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ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP R O C E S S O C O M U N IC A T IV O E M A M B IE N T E S V IR T U A IS D EA P R E N D IZ A G E M - U M A P R O P O S T A , U M E S T U D O E X P L O R A T Ó R IOzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(THE COMMUNICATION
PROCESS
IN VIRTUAL LEARNING
ENVIRONNMENTS-A PROPOSENVIRONNMENTS-AL, ENVIRONNMENTS-AN EXPLORENVIRONNMENTS-ATORY STUDY)
R E S U M OZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A t e c n o l o g i a d a I n t e r n e t e o W W W r e a v i v a r a m
a t r a v é s d a m i d i a d o c o m p u t a d o r e a t e l e m á t i c a a p o s
-s i b i l i d a d e d o " e n s i n o a d i s t â n c i a " , q u e s e s e r v i a b a
-s i c a m e n t e d o c o r r e i o , r á d i o e T V M a i s d o q u e u m
v e í c u l o p a r a c u r s o s e m d e t e r m i n a d o d o m í n i o d o c o
-n h e c i m e -n t o , a r g u m e n t a m o s q u e a I n t e r n e t r e p r e s e n t a
u m n o v o e s p a ç o p a r a s e d i s c u t i r a s p r á t i c a s p e d a g ó
-g i c a s t r a d i c i o n a i s . N e s t e t r a b a l h o p r o p o m o s e d i s c u
-t i m o s o s p r e s s u p o s t o s t e ó r i c o - m e t o d o l ó g i c o s q u e
n o r t e i a m n o s s a c o n c e p ç ã o d e e d u c a ç ã o a d i s t â n c i a e
d e e s p a ç o v i r t u a l d e a p r e n d i z a g e m . I l u s t r a m o s n o s s a
d i s c u s s ã o c o m r e s u l t a d o s p r e l i m i n a r e s d o d e s i g n e u s o
d o Papo-Mania, u m a f e r r a m e n t a d e c h a t e m u s o
p o r a l u n o s p o r t a d o r e s d a S i n d r o m e d e D o w n .
Palavras-chave: ensino/aprendizagem mediados pela comunicação eletrônica; design de
interfaces; ensino a distância.
A B S T R A C T
T h e t e c h n o l o g y o f t h e I n t e r n e t a n d t h e W W W
r e v i v e d t h r o u g h ~ h . e m e d i a o f t h e c o m p u t e r a n d
t e l e c o m m u n i c a t i o n t h e p o s s i b i l i t y o f t h e " d i s t a n c e
t e a c h i n g " , w h i c h u s e d t o b e p r a c t i s e d b a s i c a l l y w i t h
t h e p o s t a l s e r v i c e , r a d i o a n d T V M o r e t h a n a v e h i c l e
f o r c o u r s e s i n c e r t a i n k n o w l e d g e d o m a i n s , w e a r g u e
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p r o p o s e a n d w e d i s c u s s t h e t h e o r e t i c a l - m e t h o d o l o g i c a l
p r e s u p p o s i t i o n s t h a t g u i d e o u r c o n c e p t i o n o f d i s t a n c e
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MARlA TERESA EGLÉR MANTOAN I
MARlA CECILIA BALLABEN STEGUN2 MARlA CECÍLIA CALANI BARANAUSKAS3
GIANFRANCESCA CUTINI BARCELLOS'
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e d u c a t i o n a n d o f v i r t u a l s p a c e s f o r l e a r n i n g . W e
i ! l u s t r a t e o u r d i s c u s s i o n w i t h p r e l i m i n a r y r e s u l t s o f
t h e d e s i g n a n d u s e o f Papo-Mania: a c h a t t o o l i n
u s e b y s t u d e n t s w i t h t h e D o w n S y n d r o m e .
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Keywords: Teaching/learning mediated by electronic communication/Interface design/ Distance learning.
IN T R O D U Ç Ã O
Redes de telecomunicação estão mudando a na-tureza do ensino e do aprendizado, especialmente quando se verifica a rápida expansão das ofertas de educação o n - l i n e . A Internet vem sendo considerada
um sinônimo de comunicação sem fronteiras, uma poderosa ferramenta pela qual se pode diminuir dife-renças regionais relativas à educação e
desenvolvi-mento científico, seja nos parâmetros nacionais ou internacionais. A interface gráfica surgida com o
sis-tema World- Wide Web (WWW) aproximou a Internet das pessoas em geral, sem a necessidade do entendi-mento de protocolos de acesso a informações.
Sabemos que a Internet representa, hoje, uma ferramenta poderosa de trabalho para professores e um novo espaço para se discutir as práticas
pedagógi-cas tradicionais, ensejando, inclusive, uma alternati-va para o desenvolvimento de projetos de formação continuada de professores a distância.
