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Uma Pedra no Bolso de Joaquim Pinto

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Academic year: 2021

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(1)

Uma Pedra no Bolso

de Joaquim Pinto

Portugal - 1987 -

92 min

> Uma Pedra no Bolso faz parte de uma coleção de

filmes europeus: a coleção CinEd, um programa de

educação para jovens através do cinema.

> Esta ficha permite-me redescobrir o filme, percorrê-lo em

palavras e imagens, saber mais sobre os lugares onde vivem

os personagens e sobre a sua época, criar e inventar, ir

mais longe descobrindo outras obras: filmes, livros, músicas,

fotografias, pinturas…

Através da participação no CinEd, partilho a descoberta

de filmes com jovens de outros países, por toda a Europa!

L’auteur de cette fiche est Arnaud Hée, critique de cinéma

et programmateur de films.

A

D

O filme

Na Europa e no resto do mundo

O filme e eu

Ir mais longe

B C

Ficha

jovem

espectador

(2)

CinEd — Ficha jov

em especta

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Uma P

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A

O filme

Visto no filme

Um percurso em imagens

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Miguel chateia-se com D. Marta

por ser tratado como uma criança.

Luísa vai ter com ele e dançam

juntos, abraçados um ao outro.

(5)

Miguel descobre que João esteve

com Luísa durante a noite,

enquanto dormia. Os dois

põem-se à bulha.

(6)

João janta com Fernando, um novo

convidado na estalagem com quem

fala de negócios estranhos. Finge

que não conhece Luísa, que serve

à mesa.

(1)

Miguel chega à estalagem de D.

Marta onde vai passar as férias

grandes sozinho, longe da família.

(2)

Depois de se instalar no

quarto, Miguel descobre Luísa,

uma rapariga que trabalha na

estalagem e por quem se vai

apaixonar.

(3)

Em frente à estalagem, Miguel

anda de barco com um novo

amigo: João, um pescador que

lhe conta histórias de raparigas e

as suas aventuras com elas.

(7)

Miguel, João e Fernando vão

juntos, no carro descapotável

deste, à feira popular. Na viagem

de regresso, João pede para

parar o carro e vai ter com outras

raparigas, deixando Miguel

sozinho com Fernando.

(8)

Miguel foge até à estalagem e

descobre que alguém roubou

a carteira de uma amiga de D.

Marta. Luísa assume a culpa do

roubo e D. Marta despede-a.

Luísa, antes de ir embora, chora

com Miguel nos seus braços.

(9)

No dia seguinte, Miguel foge da

estalagem, com uma pistola na

mão, e procura João, achando

que foi ele que roubou a carteira

(e não Luísa). João mente-lhe e

diz que não tem nada a ver com

o roubo.

(10)

No último dia de férias, Miguel

olha para o mar e a estalagem,

sozinho, no topo da colina. João

vai ter com ele e confessa que

foi ele quem roubou a carteira.

Miguel pergunta-lhe porque

Luísa se denunciou por ele e

João faz-lhe entender que há

coisas, na sua idade, que ainda

não vai conseguir perceber.

A

O filme

Visto no filme

Um percurso em imagens

1

Ouvido no filme

2

A

O filme

D. Marta: (...) tens de tirar um bocado para estudar. Hoje desapareceste todo o dia. Miguel: (...) sei muito bem o que faço. D. Marta: Enquanto estiveres aqui, a responsabilidade é minha. (...) Se saíres, tens de me dizer para onde vais.

Miguel: Fui para a pesca. Não podia parar a meio e voltar a nado.

D. Marta: Eu sei, vi-te chegar no barco do João. Podias escolher melhor as companhias.

Miguel: O que é que tens feito, tu? João: Eu? Nada de especial, pá.

Miguel: O que é que fizeste ontem à noite? João: Ontem à noite estava cansado. Fiquei em casa, começou a dar um filme pá, (...) Uma ‘granda' merda. Meti-me na cama.

Miguel: Não fizeste mais nada?

« Ao ver o pulo que deu, esquecemo-nos de que, afinal, ainda

é uma criança. Tratamo-lo como um adulto e, afinal, não passa

de um miúdo. (…) um dia deitei-me criança e acordei uma

mulher. » D. Marta

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O filme

A

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Dito sobre o filme

« Eu tinha trabalhado em som durante quase dez anos, mas

já tinha vontade de fazer um filme meu. A ideia era fazer um

filme com poucos meios e fazer uma rodagem com uma

estrutura de produção leve. Pensei que seria interessante

encontrar uma forma de trabalhar com um grupo pequeno

de personagens e numa unidade de espaço que permitisse

filmar em pouco tempo.”

