UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CENTRO MULTIDISCIPLINAR DE PAU DOS FERROS CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA
LORENA LÍVINA LIMA OLIVEIRA SOARES
DIAGNÓSTICO SOCIOECONOMICO E AMBIENTAL DA LAGOA DO APODI-RN
PAU DOS FERROS 2017
DIAGNÓSTICO SOCIOECONOMICO E AMBIENTAL DA LAGOA DO APODI-RN
Monografia apresentada a Universidade Federal Rural do Semi-Árido como requisito para obtenção do título de Bacharel em Ciência e Tecnologia.
Orientador: Prof. Dr. Jorge Luís de Oliveira Pinto Filho
PAU DOS FERROS 2017
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca Central Orlando Teixeira (BCOT)
Setor de Informação e Referência (SIR)
Setor de Informação e Referência S676d Soares, Lorena Lívina Lima Oliveira.
DIAGNÓSTICO SOCIOECONOMICO E AMBIENTAL DA LAGOA
DO APODI-RN / Lorena Lívina Lima Oliveira Soares. - 2017.78 f. : il.
Orientador: Jorge Luis de Oliveira Pinto Filho.
Monografia (graduação) - Universidade Federal Rural do Semi-árido, Curso de Ciência e Tecnologia, 2017.
1. Poluição da lagoa do Apodi-RN. 2. Impactos ambientais. 3. Vulnerabilidade socioeconômica.
I. Filho, Jorge Luis de Oliveira Pinto. II. Título.
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus pais Viviane e Leodécio, fazendo-me perseverante na busca dos meus objetivos profissionais e pessoais, principalmente nos momentos mais difíceis. E a minha irmã Vívina que me deu força e estímulo.
A minha avó materna Luzenira e minha tia Sheila, pela recepção e atenção incondicional.
Agradeço ao meu namorado William Vieira, que por diversos momentos teve paciência para partilhar das dificuldades e torná-las menores do que eram, incentivando a nunca desistir.
As minhas amigas especiais, Isnara Victória e Ludmylla Moreira, por sempre confiarem na minha capacidade, pelos conselhos, apoio e incentivo.
Ao Prof. Jorge Luís de Oliveira Pinto Filho que somou aos seus já numerosos compromissos, a tarefa de me orientar, pela sugestão da área de estudo e por todo o apoio recebido para que esse trabalho se realizasse.
A todos, que direta e indiretamente colaboraram para a realização deste trabalho, meu muito obrigado.
“Nada é tão nosso, quanto nossos
sonhos.”
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo diagnosticar a situação socioeconômica e ambiental ao entorno da Lagoa do Apodi-RN, como também identificar as implicações na qualidade de vida das populações ribeirinhas, situadas no bairro Malvinas em Apodi. Como procedimento metodológico foi utilizado um questionário semiestruturado com questões sobre o perfil socioeconômico do entrevistado, componentes de aspectos de saneamento ambiental e percepção ambiental. Foram realizadas 185 entrevistas, durante os meses de fevereiro a maio de 2017. Os resíduos e efluentes de esgotos residenciais causam diversos impactos ao meio ambiente, acarretando sérios problemas ligados a saúde da população e a degradação dos recursos naturais. Além disso, verificou-se que grande parte dos indivíduos estão inseridos em um meio de vulnerabilidade socioecômica. A realização de eventos culturais foi apontada pela população como um dos principais agentes da poluição da lagoa. Segundo os entrevistados a lagoa do Apodi é contaminada, população reconhece esse tipo de poluição, porém ela é utilizada para diversas as atividades, incluindo a pesca e agricultura. Assim, a Lagoa de Apodi, está com sua condição ambiental comprometida e faz-se necessário a adoção de medidas mitigadoras, com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável e reverter o atual nível de degradação ambiental.
Palavras-chave: Degradação dos recursos hídricos; percepção ambiental; vulnerabilidade socioeconômica.
ABSTRACT
This work aims to diagnose the socioeconomic and environmental situation around the Apodi-RN Lagoon, as well as to identify the implications on the quality of life of the riverside populations, located in the Malvinas neighborhood of Apodi. As a methodological procedure, a semi-structured questionnaire was used with questions about the socioeconomic profile of the interviewee, components of aspects of environmental sanitation and environmental perception. 185 interviews were carried out during the months of February to May 2017. Residuals and effluents from residential sewage have several impacts on the environment, leading to serious problems related to population health and the degradation of natural resources. In addition, it was verified that most of the individuals are inserted in a medium of socioeconomic vulnerability. The population as one of the main agents of pollution of the lagoon pointed out the realization of cultural events. According to the interviewees, the Apodi lagoon is contaminated, the population recognizes this type of pollution, but it is used for various activities, including fishing and agriculture. Thus, the Apodi Lagoon has its environmental condition compromised and it is necessary to adopt mitigating measures with the purpose of promoting sustainable development and reversing the current level of environmental degradation.
Keywords: Degradation of water resources; Environmental perception; Socioeconomic vulnerability.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1:Mapa cartográfico do Rio Grande do Norte com destaque no município de Apodi. . 20 Figura 2:Delimitação da área de estudo. ... 21 Figura 3: Faixa etária dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 24 Figura 4: Estabelecimento comercial no calçadão da Lagoa do Apodi – RN. ... 25 Figura 5: Churrascaria e pizzaria no calçadão da Lagoa do Apodi-RN. ... 25 Figura 6: Tipo de trabalho dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 25 Figura 7: Estabelecimento comercial e pescador na Lagoa do Apodi-RN. ... 25 Figura 8: Município de origem dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 26 Figura 9: Grau de escolaridade dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 27 Figura 10: Renda média dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 28 Figura 11: Tempo de residência dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 29 Figura 12:Avaliação do abastecimento de água nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. Fonte: Autor, 2017. ... 30 Figura 13: Qualidade da água das residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 30 Figura 14: Quantidade da água das residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 30 Figura 15: Formas de tratamento no abastecimento de água nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 31 Figura 16: Destino do esgoto doméstico da residência dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN... 32 Figura 17: Destino do esgoto doméstico das residências dos moradores. ... 32 Figura 18: Esgoto doméstico indo diretamente para lagoa do Apodi-RN. ... 32 Figura 19: Coleta de lixo das residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. .. 33 Figura 20: Acondicionamento público de resíduos sólidos no Bairro Malvinas, Apodi – RN.33 Figura 21: Avaliação da coleta de resíduos sólidos pelos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 33 Figura 22: Existência de problemas com enchentes e inundações drenagem no Bairro
Malvinas, Apodi-RN, 2017. ... 33 Figura 23: Problemas pela ausência de drenagem urbana no Bairro Malvinas, Apodi-RN, 2017. ... 33 Figura 24: Situação da residência dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 34 Figura 25: Estrutura da residência (alvenaria sem reboco) dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN... 34
Figura 26: Estrutura da residência (Alvenaria com reboco) dos moradores do Bairro Malvinas
localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN... 34
Figura 27: Distribuição irregular de resíduos sólidos nas margens da Lagoa do Apodi – RN, 2017. ... 34
Figura 28: Frequência da existência de vetores de transmissão de doenças nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 34
Figura 29: Existência de agente de saúde no Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 35
