COMISSÃO EUROPEIA Bruxelas, 7.6.2018 COM(2018) 435 final 2018/0224 (COD) Proposta de
REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO que estabelece o Horizonte Europa – Programa-Quadro de Investigação e Inovação e
que define as suas regras de participação e difusão
(Texto relevante para efeitos do EEE)
{SEC(2018) 291 final} - {SWD(2018) 307 final} - {SWD(2018) 308 final} - {SWD(2018) 309 final}
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
1. CONTEXTODAPROPOSTA
• Justificação e objetivos
A proposta «Horizonte Europa» está em plena consonância com a proposta da Comissão relativa ao próximo orçamento da UE a longo prazo para o período de 2021 a 2027, bem como com as prioridades da Comissão constantes do seu Programa para o Emprego, o Crescimento, a Equidade e a Mudança Democrática e com as prioridades políticas mundiais (os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Apoia a agenda da União relativa ao período pós-2020, conforme acordado na Declaração de Roma de 25 de março de 2017.
A proposta tem como premissa que a investigação e a inovação (I&I) dão resposta às prioridades dos cidadãos, promovem a produtividade e a competitividade da Europa e são de importância crucial para preservar os nossos valores e o nosso modelo socioeconómico, proporcionado soluções que permitem enfrentar os desafios de uma forma mais sistémica. O pacote Horizonte Europa é constituído por propostas relativas a:
1. Um Programa-Quadro de Investigação e Inovação designado «Horizonte Europa», que inclui a definição das suas regras de participação e difusão (em conformidade com Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia — «TFUE»),
2. Um programa específico para a execução do «Horizonte Europa» («TFUE»),
3. Um Programa de Investigação e Formação ao abrigo do Tratado Euratom que complementa o Horizonte Europa, juntamente com
4. As correspondentes avaliações de impacto e fichas financeiras legislativas.
É proposto um programa específico de investigação no domínio da defesa a instituir no Regulamento .../.../... do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece o Fundo Europeu de Defesa para o período de 2021-2027.
O pacote funde dois atos jurídicos atuais (o Programa-Quadro e as Regras de Participação e Difusão) num único ato jurídico e introduz uma série de melhorias em termos de simplificação ao longo de todo o processo.
Especificamente, o Horizonte Europa reforçará as bases científicas e tecnológicas da União a fim de contribuir para enfrentar os principais desafios globais do nosso tempo e para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Simultaneamente, o Programa reforçará a competitividade da União, incluindo a das suas indústrias. O Horizonte Europa contribuirá para a realização das prioridades estratégicas da UE e apoiará o desenvolvimento e a implementação das políticas da União. Num mundo em mutação rápida, o sucesso da Europa depende cada vez mais da sua capacidade para transformar os excelentes resultados científicos em inovação suscetível de ter um impacto real benéfico na nossa economia e qualidade de vida e de criar novos mercados com empregos mais qualificados.
Com esse fim em vista e com base no sucesso do seu predecessor, o Horizonte Europa continua a apoiar todo o ciclo da investigação e inovação de uma forma integrada.
O princípio de um conjunto único de regras de participação e difusão é mantido, sendo propostas melhorias.
A presente proposta estabelece uma data de aplicação a partir de 1 de janeiro de 2021 e é apresentada para uma União de 27 Estados-Membros, de acordo com a notificação do Reino Unido em que este manifestou a sua intenção de se retirar da União Europeia e da Euratom com base no artigo 50.º do Tratado da União Europeia, recebida pelo Conselho Europeu em 29 de março de 2017.
• Coerência com as disposições existentes
O Programa-Quadro é o programa emblemático da União de apoio à I&I desde a fase de conceito até à de aceitação pelo mercado. Visa complementar o financiamento nacional e regional. O Programa-Quadro já proporcionou valor acrescentado europeu único no apoio à concorrência e à colaboração à escala continental da melhor ciência e inovação. Tal permitiu a realização de descobertas científicas, o reforço da competitividade e o desenvolvimento de soluções para os desafios societais. O novo Programa-Quadro proposto, Horizonte Europa, visará um impacto ainda maior do que o atual, o Horizonte 2020, que constitui um trunfo amplamente reconhecido para a realização das ambições da Europa. A natureza em rápida evolução da investigação e inovação num contexto de concorrência mundial faz com que o apoio público à I&I seja mais essencial do que nunca, em particular a nível da União, sendo o seu valor acrescentado indiscutível. A proposta está em plena sintonia com a agenda da Comissão no domínio da I&I, incluindo o objetivo central de consagrar 3 % do PIB da União à investigação e ao desenvolvimento, bem como com a Comunicação «Uma nova Agenda Europeia para a Investigação e a Inovação – a oportunidade para a Europa traçar o seu futuro» (a contribuição da Comissão Europeia para a reunião informal de líderes16 e 17 de maio de 2018).
• Coerência com outras políticas da União
A proposta está em plena consonância com as atuais políticas da União. O Horizonte Europa foi desenvolvido tomando em consideração as atuais prioridades da Comissão, a política de orçamento orientado para os resultados (que implica que os programas de despesas da UE devem — mais do que nunca — apresentar uma boa relação custo-benefício), a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a implementação da Estratégia Global da UE e a proposta da Comissão relativa ao próximo orçamento a longo prazo da União.
Em áreas como a saúde, tecnologias digitais, transformação industrial, sociedades inclusivas e democráticas, recursos naturais, energia, mobilidade, ambiente, alimentos, economia hipocarbónica, espaço e segurança, a I&I tem uma importância crítica para o sucesso na realização das prioridades da União: em particular, o emprego e o crescimento, o Mercado Único Digital, a União da Energia e a ação climática. A I&I são fatores centrais da produtividade e da competitividade de uma economia avançada como a da União.
Os investimentos em I&I serão complementares, e reforçar-se-ão mutuamente, com os de outros programas da União. Os resultados da I&I serão explorados em sinergia com outros programas da União destinados a promover a sua aceitação a nível nacional e regional, maximizando assim o potencial de inovação europeu. Serão complementados por uma comunicação eficaz em matéria de I&I e por campanhas de proximidade visando o público
em geral. A complementaridade e as sinergias do apoio e da exploração da I&I em todo o orçamento a longo prazo da União serão maximizadas mediante um processo de planeamento estratégico da I&I, que será suficientemente flexível para permitir à Comissão e às instituições da União reagir rapidamente a necessidades urgentes e a novas prioridades.
A proposta é também plenamente consentânea com a abordagem adotada no âmbito do processo do Semestre Europeu de coordenação da política económica. Estas ligações devem ser mantidas e reforçadas, com base nas contribuições relevantes já dadas no âmbito do Horizonte 2020 em apoio a reformas estruturais para melhorar a qualidade e a eficiência dos sistemas nacionais de investigação e inovação a três níveis: em primeiro lugar, através de um investimento substancial na investigação e inovação científica e tecnológica; em segundo lugar, tornando o ambiente empresarial mais favorável à inovação e menos avesso ao risco e, em terceiro lugar, assegurando que os cidadãos europeus são apoiados no que será uma transição rápida, e para alguns turbulenta, induzida pela inovação, a digitalização e as megatendências globais como a inteligência artificial e a economia circular.
As ações do Programa devem ser utilizadas para suprir, de modo proporcionado, deficiências do mercado ou situações em que o investimento fica aquém do desejado, sem duplicar nem excluir o financiamento privado, e devem ter um claro valor acrescentado europeu. Desta forma assegurar-se-á a coerência entre as ações do Programa e as regras da UE em matéria de auxílios estatais, prevenindo distorções indevidas da concorrência no mercado interno.
