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depósito valor equivalente

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Registro: 2011.0000133453

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 9227443-76.2006.8.26.0000, da Comarca de Guaíra, em que é apelante BANCO FINASA S/A sendo apelado SANDROMIRO FRANCISCO DA CRUZ.

ACORDAM, em 32ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de

Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento em parte ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores KIOITSI CHICUTA (Presidente) e ROCHA DE SOUZA.

São Paulo, 11 de agosto de 2011

Ruy Coppola RELATOR Assinatura Eletrônica

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.Apelante: Banco Finasa S/A

Apelado: Sandromiro Francisco da Cruz Comarca: Guaíra 1ª Vara Cível

Relator Ruy Coppola Voto nº 20.945

EMENTA

Alienação fiduciária. Busca e apreensão convertida em depósito. Extinção da ação por ausência de interesse/adequação processual. Afastamento. Regular comprovação da relação de direito material e a mora do devedor fiduciário. Perecimento do bem. Procedência da ação para determinar à restituição do equivalente em dinheiro. Valor que deve corresponder ao da própria coisa a ser restituída, sem relação com o valor da dívida. Não cominação de prisão civil. A prisão civil se encontra abolida do sistema jurídico brasileiro, segundo entendimento já consolidado na Súmula Vinculante nº 25 do C. Supremo Tribunal Federal. Recurso parcialmente provido.

Vistos.

Trata-se de ação de depósito, convertida de busca e apreensão, com base em contrato com garantia fiduciária, promovida pelo apelante em face do apelado, julgada extinta pela r. sentença proferida a fls. 62/67, sem apreciação do mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, ante a ausência de interesse/adequação processual. Carreou ao autor o pagamento das custas e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa.

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pretendendo a inversão do julgado, uma vez que deferida nos autos a conversão da ação em depósito, requerendo ainda a cominação da pena de prisão do depositário infiel.

Recurso tempestivo e respondido.

É o Relatório.

Processo distribuído neste Tribunal em 19.09.2006, vindo em redistribuição ao signatário em 30.06.2011 por força da Resolução nº 542/2011 do TJ.

A alienação fiduciária em garantia encontra-se disciplinada no Decreto-lei 911/69.

Se frustrada a busca e apreensão, prevê o artigo 4º do Decreto-lei 911/69 a faculdade do credor de requerer a conversão em ação de depósito, porquanto confere a lei ao devedor a condição de possuidor direto e de depositário. Apenas isso, nada mais.

O domínio do bem, objeto do contrato, é do credor fiduciário e não do devedor fiduciário, mero detentor e depositário da coisa.

Como visto, a conversão da busca e apreensão em ação de depósito é faculdade legal que compete ao credor fiduciário, sendo despiciendo tecer maiores comentários a respeito do tema, mostrando-se evidente, nestes termos, a possibilidade jurídica do pedido.

Cabível, destarte, a conversão pretendida, mesmo porque as finalidades das ações são diversas. Na busca e apreensão se permite a purgação da mora ao devedor

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inadimplente, mas para que isso ocorra é necessário, antes, a execução da liminar concedida. Nunca antes a Lei permite tal conduta. A ação de depósito é de cunho reipersecutório. Busca a própria coisa que é do credor fiduciário e nunca do devedor depositário.

A relação jurídica entre as partes está suficientemente demonstrada com a petição inicial, bem como a mora do devedor em relação ao pagamento das prestações contratuais, assim como o perecimento do veículo conforme explanado pelo apelado a fls. 49, segundo parágrafo.

O que se pretende na ação de depósito é a restituição da coisa ou de seu equivalente em dinheiro. Ou seja, a expressão "equivalente em dinheiro" não pode corresponder ao valor da dívida, mas ao valor dos próprios bens dados em garantia, conforme entendimento desta E. Câmara, no sentido de não aplicação da Súmula nº. 20 do extinto 1º Tribunal de Alçada Civil.

A restituição deve ser do bem e o equivalente em dinheiro deve corresponder ao valor do mesmo. A ação de depósito é de cunho reipersecutório, como já falado.