As novas tecnologias não podem servir apenas para transmitir informações, disponibilizar os conhe-cimentos, mas proporcionar um novo ambiente para se questionar e transformar a educação. A mídia
mo-ILaboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Reabilitação de Pessoas com Deficiência - LEPED
Faculdade de Educação /[email protected]
2Fundação Síndrome de Down/ [email protected] 3Instituto de Computação & [email protected]
4Instituto de Computação/Unicamp [email protected] 5 Instituto de Computação /Unicamp [email protected]
;3zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
de ma muda as formas do pensar e propicia novas ex-periências intra e interpessoais, afetando subjetiva e objetivamente as relações espaço-temporais e
modi-ficando a maneira de conceber e realizar a formação de professores e alunos. Nesse sentido, é oportuno lembrar que as pessoas responsáveis por todas essas modificações, especialmente na área da educação, pre-cisam se conscientizar de que nos últimos anos não foi somente a tecnologia que mudou essencialmente, com os avanços alcançados, mas também a forma de utilizá-Ia adequadamente. Em uma palavra, o nosso desafio, como educadores não é mais obter meios tecnológicos para desenvolver projetos educativos,
mas o de saber utilizá-los.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAO que importa não é como e nem onde a tecnologia foi criada, mas como está
sendo aplicada.
Por outro lado, é preciso criar cada vez mais motivos para que a tecnologia e a educação se encon-trem e integrem seus propósitos e conhecimentos, buscando complementos, uma na outra.
De fato, conforme Mantoan (1998), a educa-ção tem tido muitos parceiros, que a apóiam na cria-ção de condições propícias e nos suportes de toda ordem, haja vista a quantidade de aplicações disponí-veis para a reabilitação de pessoas com deficiência, dentro e fora das escolas. Essa parceria entre tecnologia e educação, no entanto, não é suficiente
para atender ainda a todas as necessidades humanas que envolvem a situação de marginalização e de isola-mento das pessoas em geral, por exclusão de ordem política, social, econômica e cultural.
Pensamos que, para garantir a todas as pessoas uma educação e uma vida de qualidade e para que todos possamos compartilhar de seus avanços, em to-das as áreas, a sociedade precisa estar fundada em
prin-cípios de igualdade, de interdependência e reconhecer a diversidade. Assim sendo, um primeiro passo quan-do se pretende discutir e/ou aplicar tecnologia à edu-cação é ter propósitos muito bem definidos, enfim, um norte filosófico e princípios que nos forneçam parâmetros às nossas ações.
este trabalho enfocamos um site educacionalZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
- C a l e i d o s c ó p i o - u m p r o j e t o d e e d u c a ç ã o p a r a t o
-d o s . Trata-se de um espaço virtual de educação em
que tudo está parz ser criado, transformado, vivido
pelos que o acessam. A proposta é ampla e abrangente e possibilita a participação ativa de todos os usuários, o que o toma cc. projeto coletivo de construção inte-lectual, social. afetíva CO conhecimento.
O estudo mestra: a os pressupostos teórico-rnetodológicos que norteiara nossa concepção de edu-cação a distância; b)oq!!e estamos investigando sobre ."
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-as especificidades da interação virtual possibilitad-as por
ferramentas de comunicação a distância, que potencializem mudanças nas atitudes e valores dos professores e alunos, ao concretizarem relações coo-perativas e participativas. Ilustramos nossa investiga-ção com resultados preliminares do uso do Papo-Mania: uma ferramenta dec h a t , desenvolvida
para ampliar o espaço educacional doC a l e i d o s c ó p i o ,
incluindo mais uma opção de discussão o n - l i n e , para seus usuários se comunicarem dentro e fora das esco-las.
Organizamos o artigo da seguinte forma: na seção 1 discutimos a problemática da interatividade virtual em con-textos educacionais, na forma em que esta tem se difundi-do; na seção 2 apresentamos os elementos conceituais e o entendimento de espaço virtual de educação preconizados
pelo C a l e i d o s c ó p i o . Na seção 3 apresentamos e
discuti-mos resultados preliminares do desenvolvimento e uso de
um c h a tdesenhado para crianças com necessidades
espe-ciais; na seção 5concluímos.
A IN T E R A T IV ID A D E V IR T U A L E
P R E S E N C IA L N A E D U C A Ç Ã O A D IS T Â N C IA : M U IT A S Q U E S T Õ E S E U M P R O J E T O
Qualquer experiência de aprendizado presencial
ou a distância tem como elemento essencial a comu-nicação. C o m p u t e r - M e d i a t e d C o m u n i c a t i o n (CMC)
é o nome que se dá ao desenvolvimento de
ferramen-tas ( e - m a i l , c h a t , tele-conferência, etc) para suporte
ao processo de comunicação via rede. O CMC possi-bilita que pessoas aprendam juntas, no tempo, lugar e ritmo que melhor lhes sirva e que seja apropriado à tarefa (Harasim, 1993, Greenberg, 1991). Assim, edu-cação através do uso de redes de computadores inclui
atividades que acontecem a partir de interações que usam uma variedade de métodos e processos de
tele-comunicação, como por exemplo, o correio eletrôni-co, as tele-conferências e outros (Baranauskas e t a i ,
1998). O impacto do uso dessa tecnologia na
educa-ção formal apenas começa a ser endereçado na litera-tura (Khan, 1997; Forsythe e t a i , 1 9 9 8 ) .
Sabe-se que essas ferramentas, disponíveis na Internet, facilitam a comunicação, diminuindo
distân-cias e tempo, mas não conhecemos o quanto podem significar no âmbito da educação escolar. Então, o que a interatividade virtual acrescentaria às aprendizagens
escolares? O que poderia oferecer do ponto de vista
educacional?