2. BASEJURÍDICA,SUBSIDIARIEDADEEPROPORCIONALIDADE • Base jurídica
O «Horizonte Europa» tem como base jurídica os títulos do TFUE «A Indústria» e «A Investigação e o Desenvolvimento Tecnológico e o Espaço» (artigos 173.º, 182.º, 183.º e 188.º).
Devido ao seu forte apoio à inovação, o Programa Específico de execução do Horizonte Europa tem como base jurídica os títulos do TFUE «A Indústria» e «A Investigação e o Desenvolvimento Tecnológico e o Espaço» (artigos 173.º e 182.º), tal como o programa específico no domínio da defesa (ibid).
O Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT) deriva do título «A Indústria» e continuará a ser financiado através de uma contribuição financeira do Horizonte Europa. A proposta relativa ao Programa de Investigação e Formação da Euratom tem como base jurídica o artigo 7.º do Tratado Euratom.
• Subsidiariedade (no caso de competência não exclusiva)
A UE dispõe de uma competência partilhada (paralela) neste domínio com base no artigo 4.º, n.º 3, do TFUE. A fim de dar resposta aos desafios que a Europa enfrenta atualmente, a União necessita de investir em I&I a fim de atingir economias de escala, âmbito e velocidade. As atividades de I&I financiadas pela União geram benefícios demonstráveis, em comparação com o apoio à I&I a nível nacional e regional: geram massa crítica para enfrentar os desafios globais; reforçam a excelência científica da União graças a financiamentos competitivos; criam redes multidisciplinares transfronteiras; reforçam o capital humano; estruturam os sistemas nacionais de I&I; reforçam a competitividade da União e criam novas oportunidades de mercado.
• Proporcionalidade
As ações a nível da União permitirão a colaboração transnacional e a concorrência a nível mundial a fim de garantir que sejam selecionadas as melhores propostas. Desta forma elevam-se os níveis de excelência e a visibilidade da I&I de ponta, mas apoia-elevam-se também a mobilidade transnacional e atrai-se os melhores talentos. Um programa a nível da União tem maior capacidade para realizar I&I de alto risco e a longo prazo, repartindo assim os riscos e gerando um alargamento do âmbito e economias de escala que de outro modo não seriam possíveis. Serão promovidas interligações com iniciativas nacionais, em particular no domínio da inovação.
Pode igualmente produzir um efeito de alavanca em investimentos públicos e privados adicionais em I&I; contribuir para reforçar ainda mais o panorama europeu de I&I e acelerar o ritmo da comercialização e difusão da inovação. Os programas a nível da União podem também apoiar a definição de políticas e objetivos políticos.
As ações propostas não vão além do que é necessário para atingir os objetivos da União.
• Escolha do instrumento
Tal como no passado, o ato jurídico assume a forma de um regulamento, uma vez que cria direitos e obrigações aos beneficiários, sendo obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros da União e países associados ao Programa-Quadro.
3. RESULTADOS DAS AVALIAÇÕES RETROSPETIVAS, DAS CONSULTAS DASPARTESINTERESSADASEDASAVALIAÇÕESDEIMPACTO
• Avaliações retrospetivas/balanços de qualidade da legislação existente
Os Programas-Quadro da UE produziram impactos significativos e duradouros, conforme demonstrado em sucessivas avaliações, desde que a União começou a investir na I&I em 1984.
A presente proposta baseia-se nos contributos das partes interessadas, nos resultados das avaliações intercalares dos atuais programas, nas avaliações ex post de programas anteriores e em atividades prospetivas.
A Comunicação sobre a avaliação intercalar do Horizonte 2020 identificou vários domínios passíveis de melhoramentos. Para além de uma análise aprofundada, as conclusões da avaliação intercalar do Programa-Quadro Horizonte 2020 basearam-se em amplos contributos das partes interessadas e nas recomendações estratégicas do Grupo de Alto Nível independente sobre a maximização do impacto dos Programas de I&I da EU (Grupo de Alto Nível «Lamy»). Estas conclusões podem ser resumidas em poucas palavras da seguinte forma:
(a) Prosseguir a simplificação;
(b) Apoiar a inovação revolucionária;
(c) Gerar maiores impactos através da orientação para missões e da participação dos cidadãos;
(e) Reforçar a cooperação internacional; (f) Reforçar a abertura e
(g) Racionalizar o panorama de financiamento.
• Consultas das partes interessadas
A Comissão, através de consultas abertas às partes interessadas, procurou receber os pontos de vistas sobre elementos-chave da conceção do Programa de I&I pós-2020. Os resultados destas consultas contribuíram para a avaliação de impacto do Programa e para a elaboração do projeto do presente ato jurídico.
As consultas foram realizadas em momentos diferentes a fim de assegurar que os pontos de vista das partes interessadas sobre a conceção e a formulação do Programa Horizonte Europa fossem tidos em conta. A fim de ter em consideração as diferentes necessidades de informação, as consultas variaram desde conferências e eventos com as partes interessadas, até grupos de peritos, consultas em linha, workshops, reuniões, seminários e análises de documentos de tomada de posição.
A promoção da I&I em toda a UE emergiu como o desafio político mais importante, segundo 97 % dos respondentes nas consultas públicas abertas baseadas em agregados sobre o próximo orçamento da União a longo prazo nos domínios do investimento, da I&I, das PME e do mercado único.
As principais mensagens das partes interessadas podem resumir-se do seguinte modo:
Deve ser mantida a estrutura do Horizonte 2020 em três pilares, embora sejam necessárias melhores ligações entre os pilares;
Os regimes para investigadores individuais de sucesso (ERC, MSCA) necessitam de maiores orçamentos;
As subvenções devem continuar a constituir o principal modelo de financiamento, complementadas, quando adequado, por instrumentos financeiros específicos;
Deve ser concedido apoio a atividades que contribuam para a difusão ou partilha da excelência;
Os projetos em colaboração em menor escala são importantes para alargar a participação;
As missões têm todas as condições para se tornarem uma forma eficaz de progredir;
Deve ser incentivada uma maior participação dos cidadãos no Programa-Quadro;
O Conselho Europeu de Inovação deve ser um acelerador europeu da inovação;
É necessário reforçar a cooperação internacional a fim de enfrentar desafios globais;
Os dados e conhecimentos gerados em projetos financiados pela União devem estar acessíveis a todos;
Existe uma clara necessidade de simplificar o panorama de I&I;
As sinergias com outros programas da União são difíceis, mas são imperativas;
O processo de programação dos convites à apresentação de propostas e das missões deve ser melhorado;
É necessário prosseguir nos esforços de simplificação e
• Competências especializadas externas
A Comissão tem-se apoiado consideravelmente em assessoria externa. Tal inclui, em particular, as recomendações e conclusões do Grupo de Alto Nível presidido por Pascal Lamy, apresentadas no Relatório LAB — FAB — APP: Investir no futuro europeu que
queremos, Relatório do Grupo de Alto Nível independente relativo à maximização do impacto dos programas de I&I da UE, adotado em julho de 2017.
O Grupo de Alto Nível de Inovadores do Conselho Europeu de Inovação foi criado em janeiro de 2017 com a missão de apoiar a Comissão Europeia no estabelecimento do Conselho Europeu de Inovação. O Relatório A Europa está de volta: Acelerar a inovação
revolucionária, com 14 recomendações, foi adotado em janeiro de 2018.