Figura 30: Frequência de consultas médicas dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN. ... 35
Figura 31: Doenças mais comuns nos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 35
Figura 32: Se são desenvolvidos Projetos de Educação Sanitária e Ambiental no Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. ... 36
Figura 33: Como o ambiente da Lagoa do Apodi – RN é vista pelos moradores do Bairro Malvinas. ... 38
Figura 34: Pôr do sol da lagoa do Apodi-RN, 2017. ... 38
Figura 35: Tipos de usos que os moradores do Bairro Malvinas realizam ou já realizaram na Lagoa do Apodi – RN. ... 39
Figura 36: Banhistas na Lagoa do Apodi – RN. ... 39
Figura 37: Tipos de usos que os familiares dos moradores do Bairro Malvinas realizam ou já realizaram na Lagoa do Apodi – RN. ... 39
Figura 38: Morador fazendo uso da pastagem na Lagoa do Apodi – RN. ... 39
Figura 39: Principais tipos de uso da Lagoa do Apodi – RN no passado... 40
Figura 40: Pai e filhos na Lagoa do Apodi-RN, 2017. ... 40
Figura 41: Principais tipos de uso da Lagoa do Apodi – RN no presente. ... 41
Figura 42: Passeio de jet-ski na lagoa do Apodi-RN, 2017. ... 41
Figura 43: Lagoa do Apodi – RN no período de estiagem, 2013. ... 41
Figura 44: Lagoa do Apodi – RN após o período de chuvas, 2017. ... 41
Figura 45: Classificação da poluição da lagoa do Apodi – RN. ... 42
Figura 46: Retirada de entulhos e lixo da lagoa do Apodi-RN para receber o período chuvoso, 2017. ... 42
Figura 47: Principais tipos da poluição da lagoa do Apodi – RN no passado. ... 42
Figura 48: Principais tipos da poluição da lagoa do Apodi – RN no presente. ... 43
Figura 49: Segmento mais responsável pelos danos a lagoa do Apodi -RN. ... 43
Figura 50: Os problemas mais urgentes para serem solucionados no município de Apodi-RN do Apodi – RN. ... 44
Figura 51: Principais agentes da poluição da lagoa do Apodi -RN. ... 45
Figura 52: Carnaval de Apodi realizado no calçadão da lagoa, 2017. ... 45
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BHRAM/RN - Bacia Hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró/ Rio Grande do Norte CAERN – Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte
FUNASA – Fundação Nacional da Saúde
IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 13
2. REVISÃO TEÓRICA ... 15
2.1. RECURSOS HÍDRICOS ... 15
2.2. VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL E ECONÔMICA ... 16
2.3. PERCEPÇÃO AMBIENTAL ... 17
2.4. GESTÃO AMBIENTAL ... 18
3. METODOLOGIA DA PESQUISA ... 20
3.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 20
3.2. INSTRUMENTO DE PERCEPÇÃO AMBIENTAL ... 21
3.3. PROCESSO DE AMOSTRAGEM ... 21
3.4. PESQUISA DE CAMPO ... 22
3.5. TRATAMENTO DE DADOS ... 22
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 23
4.1. PERFIL SOCIOECONÔMICO DO ENTREVISTADO ... 23
4.2.COMPONENTES DE ASPECTOS DE SANEAMENTO AMBIENTAL ... 29
4.3. PERCEPÇÃO AMBIENTAL ... 37
5. CONCLUSÃO ... 48
REFERÊNCIAS ... 50
1. INTRODUÇÃO
A água é apontada como um recurso renovável e inesgotável na natureza, com isso passa a ser fator de preocupação em relação a sua disponibilidade e qualidade, necessitando de uma atenção prioritária do poder público e da sociedade, para que seja possível promover a utilização sustentável desse recurso (NEUTZLING, 2004).
Nesse sentido, observa-se que a água pode ser utilizada para diversos fins: consumo humano; atividades agrícolas e pecuárias; geração de energia; transporte; abastecimento industrial; pesca e aquicultura e turismo e lazer (DERÍSIO, 2012). Ainda é possível acrescentar os usos múltiplos da água para: preservação da flora e fauna; harmonia paisagística e diluição de efluentes (VON SPERLING, 2005).
A partir desses diversos tipos de usos podem resultar em alterações das suas características através de processos de poluição hídrica (VON SPERLING, 2005). Com isso, a poluição hídrica classifica-se em: poluição térmica (decorrente da descarga de efluentes a altas temperaturas); poluição química (consiste na introdução de substâncias tóxicas na água) e; poluição biológica (resultante da descarga de bactérias patogênicas, vírus e outros organismos) (BENN; MCAULIFFE, 1981).
Ainda é possível apontar que os efeitos dos diferentes tipos de poluição da água são complexos e, em muitos casos, ainda não compreendidos totalmente. A contaminação da água é um dos maiores perigos à saúde humana, pois é bastante afetada pelos vários tipos de poluentes. Como por exemplo, a febre tifoide, hepatites e disenteria provocadas pelo desenvolvimento de bactérias na água, em consequência dos tipos de poluição já mencionados (RIBEIRO; ROOKE, 2010)
Os impactos ambientais dos recursos hídricos e sua contaminação têm incontáveis consequências econômicas, sociais e ambientais, além de produzir problemas de saúde pública e a deterioração dos recursos (MARTINELLI, 2009).
Desta maneira, tornam-se fundamentais investigações sobre a qualidade ambiental dos recursos hídricos com influência antrópica, especialmente em áreas urbanas, já que nessas localidades existe o eminente risco de ocorrer efeitos na saúde humana com maior frequência.
O cenário de degradação dos recursos hídricos resulta em efeitos maléficos para saúde, pois a água poluída pode constituir veículo de contaminação de doenças entre os seres vivos quando esta estiver com agentes microbianos ou poluída por agentes químicos (CARVALHO & OLIVEIRA, 2003).
A problemática dos recursos hídricos não está restrita apensa aos grandes centros urbanos. No Semiárido Nordestino, essa discussão precisa ser maior enfatizada, principalmente devido as limitações climática dessa região, com isso no Oeste do Estado do Rio Grande do Norte, localiza-se o município de Apodi, que teve seu crescimento associado ao uso e ocupação da Lagoa do RN. Esse ambiente aquático faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró – BHRAM/RN, sendo considerado de suma importância econômica para atividades agrícolas e pesca, assim como um local de uso paisagístico, preservação das espécies aquáticas, recarga do lençol freático e, atuando para manutenção do equilíbrio ambiental.
Diante desse contexto, justifica-se a necessidade de investigações sobre a relação das transformações de usos e ocupações da Lagoa do Apodi-RN com a qualidade de vida e as condições socioeconômicas e ambientais da população ribeirinhas dessa área investigada.
Com base nessa situação, este estudo buscou-se investigar qual a relação da vulnerabilidade socioeconômica e ambiental dos moradores do Bairro Malvinas e a qualidade ambiental da Lagoa do Apodi-RN?
Dessa forma, tem-se como objetivo realizar um diagnóstico socioeconômica da Lagoa no município de Apodi-RN, no bairro Malvinas. Como objetivos específicos tem-se: descrever o perfil socioeconômico do entrevistado do bairro Malvinas, localizado ao entorno da Lagoa do Apodi-RN; Analisar a situação dos aspectos de saneamento ambiental do bairro Malvinas, localizado ao entorno da Lagoa do Apodi-RN; Apontar a percepção ambiental dos moradores do bairro Malvinas, localizado ao entorno da Lagoa do Apodi-RN.
2. REVISÃO TEÓRICA
2.1. RECURSOS HÍDRICOS
Segundo Cabral (2011), a ação do ser humano relaciona a estimulação direta ou indireta de água, assim todos os seres vivos são amparados pela água, desde os sistemas terrestres para os tecidos vivos, do oceano para a atmosfera.
A existência ou escassez de água registra o relato de acontecimentos da sociedade, desde as primeiras civilizações, como a criação de culturas e hábitos, a fixação da posse de territórios, a ocorrência de guerras, a exterminação e fornecimento da vida ás espécies, bem como a determinação do futuro das gerações. (BACCI, 2008). Os ambientes aquáticos por possuir inúmeras utilidades é um dos recursos naturais mais explorados (MORAES & JORDÃO, 2002).
Sendo estimada como um bem natural, a água não está acessível igualmente para todas as regiões, precisando de um uso consciente para que seja possível garantir a continuidade do ciclo hidrológico (CUNHA, 2004).
