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Aula 02 PREVIDÊNCIA SOCIAL

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Academic year: 2021

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Resumo elaborado pela equipe de monitores. Todos os direitos reservados ao Master Juris. São proibidas a reprodução e quaisquer outras formas de compartilhamento.

Turma/Ano: Direito Previdenciário (2016)

Matéria/Data: Previdência Social: características e estrutura (25/04/15) Professor: Marcelo Tavares

Monitora: Márcia Beatriz

Aula 02

PREVIDÊNCIA SOCIAL Características

A previdência social, direito em espécie da seguridade social, consiste num plano de seguro que poderá ser público (mantido pelo Estado) ou privado.

Tem por principais características o caráter contributivo e a destinação exclusiva aos filiados, pois apesar de ser-lhe aplicável o princípio da universalidade, incide ainda sobre ela o princípio da seletividade.

A contributividade é o principal fator diferenciador entre previdência e assistência social. Ademais, enquanto a assistência social, que é gratuita, destina-se a todas as pessoas com necessidade, a previdência social é voltada somente para os filiados.

Estrutura

A previdência social brasileira é estruturada da seguinte maneira:

Previdência Social Pública RGPS art. 201, CRFB Lei n. 8.213/91 RPPS art. 40, CRFB Lei n. 9.717/98 RFCPS art. 40, §§14 a 16, CRFB Privada (art. 202, CRFB) Fechada LC 108/01 LC 109/01 Aberta

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Previdência Privada

Prevista no art. 202 da CRFB, a previdência privada é um plano de seguro que não é mantido por uma instituição estatal. Nesta espécie de previdência, a adesão poderá ser livre por qualquer pessoa (previdência aberta) ou restrita a um grupo específico (previdência fechada).

Na previdência aberta, as instituições privadas participam do sistema financeiro nacional e estão vinculadas a bancos – são as sociedades anônimas (S/A) de previdência suplementar, como por exemplo, o Itaú Vida e Previdência S/A.

Observação: As instituições privadas abertas não poderão oferecer o serviço de previdência em concomitância com seguros de carro e casa, por exemplo. O único serviço com ela compatível é o seguro de vida. Assim apesar de instituições coligadas, o Banco Itaú S/A não se confunde com Itaú Vida e Previdência S/A tampouco com Itaú Seguros de Automóvel e Residência S/A, visto que são pessoas jurídicas diferentes, com CNPJ distintos.

Existem dois institutos importantes da previdência aberta: o resgate e a portabilidade. Desta feita, uma pessoa que possua plano de previdência com uma instituição privada poderá sacar a qualquer momento o seu investimento ou ainda migrá-lo para outra empresa e levar consigo, na troca, seu fundo individualizado.

As instituições de previdência aberta são regulamentadas pela LC 109/01 e reguladas por dois órgãos: Conselho Monetário Nacional (CMN) e Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), ambos vinculados ao Ministério da Fazenda. Já a fiscalização dessas empresas é feita por uma autarquia, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).

Diferentemente da previdência aberta em que a pessoa faz uma reserva financeira individual, a previdência fechada é mantida por fundações privadas.

Ademais, aqui não há comercialização de planos nem livre contratação – a adesão é limitada a um grupo reservado. Assim, o fundo de pensão destina-se aos funcionários de uma determinada empresa ou a uma determinada categoria profissional 1.

1 Quando a previdência fechada for destinada a funcionários de certa empresa, serão contribuintes do fundo

os próprios empregados bem como a empresa a que estão vinculados, como é o caso da Petros. Porém, quando a previdência privada se destinar a uma categoria profissional, não haverá empresa com a obrigação de patrocinar o fundo – as instituições que participam desse modelo de previdência fechada são meramente instituidoras (e não patrocinadoras porque não desembolsam qualquer quantia), como no caso da OABPrev.

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Neste tipo de previdência privada, além do resgate e da portabilidade, existem ainda as figuras do autopatrocínio 2 e do vesting (benefício proporcional diferido, recebido pelo empregado que não

tendo completado o tempo necessário para a fruição da previdência complementar não opta pelo autopatrocínio).