« Queria trabalhar com actores e não-actores para poder misturar experiências diferentes. Convidei o

Manuel Lobão para fazer o papel de pescador sem que ele nunca tivesse feito nada em cinema. Fiz

testes com crianças, para o papel principal, mas descobri este rapaz ao cruzar-me com ele na rua. E

conhecia bem a Isabel de Castro e o Luís Miguel Cintra, dois actores com quem tinha trabalhado antes.»

Joaquim Pinto, réalisateur du film

Paula e Miguel Azguime, músicos e compositores da

banda-sonora do filme:

«A música era mesmo criação, não era um pano de fundo

para decorar a imagem. (…) O Joaquim Pinto disse-nos onde

queria música e onde queria silêncio, mas isso, depois, até

chegou a mudar. Depois foi: acção! O filme está a correr, e

tocávamos. Barulhos, música, tudo. Muito foi feito em tempo

real, ou seja, as nossas pausas também eram gravadas, o

nosso silêncio está no filme. É uma reacção viva, em directo.»

João Pedro Bénard, produtor do filme:

« Naquela altura, era completamente invulgar fazer um filme

com quatro ou cinco pessoas. Eu nunca o tinha feito nem soube

de ninguém que o tivesse feito. Nós nem tínhamos electricistas.

Não era fácil fazer um filme sem apoios porque não existia

ainda o vídeo. Era preciso pagar a película, o laboratório… O

Joaquim Pinto tinha uma associação com o laboratório Tobis e

amizades que nos emprestaram material. Foi uma experiência

inacreditável.»

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Contexto: 1988

A República tem um fim com um golpe militar, em 1926, que abre espaço, poucos anos depois, a uma ditadura fascista. Em 1933, nascia o Estado Novo português, chefiado por António de Oliveira Salazar. Esta ditadura deixa marcas profundas na sociedade portuguesa: isolamento internacional, uma vida controlada pela censura e pela polícia política, e uma economia pobre e analfabeta. A 25 de Abril de 1974, as forças armadas portuguesas fizeram a Revolução dos Cravos. Nasce, então, a democracia portuguesa, que cresce com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) em 1986.

Uma Pedra no Bolso estreia dois anos depois.

Nessa altura, o país ainda era um país periférico de diferenças sociais muito grandes. Portugal era, assim, um país feito das pessoas que viviam na estalagem de Uma Pedra no Bolso: uma geração mais velha marcada pela mentira da ditadura (D. Marta), os adultos que a viveram e têm os seus hábitos corrompidos (João), e os mais jovens que, com toda a vida pela frente, conhecem as dores do crescimento e as desilusões que as acompanham (Luísa, mais adulta, e Miguel, em criança).

République tchèque :

Kámen v kapse

Espagne :

Una piedra en el bolsillo

Bulgarie :

Камък в джоба

Comment dit-on

Une pierre dans la poche

dans d’autres pays ?

Portugal :

Uma Pedra no Bolso

(titre original)

Italie :

Una pietra nella tasca

Roumanie :

Un sâmbure de îndoială

Finlande :

Epäilyksen siemen

Na Europa

e no resto

1

O filme e os títulos

B

Royaume-Uni :

A stone in the pocket

Lituanie :

AKMUO KIŠENĖJE

O filme e a sua época

2

República Checa:

Kámen v kapse

Espanha:

Una piedra en el bolsillo Bulgária:

Камък в джоба

O título do filme nos países parceiros do

programa CinEd

Portugal:

Uma Pedra no Bolso

Itália:

Una pietra nella tasca

Roménia:

Un sâmbure de îndoială

Finlândia :

Epäilyksen siemen

Reino Unido:

A stone in the pocket Lituânia :AKMUO KIŠENĖJE

França:

Une pierre dans la poche

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Se eu pudesse escolher outro título para o filme este seria...

O que é que Miguel está a sentir quando vê Luísa a estender a roupa ao sol?

Porque é que Miguel não quer obedecer a João quando tem a faca e o peixe na mão?

O que dizem as cartas que Miguel encontra no quarto de Luísa?

Quantos instrumentos consigo identificar na banda sonora do filme?

Escolher e

criar imagens

Querido Joaquim…

Escrevo uma carta ao realizador Joaquim Pinto para lhe dizer o que achei do filme

:

o que gostei e não gostei e pergunto-lhe aquilo que não percebi.

Posso também dizer-lhe o que faria diferente se fosse eu o realizador.

O filme

e eu

C

1

Aprendo e imagino

Espaço Jovem Espectador

cined.eu/pt/espaco-jovem-espectador

Vou ordenar as imagens de forma livre e comentar as minhas escolhas.