Conforme Nogueira (2008), o Brasil possui aproximadamente 12% da água doce do Planeta, porem cerca de 70% dessa água do país, é localizada na região amazônica. A região do Nordeste, é onde possui menor quantidade da água brasileira entorno de apenas 3%. É perceptível que as fontes hídricas são abundantes, porem mal distribuídas na superfície do planeta, havendo regiões com escassez enquanto outras com abundancia deste recurso natural. De acordo com Borsoi e Torres (1997), a água é considerada um recurso econômico, em razão de ser limitada, na facilidade de ser danificada e também pelo fato de ser indispensável para a preservação da vida e do meio ambiente. Aliás, sua carência bloqueia a evolução de variadas regiões. Em contrapartida, é também tida como um recurso ambiental, visto que a modificação contraria desse recurso favorece a poluição ambiental.
Para Dictoria e Hanai (2016), na vigente sociedade urbana, foi abandonado o pensamento de que a água é um bem natural, no entanto passou a ser vista como um recurso hídrico em uma fundamentação utilitarista, que deve estar à disposição para consumo humano e a estabilidade dos ecossistemas, assim como para as mais variadas formas e vinculação a ela associados.
A água por ser um dos recursos disponíveis é apenas um motivo a ser levado em consideração, tendo em vista que a característica qualitativa introduziu novas dimensões, especialmente na produção agrícola de consumo in natura (MOURA et al., 2011); desta
maneira, nascentes de água nas proximidades de áreas urbanas precisam de cuidados especialmente, em razão da poluição generalizada e dos despejos de águas residuais de forma clandestina ocasionando, na sua degradação, afetando de forma negativa os mais variados usos da água (LIMA et al., 2004).
De acordo com Brito et al. (2005) os recursos hídricos propendem a torna-se cada vez mais insuficientes, em consequência do grande processo de uso e poluição, se não houver medidas intensas e satisfatórias para o restauro da gestão da oferta e da demanda de água.
Para Razzolini e Gunther (2008), o reaproveitamento da água é um mecanismo natural, no entanto a degradação e os desperdícios da qualidade da água gerados pela expansão da contaminação, tem estimulado a importância, e principalmente a necessidade do desenvolvimento de formas mais tecnológicas para a sua preservação e purificação.
2.2. VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL E ECONÔMICA
A vulnerabilidade pode ser esclarecida pela chance de um indivíduo ser atingido de forma negativa por uma ocorrência espontânea. Nesse contexto, a exibição aos riscos ambientais nas cidades, torna os homens mais vulneráveis a eventos dessa natureza (DESCHAMPS, 2004).
A vulnerabilidade deve ser compreendida de forma relacional, de modo que as atividades naturais similares podem ser mais ou menos impactantes, dependendo do convívio ou contato presente nestas circunstâncias. A exposição ao risco, a capacidade de reação e o grau de adaptação diante do risco, é o que explica o que seria a vulnerabilidade. Os primeiros estudos sobre essa temática, na área da geografia, estão associados aos desastres naturais e avaliação de risco (MARANDOLA JR; HOGAN, 2006).
Vale salientar que a ideia de vulnerabilidade mesmo ligada a de risco, diferem entre si:
“A vulnerabilidade é diferente do risco. A base etimológica da palavra advém do verbo latino “ferir”. Enquanto que o risco implica a exposição a perigos externos em relação aos quais as pessoas têm um controle limitado, a vulnerabilidade mede a capacidade de combate a tais perigos sem que se sofra, a longo prazo, uma potencial perda de bem-estar (PNUD, 2007, p.78)”. Em termos gerais, os índices de vulnerabilidade social estão conectados a quase sempre fatores como habitações, acesso a saneamento básico, anos de estudo e, com a maior relevância, a renda domiciliar. No entanto, a vulnerabilidade não deve se restringir apenas a
esses fatores, e sim como algo além dos fatores determinados pelas condições materiais (MARANDOLA JR; HOGAN, 2006).
Uma característica da vulnerabilidade social é o grau de segregação socioespacial, que se refere a comunidade em geral e o espaço em que ocupam na sociedade. A segregação não ocorre de maneira proporcional, acontece por situações bem distintas e de maneira fragmentada, pois existem diversas áreas de centralização de riqueza e de pobreza inseridos no mesmo ambiente (CASTELLS, 1983).
Conforme Ojima e Marandola Jr (2012), geralmente são os municípios menores, que tem mais dificuldades para encarar os desafios ambientais, por questões de ausência de recursos financeiros, qualificação técnica e infraestrutura. Quando ocorre os desastres ambientais, em que esse municípios pequenos são afetados, acaba colocando em risco a continuidade de serviços mais prioritários. Dessa forma, a vulnerabilidade pode ser entendida como o inverso da sustentabilidade, onde a medida em que tem a expansão da vulnerabilidade, consequentemente minimiza a capacidade de desenvolvimento da sustentabilidade.
2.3. PERCEPÇÃO AMBIENTAL
Conforme Facionatto (2007), a definição de percepção ambiental são atitudes capazes de captar o ambiente que se está incluso, como práticas de preservar e zelar o mesmo. Sendo assim, para seja possível assimilar as relações, entre homem e o ambiente é essencial o estudo da percepção ambiental.
Por meio de estudos sobre a percepção ambiental que procuram interpretar como os aspectos ambientais podem controlar o homem de forma conjunta, ou individualmente, em associação as seus atos, sensibilidade e impressão de satisfação e insatisfação com o que percebem (COSTA; COLESANTI, 2011).
Para Melazo (2005), apercepção ambiental concede a determinação e análise do espaço físico em que os indivíduos exercem uma atividade, como também do encaminhamento de suas atividades e estilo de vida.
É por intermédio dos estudos relacionados a essa temática, em que é possível ter a consciência do mundo, e também a sua relação no processo de aprendizagem da educação ambiental. A conduta de cada humano altera as suas percepções do mundo, dependendo como cada ideia foi desenvolvida durante o seu crescimento (MENGHINI, 2005).
Okamoto (2002) certificam que os estudos que aplicam a percepção ambiental desejam examinar a forma como cada indivíduo percebe, interpreta, convive e se adapta à veracidade do
meio em que vive. Já Whyte (1978) relata que as investigações nesta área colaboram para a realização do uso mais inteligente dos recursos naturais, em razão que compatibilizam conhecimentos locais e científicos, impulsionam a atuação da comunidade no desenvolvimento e no planejamento regional, agem como um utensilio educacional e como agente de mudança. A percepção ambiental é uma orientação da consciência, pois o indivíduo ao longo da função que executa, compreende as causas e os fenômenos, e ao captar as reações, o indivíduo os interpreta de acordo com os conhecimentos obtidos antes e com seu conhecimento prático (FEBLES, 2004).
Diante desse contexto, é válido evidenciar a contribuição que a consciência ambiental participa na concepção do conhecimento do indivíduo, possibilitando uma visão de mundo mais realista, e ter ideias de melhorá-lo (RUCHEINSKY, 2001)
A percepção ambiental pode ser empregado um como material em proteção do meio ambiente que tem como objetivo aproximar o homem da natureza, viabilizando um beneficiamento na qualidade de vida, estimulando o respeito e responsabilidade do indivíduos do ambiente em que vivem (FERNANDES; PELISSARIA, 2003).
Para as comunidades que necessitam dos recursos naturais para sobreviver, a percepção ambiental é um essencial instrumento para a fixação de políticas públicas referentes ao meio ambiente (OLIVEIRA; CORONA, 2008).
2.4. GESTÃO AMBIENTAL
A elaboração e o imediato aperfeiçoamento do aparato legal-institucional que aprovou a política ambiental nacional, derivou em um composto de divisão de poder, que responsabiliza União, Estados e Municípios pela gestão ambiental (RODRIGUES et al. 2012). A introdução da política ambiental pelos governos, está aliada a gestão ambiental no setor público (MAGLIO, 2000).