A tecnologia da Internet e o WWW reavivaram, através do uso da mídia do computador e da telemática,
a possibilidade do "ensino a distância", que se servia, basicamente, do correio, rádio e TV. A educação a distância, hoje, remete a cursos em um dado domínio do conhecimento, que são veiculados pela WWW. Tais cursos são apresentados em páginas que, em geral, são estruturadas tradicionalmente com os seguintes
elementos: informação geral sobre o curso: histórico, horário, apontadores para outras informações;
mate-rial de estudo: textos, tutorias, guias de estudo; avali-ação: notas de avaliações e ferramentas para comunicação:ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAe - m a i l , c h a t , fórum e outros (Berge e Collins, 1994). Essa arquitetura de sistema educacio-nal baseado na Web freqüentem ente utiliza uma es-tratégia que privilegia a "navegação" pelo conteúdo do curso que, na maioria das vezes, é apresentado na forma de um (hiper) texto eletrônico.
Na maior parte doss i t e s educativos, a interação
do aprendiz, seja ele adulto ou criança, ocorre nos mol-des que preconiza a educação tradicional. Esses am-bientes educativos tendem para uma participação passiva do usuário, mecanizam as interações dos aprendizes com a ferramenta, sejam estes crianças ou adultos e, no geral, não requerem a construção efetiva de conceitos, não mobilizam a pessoa a refletir sobre
o que está sendo proposto, a não ser superficialmente. Assim sendo, não cuidam para que as informações e conceitos veiculados sejam tratados criticamente, pois na maioria das vezes expressam posições teóricas fe-chadas, implícita ou explicitamente.
Nosso pressuposto básico é de que não basta pla-nejar e executar os mais sofisticados projetos e possuir equipamentos para apoio à formação de alunos e profes-sores e nem construir projetos nessa área, que justapõem
contribuições de conhecimentos ou reproduzem virtual-mente os mesmos métodos, técnicas e recursos do ensino formal. A meta é propiciar educação de qualidade para
todos os aprendizes, sejam eles os escolares ou os edu-cadores, concebendo programas, produtos, enfim ferra-mentas tecnológicas que fogem ao que já encontramos tradicionalmente, na área. A proposta educacional doC a
-l e i d o s c ó p i o é, pois, uma opção alternativa! aumentativa
da qualidade de ensino, que se baseia em um novo
paradigma educacional, para o qual toda e qualquer ação educativa deve ser concebida e implementada, a partir
dos interesses, das possibilidades iniciais do usuário.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
U M E S P A Ç O V IR T U A L D E E D U C A Ç Ã O : O C A L E ID O S C Ó P IO
Em 1996, pelos motivos aventados e com um
grupo de pedagogos e engenheiros idealizamos na
Estação AlephlMatrix-Campinas/SP oC a l e i d o s c ó p i o
- u m p r o j e t o d e e d u c a ç ã o p a r a t o d o s . Este s i t e
edu-cacional foi e ainda é para nós um desafio, diante das inúmeras questões que este projeto suscita, do ponto de vista técnico-operacional e da pouca familiaridade dos seus usuários preferenciais - professores e alunos - com a cultura da informática e suas incontáveis im-plicações e aplicações educacionais. O C a l e i d o s c ó
-p i o foi criado para difundir idéias, aprofundar
conhecimentos, e proporcionar um novo ambiente para se questionar e transformar a escola, no caso especí-fico, a escola brasileira. Seu símbolo é um caleidoscó-pio, porque este instrumento reproduz a "escola para todos": um espaço dinâmico, caracterizado pela diver-sidade de seus elementos e que não discrimina os alu-nos, sob qualquer pretexto.
A interatividade é a condição primordial para que oC a l e i d o s c ó p i o cumpra seus objetivos e para que
seja compatível com as características do instrumen-to que lhe serve de metáfora. Essa interatividade não só deve propiciar ao usuário uma relação cada vez mais próxima e mesmo íntima e amigável com oC a
-l e i d o s c ó p i o , como também possibilitar trocas de
co-nhecimentos, sentimentos, de vivências cooperativas, entre os participantes desta imensa teia de informa-ções, de idéias, de pessoas que oC a l e i d o s c ó p i o pode atingir. No entanto, como fomentar essa interatividade de modo que desencadeie processos de busca, desco-berta e criação de maiores possibilidades de desen-volvimento de práticas pedagógicas fundamentadas em princípios democráticos, tendo em vista a melhoria da qualidade de ensino?
As atividades presenciais nas escolas, ao esti-mular entre os professores e alunos o desejo de parti-ciparem dos "giros" do C a l e i d o s c ó p i o , caminham na direção da formação de grupos integrados de trabalho entre os professores, seus alunos, para que todos se sintam envolvidos na exploração de novos espaços e de novos horizontes educacionais. Como, então,
que-brar as barreiras da comunicação interpessoal, que é condição para o estabelecimento de vínculos virtuais e conquista de novos parceiros, ao ampliar os
domíni-os de atuação do projeto, dentro e fora das escolas? Diante dessa e de outras questões correlatas, resolvemos propor um estudo de natureza interdisciplinar, para investigar as possibilidades do uso de ferramentas baseadas na Internet na
constru-ção de conhecimentos de professores e alunos, nas escolas de ensino fundamental. A pesquisa implica em uma parceria entre a Faculdade de Educação/
Unicamp, o Instituto de Cornputação/Unicamp e a Secretaria de Educação de Valinhos/SP, a Fundação
Síndrome de Down de Campinas/SP e a Estação Aleph/ Matrix/ Campinas/SP. Trata-se de uma pesquisa que complementa um trabalho que estam os desenvolven-do na rede pública de ensino de Valinhos, desde 1992, visando a implementação de uma proposta de Educa-ção de Qualidade para Todos - ensino inclusivo.
