transmissíveis
Simone Uezato nº. 57
Thiago Pandossio nº. 59
Ulysses dos Santos Torres nº. 61
Vanessa Cristina dos Santos Custódio nº. 62
Úlceras genitais
Sífilis
• Doença infecciosa, sistêmica, crônica, de transmissão sexual ou vertical.
• Treponema pallidum (espiroqueta – bactéria).
Úlceras genitais
• Classificação:
– Sífilis adquirida:
• Recente (menos de 1 ano de evolução): primária, secundária e latente recente.
• Tardia (com mais de 1 ano de evolução): latente tardia e terciária.
– Sífilis congênita:
• Recente (diagnosticados até 2 anos de vida)
• Tardia (diagnosticados após 2 anos de vida)
Sífilis
Sífilis adquirida primária
• Lesão: cancro duro erosado ou ulcerado, único, com bordos endurecidos, fundo liso, brilhante e secreção serosa escassa.
• Aparece entre 10 e 90 dias após o contato sexual infectante;
• E.F.: adenopatia regional não supurativa, móvel, indolor e múltipla.
• Altamente infectante e rica em treponema
Úlceras genitais
Sífilis adquirida secundária
• Aparece de 6 a 8 semanas do aparecimento e cicatrização do cancro duro.
• Manifestações: roséolas sifilíticas, sifílides papulosas (superfícies palmo-plantares), alopécia, lesões em platô nas mucosas,
condiloma plano em regiões de dobras e atrito.
• E.F.: artralgia, febrícula, cefaléia, adinamia, micropoliadenopatia generalizada.
• Raro: comprometimento hepático e ocular.
Sífilis latente
• Manifestação da sífilis adquirida.
• Ausência de sinais e sintomas clínicos.
• Testes sorológicos positivos com títulos menores, que na fase secundária.
• Curso poderá ser interrompido por sinais e sintomas das formas secundária ou terciária.
Úlceras genitais
Sífilis adquirida terciária
• Clínica após 3 a 12 anos de infecção.
• Lesões cutâneo-mucosas (tubérculos ou gomas), neurológicas (tabes dorsalis, demência),
cardiovasculares (aneurisma aórtico) e articulares
(artropatia de Charcot).
Diagnósticos diferenciais
• Sífilis primária cancro mole, herpes genital, donovanose, linfogranuloma venéreo, câncer.
• Sífilis secundária farmacodermias, doenças exantemáticas não vesiculosas, hanseníase
virchowiana, colagenoses.
Úlceras genitais
Diagnóstico
• Sífilis primária: pesquisa direta do treponema nas lesões microscopia em campo escuro. Sorologia não indicada.
• Sífilis secundária: testes sorológicos (treponêmicos e não treponêmicos) e pesquisa direta da bactéria no condiloma plano e placas mucosas.
• Sífilis terciária: quadro clínico e FTA-Abs. Baixos
títulos de anticorpos.
• Testes sorológicos:
– Não treponêmicos: VDRL e RPR testes
quantitativos para diagnóstico e seguimento.
– Treponêmicos: FTA-Abs qualitativo e apenas confirma o diagnóstico. Reativo a partir do 15º dia da infecção.
Diagnóstico
Úlceras genitais
• Dois títulos baixos em intervalo de 30 dias excluem sífilis recente.
• Provas de sorologia qualitativas negativas excluem- se sífilis atual ou prévia reação falso-positivo (hanseníase, malária, etc)
Diagnóstico
Cancro mole
• Transmissão exclusivamente sexual.
• Haemophilus ducreyi.
• Lesão múltipla/única, dolorosas, com bordas irregulares,
contornos eritemato-edematosos e fundo irregular, recoberto por exsudato necrótico, mais freqüentes no sexo masculino.
• Bubão Bacilo atinge linfonodos inguino-crurais: unilateral, na maioia dos casos, quase que exclusivos do sexo masculino, podem evoluir para a fistulização.
• P.I.: 3 a 5 dias, podendo chegar até duas semanas
Úlceras genitais
Diagnóstico diferencial
• Cancro duro, herpes simples, linfogranuloma venéreo, donovanose.
• Cancro misto de Rollet.
Diagnóstico
• Método de Gram esfregaços de secreção da base da úlcera ou do material do bubão.
• PCR padrão-ouro, porém com alto custo.
• Biópsia não recomendada.