Se por acaso o valor do débito for inferior ao valor da própria coisa, prevalece aquele para fins de depósito.

E o próprio banco apelado sabe disso, na medida em que a fls. 29 deixou claro que a presente ação não é de cobrança, objetivando apenas o depósito do veículo.

Dessa forma, simplesmente não justifica o reconhecimento da ausência de interesse/adequação

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processual, pois subsiste ainda o interesse de agir do autor. O perecimento do bem não o impede de alcançar a condenação ao pagamento do equivalente em dinheiro.

Nesse sentido já se pronunciou o C. Superior Tribunal de Justiça:

PROCESSUAL CIVIL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. DESAPARECIMENTO DO BEM POR MOTIVO DE INCÊNDIO. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CONVERSÃO EM DEPÓSITO. PROSSEGUIMENTO PARA EXECUÇÃO DO EQUIVALENTE EM DINHEIRO AO BEM DESAPARECIDO. CPC, ART. 906.

I. A jurisprudência da 2ª Seção do STJ consolidou-se no sentido de que em caso de desaparecimento do bem alienado fiduciariamente, é lícito ao credor, após a transformação da ação de busca e apreensão em depósito, prosseguir nos próprios autos com a cobrança da dívida representada pelo "equivalente em dinheiro" ao automóvel financiado, assim entendido o menor entre o seu valor de mercado e o débito apurado.

II. Recurso especial conhecido em parte e, provido nesta extensão” (REsp 972583 / MG, 4ª T., Rel. Min. Aldir Passarinho, DJ 10/12/2007 p. 395).

No mais, não comporta acolhida o pleito de cominação de prisão civil.

Isso porque, após intenso debate a respeito do tema, nos dias atuais já não existe razão para qualquer dúvida, afastada se encontra a possibilidade de utilização da medida coercitiva.

Nessa linha de posicionamento, confira-se entendimento do Supremo Tribunal Federal:

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DEPOSITÁRIO INFIEL. PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA. ALTERAÇÃO DE ORIENTAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STF. CONCESSÃO DA ORDEM. 1. A matéria em julgamento neste habeas corpus envolve a temática da (in)admissibilidade da prisão civil do depositário infiel no ordenamento jurídico brasileiro no período posterior ao ingresso do Pacto de São José da Costa Rica no direito nacional. 2. Há o caráter especial do Pacto Internacional dos Direitos Civis Políticos (art. 11) e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San José da Costa Rica (art. 7°, 7), ratificados, sem reserva, pelo Brasil, no ano de 1992. A esses diplomas internacionais sobre direitos humanos é reservado o lugar específico no ordenamento jurídico, estando abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil, torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação. 3. Na atualidade a única hipótese de prisão civil, no Direito brasileiro, é a do devedor de alimentos. O art. 5°, §2°, da Carta Magna, expressamente estabeleceu que os direitos e garantias expressos no caput do mesmo dispositivo não excluem outros decorrentes do regime dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O Pacto de São José da Costa Rica, entendido como um tratado internacional em matéria de direitos humanos, expressamente, só admite, no seu bojo, a possibilidade de prisão civil do devedor de alimentos e, conseqüentemente, não admite mais a possibilidade de prisão civil do depositário infiel. 4. Habeas corpus concedido”. (HC 95967 / MS - MATO GROSSO DO SUL, 2ª T., Rel. Min. Ellen Gracie, DJe-227 DIVULG 27-11-2008, pub. 28-11-2008).

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25, com o seguinte teor: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”.

Assim, não há cabimento para a aplicação da prisão civil.

Desse modo, merece acolhimento o inconformismo da parte para afastar a ausência de interesse e, reconhecer a parcial procedência do pedido, com a condenação do réu à restituição do equivalente em dinheiro, que corresponde ao valor de mercado do bem, além do pagamento das despesas processuais e dos honorários advocatícios arbitrados em 10% sobre o valor da condenação, ressalvada o disposto no artigo 12, da Lei nº 1.060/50.

Ante o exposto, pelo meu voto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos acima alinhavados.

RUY COPPOLA RELATOR

Referências

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