Em uma palavra, pretendemos conhecer, do ponto de vista pedagógico, o alcance de ferramentas de suporte ao processo de comunicação, via Internet (chat, e-rnail, fóruns e outros), no aprendizado presencial e a distância de professores e alunos do ensino fundamental
No ambiente referido, várias ferramentas de-verão confluir:ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAe - m a i l , fórum de discussão, c h a t para crianças, jogos, teatro virtual e outros. Há, portanto,
no C a l e i d o s c ó p i o , espaços que permitem o
estabelecimento de intercâmbios inter e intra
esco-lares.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉpossível divulgar, em sessões do s i / e , proje-tos educacionais realizados por professores, trabalhos de alunos, material pedagógico, eventos e experiên-cias escolares.
É do nosso interesse constatar quais os ganhos
que o uso dessas ferramentas acrescentam a uma ação educativa em andamento, que propõe a participação
autônoma e cooperativa de alunos e professores, na construção e aprimoramento de seus conhecimentos, para podermos expandi-Ios em outras redes, que
bus-cam os mesmos propósitos educacionais.
Do ponto de vista pedagógico, portanto, pre-tendemos verificar, como os professores de escolas
interligadas em rede reagem ao que o projeto propõe como atividades presenciais e virtuais. Igualmente queremos observar quais os efeitos do material ex-posto no C a l e i d o s c ó p i o sobre o comportamento dos
professores que entram em contato com o mesmo, ao visitarem o site, ao deixarem suas opiniões, sugestões, críticas e contribuições no fórum de discussões ou em outras sessões do projeto, que possibilitam o inter-câmbio com o que está sendo veiculado por seus pares. A intenção não é apenas de conhecer o que
ocor-re junto aos professoocor-res, mas como os alunos são atin-gidos por essas novidades e se estes, em contrapartida,
também estão provocando mudanças no modo de agir e de pensar dos seus professores, ao participarem dessa alternativa de capacitação, seja no seu domínio presencial, como nos espaços informatizados.
As atividades propostas têm como principal objetivo favorecer a participação ativa, autônoma e
cooperativa dos professores e alunos no processo de construção de seus próprios conhecimentos, tendo em vista a melhoria da qualidade de ensino, nas
sa-las de aula.
o
processo de intervenção da investigação será desenvolvido por meio de um diálogo aberto em am-biente virtual, e presencial, nos quais os professores poderão mostrar suas experiências cotidianas e expres-sar suas percepções dos problemas que desafiam o tra-balho pedagógico. Nossa preocupação não é com o alcance numérico do projeto, ou seja, o número de pessoas envolvidas, mas com a construção do conhe-cimento no domínio da telemática. Sendo assim, estamos desenvolvendo um trabalho que parte de uma ação educativa, em que pesquisadores e pesquisados são sujeitos de um trabalho comum, ainda que com situações e tarefas diferentes, com o compromisso de promover discussões, entre os professores, sobre os problemas enfrentados e, voltando-se aos mesmos,tentamos buscar ações cooperativas para superá-los. Pensamos que a finalidade de qualquer ação educativa deva ser a produção de novos conhecimentos, que por sua vez aumentem a capacidade de iniciativa
transformadora dos grupos com quem trabalhamos.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
R E D E S D E C O M U N IC A Ç Ã O E E N S IN O : O
DESIGN
E U S O D O PAPO-MANIADo ponto de vista computacional, a investiga-ção proposta envolve o d e s i g n de ambientes
explo-ratórios de aprendizagem em que o foco da atividade do aprendiz é a resolução de problemas de forma colaborativa e remota, através da interação com o sis-tema, com o professor e com outros aprendizes. Objetivamos estudar e propor ferramentas de comu-nicação para Internet, adequadas ao uso educacional
(Barcellos e Baranauskas, 1999). O d e s i g n desses ambientes de aprendizado que se utilizam da Internet
como m e d i a é um tópico interessante de pesquisa que
começa a surgir em função do desenvolvimento tecnológico e das expectativas que têm sido criadas em tomo da educação a distância. Esta parte do estu-do objetiva adequar o uso da tecnologia de redes de computadores e, em particular, o ensino/aprendizagem mediados pela comunicação eletrônica aos princípios
do C a l e i d o s c ó p i o , estudando e propondo elementos
de interface para ferramentas de comunicação dirigidas
a contextos educacionais.