Na sequência das recomendações do Relatório Lamy sobre as missões, foi nomeado um perito externo para aconselhar a Comissão sobre a abordagem orientada para missões. Em fevereiro de 2018, a Professora Mariana Mazzucato apresentou o relatório sobre investigação e inovação orientada para missões na União Europeia — uma abordagem orientada para a resolução de problemas para promover o crescimento induzido pela inovação1, no qual recomendou cinco critérios-chave para a seleção das missões a nível da União.
Além disso, o Grupo de Estratégia de Alto Nível sobre Tecnologias Industriais, presidido pelo Professor Jürgen Rüttgers, propôs uma redefinição das tecnologias facilitadoras essenciais e formulou recomendações sobre formas de maximizar a sua contribuição em prol do crescimento inclusivo e da democracia, da prosperidade, de uma maior igualdade e de melhores empregos.
No anexo da avaliação de impacto é apresentada uma extensa lista de relatórios de grupos de alto nível e de estudos.
• Avaliação de impacto
A presente proposta é acompanhada de uma avaliação de impacto. O parecer do Comité de Controlo da Regulamentação foi «positivo com reservas», recomendando uma melhor descrição: i) do equilíbrio entre os pilares do Programa, ii) da justificação e do valor acrescentado do EIC e das missões de I&I e iii) da simplificação dos mecanismos de execução2.
Numa economia global competitiva e cada vez mais baseada no conhecimento, a I&I determina a produtividade e a competitividade de uma economia avançada como a da Europa: cerca de dois terços do crescimento económico da Europa nas últimas décadas tem sido dinamizado pela inovação. A I&I são o motor da criação de novos e melhores empregos e do desenvolvimento de atividades com utilização intensiva de conhecimentos, que representam mais de 33 % do emprego total na Europa. A Europa deve manter, e até mesmo reforçar, as suas capacidades tecnológicas, industriais e de inovação de uma forma sustentável, em áreas estratégicas subjacentes à nossa sociedade, à nossa economia e aos nossos compromissos internacionais.
1
Mission-Oriented Research & Innovation in the European Union - A problem-solving approach to fuel innovation-led growth: https://ec.europa.eu/info/news/bold-science-meet-big-challenges-independent-report-calls-mission-oriented-eu-research-and-innovation-2018-feb-22_en
2
Em anexo à avaliação de impacto é apresentada uma análise pormenorizada do modo como as recomendações foram tidas em consideração.
É preciso fazer mais para incentivar uma inovação generalizada na Europa, que esteja na base da manutenção dos valores e do modelo socioeconómico da Europa. Os impactos esperados da continuação do Programa foram analisados na avaliação de impacto. Em comparação com o Programa em curso, espera-se que o Horizonte Europa produza:
Novos e melhores conhecimentos e tecnologias, promovendo a excelência científica e tendo um impacto científico significativo. O Programa continuará a
facilitar a colaboração transfronteiras entre especialistas e inovadores de topo, permitindo a coordenação transnacional e intersetorial entre investimentos públicos e privados em I&I. O Horizonte 2020 já atraiu os melhores investigadores e instituições de investigação a nível mundial, apoiou 340 000 investigadores e desenvolveu o capital humano qualificado da Europa. As publicações científicas do Horizonte 2020 são de craveira mundial (sendo as citações mais de o dobro da média mundial) e contribuíram para descobertas científicas importantes.
Efeitos positivos no crescimento, no comércio e nos fluxos de investimento, bem
como no emprego de qualidade e na mobilidade internacional dos investigadores no Espaço Europeu da Investigação. Prevê-se que o Programa resulte num aumento do PIB, em média, de 0,08 % a 0,19 % ao longo de 25 anos, o que significa que cada euro investido poderá gerar um retorno de até 11 EUR do PIB durante o mesmo período. Prevê-se que os investimentos da UE em I&I gerem diretamente um ganho estimado de até 100 000 postos de trabalho em atividades de I&I na «fase de investimento» (2021-2027). Espera-se que a atividade económica gerada pelo Programa promova um ganho indireto de 200 000 postos de trabalho durante o período de 2027-2036, dos quais 40 % serão altamente qualificados.
Impacto económico, social e ambiental significativo. Este impacto será gerado
pela difusão, exploração e aceitação dos resultados científicos e pela sua tradução em novos produtos, serviços e processos que, por sua vez, contribuirão para o sucesso na realização dos objetivos políticos, bem como para a inovação social e ecológica. Estes impactos significam que o custo potencial do abandono do Programa de I&I da
União (ou seja, o custo da não-Europa) seria substancial. O seu abandono poderia
conduzir a um declínio da competitividade e do crescimento (até 720 mil milhões de EUR de perda do PIB ao longo de 25 anos3), a reduções drásticas nos investimentos privados e nacionais que são atualmente potenciados por coinvestimentos a nível da União e a perdas significativas dos impactos económicos, sociais e ambientais.
Além disso, o novo Programa simplificará as regras, melhorará a segurança jurídica e reduzirá os encargos administrativos para os beneficiários e os administradores de programas.
• Simplificação
A simplificação é um fator-chave para atingir os objetivos do Horizonte Europa. Com vista a atrair os melhores investigadores e os empresários mais inovadores, os encargos administrativos da participação devem ser mantidos a um nível mínimo.
Os principais aspetos de simplificação são definidos, na sua maior parte, nas regras de participação e difusão (ver mais pormenores infra):
3
– Continuidade das medidas de simplificação aplicadas no Horizonte 2020, que foram
apreciadas pelos participantes, tais como a estrutura de programa em três pilares, o modelo de financiamento simples e o Portal dos Participantes;
– Simplificação do panorama de financiamento: a abordagem de parcerias, por
exemplo, é simplificada, com apenas três tipos e um conjunto claro de critérios para a sua seleção e execução, a fim de garantir que contribuam para os objetivos gerais e específicos do Horizonte Europa;
– Uma maior simplificação do atual sistema de reembolso dos custos reais, em
particular no que diz respeito a despesas de pessoal;
– Uma aceitação mais ampla das práticas contabilísticas habituais dos beneficiários, em especial no que diz respeito a serviços e faturação interna que
também abrangeriam o equivalente às grandes infraestruturas de investigação do Horizonte 2020;
– Um maior recurso a opções de custos simplificados, conforme previsto no novo
Regulamento Financeiro, em especial o financiamento de projetos a montante único em áreas adequadas e tendo em conta os ensinamentos adquiridos no regime-piloto no âmbito do Horizonte 2020;
– Uma maior confiança mútua nas auditorias com vista a reduzir a carga de
auditorias para os beneficiários que participam em vários programas de financiamento da União;
– Alargamento do Fundo de Garantia dos Participantes (que passará a designar-se Mecanismo de Garantia Mútua) a beneficiários de qualquer programa
da União em regime de gestão direta e a ações não abrangidas pelo Fundo no âmbito do Horizonte 2020 (iniciativas ao abrigo do artigo 185.º);
– A aceitação do Selo de Excelência, graças ao qual as propostas podem beneficiar de apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, do Fundo de Coesão, do Fundo Social Europeu+ ou do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural; – Serão mantidos elementos-chave do processo de avaliação e seleção de propostas
em todas as partes do Horizonte Europa. No entanto, será solicitado um leque mais alargado de competências, em função do âmbito dos convites à apresentação de propostas, incluindo competências especializadas de grupos de utilizadores e de organizações da sociedade civil4. A novidade da abordagem baseada em missões consistirá em passar da avaliação da excelência e do impacto apenas a nível de cada proposta individual para a avaliação também da medida em que as propostas excelentes se conjugam bem no âmbito de um portefólio de projetos. Embora os princípios essenciais estejam previamente definidos nas regras, os programas de trabalho descreverão de forma mais pormenorizada a aplicação dos critérios de concessão em função dos objetivos dos convites à apresentação de propostas e dos instrumentos (por exemplo, os aspetos que devem ser tidos em conta nos procedimentos de avaliação).