De acordo com Seiffert (2010), a gestão ambiental é compreendida como um segmento adequável e constante, de forma que as instituições definem e redefinem suas metas relacionados à proteção do ambiente, à saúde de seus empregados e comunidade, além de utilizar artifícios para que seus objetivos sejam atingidos, com enfoque na relação com o meio ambiente externo.
Banunas (2003) e Maglio (2000), expressam uma concordância de ideias sobre a gestão ambiental, os autores defendem que é no poder municipal que está expectativa de
regularizar às suas peculiaridades para que seja alcançada a totalidade global da qualidade do meio ambiente.
A gestão ambiental é um dos artifícios utilizados, com a finalidade de disciplinar uma parcela da comunidade que o consumo não deve ser produzido de forma excessiva, sucedendo em uma convivência sustentável do indivíduo com o meio ambiente. Nesse sentido, ela atua estabelecendo as normas e regras para o uso sustentável dos recursos naturais (BORGES, 2005).
Para resultar em um sistema de gestão ambiental inúmeros mecanismos se unem para contribuir em sua formação, fatores como educação ambiental, geração de informações, participação popular, legislação local, execução de projetos, fiscalização, monitoramento da qualidade ambiental e recursos financeiros, são quesitos imprescindíveis (IBAMA, 2006). Dentre os mecanismos citados, Milani (2006) aponta que a participação popular é um fator primordial para a efetivação da gestão ambiental.
Nesse seguimento a percepção da população sobre os problemas e sobre as ações da gestão pode unir o governo sobre a opinião e queixas da comunidade, ou ainda indicar falhas que existem na gestão ambiental adquirida. (RODRIGUES et al. 2012)
Segundo Philippi Jr. (2004), as alterações no ambiente natural e suas adaptações, da maneira que as necessidades individuais e coletivas são adequadas, resultando no processo de gestão ambiental, dessa forma contribuindo para um ambiente civilizado. O fato que pode reduzir os impactos, é a forma de utilização desses recursos.
O processo de gestão é baseado em três quesitos: a diversidade dos recursos extraídos do ambiente natural, a velocidade de extração desses recursos, e a forma de estruturação dos resíduos e efluentes. A totalidade desses três pontos e a maneira de conduzi-los define o nível de impacto do ambiente urbano sobre o ambiente natural.
3. METODOLOGIA DA PESQUISA
Esta pesquisa é classificada quanto à finalidade como exploratória, permite que a problemática da Lagoa do Apodi-RN em questões socioambientais e econômicos seja mais explicita). Quanto aos meios aplicados, é ordenada como pesquisa de campo (pela utilização do método de Check List que abordará aspectos socioambientais e econômicos relacionado à lagoa) e pesquisa bibliográfica (sondagem bibliográfico sobre os recursos hídricos, verificação da vulnerabilidade socioambiental e econômica, percepção ambiental e gestão ambiental) (GIL, 2008).
Sendo assim, utilizou o conceito de percepção ambiental para compreender as condições socioeconômicas e ambientais, além de identificar a qualidade de vida da população que moram as margens da Lagoa do Apodi-RN, em especial o bairro Malvinas.
3.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
A região de interesse para esta pesquisa encontra-se no município de Apodi, situado na microrregião da chapado do Apodi e na mesorregião do Oeste Potiguar, assim como ilustrado na Figura 1, distando aproximadamente 340 km de Natal e 80 km de Mossoró, um importante polo regional do Rio Grande do Norte.
Figura 1:Mapa cartográfico do Rio Grande do Norte com destaque no município de Apodi. Fonte: Autor, 2017.
O município em questão está inserido na bacia hidrográfica Apodi-Mossoró, além disso possui um importante reservatório de infraestrutura hidráulica que abastece a maioria das cidades circunvizinhas. Ressalta ainda que a cidade possui uma lagoa localizada no Bairro
Malvina, que é responsável pela manutenção de grande parte das atividades dos moradores ribeirinhos, sejam estas econômicas ou culturais.
Para estudar a percepção ambiental da população local delimitaram-se os atores entrevistados no bairro Malvinas (FIGURA 02), por serem considerados os mais sensíveis aos impactos ambientais ocorridos neste ecossistema.
Figura 2:Delimitação da área de estudo. Fonte: Adaptado do Google Earth, 2017. 3.2. INSTRUMENTO DE PERCEPÇÃO AMBIENTAL
Para ser abordado o perfil socioeconômico dos moradores e as condições de saneamento ambiental do bairro, foi utilizado como instrumento de percepção ambiental um questionário semiestruturado com questões sobre: faixa etária, origem, escolaridade, abastecimento de agua, esgotamento sanitário, saúde pública, educação ambiental, e os principais problemas da área de estudo (FUNASA, 2011).
3.3. PROCESSO DE AMOSTRAGEM
O procedimento de amostragem, aconteceu por um método aleatório, do total de 358 residências, usando como fonte de dados Unidade Básica de Saúde – UBS (2016), do bairro Malvinas, situado nas proximidades da Lagoa do Apodi-RN.
De acordo com Bolfarine e Bussab (2005), o tamanho da amostra para uma população de 358 (N=358), com margem de erro de 5%, confiança de 95% e variabilidade máxima, foi determinado pela equação 1:
2 2 358 185 0, 05 4(358 1) 1 4( 1) 1 1, 96 z N n E n Z (1) Em que: N = tamanho da população; 2
Z = é o valor crítico da distribuição de probabilidade normal;
E= margem de erro.
3.4. PESQUISA DE CAMPO
A pesquisa foi realizada com as famílias do bairro Malvinas, localizado ao entorno da Lagoa do Apodi-RN, entre os meses de fevereiro a maio de 2017.
No primeiro momento realizou-se um pré-teste com 10% da amostragem (19 questionários) com a finalidade de adequar as variáveis, otimizar o tempo e, planejar a execução da aplicação do survey. No segundo momento ocorreu o survey, com aplicação dos questionários semiestruturado com os moradores do bairro, que aborda os aspectos socioeconômicos e ambientais, os componentes de saneamento ambiental e, a percepção ambienta. A escolha pelo método de survey deve-se ao fato de permitir enunciados descritivos, explicativos e exploratórios sobre uma população, isto é, descobrir a distribuição de certos traços e atributos com uma amostra dessa população (BABBIE, 2001).
3.5. TRATAMENTO DE DADOS
Após a pesquisa de campo, o software Excel foi utilizado para a obtenção de gráficos, para que pudesse ser feito a melhor visualização e interpretação dos dados coletados, além de ter efetuado alguns cálculos estáticos fazendo uso do mesmo programa.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. PERFIL SOCIOECONÔMICO DO ENTREVISTADO
De acordo com as informações obtidas 62,40% dos entrevistados eram do sexo feminino e 37,60% do sexo masculino. A definição do sexo dos moradores do bairro Malvinas, evidenciou uma discordância de dados quando confrontado com o cenário brasileiro, visto que a população brasileira se depara com 51,0% de mulheres e 49,0% de homens (IBGE, 2010). Salienta-se a similaridade desse resultado com os dados obtidos por Pinto Filho, Petta e Souza (2016). Estes ao investigarem a caracterização socioeconômica e ambiental da população do campo petrolífero da cidade de Canto do Amaro - RN, relataram que 62,08% da população correspondia ao sexo feminino, enquanto 37,20% para o masculino. Tal situação pode-se ser explicada através de compreensão de que estas áreas comparadas possuem uma sociedade organizada com características onde o homem é o principal responsável pela contribuição financeira nas famílias, com isso, não estão em seus domicílios durante o dia, que corresponde ao período que foi realizada a pesquisa.
Para uma melhor abordagem estatística dos dados coletados, a idade dos entrevistados foi agrupada em seis intervalos conforme ilustrado na Figura 3. O percentual da faixa etária dos moradores do Bairro Malvinas varia de 19 anos a 78 anos de idade, sendo que a faixa etária com maior representatividade foi a de 43 a 52 anos (27,15%). O menor percentual encontrado corresponde aos indivíduos que possuem de 19 a 25 anos e mais de 64 anos, ambos com a mesma porcentagem de 13,25%. Outros estudos também obtiveram dados semelhantes, já que Pereira, Pereira e Castro (2014) em seu estudo acerca da percepção ambiental dos moradores sobre a poluição do rio Cariús no município de Farias Brito – CE encontraram uma faixa etária majoritária entre 40 e 49 anos de idade em 29% da população.