Papo-Mania (Barcellos e t a i , 1999) é uma
ferramenta de c h a t que estamos desenvolvendo e
tes-tando, tendo como usuários os alunos da Fundação
Síndrome de Down de Campinas/ SP. A FSD foi sele-cionada como primeiro foco de testes por vários
mo-tivos, um deles por se tratar de uma instituição aberta a parcerias e já ser colaboradora do C a l e i d o s c ó p i o
desde seu lançamento. Além disso, a Fundação já pos-sui um laboratório de informática bem estruturado,
com computadores ligados em rede e à Internet o que
sem dúvida facilitou a execução dos testes.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ impor-tante salientar que os alunos da FSD escolhidos para
participar do Papo-Mania estão habituados à uti-lização do computador pois a FSD desenvolve um tra-balho de informática aplicada à educação desde 1991. Como usuários-finais esses alunos foram escolhidos em função do grande desafio que colocam ao design de interfaces e, em especial, para ferramentas de co-municação a distância. Afinados com a filosofia da
educação inclusiva buscamos umZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAd e s i g n que não seja
especial para usuários especiais, mas que possa ser usado por todos sem discriminar as possibilidades de cada um no processo comunicativo.
A figura 1 ilustra a interface da ferramenta em
seu estado atual.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
e m
IV ICBAe n t r o u n a s a ia
IV Ita la p a ta to d o s ' D I p e s s o a J lI G A S I e n tro u n a s a la
G A S I1 a J a p a ra to d o s . C h e g u e i a q o r;1 l1 B E B E U s o m p a raV 1 V I" T u d o b e m ? G A S I so ro p araV IV 1 : P o d e m o s s e ra rm g o s ...
IV Ita lap a ra B E B E U : E u e s to u b e m .
• V o c ê te m n a m o r a d o ( a ) ?
• O n d e v o c ê m o ra ?
ilii V o c ê g o s taeev ia ja r ?
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P o d e m o s s e ra m i g o s . . .é
~.us a n i m a i s p r e f e r i d o s sãe:{f
E u g o s t o d . c o m e r~ E u g o s to d a to )
c 0 E un ã o g o s t o d e
Figura 1 - Papo-Mania - C h a t desenvolvido para crianças
o
d e s i g n do Papo-Mania foi centrado emnossa observação dos alunos citados anteriormente, suas dificuldades e possibilidades. Em um primeiro momento os alunos foram observados realizando ati-vidades de sua rotina escolar. A partir de um primeiro
protótipo da ferramenta de comunicação, num segun-do momento da pesquisa, os alunos foram observasegun-dos no uso da ferramenta. Durante as sessões de uso de
protótipos da ferramenta, mudanças foram sendo gra-dualmente introduzi das na interface, durante o pro-cesso de d e s i g n , visando uma melhor adaptação ao público das escolas de ensino fundamental.
Como resultado, a interface gráfica doc h a t con-tém características facilitadoras da comunicação en-tre os usuários referidos. Existem alguns modos de
expressão de fala que estão associados a ícones que representam fisionomias (sorri para, fica triste com, fica bravo com) ou expressões da linguagem (fala para
- balão, pergunta para - interrogação). Frases
semi-prontas, também associadas a ícones, ajudam na in-trodução de temas, na composição de respostas e fa-cilitam a digitação de algumas sentenças que, pelas observações realizadas, ocorriam com maior freqüên-cia. Um espaço na parte de baixo da interface é desti-nado a digitação de frases ou edição das frases
sem i-prontas, que são enviadas - através do botão Enviar - para os outros participantes. As mensagens enviadas aparecem no quadro superior à esquerda na interface. Quando os alunos estão conversando, exis-te a opção de selecionar o nome de um outro colega da lista de pessoas na sala. Neste caso, os outros
alu-nos não receberão o que foi enviado, somente o aluno selecionado. O menu na barra superior possui funções que não são diretamente acessadas pelos alunos, mas
pelo professor ou facilitador, como por exemplo, as opções de conexão.
Os elementos de expressão da interface foram criados com base nas dificuldades que eram observa-das. Como exemplo podemos citar: o tamanho da le-tra fonte teve que ser aumentado devido a problemas relacionados a visão de alguns alunos e para facilitar a leitura; funções que antes eram apresentadas em bo-tões tiveram que ser transferi das para o menu, pois os alunos acabavam c1icando em tudo.
Na fase atual do projeto, oc h a t está sendo utili-zado em uma atividade semanal, por um grupo de oito jovens da Fundação Síndrome de Down, com idades entre 14 e 20 anos e nível de escolaridade referente à 2' série do ensino fundamental. Até o momento já fo-ram realizadas 15 sessões de observação de, aproxi-madamente, 40 minutos, cada uma. Como, por enquanto, a atividade é realizada no ambiente escolar,
usa-se o equipamento ligado em rede no laboratório da própria Fundação. A conversa é "livre", embora tenha sido experimentada também a conversa sobre um
de-terminado tema que estava sendo trabalhado pela pro-fessora em outra atividade.
Os alunos aprenderam a fazer uso de "apelidos" e descobrir a identidade do colega por trás do apelido tornou-se também um objetivo, na interação entre eles.
R e s u lta d o s p re lim in a re s
Analisamos os dados coletados nas sessões de observação, que ocorreram de março a junho de 1999.Comentaremos os resultados a partir de três ei-xos principais de interesse, quais são:
reações dos alunos diante da comunicação
interpessoal, intermediada por uma ferra-menta desconhecida;
1ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAin
- ~fa-elas
íên- esti-ises otão
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ei-ação
erra-uso de conhecimentos anteriores da língua escri-ta para esescri-tabelecer as interações pretendidas;
uso do chat para exercitar a comunicação e a liberdade de expressão.