Para além dos atos jurídicos de base do Horizonte Europa, tomar-se-ão medidas para simplificar a execução do Programa, começando com os modelos de convenções de subvenção e abrangendo todos os processos, a documentação, os serviços de assistência e os serviços de apoio e sistemas informáticos, aliviando ainda mais os encargos administrativos para os participantes e acelerando o processo de concessão de subvenções. A Comissão
4
desenvolverá estas ferramentas de execução melhoradas em paralelo com o processo legislativo, em consulta com as partes interessadas.
• Direitos fundamentais
O presente regulamento respeita os direitos fundamentais e, nomeadamente, os princípios reconhecidos na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
4. INCIDÊNCIAORÇAMENTAL
O orçamento de todas as propostas é apresentado a preços correntes. A Comissão pode continuar a recorrer, com base numa análise custo-benefício, a Agências de Execução para a execução do Horizonte Europa.
5. OUTROSELEMENTOS
• Planos de execução e acompanhamento, avaliação e prestação de informações
A Comissão pode aumentar a percentagem do orçamento delegado a Agências de Execução, sob reserva do resultado da análise custo-benefício obrigatória. Tendo em conta os novos elementos no âmbito do novo Programa-Quadro (por exemplo, as missões e o Conselho Europeu de Inovação) e o maior orçamento a delegar, serão necessárias alterações nos mandatos das agências5.
Esta abordagem contribuirá para reduzir os custos administrativos, melhorar as sinergias com outros programas e incidir mais no desempenho.
As atividades com um conteúdo político particularmente elevado são, em princípio, excluídas da delegação em Agências de Execução, mas a comunicação de informações à Comissão, por estas agências, sobre os dados e resultados da I&I será intensificada em consonância com a estratégia de difusão e exploração, a fim de reforçar a base de dados para a definição de políticas.
As avaliações serão efetuadas em conformidade com os pontos 22 e 23 do Acordo Interinstitucional de 13 de abril de 20166, no qual as três instituições confirmaram que as avaliações da legislação e das políticas em vigor devem constituir a base das avaliações de impacto das opções para ações futuras. As avaliações determinarão os efeitos do Programa no terreno com base nos indicadores/metas do Programa e numa análise detalhada do grau de relevância, eficácia e eficiência do mesmo, bem com da sua capacidade para proporcionar suficiente valor acrescentado da UE e da sua coerência com outras políticas da União. Nelas se incluirão os ensinamentos colhidos para identificar deficiências/problemas ou o potencial para melhorar as ações ou os seus resultados e maximizar a sua exploração/impacto.
5
No anexo da avaliação de impacto são facultadas mais informações.
6
Acordo interinstitucional entre o Parlamento Europeu, o Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia sobre Legislar Melhor, de 13 de abril de 2016 (JO L 123 de 12.5.2016, p. 1).
Com vista a um melhor acompanhamento e comunicação do impacto do Programa, o sistema
de acompanhamento e avaliação do Horizonte Europa basear-se-á em três elementos
principais:
Acompanhamento anual do desempenho do Programa: seguimento dos indicadores de desempenho a curto, médio e longo prazo, de acordo com vias-chave de impacto no sentido da realização dos objetivos do Programa, assentes, sempre que possível, em linhas de base e em metas;
Recolha contínua de dados sobre a gestão e execução do Programa;
Duas (meta)avaliações completas do Programa, uma intercalar e outra ex post (na sua conclusão). Estas avaliações basear-se-ão nas avaliações coordenadas de cada parte do Programa, no tipo de ações e no mecanismo de execução de acordo com critérios comuns de avaliação e metodologias normalizadas e contribuirão para as adaptações a introduzir no Programa.
As vias de impacto, e os indicadores-chave de vias de impacto associados, estruturarão o acompanhamento anual do desempenho do Programa em termos da realização dos seus objetivos. Estas vias traduzem-se em três categorias de impactos complementares, que refletem a natureza não linear dos investimentos em I&I:
1. Impacto científico: relacionado com o apoio à criação e difusão de conhecimentos, competências, tecnologias e soluções de elevada qualidade para enfrentar os desafios globais;
2. Impacto societal: relacionado com o reforço do impacto da investigação e da inovação no que diz respeito ao desenvolvimento, apoio e execução das políticas da União e ao apoio à aceitação de soluções inovadoras pela indústria e pela sociedade para enfrentar desafios globais;
3. Impacto económico: relacionado com o incentivo a todas as formas de inovação, incluindo a inovação revolucionária, e reforçando a implantação no mercado de soluções inovadoras.
Para cada uma destas categorias de impacto, serão utilizados indicadores de substituição para a comunicação de informações sobre os progressos realizados, fazendo uma distinção entre curto, médio e longo prazo.
Os dados de gestão e de execução7 para todas as partes do Programa e todos os mecanismos de execução continuarão a ser coligidos quase em tempo real. Estes dados serão coligidos de uma forma harmonizada e em regime de gestão centralizada. Continuarão também a estar disponíveis publicamente num portal em linha específico quase em tempo real, permitindo a extração por partes do Programa, tipos de ações e tipos de organizações (incluindo dados específicos para as PME). Tal incluirá, nomeadamente, propostas, participações e projetos (número, qualidade, contribuição da União, etc.); taxas de sucesso; perfis dos avaliadores, candidatos e participantes (em parte baseados em identificadores únicos e incluindo país, sexo, volume de negócios, papel no projeto, etc.); execução (incluindo período para a concessão de subvenções, taxa de erro, taxa de satisfação e taxa de assunção de riscos, etc.); atividades de comunicação, difusão e exploração e contribuição para os objetivos da União em matéria de clima e ambiente. Com vista a uma melhor identificação dos investimentos na via para uma sociedade baseada no conhecimento, as informações sobre o financiamento da
7
União atribuído à exploração e implantação dos resultados da I&I, nomeadamente decorrentes dos Programas-Quadro, podem ser recolhidas durante a execução dos programas.
• Explicação pormenorizada das disposições específicas da proposta
O Horizonte Europa é um novo programa-quadro elaborado com vista à obtenção de um impacto máximo no contexto da natureza em evolução da investigação e inovação, com uma arquitetura concebida para reforçar a coerência e o desempenho. Propõe-se a utilização de uma estrutura em três pilares, cada um deles articulado com os outros e complementados por atividades subjacentes, a fim de reforçar o Espaço Europeu da Investigação.
Estrutura em três pilares
O Pilar I «Ciência Aberta» garantirá uma forte continuidade com o Horizonte 2020 no apoio à excelência científica com uma abordagem ascendente destinada a reforçar a
liderança científica da União e o desenvolvimento de competências e conhecimentos de elevada qualidade, através do Conselho Europeu de Investigação, das Ações Marie-Skłodowska Curie e das Infraestruturas de Investigação. Os princípios e práticas da ciência aberta serão integrados em todo o Programa.
