Autores
Helen Fernanda Barbosa Batista
Enfermeira, pós-graduada em Docência do Nível Superior e Profissional, em Gestão e Orientação Educacional e em Ensino em Saúde (em andamento). Professora no Centro de Educação Profissionalizante em Saúde – SEEDF. Tutora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília.
Ana Cláudia Pinheiro
Professora do Ensino Superior desde 2001. Coordenadora de Cursos de Graduação e Pós-Graduação. Professora nas áreas de Administração, Publicidade, Propaganda e Marketing e Gestão Pública. Participou do Grupo de Estudos sobre Formação em Saúde do Departamento de Saúde Coletiva, no período de junho/2013 a junho/2014, com o Professor Mourad Ibrahim Belaciano.
Espedito Mangueira de Lima
Professor do Ensino Superior, mestre em Educação, especialista em Saúde Coletiva, jornalista e consultor atuante por vinte anos no Ministério da Saúde, pelo PNUD, pela UNESCO e pelo Conselho Nacional de Saúde. Atuou no PACS e na Educação em Saúde.
Design Instrucional
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Revisão
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Editoração Eletrônica
Nathália Nunes
Projeto Gráfico
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Capa
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Ilustração
Bruno Lima
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Batista, Helen Fernanda Barbosa; Pinheiro, Ana Cláudia. Lima,
Espe-dito Mangueira de.
Família e direitos da criança / Helen Fernanda Barbosa Batista; Ana
Cláudia Pinheiro; Espedito Mangueira de Lima. – 1. ed. – Brasília: NT
Editora, 2015.
100 p. il. ; 21,0 X 29,7 cm.
ISBN 978-85-8416-268-0
LEGENDA
ÍCONES
Prezado(a) aluno(a),
Ao longo dos seus estudos, você encontrará alguns ícones na coluna lateral do material
didático. A presença desses ícones o ajudará a compreender melhor o conteúdo
abor-dado e a fazer os exercícios propostos. Conheça os ícones logo abaixo:
Saiba mais
Esse ícone apontará para informações complementares sobre o assunto que
você está estudando. Serão curiosidades, temas afins ou exemplos do
cotidi-ano que o ajudarão a fixar o conteúdo estudado.
Importante
O conteúdo indicado com esse ícone tem bastante importância para seus
es-tudos. Leia com atenção e, tendo dúvida, pergunte ao seu tutor.
Dicas
Esse ícone apresenta dicas de estudo.
Exercícios
Toda vez que você vir o ícone de exercícios, responda às questões propostas.
Exercícios
Ao final das lições, você deverá responder aos exercícios no seu livro.
Sumário
1 A CRIANÇA E A FAMÍLIA ���������������������������������������������������������������������������������� 7
1.1 A família ...7
1.2 Os vínculos ... 16
1.3 A função parental ... 19
1.4 Dificuldades ... 22
1.5 Formação de redes de apoio ...24
2 CARACTERÍSTICAS E NECESSIDADES DA CRIANÇA ����������������������������������� 30
2.1 Entendendo a criança ... 30
2.2 A criança com saúde ... 32
2.3 As características do desenvolvimento ... 33
2.4 Os aspectos psicológicos da saúde infantil ... 40
2.5 Os fatores sociais ... 42
3 OS DIREITOS DA CRIANÇA: O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ���� 51
3.1 Disposições preliminares ... 51
3.2 Direitos fundamentais ... 54
3.3 Direito à vida e à saúde ... 58
3.4 Direito à convivência familiar ...60
4 A CADERNETA DE SAÚDE DA CRIANÇA ������������������������������������������������������� 70
4.1 Importância do cartão ... 70
4.2 O crescimento ... 74
4.3 O desenvolvimento ... 80
4.4 Esquema vacinal ... 83
GLOSSÁRIO �������������������������������������������������������������������������������������������������������� 93
BIBLIOGRAFIA ��������������������������������������������������������������������������������������������������� 96
APRESENTAÇÃO
oibida. C op yr igh t © NT E dit or a. Todos os dir eit os r eser vados . Caro(a) aluno(a),Seja bem-vindo(a) aos estudos de Família e direitos da criança.
Ao longo das lições, vamos trabalhar a atenção à saúde de um grupo populacional que possui características específicas e está em fase de crescimento e desenvolvimento: as crianças.
Esperamos impressioná-lo com todos os detalhes e as curiosidades do acompanhamento à saú-de das crianças e construir uma concepção ampliada saú-desse atendimento, visando a superar a visão fragmentada que as considera apenas um ser humano em tamanho reduzido.
Nossa lição sobre prevenção de doenças e promoção da saúde da criança durante o crescimen-to e o desenvolvimencrescimen-to visa à compreensão da importância do acolhimencrescimen-to, da responsabilização e da formação de vínculo do agente comunitário de saúde (ACS). São considerados, nesse entendi-mento, os contextos social, político, cultural e econômico, articulados com os principais programas de saúde, para atuar na educação em saúde e no acompanhamento desse grupo e de sua família na atenção básica.
Não perca tempo! Aproveite a oportunidade para construir seus conhecimentos sobre a saúde da criança.
Bons estudos!
Helen Fernanda Barbosa Batista Ana Cláudia Pinheiro
t © NT E dit or a. Todos os dir eit os r eser vados .
oibida. C op yr igh t © NT E dit or a. Todos os dir eit os r eser vados .
