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EFEITO DE INSETICIDAS SOBRE O TRIPES

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Essentia, Sobral, vol. 14, n° 1, p. 49-57, jun./nov.2012

EFEITO DE INSETICIDAS SOBRE O TRIPES

Frankliniella schultzei (TRYBOM) EM MANGUEIRA

Antônio Lindemberg Martins Mesquita1 Jorge Anderson Guimarães2 Raimundo Braga Sobrinho1 RESUMO – Pretendeu-se com este trabalho testar o efeito de oito

inseticidas sobre o tripes Frankliniella schultzei (Trybom), a fim de auxi-liar no estabelecimento de medidas mais eficientes de controle, que permitam a convivência com essa praga e que possam ser inseridas no manejo integrado de pragas da mangueira, com vistas à sustentabilida-de da cultura, em longo prazo. A eficiência sustentabilida-de controle dos oito pro-dutos testados foi calculada utilizando-se a fórmula modificada de Abbott (1925): [1-(Td x Ca/Ta x Cd) x 100], expressa em percenta-gem, onde Td é o número de tripes coletados da unidade amostrada depois do tratamento, Ta é o número de tripes da unidade amostrada antes do tratamento, Ca é o número de tripes da parcela testemunha antes do tratamento e Cd é o número de tripes da parcela testemunha depois do tratamento. Diante dos resultados obtidos, concluiu-se que: 1. o inseticida Provado (imidacloprid) foi o mais eficiente dentre os produtos testados; 2. a depender da intensidade da infestação e da época do ano, a redução populacional dos tripes para níveis aceitáveis de convivência com a praga pode requerer adoção de medidas de con-trole em intervalos menores que uma semana; 3. a identificação de possíveis hospedeiros alternativos de F. schultzei na região fornecerá subsídios adicionais para o estabelecimento de práticas de manejo in-tegrado da praga.

Palavras-chave: Controle. Thripidae. Mangifera indica. Perdas.

1 Eng. Agrônomo, D.Sc., pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Rua Dra. Sara Mesquita, 2.270, Planalto Pici, tel.: (85) 3299-1800

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1 INTRODUÇÃO

A fruticultura brasileira apresenta uma posição de destaque en-tre os países produtores, sendo o terceiro maior produtor mundial de frutas frescas, com cerca de 38 milhões de toneladas anuais. Neste cenário, a mangicultura brasileira é caracterizada pela adoção de mo-dernas técnicas de irrigação, indução floral e pelo uso de variedades melhoradas, como a “Tommy Atkins”, “Haden”, entre outras (DO-NADIO et al., 1996).

Nos últimos anos, o Brasil vem se mantendo entre os dez mai-ores produtmai-ores mundiais de manga, com 823 mil toneladas anuais, e como o segundo maior exportador mundial, com 68 mil toneladas, e um faturamento de US$ 35,7 milhões (IBGE, 2007).

A região Nordeste, principalmente o polo irrigado do Vale do São Francisco (Juazeiro/BA e Petrolina/PE), é responsável por 93% das exportações desta commoditie para os mercados externos. Além do Vale do São Francisco, outra área de destaque no cultivo da manga no semiárido nordestino é a região do Vale de Mossoró-Açu, no Rio Grande do Norte, onde são produzidas mangas de alta qualidade tipo exportação. No entanto, a mangueira é atacada por inúmeras pragas que dificultam e muitas vezes impedem a exportação dos frutos devi-do às restrições fitossanitárias devi-dos países importadevi-dores (BARBOSA et

al., 2000a, b; CUNHA et al., 2000). Entre as pragas mais importantes

para a manga na região do Vale de Mossoró-Açu, destaca-se o tripes

Frankliniella schultzei, que nos últimos anos, em virtude de um grave

desequilíbrio ambiental, tem causado perdas econômicas considerá-veis, devido aos danos diretos causados nos frutos.

