DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS DE SORÇÃO E DIFUSÃO PURA EM
UM SOLO ARENOSO DE JACAREPAGUÁ, RIO DE JANEIRO
E. H. de Paula
COPPE/UFRJM. de S. S. de Almeida
COPPE/UFRJM. C. Barbosa
COPPE/UFRJRESUMO: A Prefeitura do Rio de Janeiro realizou em 1996 uma dragagem emergencial das Lagoas de Camorim e Tijuca para melhoria das condições de drenagem do sistema hídrico da Baixada de Jacarepaguá. O sedimento dragado foi depositado provisoriamente em duas áreas adjacentes à Lagoa de Camorim. A área de disposição 1 constitui-se de solo arenoso com poucos finos (< 6%) e teor de matéria orgânica menor que 1%. Devido ao potencial de contaminação por metais pesados no solo pela disposição dos sedimentos contaminados, foram realizados ensaios de caracterização geotécnica e físico-química, ensaios de equilíbrio em lote e difusão pura para determinação dos parâmetros de sorção e difusão efetiva em amostras de solo da área de disposição 1 dos sedimentos dragados.
1. INTRODUÇÃO
A Baixada de Jacarepaguá, localizada na Cidade do Rio de Janeiro, apresenta um conjunto de lagoas costeiras e vem sofrendo desde a década de 1960 um acelerado processo de ocupação urbana e industrial. Este processo repercute diretamente sobre a qualidade ambiental e se reflete na degradação dos corpos d’água, que sofrem com o assoreamento acelerado e a descarga de efluentes industriais e domésticos. Devido ao estado de assoreamento acentuado das lagoas, foi realizada uma dragagem emergencial em 1996 para melhorar as condições de escoamento hidráulico e minimização do risco
arenoso com porcentagem de finos (fração < 2 µm) menor que 6% e teor de matéria orgânica igual a 0,73%. A área de disposição 2 constituí-se de uma área alagadiça com solo turfoso em superfície e solo siltoso bastante orgânico em profundidade, apresentando teor de matéria orgânica superior a 30%.
Para avaliação do impacto ambiental gerado pela dragagem e disposição dos sedimentos, foi realizado um convênio entre o COPPE e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (COPPETEC, 1996) de onde se extraiu as informações técnicas necessárias para a devida tomada de decisão. Estes estudos foram relatados em Almeida et al. (1998), Alves et al.
do sistema de lagoas de Jacarepaguá (Borma, 1998), foi determinado que o Zn é um dos elementos mais susceptíveis de liberação quando da dragagem e disposição em terra.
A área de disposição 1, devido à sua alta permeabilidade e baixas porcentagens de finos e matéria orgânica, apresenta-se mais crítica em relação ao transporte de metal pesado. Assim, foram realizados estudos experimentais do potencial de contaminação por zinco no solo (Paula, 1999).
No presente trabalho são descritos os ensaios de caracterização geotécnica e físico-química, ensaios de equilíbrio em lote e ensaios de difusão pura para determinação dos parâmetros de sorção e difusão de zinco em amostras de solo da área de disposição 1 dos sedimentos dragados.
2. DESCRIÇÃO DA ÁREA E COLETA DE AMOSTRAS
A área de disposição 1 tem cerca de 50.000 m2 e situa-se entre o Polo de Cine e Vídeo e a Avenida Ayrton Senna, ao lado da Lagoa de Camorim. Sondagens realizadas no local acusam uma camada de solo arenoso de aproximadamente 8 m de profundidade com o nível d’água coincidindo com o nível do terreno.
A Figura 1 apresenta a localização esquemática das duas áreas de disposição dos sedimentos dragados.
Foram coletadas 4 (quatro) amostras deformadas de solo antes da disposição dos sedimentos em dois furos de amostragem: Am1A, Am1B, Am2A e Am2B.
Cerca de 6 meses após a disposição, secagem e remoção dos sedimentos para área definitiva, foi coletada nova amostra deformada de solo (Am4) na área. As amostras foram coletadas com ajuda de trado e pá, acondicionadas em sacos plásticos e transportadas para o laboratório de Geotecnia da COPPE, onde os ensaios seriam realizados.