Figura 3: Faixa etária dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Quando sondados se suas condições de trabalho são formais, 42,80% dos moradores mencionam que sim, enquanto 57,20% apontam o contrário. Fazendo uma ligação deste dado com a Figura 9, pode-se afirmar que o baixo nível de escolaridade da população contribui para o grande número de trabalho informal, os quais estão geralmente podem associados a regimes ocupacionais insalubres e perigosos. Este valor também pode estar associado ao equipamento de lazer do Calçadão da Lagoa do Apodi – RN, que permitiu a instalação de novos empreendimentos econômicos na área (Figura 4 e 5). Ressalta ainda o nível de escolaridade como fator motivador, já que Balassiano, Seabra e Lemos (2005) afirmaram que o nível escolaridade tem uma implicação direta na empregabilidade, ou seja, um aumento no grau de escolaridade poderá derivar em um resultado mais positivo em relação ao emprego do indivíduo. 27,15% 19,20% 17,88% 13,91% 13,25% 13,25% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 43 a 52 anos 53 a 63 anos 34 a 42 anos 26 a 33 anos mais que 64 anos 19 a 25 anos
Figura 4: Estabelecimento comercial no calçadão da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 5: Churrascaria e pizzaria no calçadão da Lagoa do Apodi-RN.
Fonte: Autor, 2017.
A influência do equipamento de lazer do Calçadão da Lagoa do Apodi – RN é perceptível na população investigada também quando se identificou os tipos de vínculos empregatícios dos moradores do bairro Malvinas, já que a ocupação prevalecente é comerciante (22,72%), como pode ser observado na Figura 6. Observam-se ainda ocupações relacionadas com: pescador (16,70%); autônomo (14,66%); servente (9,45%); diarista (8,56%); agricultor (7,81%); cozinheira (5,75%); mecânico (6%); funcionário público (5,59%) e professor (3%). Resultados diferentes foram determinados por Silva et al. (2015) ao estudarem a população da lagoa do Jequiá da praia – AL, já que estes autores perceberam que a atividade econômica preponderante foi a pesca (71,6%) e a agricultura (20,8%), enquanto 7,5% das atividades ocupacionais relacionavam-se com o comércio e artesanato. Diante dessa situação, pode-se inferir que a população da área de estudo encontra-se em um processo de diminuição da realização das atividades tradicionais (agricultura e pesca) para desenvolver novas habilidades com maior percentual econômico.
Figura 6: Tipo de trabalho dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 7: Estabelecimento comercial e pescador na Lagoa do Apodi-RN.
Fonte: Autor, 2017. 22,72% 16,70% 14,66% 9,45% 8,56% 7,81% 5,75% 6,00% 5,59% 3% 0% 5% 10% 15% 20% 25% Comerciante Pescador Autônomo Servente Diarista Agricultor Cozinheira Mecânico Funcionário público Professor
As transformações na população do bairro Malvinas também refere-se a origem dos entrevistados, já que mesmo existindo a predominância de 81,7% de naturalidade do município de Apodi – RN (Figura 8), observa-se que este percentual diminui quando comparado com os resultados de Pinto Filho e Martins (2008) que ao analisar os impactos socioambientais da ocupação desordenada das margens da Lagoa do Apodi – RN em 2007 encontraram valor de 91,4% para população com origem do referido município. Com isso, pode-se inferir a diversificação de atividades na área de estudo pode ter sido o fator motivador para que novos moradores venham se estabelecendo. Diante desse cenário, é crucial desenvolver ações de gestão ambiental para que problemática socioambiental referente à lagoa em questão também seja difundida com os novos atores sociais da área.
Figura 8: Município de origem dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
A efetividade da gestão ambiental da área de estudo é resultante de ações contínuas por parte do poder público, em parcerias com a iniciativa privada e envolvimento dos atores sociais. Com isso, para saber quais medidas aplicáveis e necessárias, incialmente é fundamental compreender o nível de escolaridade dos entrevistados (Figura 9), onde se observou que a maioria possui o ensino fundamental incompleto (46,70%), cerca de 31,90% possuem ensino fundamental completo, 18,60% afirmaram nunca terem estudado, e a menor porcentagem possui ensino superior (2,80%).
Resultados equivalentes foram obtidos por Pereira, Pereira e Castro (2014) ao estudarem a percepção dos moradores sobre a poluição do rio Cariús, munícipio de Farias Brito,
81,70% 3,92% 3,27% 2,61% 2,61% 2,61% 1,96% 1,32% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Apodi Luís Gomes José da Penha Severiano Melo Mossoró Fortaleza Água Nova Caraúbas
Ceará, uma vez que os entrevistados possuem ensino superior (5%), ensino médio (36%), fundamental incompleto (49%) e sem escolaridade (10%).
Entretanto, dados diferentes foram obtidos por Abbas e Fasona (2012) ao investigarem as condições socioeconômicas da população do Delta do Níger, na Nigéria, já que descobriram um nível de escolaridade de ensino superior para 28,20% da população. Diante dessa situação, pode-se deduzir existe a possibilidade de áreas com influência de atividades tradicionais como agricultura e pesca decorrentes da população com índices de escolaridades menores quando comparados com áreas de outras atividades econômicas.
Figura 9: Grau de escolaridade dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
O contexto do pequeno nível de escolaridade, maior quantidade da população com cargos informais e as pessoas que possuem um trabalho tenham as menores porcentagens, influência nos rendimentos familiares (PINTO FILHO, PETTA & SOUZA, 2016). Sendo assim, a realidade dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN também apresentou baixos valores, como pode ser visto na Figura 10, já que a renda mensal mais notada dentre os entrevistados corresponde a 56,60%, renda de até 1 salário mínimo por mês, destacam-se também aqueles que não possuem renda mensal (33,50%), e com a menor porcentagem tem aqueles que possuem renda mensal de 1 a 2 salários mínimos (9,90%). 46,70% 31,90% 18,60% 2,80% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Ensino Fundamental Incompleto Ensino Médio Completo
Figura 10: Renda média dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
O período de residência no ambiente, além de oferecer conhecimento sobre a situação da população, ainda pode inspirar a configuração de como os indivíduos se relacionam com ambiente em que vivem (CARVALHO & RODRIGUES, 2015). Com isso, observa-se que grande parte da população ribeirinha (53,90%) residem há mais de 20 anos nessa área e 17,20% cerca de 10 a 20 anos (Figura 11). Resultados semelhantes foram obtidos por Pinto Filho, Petta e Souza (2016) ao investigarem a caracterização socioeconômica e ambiental da população do campo petrolífero Canto do Amaro – RN, já que identificaram que 74,70% vivem nessa área a mais de 10 anos. 56,60% 33,50% 9,90% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%
Até 1 S.M. Não tem renda 1 a 2 S.M.
4,60% 10,50% 13,80% 17,20% 53,90% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%
Até 1 ano 2 a 5 anos 6 a 10 anos 10 a 20 anos Acima de 20 anos
Figura 11: Tempo de residência dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
4.2.COMPONENTES DE ASPECTOS DE SANEAMENTO AMBIENTAL
O saneamento ambiental compreende o conjunto de ações, obras e serviços considerados prioritários em programas de saúde pública abrangendo então: o sistema de abastecimento de água; a destinação dos resíduos; esgotamento sanitário; melhorias sanitárias domiciliares; obras de drenagem; controle de vetores, roedores e focos de doenças transmissíveis; características da habitação e do entorno; preocupação com a melhoria das condições de habitação e; preocupação com a educação sanitária e ambiental (FUNASA, 2011).