Sobre as reações dos alunos ao chat, como fer-ramenta interativa, no início, tivemos dificuldades em trabalhar o conceito de comunicação mediada pela fer-ramenta principalmente pelo fato de os alunos esta-rem próximos fisicamente (na mesma sala). Eles ficaram eufóricos por estarem em contato com o com-putador e e mais especificamente com a ferramenta em estudo e desviavam a atenção, levantavam de seus lugares e iam conversar pessoalmente, seja para per-guntar se a mensagem havia chegado ou para tentar
descobrir qual nome o colega estava assumindo. Na fase em que nos encontramos, o
desenvol-vimento e habilidade dos alunos está acima do espe-rado. a grupo está mais atento à comunicação em si e a ferramenta passou a ser "transparente" nesse pro-cesso; o grupo respeita as regras estipuladas (não le-vantar, não conversar pessoalmente); eles se mantêm mais concentrados na conversa mediada pela ferra-menta e não tumultuam o ambiente. a progresso foi também notado diante dos desafios que o uso do chat impôs a esses usuários, quando tinham de lidar com os recursos contidos na interface. De fato, emitir uma resposta ou fazer uma pergunta exigia que eles domi-nassem os elementos tais como: escolha do receptor da mensagem, tipo de fala (sentimentos envolvidos nas falas), como fazer para enviar a mensagem, como en-tabular uma conversa, a partir das frases
semi-pron-tas. E o grupo enfrentou essas dificuldades e nas primeiras sessões já apresentavam sensíveis melhoras de atuação. Percebemos que a seleção do tipo de fala evoluiu compatibilizando-se cada vez mais com o sig-nificado da mensagem enviada, como segue:
TATHlANAfala para todos: você tem namorado(a)?
CAMILA fala para TATHIANA:sim
GABI faIa para SALSICHA: onde você mora?
SALSICHA.som paraGABI:rio dejaneiro
Alguns recursos, como as frases sem i-prontas foram reconhecidos pelos alunos com sendo partes de suas respostas, por exemplo:
ara todos: V o c ê g o s t a d e v i a j a r ?
~pergirza ?2= 'ê.tocos:E u g o s t o d e c o m e rsorvete.
Isso n do mediada pela fe gias para escrever.
a grupo demonstrou reações trpi
ao abordar o computador, atuando frente à má! espontaneamente, como que "topando a brincadeira".
sem restrições, tateando, experimentando, buscando respostas, sem um plano prévio de comunicação e uma estratégia mais elaborada para atingir um dado obje-tivo. Aprenderam a "lidar" com a ferramenta prati-cando, fazendo acontecer o que pretendiam, mesmo inicialmente, quando não se tinha procedido a
altera-ções, para que a ferramenta se adequasse melhor ao uso do grupo.
No que se refere aos aspectos motivacionais en-volvidos nesse processo, alguns pontos podem ser res-saltados. Conforme temos observado o uso do computador em si tem se mostrado altamente motivador para esses alunos desde que levemos em
consideração atividades que não os coloquem em si-tuação de passividade, e a ferramenta c h a t nos mol-des como se apresenta atualmente assume esse papel favorecendo a participação ativa e autônoma dos alu-nos envolvidos.
Outro ponto importante são os aspectos motiva-cionais presentes no teor das comunicações. as alu-nos desse grupo encontram-se numa fase de transição da adolescência para a vida adulta, e como todo jo-vem nessa fase, eles têm interesse pela sexualidade,
por paqueras e namoros, sonham encontrar o príncipe encantado (ou princesa) etc. Têm também os mesmos interesses por músicas e artistas de TV. Infelizmente
em sua maioria possuem uma vida social restrita e um dos únicos espaços que têm para encontrar seu grupo de amigos e conversar sobre os temas de interesse é a FSD. Como o Papo Mania tem estimulado a con-versação livre observamos que nesse espaço o tema motivador que predominou foi o assunto que mais os interessa no momento, o namoro, embora tenham
sur-gido em menor escala assuntos como programas de TV, shows, aniversários, e nos apelidos, nomes de ar-tistas preferidos.
Quanto ao uso de conhecimentos referentes ao sistema escrito, podemos avaliar os dados, segundo aspectos lingüísticos propriamente ditos. Embora a maioria desses alunos já construa textos com sentido e
seqüência, em sala de aula, o mesmo não ocorreu no contexto do c h a t , onde não foi possível observar o mesmo tipo de desempenho lingüístico. A linguagem
está impregnada do oral e fora dos parâmetros da lín-gua culta. Assim sendo, não se observa nenhuma pre-ocupação com a sintaxe, ou seja, com as concordânci-as nominais e verbais, subordinações, relações, nem mesmo com aspectos morfológicos e fonéticos da
Lín-gua Portuguesa. Por outro lado é desejável esse com-portamento, pois mostra uma adequação da linguagem ao veículo de comunicação
Eles se expressam por escrito, como se estives-sem falando uns com os outros. O predomínio da oral idade na produção escrita é um comportamento
normal, nos primeiros tempos da transcrição do pen-samento pelo aprendiz e fica patente, nos exemplos abaixo:
JUL!ANA e AMANDA falam para todos: eu estou saino da sala
TATHIANAfala para VANESSA:pufafor andrea vai na minha casa
Há uma freqüência considerável de trocas fo-néticas: dica (diga) flaze (frase), minhoes (milhões), chaduiche (sanduíche) alquem (alguém); vicou (ficou)
gastico (castigo), pertoa (perdoa), nei(nem), gende (gen-te).