3. CARACTERIZAÇÃO DO SOLO
Os ensaios de caracterização do solo compreenderam caracterização geotécnica e físico-química e análise mineralógica. Foram realizados segundo normas técnicas nos Laboratórios de Geotecnia da COPPE/UFRJ, Geociências/UFRJ e Embrapa-Rio.
3.1 Caracterização Geotécnica
Segundo ensaios em laboratório, as amostras coletadas possuem características geotécnicas semelhantes:
areia média a fina de cor cinza, não plástica, com fragmentos de conchas e porcentagem de finos (fração < 2µm) inferior a 6%. Assim, optou-se por utilizar nos ensaios posteriores uma mistura com porcentagem em peso igual de cada uma das amostras Am1A, Am1B, Am2A e Am2B. A amostra Am4, por ter sido coletada após a disposição e remoção dos sedimentos, não foi misturada com as demais.
A Figura 2 apresenta as curvas granulométricas da mistura das amostras coletadas antes da disposição dos sedimentos (Am1A, Am1B, Am2A e Am2B) e da amostra Am4 coletada depois da disposição e remoção dos sedimentos. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0.001 0.01 0.1 1 10 100
DIÂMETRO DOS GRÃOS (mm)
PORCENTAGEM QUE PASSA (%)
mistura Am4
Figura 2 - Curvas granulométricas da mistura das amostras (1A, 1B, 2A E 2B) e AM4
3.2 Caracterização Físico-Química
A Tabela 1 apresenta a caracterização físico-química do solo, apresentando a densidade dos grãos (G), teor de matéria orgânica (TMO) e capacidade de troca catiônica (CTC) das amostras.
Tabela 1 -Caracterização físico-química do solo Amostra G TMO (%) CTC (meq/100g) mistura 2,60 0,73 4
matéria orgânica exercem um papel extremamente importante na retenção dos cátions. Na Tabela 2 estão apresentados alguns valores de CTC para os argilominerais puros e os ácidos húmicos e fúlvicos.
Tabela 2 - CTC para os argilominerais e ácidos orgânicos (Stevenson, 1985) Componente CTC (meq/100g) caulinita 3 - 5 ilita 30 - 40 montmorilonita 80 - 150 ácidos húmicos 485 - 870 ácidos fúlvidos > 1.400
O valor da CTC encontrada para o solo é equivalente ao apresentado pela caulinita pura em Stevenson (1985), podendo estar associado à presença de finos (4%) e matéria orgânica (0,73%) como discutido a seguir.
Admitindo que toda a porcentagem de finos (4%) do solo é constituída de caulinita e que esta possui CTC igual a 5 (Tabela 2), a contribuição dos finos à CTC do solo seria de 0,2 meq/100g. Como o teor de matéria orgânica no solo é igual 0,73%, e considerando sua CTC igual a 500 meg/100g (valor mínimo), tem-se que a contribuição da matéria orgânica à CTC do solo é igual a 3,7 meq/100g. Assim, com a contribuição da CTC dos finos e da matéria orgânica, o valor da CTC do solo arenoso igual a 4 meq/100g apresenta-se coerente.
3.3 Análise Mineralógica
A análise mineralógica realizada consistiu na difração de raio-X não orientada das amostras de solo integral seco ao ar e teve como finalidade a identificação genérica dos principais minerais presentes. O mineral primário dominante é o quartzo, com algum traço de feldspato.
Segundo Yong and Phadungchewit (1993) a argil
a
silte
fina média gro
importância se comparado a outros processos tais como precipitação e complexação. O papel significativo dos argilominerais na sorção de metais pesados por solos está principalmente relacionado à sua atuação como substrato mecânico para a precipitação e a floculação de material orgânico e minerais secundários, componentes estes que exibem afinidade elevada pelos metais pesados.
Como a porcentagem de finos nas amostras de solo é muito baixa (< 6%) e considerando que a matéria orgânica comanda o mecanismo de retenção de metais pesados, a difração de raio-X orientada da fração < 2µm para determinação dos argilo-minerais presentes não foi considerada necessária para o presente trabalho.