O Pilar II «Desafios Globais e Competitividade Industrial» incidirá nos desafios societais e nas tecnologias industriais com uma abordagem mais descendente que visa as
oportunidades e os desafios da UE e mundiais em matéria de políticas e competitividade. Estes estão integrados em cinco agregados («Saúde», Sociedade Inclusiva e Segura», «O Digital e a Indústria», «Clima, Energia e Mobilidade» e «Alimentos e Recursos Naturais»), em consonância com as prioridades políticas da União e mundiais (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e tendo a cooperação e a competitividade como motores essenciais. A integração em agregados, cada um com um determinado número de áreas de intervenção, destina-se a incentivar a colaboração internacional interdisciplinar, intersetorial e entre políticas, assegurando assim um maior impacto e um melhor aproveitamento do potencial da inovação, que é frequentemente maior na intersecção entre disciplinas e setores. Paralelamente aos convites à apresentação de propostas periódicos, será introduzido um
conjunto limitado de missões de grande visibilidade. Essas missões serão programadas no
contexto do processo de planeamento estratégico. Missões, com objetivos ambiciosos, mas exequíveis e definidos no tempo, devem falar ao público e suscitar a sua participação, quando relevante. Serão concebidas em conjunto com os Estados-Membros, o Parlamento Europeu, as partes interessadas e os cidadãos.
O Pilar II incarna o papel essencial da indústria na realização de todos os objetivos do Programa. Com vista a garantir a competitividade industrial e a capacidade para enfrentar os desafios globais com que se vê confrontada, a União necessita de reforçar e manter a sua capacidade tecnológica e industrial em áreas-chave que estão subjacentes à transformação da nossa economia e da nossa sociedade. Será dada prioridade a investimentos nas tecnologias facilitadoras essenciais do futuro.
O Pilar II proporcionará também dados científicos concretos e apoio técnico às políticas da União, nomeadamente através das atividades do Centro Comum de Investigação. Este pilar contribuirá para a realização dos objetivos das políticas da União de acordo com o princípio da inovação conforme enunciado na Comunicação da Comissão de 15 de maio de 2018 «Investigação e inovação: uma agenda europeia renovada». Deve ser dada especial atenção à
promoção de uma maior percentagem de participação de entidades de investigação e de financiamento de países terceiros com rendimentos de baixos a médios.
Embora a inovação seja apoiada em todo o Programa, o Pilar III incidirá sobretudo na
transposição para uma maior escala da inovação revolucionária e geradora de mercados mediante o estabelecimento do Conselho Europeu de Inovação, do apoio à melhoria dos
ecossistemas europeus de inovação e da manutenção do apoio ao Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT). O Conselho Europeu de Inovação proporcionará um «balcão único» para inovadores com elevado potencial. As atividades serão definidas principalmente numa abordagem ascendente. Tal deverá simplificar e racionalizar significativamente o atual apoio e colmatar quaisquer lacunas entre o financiamento por subvenções noutras partes do Horizonte Europa e os instrumentos financeiros do InvestEU. Será também prestado apoio à colaboração com e entre agências de inovação nacionais e regionais, mas também a qualquer outro interveniente público ou privado, geral ou setorial, do panorama europeu de inovação. O Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia complementará o Conselho Europeu de Inovação, promovendo ecossistemas de inovação sustentáveis e desenvolvendo competências empresariais e em inovação em áreas prioritárias através das suas Comunidades de Conhecimento e Inovação. O Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia contribuirá para a transformação empresarial das universidades da UE e as suas atividades aproveitarão ao máximo as sinergias e complementaridades com ações no âmbito do Pilar «Desafios Globais e Competitividade Industrial».
A prosperidade económica e social da Europa, a qualidade de vida e o emprego, bem como a qualidade do ambiente, dependem da sua capacidade para gerar conhecimentos e inovar. As abordagens ascendentes nos Pilares I e III visam principalmente reforçar a excelência, gerar conhecimentos e inovação e incentivar um maior investimento, especialmente em áreas novas e de crescimento rápido em domínios científicos de ponta e em inovação revolucionária com potencial para transposição em maior escala. Estes aspetos são essenciais para colmatar as lacunas de conhecimentos e de inovação e reforçar as bases científicas e tecnológicas da União, apoiando assim objetivos estratégicos e prioridades políticas da União e contribuindo para o crescimento e a competitividade a longo prazo.
Os três pilares serão apoiados por atividades de reforço do Espaço Europeu da
Investigação, nomeadamente: partilha de excelência a fim de explorar plenamente o potencial
nos países com menor desempenho em I&I, para que estes atinjam os elevados padrões de excelência da União (p. ex., através de associação em equipa, geminação e cátedras do EEI) e reformando e reforçando o sistema europeu de I&I, abrangendo o Mecanismo de Apoio a Políticas da próxima geração.
Esta parte incluirá também atividades relativas a: atividades prospetivas; acompanhamento e avaliação do Programa-Quadro e dos resultados em matéria de difusão e exploração; modernização das universidades europeias; apoio a uma maior cooperação internacional e ciência, sociedade e cidadãos.
A estrutura em três pilares reforçará a coerência interna das diferentes partes do Programa com vista à realização dos objetivos ao nível do Programa. A fundamentação complementar e claramente definida da intervenção melhorará a sua interconectividade, tendo como fios condutores comuns a ciência aberta e a inovação aberta. Garantirá uma abordagem sistémica
e baseada nos impactos que atravesse disciplinas e silos com vista a um melhor impacto. Por
exemplo, as missões terão um efeito de atração em atividades no âmbito do Pilar «Ciência Aberta» e do «Pilar Inovação Aberta», enquanto as inovações com um elevado potencial de transposição para maior escala decorrentes de investigação em colaboração, a prova de conceito do Conselho Europeu de Investigação ou as Comunidades de Conhecimento e
Inovação do EIT serão rapidamente assinaladas ao Conselho Europeu de Inovação. O
planeamento estratégico reforçará ainda mais a coerência interna do Programa.
Elementos transversais
O «Horizonte Europa» reforçará significativamente a cooperação internacional, que é fundamental para assegurar o acesso aos talentos, conhecimentos, know-how, instalações e mercados a nível mundial, a fim de enfrentar de forma eficaz os desafios globais e de cumprir os compromissos assumidos a nível mundial. O Programa-Quadro intensificará a cooperação e alargará os acordos de associação a fim de incluir países com excelentes capacidades científicas, tecnológicas e de inovação. O Programa continuará a financiar entidades de países de rendimento baixo a médio e a financiar entidades de economias industrializadas e emergentes unicamente se dispuserem de competências ou instalações essenciais.
O princípio da ciência aberta passará a ser o modus operandi do novo Programa. Irá mais
longe que a política de acesso aberto do Horizonte 2020 e exigirá o acesso aberto a publicações e dados (com derrogações sólidas relativamente a estes últimos) e planos de gestão de dados da investigação. O Programa promoverá a utilização generalizada de dados «FAIR» (fáceis de encontrar, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis) e atividades que reforcem as competências dos investigadores em ciência aberta e apoiem sistemas de recompensa que a promovam. A integridade na investigação e a ciência cidadã desempenharão um papel central, o mesmo sucedendo com o desenvolvimento de uma nova geração de indicadores de avaliação da investigação.
O Horizonte Europa adotará uma abordagem nova e mais centrada nos impactos no que diz
respeito às parcerias. A atual multiplicidade de Parcerias Europeias será racionalizada, de
modo a poderem continuar a existir em formas simplificadas que estejam abertas a todos (como o meio académico, a indústria, os Estados-Membros e fundações filantrópicas), garantindo simultaneamente que possam contribuir de forma efetiva para os objetivos gerais e específicos do Horizonte Europa. Serão concebidas com base nos princípios do valor acrescentado da União, da transparência, da abertura, do impacto, do efeito de alavanca, do empenhamento financeiro a longo prazo de todas as partes envolvidas, da flexibilidade, da coerência e da complementaridade com as iniciativas da União, nacionais e regionais. Esta abordagem tem como objetivo uma série de parcerias consolidadas e racionalizadas que evitem sobreposições e duplicações e estejam mais alinhadas com as prioridades políticas da União.
