Uma Pedra no Bolso
de Joaquim Pinto
Portugal - 1987 -
92 min
> Uma Pedra no Bolso faz parte de uma coleção de
filmes europeus: a coleção CinEd, um programa de
educação para jovens através do cinema.
> Esta ficha permite-me redescobrir o filme, percorrê-lo em
palavras e imagens, saber mais sobre os lugares onde vivem
os personagens e sobre a sua época, criar e inventar, ir
mais longe descobrindo outras obras: filmes, livros, músicas,
fotografias, pinturas…
Através da participação no CinEd, partilho a descoberta
de filmes com jovens de outros países, por toda a Europa!
L’auteur de cette fiche est Arnaud Hée, critique de cinémaet programmateur de films.
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O filme
Na Europa e no resto do mundo
O filme e eu
Ir mais longe
B CFicha
jovem
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O filme
Visto no filme
Um percurso em imagens
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(4)
Miguel chateia-se com D. Marta
por ser tratado como uma criança.
Luísa vai ter com ele e dançam
juntos, abraçados um ao outro.
(5)
Miguel descobre que João esteve
com Luísa durante a noite,
enquanto dormia. Os dois
põem-se à bulha.
(6)
João janta com Fernando, um novo
convidado na estalagem com quem
fala de negócios estranhos. Finge
que não conhece Luísa, que serve
à mesa.
(1)
Miguel chega à estalagem de D.
Marta onde vai passar as férias
grandes sozinho, longe da família.
(2)
Depois de se instalar no
quarto, Miguel descobre Luísa,
uma rapariga que trabalha na
estalagem e por quem se vai
apaixonar.
(3)
Em frente à estalagem, Miguel
anda de barco com um novo
amigo: João, um pescador que
lhe conta histórias de raparigas e
as suas aventuras com elas.
(7)
Miguel, João e Fernando vão
juntos, no carro descapotável
deste, à feira popular. Na viagem
de regresso, João pede para
parar o carro e vai ter com outras
raparigas, deixando Miguel
sozinho com Fernando.
(8)
Miguel foge até à estalagem e
descobre que alguém roubou
a carteira de uma amiga de D.
Marta. Luísa assume a culpa do
roubo e D. Marta despede-a.
Luísa, antes de ir embora, chora
com Miguel nos seus braços.
(9)
No dia seguinte, Miguel foge da
estalagem, com uma pistola na
mão, e procura João, achando
que foi ele que roubou a carteira
(e não Luísa). João mente-lhe e
diz que não tem nada a ver com
o roubo.
(10)
No último dia de férias, Miguel
olha para o mar e a estalagem,
sozinho, no topo da colina. João
vai ter com ele e confessa que
foi ele quem roubou a carteira.
Miguel pergunta-lhe porque
Luísa se denunciou por ele e
João faz-lhe entender que há
coisas, na sua idade, que ainda
não vai conseguir perceber.
A
O filme
Visto no filme
Um percurso em imagens
1
Ouvido no filme
2
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O filme
D. Marta: (...) tens de tirar um bocado para estudar. Hoje desapareceste todo o dia. Miguel: (...) sei muito bem o que faço. D. Marta: Enquanto estiveres aqui, a responsabilidade é minha. (...) Se saíres, tens de me dizer para onde vais.
Miguel: Fui para a pesca. Não podia parar a meio e voltar a nado.
D. Marta: Eu sei, vi-te chegar no barco do João. Podias escolher melhor as companhias.
Miguel: O que é que tens feito, tu? João: Eu? Nada de especial, pá.
Miguel: O que é que fizeste ontem à noite? João: Ontem à noite estava cansado. Fiquei em casa, começou a dar um filme pá, (...) Uma ‘granda' merda. Meti-me na cama.
Miguel: Não fizeste mais nada?
« Ao ver o pulo que deu, esquecemo-nos de que, afinal, ainda
é uma criança. Tratamo-lo como um adulto e, afinal, não passa
de um miúdo. (…) um dia deitei-me criança e acordei uma
mulher. » D. Marta
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O filme
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Dito sobre o filme
« Eu tinha trabalhado em som durante quase dez anos, mas
já tinha vontade de fazer um filme meu. A ideia era fazer um
filme com poucos meios e fazer uma rodagem com uma
estrutura de produção leve. Pensei que seria interessante
encontrar uma forma de trabalhar com um grupo pequeno
de personagens e numa unidade de espaço que permitisse
filmar em pouco tempo.”
