Acromegalia: definição
Doença causada pelo excesso crônico de GH• Adultos: acromegalia
Regulação da liberação de GH
Fisiologia
GHRH Somatostatina GH IGF-1 Adipócitos Adipócitos Músculo Músculo Osso OssoEpidemiologia
Incidência: 3 casos/milhão por ano Prevalência: 60 casos/milhão Brasil: 570 novos casos por ano e 11400 pacientes Diagnóstico tardio: ~ 7-10 anos após o início estimados Diagnóstico tardio: ~ 7-10 anos após o início estimados dos sintomas Mortalidade: 50% maior que população geral• Hipertensão, diabetes, cardiomiopatia, apnéia do sono
• GH > 2,5 ng/ml
• RT prévia
Adenoma hipofisário (>90-99%) Excesso primário de GH
> 70% são macroadenomas ao diagnósticos
Tumor neuroendócrino produtor de GHRH
Patogênese
Tumor neuroendócrino produtor de GHRH (periférico) ou Tumor hipotalâmico
Hiperplasia hipofisária secundária
Tumor neuroendócrino extra-hipofisário produtor de GH (muito raros)
Adenoma hipofisário (>90-99%)
Excesso primário de GH
> 70% são macroadenomas ao diagnósticos
Tumor neuroendócrino produtor de GHRH
Patogênese
Tumor neuroendócrino produtor de GHRH (periférico) ou Tumor hipotalâmico
Hiperplasia hipofisária secundária
Tumor neuroendócrino extra-hipofisário produtor de GH (muito raros)
Adenoma hipofisário (>90-99%)
Excesso primário de GH
> 70% são macroadenomas ao diagnósticos
Tumor neuroendócrino produtor de GHRH
Patogênese
Tumor neuroendócrino produtor de GHRH (periférico) ou Tumor hipotalâmico
Hiperplasia hipofisária secundária
Tumor neuroendócrino extra-hipofisário produtor de GH (muito raro)
Quadro clínico
Aumento de extremidades - Pés, mãos, língua Protusão da mandíbula (prognatismo) Crescimento de órgãos internos (coração) Alteração de campo visual Fadiga CefaléiaQuadro clínico
Nariz proeminente Prognatismo proeminente Mal posicionamento da arcada dentáriaQuadro clínico
Aumento das cartilagens articulares e partes moles Aumento das cartilagens articulares e partes moles
Quadro clínico
Quadro clínico
Acne Acne Pele oleosa Pele oleosa Lábios salientes Lábios salientes Prognatismo PrognatismoQuadro clínico
Complicações sérias
Acidentes cardiovasculares: 50 % Falência respiratória: 14 % Doenças malignas: 19 % Outros insuficiencia cardíaca esquerda, diabetes, síndrome do tunel do carpo, infertilidade, osteoporose, alterações psicológicas. Cerca de 80% dos acromegálicos não tratados, morrem antes dos 60 anos por doenças cardiovascularesMiocardiopatia acromegálica: efeito do tratamento
Prevalência dos sintomas ao diagnóstico
Nem sempre o diagnóstico é evidente
Perfil de GH nas 24 horas
Diagnóstico
Características clínicas de acromegalia Normal para sexo e idade Elevada TOTG 75g / GH por 2h IGF-1 GH < 1 ng/ml em pelo menos 1 tempoGH ≥ 1 ng/ml em todos tempos Descartada acromegalia ativa RM hipófise Tumor hipofisário Acromegalia extra-hipofisária Melmed S, NEJM, 2006
Diagnóstico
TOTG com ensaios de GH ultra-sensíveis• Indivíduos normais: supressão de GH < 0,3 ng/ml
• Valor de corte de 1 ng/ml pode não diagnosticar 25% dos acromegálicos
• Este valor de corte precisa ser revisto
• Pacientes com IGF-1 elevada e nadir de GH ≥ 0,3 ng/ml poderiam ser
• Pacientes com IGF-1 elevada e nadir de GH ≥ 0,3 ng/ml poderiam ser submetidos a RM
Diagnóstico – Ressonância Magnética normal
Diagnóstico – Ressonância Magnética
Ao diagnóstico:• Mais de 75% ⇒ macroadenoma (>10 mm)
• Invasão seios cavernosos ou região supra-selar
Microadenomas são minoria
Tratamento
Tratamento
Adenoma Hipofisário Cura: 60% Micro: > 80% Cirurgia transesfenoidal Micro: > 80% Macro: < 50%Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Tratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Cirurgia transesfenoidal Doença persistenteSSA - 1a linha terapêutica:
•Tumores sem possibilidade de ressecção cirúrgica
completa e sem ameaçar estruturas nobres
•Recusa do paciente
•Melhora clínica antes da cirurgia
•Neoadjuvante
Micro: > 80%
Macro: < 50%
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Tratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Resposta inadequada ou intolerância Doença persistente Cirurgia transesfenoidalSSA - 1a linha terapêutica:
•Tumores sem possibilidade de ressecção cirúrgica
completa e sem ameaçar estruturas nobres
•Recusa do paciente
•Melhora clínica antes da cirurgia
•Neoadjuvante
Micro: > 80%
Macro: < 50% Associação medicamentosa:
• Agonista dopaminérgico (Cabergolina) •Antagonista recep GH
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Tratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Resposta inadequada ou intolerância Doença persistente Cirurgia transesfenoidalSSA - 1a linha terapêutica:
•Tumores sem possibilidade de ressecção cirúrgica
completa e sem ameaçar estruturas nobres
•Recusa do paciente
•Melhora clínica antes da cirurgia
•Neoadjuvante
Micro: > 80%
Macro: < 50% Associação medicamentosa:
• Agonista dopaminérgico (Cabergolina) •Antagonista recep GH
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006
Resposta inadequada ou intolerância
Cirurgia de debulking
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Tratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Resposta inadequada ou intolerância Doença persistente Cirurgia transesfenoidalSSA - 1a linha terapêutica:
•Tumores sem possibilidade de ressecção cirúrgica
completa e sem ameaçar estruturas nobres
•Recusa do paciente
•Melhora clínica antes da cirurgia
•Neoadjuvante
Micro: > 80%
Macro: < 50% Associação medicamentosa:
• Agonista dopaminérgico (Cabergolina) •Antagonista recep GH
Radioterapia
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006
Resposta inadequada ou intolerância Panhipopituitarismo >50%
Demora início efeito Aumento dos acidentes vasculares Amaurose
Cirurgia de debulking
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Critérios de cura
Teste Critério
GH isolado ou GH médio < 2,5 ng / mL
GH mínimo no TOTG < 1 ng / mL
GH mínimo no TOTG < 1 ng / mL
IGF-I corrigido para sexo e idade normal
Giustina et al, 2000. Consensus. JCEM; 85:526-529. Giustina et al, 2000. Consensus. JCEM; 85:526-529.
Cirurgia
Indicação:• Microadenomas
• Descompressão de estruturas nobres (trato óptico)
Melhores resultados: • Tumores < 1 cm • Tumores < 1 cm • GH < 40 ng/ml Taxa de recorrência: 10% Melmed S, NEJM, 2006Tratamento medicamentoso
Análogos da somatostatina (SSA) e Agonistas dopaminérgicos (AD)
An
Análogos da somatostatinaálogos da somatostatina Agonistas dopaminérgicos Agonistas dopaminérgicos
Análogos da Somatostatina (SSA)
Pode ser indicado como 1a opção de tratamento:• Tumores sem possibilidade de ressecção cirúrgica completa (invasão seio cavernoso) e sem ameaçar estruturas nobres
• Recusa do paciente
• Melhora clínica antes da cirurgia:
• Melhora clínica antes da cirurgia:
- Obstrução de vias aéreas - Intolerância à glicose grave - Hipertensão
- Insuficiência cardíaca
Análogos da somatostatina (SSA)
Análogos da somatostatina (SSA)
sst 1 sst2 sst3 sst4 sst5
Somatostatin-14 0.93 0.15 0.56 1.4 0.29 Octreotide 280 0.380.38 7.17.1 >1000 6.36.3 Perfil de ligação aos subtipos de receptores de somatostatina
Lanreotide 180 0.540.54 14.0 230 17.0 Pasireotide
(SOM230)
9.3
9.3 1.01.0 1.51.5 >100 0.160.16
Análogos da somatostatina (SSA)
Redução tumoral: > 20% do volume em 50% dos pacientes
• >25% em 75,5%
• >50% em 44,4% (de 99 pacientes após 12 meses)*
Normalizam IGF-1 em 2/3 dos casos (~70%)
Bula!
