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aula exposit Capitulo 7

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Academic year: 2021

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Capítulo VII

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Sugestão de atividades:

Cada aluno deve escolher um tema para apresentar uma aula de aproximadamente 10 minutos. Esta aula deverá ser filmada. Após todos os alunos terem apresentado a sua mini-aula o professor deverá promover uma sessão de discussão das mini-aulas apresentadas, discutindo com os alunos algumas questões relativas à apresentação: clareza de exposição, ritmo, postura, desenvolvimento, etc.

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Introdução

Em capítulo anterior apontamos algumas premissas a serem obedecidas na definição do que seria um Domínio da Matéria (Gauthier 1997) na área do Ensino de Ciências. Nesse capítulo, e nos se-guintes, abordaremos os aspectos técnicos das várias maneiras pelas quais o Professor pode exe-cutar o seu trabalho discutindo o que chamamos da grande área das Técnicas de Ensino. Começaremos abordando a Aula Expositiva por ser a forma mais difundida no nosso ambiente escolar. Entendemos por Aula Expositiva àquela atividade onde o Professor discorre sobre um tema, com a ajuda ou não de suportes tecnológicos: giz e quadro, transparências, episcópio, diapo-sitivos, demonstrações, multimídia. O que caracteriza a Aula Expositiva é haver um Professor que discorre ou expõe determinado tema a um grupo de alunos.

Outra técnica que abordaremos a seguir (Capítulo 8) é o uso de Recursos Audiovisuais. Os Re-cursos Audiovisuais podem ser pensados como uma ferramenta em si mesmos, caso de um vídeo por exemplo, ou como um suporte a uma exposição, caso típico de transparências. Abordaremos o uso dos Recursos Audiovisuais nestas duas situações.

Outra técnica bastante útil no ambiente escolar, que encontra suporte tanto na teoria piagetiana como em Vygotsky, é a técnica de Trabalho em Grupo. Discorreremos sobre esta técnica no Ca-pítulo 9, apontando suas vantagens e analisando as principais maneiras de se trabalhar com gru-pos dentro do Ensino de Ciências.

Na berlinda já há algum tempo nos Estados Unidos e na Europa, e com investimentos vultosos por parte do Governo Federal brasileiro, a Informática Educativa é uma técnica que merece um estudo sistemático que aponte ao futuro Professor as suas potencialidades e indique as formas como o computador, entendido como ferramenta, pode se acoplar ao pedagógico. Este tópico será discutido no Capítulo 10.

Por fim, no Capítulo 11, analisaremos a Técnica de Leitura, com ênfase especial ao livro

didá-tico. Na nossa sociedade, o texto ainda é o principal meio pelo qual a informação se dissemina e a

habilidade de leitura é fundamental para o entendimento de qualquer assunto, e da Ciência em particular.

Cabe aqui um comentário sobre o Ensino Experimental. Este deve ser entendido como uma técnica de Ensino. Mas, como suas especificidades são grandes, preferimos colocá-lo em um capí-tulo a parte (Capícapí-tulo 12) juntamente com a técnica de Demonstração de Experimentos e a discussão sobre Feiras de Ciências.

Da mesma forma, outras técnicas de Ensino que já foram abordadas, quando tratamos da teoria de Skinner, foram a Instrução Programada e as Máquinas de Ensinar (ver o Capítulo 2). No presente capítulo discutiremos um dos assuntos que, sem dúvida, compõe a maior parte das atividades de um Professor na escola atual: a Aula Expositiva. O trabalho que apresentaremos a seguir não é inovador quanto ao conteúdo, no sentido de serem novas descobertas no domínio da Pesquisa mas, sim, é uma compilação de informações esparsas e tem muito de experiência pesso-al, como Professor e como Seminarista.

Procuramos desta maneira tentar sanar um dos problemas para a definição do Domínio da

Maté-ria, apontadas no capítulo já citado anteriormente, a saber: a dificuldade de obter-se a informação

necessária para a definição do dito Domínio.

Apesar de largamente utilizada, esta técnica de Ensino é mal empregada na maioria das vezes. É raro ver-se um Professor que a utilize de forma criteriosa e adequada. Há um costume

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dissemina-to, a Aula Expositiva é tão boa quanto qualquer outra técnica de Ensino, se estivermos pensando apenas na transmissão de conceitos e leis.