1 A CRIANÇA E A FAMÍLIA
No decorrer de todo nosso estudo, falaremos muito sobre os cuidados, pela família ou pelos responsáveis, com a criança durante sua fase de desenvolvimento e sobre as leis que acolhem crian-ças e adolescentes. No entanto, para esta primeira lição, esperemos que você entenda a influência da família e das redes de apoio no crescimento e no desenvolvimento saudável das crianças.
Objetivos
Ao finalizar esta lição, você deverá ser capaz de:
• compreender a influência da organização e da dinâmica familiar no crescimento e no desen-volvimento da criança;
• compreender a importância dos vínculos e a função parental no crescimento e no desenvol-vimento da criança;
• conhecer a importância das redes de apoio para o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança.
1.1 A família
A família é uma realidade da sociedade e constitui a base do Estado. Ela é considerada um núcleo de organização social e tra-ta-se de uma instituição necessária para o desenvolvimen-to da coletividade.
Ao longo da história da humanidade, os modelos de organização familiar sempre estiveram presentes na estrutura social. Contudo, a família vem se mantendo como uma instituição que sofreu adaptações e mudan-ças impostas pela sociedade.
Existem diferentes definições para o conceito de família, de acordo com as concepções teóricas e filosóficas.
Saiba mais
Inicialmente, o termo família era utilizado para o conjunto de empregados de um senhor. Poste-riormente, passou a denominar um grupo de indivíduos que convivem em uma casa, unidos ou não por laços de sangue e submetidos à autoridade de um chefe comum.
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Pela legislação, a família era constituída, primeiramente, somente pelo casamento, com o mo-delo patriarcal e hierarquizado, ao passo que o enfoque moderno tem apontado novos elementos que compõem as relações familiares, destacando os vínculos afetivos que norteiam a sua formação.
A família pode ser compreendida, ainda, nas perspectivas esquematizadas a seguir.
Dessa forma, você pode perceber que, devido às mudanças sociais e de acordo com o período histórico, ocorrem modificações na família nuclear. Atualmente, existe o reconhecimento da família que possui relações não convencionais, é o caso da união estável, da família monoparental e da união ho-moafetiva.
Importante
O Estado brasileiro reconhece o direito das famílias de constituírem os arranjos familiares de diversas maneiras, e não somente pelo casamento.
De acordo com Chapadeiro (2011), a família pode ser considerada um complexo sistema de organização que possui crenças, valores e hábitos ligados diretamente às transformações ocorridas na sociedade que afetam os seus membros e fazem com que eles se modifiquem. Essa organização tem a finalidade de assegurar a continuidade e o crescimento psicossocial dos seus membros, ou seja, procura uma adaptação possível para a sua sobrevivência.
Compreendemos que os arranjos familiares modificaram-se ao longo dos anos, mas quais são as estruturas familiares existentes?
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Família nuclear, conjugal ou elementar:
é constituída por pai, mãe e filhos nascidos
dessa união, habitando o mesmo espaço.
Família monoparental:
ocorre quando
apenas um dos pais é responsável por
cui-dar dos filhos, por razão de divórcio,
aban-dono ou morte.
Famílias homoafetivas:
é reconhecida
pelo Estado como uma entidade familiar
constituída pela união entre indivíduos do
mesmo sexo.
Família combinada ou reconstruída:
é
formada por uma nova união conjugal,
com ou sem descendentes de relações
anteriores, de um ou dos dois cônjuges.
Família extensa:
aquela
que se estende para além
dos pais e dos filhos, sendo
formada pela rede familiar
com ligação entre
con-sanguíneos e
descenden-tes(parentes próximos),
que convivem e mantêm
vínculos de afinidade e
afe-tividade.
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Familiarizando o conhecimento
Enumere as opções de acordo com as afirmações.
1 – Formada por indivíduos além dos pais e dos filhos, ligados por laços consanguíneos e que convivem e mantêm vínculos de afetividade.
2 – Composta por pai, mãe e filhos resultantes dessa união que convivem em um mesmo espaço.
3 – Constituída por uma nova união conjugal, com ou sem descendentes de relações an-teriores.
4 – É formada por razão de divórcio, abandono ou morte, e um dos pais convive e é respon-sável pelo cuidado do filho.
( ) Família recombinada. ( ) Família nuclear. ( ) Família monoparental. ( ) Família extensa.
Comentário: a sequência correta é 3, 2, 4 e 1. Parabéns se você acertou! Você exercitou os
conhecimentos adquiridos sobre a estrutura familiar.
Apesar dessas conceituações, é necessário ob-servar que a família é uma instituição social e, por isso, é historicamente produzida, variando
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A família como uma instituição social varia sua estrutura de acordo com os determinantes so-ciais, econômicos, geográficos, culturais, políticos ou ideológicos e o período histórico. Entretanto, mesmo diante dessas variantes, ela possui funções comuns. Vamos conhecê-las?
• Sexual: a união conjugal também tem como objetivo atender às necessidades sexuais,
líci-tas, que busca estabelecer um pai considerado legal, pelas leis, para os filhos.
• Reprodutiva: continuidade da família e da sociedade a partir dos descendentes, quando é
desejo do casal ter filhos.
• Econômica: garantia do sustento e da proteção dos filhos, por meio da participação, da
divisão e da organização do trabalho dos pais.
• Socializadora: transmissão de um conjunto de costumes, valores, hábitos e regras para os
filhos visando à formação de indivíduos para o convívio social. É uma função reconhecida internacionalmente como papel fundamental da família.