Normalizam IGF-1 em 2/3 dos casos (~70%)
GH < 2,5 ng/ml: 80% dos pacientes acompanhados por ~ 9 anos
Neggers JCEM 2007 Melmed NEJM 2006
Análogos da somatostatina (SSA)
Análogos da somatostatina (SSA)
Formulações efetivas: • Octreotida LAR: 10mg, 20mg ou 30 mg • Lanreotide autogel: 60mg, 90mg ou 120mg Eficácia (GH < 2.5 ng/mL) – Metanálise: Eficácia (GH < 2.5 ng/mL) – Metanálise: • Octreotide LAR: 57% • Lanreotide SR: 48%Análogos de somatostatina – Efeitos colaterais
Agudos: • Náusea • Diarréia • Cólicas • Esteatorréia Crônicos: • Calculose biliar (50%) • Colecistite aguda (<1%) • Hipotireoidismo • Flatulência • Hiperglicemia • Hipoglicemia (insulinomas)Antagonistas dopaminérgicos (AD)
Cabergolina em altas doses Normalização IGF-1: 34–43% Melhores resultados em associação com SSA, em tumores co-secretores de PRL (?)co-secretores de PRL (?)
Associação medicamentosa SSA + AD: melhora a resposta terapêutica em 56% dos pacientes resistentes aotratamento com Octreotida.
Mattar P, Martins MRA, Abucham J. Submetido ao Clinical Endocrinology 2010 Normalização em 37% dos pacientes
Tratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Cirurgia transesfenoidal Doença persistente Controle Controle: ~ 60: ~ 60--70% 70% Associação Micro: > 80% Macro: < 50%Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006
Controle Controle: ~ 60: ~ 60--70% 70% Associação medicamentosa: • Agonista dopaminérgico (Cabergolina) • Antagonista recep GH • Cirurgia de debulking
Antagonista receptor GH
Antagonista receptor GH Antagonista receptor GH
Tratamento medicamentoso – Antagonista recep GH
Tratamento medicamentoso – Antagonista recep GH
Antagonista do receptor de GH (Pegvisomant)
Injeções diárias (SC profundas)
Normalização da IGF-1: > 90%
GH: > 76% dos níveis pré-tratamento
Melhora do metabolismo de glicose
Não capaz de prevenir crescimento tumoral:
Não capaz de prevenir crescimento tumoral:
• RM a cada 6 meses (detectar manutenção do crescimento tumoral)
enzimas hepáticas:
• Controle mensal no 6 primeiros meses; semestral após
Indicações:
• Resistência ou intolerância aos análogos de somatostatina
• Pacientes sem sintomas compressivos
• Pacientes com diabetes de difícil controle
Pegvisomant & Crescimento tumoral
Frohman ET AL. Pituitary (2007) 10:283–289 Não redução tumoral
Controvérsia: tumoral? GH?
Pegvisomant & Crescimento tumoral
Teoria:• IGF-1 ⇒ remoção de efeito inibitório no crescimento tumoral
Tumor
Frohman - Pituitary (2007) 10:283–289
GH
Pegvisomant & Crescimento tumoral
Teoria:• IGF-1 ⇒ remoção de efeito inibitório no crescimento tumoral
Tumor Frohman - Pituitary (2007) 10:283–289 GH IGF-1 2x IGF-1
Pegvisomant & Crescimento tumoral
2 / 16 (12,5%) pacientes ⇒ crescimento tumoral, necessitando intervenção1 2 / 131 (1,5%) pacientes ⇒ crescimento tumoral2 Outros relatos de crescimento tumoral isolados31) Colao, Eur J Endocrin, 2006 2) Van der Lely, Lancet, 2001 3) Frohman, Pituitary, 2007
Associação Octreotida + Pegvisomant
Eficácia
Associação Octreotida + Pegvisomant
Controle Metabólico
10 pacientes com DM em uso de insulina• Melhora nos níveis de HbA1c em 9
3 Manutenção dose Manutenção dose Neggers, JCEM 2007 92(12):4598–4601 6 1 3 Redução dose Redução dose Suspensão Insulina Suspensão Insulina (medicação oral) (medicação oral) Manutenção dose Manutenção dose
Principais problemas com Pegvisomant
Injeções diárias (no caso da associação com SSA, 1 a 2x/semana) Não capaz de prevenir crescimento tumoral Não indicado em macroadenoma e risco de compressão do quiasma ópticodo quiasma óptico
Doses altas podem levar a deficiência de IGF-1 (quadro semelhante a DGH) Necessidade de controle freqüente das enzimas hepáticas Experiência clínica limitadaNeggers JCEM 2007 / Melmed NEJM 2006 / Frohman Pituitary 2007 / Lindberg-Larsen JCEM 2007