« Queria trabalhar com actores e não-actores para poder misturar experiências diferentes. Convidei o
Manuel Lobão para fazer o papel de pescador sem que ele nunca tivesse feito nada em cinema. Fiz
testes com crianças, para o papel principal, mas descobri este rapaz ao cruzar-me com ele na rua. E
conhecia bem a Isabel de Castro e o Luís Miguel Cintra, dois actores com quem tinha trabalhado antes.»
Joaquim Pinto, réalisateur du film
Paula e Miguel Azguime, músicos e compositores da
banda-sonora do filme:
«A música era mesmo criação, não era um pano de fundo
para decorar a imagem. (…) O Joaquim Pinto disse-nos onde
queria música e onde queria silêncio, mas isso, depois, até
chegou a mudar. Depois foi: acção! O filme está a correr, e
tocávamos. Barulhos, música, tudo. Muito foi feito em tempo
real, ou seja, as nossas pausas também eram gravadas, o
nosso silêncio está no filme. É uma reacção viva, em directo.»
João Pedro Bénard, produtor do filme:
« Naquela altura, era completamente invulgar fazer um filme
com quatro ou cinco pessoas. Eu nunca o tinha feito nem soube
de ninguém que o tivesse feito. Nós nem tínhamos electricistas.
Não era fácil fazer um filme sem apoios porque não existia
ainda o vídeo. Era preciso pagar a película, o laboratório… O
Joaquim Pinto tinha uma associação com o laboratório Tobis e
amizades que nos emprestaram material. Foi uma experiência
inacreditável.»
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Contexto: 1988
A República tem um fim com um golpe militar, em 1926, que abre espaço, poucos anos depois, a uma ditadura fascista. Em 1933, nascia o Estado Novo português, chefiado por António de Oliveira Salazar. Esta ditadura deixa marcas profundas na sociedade portuguesa: isolamento internacional, uma vida controlada pela censura e pela polícia política, e uma economia pobre e analfabeta. A 25 de Abril de 1974, as forças armadas portuguesas fizeram a Revolução dos Cravos. Nasce, então, a democracia portuguesa, que cresce com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) em 1986.
Uma Pedra no Bolso estreia dois anos depois.
Nessa altura, o país ainda era um país periférico de diferenças sociais muito grandes. Portugal era, assim, um país feito das pessoas que viviam na estalagem de Uma Pedra no Bolso: uma geração mais velha marcada pela mentira da ditadura (D. Marta), os adultos que a viveram e têm os seus hábitos corrompidos (João), e os mais jovens que, com toda a vida pela frente, conhecem as dores do crescimento e as desilusões que as acompanham (Luísa, mais adulta, e Miguel, em criança).
République tchèque :
Kámen v kapse
Espagne :
Una piedra en el bolsillo
Bulgarie :
Камък в джоба
Comment dit-on
Une pierre dans la poche
dans d’autres pays ?
Portugal :
Uma Pedra no Bolso
(titre original)
Italie :
Una pietra nella tasca
Roumanie :
Un sâmbure de îndoială
Finlande :
Epäilyksen siemen
Na Europa
e no resto
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O filme e os títulos
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Royaume-Uni :
A stone in the pocket
Lituanie :
AKMUO KIŠENĖJE
O filme e a sua época
2
República Checa:
Kámen v kapse
Espanha:
Una piedra en el bolsillo Bulgária:
Камък в джоба
O título do filme nos países parceiros do
programa CinEd
Portugal:
Uma Pedra no Bolso
Itália:
Una pietra nella tasca
Roménia:
Un sâmbure de îndoială
Finlândia :
Epäilyksen siemen
Reino Unido:
A stone in the pocket Lituânia :AKMUO KIŠENĖJE
França:
Une pierre dans la poche
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Se eu pudesse escolher outro título para o filme este seria...
O que é que Miguel está a sentir quando vê Luísa a estender a roupa ao sol?
Porque é que Miguel não quer obedecer a João quando tem a faca e o peixe na mão?
O que dizem as cartas que Miguel encontra no quarto de Luísa?
Quantos instrumentos consigo identificar na banda sonora do filme?
Escolher e
criar imagens
Querido Joaquim…
Escrevo uma carta ao realizador Joaquim Pinto para lhe dizer o que achei do filme
:
o que gostei e não gostei e pergunto-lhe aquilo que não percebi.
Posso também dizer-lhe o que faria diferente se fosse eu o realizador.
O filme
e eu
C
1
Aprendo e imagino
Espaço Jovem Espectador
cined.eu/pt/espaco-jovem-espectador
Vou ordenar as imagens de forma livre e comentar as minhas escolhas.