Encontramos também omissões, como: petube (perturbe) braco (abraço) e inversões: juinor (junior); andera (andrea) anmorado (namorado), mas que tam-bém podem ser interpretadas como erros de digitação. Do ponto de vista morfológico, as mensagens estão carregadas de inúmeros erros ortográficos, que
são próprios de pessoas que ainda não dominam o sis-tema, como maioneze, tamben, cachoro e outros.
No que diz respeito à parte semântica, observa-mos que há lacunas na construção das idéias e que a comunicação não se estabelece continuamente. Parece que a conversa não mantém um fio e as pessoas apenas
expressam um perrsámento, um sentimento, uma von-tade. Alguns jovens se frustram com essa quebra da comunicação. SALSICHA, por exemplo, manda "pegadinhas" para seus amigos e não obtém respostas.
SALSICHA fica bravo com GABI : o que é o que é sorri pra você não tem dende
SALSICHA fica bravo com GABI : cabi aquela pusina do carro
Mas também notamos que aparece seqüenciação
do assunto nas mensagens, quando, por exemplo: MIL! fala para todos: eu tenho uma cadela chamada Madona
SALSICHAficabravocom MIILLI:Madonaaquelacan-tora tipo rok?
LINDA fala para MOSTARDA: caju é suco de caju MOSTARDAfalaparaLINDA:eu gostode suco de caju LINDA fala para MOSTARDA: eu gosto de suco de laranja
MOSTARDA fala para LINDA: o que você sabe so-bre o universo?
LINDA fala para MOSTARDA: que vai para a lua MOSTARDAfala para LINDA: eu que vou para a lua LINDA fala para MOSTARDA:terra
MOSTARDAfala para LINDA:onde a gente moramos
A falta de conectivos - conjunções, pronomes, preposições - demonstra ainda uma dificuldade de estruturar o sentido da mensagem, do ponto de vista lógico e as frases ficam sem costura, sem coesão, só tendo sentido quando o sujeito se comunica
presencialmente, pois as entonações, os gestos, fazem o efeito desses conectivos.
Notamos essa falta em inúmeras mensagens, tais como:
DElA sorri para todos: maluca eu gosto (de) você
VAVA sorri para todos: eu bravo (com) amanda (e) vava
Usam palavras-chaves, que são as palavras mais expressivas para o sujeito: substantivos, alguns ver-bos e adjetivos, dependendo da frase, como as crian-ças, quando começam a falar. Linda responde para
Mostarda usando somente um vocábulo:ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAt e r r a , na
se-qüência acima.
Predomina ainda o egocentrismo nas falas, na expressão do pensamento: falta mobilidade intelec-tual, ou melhor, coordenação de pontos de vista, en-fim uma maior flexibilidade cognitiva, ou seja, a capacidade de operar sobre o sistema escrito, logicamente.
Preliminarmente, poderíamos afirmar que
es-ses comunicadores carecem ainda de muitos elemen-tos lingüísticos, para enfrentarem os desafios dos atos de comunicação escrita/virtual. Mas parece que essa
condição não os impediu inteiramente de manifestar o que desejavam transmitir uns aos outros, por inter-médio da ferramenta.
A capacidade de representação através das mais diferentes linguagens evolui com o desenvolvimento
cognitivo, mas é incapaz de criar relações entre as imagens evocadas do vivido e assim sendo as pessoas não conseguem coordenar adequadamente suas idéias.
1 -zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAEmbora necessária a representação nas suas
diferen-tes manifestações, no caso, a escrita, não é suficiente para que a coerência das mensagens se estabeleça. As ações interiorizadas pela atividade representativa pre-cisam se coordenar em sistemas móveis e reversíveis,
para que o pensamento possa ir se construindo e tor-nando-se capaz de descobrir e de criar relações lógi-cas sobre a realidade.
Acreditamos que a ferramenta possa servir como um dos meios pelos quais poderemos estimular esses jovens a organizar melhor as suas idéias, de modo a ultrapassar o nível da representação e conseguir, pouco a pouco, operar com o sistema escrito mais
ade-quadamente.
o que diz respeito ao uso da chat, para exerci-tar a liberdade de expressão e a comunicação interpessoal, os comentários que já fizemos são indi-cadores do efeito que a continuidade dessas ativida-des pode representar para esses fins. Éimprescindível que as conversas se estendam a outros ambientes, ou
seja, sendo estabelecidas entre o grupo, mas de suas próprias casas, entre as salas de aula da Fundação e entre alunos da Fundação e de outras escolas da co-munidade.