• Sempre pesquisar concomitancia com T. pallidum
Úlceras genitais
Herpes genital
• Herpes simplex virus (HSV tipos 1 – predomínio nas lesões periorais – e 2 – predomínio em lesões genitais).
• Transmitida predominantemente por contato sexual (inclusive oral-genital) ou contato direto com lesões ou objetos
contaminados.
• Clínica: pápulas eritematosas lesões vesiculosas agrupadas pequenas úlceras.
• Espectro clínico: ausência de sintomas ou quadro prodrômico antecedendo o aparecimento das lesões (ardência, prurido, mialgia, etc)
• Grande relação com casos de transmissão do HIV.
Herpes genital
Contato direto com lesões ou objetos contaminados
Solução de continuidade
Penetração do vírus em pele ou mucosas íntegras
Úlceras genitais
Após a infecção primária, ocorre ascensão do vírus pelos nervos sensoriais e o HSV entra em latência.
Reativação
Febre, exposição a raios UV, traumatismos, menstruação, estresse físico ou emocional, uso prolongado de ATB e
imunodeficiência.
Pródromo: aumento da sensibilidade, prurido, queimação, mialgias e fisgadas nas pernas, quadris e região anogenital.
Herpes genital
Herpes genital
• Diagnóstico diferencial: cancro mole, sífilis,
linfogranuloma venéreo, donovanose, ulcerações traumáticas.
• Diagnóstico citológico de Tzanck (multinucleação e balonização celulares em lâmina fixada com álcool 70%).
• PCR: altamente sensível, mas pouco acessível.
• Sorologia não se aplica na rotina.
Úlceras genitais
Linfogranuloma venéreo
• Transmissão exclusivamente sexual, caracterizada pela presença de bubão inguinal;
• P.I.: entre 3 e 30 dias
• Agente causal: Chlamydia trachomatis
Linfogranuloma venéreo
Lesão de inoculação pápula, pústula ou exulceração indolor ausência de sequela
Úlceras genitais
Disseminação linfática regional evolução com supuração e fistulização,
acompanhadas de sintomas gerais
Sequelas obstrução linfática crônica
(elefantíase genital), fístulas retais, vaginais, vesicais e estenose retal
• Diagnóstico é feito em bases clínicas testes
laboratoriais identificam anticorpos contra todas as infecções por clamídia reação cruzada.
Linfogranuloma venéreo
Donovanose
• Doença crônica progressiva que acomete pele, mucosas das regiões genitais, perianais e inguinais.
• Agente causal: Klebsiella granulomatis (bactéria).
• Associação com transmissão sexual de contagiosidade baixa.
• P.I.: 30 dias a 6 meses
• Clínica: ulceração de borda plana e hipertrófica, “em espelho”, bem delimitada, com fundo granuloso de aspecto vermelho vivo e de sangramento fácil pode-se tornar vegetante ou úlcero-
vegetante; ausência de adenite, mas pode haver pseudobubões.
Úlceras genitais
Donovanose
• Identificação dos corpúsculos de Donovan no material de biópsia pelas colorações de Wright, Giemsa ou Leishman.
• Diagnóstico diferencial: sífilis, cancro mole, Tb cutânea, amebíase cutânea, neoplasias ulceradas, leishmaniose
tegumentar americana.
• Devido à baixa infectividade não é necessário fazer o tratamento dos parceiros sexuais.
Corrimento uretral
Corrimento uretral
• Uretrite = presença de corrimento uretral purulento ou mucopurulento e presença de 5 ou mais leucócitos por campo de grande aumento (x 1000), se a coleta da amostra for adequada.
• É sempre recomendado o tratamento para a Clamídia, independente do agente etiológico.
Corrimento uretral
Uretrite gonocócica
• Agente causal: Neisseria gonorrhoeae diplococo
Gram negativo intracelular.
• Essencialmente transmitida por contato sexual.
• P.I.: curto, de 2 a 5 dias.
Uretrite gonocócica
Sensação de prurido na fossa navicular que se estende para toda a uretra
Corrimento uretral
Ardência miccional Corrimento inicialmente mucóide e depois
abundante e purulento
Ausência ou inadequação do tratamento:
propagação da infecção ao restante da uretra, acompanhada de polaciúria,
sensação de peso no períneo
Uretrite gonocócica
• Complicações no homem: balanopostite, prostatite,
epididimite, estenose uretral (rara), artrite, meningite,
faringite, pielonefrite, miocardite, pericardite, septicemia, conjuntivite (auto-inoculação), peri-hepatite gonocócica.