Por outro lado, se nosso objetivo for o desenvolvimento de alguma habilidade específica, a Aula Expositiva não é, na maior parte dos casos, o meio adequado para atingir-se este objetivo.

Pela sua própria natureza, a Aula Expositiva é fortemente dependente do Professor e da sua ha-bilidade de conduzir uma platéia até determinado fim. Neste caso, as haha-bilidades do Professor são fundamentais.

A seguir, discorreremos sobre algumas características da Aula Expositiva e de algumas caracte-rísticas que o Professor deve apresentar para poder ministrá-la de forma adequada. Outro ponto a ser considerado é que a Aula Expositiva não é, por si só, exemplo de técnica de Ensino associada a esta ou aquela corrente de pensamento, em termos epistemológicos. A estrutura e a dinâmica que o Professor imprimir a sua aula é que serão determinadas pelas Teorias de Ensino e de Aprendi-zagem à qual ele se filia. Pode-se ter uma Aula Expositiva com características que a identifiquem com a escola Comportamentalista ou com características que a identifique com a escola Ausubeli-na.

Quando a Aula Expositiva é preferível a outras

técni-cas de Ensino?

Listaremos a seguir algumas características que uma situação de sala de aula deve apresentar de modo a que a Aula Expositiva seja preferível a outras formas de desenvolver o Ensino:

Caráter de síntese - se for para repetir o que já está escrito no livro texto o Professor não deve

perder tempo com uma Aula Expositiva. A Aula Expositiva será útil se as fontes (materiais de consulta) necessárias para o desenvolvimento do tópico forem esparsas ou de difícil acesso. São exemplos deste tipo de situação um tópico que somente poderá ser encontrado em revis-tas especializadas (às vezes em língua estrangeira) ou um tópico que é dominado por um es-pecialista e para o qual não há texto ou outro material instrucional disponível. Portanto, a primeira pergunta que deve ser respondida pelo Professor, quando em processo de decisão se dado conteúdo deve ser desenvolvido através de uma Aula Expositiva ou não, é a seguinte: há uma (ou mais) fontes de fácil acesso aos estudantes onde o tema esteja suficientemente bem coberto? Caso a resposta seja afirmativa não é necessária, em princípio, uma Aula Expositiva sobre o assunto e outras formas de trabalho devem ser buscadas.

Caráter introdutório ou de conclusão - esta é uma das principais funções nas quais uma

Au-la Expositiva é útil: no início de uma unidade como forma de apresentar o tema e apontar desdobramentos futuros que poderão ou não ser desenvolvidos através de outras aulas exposi-tivas ou outras técnicas de Ensino. É um momento para fazer-se o que Ausubel (Ausubel et al.

1980, Moreira 1983) chama de diferenciação progressiva. Outro momento importante

on-de a Aula Expositiva é útil é ao final on-de uma unidaon-de, onon-de vários on-desdobramentos do tópico foram feitos. Neste momento o Professor fará o que dentro da teoria de Ausubel se chama de

reconciliação integrativa onde irá procurar restaurar a unidade original do tema,

estabe-lecendo (ou explicitando) vínculos e ligações, favorecendo desse modo a hierarquização conceitual.

Tempo limitado - a forma de Aula Expositiva é útil também quando o tempo de que dispomos

para o desenvolvimento de determinado conteúdo é limitado e insuficiente diante do necessá-rio para o desenvolvimento daquele conteúdo por outras formas de Ensino. Esta é uma situa-ção muito comum no nosso sistema de Ensino regular onde o Professor deve “espremer” de-terminado conteúdo em dede-terminado tempo, pré - definido por outrem. Neste sentido, a Aula Expositiva é imbatível, se quisermos apenas a transmissão de fatos. Se a nossa preocupação também estiver centrada em desenvolvimento de habilidades é claro que haverá uma perda

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considerável. Mas como boa parte das coisas da vida é uma questão de fazer-se um balanço entre perdas e ganhos.