Associação Octreotida + Pegvisomant
Normalização dos níveis de IGF-1 Melhora do controle metabólico Associação com SSA:• Melhora níveis de IGF-1
• Melhora metabolismo glicêmico
• Doses mais baixas de Peg-V ⇒ custo menor
Tratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Associação Medicamentosa Doença persistente Cirurgia transesfenoidal Micro: > 80% Macro: < 50% OCT + CAB Controle 85%Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006
Resposta inadequada ou intolerância
Cirurgia de debulking
Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Ben-Shlomo A & Melmed S. Endocrinol Metab Clin North Am 2008;37(1):101–22, viii
OCT + PegV
Associação Octreotida + Cirurgia de debulking
Pacientes resistentes aos análogos da somatostatina: 82% pacientes normalizaram IGF-I após debulkingTratamento
Adenoma Hipofisário Análogo da Somatostatina Cura: 60% Micro: > 80% Associação Doença persistente Resposta inadequada Cirurgia transesfenoidal Micro: > 80% Macro: < 50% Associação Medicamentosa Resposta inadequada ou intolerância Cirurgia de debulking Controle 94%Adaptado de Melmed S, NEJM, 2006;
Ben-Shlomo A & Melmed S. Endocrinol Metab Clin North Am 2008;37(1):101–22, viii Jallad et al (Clin Endocrinol, 2007)
Radioterapia
Indicação:• Recorrência ou persistência após cirurgia +
• Resistência ou intolerância medicamentosa
Radiocirurgia estereotáxica – gamma knife• Radiação direcionada a um alvo pequeno
• Radiação direcionada a um alvo pequeno
• Dose única
• Menor lesão dos tecidos adjacentes
Redução lenta de IGF-1 Máximo controle do GH pode levar mais de 15 anosRadioterapia - complicações
Cegueira Hipopituitarismo: > 50% (após 10 anos)Tratamento
Cirurgia RT SSA Antagonist recep GH
Agonista dopamina
Tipo / dose Trans-esfenoidal Convencional / Radiocirurg Octreod LAR:10-40mg/m IM Lanreotide gel:60-120mg/m SC Pegvisomant: 10-40mg/d SC Cabergolina:1 -4mg/sem VO Melmed S, NEJM, 2006 120mg/m SC GH<2,5ng/ml Macro:<50% Micro:>80% ~35% em 10a ~70% <15%
IGF-1 normal Macro:<50% Micro:>80%
< 30% ~70% > 90% < 15%
Início de resp Rápido Lento (anos) Rápido Rápido Lento (sem.)
Aderência 1 consentim/o Boa Precisa ser incentivado
Precisa ser incentivado
Boa
Massa tumor Excisão total ou parcial Ablação ou desaparecim/ ~50% Não sabido (relato de ) Não altera
Tratamento - desvantagens
Cirurgia RT SSA Antagonist recep GH Agonista dopamina Hipopituitaris mo ~10% > 50% ∅ IGF-1 muito baixa se tratamento excessivo ∅ Outros problemas Persistência ou recorrência tumoral:6% D.Insipidus: 3% Complicações locais: 5% Lesão neurônios locais Segundo tu cerebral Distúrbios visuais e SNC:2% risco cerebrovascular Litíase vesicular Náusea Vômito enzimas hepáticas Náusea:30% Sinusite Necessidade de altas doses Melmed S, NEJM, 2006
Novos medicamentos
Pasireotida (SOM230):• Ligante de receptor de somatostatina
• Em estudo
• Suprime níveis de GH em pacientes com resistência a Octreotida
Moléculas quiméricas que reconhecem receptores de Moléculas quiméricas que reconhecem receptores de dopamina e de somatostatina• Em estudos
• Potente ação supressora de GH
Somatostatin
Somatostatin
Octreotide
Octreotide
Pasireotide
Pasireotide
Binding of somatostatin & its analogues to
the five known receptor subtypes
sst
1sst
2sst
3sst
4sst
5sst
1sst
2sst
3sst
4sst
5sst
1sst
2sst
3sst
4sst
5Conclusões
A acromegalia é uma doença rara, porém é sub-diagnosticada e aumenta a mortalidade A maioria dos pacientes é tratada inicialmente comcirurgia, porém o tratamento medicamentoso pode ser indicado em parte desses pacientes
Obrigado!
Manoel Martins Manoel Martins