A contaminação da água no seu estágio inicial é frequentemente diminuída no seu local de consumo, quando contraposto com a fonte, mostrando a probabilidade de contaminação na coleta, extração da água, armazenamento e transporte (WRIGHT et al., 2004; VARGHESE, 2004). Para isso, torna-se crucial investigar os sistemas de abastecimentos de água da população.
O abastecimento de água do bairro Malvinas é realizado pela Companhia de Água e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), através de tubulações que ligam as 358 residências cadastradas no seu sistema, usando como fonte de dados Unidade Básica de Saúde – UBS (2016).
As respostas dos entrevistados confirmam esse panorama, já que foram unânimes (100%), ao afirmarem que a água potável que abastece as residências é de origem da CAERN. Resultados semelhantes foram encontrados nos estudos de Pinto Filho e Martins (2008) ao investigar a realidade deste bairro no ano de 2007. Entretanto, dados diferentes foram determinados por Pinto Filho, Petta e Souza (2016) ao investigarem a caracterização socioeconômica e ambiental da população do campo petrolífero Canto do Amaro, RN, Brasil onde obtiveram que o abastecimento de água em suas residências é realizado por carro-pipa (61,55%) e poço (36,55%). Estas comparações possibilitando afirmar que há zona urbana o abastecimento ocorre de forma universal por parte da concessionária, enquanto em zona rural precisa de outras formas de abastecimentos.
Diante dessa situação, é fundamental avaliar o sistema de abastecimento de água nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN, bem como a qualidade e quantidade de água fornecida para população investigada. A Figura 12 engloba a questão de
como os moradores do Bairro Malvinas consideram o abastecimento de água de suas residências: ótimo (51,30%), bom (34,20%), regular (9,20%), ruim (3,90%) e péssimo (1,40%). Perguntou-se aos entrevistados como eles classificavam a qualidade da água de sua residência: 56,20% classificou a água como ótima, enquanto 0,70% como ruim ver Figura 13. Na figura 14, observa-se que os moradores do bairro Malvinas consideram a quantidade da água em sua residência relacionada a frequência e 50,30% dos questionados afirmaram que a quantidade de água é considerada de ótima, 25,50% afirmaram que a quantidade da água é considerada de boa, 17,70% alegaram ser regular e, por fim a menor parcela das pessoas consideram a quantidade de água como ruim (4,50%).
Quando comparado com outras pesquisas na mesma área de estudo em 2007, observa-se que os índices de satisfação diminuíram, já que Pinto Filho e Martins (2008) determinaram 91,4%como boa e 2,6% como ótima. Este cenário pode ser explicado através dos períodos de estiagem que ocorreu ao longo destes anos, sendo corroborada com dados da CAERN (2017) ao afirmar que o abastecimento de 20 cidades do estado (inclusive Apodi) é realizado por um sistema de rodízio, que consiste em um abastecimento em dias alternados, visando economizar e preservar o volume de água nos mananciais.
Figura 12:Avaliação do
abastecimento de água nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 13: Qualidade da água das residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 14: Quantidade da água das residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
As condições de bem estar de uma população está ligado à qualidade e disponibilidade da água, sendo o recurso natural mais importante para à saúde humana e mais vulnerável para a determinação do desenvolvimento, com isso, é fundamental investigar as formas de tratamentos na água para abastecimento humano (HELLER, 1997).
O tratamento de água para beber utilizado na residência dos entrevistados (Figura 15) ocorre de forma diversificada e sem orientação, já que a ingestão de água sem tratamento prévio
51,30 % 34,20 % 9,20 % 3,90 % 1,40% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 56,20 % 23,50 % 19,60 % 0,70 % 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 50,30 % 27,50 % 17,70 % 4,50 % 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%
é utilizada por 55,60% dos moradores do bairro Malvinas, 34% utilizam água mineral e, 10,40% faz-se o uso de tratamento com filtro de barro.
Resultados diferentes foram determinados por Pinto Filho, Petta e Souza (2016) em comunidades rurais próximas de um campo petrolífero, já que 42,2% utilizam a água sem tratamento prévio, 26,6% com tratamento através de filtro, 1,9% com tratamento por fervura e, 6,6% por tratamento com cloro e, 22% utilizam água mineral. É importante ressaltar que este valor mais acentuado para população investigada da utilização da água sem tratamento, deve-se na confiabilidade da população no abastecimento, já que 100% das residências tem o fornecimento de água realizada pela CAERN.
Ressalta ainda, que o crescente uso do consumo de água mineral deve-se ao reflexo do modo de vida de um indivíduo, já que Ferrier (2001) prever que os clientes ao comprar essa água confiam, por acharem ser mais segura do que a água de torneira, entretanto pesquisas afirmam a existência de contaminação dessas águas.
Figura 15: Formas de tratamento no abastecimento de água nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
O sistema de esgotamento sanitário do bairro Malvinas em Apodi-RN ocorre de forma irregular, já que 89,32% dos questionados afirmaram que o esgoto de sua residência vai diretamente para Lagoa, enquanto 10,68% alegaram que o esgoto vai para uma fossa (Figura 18, 29 e 20).
Esta situação vem se alastrando desde 2007, já que Pinto Filho e Martins (2008) apuraram esse a inexistência desse elemento de saneamento ambiental. Resultado equivalente foi conquistado por Xavier e Nishijima (2010) que abordaram a percepção ambiental junto aos
55,60% 34% 10,40% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Sem tratamento prévio
Água mineral Tratamento com filtro de barro
moradores do entorno Arroio Tabuão no Bairro Esperança em Panambi-RS, onde 93% responderam destinar o esgoto doméstico no Arroio e apenas 7% possuem fossa séptica. Tal cenário merece destaque, já que Guerra e Cunha (2006) afirmaram que uma das características de poluição que mais arruína a qualidade das águas é o despejo de esgotos no seu estado natural.
Figura 16: Destino do esgoto doméstico da residência dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 17: Destino do esgoto doméstico das residências dos moradores.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 18: Esgoto doméstico indo diretamente para lagoa do Apodi-RN.
Fonte: Autor, 2017.
Apesar da existência de fragilidades nos componentes de saneamento ambiental, observa-se que a população é sensibilizada com a problemática ambiental, uma vez que conhecem que é incorreto destinar o esgoto doméstico para a lagoa, porém afirmam que não se trata de uma escolha, mas ausência de alternativas.
A gestão dos resíduos sólidos na área de estudo inicialmente ocorre com a coleta pública, que é realizada em 90,8% dos domicílios, enquanto o restante apresenta maneiras: 7,2% jogado fora, 1,3% vão para reciclagem e, 0,70% são queimados (Figura 19 e 20).
Essa coleta atualmente é avaliada positivamente, já que 26,40% afirmaram que é ótimo, 40,50% como bom, 25% regular, 5,40% é considerado como ruim e apenas 2,70% é classificado como péssimo (Figura 21).
Porém essa problemática é antiga, já que Pinto Filho e Martins (2008) investigando sobre a situação do gerenciamento dos resíduos sólidos no Bairro Malvinas, Apodi – RN averiguaram que repetidamente nesse ambiente a população faz a utilização de canais pluviais para o armazenamento de resíduos. Dessa forma, a área investigada apresenta situações iguais aos inúmeros impactos ambientais urbanos presentes no Brasil através da irregularidade na administração dos resíduos sólidos (MONTEIRO, 2001).
89,32 % 10,68 % 0% 20% 40% 60% 80% 100% Lagoa Fossa
Figura 19: Coleta de lixo das residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 20: Acondicionamento público de resíduos sólidos no Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 21: Avaliação da coleta de resíduos sólidos pelos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
No tocante aos problemas relacionados com a drenagem urbana constatou-se que 76,90% classificaram que ocorre com muita pouca frequência e 23,13% apontaram com pouca frequência 23,13% (Figura 22). Tal situação pode ser explicada através dos baixos índices pluviométricos, entretanto ainda no período chuvoso foi possível visualizar problemas relacionados com enchentes e inundações (Figura 23).
