissão da decisão.

36 – Recurso Administrativo: é o meio de impugnar, perante o próprio fisco (não recorrendo ao Judiciário), decisão desfavorável ao contribuinte.

ATENÇÃO: raramente os gabaritos indicam o recurso administrativo como peça

apropriada. Por isso, ao menos que o enunciado expressamente solicite, dê preferência às medidas jurisdicionais.

37 – Cautelar Recursal: é a providência jurisdicional cabível quando surgir alguma urgência específica na pendência de recurso sem efeito suspensivo.

38 – Contestação em Cautelar Recursal: é a defesa do contribuinte quando a cautelar recursal for requerida pelo fisco.

39 – Mandado de Segurança Coletivo: é a ação apropriada para partidos políticos, organizações sindicais ou entidades de classe defenderem interesse coletivo de uma classe de contribuintes.

Cabimento das Peças em Defesa da Fazenda Pública

40 – Cautelar Fiscal: é a medida judicial cabível quando o Fisco surpreende o devedor praticando atos tendentes a fraudar o pagamento da dívida. Exemplo: alienação de bens sem reservar patrimônio suficiente para quitar tributo inscrito na dívida ativa.

41 – Contestação em favor da Fazenda Pública: é a defesa do Fisco nas ações de rito ordinário propostas pelo contribuinte (declaratória, anulatória, repetição e

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consignação). 42 – Impugnação aos Embargos à Execução Fiscal: é o meio de defesa do Fisco nos embargos opostos pelo devedor. 43 – Execução Fiscal: elaborar uma petição inicial de execução fiscal é uma alternativa que a Lei n. 6.830/80 oferece à Fazenda Pública para exigir judicialmente tributo inscrito em dívida ativa. Isso porque se o Fisco preferir o simples envio ao Judiciário da certidão da dívida ativa (CDA) já permite instauração imediata da execução, sem necessidade de uma petição inicial autônoma. Lembre que a CDA é, ao mesmo tempo, título executivo e petição inicial da execução. Mas nada impede que o procurador público opte por elaborar uma petição inicial de execução fiscal, hipótese em que a CDA deve ser anexada à peça (art. 6º, § 1º, da Lei n. 6.830/80).

FAZENDO EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO DOS CABIMENTOS

As hipóteses de cabimento estudadas acima somente serão assimiladas com a realização de exercícios. Cabimento se aprende por repetição.

Assim, recomendo que você aproveite os exercícios constantes nos capítulos finais deste livro para facilitar a tarefa. Leia atentamente o enunciado de cada problema (comece pelo n. 1) grifando as palavras-chave estudadas acima. Depois, procure, com a ajuda das hipóteses de cabimento do item anterior (ou pegue as fichas das peças), identificar a peça correta. Se tiver dificuldade, releia em voz alta todos os cabimentos até decidir qual o mais apropriado diante do exercício. Escreva a lápis qual a peça que foi escolhida e confira no gabarito dos exercícios (Parte 5 – Treinando Peças).

A cada novo exercício repita o processo inteiro (leitura atenta + sublinhar palavras-chave + recapitular todos os cabimentos + anotar a peça escolhida + conferir no gabarito). Ao final desse processo, realizado em todos os exercícios do livro, certamente você terá memorizado o conjunto completo das hipóteses de cabimento úteis para sua prova.

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Uma dica final. É pouco provável que aconteça com quem seguiu corretamente minhas orientações do item anterior, mas se após duas horas de início da prova, por qualquer razão, você ainda não tiver identificado qual peça fazer, não tenha dúvida: impetre um MS (é a melhor escolha nesse caso por ser a peça residual).

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Capítulo 3

SOCORRO, NÃO IDENTIFIQUEI A PEÇA!

No capítulo anterior indiquei quais os passos para desenvolver a habilidade de identificação do cabimento das peças no processo tributário.

Entretanto, se a prova tiver um grau elevado de dificuldade ou por razões como o nervosismo comum em provas e concursos, pode acontecer de o candidato não descobrir qual a peça a ser feita.

Quem sabe até não é o que está acontecendo com você neste exato momento! Não identificou a peça cabível?