Recursos escassos - uma das razões da perpetuação da Aula Expositiva como principal técnica

de Ensino é o seu baixo custo. Tipicamente, na grande maioria das nossas escolas, a Aula Ex-positiva ainda é desenvolvida na base do giz branco e quadro. O custo desta aula se restringe ao custo da hora - Professor acrescido do custo de manutenção do local onde a aula se desen-volve (energia elétrica, água, etc.). É bem diferente do custo de uma aula de laboratório onde além destes temos os custos de equipamentos (compra e manutenção) e materiais de consumo (fitas, molas, papel milimetrado, reagentes, etc.). Em virtude disso, quando o Professor não tem possibilidade de organizar outro tipo de atividade por falta de recursos a Aula Expositiva é melhor do que nada.

Número excessivo de alunos - este é outro ponto que é um calcanhar de Aquiles dentro do

nos-so sistema de Ensino regular. A maior parte das outras técnicas de Ensino dizem respeito a incorporação de características individuais ao Ensino, numa tentativa de personalização. Por-tanto, estas técnicas são de difícil aplicação (seja pelo custo seja pela impossibilidade física do Professor) quando a turma excede a vinte alunos1. Por exemplo, uma aula de laboratório com

grupos com mais de três alunos pode tornar-se inviável pelo custo (em uma turma de 30 alu-nos seriam necessários 10 conjuntos de materiais para cada experimento, pelo mealu-nos) e pela impossibilidade física do Professor discutir com os grupos os seus procedimentos durante a aula (seja pela falta de tempo seja pelo esgotamento físico do Professor). Nestas situações, a Aula Expositiva ainda é a melhor opção2.

Características desejáveis de uma Aula Expositiva

A Aula Expositiva, como já foi salientado antes, é fortemente dependente das características pes-soais do Professor: seu preparo técnico no assunto, sua capacidade de empatia, sua capacidade de motivação, etc. Listaremos a seguir alguns pontos que devem ser observados pelo Professor de modo que sua aula seja eficaz:

Caracterize o seu público alvo

O Professor deve sempre ter em mente que a aula expositiva é dada para os outros e não para ele mesmo. Isto implica que ele deve estar sempre atento às reações da platéia a qual ele se dirige. Muitas vezes achamos que estamos arrasando, nos deleitando ao som da nossa voz, e não nos damos conta que ninguém está conseguindo acompanhar o que dizemos.

Prepare sua aula

A aula deve ser pensada e organizada a priori pelo Professor. Um planejamento de aula bem feito é fundamental (ver o capítulo 6, Planejando o Ensino):

• Quais os pontos críticos naquele conteúdo?

• O tempo é adequado àquela quantidade de informação?

• O nível dos alunos é suficiente para a compreensão do conteúdo? • Haverá necessidade do uso de algum recurso audiovisual?

Compatibilize o conteúdo com o tempo

O conteúdo planejado para uma dada aula deve respeitar o tempo que o Professor destina a ela. Não adianta querer ensinar todo o Eletromagnetismo ou toda a Citologia em duas horas!

1 Este é outro número mágico tirado de nossa experiência pessoal e que pode ser ligeiramente dife-rente em função do Professor e do assunto abordado.

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tar o tempo é uma arte, pois envolve um pouco de experiência por parte do Professor. Além disso, respeitar o tempo tem duas vantagens: primeiro faz com que o fluxo da aula seja melhor e em se-gundo lugar é uma demonstração de respeito com os outros colegas que terão classes a seguir com aquela turma e não terão o desconforto de pedir a você que saia.

Outro ponto que deve ser considerado é o seguinte: o ouvinte consegue manter a atenção constan-te duranconstan-te um constan-tempo limitado. Em adultos esse constan-tempo oscila entre 30 a 40 minutos e é menor em crianças e adolescentes. Portanto, ao ministrar uma Aula Expositiva, você deve prestar atenção a este fato: não adianta falar durante duas horas sem parar pois você estará desperdiçando seu tempo e esforço. Alterne 30 a 40 minutos de exposição com uma pausa recreativa. Esta pausa po-de ser uma pergunta para que os ouvintes atuem po-de forma mais efetiva, uma brincapo-deira, um e-xercício para ser feito no caderno, um exemplo de aplicação do conteúdo que você está ministran-do, etc. O importante é que você quebre o ritmo da aula de forma a que as pessoas tenham como descansar e a seguir possam retomar a atenção de forma total durante mais de 30 ou 40 minutos. Em minha opinião em hipótese alguma uma Aula Expositiva deve passar de 80 minutos, aproxi-madamente. A capacidade de retenção cai virtualmente a zero após este tempo.