Figura 22: Existência de problemas com enchentes e inundações drenagem no Bairro Malvinas, Apodi-RN, 2017.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 23: Problemas pela ausência de drenagem urbana no Bairro Malvinas, Apodi-RN, 2017.
Fonte: Autor, 2017.
Ao investigar as condições de habitação da população ribeirinha, inicialmente observou-se que a situação de aquisição das residências, sendo apontada por 55,60% dos entrevistados por possui residência própria e quitada, 22,90% possuem casa alugada, 11,70% a casa é de herança, 8,50% ainda estão pagando e, 1,30% a residência é emprestada (Figura 24).
A estrutura das residências dos moradores pesquisados são todas de alvenarias, sendo 98% rebocadas, enquanto 2% são sem reboco. Com isso, observa-se que geralmente são casas simples e antigas (Figura 25 e 26) com vulnerabilidade para vetores de doenças.
26,40 % 40,50 % 25% 5,40 % 2,70% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 23,10% 76,90% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Pouca frequência Com muita pouca frequência
Figura 24: Situação da residência dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 25: Estrutura da residência (alvenaria sem reboco) dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 26: Estrutura da residência (Alvenaria com reboco) dos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
O cenário de insalubridade ambiental (Figura 27) em uma determinada região possibilita a criação de vetores de doenças, principalmente relacionado com a distribuição irregular de resíduos sólidos (MACULAN E MARTINS, 2008). Com isso investigou-se a frequência da existência de vetores de transmissão de doenças nas residências por animais (baratas, morcegos, formigas, roedores) sendo apontado na Figura 28 a ordem de 32% nunca, 18,3% quase nunca, 36,6% regularmente, 6,5 frequentemente e, 6,5% muito frequentemente (Figura 28).
Mesmo com baixa incidência em ocorrência de vetores de doenças, é necessária a existência de ações de controle de zoonoses, pois são responsáveis por 75% das doenças infecciosas em desenvolvimentos no mundo, constituindo assim um amplo obstáculo de saúde pública (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Para isso identificou-se que na área de estudo 15,70% dos questionados mencionaram existência dessas ações, 17,69% apontaram que não e 66,70% não sabia.
Figura 27: Distribuição irregular de resíduos sólidos nas margens da Lagoa do Apodi – RN, 2017.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 28: Frequência da existência de vetores de transmissão de doenças nas residências dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017. . 55,60 % 22,90 % 11,70 % 8,50% 1,30 % 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 32% 18,30% 36,60% 6,50% 6,50% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40%
Com relação aos aspectos de saúde na Figura 29 foi indagado aos entrevistados se no bairro Malvinas existe agentes de saúde, sendo positivo em 91,50% dos entrevistados, enquanto 5,05% afirmaram não ter agente de saúde no bairro e 3,45% não souberam responder. Merece destaque esse percentual, pois segundo a Política Nacional de Atenção Básica (Brasil, 2006), o agente de saúde é responsável por estreitar laços entre a comunidade e o posto de saúde, fazendo um acompanhamento mensal nas residências orientando e trabalhando na prevenção de doenças, portanto é um trabalho de suma importância para o bairro, principalmente por ser localizado as margens de uma lagoa tornando a população mais vulnerável a doenças.
Apesar da existência desse instrumento de saúde, observou-se que há localidade existe com frequência a necessita de tratamento médico através da seguinte escala: 9,30% nunca, 31,80% quase nunca, 37,79% regularmente, 15,20% com frequência e, 6% com muita frequência (Figura 30).
A partir dessas requisições médicas, constatou-se que as doenças mais comuns nas famílias investigadas são: gripe (45,13%), alergia (19,21%), diarreia (14,09%), dor de cabeça (11,41%), mal estar (9,73%), doenças respiratórias (5,26%), pressão (4,29%) e dengue (0,88%) coluna (3,9%) (Figura 31). Este cenário vem sendo determinado por Pinto Filho e Martins (2008), ao afirmarem que a degradação da Lagoa do Apodi-RN proporciona a criação vulnerabilidade aos aspectos de saúde na área de estudo, através da ocorrência das doenças, tais como: dor de cabeça, micose, diarreia, febre, mal estar e irritação nos olhos.
Figura 29: Existência de agente de saúde no Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 30: Frequência de
consultas médicas dos moradores do Bairro Malvinas, Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 31: Doenças mais comuns nos moradores do Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN. Fonte: Autor, 2017. . 91,50 % 5,05 % 3,45% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Sim Não Não sei
9,30% 31,80% 37,70% 15,20% 6% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 35,13% 19,21% 14,09% 11,41% 9,73% 5,26% 4,29% 0,88% 0% 20% 40% Gripe Alergia Diarreia Dor de Cabeça Mal estar Doenças… Pressão Dengue
Diante dessa situação, é crucial o desenvolvimento de projetos de educação ambiental e sanitária, com a finalidade de prevenir e controlar a ocorrência de doenças disseminadas pelo meio ambiente, bem como promover a sensibilidade ambiental para a população local.
Sendo assim, os entrevistados ao serem investigados sobre se são desenvolvidos pelo poder público projetos de Educação Sanitária e Ambiental no Bairro Malvinas (Figura 32), constatou-se que poucos moradores responderam pouca frequência (19,87%) e com muita pouca frequência (27,15%), respectivamente. E, o maior valor são as pessoas não souberam responder (44,38%).
Nessa área de estudo Pinto Filho e Martins (2008) identificaram as atividades básicas referentes a esse contexto apenas sobre projetos de conscientização do combate ao mosquito da dengue. Dados idênticos foram obtidos por Rodrigues et al. (2012), sobre a percepção ambiental como instrumento de apoio na gestão e na formulação de políticas públicas ambientais, onde 76% dos respondentes desconheciam algum programa ou projeto ambiental que estava sendo desenvolvido na região.
Figura 32: Se são desenvolvidos Projetos de Educação Sanitária e Ambiental no Bairro Malvinas localizado nas margens da Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017. 1,32% 7,28% 19,87% 27,15% 44,38% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50%
4.3. PERCEPÇÃO AMBIENTAL
Para a maioria das populações ribeirinhas a lagoa retrata a cultura e o ecossistema, em razão que entre a lagoa e os indivíduos encontra-se uma convicção de pertencer aquele ambiente, como se fosse uma etapa de vida que se apresenta na cultura daquela comunidade (FERREIRA, 2010).
Nos trechos das entrevistas apresentados a seguir foram identificadas as relações que remetem ao respeito, afetividade e a preocupação que os moradores ribeirinhos possuem com a lagoa, ao serem questionados sobre a sua importância.
“Muito importante para a economia da cidade” (Entrevistado 01, 22 anos)
“Algo que traz renda para a população, é bem bonita e agradável” (Entrevistado 02, 55 anos)
“Muito importante, porque Apodi nasceu da lagoa e foi fonte de renda. Cartão postal também” (Entrevistado 03, 38 anos)
“Muita, já pesquei muito e criei meus filhos com o que eu conseguia pescar” (Entrevistado 04, 71 anos)
“Ah, a lagoa é tudo pra mim. É dela que tiro meu dinheirinho e boto comida na mesa” (Entrevistado 05, 47 anos)
“Pra mim acho uma beleza, mas que pena que ela ficou do jeito que ficou. Eu não tenho coragem de comer nenhum peixe que vem dela, acredita que um dia desses acharam um homem morto nela aí” (Entrevistado 06, 64 anos)
“Eu já pesquei com meu pai, ele já morreu sabe? E várias vezes aquilo era o único sustento da casa e agora que deu essa cheia, no verão é bom demais porque tem camarão” (Entrevistado 07, 57 anos)
“É muito importante, tem pesca, alimento para os animais, tem gente que planta. Chamam até de mãe lagoa.” (Entrevistado 08, 70 anos)
“Porque enfeita o nosso bairro e traz oportunidades de renda. E minha mãe sempre falava que quando não tinha agua encanada usava tudo da lagoa.” (Entrevistado 09, 35 anos)
“A lagoa é do povo e o povo precisa cuidar dela. Se não fosse ela, muita gente do bairro Malvinas teriam morrido de fome” (Entrevistado 10, 66 anos)
Os moradores locais passaram e passam suas vidas com esse contato diário, para eles a lagoa faz parte de sua história e para muitos como forma de sustento, e por isso respeitam e seguem preocupados sobre sua situação atual.
