Tribunal de Justiça de Minas Gerais
1.0684.14.000403-8/001
Número do Númeração
0004038-Des.(a) Alyrio Ramos Relator:
Des.(a) Alyrio Ramos Relator do Acordão:
06/11/2014 Data do Julgamento:
17/11/2014 Data da Publicação:
EMENTA: EMBARGOS À EXECUÇÃO - HONORÁRIOS - CURADOR ESPECIAL RESPONSABILIDADE DA PARTE SUCUMBENTE -INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO - NULIDADE DA EXECUÇÃO. - É da parte sucumbente a responsabilidade de arcar com os honorários do curador especial. Precedentes do STJ.
APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0684.14.000403-8/001 - COMARCA DE T A R U M I R I M A P E L A N T E ( S ) : E S T A D O D E M I N A S G E R A I S -APELADO(A)(S): FLÁVIA LOPES DE MORAIS EM CAUSA PRÓPRIA A C Ó R D Ã O
Vistos etc., acorda, em Turma, a 8ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, e m D A R P R O V I M E N T O À A P E L A Ç Ã O C O M E N T E N D I M E N T O S D I V E R G E N T E S .
DES. ALYRIO RAMOS RELATOR.
DES. ALYRIO RAMOS (RELATOR)
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FLÁVIA LOPES DE MORAIS perante o Juízo da Comarca de Tarumirim para a cobrança de honorários de advogada nomeada curadora especial para réu revel citado por edital.
Os embargos à execução foram julgados improcedentes pelo magistrado José Arnóbio Amariz de Souza (fls. 34/35).
O embargante aviou a presente apelação, sustentando que o pagamento dos honorários ao curador especial, nomeado nos termos do art. 9º, II, do Código de Processo Civil não é de responsabilidade do Estado, mas da parte vencida, colacionando jurisprudência para corroborar suas alegações. Sucessivamente, requereu a redução dos honorários de sucumbência e aplicação do art. 1º-F da Lei nº 9.494/1997.
Contrarrazões às fls. 50/59.
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Colhe-se dos autos da execução que a embargada foi nomeada curadora especial nos autos de uma ação de execução de alimentos e de outra de divórcio litigioso (fls. 7/8).
Como regra essa assistência é prestada por meio da Defensoria Pública (LCE 65/03, art. 5º, VIII). Entretanto, tratando-se de nomeação feita pelo juiz condutor do processo, a seu critério, é inexigível do
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advogado nomeado comprovar que sua nomeação foi justificável.
Como é cediço, as funções de defensor dativo e de curador especial não se confundem. A primeira exige a existência de hipossuficiência econômica declarada pela parte, enquanto que a segunda decorre, simplesmente, da revelia do réu citado por edital.
Uma vez exercido o munus de curador especial pelo advogado, é inegável o seu direito ao recebimento de honorários. Estes honorários, todavia, são devidos pela parte vencida, não pelo Estado.
Neste sentido, já decidiu o STJ:
PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CURADOR ESPECIAL. RÉU REVEL CITADO POR EDITAL. CABIMENTO. PARTE VENCIDA.
1. A jurisprudência do STJ já apontou no sentido de que os
honorários de advogado são devidos pelo sucumbente ao curador especial nomeado ao réu citado por edital. Precedentes.
2. Recurso especial provido.( REsp 1308550 / PR, rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 25/04/2012)
P R O C E S S U A L C I V I L . A Ç Ã O D E C O B R A N Ç A . H O N O R Á R I O S ADVOCATÍCIOS. CURADOR ESPECIAL. RÉU REVEL CITADO POR EDITAL OU POR HORA CERTA. CABIMENTO. PARTE VENCIDA. ACÓRDÃO PARADIGMA E JULGADO RECORRIDO DO MESMO
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acórdão paradigma colacionado é do mesmo Tribunal em que foi proferido o acórdão recorrido. Súmula nº 13/STJ.
II - Por não se tratar o caso em comento de representação em processos criminais, nem da defesa de réu pobre, não é cabível ao Estado o pagamento dos honorários advocatícios do curador especial, nomeado para representar judicialmente réu revel, citado por edital ou por hora certa, devendo a parte vencida na demanda arcar com tal ônus.
III - Ademais, aos honorários advocatícios do curador especial, aplica-se o mesmo preceito dos honorários do perito, quando tal cobrança fica a cargo do sucumbente. Precedente: REsp nº 142.624/SP, Rel. Min. ARI PARGENDLER, DJ de 04/06/01. IV - Recurso especial improvido. (REsp 488.089/SP, rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ 29/11/2004).
A propósito, o seguinte julgado desta Câmara:
"EMBARGOS À EXECUÇÃO HONORÁRIOS CURADOR ESPECIAL -RESPONSABILIDADE DA PARTE SUCUMBENTE - INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO - NULIDADE DA EXECUÇÃO.
- É da parte sucumbente a responsabilidade de arcar com os honorários do curador especial. Precedentes do STJ." (Apelação Cível 1.0342.12.007057-4/001, Relator(a): Des.(a) Alyrio Ramos , 8ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 03/07/2014, publicação da súmula em 16/07/2014).