4. ENSAIOS DE EQUILÍBRIO EM LOTE
Os ensaios de equilíbrio em lote foram realizados para a determinação dos parâmetros de sorção de zinco do solo da área de disposição.
4.1 Metodologia dos Ensaios
Os ensaios de equilíbrio em lote foram realizados na mistura das amostras segundo norma da EPA (1992). Foram utilizadas soluções de metal pesado (zinco) misturadas com amostras de solo seco ao ar, destorroado e passado na peneira 10 (2 mm) na proporção de 1:10 (4 g de solo seco ao ar: 40 ml de contaminante). As soluções foram preparadas com diluição de nitrato de zinco em água destilada em concentrações crescentes de 2,5 a 2000 mg/L.
As suspensões foram agitadas durante 20 a 24h à temperatura de 30oC e centrifugadas a 4000 rpm por 20 minutos. Para cada solução foi medido o pH de equilíbrio após a agitação. As amostras da solução centrifugada foram preservadas a pH<2 com ácido nítrico e guardadas sob refrigeração antes da realização da análise química. As determinações das concentrações de metais na solução foram realizadas no laboratório da Divisão de Química do CENPES/Petrobrás.
4.2 Modelos de Isotermas
A determinação dos parâmetros de sorção considerando condição de equilíbrio das reações, pode ser realizada segundo vários modelos de isotermas (Fetter, 1993).
A isoterma pode ser considerada linear quando existe uma relação direta e linear entre a quantidade de soluto adsorvido pelo solo (S) e a concentração de equilíbrio (Ce). O resultado
da isoterma linear é descrito pela Eq. (1). Kd é
o coeficiente de distribuição (L3M-1). S = Kd Ce (MM-1) (1)
A isoterma de Freundlich é definida pela equação não linear Eq (2). A constante K é proporcional à capacidade de adsorção, e N é a declividade da curva que reflete a intensidade de adsorção com o aumento da concentração de equilíbrio.
S = KCeN (MM-1) (2)
Os modelos de isotermas linear e de Freundlich não apresentam um limite de quantidade de soluto adsorvido pelo solo. É importante ressaltar que estes modelos não podem ser extrapolados para faixas de concentração superiores as dados experimentais (Fetter, 1993).
A isoterma de Langmuir foi desenvolvida com a concepção que existe um limite máximo na capacidade de adsorção do solo com o aumento da concentração de soluto. É definida pela Eq. (3) onde α é uma constante da adsorção relacionada com a energia de ligação (L3M-1) e β é a quantidade máxima de soluto que pode ser adsorvido pelo solo (MM-1).
S C C e e = + α β α 1 (3)
4.3 Apresentação dos Resultados e Determinação dos Parâmetros de Sorção
A isoterma de zinco para o solo foi analisada segundo modelo linear para concentrações de equilíbrio até 250 mg/L e segundo modelos de Freundlich e Langmuir considerando concentrações de equilíbrio até 1500 mg/L.
A Figura 3 apresenta as isotermas com os ajustes realizados segundo modelos linear, Freundlich e Langmuir, onde: S é a massa de soluto adsorvida por massa de solo; Ce, a
concentração de equilíbrio no final do ensaio; T, a temperatura durante agitação da suspensão e R2, a coeficiente de correlação para o modelo adotado. 0.0 0.4 0.8 1.2 1.6 2.0 0 500 1000 1500 2000 Ce (mg/L) S (mg/g)
Figura 3 - Ajuste das isotermas
A Tabela 4 apresenta os parâmetros de sorção de zinco determinados através de ajuste dos dados experimentais segundo modelos de isotermas.
Tabela 4 - Parâmetros de sorção
Linear Freundlich Langmuir
Kd (cm3/g) K N αα (L/mg) ββ (mg/Kg) 5,7 0,148 0,333 0,02 1405
onde: Kd coeficiente de distribuição; K e N
-constantes; α- constante de adsorção referente a energia de ligação; β- quantidade máxima de
que não exibe um patamar de concentração máxima. No entanto, a sorção dos metais aos ácidos húmicos e hidróxidos de Fe e Mn seguem o modelo proposto por Langmuir. Segundo este modelo, as isotermas exibem um patamar que estaria relacionado à concentração máxima que o solo é capaz de reter nas condições ensaiadas.