Calma. Respire fundo, levante para tomar uma água e arejar, e, em seguida, relembre alguns detalhes importantes:

1) é preciso ler o enunciado umas 20 vezes para dominar todos os detalhes;

2) lembre de grifar palavras-chave na identificação da peça, como “lançamento”, “autuação”, “retenção de mercadorias”, “sentença”, “decisão interlocutória” etc. Encontrando alguma palavra assim, volte no roteiro do capítulo anterior e veja qual a peça apropriada;

3) preste redobrada atenção na instrução dada abaixo do enunciado, como “na condição de advogado, adote a MEDIDA JUDICIAL apropriada para defender o cliente”. Geralmente a instrução traz alguma pista para identificar a peça;

4) só opte por fazer recurso administrativo SE O ENUNCIADO EXPRESSAMENTE excluir a medida judicial;

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5) na dúvida entre embargos à execução ou exceção de pré-executividade, opte pelos embargos;

6) na dúvida entre MS ou declaratória, faça Mandado de Segurança; 7) na dúvida entre MS ou anulatória, faça Mandado de Segurança;

8) na dúvida entre embargos infringentes ou recurso especial/extraordinário, prefira o especial/extraordinário;

9) na dúvida entre agravo ou MS, prefira o Mandado de Segurança;

10) só escolha peças muito exdrúxulas se tiver CERTEZA ABSOLUTA sobre seu cabimento no caso concreto. Ex.: deixe a correição parcial somente para o caso de o enunciado expressamente falar em “inversão tumultuária do processo”;

11) gaste o tempo que for preciso para decidir a peça que será feita. É melhor “perder” três horas para fazer uma boa escolha do que decidir em 15 minutos de forma precipitada e errar a peça.

DICA FINAL: se estiver faltando menos da metade do tempo para terminar a prova e você ainda não identificou a peça é preciso adotar uma medida emergencial para evitar entregar a prova incompleta.

Falta menos da metade do tempo para terminar a prova?

Mesmo lendo atentamente essas 11 dicas ainda não foi possível identificar a peça cabível?

Então faça um Mandado de Segurança (o melhor da sua vida!), porque essa deve ser a peça certa.

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Capítulo 4

ENDEREÇAMENTO

INTRODUÇÃO

Um dos pontos mais importantes da peça processual é o endereçamento. Como se trata das primeiras linhas da peça, o começo de tudo, acertar o endereçamento representa o primeiro grande passo rumo à aprovação. Um erro nesse quesito pode ser fatal.

O QUE É ENDEREÇAMENTO?

Endereçamento é o cabeçalho da peça, local onde se indica a autoridade competente para julgar os pedidos formulados em favor do cliente.

Como dito, ele ocupa as primeiras linhas da primeira página da peça.

Exemplo de endereçamento padrão em Mandado de Segurança relativo a tributo estadual: “Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara ... da Comarca de Maceió”.

Acertar o endereçamento depende do conhecimento de regras formais básicas e também do domínio de normas específicas de competência estabelecidas na legislação processual brasileira.

Estudemos esses dois assuntos separadamente.

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Para obter um bom resultado estético na redação do endereçamento, sugiro a adoção das seguintes regras formais básicas:

1 – USE A LINHA INTEIRA. A prática forense consagrou a necessidade de redigir o endereçamento usando a linha cheia (margem a margem), sem respeitar espaço para parágrafos ou recuos. Exemplo: Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara da Fazenda Pública da Comarca de São Paulo, Se o endereçamento, em razão do número de palavras ou do tamanho da letra, “vazar” para outra linha, inicie a segunda linha também no início da margem esquerda da folha.

Pode ocorrer de a segunda linha (ou terceira) não ser preenchida de ponta a ponta (“vide” exemplo acima). Não tem problema, deixe assim. Não tente dar espaço maior entre as palavras só para encher a linha (fica feio).