Uretrite gonocócica
• Diagnóstico:
– Exame de amostras uretrais com coloração de Gram, evidenciando diplococos Gram negativos intra-celulares típicos.
– Cultura em meio específico de Thayer-Martin nos casos suspeitos de resistência à penicilina.
• Diagnóstico diferencial: realizado com os agentes e/ou processos causadores das uretrites não gonocócicas.
Corrimento uretral
Uretrite não gonocócica (UNG)
• Uretrites sintomáticas cujas bacterioscopias pela coloração de Gram ou cultura são negativas para o gonococo
• Exemplos de agentes: Chlamydia trachomatis,
Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis,
Trichomonas vaginalis, dentre outros.
Uretrite não gonocócica (UNG)
Infecção por C. trachomatis é a mais comum:
contato sexual e P.I. de 14 a 21 dias.
- Presença de corrimentos mucóides discretos, com disúria leve a intermitente.
- Uretrite sub-aguda (50%).
- Pode simular, em alguns casos, corrimentos da gonorréia
Corrimento uretral
Uretrite não gonocócica (UNG)
• Diagnóstico definitivo da C. trachomatis : – Cultura celular;
– Imunofluorescência direta;
– Elisa;
– Esfregaço corado pelo Gram.
Corrimento Vaginal e
Cervicite
Cervicite
Critérios de Risco
Critérios de Risco
• Mesmo assintomática, a mulher que apresentar pelo menos um dos CRITÉRIOS DE RISCO abaixo tem indicação de receber tratamento, já que possui maior possibilidade de infecção cervical por gonococo ou clamídia (WHO. RTI 2005,
modificado):
- parceiro com sintomas
- paciente com múltiplos parceiros, sem proteção - paciente que acredita ter se exposto a DST
- paciente proveniente de áreas de alta prevalência de gonococo e clamídia
Corrimento vaginal e cervicite
Cervicite
Exame Ginecológico
Corrimento Vaginal e Cervicite
Exame Ginecológico
• examinar a genitália externa e região anal
• separar os lábios vaginais para visualizar o intróito vaginal integralmente
Corrimento vaginal e cervicite
Corrimento Vaginal e Cervicite
• introduzir o espéculo
• fazer o teste do pH vaginal
• colher material para
bacterioscopia e para o Teste das Aminas (de Whiff)
• Teste do cotonete do conteúdo cervical
• colher material para cultura de gonococos e pesquisa de
clamídia, quando possível.
Corrimento Vaginal e Cervicite
Abordagem Sindrômica
Fluxograma de Corrimento Vaginal com Microscopia
Cervicite
Abordagem Etiológica
Abordagem Etiológica
1. Cervicite por clamídia e/ ou gonococo 2. Vulvovaginites
3. Vaginose bacteriana 4. Candidíase vulvovaginal 5. Tricomoníase
Corrimento vaginal e cervicite
1. Cervicite por clamídia e/
ou gonococo
Cervicite por clamídia e/ ou gonococo
• Descrição: inflamação da mucosa endocervical (epitélio colunar do colo uterino)
• Agentes etiológicos: Neisseria gonorrheae e
Clamídia trachomatis.
Corrimento vaginal e cervicite
Cervicite por clamídia e/ ou gonococo
• Quadro Clínico: assintomática em 80% dos casos (daí a
importância dos critérios de risco e do exame ginecológico).
Sem tratamento: extensão da infecção para endométrio e trompas, causando DIPA, gravidez ectópica e dor pélvica crônica, por exemplo.
Quando sintomática (cervicite mucopurulenta): colo friável, corrimento vaginal, disúria, dispareunia, edema de colo
uterino.
Cervicite por clamídia e/ ou gonococo
Corrimento por gonococo
Corrimento vaginal e cervicite
Cervicite por clamídia e/ ou gonococo
• Diagnóstico:
a) De cervicite gonocócica: Thayer Martin modificado (colhe- se material da endocérvice e faz-se cultura de gonococo em meio seletivo); PCR: juntamente com a cultura = padrão-ouro, mas pouco acessível.
b) De cervicite por Clamydia trachomatis: cultura, imunofluorescência direta do material de colo uterino.
Cervicite por clamídia e/ ou gonococo
• Triagem populacional de clamídia para populações de baixo risco: DNA de amostras urinárias (o PCR deste material é mais sensível do que o PCR de material do próprio colo
uterino). Priorizar gestantes (pelo risco de complicações) e adolescentes (para evitar sua infertilidade no futuro).