Os dados apresentados nas isotermas de Zn apontam para capacidades máximas de retenção em torno de 1,4 mg/g. Como o modelo de isoterma segundo Langmuir é o que melhor se adapta no caso e o solo apresenta baixa porcentagem de finos , a sorção de Zn por este solo pode estar relacionada à matéria orgânica e hidróxidos de Fe e Mn presentes. Para concentrações de equilíbrio menores que 200 mg/L, o modelo linear apresenta um bom ajuste para isoterma de Zn.
4.4 Determinação do Tempo de Equilíbrio das Reações de Sorção
Para determinar o tempo necessário para que a suspensão entre em equilíbrio, a norma da EPA (1992) sugere que se analise quimicamente amostras com suspensões idênticas e com tempos diferentes de agitação. Assim, foram realizados ensaios em suspensões com concentrações iniciais de zinco de 100, 300 e 1000 mg/L na mistura das amostras de solo. Durante o ensaio, as amostras foram retiradas em ½ , 4, 20 e 48 horas de agitação, para se determinar o tempo de equilíbrio de reação para cada concentração da suspensão.
Foi utilizada a mesma proporção de 1:10 (4g de solo seco: 40 ml de solução). Para cada solução foi medido o pH de equilíbrio após a agitação. A Figura 4 apresenta o gráfico da quantidade de zinco adsorvida pelo solo versus tempo de agitação.
Conforme os dados da Figura 4 observa-se que as reações de adsorção do zinco para o solo não ocorreram totalmente em tempo menor que 24 horas. Existe uma variação de Área 1
-Zinco
Dados experimentais Isoterma linear (R2=0,867) Isoterma Langmuir (R2=0,905)
Ajuste segundo isoterma Freundlich (R2=0,979)
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 Tempo (h) Quantidade adsorvida - S (mg/g) 100 mg/L 300 mg/L 1000 mg/L
Figura 4 - Quantidade de zinco adsorvida pelo solo versus tempo de agitação
Nos ensaios de equilíbrio em lote não se consegue distinguir os mecanismos responsáveis pela retenção do metal, como adsorção, precipitação ou complexação. Em geral, a adsorção é um fenômeno rápido, enquanto as reações de complexação envolvendo a matéria orgânica do solo ocorrem mais lentamente. Este fato sugere que a retenção de metais pesados pelo solo pode estar relacionada à complexação pela matéria orgânica, por ser um processo mais lento.
4.5 Determinação do Fator de Retardamento
O fator de retardamento, R, pode ser obtido indiretamente a partir dos parâmetros determinados nos ensaios de equilíbrio em lote. Em solos saturados na condição de equilíbrio, o fator de retardamento é definido por: R = 1+ ρ n Kd ⇒ linear (4) R = 1+ ρ −1 n KNCe N ⇒ Freundlich (5) R =
(
)
1 1 2 + + ρ αβ α n C e ⇒ Langmuir (6) onde: ρ- massa especifica; n- porosidade; e o resto como definido anteriormente.O fator de retardamento de zinco foi determinado segundo equações acima considerando condição de equilíbrio. Foram
utilizados os parâmetros de sorção obtidos nos ensaios de equilíbrio em lote (Tabela 4)., e os valores médios de massa específica (ρ=1,66 g/cm3) e porosidade (n=0,37) obtidos em corpos de prova de ensaios de coluna realizados com o mesmo solo (Paula, 1999). A Figura 5 apresenta as curvas de fator de retardamento de zinco versus concentração de soluto. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 250 500 750 1000 1250 1500 C (mg/L) Fator de Retardamento - R Linear Freundlich Langmuir
Figura 5. Fator de retardamento de zinco
A partir dos dados apresentados pela Figura 5, pode-se observar a tendência do fator de retardamento diminuir com o aumento da concentração de equilíbrio.