2 – ESCREVA TUDO POR EXTENSO. Em concursos e provas da OAB não abrevie termos do endereçamento. Nada de “Exmo. Sr. Dr. ...”. Escreva “Excelentíssimo Senhor Doutor...”. 3 – EVITE SEPARAR SÍLABAS. O ideal é terminar a palavra antes de mudar de linha ou transferi-la inteira para a linha de baixo. Evite a separação silábica. Cuide, porém, para não deixar um espaço grande em branco no final da linha. Se você perceber que a palavra não caberá, aumente o espaço entre as palavras anteriores. Se for preciso separar sílabas, certifique-se da forma correta segundo a Língua Portuguesa (é melhor deixar um buraco no final da linha do que perder ponto por erro gramatical). Observe o exemplo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ... Vara ... da Seção Judiciária de Guarulhos,

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4 – O USO DA VÍRGULA AO FINAL DO ENDEREÇAMENTO É RECOMENDADO. Se você quiser, termine a última linha do endereçamento acrescentando uma vírgula.

Exemplo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ... Vara ... da Seção Judiciária de Santos, 5 – NÃO INVENTE INFORMAÇÕES. Se o enunciado não disser o número da vara ou o local dos fatos, é preciso deixar em branco a informação (Ex.: Juiz de Direito da ... Vara).

6 – NÃO OMITA DADOS. Se o enunciado der o número da vara ou o local dos fatos, aí passa a ser erro deixar os espaços em branco. Tem que ser acrescentada a informação. Ex.: ... Juiz de Direito da 9ª Vara da Comarca de Fortaleza.

7 – NÃO PRECISA COLOCAR A SIGLA DO ESTADO. Não há necessidade de acrescentar uma barra e o nome do Estado (Ex.: ... da Comarca de Teresina/PI).

8 – USE O INÍCIO PADRONIZADO. Por convenção, costuma-se iniciar qualquer endereçamento (mesmo para a segunda instância) usando os termos reverenciais “Excelentíssimo Senhor Doutor ...”. Sempre inicie com essas palavras.

9 – CUIDADO COM A ACENTUAÇÃO. Não esqueça de acentuar corretamente as palavras na peça e principalmente no endereçamento (faça uma atenta revisão antes de entregar a prova). Não preciso nem dizer qual a impressão causada no examinador pelo candidato que esquece o acento da primeira palavra da peça (Excelentíssimo ...).

REGRAS BÁSICAS DE COMPETÊNCIA

Além de atentar para os detalhes formais, é preciso indicar corretamente qual a autoridade judicial competente.

Importante destacar que os endereçamentos em provas adotam regras próprias que não necessariamente coincidem com a prática forense.

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pressupõe o conhecimento de alguns detalhes relevantes:

1 – Causas relacionadas a tributos federais são decididas, em regra, na Justiça Federal. A Justiça Federal, na primeira instância, é composta por “Juízes Federais”, estando dividida em “Seções Judiciárias” (nunca use “Juiz de Direito” e “Comarca” para endereçamentos da Justiça Federal, pois tais termos são exclusivos da Justiça comum estadual).

2 – Causas relacionadas a tributos estaduais, distritais ou municipais são decididas na Justiça Comum. A Justiça Comum, na primeira instância, é composta por “Juízes de Direito”, sendo dividida em “Comarcas” (nunca use “Juiz Federal”, “Seção Judiciária” e “Subseção Judiciária” para endereçamentos da Justiça Comum, já que tais termos são exclusivos da Justiça Federal).

3 – Em alguns locais a Justiça Federal é dividida em “Seções Judiciárias”, e, em outros, a divisão é em “Subseções Judiciárias”. As provas da OAB Nacional vêm gabaritando “Seção Judiciária do Estado de ... ”.

4 – Diante da grande diversidade da organização judiciária brasileira, tanto na Justiça comum quanto na Federal, é conveniente deixar em branco o nome da Vara. Exemplo: Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara ... da Comarca de São Paulo. Somente quanto aos feitos executivos (ação de execução fiscal, embargos e exceção de pré-executividade) na Justiça Comum pode-se utilizar “Vara das Execuções Fiscais” ou “Vara do Anexo Fiscal”.

IMPORTANTE: se houver dúvida sobre a existência ou não dessas varas especializadas no local mencionado no enunciado, deixe de indicar o nome específico da

vara. Enderece genericamente para o “Juiz de Direito (ou Juiz Federal) da ... Vara ... da Comarca de ... (ou da ... Vara da Seção Judiciária de ...)”.

DEFININDO ENDEREÇAMENTOS DE PRIMEIRA INSTÂNCIA

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serão vistas no item seguinte) é preciso responder a três perguntas fundamentais com base no enunciado do problema.