O tripes F. schultzei pertence à ordem Thysanoptera, família Thripidae, e são conhecidos por atacarem uma ampla variedade de plantas cultivadas, como o tomate, algodão, soja, pepino, além de fru-tíferas e plantas daninhas (BARBOSA et al., 2001; MONTEIRO et al., 2001). São insetos pequenos, com 1,5 mm de comprimento, coloração amarelada e asas franjadas. O ciclo de vida é bastante rápido, aproxi-madamente 15 dias de ovo a adulto, nas condições climáticas da regi-ão. Tanto as ninfas como os adultos são raspadores-sugadores,

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tando-se de pólen e da seiva extravasada das pétalas das flores (GAL-LO et al., 2002). Podem se alimentar também da seiva das folhas, po-rém preferem atacar as inflorescências. Na mangueira, o tripes atua como um dos principais polinizadores da cultura, porém, devido à grande quantidade de insetos, acabam danificando os frutos em for-mação, principalmente os chumbinhos, que são raspados pelos insetos e ficam com danos em forma de verrugas (Fig. 1) ou furos (Fig. 2), os quais, dependendo da intensidade, podem inviabilizá-los para exporta-ção, causando grandes prejuízos aos produtores (BRANDÃO; BOA-RETTO, 2002).

Assim, este trabalho tem como objetivo testar a eficiência de diferentes inseticidas sobre o tripes, a fim de auxiliar no estabeleci-mento de medidas mais eficientes de controle, que permitam a convi-vência com esta praga e que possam ser inseridas no manejo integrado de pragas da mangueira, com vistas à sustentabilidade da cultura em longo prazo.

2 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado na área da Finobrasa M-2 S-1, uti-lizando a cultivar Tommy Atkins, com 15 anos de idade, plantada no espaçamento de 8 x 6m. Os inseticidas (Quadro 1) foram aplicados quando mais de 70% das plantas apresentavam floração estabelecida. O delineamento foi o de blocos ao acaso, com nove tratamentos (in-cluindo a testemunha) e quatro repetições, com cinco plantas por par-cela. Por tratamento, foram utilizadas 20 plantas, e a área experimental teve um total de 180 plantas. A parcela útil foi composta pelas três plantas centrais.

A aplicação dos inseticidas foi feita com um pulverizador tra-torizado Arbus 2000 Jacto, regulado para um volume de calda de 10 litros por planta. Adicionalmente aos inseticidas testados, foram acres-centados um regulador de pH (Lower, 10 ml/100 litros) e um espa-lhante adesivo (Adesil, 20ml/100 litros). Antes da primeira aplicação foi feita uma avaliação do grau de infestação, efetuando-se a batedura de quatro panículas por planta, sendo uma panícula por quadrante. O

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número total de tripes foi calculado através de contagem individual, quando o número era inferior a 100 indivíduos, ou através de estimati-va em bandeja quadriculada, quando o número de tripes era eleestimati-vado.

A eficiência de controle foi calculada utilizando-se a fórmula de Abbott (1925), modificada por Henderson e Tilton (1955): [1-(Td x Ca/Ta x Cd) x 100], expressa em percentagem, onde Td é o número de tripes coletados da unidade amostrada depois do tratamento, Ta é o número de tripes da unidade amostrada antes do tratamento, Ca é o número de tripes da parcela testemunha antes do tratamento e Cd é o número de tripes da testemunha depois do tratamento.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados relativos ao número de tripes por panícula antes da aplicação dos tratamentos, aos seis dias e aos nove dias após a pul-verização, bem como o percentual de controle para os diversos inseti-cidas, encontram-se sumarizados na Tabela 1.

Aos seis dias após o tratamento, o inseticida que apresentou a melhor perfomance em termos de percentual de controle da praga foi o imidacloprid (Provado) com 95,30% de eficiência, seguido dos pro-dutos acefato (85,61%), fenpropathrin (Danimen) com 80,96%, feni-trothion (Sumithion) com 54,21% e bifentrin (Talstar) com 36,36%. O inseticida etofenproxi (Safety), o endosulfan (Thiodan) e o inseticida à base de azadiractina (Rot-nim), produto extraído da planta Nim, não apresentaram nenhum efeito sobre a redução da população do tripes da mangueira. Decorridos nove dias após a pulverização, nenhum dos produtos testados apresentou eficiência no controle da praga, e a po-pulação voltou a patamares superiores aos observados antes do tratmento, com uma média de 225,5 tripes por panícula, ou seja, um a-créscimo de 120% no número de tripes em relação à avaliação antes da aplicação dos produtos.