5. ENSAIOS DE DIFUSÃO 5.1 Concepção do Ensaio
Para a determinação do coeficiente de difusão efetivo e coeficiente de distribuição de zinco para o solo da área de disposição 1, foram realizados ensaios de difusão pura. Na literatura pesquisada não foram encontrados relatos de ensaios de difusão em solos arenosos. Em solos de alta permeabilidade, o transporte de contaminantes por difusão torna-se insignificante em relação ao transporte por advecção. Porém, a proposta do presente trabalho é a de determinar o coeficiente de difusão efetivo (De) para o solo ensaiado,
mesmo esperando que este valor seja menor que o coeficiente de dispersão mecânica (Dm).
Os ensaios de difusão realizados no presente trabalho são do tipo reservatório simples com concentração da fonte diminuindo. Este procedimento foi apresentado por Barone et al. (1988) e denominado ensaio de difusão pura, tendo sido adotado em vários estudos no Brasil (Barbosa, 1994; Ritter, 1998).
5.2 Equipamento Utilizado
A célula para ensaio de difusão pura utilizada é uma adaptação do modelo da Universidade de Western Ontario com reservatório simples e consiste de um cilindro de material inerte (acrílico ou resina) acoplado a uma base com um orifício de drenagem. Sobre a base é encaixada uma pedra porosa de 0,4 cm de espessura. O conjunto é fechado por uma tampa que possui um orifício com rosca para escape de ar durante a montagem e coleta de fluido durante o ensaio. Todo o equipamento é confeccionado pelo mesmo material (acrílico ou resina) e a vedação dos contatos tampa/cilindro e cilindro/base é realizada por anéis de borracha tipo “O-ring”. A Figura 6 apresenta um esquema ilustrativo da célula de difusão utilizada.
Figura 6 - Esquema da célula de difusão
5.3 Metodologia dos Ensaios
Foram realizados dois ensaios de difusão pura usando como fluido uma solução de nitrato de zinco diluído a 200 mg/L. Um dos ensaios foi realizado com solo proveniente da
profundidade não interfira nos resultados. A condição ideal é interromper o ensaio antes que haja qualquer variação química na base do corpo de prova (Barbosa, 1994). No presente trabalho, os ensaios foram realizados em 9 dias.
Os corpos de prova foram moldados a seco através do método de pluviação (Martins e Oliveira, 1988), ocupando metade da altura da célula (hsolo). Em seguida, os corpos de prova
foram saturados com fluxo ascendente de água. Após a percolação de aproximadamente 20 volumes de vazios pela amostra, o corpo de prova era considerado saturado. Retirava-se o excesso de água da célula deixando apenas uma fina lâmina d’água acima do corpo de prova. Em seguida o reservatório era enchido lentamente com o fluido do ensaio e a célula fechada com a tampa para evitar evaporação.
Periodicamente coletava-se amostras de fluido do reservatório com uma seringa de 10 ml de capacidade, quantidade suficiente para realização de análise química em espectrômetro de absorção atômica. Para a coleta de amostra, a célula era destampada e o fluido do reservatório homogeneizado manualmente. As amostras de fluido eram então recolhidas em frascos de plástico, preservadas com ácido nítrico a pH<2 e guardadas sob refrigeração para análise química posterior.
Após 9 dias de ensaio, o reservatório com o fluido era esvaziado através de um sifão e a amostra de solo retirada da célula dividida em três seções: topo, meio e base. O líquido intersticial foi extraído do solo para a determinação das concentrações de metais.
Para a separação do líquido intersticial das amostras, tentou-se uma centrifugação do solo a 20.000 rpm no teor de umidade em que foi retirado da célula. Como o solo era arenoso, esse método de separação de líquido intersticial não foi satisfatório devido ao baixo teor de umidade apresentado pelas amostras. Assim, as amostras de solo foram diluídas em água destilada e depois centrifugadas a 4000
Solo 10 cm 13 cm cilindro pedra porosa saída do dreno Fluido
5.4 Apresentação dos Resultados e Determinação do Coeficiente de Distribuição
A Figura 7 apresenta o gráfico da variação da concentração de zinco no fluido do reservatório (C) durante os ensaios.