u
eCBA
C O N C LU S Ã O
o
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAC a l e i d o s c ó p i o propõe experiências virtu-ais educativas que visam uma escola de qualidade,mais justa e igualitária. O s i t e permite ao usuário refletir criticamente sobre o material veiculado na interação virtual com as informações e/ou com
ou-tros usuários deste espaço e atuar autonomamente. Sendo assim, esta interatividade tem, ao nosso ver, condições de promover uma formação a distância
coerente com os pressupostos educacionais construtivistas, diferindo dos cursos de formação a
distância que se fundamentam em modelos seme-lhantes à instrução programada, como já referido anteriormente. O C a l e i d o s c ó p i o propõe o estabele-cimento de contatos e de parcerias entre escolas, alunos e professores, interligados na rede. A inten-ção é que os seus usuários possam trocar idéias, experiências, atualizar-se, defender pontos de
vis-tas e compartilhar do ideal de uma escola moderna, comprometida com a formação de uma nova gera-ção de alunos e professores.
Acreditamos que o uso dessa ferramenta de co-municação virtual pode alimentar a interação entre pro-fessores/professores, alunos/alunos e alunos/ professores, por ser um recurso poderoso para tomar
as interações mais conscientes e reflexivas. De fato, a interação nos ambientes do C a l e i d o s c ó p i o enseja a formalização do pensamento, seja na recepção ou na expressão das idéias veiculadas. Por outro lado, o ambiente virtual que propomos pode provocar os edu-cadores a repensar, a questionar e a reconstruir suas práticas, na interação com outros colegas, trocando suas experiências e pontos de vista. O mesmo pode-mos admitir quanto ao uso do s i t e pelos alunos, nas escolas e entre elas.
O trabalho relatado de d e s i g n e uso do Papo-Mania representa apenas um dos fragmentos que ilus-tram o C a l e i d o s c ó p i o em dado instante. Como tal ele ainda é uma ferramenta em evolução, movida pelos desafios de envolver mais e mais usuários em suas diversidades e possibilidades comunicativas. Vários "giros" são propostos em continuidade a este traba-lho: passar do uso no laboratório para o uso mais natu-ral da ferramenta de c h a t , ou seja, com os alunos em diferentes localizações geográficas (a distância): em
salas diferentes, onde os sinais da presença física não são visíveis, e em suas casas. Pretendemos, ainda, envolver no processo comunicativo alunos de escolas diferentes.
O paradigma de desenvolvimento da ferra-menta e criação da interface tem sido centrado no usuário e em suas tarefas, segundo o princípio bá-sico de que não é o usuário quem deve adaptar-se a determinada ferramenta ou "treinar-se" para seu
uso, mas o contrário. Ao mesmo tempo, a extensão de usos do Papo-Mania coloca um desafio a mais em nosso trabalho, uma vez que pretende servir à comunicação entre os alunos, sejam eles portadores de Síndrome de Down ou não, indiscri-minadamente. Certamente extensões/modificações
à interface atual serão propostas gradativamente e testadas à medida em que o projeto incluir seus novos usuários e contextos.
Os resultados preliminares obtidos deste estu-do nos encorajam a explorar a riqueza de "imagens" do processo comunicativo mediado por esse tipo de
ferramenta e suas implicações no que diz respeito a comportamentos relacionados a aspectos curriculares envolvidos no desenvolvimento da linguagem escrita e oral.
Do ponto de vista cognitivo e das relações socioafetivas, a ferramenta provocou a descentração
do pensamento e, em conseqüência, uma maior orga-nização da comunicação, que passou a ser mais ade-quada, progressivamente, no direcionamento das mensagens, na continuidade e coerência do assunto
tratado, na preocupação com a compreensão do
interlocutor e na demonstração dos sentimentos impli-cados nas conversas.
Vale ainda acrescentar que podemos observar
o desempenho lingüístico dos alunos, ao utilizarem o chat e que o conhecimento dos avanços e dificuldades
desses e de outros alunos no uso do sistema escrito, nessas situações informais, propicia oportunidades de avaliar competências e de redirecionar a atividade de
ensinar, visando o sucesso da aprendizagem.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
É importante ressaltar que a ferramenta
impli-ca o uso da linguagem escrita de modo signifiimpli-cativo e
funcional, o que difere muito dos tipos de atividades comumente realizadas nas escolas. Alunos com e sem deficiência mental aprendem a se expressar pelo sis-tema escrito, mas, infelizmente, vivem poucas experiências escolares que, de fato, os desafiem natu-ralmente a buscar meios de se fazerem compreender e de entender mensagens, pelo desejo de se comunica-rem cada vez melhor em uma conversação.
Sabemos que a língua escrita tende a se estruturar gramaticalmente pelo interesse de o aluno se comunicar de modo cada vez mais inteligível, pre-ciso e contextualizado. Em conseqüência, os
exercíci-os que automatizam e treinam essas e outras competências escolares, deveriam ser desacreditados pelos professores e pais, diante de reações positivas como estas que comentamos neste estudo.
O uso do chat revelou-nos mais uma vez, que o ensino escolar precisa se transformar, para que os con-teúdos acadêmicos sejam considerados como meios e
não fins em si mesmos, ou melhor, instrumentos pe-los quais os alunos possam entender melhor a
realida-de e realida-dela participar mais livre e ativamente.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
R E F E R Ê N C IA S B IB L IO G R Á F IC A S
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