Haverá três níveis de parcerias:
(a) Coprogramadas, com base em memorandos de entendimento ou modalidades contratuais com parceiros;
(b) Cofinanciadas, com base numa ação única e flexível de cofinanciamento do Programa;
(c) Institucionalizadas (com base no artigo 185.º ou 187.º do TFUE e no Regulamento EIT para Comunidades de Conhecimento e Inovação).
Os domínios para o estabelecimento de parcerias, incluindo a possível continuação das existentes, serão identificados durante o processo de planeamento estratégico (a base jurídica proposta estabelece apenas os instrumentos e critérios que orientarão a sua utilização). As propostas para as futuras Comunidade de Conhecimento e Inovação (KIC) serão indicadas no Programa Estratégico de Inovação do EIT e terão em consideração os resultados do processo de planeamento estratégico. Serão identificados e selecionados temas de uma forma que
aproveite ao máximo as complementaridades e sinergias com ações no âmbito do Pilar «Desafios Globais e Competitividade Industrial».
A proposta da Comissão relativa ao Quadro Financeiro Plurianual de 2021-2027 fixa um objetivo mais ambicioso para a integração das questões climáticas em todos os programas da UE, com a meta global de uma contribuição de 25 % das despesas da UE para concretizar os objetivos em matéria de clima. O contributo do presente Programa para a consecução dessa meta global será acompanhado através de um sistema de indicadores climáticos da UE a um nível de desagregação apropriado, incluindo a utilização de metodologias mais precisas, quando disponíveis. A Comissão continuará a apresentar anualmente informações sobre as dotações de autorização no contexto do projeto de orçamento anual.
Com vista a apoiar a plena utilização do potencial do Programa para contribuir para a realização dos objetivos climáticos, a Comissão procurará identificar ações relevantes ao longo dos processos de preparação, execução, revisão e avaliação do Programa.
Sinergias
As sinergias entre os diferentes programas da União serão fortemente incentivadas e
reforçadas no âmbito do processo de planeamento estratégico, que funcionará como um quadro de referência para o apoio à I&I em todo o orçamento da União. Serão assim garantidas sinergias operacionais e efetivas com outros programas da União, nomeadamente a fim de desenvolver uma interface mais eficaz entre ciência e política e abordar as necessidades das políticas, bem como promover a rápida difusão e aceitação dos resultados da investigação e da inovação e de permitir a prossecução de objetivos comuns e de áreas comuns de atividades (como áreas de parcerias ou áreas de missões).
Estes programas incluiriam, nomeadamente, a Política Agrícola Comum (PAC); o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER); o Fundo Social Europeu (FSE+); o Programa Espacial Europeu; o Programa do Mercado Único; o Programa para o Ambiente e a Ação Climática (LIFE); o Mecanismo Interligar a Europa (MIE); o Programa Europa Digital (PED); o Programa Erasmus; o Fundo InvestEU e os instrumentos de ação externa (Instrumento de Vizinhança, Desenvolvimento e Cooperação Internacional (NDICI)) e Instrumento de Assistência de Pré-Adesão (IPA III)). Será dada especial atenção à ligação com o Semestre Europeu e o Instrumento de Execução das Reformas, nomeadamente através do Mecanismo de Apoio a Políticas.
Em plena complementaridade com o Horizonte Europa, estes programas podem apoiar atividades de investigação e inovação, incluindo atividades de demonstração de soluções adaptadas a necessidades/contextos específicos nacionais/regionais, bem como iniciativas bilaterais e inter-regionais. Em especial, o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional apoiará o reforço dos ecossistemas de investigação e inovação nos Estados-Membros em termos de infraestruturas, recursos humanos, modernização dos setores público e privado e redes de cooperação (inter)regionais, como as estruturas de agregados.
Programas como o Mecanismo Interligar a Europa (MIE), o Programa Europa Digital (PED), o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o Fundo Social Europeu, o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural ou o Programa LIFE recorrerão a contratos públicos como um instrumento-chave para a implantação de infraestruturas físicas e de tecnologias e soluções inovadoras que podem ter tido origem em atividades do Programa-Quadro e não só.
Regras de participação e difusão
São os seguintes os principais novos elementos introduzidos nas regras de participação e
difusão:
O princípio de um conjunto único de regras será mantido, mas com novas melhorias. Em consonância com a abordagem empresarial no sentido de um
conjunto único de regras e da preparação do QFP, o novo Regulamento Financeiro da União8 será utilizado como referência comum ao abrigo do qual serão alinhadas as regras aplicáveis a todos os programas de financiamento da União.
As taxas de financiamento do Horizonte 2020 serão mantidas. A taxa de
financiamento será um máximo que pode ser reduzido, quando justificado, para a execução de ações específicas. Tal assegurará que o Programa mantenha o seu poder de atração.
O mecanismo de reembolso dos custos será mais simplificado, em especial no que
diz respeito ao regime de custos reais aplicáveis a custos de pessoal: a distinção entre remuneração de base e suplementos de remuneração será eliminada e o limite máximo do Horizonte 2020 em relação aos complementos de remuneração será abolido.
Aceitação mais ampla das práticas contabilísticas habituais: o custo unitário para
bens e serviços faturados internamente permitirá a cobertura de custos indiretos reais calculados em conformidade com as práticas habituais de contabilidade de custos.
É considerada uma maior confiança mútua nas auditorias e avaliações - nomeadamente em relação a outros programas da União. Tal deverá
reduzir os encargos administrativos dos beneficiários de fundos da União mediante uma maior harmonização das regras. As regras preveem explicitamente o princípio da confiança mútua mediante a consideração também de outros elementos de garantia, permitindo reduzir o número de auditorias financeiras dos beneficiários que têm resultados positivos nas suas auditorias de sistemas. Além disso, a confiança mútua pode fazer parte das condições para o levantamento da obrigação de apresentação pelo beneficiário de um certificado das demonstrações financeiras.
O Fundo de Garantia dos Participantes (que passará a designar-se Mecanismo
de Garantia Mútua) será alargado a todas as formas de parcerias
institucionalizadas, incluindo as iniciativas ao abrigo do artigo 185.º não abrangidas pelo Horizonte 2020, e a beneficiários de outros programas da União em regime de gestão direta.
Difusão e comunicação: mantém-se a maioria das disposições das regras de
participação e difusão do Horizonte 2020, com melhorias suplementares quando adequado. Tal inclui reforçar a incidência na exploração, em especial na União, e o papel do plano de difusão e exploração durante e após a conclusão do projeto. Além disso, a Comissão proporcionará apoio específico à difusão, exploração e divulgação de conhecimentos e dará maior ênfase à promoção da exploração dos resultados da I&I.
8
Comissão Europeia (2017), Regulamento Financeiro aplicável ao orçamento geral da União e respetivas normas de execução, disponível em:
Comunicação por parte dos beneficiários de fundos da União: em conformidade
com as recomendações do Relatório Lamy, as regras destacam o papel dos beneficiários no que diz respeito à apresentação de informações específicas coerentes, efetivas e proporcionadas para diferentes públicos, incluindo os meios de comunicação social e o público em geral. Com base na experiência adquirida no Horizonte 2020, as orientações para os beneficiários indicarão o modo como estes poderão passar a ser os principais comunicadores de todos os aspetos das atividades de seu projeto.
A promoção da ciência aberta garantirá uma melhor exploração dos resultados da
I&I no interior da União. Tal contribuirá para a aceitação pelo mercado, aumentará o impacto, maximizará as sinergias com outras iniciativas da União e reforçará o potencial de inovação dos resultados obtidos com o financiamento da União.