O Estado de Minas Gerais não responde, pois, pelos honorários do curador especial.
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Posto isso, dou provimento à apelação para julgar procedentes os embargos e extinguir a execução, invertidos os ônus da sucumbência, suspensos os efeitos da condenação em razão da assistência judiciária.
DES. ROGÉRIO COUTINHO (REVISOR) VOTO
Trata-se de recurso de apelação interposto pelo Estado de Minas Gerais contra a sentença que julgou improcedentes os embargos à execução por ele apresentados em face de Flávia Lopes de Morais, condenando ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em R$ 200,00 (f. 34/35). O apelante alega que o pagamento dos honorários devidos pela atuação como curadora especial é de responsabilidade da parte vencida (f. 38/46). Pois bem.
Ouso divergir do Relator, pois, como sabido, quando a Defensoria Pública é inexistente ou insuficiente na localidade, deixando o Estado de cumprir com o ônus da assistência judiciária que lhe incumbe, torna-se indispensável a nomeação de curador especial ou defensor dativo para atuar em defesa do réu revel ou hipossuficiente, surgindo para o Advogado nomeado o direito de ser remunerado pelo Estado, pois o contrário implicaria inviabilizar às partes o acesso à justiça.
Nesse sentido:
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DATIVO. HONORÁRIOS DEVIDOS. INTERESSE PROCESSUAL. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. ARTIGO 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 11.960/09. APLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. MANUTENÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. I - Vislumbra-se o interesse processual na ação de cobrança de honorários advocatícios de defensor dativo, sendo irrelevante o procedimento administrativo previsto na legislação estadual, em face do princípio da inafastabilidade da jurisdição. II - O advogado que atuar como assistente judiciário de pessoas necessitadas, quando inexistente ou insuficiente a Defensoria Pública no local da prestação do serviço, faz jus aos honorários fixados pelo juiz, a serem pagos pelo Estado de Minas Gerais. IV - A norma inserta no artigo 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação conferida pela Lei nº 11.960/09, possui natureza instrumental material, motivo pelo qual somente é aplicável aos processos distribuídos após a entrada em vigor da Lei que modificou o referido dispositivo, a saber, 29/06/2009. V - Deve ser mantida a quantia fixada pelo juiz, a título de honorários de sucumbência, quando se apresenta razoável, diante das circunstâncias do caso concreto. VI - Preliminar rejeitada. Recurso conhecido e provido em parte. (APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0701.09.288912-3/001, Rel. Des. BITENCOURT MARCONDES, "in" DJ. 06/07/2011) (g.n.)
EMENTA: TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - CURADOR ESPECIAL NOMEADO PARA DEFENDER INTERESSES DE RÉU REVEL -IMPOSSIBILIDADE DE NOMEAÇÃO DE MEMBRO DA DEFENSORIA PÚBLICA - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - CONDENAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS CABIMENTO HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS -CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO - ART. 20, §§ 3º E 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - MODERAÇÃO E EQÜIDADE - PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO.
1. Cabe a condenação do Estado de Minas Gerais em honorários advocatícios devidos em favor de curador especial nomeado para defender interesses de réu revel, quando não há possibilidade de nomeação de membro da defensoria pública. 2. Os honorários de sucumbência devem ser arbitrados em consonância com as regras dos
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§§ 3º e 4º do art. 20 do CPC, com base em critérios de moderação e eqüidade, devendo ser suficientes para remunerar condignamente os patronos da parte. 3. Recurso provido parcialmente. (Apelação Cível 1.0479.09.169908-8/001, Relator(a): Des.(a) Edgard Penna Amorim , 8ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 02/05/2013, publicação da súmula em 13/05/2013) (g.n.)
Por outro lado, Com efeito, o art. 272, da CEMG, em clara dicção, estatui, in verbis:
"O advogado que não for Defensor Público, quando nomeado pra defender réu pobre, em processo civil ou criminal, terá os honorários fixados pelo Juiz, no ato da nomeação, segundo tabela organizada pelo Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção do Estado de Minas Gerais, os quais serão pagos pelo Estado, na forma que lei estabelecer".
A Lei 13.166/99, ao regulamentar o art. 272 da Constituição Mineira, estabelece o procedimento necessário ao pagamento do crédito correspondente aos honorários do advogado dativo, in verbis: "Art. 10 - Após o trânsito em julgado da sentença, será certificado à repartição fazendária competente o valor dos honorários arbitrados, a fim de que seja realizado o pagamento, no prazo de um mês, observada a ordem de apresentação das certidões. §1º - Ultrapassado o prazo previsto neste artigo, o valor a ser pago será corrigido monetariamente pela Unidade Fiscal de Referência - UFIR - ou por índice que vier a substituí-la. §2º - A certidão de que trata este artigo tem eficácia de título executivo".