Use uma linguagem apropriada

A linguagem usada pelo Professor deve estar ao nível do grupo de alunos aos quais ele se dirige. Isto não quer dizer, em hipótese alguma, que o Professor deva falar errado apenas porque seus alunos o fazem! Isto apenas quer dizer que deve-se buscar evitar o uso de palavras e expressões que não têm sentido para aquele grupo.

Deve-se ter muito cuidado com o uso da língua. Em uma aula deste tipo, o Professor é um emissor de mensagens segundo um esquema como o da Figura 1.

Idéias na

mente do Professor Mensagememitida de decodificaçãoProcesso

Incorporação da mensagem pelo aluno

Quem faz a codi-ficação é o Pro-fessor e quem faz a decodificação é o aluno. Se a mensagem que o ProPro-fessor emite for codificada de forma errada (mau uso da língua) como poderá o aluno executar o processo de decodificação de forma correta?

Figura 1 Esquema de transmissão de informação entre o Professor e os alunos.

Cuidado especial deve ser tomado com expressões de caráter regional, cacoetes pessoais de lin-guagem e com expressões da linlin-guagem cotidiana utilizadas no discurso científico (a palavra tra-balho em Física, por exemplo) que podem ter um outro sentido na linguagem coloquial. Quando da introdução de termos que são comuns às linguagens científica e coloquial deve-se ter um espe-cial cuidado em apontar o duplo sentido do termo utilizado.

Quando da necessidade de usar-se termos técnicos deve-se sempre ter o cuidado de utilizar so-mente termos que já foram definidos. Caso haja necessidade de usar-se algum termo novo uma pequena digressão deve ser feita de modo a defini-lo antes do seu uso.

Ao trabalhar com fórmulas, sempre deve-se dar o nome das grandezas sobre as quais se discorre e nunca usar o nome dos símbolos que as representam. Assim, por exemplo, a equação abaixo:

F = ma

deve ser lida como: A força resultante é igual a massa vezes a aceleração e não, como comumente se vê: F é igual a m a.

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Como regra geral, a linguagem que o Professor utiliza deve ser clara. Os períodos devem ser cur-tos e na ordem direta:

sujeito + verbo + complemento.

As idéias devem ser apresentadas de forma fechada, ou seja, o ouvinte deve poder acompanhar o raciocínio do Professor.

Ritmo

O ritmo que o Professor imprime a uma Aula Expositiva é um dos pontos chaves para uma boa aula. Por ritmo entendo a velocidade com que o Professor fala acrescido das modulações que ele imprime ao seu discurso. Há Professores que falam baixo e no mesmo tom a aula inteira e outros que falam praticamente aos berros também durante a aula toda. Ambos estão errados pelo mes-mo mes-motivo: falta às suas aulas a alternância de ritmes-mo. O ritmes-mo da aula deve ir em um crescendo de tal modo que atinja o seu ápice naquele ponto onde os conceitos mais importantes são aborda-dos. O Professor deve transmitir aos seus alunos a paixão que ele tem com aquela disciplina, se-não como motivá-los? Da mesma forma que a voz a postura do Professor também transmite ritmo à sua aula: as mãos e o corpo de Professor “falam” com os alunos.

Introduza pausas estratégicas ao longo da sua fala. Após enunciar algum ponto mais importante introduza uma pausa (15 a 20 segundos) de modo a que aquela idéia penetre a mente dos alunos e interaja com os outros conceitos já presentes na estrutura cognitiva. Esta pausa pode ser conse-guida, por exemplo, pelo artifício de apagar o quadro ou substituir uma transparência ou por um breve deslocamento dentro da sala. Use a sua imaginação.

Postura

Listaremos a seguir alguns procedimentos a serem seguidos pelo Professor:

♦ Tenha postura descontraída. Se for do seu feitio faça brincadeiras, na medida do acon-selhável pelo bom senso. Como regra geral nunca tente ser o que você não é. Me acredi-te: isto normalmente resulta em desastres.