A regulação das fundações de previdência fechada é feita pelo Conselho de Previdência Complementar (órgão colegiado vinculado ao Ministério da Previdência Social), e a fiscalização é realizada pela Secretaria de Previdência Complementar (órgão também vinculado ao MTPS). Previdência Pública

A previdência pública poderá ser de três espécies. O regime próprio (RPPS) é mantido para os servidores que ocupam cargo efetivo e agentes públicos com cargos vitalícios como magistrados, membros de tribunal de contas, promotores etc.

O RPPS está previsto no art. 40 da CRFB e a Lei n. 9.717/98 estabelece normas gerais ao regime, devendo cada ente federativo editar sua lei específica – na União é a Lei n. 8.112/90. Todos os Estados e o Distrito Federal possuem RPPS, assim como cerca de 60% dos Municípios 3.

O regime geral (RGPS) é o objeto principal de estudo desse curso. Atualmente ele mantém cerca de 90 milhões de pessoas vinculadas (60 milhões são contribuintes e 28 milhões beneficiários). O regime geral, previsto no art. 201 da CRFB bem como na Lei n. 8.213/91, é regulamentado pelo Decreto n. 3.048/99.

Ao contrário das outras espécies de previdência pública, o regime facultativo complementar (RFCPS) como o próprio nome indica, não é de instituição obrigatória pelas entidades federativas. No entanto, uma vez criado este regime, pode o ente limitar ao teto do INSS (R$ 5.189,00) o valor dos benefícios pagos pelo RPPS, sendo colocada à disposição do servidor uma complementação.

2 O autopatrocínio consiste na possibilidade do participante da previdência custear não apenas a

contribuição dele como também a contribuição da empresa. O interesse nesse tipo de ação é de ter garantido o pagamento de benefício futuro, pois caso, por exemplo, o estatuto preveja o pagamento de renda ao trabalhador que conte com 35 anos de contribuição e este venha a ser desligado da empresa quando continha apenas 33 anos de contribuição, ele nada receberá. Entretanto, ele poderá propor à empresa o pagamento, durante os dois anos faltantes, de sua contribuição, bem como do valor correspondente ao que empresa desembolsaria e desta forma concluir o tempo necessário para garantir a previdência complementar.

3 Os 40% de Municípios que não possuem RPPS se deve ao fato de não haver regime estatutário para esses

servidores municipais (são empregados públicos vinculados ao RGPS) ou, caso exista regime próprio, não se tem número suficiente de servidores para dar esteio financeiro ao regime de previdência. Assim, por não haver autorização para funcionamento de regime administrativo próprio, os servidores são filiados ao RGPS.

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Regime Financeiro

Existem três modelos principais de organização do seguro previdenciário: repartição simples, capitalização individual e repartição de capital de cobertura.

No regime de repartição simples a pessoa contribui para o grupo e, atendidos os requisitos, o grupo irá protegê-la, concedendo-lhe o benefício respectivo - não há contribuição individualizada. É o caso do RGPS e RPPS.

Há nesses casos um pacto entre as gerações, pois a repartição simples trabalha com o regime de caixa (o dinheiro que hoje entra no caixa da previdência irá custear os benefícios que serão pagos agora, ainda que não retorne em benefício do seu contribuinte direto).

Por este mesmo motivo, caso um contribuinte que não tenha dependentes venha a falecer, o valor por ele arrecadado permanece integralmente com o fundo.

Já no modelo de capitalização individual o segurado contribui apenas para si formando um fundo, e, quando alcançada as condições de elegibilidade, ele passará a receber a renda retirada daquele fundo por ele criado.

Este tipo de regime, adotado pelo sistema de previdência aberta, é voltado para pessoas disciplinadas que contribuam com um valor razoável – elas terão renda para se manter durante a inatividade, independentemente de qualquer fator externo.