Estão previstas, em especial, as seguintes ações:
Apoio às partes interessadas em I&I com vista a aderirem plenamente ao princípio do acesso aberto e colaboração com essas partes a fim de tornar a Nuvem Europeia para a Ciência Aberta numa realidade;
Reforço do espaço europeu de dados9 a fim de permitir uma circulação de conhecimentos e de dados constante e sem restrições e de criar os incentivos necessários para os inovadores e beneficiários do Programa partilharem os resultados e dados para fins de reutilização;
Criação de incentivos para a exploração dos resultados do Programa, ajudando os beneficiários a encontrar os instrumentos e canais mais adequados para a aceitação pelo mercado das suas inovações;
Implementação de uma estratégia para aumentar a disponibilidade de resultados da I&I e acelerar a sua aceitação, nomeadamente em termos de políticas, reforçando assim o impacto global do Programa e o potencial europeu de inovação;
Apoio holístico em todo o ciclo de difusão e exploração com vista a garantir um fluxo constante de inovação decorrente do Programa.
Relativamente ao Horizonte Europa, os critérios de concessão serão: excelência; impacto; e qualidade e eficiência da execução. Estes critérios são os mesmos dos Programas-Quadro anteriores.
O regulamento proposto especifica a excelência como o único critério para o Conselho Europeu de Investigação (ERC), em consonância com o objetivo de alargar as fronteiras do conhecimento. Esta disposição não constitui um desvio em relação à necessidade acordada de reforçar o impacto do Programa. Com efeito, o impacto pode dizer respeito aos progressos científicos, tecnológicos, socioeconómicos ou a outros tipos de impactos. No caso do ERC, a tónica é colocada no impacto científico, que constitui a base para muitos outros tipos de impactos, incluindo o impacto socioeconómico. O ERC continuará a fixar uma ambição clara e inspiradora para a ciência europeia, ao gerar concorrência pan-europeia para ideias e talentos.
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Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia
O Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia terá principalmente por objetivo, sobretudo através das suas Comunidades de Conhecimento e Inovação (KIC), o reforço dos ecossistemas de inovação que enfrentam os desafios globais, promovendo a integração das empresas, da investigação, do ensino superior e do empreendedorismo. Embora o IET concentre a sua atenção nos ecossistemas de inovação — pelo que seria natural que se enquadrasse no Pilar «Inovação Aberta» do Horizonte Europa — a natureza transversal do EIT pode contribuir com uma abordagem adicional orientada para os desafios globais salientados no Programa. As propostas para as futuras Comunidade de Conhecimento e Inovação (KIC) do EIT, de acordo com o Regulamento EIT, serão indicadas no Programa Estratégico de Inovação do EIT e terão em consideração os resultados do processo de planeamento estratégico e as prioridades do Pilar «Desafios Globais e Competitividade Industrial».
Centro Comum de Investigação (JRC)
Embora contribua largamente para outras partes do Horizonte Europa, o Centro Comum de
Investigação desempenhará um papel de apoio importante no âmbito do Pilar «Desafios
Globais e Competitividade Industrial». Neste contexto, continuará a formular pareceres científicos e a apoiar as políticas da União ao longo de todo o ciclo político.
2018/0224 (COD) Proposta de
REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO que estabelece o Horizonte Europa – Programa-Quadro de Investigação e Inovação e
que define as suas regras de participação e difusão
(Texto relevante para efeitos do EEE)
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, nomeadamente o artigo 173.º, n.º 3, o artigo 182.º, n.º 1, o artigo 183.º e o artigo 188.º, segundo parágrafo, Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia,
Após transmissão do projeto de ato legislativo aos parlamentos nacionais, Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social Europeu10, Tendo em conta o parecer do Comité das Regiões11,
Deliberando de acordo com o processo legislativo ordinário12, Considerando o seguinte:
(1) A União tem como objetivo reforçar as suas bases científicas e tecnológicas e incentivar a sua competitividade, nomeadamente na sua indústria, promovendo simultaneamente todas as atividades de investigação e inovação para a realização das prioridades estratégicas da União que, em última análise, visam promover a paz, os valores da União e o bem-estar dos seus povos.
(2) Com vista a produzir o impacto científico, económico e societal necessário para a prossecução deste objetivo geral, a União deve investir em investigação e inovação no âmbito do Horizonte Europa — Programa-Quadro de Investigação e Inovação 2021-2027 (o «Programa») para apoiar a criação e a difusão de tecnologias e conhecimentos de alta qualidade, reforçar o impacto da investigação e inovação no que diz respeito ao desenvolvimento, ao apoio e à execução das políticas da União, fomentar a aceitação de soluções inovadoras pela indústria e pela sociedade com vista a dar resposta a desafios globais e promover a competitividade industrial; incentivar todas as formas de inovação, incluindo a inovação revolucionária, reforçar a implantação no mercado de soluções inovadoras e otimizar a realização desses investimentos com vista a um maior impacto no âmbito de um Espaço Europeu da Investigação reforçado. 10 JO C […], […], p. […]. 11 JO C […], […], p. […].
12 Posição do Parlamento Europeu de … [(ainda não publicada no Jornal Oficial)] e Decisão do Conselho
(3) A promoção de atividades de investigação e inovação consideradas necessárias para contribuir para a realização dos objetivos políticos da União deve ter em conta o princípio da inovação conforme enunciado na Comunicação da Comissão de 15 de maio de 2018 «Uma nova Agenda Europeia para a Investigação e a Inovação – a oportunidade para a Europa traçar o seu futuro» (COM(2018) 306).
(4) A ciência aberta, a inovação aberta e a abertura ao mundo constituem princípios gerais que devem garantir a excelência e o impacto dos investimentos da União em investigação e inovação. Estes princípios devem ser respeitados na execução do Programa, especialmente no que diz respeito ao planeamento estratégico do Pilar «Desafios Globais e Competitividade Industrial».
(5) A ciência aberta, incluindo o acesso aberto a publicações científicas e a dados da investigação, tem potencial para aumentar a qualidade, o impacto e os benefícios da ciência e acelerar o progresso dos conhecimentos, tornando-a mais fiável, mais eficiente e mais exata, mais compreensível pela sociedade e mais reativa aos desafios societais. Devem ser estabelecidas disposições para assegurar que os beneficiários proporcionem um acesso aberto a publicações científicas com análises interpares, dados da investigação científica e outros resultados da investigação, de forma aberta e não discriminatória, a título gratuito e o mais cedo possível no processo de difusão, e para permitir a sua mais ampla utilização e reutilização. Deve ser dada maior ênfase, em especial, a uma gestão responsável dos dados da investigação, que deve respeitar os princípios FAIR de «facilidade de localização», «acessibilidade», «interoperabilidade» e «reutilizabilidade», nomeadamente mediante a generalização dos planos de gestão de dados. Quando adequado, os beneficiários devem aproveitar as possibilidades oferecidas pela Nuvem Europeia para a Ciência Aberta e aderir também a outros princípios e práticas em matéria de ciência aberta.
(6) A conceção e a configuração do Programa devem responder à necessidade de estabelecimento de uma massa crítica de atividades apoiadas em toda a União e no âmbito da cooperação internacional, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. A execução do Programa deve reforçar a prossecução deste objetivo.
(7) As atividades apoiadas ao abrigo do Programa devem contribuir para a realização dos objetivos e prioridades da União, para o acompanhamento e a avaliação dos progressos realizados em relação a esses objetivos e prioridades e para o desenvolvimento de prioridades novas ou revistas.