♦ Trate cada aluno ouvinte como se a aula estivesse sendo dada somente para ele e o fa-ça sentir-se como o aluno mais importante na classe. Como conseguir isto? Bem, a re-gra geral é: olhe para os olhos dos seus alunos. Não fuja dos seus olhares. Caminhe pe-la sape-la, se possível, olhando para os alunos como se estivesse conversando com eles. ♦ Em caso de platéias muito grandes (um auditório, por exemplo) uma forma de obter-se

este efeito é a seguinte: mantenha o foco do seu olhar em algum ponto entre a primeira fileira e a fileira do meio durante algum tempo. Com isto toda a primeira metade do auditório se sentirá olhada. Alterne o olhar para um ponto médio entre a fileira do meio e a última. Com isto toda a parte de trás do auditório se sentirá olhada. É claro que em ambos os casos você deverá percorrer o auditório com o olhar da esquerda para a direita e da direita para a esquerda de modo a que as duas metades se sintam obser-vadas.

Nunca fale quando estiver escrevendo no quadro! Fale sempre virado para a turma.

Esta recomendação tem duas razões de ser: uma por que é falta de educação dar as costas quanto se fala a alguém e a outra é que a voz, quando refletida pelo quadro (que é o som que os alunos irão escutar), torna-se áspera e desagradável para quem escuta, favorecendo a perda de concentração da turma.

Um efeito psicológico subjacente, relacionado com o que explicamos no parágrafo ante-rior, diz respeito ao grau com que as pessoas sentirão que são importantes para você: a impressão delas a este respeito, quando você fala olhando para o quadro, é que você

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Se você estiver dando uma aula apoiado pelo uso de transparências ou slides3 nunca

fi-que na frente da tela. Se houver necessidade de apontar para algum item da transpa-rência ou slide observe o seguinte:

• Use um apontador (uma vareta fina serve muito bem) para indicar sobre a transparência o que você deseja salientar de tal modo que as pessoas possam observar na tela o que está sendo ressaltado. Esta opção é desaconselhável se você não tiver um bom controle das mãos (mãos trêmulas) pois aí você acabará irritando as pessoas que acompanham a sua apresentação.

• Ou, então, utilize uma vara comprida (uma antena de rádio serve muito bem) ou um apontador a laser4 (difícil de adquirir com o salário atual de Professor)

para apontar na tela o que você deseja ressaltar.

• Não use para apontar nenhum objeto que faça sombra à imagem que está sendo projetada.

• No caso do uso de slides não há alternativa a não ser algum tipo de apontador sobre a tela mas tenha cuidado de escolher aquele que menos interfira na i-magem e nunca fique entre o projetor e a tela em hipótese alguma, em qual-quer caso!

• Ao usar transparências cubra aquelas partes da transparência que não se re-lacionam com o assunto sobre o qual você está falando no momento5. A razão

para este cuidado é que quando permitimos aos assistentes terem visão dos outros assuntos de que se falará há um desvio de atenção do ponto sobre o qual discorremos no momento.

• Tanto quando se usa transparências como quando se projeta um slide a tela deve ficar com uma angulação adequada de tal modo que todos os alunos pos-sam enxergá-la por completo. Uma boa posição quando temos um turma dis-posta em filas, com uma frente paralela em relação ao quadro, é colocar a tela em um canto da sala com um ângulo de aproximadamente 300 em relação à

frente da classe.

♦ Vista-se adequadamente, de acordo com o nível sócio econômico da população para a qual você está falando. Isto não significa vestir-se mal ao trabalhar com escolas de classe menos favorecida e nem gastar todo o seu salário em roupas de grife ao traba-lhar com escolas de zonas tipo classe A. O bom senso deve ser a norma geral. Veja que ao vestir-se de uma forma muito sofisticada ao trabalhar em uma zona de periferia (mais pobre no Brasil) você poderá estar colocando uma barreira psicológica entre você e os seus alunos. De outra forma, ao vestir-se de maneira desleixada em uma escola onde os alunos provêm de uma classe de nível econômico mais elevado, você poderá es-tar se colocando em uma posição de inferioridade em relação aos seus alunos. Bom senso...