Nesse contexto vamos compreender a importância da família para a criança?
Os indivíduos são produtos de suas heranças genéticas e aprendizado ao longo da vida. Eles en-contram-se sob a influência de padrões da sua família, como nível de escolaridade, ideologias, saúde física e mental, costumes, hábitos, características culturais, valores, vícios, entre outros fatores.
Dessa forma, a família, como primeira instituição social com a qual as pessoas têm contato, é fundamental para o processo de socialização dos indivíduos, por meio da transmissão dos modos de agir, pensar e sentir próprios da sociedade em que convivem. Ela é considerada um espaço para o exercício da cidadania, que possibilita o desenvolvimento individual e coletivo de seus membros.
Enquanto instrumento de socialização, ela tem um papel fundamental na compreensão do de-senvolvimento humano (iniciado na infância), que, por sua vez, é um processo de constante transfor-mação que sofre interferência de fatores do próprio indivíduo e do contexto em que está inserido.
Conforme discutimos, você pode notar que a família assume duas importantes funções como instituição educadora das crianças:
t © NT E dit or a. Todos os dir eit os r eser vados . Importante
A função socializadora tem como objetivo a transmissão da herança sociocultural, ou seja, for-necer aos indivíduos, em seus primeiros anos de vida, elementos como língua, usos e costumes, valores e crenças, construindo nas crianças e no jovens os comportamentos legítimos e neces-sários para o ingresso na sociedade.
Na identificação social, proporciona aos indivíduos a conquista de determinada posição social, na medida em que a família também é um produto da organização de múltiplas identidades sociais (étnicas, religiosas, classes sociais, educacionais e outras).
Considerando a importância que a família desenvolve na formação psicossocial da criança, o Estado possui uma ampla legislação de proteção destinada a esse grupo social.
Segundo Silva (2010), é na família que a pessoa recebe as primeiras orientações para a vida coletiva e é nesse organismo que os atos de solidariedade e de ajuda mútua acontecem mais recorrentemente.
Assim, em nossa sociedade, a família é um espaço ideal para o desenvolvimento físico, mental e social das crianças e dos adolescentes. E a comunidade e o Estado são corresponsáveis por legitimar esse processo e contribuir para o seu andamento, principalmente no fortalecimento das competên-cias familiares para cuidar adequadamente de seus filhos.
Toda criança necessita de cuidados desde a sua concepção. A gestação é um período de diver-sas expectativas para a mulher e toda a família, que se prepara e se reorganiza para receber um novo membro. Quando o bebê nasce, ele não encontra um contexto vazio, mas sim um ambiente familiar com uma dinâmica e funcionamento próprios, muitas dúvidas, preocupações, metas, crenças e costu-mes que influenciam na formação desse sujeito em desenvolvimento.
Dica
Durante as visitas domiciliares, o agente comunitário deve estar atento às relações que os mem-bros familiares estabelecem com a criança e à maneira como se dispõem para cuidar dela e atender às suas necessidades para o crescimento e o desenvolvimento saudável. Além disso, ele deve orientar sobre a importância da formação de vínculos e fortalecimento da parentalidade.
E qual a importância de tudo isso para o agente comunitário de saúde?
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A família representa um referencial na vida das crianças, pois existe uma tendência a repetir suas histórias de vida. Os pais e os cuidadores responsáveis são modelos de comportamento para a criança e os adolescentes. Por isso, é fundamental que o profissional de saúde, em contato com a famí-lia, reconheça sua estrutura, sua organização, os papéis desempenhados por cada membro e a relação estabelecida entre eles, a fim de identificar situações de vulnerabilidade, assim como potencialidades para o desenvolvimento dos indivíduos envolvidos.
Saiba mais
No link https://www.youtube.com/watch?v=rXdEgP012ig, você pode assistir ao documentário “Família é”, que apresenta o depoimento de crianças sobre sua percepção do que compõe a estrutura familiar.
O foco do cuidado às crianças tem sido modificado ao longo dos anos para o cuidado centrado nas necessidades da criança e avançado para a inclusão da família, reconhecendo o seu papel no cres-cimento e no desenvolvimento saudável.
É necessário reconhecer a família como uma constante na vida da criança, de maneira que o agente comunitário, durante o acompanhamento da população do território, apoie, encoraje, respeite e potencialize as competências da família, considerando que ela é a primeira responsável pelos cuida-dos da saúde de seus membros.
Importante
A criança é um ser cujas condições físicas, mental e social geralmente estão diretamente relacio-nadas às características da família e à comunidade com a qual convive.
Estudo de caso!
Pedrinho não anda bem na escola
Durante a reunião escolar de Pedrinho, de sete anos, a professo-ra alertou à mãe que a criança estava apresentando dificuldades para interagir com os demais estudantes, não perguntava suas dú-vidas durante a aula e, nos últimos dias, estava com condições de higiene corporal insatisfatórias.
A mãe explicou que estava se divorciando e havia começado a trabalhar fora e que, por isso, o filho mais velho, de quatorze anos, estava cuidando dos irmãos mais novos. Contou também que o menino sempre admirou e imitou o comportamento do pai, que era muito calado, e esta-va triste desde que ele tinha ido embora.
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Discuta como as características da estrutura e da dinâmica familiar influenciou o comportamen-to de Pedrinho na escola.