Por sua vez, o Decreto 42.718/02, que "regulamenta o pagamento de honorários a advogado nomeado para defender réu pobre, não pertencente aos quadros da Defensoria Pública do Estado", esclarece, de forma mais pormenorizada o trâmite para a formação do título executivo. Confira-se: "Art. 7º - O pagamento a advogado dativo será processado mediante
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certidão emitida por Juiz competente, na qual constarão dados relativos à ação, a informação de que se trata a da defesa de réu pobre e o valor arbitrado. §1º - A Secretaria de Estado da Justiça e de Direitos Humanos, mediante análise favorável da Defensoria Pública do Estado, aprovará o pagamento nos seguintes prazos: I - 30 dias, contados da edição das normas a que se refere o art. 10, em relação às certidões entregues a partir da vigência deste Decreto; II - 90 dias, contados da entrada em vigor deste Decreto, em relação às certidões já entregues. §2º - Aprovado o pagamento, a Secretaria de Estado da Justiça e de Direitos Humanos remeterá o expediente à repartição fazendária competente para que efetue o empenho e pagamento dos honorários no prazo de 30 dias, de acordo com as disposições do Decreto 40.420/99, arquivando o respectivo processo. §3º -Ultrapassado o prazo previsto no §2º deste artigo, o valor a ser pago será corrigido monetariamente pela Unidade Fiscal da Referência - UFIR, ou por índice que vier a substituí-la. §4º - Se o pagamento não for aprovado, o expediente será devolvido ao interessado, para que providencie a regularização, iniciando-se nova contagem de prazo para aprovação e pagamento, a partir da data da reapresentação do documento. §5º - A certidão de que trata o "caput" deste artigo tem eficácia de título executivo". Nesse passo, da leitura dos dispositivos legais é possível inferir que a sentença que arbitrar honorários advocatícios ao defensor dativo apenas terá exigibilidade após a certificação da repartição fazendária.
Entretanto, não consta nos autos a comprovação da expedição da respectiva certidão à Secretaria de Estado da Justiça e de Direitos Humanos, bem como a sua resposta, como exigido pelo Decreto 42.718/02.
Com efeito, os documentos juntados pelo apelado não são hábeis a amparar a execução, porquanto existe procedimento administrativo específico para tanto, previsto na Lei Estadual 13.166/99, Decreto Estadual 42.718/02, como também na Resolução Conjunta 009/02.
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uma vez que não houve negativa administrativa, não se sabendo, tampouco, se ocorreu o pagamento pela repartição fazendária.
A propósito, permito-me citar jurisprudência deste Eg. Tribunal de Justiça nesse sentido:
"ADMINISTRATIVO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DO DEVEDOR -DEFENSOR DATIVO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - EXECUÇÃO DE CERTIDÕES EXPEDIDAS PELO JUÍZO NO QUAL TRAMITOU AS AÇÕES -A R T . 1 0 D -A L E I N º 1 3 . 1 6 6 / 9 9 - -A U S Ê N C I -A D E P R O V -A D O REQUERIMENTO DA VERBA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO - TÍTULO EXECUTIVO NÃO EXIGÍVEL - EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. 1. Conforme previsto no art. 272 da Constituição Estadual, o advogado - que não seja defensor público - nomeado para promover a defesa de pessoa necessitada tem direito ao recebimento, junto ao Estado de Minas Gerais, dos honorários advocatícios fixados pelo juiz. 2. Contudo, se o exequente não se desincumbiu de demonstrar que, após a certificação do valor à repartição fazendária, o Estado deixou de realizar administrativamente o pagamento da verba, consoante previsto no art. 10 da Lei nº 13.166/99, falecem de força executiva as certidões exaradas pelo juízo no qual foram processadas as ações que geraram o direito aos honorários, ensejando a nulidade da execução, "ex vi" dos arts. 618, inc. I, c/c 267, inc. IV, do CPC. 3. Recurso provido". (1.0878.12.001394-0/001, Rel. Edgard Penna Amorim, j. 16/09/13). 3 - Assim, por outros fundamentos, dou provimento aos embargos para extinguir a execução por ausência de título executivo válido.
Condeno a apelada ao pagamento das custas processuais e recursais, na forma da lei, e honorários advocatícios fixados em 10% do valor da execução.
DES. PAULO BALBINO (VOGAL) V O T O
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Anota-se, inicialmente, que, no que tange a fixação dos honorários advocatícios, tal como ao Defensor Dativo, compete ao Estado responder pelos honorários devidos ao Curador Especial, pelo exercício de seu múnus, quando a Comarca não contar com a assistência da Defensoria Pública ou seu representante recusá-lo expressamente.
Feitas estas considerações, peço vênia ao Ilustre Relator, Desembargador Alyrio Ramos, para aderir ao voto proferido pelo Eminente Revisor, Desembargador Rogério Coutinho, por também entender não estarem previstos os requisitos formais previstos na Lei Estadual n. 13.166/99, Decreto Estadual n. 42718/02 e Resolução Conjunta n. 009/02 necessários à execução dos honorários advocatícios pelo curador especial. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente recurso para JULGAR EXTINTA a execução por ausência de título executivo válido.
Custas recursais pelo embargado, na forma da lei.
SÚMULA: "DERAM PROVIMENTO À APELAÇÃO COM ENTENDIMENTOS DIVERGENTES"