1ª pergunta: QUAL O TRIBUTO EXIGIDO? Isso é importante porque, conforme dito anteriormente, causas relacionadas a tributos federais serão remetidas à Justiça Federal, enquanto problemas relativos a tributos estaduais, distritais ou municipais competem à Justiça Comum.

2ª pergunta: QUAL O LOCAL DOS FATOS? Se o problema mencionar o local onde os fatos ocorreram (ou o domicílio do contribuinte) é preciso indicá-lo ao final do endereçamento.

IMPORTANTE: se o problema não mencionar o local dos fatos ou o domicílio do contribuinte, deve-se elaborar o endereçamento sem mencionar varas especializadas (Juiz

de Direito da ... Vara da Comarca de ... ou Juiz Federal da ... Vara da Seção Judiciária de ...).

3ª pergunta: QUAL A AÇÃO CABÍVEL? É relevante saber se a medida cabível será a oposição de embargos ou uma outra ação qualquer, pois pode-se indicar a existência de vara especializada em execuções fiscais.

DICA: produza uma tabela (digitada ou à mão) indicando todos os endereçamentos possíveis dependendo de como forem respondidas as três questões acima. Exemplo:

Caso 1: tributo federal + Município de São Paulo + embargos: Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ... Vara ... da Seção Judiciária do Estado de São Paulo

Caso 2: tributo municipal + local indeterminado + MS: Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara ... da Comarca de ...

Terminando essa tabela, decore os endereçamentos aplicando as regras nos exercícios presentes na parte final do livro. E lembre-se: endereçamento se aprende por repetição.

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Pode acontecer de o próprio enunciado do problema indicar qual o juiz competente. Se isso acontecer, sorte sua. Basta copiar os dados de endereçamento mencionados na questão.

Assim, por exemplo, se o enunciado disser que “a sentença foi prolatada há 10 dias pelo Juiz da 21ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Bernardo do Campo”, sendo cabível uma apelação, faça o endereçamento aproveitando tais dados: Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz da 21ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Bernardo do Campo.

Lembre de copiar o endereçamento exatamente como está no problema, mesmo que você encontre alguma imprecisão (note, por exemplo, que eu não acrescentei “Federal” porque o problema só falava “Juiz”). Nunca tente corrigir erro do examinador.

ENDEREÇAMENTO DE RECURSOS E RESPOSTAS

Todas as regras e dicas mencionadas nos itens anteriores são aplicáveis somente a peças de primeira instância (MS, declaratória, embargos etc.). O endereçamento de recursos e respostas recursais (contraminuta e contrarrazões, por exemplo) segue regras próprias que serão estudadas nos capítulos seguintes.

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Capítulo 5

ESTÉTICA DA PEÇA

A elaboração de uma boa peça, merecedora de aprovação, não depende apenas de identificar o cabimento e fazer um raciocínio apropriado, é fundamental também observar a apresentação, a qualidade estética do trabalho.

A partir da minha experiência de anos lecionando, e principalmente por ter corrigido milhares e milhares de peças de alunos, posso dizer com absoluta convicção que a aparência agradável da peça é tão ou mais importante do que o próprio conteúdo. Por uma razão simples: o examinador só pode chegar ao conteúdo da peça se a letra do candidato permitir.

DICAS BÁSICAS

É comum que, em provas e concursos, o corretor tenha centenas de peças para avaliar. O trabalho de correção é monótono, mal remunerado (ou não remunerado) e tedioso. Por isso, diante de qualquer dificuldade para compreender parte da peça, o examinador pula o parágrafo ou a página inteira e, se aquela parte fizer falta para compreender o todo do raciocínio, adeus aprovação. Isso quando, mesmo antes de começar, o examinador não “desiste” da leitura e dá uma nota qualquer só para reprovar o autor dos “garranchos”.

Sobre estética da peça sugiro que você adote as seguintes providências:

1) capriche muito na letra. Escreva palavra por palavra de forma legível e lembre-se de que alguém terá que entender o que escrever;

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2) evite letra de forma. Prefira “letra cursiva”. Acredite: ela facilita a leitura; 3) deixe bebidas e comidas longe da folha de provas para não derrubar nada (coloque embaixo da carteira); 4) lave bem a mão antes de começar a prova; 5) procure começar todos os parágrafos no mesmo ponto (meio da linha); 6) convém iniciar e finalizar todas as linhas no mesmo ponto da linha, evitando aquele zigue-zague nas margens da folha; 7) não escreva muito rápido. Quase sempre escrever rápido prejudica a estética; 8) treine fazer peças à mão e não digitando.