Diante deste resultado, e em função da população da praga ob-servada à época do ensaio, pode-se levantar as hipóteses de que, mes-mo os produtos mais eficientes não apresentam um efeito residual para controle do tripes superior a uma semana e que existem

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deiros alternativos nas proximidades dos pomares de manga que ser-vem de criadouros naturais da praga, dos quais ela migra para a man-gueira nesta fase fenológica de alta preferência pela cultura.

Diante destes resultados, pode-se concluir que: 1. o inseticida Provado (imidacloprid) foi o mais eficiente dentre os produtos testa-dos; 2. a depender da intensidade da infestação e época do ano, o con-trole do tripes para níveis aceitáveis de convivência com a praga pode requerer adoção de medidas de controle a intervalos menores que uma semana; 3. a identificação de possíveis hospedeiros alternativos do F.

schultzei na região fornecerá subsídios adicionais para o

estabelecimen-to de práticas de manejo integrado da praga.

EFFECT OF INSECTICIDES ON THE TRIPS Frankliniella schultzei Trybom ATTACKING MANGO PLANTS

ABSTRACT – This work aimed to evaluate the efficiency of eight insecticides to protect mango trees from the attack of the trips Frankliniella schultzei Trybom, as well as to choose the best products to establish a long run integrated and sustainable management for this pest in mango plantations. Efficiency of the products was calculated according to the modified Abbott,s formula (1925) as follows: [1-(Td x Ca/Ta x Cd) x 100], where Td is the number of insects in the plot sampled after spraying, Ta is the number of insects in the plot sampled before spraying, Ca is the number of insects in the control plot before spraying and Cd is the number of insects in the control plot after spraying. Results revealed that,1. Insecticide Imidacloprid was the most efficient, 2. Depending upon the pest population level and the period of the year, the decrease of the insect population to acceptable co-existence levels may require control measures in periods shorter than one week, 3. The identification of plants as possible new hosts for F. schultzei may subsidize the establishment of a pest integrated management programme.

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Quadro 1 – Produtos comerciais e técnicos e suas respectivas dosagens utili-zadas no controle do tripes Frankliniella schultzei em mangueira.

Produto Comercial Produto técnico Doses (ml/ l de água)

1. Safety etofenproxi 60ml/ 100L 2. Danimen 300 CE fenpropatrin 30ml/ 100L 3. Sumithion 500 CE fenitrotion 150ml/100L 4. Talstar 100 CE bifentrin 30ml/ 100L 5. Orthene 750 BR acefato 100gr/ 100L 6. Thiodan CE endosulfan 110ml/ 100L 7. Provado imidacloprid 55ml/ 100L

8. Rot-Nim azadiractina e outros composto de 300ml/ 100L

Tabela 1 – Efeito de diferentes inseticidas sobre a população do tripes

Fran-kliniella schultzei em mangueira.

Inseticidas (princípio

ativo)

Antes do

tratamento 6 dias após tratamento 9 dias após tratamento Nº de tripes/ panícula Nº de tripes/ panícula % de controle Nº de tripes/ panícula % de controle 1. Safety (eto-fenproxi) 95,88 82,83 0,00 263,08 0,00 2.Danimen (fenpropathrin) 72,07 11,66 80,96 219,61 0,00 3. Sumithion (fenitrothion) 174,38 67,88 54,21 240,87 0,00 4. Talstar (bi-fentrin) 97,33 52,65 3 6,36 291,51 0,00 5. Orthene (acefato) 79,23 9,69 8 5,61 156,91 0,00 6. Thiodan (endossulfan) 100,79 115,26 0,00 235,50 0,00 7. Provado (imidacloprid) 80,86 3,23 95,3 261,04 0,00 8. Rot-nim (azadiractina e outros) 109,67 134,70 0,00 207,61 0,00 9. Testemunha 111,75 95,00 0,00 153,77 0,00 Média 102,44 63,65 x 225,5 x

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Figura 1 – Verrugas provocadas por Frankliniella schultzei em fruto Jô vem.

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