Corrimento vaginal e cervicite
Cervicite por clamídia e/ ou gonococo
• Na gestação:
2. Vulvovaginites
Corrimento vaginal e cervicite
Vulvovaginites
• Descrição: inflamação ou infecção do trato genital feminino inferior (vulva, vagina e ectocérvice).
• Agentes Etiológicos:
-agentes infecciosos endógenos (vaginose bacteriana e candidíase),
- agentes sexualmente transmitidos (tricomoníase), - fatores mecânicos (trauma),
- fatores químicos (lubrificantes, absorventes internos), - hipo ou hiperestrogenismo,
- fatores anatômicos e orgânicos (imunodepressão secundária a doença sistêmica),
- coito vaginal pós coito anal e uso de DIU (modificam a flora vaginal).
Vulvovaginites
• Quadro Clínico: paciente assintomática ou apresenta
corrimento vaginal + prurido vaginal e/ou ardor ao urinar e/ou desconforto pélvico.
• Diagnóstico: Diferentemente do conteúdo vaginal patológico, no conteúdo vaginal fisiológico há predominância à
bacterioscopia de Bacilos de Doderlein sobre outras bactérias
Corrimento vaginal e cervicite
Vulvovaginites
Bacilos de Doderlein
3. Vaginose Bacteriana
Corrimento vaginal e cervicite
Vaginose Bacteriana
• Descrição: desequilíbrio da flora vaginal normal devido
aumento do número de bactérias anaeróbias e diminuição dos bacilos acidófilos que são predominantes na vagina
normal.Pode ser desencadeada (e não transmitida) por relação sexual em mulheres predispostas devido ao contato com o pH básico do sêmen.
• Agentes etiológicos: Gardnerella vaginalis, Mobiluncus sp, mioplasmas, peptoestreptococos (bactérias anaeróbias).
Vaginose Bacteriana
• Quadro clínico: assintomática ou corrimento vaginal de odor fétido mais acentuado após o coito ou
durante o período menstrual; corrimento branco- acizentado, por vezes bolhoso; dispareunia.
Corrimento vaginal e cervicite
Vaginose Bacteriana
• Diagnóstico: Shwebeke 1999:
Fazer:
- exame a fresco (para revelar a presença de clue cells)
- pH vaginal em papel indicador colocado no colo uterino (na vaginose bacteriana, pH>4,5)
- teste das aminas (positivo nas vaginoses bacterianas)
• O diagnóstico de vaginose bacteriana se confirma com a presença de 3 dos 4 critérios de Amsel:
- corrimento vaginal homogêneo, acizentado e de quantidade variável
- pH vaginal >4.5
- teste das aminas positivo
- presença de clue cells à bacterioscopia.
Vaginose Bacteriana
Corrimento vaginal e cervicite
4. Candidíase vulvovaginal
Candidíase vulvovaginal
• Definição: infecção de vulva e vagina causada por fungo comensal que habita a mucosa vaginal e digestória, que cresce quando o meio se torna favorável ao seu
desenvolvimento
FATORES QUE AUMENTAM O MEIO DE CULTURA DISPONÍVEL OU GERAM IMUNOSSUPRESSÃO:
- gravidez
- DM descompensada - obesidade
- ACOs de alta dosagem
- uso de ATB, corticóides, ou imunossupressores
- vestuários que diminuem a ventilação e aumentam o calor local
- contato com alergenos (talco, desodorantes) - imunodeficiência, inclusive pelo HIV.
Corrimento vaginal e cervicite
Candidíase vulvovaginal
• Agente etiológico: 80- 90%: Cândida albicans; 10 a 20%:
espécies não albicans: (C. tropicalis, C glabrata, C. krusei, C. parapsilosis)
• Vias de transmissão: endógena (microorganismo presente na flora vaginal de 50% das mulheres assintomáticas), relação sexual (em menor proporção)
Candidíase vulvovaginal
• Quadro Clínico:
- prurido vulvovaginal (principal sintoma) - ardor ou dor à micção
- corrimento branco, grumoso, INODORO e com aspecto caseoso (leite “coalhado”)
- hiperemia, edema e fissuras vulvares - dispareunias
- fissuras na pele
- vagina recoberta por placas brancas aderidas à mucosa
Corrimento vaginal e cervicite
Candidíase vulvovaginal
• Diagnóstico:
- À bacterioscopia: presença de hifas.
- Ao teste do pH vaginal: pH menor do que 4.