0 50 100 150 200 250 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo (dia) C (mg/L) Amostra 1 Amostra 4
Figura 7 - Concentração de zinco no fluido do reservatório durante o ensaio
O programa de computador POLLUTE (Rowe and Booker, 1994) permite análise a partir da variação da concentração de soluto no reservatório durante o ensaio e a partir da concentração do soluto na solução intersticial do solo no final do ensaio. Entretanto, os ajustes realizados a partir dos dados da solução intersticial são mais confiáveis.
A Figura 4.8 apresenta os ajustes realizados pelo POLLUTE a partir da concentração de zinco na solução intersticial dos corpos de prova no final do ensaio. Observa-se que as concentrações de zinco no líquido intersticial do topo das amostras apresentam-se muito baixas, indicando que a duração dos ensaios poderia ter sido prolongada.
O coeficiente de distribuição (Kd) foi
determinado por ajuste dos dados experimentais pelo programa de computador POLLUTE, considerando o coeficiente de difusão efetivo do Zn (De = 3,5x10-6 cm2/s)
como o valor obtido indiretamente pelo ensaio em permeâmetro DKS (Paula, 1999).
O coeficiente de distribuição da mistura das amostras é igual a 5,7 cm3/g. Este valor apresenta-se igual ao valor de Kd obtido pelo
ensaio de equilíbrio em lote considerando isoterma linear (Tabela 4). O valor do coeficiente de distribuição obtido para amostra Am4 é igual a 2,5 cm3/g, inferior ao valor obtido para mistura das amostras coletadas antes da disposição (5,7 cm3/g). Como observado na caracterização geotécnica, o solo coletado após a disposição e remoção dos sedimentos apresentou uma menor porcentagem de finos e matéria orgânica, o que pode justificar a menor capacidade de retenção de metais pelo solo.
0.0 1.7 3.4 5.1 0 50 100 150 200 Cágua (mg/L) hsolo (cm) 0 1.7 3.4 5.1 0 50 100 150 200 Cágua (mg/L) hsolo (cm)
Figura 8- Ajuste numérico de dados experimentais dos ensaios de difusão
Mistura - Zinco Co≅ 200 mg/L ρ = 1,70 g/cm3 n = 0,35 De = 3,5 x10-6 cm2/s Am 4 - Zinco Co≅ 200 mg/L ρ = 1,66 g/cm3 n = 0,37 De = 3,5 x10-6 cm2/s dados experimentais ajuste pelo POLLUTE
6. CONCLUSÕES
Os ensaios de equilíbrio em lote forneceram uma boa indicação do fenômeno de sorção dos metais pesados pelo solo.
A adsorção do zinco para o solo da área de disposição 1 não ocorre totalmente em tempo menor que 24 horas, sugerindo que a retenção de zinco pelo solo ocorre devido ao processo de complexação do metal pela matéria orgânica.
O solo apresenta capacidade máxima de retenção de zinco em torno de 1,4 mg/g. Observa-se a tendência do fator de retardamento diminuir com o aumento da concentração de equilíbrio.
De acordo com dados dos ensaios de difusão pura, os coeficientes de distribuição Kd
das amostras de solo coletadas antes e após a disposição e remoção dos sedimentos são iguais a 5,7 e 2,5 cm3/g, respectivamente, sugerindo uma diminuição na capacidade de retenção de metais pelo solo de uma situação para outra.
Os coeficientes de distribuição Kd
determinados por ensaios de equilíbrio em lote e por ensaios de difusão pura apresentam-se iguais (5,7 cm3/g), indicando uma boa aproximação nos resultados dos dois ensaios.
7. AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem aos Laboratórios de Geociências/UFRJ, Biotecnologia-COPPE, EMBRAPA-Rio e CENPES/Petrobrás pela realização de alguns ensaios e análises químicas. Agradecem à Prefeitura do Rio de Janeiro (Programa de Cooperação Científica) e ao CNPq pela ajuda financeira recebida para realização do presente trabalho
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