♦ Outro cuidado a ser tomado diz respeito ao asseio corporal. Causa uma péssima im-pressão um Professor com mau hálito ou cheirando a suor. Além disso, há um efeito

3 Há, em português, a palavra diapositivo. Por a considerarmos em desuso utilizaremos o termo em inglês, mais difundido.

4 Este tipo de ferramenta pode ser prejudicial aos olhos. Nós desaconselhamos o seu uso por ques-tões de segurança.

5 Aqui cabe um comentário: se as transparências forem bem feitas elas tratarão de apenas um tema e este cuidado será desnecessário. Trataremos desse assunto mais adiante quando discutirmos a confecção de transparências (o leitor mais apressado poderá encontrar no Capítulo 8 indicações sobre este assunto).

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psicológico sobre o próprio Professor que tende a se afastar dos alunos quando o asseio corporal não é bom, causando com isso uma inevitável separação entre o Professor e seus alunos.

Ouça seus alunos

O efeito de uma Aula Expositiva pode ser observado também a partir das respostas que os corpos dos alunos nos dão. Observe a postura dos alunos, o quanto eles se mexem nas cadeiras, para on-de olham, o grau on-de tensão que apresentam.

Todos estes fatores são indicadores do grau de eficácia da sua aula. Muitas vezes estes sinais são muito mais verdadeiros do que as respostas que os alunos fornecem quando perguntamos a eles se estão entendendo ou não o que tentamos lhes explicar.

Tipos de Aulas Expositivas

Podemos ter variações sobre tipos de Aulas Expositivas. As classificações que daremos abaixo não são padrão e visam apenas a ajudar você a compreender a dinâmica por trás de uma aula.

Clássica - é o tipo comumente encontrado na escola: o Professor discorre durante algum tempo

sobre determinado assunto. A postura dos alunos é totalmente passiva.

Dialogada - neste tipo de aula o Professor tenta romper com a postura passiva dos alunos

intro-duzindo questões que deverão ser respondidas pelos alunos.

Magistral - neste tipo de aula o Professor (um especialista de renome muitas vezes) discorre

so-bre o tema dando uma visão geral do assunto que será então desenvolvido em grupos menores por seus assistentes ou monitores.

Colóquio - bastante usado em encontros científicos o Colóquio se diferencia do Seminário pelo

grau de profundidade com que os assuntos são abordados: a população alvo de um Colóquio são pessoas não especialistas no assunto daí que o grau de profundidade com que os assuntos são tratados é menor do que em um Seminário. Com o Colóquio procura-se mais uma cobertu-ra horizontal do assunto.

Seminário - é o tipo de Aula Expositiva bastante usado em encontros científicos onde um

especi-alista discorre sobre um tema específico, sua especialidade, para uma platéia de especiespeci-alistas ou não. Em um Seminário, por oposição ao Colóquio, supõe-se uma platéia de especialistas, e procura-se uma cobertura vertical do assunto, partindo-se normalmente de generalidades em direção a temas mais áridos e técnicos.

Demonstração - neste tipo de aula o Professor utiliza algum aparato experimental para

de-monstrar algum efeito ou lei científica enquanto discorre sobre o assunto. Por ser um tipo de aula com dinâmica particular, a demonstração é discutida em uma seção própria no capítulo dedicado ao Ensino experimental.

Conclusão

Neste capítulo procuramos apresentar os fatores que contribuem para tornar a Aula Expositiva uma técnica de ensino exitosa.

Sintetizando, poderíamos dizer que a Aula Expositiva é uma ferramenta poderosa quando temos um ou mais dos fatores abaixo:

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♦As fontes de informação são de difícil obtenção;

♦Temos em menta a introdução de uma área do conteúdo (diferenciação progressiva); ♦Estamos encerrando o conteúdo (reconciliação integrativa).

Se bem utilizada a Aula Expositiva é um ferramenta poderosa para a transmissão de um corpo de conhecimentos acabado e fechado. Se o nosso objetivo for outro, como o desenvolvimento de habilidades de observação por exemplo, então deve-se buscar outras técnicas de ensino.

Referências

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