______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Você observou como a situação vivenciada pela família influenciou o comportamento de Pedrinho? Por causa da saída de casa do pai, a criança tem se apresentado desmotivada e triste para realizar suas tarefas escolares. Por imitar o comportamento do pai, de pouca comunicação, apresentava certa dificuldade para interagir com as outras crianças. Além disso, apresentava condições de higiene pouco satisfatórias, resultado da mudança de cui-dador – da mãe, que teve que trabalhar fora de casa, para o irmão mais velho.
Considerando a importância da família no cuidado e na formação das crianças, vamos conhecer um método de observação que pode ser aplicado pelo agente comunitário de saúde durante as visi-tas domiciliares à população do território de abrangência? Veja abaixo os elementos que compõem esse método para reconhecer as fragilidades e as potencialidades das crianças.
1� Estrutura familiar: envolve a composição familiar, reconhecendo
a ordem de nascimento, as características econômicas, a religião e as condições ambientais.
2� Desenvolvimento ou dinâmica familiar: conhecer as tarefas e os
vínculos estabelecidos entre os membros familiares e com outras redes de apoio (pessoas e instituições significativas para o contex-to da família).
3� Funcionamento familiar: atividades de vida diária, comunicação,
estratégias aplicadas pelos indivíduos para solucionar problemas, papéis e relação de poder na família.
Os dados recolhidos a partir desse instrumento pelo agente comuni-tário de saúde permitem à equipe de saúde conhecer as características da família e seu funcionamento e propor intervenções para reduzir as situações de vulnerabilidade e aumentar a qualidade de vida.
Foi apontado que a família constitui um espaço. Vamos discutir quais as vivências
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A família é considerada um espaço de apoio à sobrevivência e à proteção integral das crianças, dos adolescentes e dos demais membros, bem como um espaço de vivência do nascimento e da mor-te, com o desenvolvimento de emoções e de afeto. Também é um espaço de vivência de conflitos e de negociações que preparam os indivíduos para a convivência saudável na sociedade. Uma das suas atribuições mais importantes é a de ser um espaço de disponibilização de suporte afetivo, educativo e material necessários para o desenvolvimento de seus membros.
Familiarizando o conhecimento
Marque verdadeiro ou falso nas alternativas.
a- ( ) O foco no cuidado e no acompanhamento da saúde da criança considera irrelevan-tes as características, a dinâmica e a organização da família, apesar do envolvimento dos membros familiares no atendimento às suas necessidades.
b- ( ) Os pais e os principais cuidadores das crianças são considerados por elas modelos de comportamento, por serem os primeiros indivíduos com os quais elas têm contato. c- ( ) A família é considerada um espaço de desenvolvimento dos indivíduos, apenas para o aprendizado de valores e crenças, desconsiderando a vivência da afetividade.
d- ( ) Entre as atribuições da família para o desenvolvimento do indivíduo, existem dois papéis essenciais: o de ser socializadora e o de identificação social.
Comentário: você acertou se marcou como verdadeiras as opções “b” e “d”. Para
enten-der melhor, veja as justificativas abaixo.
Letra A: falso. Lembre-se de que vem ocorrendo uma mudança ao longo dos anos no foco
do cuidado à criança, com a incorporação da família, considerando seu papel na formação e no atendimento das necessidades da criança.
Letra B: verdadeiro. Lembre-se de que as crianças têm uma tendência a imitar o
compor-tamento dos indivíduos presentes em seu cotidiano e consideram os pais e as pessoas significativas como modelos de comportamento.
Letra C: falso. Lembre-se de que a família também é um espaço para a vivência da
afetivi-dade e a formação de vínculo.
Letra D: verdadeiro. Lembre-se de que a família é um espaço para transmissão de regras,
hábitos, valores e costumes culturais, assim como serve para a identificação social dos in-divíduos na sociedade.
Importante
O IBGE considera família o conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica ou de normas para convivência, que residam no mesmo domicílio, incluindo empre-gados, pensionistas e agregados.
IBGE: Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística.
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Portanto, após o reconhecimento da família como uma instituição social com a função de socializar, cuidar e proteger os indivíduos, você pode compreender seu papel no crescimento e no desenvolvimento saudável da criança. E para desempenhar essa função, os profissionais de saúde envolvidos em seu acompanhamento têm um papel fundamental na orientação para a promoção da qualidade de vida na infância.
1.2 Os vínculos
O crescimento e o desenvolvimento infantil estão relacionados ao vínculo
e à interação entre pais e crianças!
Ao longo dos anos, diversas pesquisas vêm contribuindo para a compreensão da importância do vínculo afetivo na vida dos seres humanos e do modo como esse vínculo se consolida. A psicanálise aponta a existência de um processo contínuo de desenvolvimento afetivo e emocional dos indivíduos, que se inicia antes do nascimento e permanece ao longo da vida.
Inicialmente, os bebês formam um vínculo forte com as mães (cuidadoras principais) ou outro indivíduo que desempenha essa função, com a perspectiva de manterem-se ligados emocionalmente com o responsável pela manutenção de um ambiente adequado para a sua sobrevivência. A proximi-dade funciona como uma busca de segurança e apoio. Essa relação é biológica e psicologicamente essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento saudável do bebê.
Nesse contexto, a família enquanto instituição social possui um lugar fundamental no cresci-mento emocional da criança, especialmente pela interação entre bebê e cuidador nessa fase do ciclo de vida, pois a forma como o cuidador dispensa os cuidados e como acolhe a criança interfere na formação do vínculo e do apego.