A partir do conjunto das imagens dadas e de outras que vou arranjar (fotografias, banda desenhada, pintura, etc.) crio um poema visual, ao qual posso adicionar palavras.
Escolho as dez imagens que
me marcaram, emocionaram ou impressionaram mais no filme.
Qual seria o cartaz que eu
teria feito para o filme?
Quais foram os momentos que
mais me surpreenderam no filme?
No espaço Jovem Espectador, vou seleccionar as imagens que melhor correspondem a esses momentos, ordená-las e escrever uma legenda para cada uma delas.
Quais são as imagens que
melhor representam os temas do filme (por exemplo: a infância, a idade adulta, o amor, a amizade, a traição, os segredos)?
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D
Ir mais
longe
Il posto (1961, Itália)
de Ermanno Olmi
(
filmedacolecçãoc
ine
d)
Il Posto é também um filme sobre um
jovem rapaz entalado entre a infância e a idade adulta: alguém de quem se espera ter atitudes adultas numa idade ainda jovem (como, por exemplo, trabalhar num escritório, de fato e gravata, e rodear-se de pessoas mais velhas) e que também conhece, nesse momento, o seu primeiro encontro com o amor, um acontecimento com o qual sente dificuldade em estar à altura. Para além disso, Il Posto vem de um período do cinema italiano (o neo-realismo, um movimento do cinema italiano, entre as décadas dos anos 40 e 60, que se focava na realidade da vida e que fazia filmes com poucos meios) que muito influenciou Joaquim Pinto na maneira como produziu e realizou Uma Pedra no Bolso.
Pauline na Praia (1996,
França), Éric Rohmer
Eric Rohmer é outro realizador que juntou actores profissionais a actores não-profissionais nos seus filmes, e que filmou sempre em lugares verdadeiros com equipas de filmagem muito pequenas (assim o incentivou o movimento do cinema onde ele se inseria - a Nouvelle Vague francesa - e no qual Rohmer era uma das principais figuras). Pauline
na Praia concentra-se numa jovem
rapariga que põe à prova os seus sentimentos, e as suas ideias sobre o amor, a partir das suas relações de amizade com os adultos e daquilo que aprende com eles. Apesar dos seus muitos diálogos, este filme vive também dos seus segredos e da sua sensualidade, algo que influenciou Joaquim Pinto durante toda a sua carreira.
Se gostei de Uma Pedra no Bolso, então também poderei
gostar deste filme da colecção CinEd:
Espaço Jovem Espectador
cined.eu/pt/espaco-jovem-espectador
Descubro os excertos de Uma Pedra no Bolso nos filmes pedagógicos À Mesa, Distância, No Carro
e Olhares e procuro as diferenças da abordagem que existem com outras cenas dedicadas ao
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Onde Fica a Casa do Meu Amigo?
(1987, Irão), Abbas Kiarostami
O realizador iraniano ficou conhecido, no cinema mundial, por fazer filmes em lugares verdadeiros, no seu país, com os seus habitantes. Ao misturar histórias de ficção com as vidas pessoais das pessoas que filmava, Kiarostami conseguiu fundir realidade e ficção como poucos fizeram na história do cinema. Ao mesmo tempo, filmava com equipas muito pequenas, tal como Joaquim Pinto em
Uma Pedra no Bolso. Em Onde Fica a Casa do Meu Amigo, Kiarostami mostra o dia agitado de uma criança
que procura a casa do seu amigo, numa outra aldeia, para lhe devolver um caderno com que ficou por engano: a história de uma criança, mais uma vez, a viver sozinha no mundo dos adultos (o plano em que a criança de Kiarostami sobe pela colina acima lembra muito aquele que Joaquim Pinto fez quando filmou Miguel, a subir os degraus da estalagem, quando vai procurar João no fim do filme).
Na pintura de Henri Matisse:
Matisse foi um dos pintores mais conhecidos do séc. XX. Apesar das suas formas não serem realistas, Matisse inspirava-se muito na beleza do quotidiano, da vida do dia-a-dia e de lugares exóticos. A sua filosofia, a sua postura perante a arte, e a liberdade do seu traço inspiraram, também, o olhar de Joaquim Pinto quando capta a luz de um lugar, a posição dos corpos dentro de um plano, ou, como no caso desta imagem, na aparência e guarda-roupa das personagens.
Posso ainda encontrar um pouco do universo de
Uma Pedra no Bolso…
La Blouse roumaine, 1940, Henri Matisse.