- Cultura: em casos recorrentes (para identificar a Cândida responsável) e quando os testes anteriores forem negativos com sintomatologia sugestiva. É realizado em meios
específicos (Saboraud).
- Se à citologia oncótica em mulher assintomática for encontrada Cândida, isto não implica em tratamento.
Candidíase vulvovaginal
Corrimento vaginal e cervicite
5. Tricomoníase
Tricomoníase
• Descrição: infecção que acomete a cérvice uterina, vagina e uretra
• Agente Etiológico:
Trichomonas Vaginalis
• Transmissão: principalmente sexual
Corrimento vaginal e cervicite
Tricomoníase
• Quadro Clínico:
Paciente pode permanecer assintomática nos homens e nas mulheres após menopausa. Pode acometer também a vulva, causando cervicovaginite.
Quando sintomática, a tricomoníase apresenta:
- corrimento abundante, esverdeado, bolhoso - prurido e/ou irritação vulvar
- dor pélvica (ocasionalmente) - disúria, polaciúria
- hiperemia das mucosas com placas avermelhadas (colpite difusa ou mucosa em framboesa)
- teste de Schiller aspecto “tigróide”.
Tricomoníase
• Exames complementares/ Diagnóstico
- lâmina a fresco: presença de parasita flagelado
movimentando-se ativamente entre células epiteliais e leucócitos.
- Teste do pH vaginal: pH>4.5.
- Tricomoníase pode alterar citologia oncótica. Repetir esse exame para avaliar a persistência dessas alterações.
- Cultura em meio anaeróbio (meio de Diamond), realizado em casos de difícil diagnóstico. PCR é padrão ouro, mas é de difícil acesso.
Corrimento vaginal e cervicite
Introdução
Queixa freqüente nos consultórios ginecológicos.
Afeta cerca de 12 a 33% de todas as mulheres no período reprodutivo.
A etiologia muitas vezes é de difícil esclarecimento.
Dor pélvica
Dor pélvica aguda: início súbito e geralmente intensa o suficiente para que se busque atendimento médico.
Dor pélvica crônica: dor não menstrual ou não cíclica,
com duração de pelo menos seis meses,
suficientemente intensa para interferir em atividades
habituais, e que necessita de tratamento clínico ou
cirúrgico.
Etiologia
Dor Pélvica
Ginecológicas Não
ginecológicas
Aborto
Gravidez ectópica
Rotura ou torção de cisto de ovário Sangramento de corpo lúteo Dor do meio do ciclo menstrual
Degeneração de miomas Doença inflamatória pélvica
Apendicite Diverticulite
Linfadenite mesentérica Obstrução intestinal
Infecção urinária Litíase urinária Alterações intestinais
Dor pélvica
Anamnese
DUM (verificar atraso menstrual)
Febre, hipotensão, taquicardia, sudorese Leucorréia fétida
Exame Físico
Leucorréia
Dor à mobilização do colo Defesa abdominal
Dor pélvica crônica
Anamnese
Perfil psicológico
Irradiações, fatores que modificam a dor, ciclo menstrual, antecedentes ginecológicos e obstétricos, cirurgias prévias, sintomas somáticos não relacionados a dor pélvica, história sexual
Exame Físico
Muitas vezes inespecíficos Palpação Abdominal
Dor pélvica
Exame ginecológico: segue os mesmos passos realizados no fluxograma de corrimento vaginal.
Corrimento: medida do pH, testes das aminas e coleta de material para realização de bacterioscopia.
Limpeza do colo uterino e observar se existe mucopus
endocervical (teste do cotonete) ou friabilidade do colo.
Exame da vulva, vagina, colo uterino e conteúdo vaginal.
Realização de exame pélvico bimanual (hipersensibilidade do fundo de saco, dor à mobilização do colo ou anexos,
presença de massas ou coleções).
Pacientes com atraso menstrual, parto ou aborto recente, com perda de sangue pela vagina podem vir a desenvolver um quadro grave. Ao exame, verificar se existe abertura do orifício cervical e/ou fragmentos fetais residuais.
Dor pélvica
Quadro abdominal grave: a paciente apresenta defesa muscular ou dor de forte ou moderada intensidade à descompressão brusca, ou apresenta hipertermia maior ou igual a 37,5 ºC.
Infecções do trato urinário, endometriose, varizes pélvicas,
aderências pélvicas, tumores pélvicos, alterações gastro-intestinais
(verminoses, constipação intestinal, doenças da vesícula). Se necessário, encaminhar ao especialista.