O apego, que é uma ligação emocional estabelecida entre a criança e seu cuidador, é cons-truído durante a gestação, com a criança imaginada pelos pais, e após o nascimento do bebê. Para atender às suas necessidades biológicas, como alimentação, limpeza e necessidades psi-cossociais de sentir-se seguro, protegido e amado, ele forma um vínculo com a figura que supre Psicanálise: é o
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No link abaixo, você pode obter mais informações sobre a formação do vínculo e do apego no folheto “Apego: pais e filhos, um vínculo de confiança”. Vamos consultar?
http://www.enciclopedia-crianca.com/sites/default/files/docs/coups-oeil/apego-pais-filhos-in-fo.pdf
É imprescindível a relação afetiva entre a criança e a família para que as bases da formação psicológica do
futuro adulto sejam construídas.
O agente comunitário tem um papel fundamental nesse cenário, pois, durante as visitas do-miciliares, tem a possibilidade de observar no ambiente familiar como se estabelecem as relações de vínculo e apego entre a família (em especial a mãe) e a criança. É necessário notar como os membros familiares reagem aos comportamentos da criança:
• são afetuosos e oferecem aconchego? • ou têm atitudes irritantes e agressivas?
Importante
A amamentação favorece a formação do vínculo entre a mãe e o bebê e deve ser estimulada. Contudo é necessário lembrar que a prática de amamentar é um hábito que se adquire e se aperfeiçoa com o tempo. É um ato que depende sobremaneira da interação positiva entre os fatores sociais, culturais e de apoio familiar à mulher.
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Familiarizando o conhecimento
Mamãe corujinha!Após a chegada de Amália, a vida do casal Salete e José mu-dou completamente. Toda a rotina da casa se modificou para atender às necessidades da recém-nascida. Na última visita do-miciliar, a mãe disse que estava tudo bem com a saúde da filha, que tinha visto uma reportagem sobre vínculo entre mãe e bebê e que queria entender a importância do tema. Afinal, como toda mamãe coruja, ela deseja o melhor para o seu bebê.
Vamos ajudar a agente comunitária de saúde? Discuta a importân-cia da formação do vínculo entre a criança e a família.
__________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________
Comentário: é importante que você tenha relatado que o vínculo emocional estabelecido entre
a criança e a família representa um espaço de segurança e conforto que favorece o desenvolvi-mento físico e mental saudável do indivíduo desde a infância.
Existem algumas características do comportamento dos pais que podem favorecer a vivência desse momento (formação de vínculo entre filhos e pais). Vamos conhecê-las?
• Pais equilibrados que sabem lidar adequadamente com os problemas que surgem no cotidiano. • Pais sem compulsões ou vícios (álcool, drogas, tabaco, trabalho e outras).
• Pais maduros e com a autoimagem positiva e confortável.
• Pais que procuram proporcionar um ambiente tranquilo para a convivência com a criança. Portanto, os profissionais de saúde envolvidos no acompanhamento das famílias precisam ter a compreensão da importância da formação do vínculo e do apego entre a família e a criança para um adequado desenvolvimento. Também devem ser capazes de identificar situações que possam interferir de forma negativa nesse processo, por meio da observação da dinâmica das relações em cada família.
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1.3 A função parental
No século XVIII, o amor entre os pais e a prole é fortemente marcado pela perspectiva da educação, e a formação das crianças tornou-se um fator importante para o desenvolvimento de um país e a garantia de uma sociedade mais saudável. Nesse contexto, a parentalidade começou a ser discutida e utilizada para destacar a dimensão do processo de construção do exercício da relação dos pais com os filhos.
Conforme discutido anteriormente, as relações estabelecidas entre os pais e os filhos são funda-mentais para os relacionamentos futuros na vida adulta. Por esse motivo, os profissionais envolvidos no acompanhamento das famílias devem estimular a parentalidade.
E o que é parentalidade?
A parentalidade inicia-se antes do nascimento da criança, já que as representações maternas e paternas podem ocorrer na infância, antecedendo a concepção, durante as brincadeiras de bonecas e fantasias. Essas representações influenciam a forma como cada indivíduo poderá exercer a parenta-lidade.
Por isso, a parentalidade pode ser definida como um conjunto de remanejamento psíquico e afetivo que permite ao adulto, pai ou mãe, exercer a maternidade ou a paternidade.
O nascimento de um filho modifica, definitivamente, a mente dos pais, sendo que essas mu-danças não ocorrem somente devido às projeções e às representações dos pais sobre o bebê, mas das transformações ocasionadas pela presença real da criança.
Existem dois aspectos importantes na parentalidade: o primeiro refere-se à compressão das modificações psicológicas que se produzem nos pais durante o processo de sua transição para a pa-rentalidade. E o segundo aponta a prática da parentalidade, englobando todo o campo dos cuidados parentais, ou seja, a interação afetiva entre os pais e seu filho. Dessa forma, é necessário observar que o estabelecimento dessa ligação favorece o desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança e, ao mesmo tempo, propicia aos pais o sentimento da dúvida se estão exercendo a parentalidade de forma satisfatória ou não.
Prole: filhos;
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Como os agentes comunitários podem atuar para promover a
parentalidade?