É importante treinar em casa a apresentação da peça antes da prova. Faça uma peça adotando todas essas dicas e entregue para alguém (amigo, colega de serviço) ler e dar opinião sobre a apresentação e a letra. Se a pessoa não gostar de alguma coisa, refaça caprichando mais ainda e entregue de novo. Até ficar bom.

E lembre-se: é tudo questão de treino. Na hora da prova vai sair exatamente do jeito como você treinou!

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Capítulo 6

RASURAS

Em provas e concursos as rasuras devem ser evitadas ao máximo. Quase sempre uma prova muito rasurada é sinal de desleixo ou hesitação excessiva. É meio caminho para a reprovação.

Alguns editais vedam o uso de corretivos (procure se informar sobre isso para a sua prova).

Se o edital proibir o uso de corretivo, e não tiver outro jeito, coloque a palavra ou frase errada entre parênteses e passe um traço à régua sobre ela. Essa é a maneira correta e segura de fazer correções.

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Capítulo 7

DÁ PARA FAZER RASCUNHO?

Não acho conveniente fazer rascunho da peça inteira. Nada contra o rascunho (dizem que nem Machado de Assis escrevia sem rascunho), mas ele toma um tempo precioso na hora da prova. Tempo que poderá fazer falta. Por isso, treine fazer peças sem rascunho.

Porém, evitar o rascunho não significa que você deva sair escrevendo direto na folha definitiva. Calma. O ideal é usar a parte do caderno de provas destinada ao rascunho (toda prova tem) para elaborar um esquema ou roteiro das partes essenciais da peça. Não precisa esquematizar a peça inteira (a qualificação e a narrativa dos fatos, por exemplo, é desnecessário), mas pelo menos do raciocínio jurídico e dos pedidos.

Faça um roteiro indicando a ideia central de cada parágrafo no item do direito (raciocínio) e liste os pedidos a serem formulados. Isso dará maior segurança a você e diminuirá as chances de esquecer algo importante.

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Capítulo 8

LINGUAGEM ADEQUADA

Sempre digo que textos jurídicos não são textos jornalísticos. A forma direta e “descolada” empregada pela grande imprensa nem sempre combina com o que se espera de uma peça forense. É preciso não perder de vista que sua prova será corrigida por alguém da área jurídica, pessoa que pensa e escreve como advogado. E advogado escreve de uma maneira peculiar e apropriada ao formalismo dos ambientes jurídicos.

É por essa razão que a sua peça não pode ter gírias ou expressões excessivamente coloquiais, como “poxa”, “ninguém merece”, “saco cheio”, “não é brinquedo”, “estou bolado”, “cara” etc.

Tampouco, deve-se cometer o erro inverso. Encher a peça de expressões latinas e termos rebuscados.

Adote como medida a forma de redação dos livros jurídicos que você usa para estudar. A forma de linguagem empregada nas obras sobre direito tributário é aquela que a banca examinadora espera encontrar nas peças.

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Capítulo 9

ERROS DE LÍNGUA PORTUGUESA

A correção gramatical sempre constitui um dos critérios para atribuição de notas em provas prático-profissionais. Erros de acentuação, concordância, regência, pontuação e grafia acabam diminuindo a nota do candidato, descontando pontos preciosos e decisivos para a aprovação.

Porém, é muito difícil, no curto espaço de tempo para a preparação de uma prova, eliminar totalmente as dificuldades de um aluno com a língua portuguesa. Expressar-se bem e corretamente não é algo que possa ser ensinado da noite para o dia.