Dor pélvica
Doença Inflamatória Pélvica
Definição
É uma síndrome clínica atribuída à ascensão de microorganismos do trato genital inferior, espontânea ou por manipulação (inserção de DIU, biópsia de endométrio, curetagem etc.), comprometendo endométrio, trompas, anexos uterinos e/ou estruturas contíguas.
Dor pélvica
A DIP é eminentemente um processo agudo, exceto nos casos em que é causada por microorganismos tais como os da tuberculose e actinomicose, por exemplo.
Freqüentemente são infecções polimicrobianas, com envolvimento de bactérias anaeróbias e facultativas.
Cerca de 90% originam-se de agentes sexualmente
transmissíveis.
Principais agentes etiológicos
Neisseria gonorrhoeae
Chlamydia trachomatis
Outros
Micoplasma hominis Ureaplasma urealyticum
Streptococus β Hemolítico (grupo A) Anaeróbios (Bacterioides fragilis) e
outros aeróbios.
(Mandell and Rein,
(Mandell and Rein, Atlas of Inf. Atlas of Inf.
Diseases, vol 5: Sex Trans Dis) Diseases, vol 5: Sex Trans Dis) DIP inicial:
DIP inicial: achados à laparoscopia. Útero e trompas edemaciadas.achados à laparoscopia. Útero e trompas edemaciadas.
DIP severa:
DIP severa: achados à laparotomia. Abscessos tubo-achados à laparotomia. Abscessos tubo-ovarianos ovarianos bilaterais.
bilaterais.
(Mandell and Rein,
(Mandell and Rein, Atlas of Inf. Atlas of Inf.
Diseases, vol 5: Sex Trans Dis) Diseases, vol 5: Sex Trans Dis)
Dor pélvica
perihepatite por clamídia.
perihepatite por clamídia.
DIP: Fatores associados
1. Histórico de DST prévias ou atuais: infecção por Chlamydia, Micoplasma e/ou gonococos no colo uterino apresentam risco aumentado de DIP (um caso da doença para cada 8 a 10 casos de pacientes com cervicite por algum desses patógenos);
2. Múltiplos parceiros sexuais ou parceiro recente: em mulheres com mais de um parceiro ou cujo parceiro tenha mais de uma parceira, a probabilidade de ocorrer salpingite aumenta de 4 a 6 vezes;
Dor pélvica
3. Uso de dispositivo intra-uterino (DIU): pode representar um risco três a cinco vezes maior para o desenvolvimento da doença caso a paciente seja portadora de cervicite;
4. Episódios anteriores de DIP: pacientes com salpingite prévia têm chance 23% maior de desenvolver um novo episódio infeccioso;
5. Ter parceiro sexual portador de uretrite.
Critérios diagnósticos de DIP
Evidência histopatológica de endometrite
Presença de abscesso tubo- ovariano ou de fundo de
saco de Douglas em US pélvica
Evidência de DIP à laparoscopia Temp. axilar >37,5ºC
Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal
Massa pélvica
+ de 5 leucócitos por campo de imersão em secreção de
endocérvice Dor em abdome
inferior
Dor à palpação dos anexos
Dor à mobilização do colo uterino
Critérios maiores
Comprovação laboratorial de infecção por gonococo, clamídia ou micoplasmas
PCR ou VHS elevada Leucocitose
Critérios elaborados Critérios menores
3
1 1
Dor pélvica
Hemograma completo
Velocidade de hemossedimentação
Exame bacterioscópico com cultura e antibiograma de material obtido do
orifício cérvico-uterino, da uretra, de laparoscopia ou de punção do fundo de saco posterior
Ecografia abdominopélvica
Radiografia simples do abdômen Laparoscopia
Sumário de urina e urocultura (para afastar infecção do trato urinário) Teste de gravidez (para afastar gravidez ectópica)
Síndrome:
Verrugas
Infecção pelo HPV
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
• Agente etiológico: o Papilomavirus humano é um DNA- vírus que possui mais de 100 tipos. Dentre eles, uma parcela é oncogênica , podendo gerar neoplasia intraepitelial e carcinoma invasor no colo uterino, vulva, vagina e região anal.
Verrugas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
• HPVs de baixo risco (6,11,42,43,44) : causam condiloma
acuminado e lesões intraepiteliais de baixo grau na forma de verrugas genitais visíveis.