O termo parentalizar é utilizado para indicar a influência positiva que um sujeito exerce sobre o sentimento de um adulto para ser pai ou mãe e refere-se à vivência da identidade parental e aos senti-mentos resultantes do processo de competência dos pais com relação aos cuidados oferecidos à criança.
Nessa situação, os profissionais de saúde envolvidos na orientação e no acompanhamento des-ses indivíduos podem contribuir para a formação da parentalidade construindo um espaço de escuta para manifestação de sentimentos vivenciados. Entre esses sentimentos, podemos citar, por exemplo, o medo de não conseguir conciliar a vida com a criação da criança ou das dificuldades de formar laços afetivos, bem como a dificuldade em aceitar seu novo papel na sociedade.
A partir da identificação desses sentimentos, o ACS pode estimular o pai, a mãe ou outros res-ponsáveis, evitando os julgamentos e as críticas, a atenderem às necessidades da criança, bem como encaminhá-los para participar de grupos, na unidade de saúde, que promovam a formação de habili-dades para desenvolver a parentalidade.
Importante
Além dos profissionais de saúde, existem outros indivíduos que participam do processo de pa-rentalizar: o bebê, durante sua interação com os pais; os cônjuges, que podem contribuir um com o outro no processo de parentalidade; a família ampliada, que pode apoiar a vivência do casal nessa fase da vida.
Papai: uma importante peça desse quebra-cabeça
Devido às modificações na estrutura familiar, o relacionamen-to entre o pai e os filhos tem sofrido mudanças, de um distancia-mento para uma proximidade de contato, com incentivo para a demonstração de afeto e coparticipação no desempenho das funções para atender às necessidades da criança durante o seu crescimento e o seu desenvolvimento.
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Nesse sentido, faz-se necessário minimizar essa exclusão, que pode gerar um sentimento nega-tivo do indivíduo em relação à paternidade e aumentar esse distanciamento.
Portanto, os profissionais de saúde devem envolver os pais nas orientações referentes aos cui-dados com a saúde da criança para proporcioná-la um adequado crescimento e desenvolvimento. Além disso, deve ser ressaltada a importância da participação dos pais para a construção dos vínculos afetivos com o infante ao longo de seu crescimento.
Familiarizando o conhecimento
Marque verdadeiro ou falso nas alternativas.
a. ( ) A parentalidade pode ser definida como um laço de sangue entre os filhos e os pais, desconsiderando os aspectos referentes aos cuidados dispensados às crianças.
b. ( ) A interação emocional entre o bebê e os pais não produz alterações emocionais nos pais, por isso é considerada importante somente para o desenvolvimento psicológico e cognitivo das crianças.
c. ( ) A participação do pai, embora necessária e positiva, ainda é reduzida nas questões referentes aos cuidados para o crescimento e o desenvolvimento saudável das crianças.
Comentário: a sequência correta é F, F e V. Lembre-se de que a parentalidade pode ser
definida como um conjunto de mudanças no pensamento e na afetividade dos indivídu-os, que permite aos adultos exercerem a maternidade e a paternidade. Da mesma forma, a ligação emocional favorece o desenvolvimento da criança, ao mesmo tempo em que fomenta os sentimentos de dúvidas e preocupações do pai sobre o exercício satisfatório da parentalidade.
Meu bebê nas redes sociais
Camila criou uma página em uma rede social com o objetivo de apoiar as famílias que têm dificuldades no exercício da parentalidade e na formação de vínculos afetivos com os bebês. Na página inicial, estava descrita a seguinte men-sagem:
“Queridos papais e mamães, apesar de sermos biolo-gicamente preparados para essa função, às vezes, não esta-mos preparados emocionalmente e precisaesta-mos de ajuda para oferecer os cuidados aos nossos filhos. Não se sintam intimidados e participem desta campanha: parentalidade, um ato de amor”.
Emergente:
algo ou alguém que surge, aparece.
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Familiarizando o conhecimento
Como agente comunitário de saúde, descreva quais as atitudes e os comportamentos fun-damentais para parentalizar os pais do seu território de abrangência.
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Dica
Lembre-se de que, para favorecer a parentalidade, é necessário construir um ambiente de escu-ta ativa para ouvir os medos e as preocupações dos indivíduos, bem como formar vínculos. Des-sa forma, o profissional envolvido deve evitar os julgamentos e as críticas e fomentar os elogios para as atitudes positivas dos pais em relação aos cuidados com os bebês.
1.4 Dificuldades
O nascimento de um bebê, principalmente quando é o primeiro filho, pode ser considerado um fator de risco para o surgimento de problemas emocionais nos pais, o que pode afetar o relacionamen-to com o recém-nascido e, consequentemente, o desenvolvimen-to e o crescimendesenvolvimen-to saudável da criança.
Os distúrbios emocionais que podem ocorrer nesse período
cons-tituem um problema que não afeta apenas a saúde da mãe, mas também a dos bebês e do pai.
Considerando a dependência dos recém-nascidos para satisfazer suas demandas por meio dos cuidados de sua família, especialmente das mães, eles tornam-se vulneráveis aos transtornos emocio-nais que podem ser vivenciados nesse período de adaptação.
Portanto, devido à influência direta desse quadro no contexto familiar e à sua interferência na qualidade do exercício da parentalidade, o agente comunitário em contato com a família sempre deve estar atento à presença de sintomas que podem indicar um quadro de sofrimento emocional. Fomentar:
es-timular; incitar; motivar.