É possível, entretanto, reduzir significativamente os erros de português adotando as seguintes medidas: 1) adquira e passe a usar constantemente um bom dicionário de bolso e uma gramática; 2) peça para alguém (professor, chefe no escritório, jornalista, escritor, amigo fanático por leitura ou aquela tia que deu aulas de português) analisar suas peças e apontar erros gramaticais. Faça uma lista com os erros já cometidos. Antes de começar uma peça, releia essa lista e não se permita errar duas vezes a mesma coisa. Essa prática irá diminuir muito as falhas de redação;

3) leia os livros de doutrina buscando sublinhar palavras, frases e parágrafos interessantes e bem escritos. Copie esses termos e períodos em um caderno e use como modelo para seus textos. Crie, assim, um repertório de fórmulas redacionais úteis na elaboração da peça;

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reescreva. Faça isso tantas vezes quantas achar necessário até que o texto adquira uma qualidade aceitável.

Se mesmo adotando as medidas sugeridas não houver melhora, faça as peças usando os livros de doutrina como “muleta”. Ao fazer peças durante o treinamento, redija cada parágrafo do item “Do Direito” usando como roteiro a sequência de ideias e o repertório de palavras utilizadas pelo doutrinador. Escreva devagar e releia cada trecho redigido. Isso vai ajudar.

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Capítulo 10

EXPRESSÕES EM OUTRO IDIOMA

Expressões em outro idioma, como por exemplo termos latinos, devem ser usadas com moderação e SEMPRE ENTRE ASPAS.

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Capítulo 11

NÓS, QUEM?

A peça processual é um texto em terceira pessoa do singular. Nela, o advogado conta ao juiz a história do cliente. Então, não existe espaço para expressões em primeira pessoa do plural (somos, sabemos, nosso ordenamento, vejamos). Troque tais expressões pelos respectivos equivalentes em terceira pessoa do singular (é, sabe-se, o ordenamento, veja-se). A língua portuguesa agradece. E sua nota também.

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Capítulo 12

ELABORANDO OS TÍTULOS DA PEÇA

Não existem regras fixas para elaboração de títulos na peça (I – Dos fatos, II – Do direito). Há vários estilos aceitáveis.

Sugiro apenas atenção para os seguintes detalhes:

1) procure pular uma linha antes e outra depois de cada título; 2) numere os títulos;

3) nunca deixe um título sozinho no final da página. Se não couber pelo menos uma linha de texto abaixo do título, comece o tópico na página seguinte;

4) devido à dificuldade de centralização, inicie o título no começo da linha (sem recuo); 5) o padrão utilizado no primeiro título vincula os demais. Exemplo: se você fez o título “I – DOS FATOS” com letras maiúsculas, numerando com algarismo romano e sem sublinhar, use o mesmo padrão em todos os títulos da peça.

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Capítulo 13

O QUE É EPÍGRAFE?

Epígrafe é a indicação entre o endereçamento e a qualificação do número dos autos em que a peça será encartada. Ex.: Autos do Processo Número 345/2016.

A indicação de epígrafe é obrigatória para peças de processos já em andamento. Ao contrário, a epígrafe não existe nos casos em que a própria petição inaugura o feito (petições iniciais não têm epígrafe).

Nos modelos constantes desta obra há indicação das peças que exigem acréscimo de epígrafe.

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Capítulo 14

QUALIFICAÇÃO DAS PARTES

Após pular cinco linhas do endereçamento começa o parágrafo de abertura da peça, em que são indicadas as informações de qualificação das partes.

Peças que inauguram o processo (Iniciais) devem ter a qualificação completa. Peças que ingressam nos autos com o processo já em andamento podem ter qualificação simplificada (porque os dados das partes já foram apontados).

Porém, para o Exame de Ordem convencionou-se fazer qualificação completa em praticamente todas as peças.

Lembre-se de nunca acrescentar dados ao enunciado. Todas as informações de qualificação indicadas no texto da questão devem ser copiadas na hora de qualificar. Dados ausentes do enunciado precisam ser substituídos pelo nome da informação seguido de três pontos. Ex.: João da Silva, nacionalidade ..., estado civil ...

QUALIFICAÇÃO SIMPLIFICADA DE PESSOA JURÍDICA

Nome da empresa ..., já qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, por seu advogado, procuração anexa, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento nos artigos ..., propor ...

QUALIFICAÇÃO SIMPLIFICADA DE PESSOA FÍSICA

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procuração anexa, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento nos artigos ..., propor ...

QUALIFICAÇÃO COMPLETA DE PESSOA JURÍDICA

Nome da empresa ..., inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob o número ..., com sede e domicílio no endereço ..., vem, por seu advogado, procuração anexa, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento nos artigos ..., propor ...