• HPVs de alto grau (16,18,31,33 e outros): relacionados a lesões intraepiteliais de alto grau e carcinoma invasor.
Quando na genitália externa, estão associados a carcinoma in situ de células escamosas, Papulose Bowenóide, Eritroplasia de Queyrat e Doença de Bowen da genitália.
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
Estudos de prevalência mostram que as lesões precursoras do câncer cérvico-uterino são cinco vezes mais freqüentes em mulheres portadoras
de DST do que naquelas que procuram outros serviços médicos como, por exemplo, para
planejamento familiar.
Verrugas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
Período de Incubação:
Varia de semanas a décadas. Recidivas ocorrem
provavelmente devido à reativação de reservatórios (e não devido à reinfecção através do parceiro). Infecção persitente depende do tipo do HPV, tabagismo e estado imunológico do paciente (se é imunossuprimido ou não).
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
QC: assintomático, ou aparecimento de condilomas acuminados (lesões exofíticas)
Infecção Clínica pelo HPV na genitália (com lesões macroscópicas)
- Lesões únicas ou múltiplas, restritas ou difusas
- No homem: glande, sulco bálano-prepucial, região perianal - Na mulher: vulva, períneo, região perianal, vagina e colo.
-de acordo com a localização anatômica: lesões friáveis, dolorosas e/ou pruriginosas
Verrugas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
Infecção Subclínica pelo HPV na genitália externa (sem lesão macroscópica)
- observação de áreas que se tornam brancas após aplicação do ácido acético sob visão colposcópica ou outras técnicas de magnificação, e que, biopsiadas, apresentam
alterações citológicas compatíveis com infecção pelo HPV.
- Não se sabe se a contagiosidade dessa forma de infecção é similar à das lesões exofíticas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
Diagnóstico da Infecção pelo HPV
O diagnóstico de condiloma é essencialmente clínico. Biópsia apenas quando:
- houver suspeita de neoplasia
- lesões não responderem ao tratamento convencional - lesões aumentarem de tamanho após o tratamento - paciente for imunodeficiente
Verrugas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
As lesões cervicais subclínicas são geralmente
detectadas pela citologia oncótica, devendo ser
avaliadas pela colposcopia, teste de Schiller (iodo)
e biópsias dirigidas.
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
- diagnóstico definitivo: identificação do DNA viral por PCR.
- As alterações celulares causadas pelo HPV no colo uterino têm o mesmo significado clínico que as observadas nas
displasias leves ou neoplasias intra- epitelial de grau I.
Juntas constituem a lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau (Low Grade Squamous Intraepithelial Lesion – LSIL), com grande chance de regressão sem tratamento.
Verrugas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
Conduta:
Consenso Brasileiro: em mulher com vida sexual ativa,
realizar 1 colposcopia anual por 2 anos; se resultados forem negativos, repetir o exame a cada 3 anos. Este intervalo deve ser reduzido em portadoras de DSTs.
- realizar a colposcopia na paciente portadora de DST quando:
- a DST da paciente estiver controlada - a DST for infecção por HPV
- realizou o exame há mais de 12 meses
- não se recorda do resultado do último exame
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
- Os casos que persistem com atipias têm maior
probabilidade de serem portadores de lesões precursoras do câncer cérvico- uterino.
- atenção:
- adiar a citopatologia se a mulher estiver menstruada - colpites, cervicites e corrimentos podem comprometer a interpretação citopatológica
- numa investigação de DST, quando serão colhidos espécimes para diagnóstico bacteriológico, o material para citopatologia deve ser colhido por último;
Verrugas
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
- Situações especiais:
- Coleta durante a Gravidez: exame colpocitológico normal excluindo-se a coleta de material da endocérvice
- Mulheres infectadas pelo HIV: há maior prevalência de lesão intra-epitelial em portadoras do HIV, com tempos muito curtos (meses) de progressão para lesões pré-invasivas graves e recidivas frequentes.
Infecção pelo Papilomavirus Humano (HPV)
(Mulheres portadoras de HIV – cont.)
Quando houver atipias na colpocitologia:
- encaminhar para serviço especializado, para investigação colposcopia e biópsia dirigida, quando indicado, e tratadas como recomendado
Mantida a ausência de evidências de lesão intra- epitelial:
- repetir a colpocitologia anualmente. Somente as
portadoras de atipias à colpocitologia devem ser referidas para colposcopia e biópsia dirigida.