É possível observar (Figura 33) que a maioria dos moradores entrevistados percebem a lagoa como ambiente natural para ser preservado e apreciado (55,56%), demostrando que a maioria dos morados possuem um vínculo afetivo com a lagoa do Apodi-RN. Enquanto uma parcela de 10,46% consideram um local sem significância, demostrando que essa parte da população não possui qualquer tipo de vínculo com o espaço em que vivem e, obtendo uma visão fragmentada da realidade, embora residam há vários anos as margem da lagoa.
A Figura 34 demonstra o pôr do sol da lagoa do Apodi-RN, indicado como paisagem de beleza natural, confirmando o que foi apontado pelos moradores do bairro Malvinas.
Figura 33: Como o ambiente da Lagoa do Apodi – RN é vista pelos moradores do Bairro Malvinas.
Fonte: Autor,2017.
Figura 34: Pôr do sol da lagoa do Apodi-RN, 2017.
Fonte: Jackson França.
Foi investigado se os moradores faziam ou já fizeram algum tipo de uso da Lagoa do Apodi – RN. A menor parcela (35,95%) respondeu que sim, e em uma porcentagem significativa (64,05%) responderam que não. Isso evidencia a pequena relação estabelecida entre esta população e esses recursos hídricos. Apesar da maioria da população afirmar não usar a água para nenhuma atividade direta, é perceptível que os familiares desses ribeirinhos já fizeram ou fazem o uso da lagoa, demonstrando mais relações e valorização do ambiente.
Em seguida, foi solicitado que especificassem para que fins utilizavam a lagoa. Conforme pode ser visto na Figura 35, o principal tipo de uso destes ecossistemas aquáticos foi o banho (81,36%), seguido pela pesca (11,86%) e pôr fim a lavagem de roupas (6,78%). Dados podem ser comprovados por meio da Figura 36, onde mostra banhistas fazendo uso da lagoa do Apodi-RN. 57,52% 18,95% 13,07% 10,46% 0% 20% 40% 60% 80%
Ambiente natural para ser preservado e apreciado
Ambiente com muitos problemas a serem… Local que pode ser utilizado pelo ser humano
Figura 35: Tipos de usos que os moradores do Bairro Malvinas realizam ou já realizaram na Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 36: Banhistas na Lagoa do Apodi – RN.
Foto: Autor, 2017.
Um questionamento semelhante feito aos entrevistados, se alguém da família fazia ou já fizeram algum tipo de uso da Lagoa do Apodi – RN. Uma parcela maior de 51,63% % respondeu que sim, seguida de 48,37% que responderam que não.
Posterior, foi solicitado que especificassem para que fins os familiares utilizavam a lagoa. Conforme pode ser visto na Figura 47, o principal tipo de uso destes ecossistemas aquáticos foi o banho (25,05%), seguido pela pesca (25,04%), a lavagem de roupas (23,03%), a plantação (14,95%) e pôr fim a pastagem (12,93%). Como pode ser visto na Figura 38, a lagoa do Apodi – RN sendo utilizada para alimentação animal.
Figura 37: Tipos de usos que os familiares dos moradores do Bairro Malvinas realizam ou já realizaram na Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
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Figura 38: Morador fazendo uso da pastagem na Lagoa do Apodi – RN.
Fonte: Autor, 2017.
No Semiárido os cursos d’água representam fonte vida e esperança e possuem um significado bastante amplo, pois está relacionada a fixação do homem naquele ambiente. (PETROVICH; ARAÚJO, 2009). Nesta acepção, foi questionado aos entrevistados quais os principais tipos de usos da Lagoa do Apodi – RN no passado. Conforme a Figura 39, o principal
81,36% 11,86% 6,78% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Banho Pesca Lavar roupas
25,05% 24,04% 23,03% 14,95% 12,93% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30%
tipo de uso deste ecossistema aquático no passado foi a pesca (31,50%), seguido pela agricultura (24,25%), ficando em terceiro lugar o abastecimento de água humano (23,25,5%), seguido pelos demais usos como a recreação (6%), o abastecimento animal (5,50%), a harmonia paisagística (4,50%), a diluição de efluentes (3%) e a navegação (2%).
É notório que o principal uso da lagoa no passado era a pesca por fatores que tinha um maior volume de água e também por questões de poluição ser bem menores, visto que afetam a qualidade da água e consequentemente os animais que seriam pescados no presente estarem possivelmente contaminados. A Figura 40 retrata o pai com seus filhos ensinando o seu oficio da pesca.
Figura 39: Principais tipos de uso da Lagoa do Apodi – RN no passado.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 40: Pai e filhos na Lagoa do Apodi-RN, 2017.
Fonte: Jorge Filho.
Já na Figura 41 está ilustrado sobre quais principais tipos de usos da Lagoa do Apodi – RN no presente. Os três principais usos foram a recreação (37,71%), a pesca (25,89%) e a agricultura (14,66%). Seguido pelos demais usos como a diluição de efluentes (8%), a navegação (5,57%), a harmonia paisagística (4,77%) e o abastecimento animal (4%). E no presente a recreação (37,7%) ser o principal uso apontado pelos morados é justificável, pois conforme a Figura 42 é possível perceber atividades recreativas com uso de jet-skis. A construção do calçadão da lagoa acarretou o desenvolvimento de comércios naquela região e a realização de eventos, tornando o ambiente mais atrativo para o lazer.
31,50% 24,25% 23,25% 6% 5,50% 4,50% 3% 2% 0% 10% 20% 30% 40% Pesca Agricultura Abastecimento de água humano Recreação Abastecimento animal Harmonia paisagística Diluição de efluentes Navegação
Figura 41: Principais tipos de uso da Lagoa do Apodi – RN no presente.
Fonte: Autor, 2017.
Figura 42: Passeio de jet-ski na lagoa do Apodi-RN, 2017.
Fonte: Jorge Filho.
Os moradores do bairro Malvinas entende e vivenciam a poluição da lagoa do Apodi-RN, com um sentimento de tristeza ao ver a situação da poluição com que se encontra este ambiente aquático, mas de alegria também por nesse ano de 2017 ter ocorrido um bom inverno que acarretou no aumento do volume de água (Figura 43 e 44).
Figura 43: Lagoa do Apodi – RN no período de estiagem, 2013.
Fonte: Robson Pires.
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Figura 44: Lagoa do Apodi – RN após o período de chuvas, 2017.
Fonte: Mônica Freitas.
Visto isso, foi indagado aos moradores do bairro Malvinas como eles classificavam a poluição da Lagoa do Apodi-RN (Figura 45), ficou evidenciado que a maior parte da população considera a lagoa muito poluída (45,09%), poluída (33,99%) e regularmente (11,22%). No entanto, tem uma pequena parte desses moradores que consideram a lagoa pouco poluída (5,88%), muito pouco poluída (3,27%) e não sabem responder (0,65%).
Contradizendo a opinião da população em geral, relatos de pescadores que tem um contato maior com a água da lagoa, classificam a lagoa como muito pouco poluída e ainda tem os que achem que não existem nenhum tipo de poluição, fato esse deve ser atribuído pela
37,71% 25,89% 14,66% 8% 5,57% 4,77% 4% 0% 10% 20% 30% 40% Recreação Pesca Agricultura Diluição de efluentes Navegação Harmonia paisagística Abastecimento…