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No quadro abaixo você encontra as principais alterações que podem sugerir um sofrimento emocional apresentado pela mulher no puerpério.
Sintomas que sugerem o adoecimento mental no puerpério
• Choro fácil.
• Labilidade no humor.
• Irritabilidade.
• Insônia ou queixa de muito sono.
• Ansiedade intensa relacionada ao
recém--nascido.
• Falta de apetite.
• Desinteresse sexual.
• Ideias suicidas, de machucar-se ou de
machu-car o bebê.
• Confusão mental.
• Delírios.
• Comportamentos estranhos.
Quando identificado algum desses sintomas, a mãe deve ser encaminhada para avaliação da equipe na unidade de saúde e, após o diagnóstico médico, deverá ser acompanhada rigorosamente por todos os profissionais da equipe, principalmente pelo agente comunitário que ficará encarregado de realizar visitas domiciliares regulares.
Existem também as famílias em que ocorre a chegada de mais um filho, sendo importante ressaltar que esse novo membro afeta não só a estrutura familiar, mas também sua dinâmica,
po-dendo gerar ansiedade para os pais.
Esse desconforto pode surgir porque a chegada de um ir-mão exerce impacto no comportamento do primeiro filho, que
vivencia um processo de aprendizagem para compartilhar a atenção, o cuidado e o amor dos pais, podendo surgir sintomas
físicos ou mudanças comportamentais na criança.
Nessa situação, é indispensável a atuação do agen-te comunitário na orientação e no apoio à família. Ele deve estimular os pais a promoverem a participação ativa da criança na gestação e no preparo para a recepção do irmão, bem como esclarecer os pontos posi-tivos de sua presença.
Após o nascimento, é importante lembrar a família da necessidade de dividir o tempo para cuidar de cada um, de evitar os sentimentos de competitividade e incentivar a expressão dos senti-mentos positivos pelo irmão.
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Além da adaptação dos membros familiares à chegada do bebê, a família sofre modificações para se organizar financeiramente e nos cuidados dispensados às crianças.
Dessa forma é necessário esclarecer que essas dificuldades são comuns durante essa fase do ciclo de vida e ressaltar a importância das redes de apoio para superar esses obstáculos.
Familiarizando o conhecimento
Responda às perguntas e complete a cruzadinha.
1 - Situações que podem ser vivenciadas pelas mulheres no puerpério e causam prejuízo aos cuidados e à formação de vínculo com o recém-nascido.
2 - Conjunto de mudanças nas ideias e na afetividade que permite aos adultos vivenciarem a maternidade e a paternidade.
3 - Ligação emocional fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.
4 - Família em que um dos pais é responsável pelos cuidados com os filhos.
5 - Função familiar que tem como objetivo a transmissão da herança social e cultural.
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Comentário: se você conseguiu completar a cruzadinha, parabéns! Do contrário, veja
como ficaria a reposta de cada pergunta: 1. TRANSTORNOS EMOCIONAIS; 2. PARENTALI-DADE; 3. VÍNCULO; 4. MONOPARENTAL; 5. SOCIALIZADORA.
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Quando os pais podem contar com outras pes-soas da comunidade ou parentes nos cuidados com a criança, principalmente em situações ex-cepcionais, permite-se criar um ambiente de apoio e segurança para a família.
Por isso, os profissionais de saúde de-vem estimular os pais a ampliar as redes sociais de apoio, e cabe a eles auxiliar o processo de identificação de pessoas, de serviços em sua co-munidade (saúde, educação, assistência social,
cre-ches e outros) e de organizações não governamentais que possam oferecer suporte à família. Esse suporte pode se dar de diversas formas, como no apoio financeiro e emocional, no auxílio nas tarefas domésticas e no cuidado com os outros filhos, além de orientações para esclarecer as dúvidas quanto aos cuidados para o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança.
Resumindo
Vimos, nesta lição, que os profissionais da unidade básica de saúde têm a possibilidade de rea-lizar um acompanhamento mais próximo e contínuo dos indivíduos, bem como uma maior facilidade para identificar as suas necessidades de saúde.
Estudamos também que, para o acompanhamento das necessidades de saúde das crianças em seu território de abrangência, é necessária que os agentes de saúde tenham compreensão das características das famílias pois os membros familiares são responsáveis pelos cuidados para aten-der às necessidades biológicas e psicossociais das crianças. Além disso, a família também é respon-sável pela transmissão de costumes, hábitos, regras de convivência e aspectos culturais da socie-dade em que está inserida, indluenciando, dessa forma, diretamente na formação e na socialização dos sujeitos.
Por fim, aprendemos que, para o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança, além do reconhecimento das características da estrutura e da dinâmica familiar, o agente comunitário de saúde deve ser capaz de intervir nesse ambiente, orientando a importância da formação do vínculo, a parentalidade, assim como as principais dificuldades vivenciadas pelos pais nesse momento e a ne-cessidade de uma rede de apoio para superá-las.
Veja se você se sente apto a:
• levantar a influência da organização e da dinâmica familiar no crescimento e no desenvolvi-mento da criança;
• identificar a importância dos vínculos e da função parental no crescimento e no desenvolvi-mento da criança;
• identificar a importância das redes de apoio para o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança.
t © NT E dit or a. Todos os dir eit os r eser vados . Parabéns, você fina-lizou esta lição! Agora responda às questões ao lado.