A partir do conjunto das imagens dadas e de outras que vou arranjar (fotografias, banda desenhada, pintura, etc.) crio um poema visual, ao qual posso adicionar palavras.

Escolho as dez imagens que

me marcaram, emocionaram ou impressionaram mais no filme.

Qual seria o cartaz que eu

teria feito para o filme?

Quais foram os momentos que

mais me surpreenderam no filme?

No espaço Jovem Espectador, vou seleccionar as imagens que melhor correspondem a esses momentos, ordená-las e escrever uma legenda para cada uma delas.

Quais são as imagens que

melhor representam os temas do filme (por exemplo: a infância, a idade adulta, o amor, a amizade, a traição, os segredos)?

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Ir mais

longe

Il posto (1961, Itália)

de Ermanno Olmi

(

filmedacolecção

c

in

e

d

)

Il Posto é também um filme sobre um

jovem rapaz entalado entre a infância e a idade adulta: alguém de quem se espera ter atitudes adultas numa idade ainda jovem (como, por exemplo, trabalhar num escritório, de fato e gravata, e rodear-se de pessoas mais velhas) e que também conhece, nesse momento, o seu primeiro encontro com o amor, um acontecimento com o qual sente dificuldade em estar à altura. Para além disso, Il Posto vem de um período do cinema italiano (o neo-realismo, um movimento do cinema italiano, entre as décadas dos anos 40 e 60, que se focava na realidade da vida e que fazia filmes com poucos meios) que muito influenciou Joaquim Pinto na maneira como produziu e realizou Uma Pedra no Bolso.

Pauline na Praia (1996,

França), Éric Rohmer

Eric Rohmer é outro realizador que juntou actores profissionais a actores não-profissionais nos seus filmes, e que filmou sempre em lugares verdadeiros com equipas de filmagem muito pequenas (assim o incentivou o movimento do cinema onde ele se inseria - a Nouvelle Vague francesa - e no qual Rohmer era uma das principais figuras). Pauline

na Praia concentra-se numa jovem

rapariga que põe à prova os seus sentimentos, e as suas ideias sobre o amor, a partir das suas relações de amizade com os adultos e daquilo que aprende com eles. Apesar dos seus muitos diálogos, este filme vive também dos seus segredos e da sua sensualidade, algo que influenciou Joaquim Pinto durante toda a sua carreira.

Se gostei de Uma Pedra no Bolso, então também poderei

gostar deste filme da colecção CinEd:

Espaço Jovem Espectador

cined.eu/pt/espaco-jovem-espectador

Descubro os excertos de Uma Pedra no Bolso nos filmes pedagógicos À Mesa, Distância, No Carro

e Olhares e procuro as diferenças da abordagem que existem com outras cenas dedicadas ao

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Ir mais

longe

Onde Fica a Casa do Meu Amigo?

(1987, Irão), Abbas Kiarostami

O realizador iraniano ficou conhecido, no cinema mundial, por fazer filmes em lugares verdadeiros, no seu país, com os seus habitantes. Ao misturar histórias de ficção com as vidas pessoais das pessoas que filmava, Kiarostami conseguiu fundir realidade e ficção como poucos fizeram na história do cinema. Ao mesmo tempo, filmava com equipas muito pequenas, tal como Joaquim Pinto em

Uma Pedra no Bolso. Em Onde Fica a Casa do Meu Amigo, Kiarostami mostra o dia agitado de uma criança

que procura a casa do seu amigo, numa outra aldeia, para lhe devolver um caderno com que ficou por engano: a história de uma criança, mais uma vez, a viver sozinha no mundo dos adultos (o plano em que a criança de Kiarostami sobe pela colina acima lembra muito aquele que Joaquim Pinto fez quando filmou Miguel, a subir os degraus da estalagem, quando vai procurar João no fim do filme).

Na pintura de Henri Matisse:

Matisse foi um dos pintores mais conhecidos do séc. XX. Apesar das suas formas não serem realistas, Matisse inspirava-se muito na beleza do quotidiano, da vida do dia-a-dia e de lugares exóticos. A sua filosofia, a sua postura perante a arte, e a liberdade do seu traço inspiraram, também, o olhar de Joaquim Pinto quando capta a luz de um lugar, a posição dos corpos dentro de um plano, ou, como no caso desta imagem, na aparência e guarda-roupa das personagens.

Posso ainda encontrar um pouco do universo de

Uma Pedra no Bolso…

La Blouse roumaine, 1940, Henri Matisse.

Referências

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