Contudo, a desvantagem da capitalização individual é que no caso de falecimento do contribuinte antes da formação de um valor substancial, o fundo irá apenas devolver o valor por ele pago (deduzida a taxa de administração), sem qualquer compromisso de prestação continuada à família sobrevivente.

Existe ainda um terceiro modelo, intermediário entre os tipos anteriores. Na repartição de capital de cobertura os benefícios denominados elegíveis (ex.: aposentadoria voluntária) são cobertos pelo regime de capitalização individual, ao passo que os benefícios inopinados (ex.: morte de pessoa jovem) são cobertos pelo regime de repartição simples.

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Organização de Custeio e Benefícios

No modelo de contribuição definida determina-se apenas o montante a ser pago enquanto que os valores a serem recebidos será calculado a partir de algumas injunções. No modelo de benefícios definidos a pessoa fixa o quanto quer receber e o quantum a ser pago será então determinado com base nesse parâmetro – o uso deste segundo modelo tem sido a tendência dos últimos tempos. Teoria dos Pilares

A teoria dos pilares foi resultante de um trabalho acadêmico de Carmelo Mesa-Largo, feito na década de 1980 e custeado pelo Banco Mundial. Ele sugeriu alternativas de sustentabilidade nos sistemas previdenciários do mundo e em especial da América Latina.

Esta proposta, adotada pelo Brasil, sugere a que a proteção social seja diversificada e contenha padrões que garantam uma base de proteção mínima e uma proteção complementar, com menor participação do Estado, para as pessoas que possuam renda maior.

Desta feita, a base na pirâmide (pilar 0) deve ser ocupada pela assistência social – benefícios de custo zero, de forma que mesmo sem ter feito qualquer contribuição, a pessoa necessitada possa ser beneficiada com um salário-mínimo.

Os pisos superiores à base são todos de previdência social e têm caráter contributivo.

No andar imediatamente acima da assistência está a previdência básica e corresponde ao pilar 01. Esta previdência, apesar de ser o mais abrangente possível, é limitada ao teto – é o caso do RGPS.

Previdência Suplementar Previdência Complementaar Previdência Básica Assistência Social

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O pilar 02 corresponde à previdência complementar e representa uma adição ao benefício para aquelas pessoas que recebem acima do teto e não querem ter reduzido seu padrão de vida ao se aposentarem – é o caso da previdência privada fechada.

E finalmente, no topo da pirâmide está a previdência suplementar (pilar 03) e traduz-se no investimento financeiro livre, característico do regime de previdência privada aberta.

Observação: Ao criar o regime facultativo complementar, o que a EC 41/05 fez foi cindir os pilares 01 e 02 em dois patamares. Desta feita, a previdência dos servidores públicos, que até então era um regime composto pela combinação desses dois pilares, passou também a ter como o INSS um teto remuneratório e oferecer complementação aos servidores que quiserem receber acima deste valor.

REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Conceito

É um sistema previdenciário público (mantido pelo Estado) e institucional (não contratual, decorre da lei) que, mediante contribuição de natureza tributária (compulsória), destina-se à proteção de seis riscos sociais dos trabalhadores da iniciativa privada, quais sejam: idade avançada, tempo de contribuição, invalidez, encargos de família, óbito e prisão.

Observação1: A possibilidade de aposentadoria exclusivamente pelo critério de tempo de

contribuição vem se tornando cada vez mais rara nos regimes previdenciários. Atualmente no RPPS já não é mais possível, pois o servidor precisa ainda preencher o requisito idade e a tendência é removê-la também do regime geral.

Observação2: O desemprego, apesar de inegavelmente também se tratar de um benefício

previdenciário, é o único risco social não gerido pelo INSS, visto que ele não integra o RGPS. O seguro-desemprego é um encargo da União mantido pelo fundo de amparo ao trabalhador (FAT) e operacionalizado pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Características

São características essenciais do regime geral de previdência social: universalidade e seletividade, contributividade, necessidade de filiação e igualdade entre trabalhadores urbanos e rurais.

Referências

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