Verrugas
sorológico de infecção por
HIV
Os testes diagnósticos laboratoriais de infecção pelo HIV que se baseiam na detecção de anticorpos anti-HIV seguem os procedimentos estabelecidos pela portaria nº. 59, de 28 de janeiro de 2003.
Normatização
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
1ª. Etapa: Triagem sorológica
Imunoensaio (ELISA) Não deve ser de avaliação rápida;
Deve detectar anticorpos anti-HIV-1 e anti-HIV-2;
Os kits utilizados para a realização dos testes devem
estar registrados no Ministério da Saúde.
Enzyme Linked Immunosorbent Assay ELISA
1. Ligação do Ac presente no soro ao Ag viral
4. Alteração de coloração onde ocorreu reação Ag-Ac
2. Ac anti-Ig
ligado a enzima peroxidase (conjugado)
liga-se ao imunocomplexo
3. Adição do substrato apropriado para a enzima
1. Não reagente;
2. Reagente;
3. Inconclusivo.
2ª. Etapa: Confirmação sorológica
Novo imunoensaio (ELISA) * +
Imunofluorescência indireta para HIV-1 ou Imunoblot para HIV-1
(*) Metodologia e/ou antígenos diferentes dos utilizados no primeiro imunoensaio.
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
HIV-1
Linhagem de células K37-3 infectadas por HIV-1 e fixadas em lâminas de microscopia para fluorescência.
Aproximadamente 25-35% das células possuem Ag virais de superfície passíveis de detecção.
O soro humano é colocado em contato com o Ag e, ao produzir uma reação fluorescente, é considerado reagente (presença de Ac para HIV-1 no soro → formação do imunocomplexo → adição e ligação de anti-Ig conjugada com isotiocianato de fluoresceína
→ reação fluorescente).
Confirma a positividade da primeira amostra
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
3ª. Etapa: Western blot
Confirmação sorológica direta em casos de EIA 1 (+) ou (Ic).
Casos de dúvida na 2ª. etapa.
Western blot
Extrato de células infectadas por HIV;
Desnaturação e separação de proteínas por massa através de eletroforese;
Transferência para membrana de nitrocelulose contendo como sondas Ac específicos para proteínas virais;
Soro sanguíneo diluído é aplicado à membrana; Ac do soro se ligam a algumas das proteínas presentes na membrana.
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
Anticorpos secundários (anti-Ig) detectam para quais proteínas do HIV o indivíduo possui anticorpos. Enfim, é possível examinar a quantidade de proteína em uma dada amostra e comparar os níveis entre diversos grupos.
Os critérios que determinam quais faixas virais
constituem diagnóstico positivo variam de acordo
com o país.
AFR = Africa; AUS = Australia; FDA = US Food and Drug Administration; RCX = US Red Cross; CDC = US Center for Disease Control; CON = US Consortium for Retrovirus Serology Standardization; GER = Germany; UK = United Kingdom; FRA = France; MACS = US Multicenter AIDS Cohort Study 1983-1992.
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
ácido nucléico.
Investigação do HIV-2 em amostras com resultados indeterminados para o HIV-1, quando houver dados epidemiológicos sugestivos de infecção por HIV-2 ou clínica
compatível com infecção por HIV/ AIDS.
Trinta dias após a emissão do resultado referente à primeira amostra.
As amostras com resultado positivo (primeira amostra) mostram um resultado parcial (será definitivo apenas após a análise da segunda).
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
Se a etapa 1 na segunda amostra não mostrar resultado conclusivo, realizam-se a segunda e terceira etapas.
Se após a realização dessas etapas os resultados
da primeira e segunda amostra forem discordantes,
deverá ser coletada uma terceira amostra, com as
respectivas etapas.
Aquisição passiva de Ac anti-HIV (filhos)
Infecções por outros vírus Baixa sensibilidade do kit utilizado Doenças auto-imunes
Problemas técnicos Semelhanças antigênicas
entre microrganismos
Coleta durante janela imunológica Alterações biológicas do indivíduo
Problemas técnicos no procedimento do exame
Falso-Negativos Falso-Positivos
Diagnostico sorológico de infecção por HIV
Testes rápidos
Ausência de rede de laboratórios;
Resultados em tempo inferior a 30 minutos;
Realização no momento da consulta (amostra coletada por punção de polpa digital);
À consulta o paciente já recebe o aconselhamento pré-teste, o resultado e o aconselhamento pós-teste.
Ex: Triagem de gestantes sem sorologia pré-natal disponível no momento do parto.