Exercícios
Questão 1 – A pesquisa nacional de amostras por domicílio realizada em 2009 apontou
que os arranjos familiares no Brasil mudaram nos últimos anos. Sobre o tema, assinale a alternativa incorreta.
a) A família pode ser considerada um complexo sistema de organização que possui cren-ças, valores e hábitos ligados diretamente às transformações ocorridas na sociedade. b) Entre as formas de organização familiar, estão a família monoparental, a família extensa, a nuclear e a homoafetiva.
c) Enquanto responsável pela identificação social, a família assume o papel na transmissão de elementos como língua, usos, costumes, valores e crenças, construindo nas crianças e nos jovens os comportamentos legítimos e necessários para o ingresso na sociedade. d) A família é necessária para a socialização e tem um papel fundamental na compreensão do desenvolvimento humano, iniciado na infância e continuado ao longo da vida.
Questão 2 – Existem diversos conceitos sobre a família, de acordo com o tempo e a forma
de organização social. Assinale a alternativa que não compreende uma das perspectivas de análise do conceito de família.
a) Biológica. b) Econômica. c) Sociológica. d) Antropológica.
Questão 3 – Considerando a existência de diversas formas de organização familiar, a
famí-lia que inclui os indivíduos ligados por consanguinidade e descendentes, que convivem e mantêm vínculos refere-se à família:
a) monoparental. b) nuclear. c) combinada. d) extensa.
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Questão 4 – A família, como uma instituição social, varia em sua organização e sofre
in-terferência de diversos determinantes (período histórico, fatores sociais, culturais, econô-micos, etc.), mas possui funções em comum. Assinale a alternativa que compreende as funções da família.
a) Sexual, reprodutiva, econômica e socializadora. b) Somente sexual e reprodutiva.
c) Reprodutiva e econômica.
d) Sexual, reprodutiva, econômica, socializadora e punitiva.
Questão 5 – O conceito “a família constituída por pai, mãe e filhos nascidos dessa união,
habitando o mesmo espaço” refere-se à família: a) reconstruída.
b) elementar. c) monoparental. d) extensa.
Questão 6 – O vínculo afetivo é iniciado antes mesmo do nascimento e perdura ao longo
de toda a vida do indivíduo, sendo considerado fundamental para a formação dos sujeitos. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
a) Apesar do contato próximo da família com a criança, ela não possui um papel funda-mental no crescimento emocional dos indivíduos.
b) O vínculo é uma ligação emocional entre os cuidadores e a criança, iniciado durante a gestação e continuado com os cuidados dispensados para a sua sobrevivência.
c) Apesar de o choro e o sorriso das crianças serem considerados as primeiras formas de comunicação após o nascimento, eles não são considerados comportamentos para forma-ção de vínculo.
d) A amamentação é fundamental para o crescimento saudável, entretanto não desempe-nha função importante na formação de vínculo entre a mãe e o bebê.
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Questão 7 – A parentalidade exerce influência direta durante a formação do vínculo e do
apego entre o bebê e a família. Sobre o tema, assinale a alternativa incorreta.
a) O termo parentalizar refere-se à influência positiva de um sujeito para fortalecer a capa-cidade de exercer a parentalidade de um indivíduo.
b) Dois importantes aspectos da parentalidade são os sentimentos produzidos nos sujei-tos para alcançá-la e a prática da parentalidade.
c) Durante o processo de formação da parentalidade, os profissionais devem criticar as ações e as decisões dos pais quando considerarem-nas inadequadas.
d) Os profissionais envolvidos no acompanhamento dos pais devem oferecer um es-paço de escuta ativa para os sentimentos vivenciados por eles durante a formação da parentalidade.
Questão 8 – Na atualidade o amor entre os pais e as crianças é fundamental. Assinale a
alternativa incorreta sobre o conceito de parentalidade.
a) A parentalidade refere-se a um conjunto de mudanças na visão sobre a concepção.
b) A parentalidade refere-se a um conjunto de adaptações psicológicas e afetivas nos indi-víduos para fortalecer a capacidade de ser pai e mãe.
c) A parentalidade é iniciada ainda na infância, com as brincadeiras de cuidado com os bebês, que fortalecem a concepção de paternidade.
d) O nascimento da criança influencia diretamente a parentalidade, pois incorpora as pro-jeções dos pais sobre o bebê e as transformações ocasionadas pela sua presença real.
Questão 9 – O sofrimento mental durante o puerpério não é incomum entre as mulheres.
Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
a) O sofrimento mental da mãe não afeta o crescimento e o desenvolvimento da criança. b) O sofrimento mental da mãe, apesar de causar mudanças nos relacionamentos com o filho, a família e o pai, não produz repercussões negativas.
c) Entre os sintomas de sofrimento mental, estão a labilidade emocional, a confusão, a falta de apetite, a irritabilidade, o choro fácil e a febre.
d) Após o nascimento da criança, a família sofre um processo de adaptação financeira, social e de organização para os cuidados dispensados com a criança.
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Questão 10 – Em relação à formação de redes de apoio, o agente comunitário de saúde
durante as visitas domiciliares deve:
a) auxiliar a família a identificar as pessoas, os serviços e as organizações não governamen-tais que possam oferecer suporte à família.
b) decidir as pessoas, os serviços em sua e organizações não governamentais que possam oferecer suporte à família.
c) estimular a família a ampliar a rede de apoio para o cuidado com a criança, pois a função de atender às necessidades dela não é dos pais.