(8) O Programa deve manter uma abordagem equilibrada de financiamento ascendente (induzida pelo investigador ou inovador) e descendente (determinada por prioridades estrategicamente definidas), consoante a natureza das comunidades de investigação e inovação envolvidas, o tipo e o objetivo das atividades realizadas e os impactos pretendidos. A combinação destes fatores deve determinar a escolha da abordagem para a parte relevante do Programa, contribuindo todas as partes para todos os objetivos gerais e específicos do Programa.
(9) As atividades de investigação realizadas no âmbito do Pilar «Ciência Aberta» devem ser determinadas de acordo com as necessidades e oportunidades científicas. A agenda de investigação deve ser definida em estreita ligação com a comunidade científica. A investigação deve ser financiada com base na excelência.
(10) O Pilar «Desafios Globais e Competitividade Industrial» deve ser estabelecido sob a forma de agregados de atividades de investigação e inovação, a fim de maximizar a
integração entre as respetivas áreas de trabalho, garantindo simultaneamente níveis de impacto elevados e sustentáveis em relação aos recursos despendidos. Incentivará a colaboração interdisciplinar, intersetorial e transversal, entre políticas e transfronteiras com vista à realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e ao reforço da competitividade das indústrias da União nesse contexto.
(11) O pleno empenhamento da indústria no Programa a todos os níveis, desde empresários individuais e pequenas e médias empresas até empresas de grande dimensão, deve constituir um dos principais canais através do qual os objetivos do Programa são concretizados, especificamente em termos de criação de emprego e de crescimento sustentáveis. A indústria deve contribuir para as perspetivas e prioridades estabelecidas através do processo de planeamento estratégico, o qual deve apoiar o desenvolvimento dos programas de trabalho. Esse empenhamento da indústria deve traduzir-se na sua participação em ações apoiadas a níveis pelo menos correspondentes aos verificados no anterior Programa-Quadro Horizonte 2020 criado pelo Regulamento (UE) n.º 1291/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho13 («Horizonte 2020»).
(12) É importante ajudar as empresas a manterem-se, ou a tornarem-se, líderes mundiais no domínio da inovação, da digitalização e da descarbonização, nomeadamente mediante investimentos em tecnologias facilitadoras essenciais que estarão na base das empresas de amanhã. As ações do Programa devem ser utilizadas para suprir, de modo proporcionado, deficiências do mercado ou situações em que o investimento fica aquém do desejado, sem duplicar nem excluir o financiamento privado, e devem ter um claro valor acrescentado europeu. Desta forma assegurar-se-á a coerência entre as ações do Programa e as regras da UE em matéria de auxílios estatais, prevenindo distorções indevidas da concorrência no mercado interno.
(13) O Programa deve apoiar atividades de investigação e inovação de uma forma integrada, respeitando todas as disposições relevantes da Organização Mundial do Comércio. O conceito de investigação, incluindo o desenvolvimento experimental, deve ser utilizado de acordo com o Manual de Frascati elaborado pela OCDE, enquanto o conceito de inovação deve ser utilizado de acordo com o Manual de Oslo elaborado pela OCDE e pelo Eurostat, seguindo uma abordagem global que abrange a inovação social. Tal como no anterior Programa-Quadro Horizonte 2020, as definições da OCDE quanto ao nível de preparação tecnológica (TRL) devem continuar a ser tidas em conta na classificação das atividades de investigação tecnológica, de desenvolvimento de produtos e de demonstração, bem como na definição dos tipos de ações constantes dos convites à apresentação de propostas. Em princípio, não devem ser concedidas subvenções a ações em que as atividades sejam de nível superior a TRL 8. O programa de trabalho de um determinado convite no âmbito do Pilar «Desafios Globais e Competitividade Industrial» pode permitir subvenções para a validação de produtos em larga escala e a replicação no mercado.
(14) A Comunicação da Comissão «Avaliação intercalar do Programa-Quadro Horizonte 2020» (COM(2018) 2 final) apresentou um conjunto de recomendações para este Programa, incluindo as suas regras de participação e difusão, com base nos ensinamentos retirados do anterior Programa, bem como nos contributos das instituições da UE e de partes interessadas. Estas recomendações incluem a realização de investimentos mais ambiciosos para atingir uma massa crítica e maximizar o
impacto; para apoiar a inovação revolucionária; para dar prioridade aos investimento da União em investigação e inovação (I&I) em áreas de elevado valor acrescentado, nomeadamente através de orientação para missões, da participação dos cidadãos e de uma vasta comunicação; para racionalizar o panorama de financiamento da União, nomeadamente mediante a simplificação do leque de iniciativas de parceria e de regimes de cofinanciamento; para desenvolver mais sinergias e mais concretas entre os diferentes instrumentos de financiamento da União, nomeadamente com o objetivo de contribuir para a mobilização do potencial subexplorado de I&I em toda a União; para reforçar a cooperação internacional e a abertura à participação de países terceiros e para prosseguir na via da simplificação com base na experiência adquirida na execução do Horizonte 2020.
(15) O Programa deve procurar estabelecer sinergias com outros programas da União, desde a sua conceção e planeamento estratégico até à seleção dos projetos, à gestão, comunicação, difusão e exploração dos resultados dos projetos, bem como ao seu acompanhamento, auditoria e governação. A fim de evitar sobreposições e duplicações e de aumentar o efeito de alavanca do financiamento da União, são possíveis transferências de outros programas da União para as atividades do Horizonte Europa. Nesses casos, serão aplicáveis as regras do Horizonte Europa.
(16) A fim de obter o maior impacto possível com o financiamento da União e de contribuir da forma mais eficaz para a realização dos objetivos políticos da União, o Programa deve participar em Parcerias Europeias com parceiros do setor privado e/ou do setor público. Entre estes parceiros contam-se a indústria, as organizações de investigação, os organismos com missão de serviço público a nível local, regional, nacional ou internacional e as organizações da sociedade civil, como as fundações que apoiam e/ou realizam atividades de investigação e inovação, desde que os impactos pretendidos possam ser alcançados de forma mais eficaz em parceria do que isoladamente pela União.
(17) O Programa deve igualmente reforçar a cooperação entre as Parcerias Europeias e os parceiros dos setores privado e/ou público a nível internacional, nomeadamente participando em programas de investigação e inovação e em investimentos transfronteiras nesses domínios, gerando benefícios mútuos tanto para os cidadãos como para as empresas e garantindo simultaneamente que a UE pode defender os seus interesses em áreas estratégicas14.
(18) O Centro Comum de Investigação (JRC) deve continuar a fornecer às políticas da União dados científicos independentes e apoio técnico centrados nos clientes ao longo de todo o ciclo político. As ações diretas do JRC devem ser executadas de uma forma flexível, eficiente e transparente, tomando em consideração as necessidades relevantes dos utilizadores do JRC e as necessidades das políticas da União, bem como assegurando a proteção dos interesses financeiros da União. O JRC deve continuar a gerar recursos adicionais.
(19) O Pilar «Inovação Aberta» deve estabelecer um conjunto de medidas para o apoio integrado às necessidades dos empresários e do empreendedorismo, visando a realização e a aceleração de inovações revolucionárias para o rápido crescimento do mercado. Deve atrair empresas inovadoras com potencial de expansão a nível internacional e da União e disponibilizar subvenções e coinvestimentos rápidos e
14
Ver, por exemplo, a proposta da Comissão relativa a um regulamento que estabelece um quadro para a análise dos investimentos estrangeiros diretos na UE (COM(2017) 487).