QUALIFICAÇÃO COMPLETA DE PESSOA FÍSICA

Nome ..., nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ..., portador da Cédula de Identidade Registro Geral número ..., inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas sob o número ..., residente e domiciliado no endereço ..., vem, por seu advogado, procuração anexa, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento nos artigos ..., propor ...

ORDEM DOS DADOS DE QUALIFICAÇÃO

A legislação processual brasileira não exige a adoção de uma ordem específica para os dados de qualificação, desde que sempre comece pelo nome da parte.

FUNDAMENTO DA PEÇA

Em provas e concursos é obrigatório indicar, antes do nome da peça, qual o fundamento legal e/ou constitucional de sua utilização. Exemplo: ... vem, com fundamento no art. 5º, LXIX, da Constituição Federal, impetrar Mandado de Segurança ... O fundamento de cada peça do processo tributário está indicado nos fichamentos contidos nos capítulos seguintes.

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Cada peça possui um verbo apropriado e insubstituível para fazer referência à sua utilização. Mandado de Segurança: impetrar Declaratória, Anulatória e Rescisória: propor Recursos: interpor Embargos: opor Contestação e respostas recursais: apresentar ou oferecer Cautelar: requerer

NOME DA PEÇA

Após a qualificação do cliente, acrescente o nome da peça somente com as iniciais de cada palavra em maiúscula, exceto preposições (ex.: Mandado de Segurança).

Escreva o nome da peça sem negrito, itálico ou sublinhado, mantendo-o na mesma linha de texto das informações anteriores (não pule linha antes ou depois de colocar o nome).

Lembre, ainda, de acrescentar, se for o caso, “com pedido de medida liminar” ou “com pedido de tutela antecipada”.

“CONTRA” OU “EM FACE DE”

Ações judiciais não são propostas contra outra parte, mas em face dela (nunca use “contra”, exceto no Mandado de Segurança, pois este é impetrado contra ato coator).

DADOS DA OUTRA PARTE

O parágrafo de qualificação termina com a indicação do nome da outra parte, devendo-se tomar o cuidado de não alterar a nomenclatura que a Constituição Federal utiliza para referir-se às entidades federativas (use União/União Federal, Estado de ... ou Município de ...; nunca Fazenda ou Municipalidade).

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FINALIZAÇÃO PADRONIZADA

Sempre encerre o parágrafo de abertura utilizando a fórmula “com base nas razões de fato e de direito a seguir expostas:” ou expressão equivalente (lembre de terminar com dois-pontos, não com ponto-final).

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Capítulo 15

“DOS FATOS”

A narrativa dos fatos é uma parte da peça meramente formal e sem grande importância nas provas e concursos. Apenas copie o enunciado convertendo o nome das partes para a terminologia apropriada de cada peça (no MS, por exemplo, o contribuinte se torna “o Impetrante” e o Município, a “Autoridade Coatora”).

Se o enunciado for muito grande, a ponto de o item ocupar mais de meia página de sua peça, em vez de copiar resuma o texto.

O nome das duas partes deve ser grafado com iniciais maiúsculas durante toda a peça (Autor, Réu, Impetrante, Apelante, Apelado, Autoridade Coatora etc.).

Para economizar espaço, a narrativa dos fatos pode ser recortada (retire frases sem importância do enunciado).

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Capítulo 16

“DO DIREITO” (ESTRUTURA GERAL)

Sem sombra de dúvida, o item “Do Direito” é a parte mais importante da peça e decisiva para a aprovação.

Acostume-se a utilizar em todos os itens “Do Direito” a seguinte estrutura geral:

1) parágrafo de chamamento da norma que fundamenta a tese principal. Ex.: “Estabelece o art. 150, I, da Constituição Federal:”;

2) transcrição da norma (cópia da norma constitucional ou legal que fundamenta a pretensão);

3) bloco de parágrafos de raciocínio jurídico sobre a tese principal (“vide” capítulo específico sobre o tema);

4) parágrafo de chamamento de súmula (se houver). Ex.: “Ainda sobre isso, tem-se o seguinte entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal:”;

5) transcrição da súmula;

6) teses acessórias (“vide” capítulo próprio sobre o tema). Ex.: “Por outro giro, convém destacar que houve também violação à norma do art. 110 do Código Tributário Nacional”; 7) breve conclusão geral. Ex.: “Portanto, fica claro que a exigência do Fisco é indevida”.

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Capítulo 17

TRANSCREVENDO NORMAS

Após o parágrafo de chamamento, é conveniente transcrever a norma que fundamenta a tese principal.

Lembre-se:

1) copie a norma entre aspas observando um recuo no centro da folha (ou mais à esquerda se houver pouco espaço para a peça);

2) prefira normas constitucionais. Se não houver fundamento constitucional, use alguma norma extraída de lei;

3) não exagere no tamanho da transcrição. No máximo oito ou dez linhas. Se for preciso, recorte o texto da norma indicando com o símbolo (...) o local do recorte;

4) não transcreva mais de uma norma;

5) copie um fragmento de texto que dê sentido à norma. Pode ser necessário transcrever “caput”, parágrafo, inciso e alínea para dar sentido ao texto copiado. Em outros casos, basta copiar um inciso ou uma alínea.

IMPORTANTE: nem toda tese estará fundamentada em norma específica. Pode

ocorrer de não existir norma a ser transcrita. Nesse caso, o item “Do Direito” começa direto com o raciocínio jurídico.

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Capítulo 18

SÚMULA

As provas de prática tributária, como regra, admitem consulta somente a Vade-Mécuns que contêm súmulas de tribunais. Assim, entendimentos sumulados constituem o único tipo de jurisprudência que mencionaremos neste livro.

Após a transcrição doutrinária o ideal é acrescentar um entendimento jurisprudencial abonando o raciocínio da tese principal. Faça uma transcrição da súmula entre aspas. Havendo abundância de julgados, adote a seguinte ordem de preferência: 1º lugar: súmulas do STF; 2º lugar: súmulas do STJ; 3º lugar: súmulas de outros tribunais. E lembre-se: basta transcrever um entendimento jurisprudencial para cada tese.

(57)

Capítulo 19

NÃO ACHEI SÚMULA

A transcrição de entendimento jurisprudencial na prova não é elemento decisivo para a aprovação. Em muitas teses não há nem sequer manifestação dos tribunais sobre o tema.

Se você não encontrar súmula, relaxe. Isso não deve repercutir decisivamente no resultado da prova.

(58)

Capítulo 20

NÃO TENTE ENGANAR O EXAMINADOR!

O examinador não é bobo. Provas com excesso de transcrições normativas, citações doutrinárias intermináveis e julgados em demasia transmitem uma péssima impressão: a de que o candidato não tem o que dizer (enchendo linguiça!).

Use a seguinte medida: some todas as transcrições feitas na prova (cópias de norma + doutrina + jurisprudência). Esse número de linhas não pode superar a quantidade de linhas redigidas no item “Do Direito” pelo próprio candidato.

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Capítulo 21

SOBRE A FALTA DE ESPAÇO

Algumas provas recentes de concursos públicos e exames da OAB apresentam uma dificuldade adicional para os candidatos: a falta de espaço. Tem sido comum, infelizmente, provas organizadas pelo Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos) oferecerem somente duas ou três folhas para o aluno passar a peça a limpo.

Desse modo, convém informar-se com antecedência (pesquise na Internet) sobre qual tem sido o número de folhas disponíveis no seu concurso para elaboração da peça.

Não esqueça: a primeira providência a ser adotada no dia da prova é conferir a quantidade de espaço que o caderno de questões disponibiliza para passar a peça a limpo. Planeje sua peça em função desse espaço. No Exame Unificado da OAB atualmente são cinco laudas, com 30 linhas cada. Em casos crônicos (só duas folhas, por exemplo), adote as seguintes medidas: 1) pule apenas uma linha após o endereçamento; 2) reduza ou elimine o item “Dos Fatos”; 3) não pule linha entre títulos; 4) não pule linha entre parágrafos; 5) diminua a letra; 6) diminua o espaço entre as palavras; 7) reduza ou elimine os itens “Da Concessão da Medida Liminar” ou “Da Concessão da Tutela Antecipada”;

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8) não transcreva normas, doutrina e julgados;

Referências

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