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MANUAL DAS LICENCIATURAS

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Academic year: 2021

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MANUAL DAS

LICENCIATURAS

- 3ª EDIÇÃO -

POR: VANESSA PEREIRA DE SOUSA DIAS

(2)

MANUAL DAS

LICENCIATURAS

3ª EDIÇÃO

Por:

(3)

SUMÁRIO APRESENTAÇÃO... 6 1 NORMAS TÉCNICAS... 7 2 ESQUEMA... 7 2.1Características do esquema... 7 3 RELATÓRIO... 8 3.1 Relatório técnico-científico... 9 4 FICHAMENTO... 9 4.1 Características do fichamento... 10

4.2 Estrutura mínima sugerida para um fichamento... 10

4.3Tipos de fichas... 11

4.3.1 Fichas de indicação bibliográfica... 11

4.3.2 Fichas de transcrições (citação) ... 11

4.3.3 Fichas de apreciação (crítica) ... 12

4.3.4 Fichas de resumos... 13

4.3.5 Fichas de ideias sugeridas pelas leituras... 13

4.3.6 Fichas de esquemas... 13

5 RESUMO... 13

5.1Tipos de Resumo... 14

5.2 Regras para resumo... 14

6 RESENHA... 16

6.1 Como se inicia uma resenha... 16

6.2 Tipos de resenha... 19

6.2.1 Resenha-resumo... 19

6.2.1.1 Estrutura da resenha-resumo... 19

6.2.2 Resenha-crítica... 20

6.2.2.1 Outra forma de estrutura da resenha crítica... 22

7 PARÁFRASE... 24

8 ARTIGO CIENTÍFICO... 24

8.1 Estrutura de artigo científico ... 24

8.1.1 Elementos pré-textuais... 25

8.1.2 Elementos textuais... 26

8.1.3 Elementos pós-textuais... 27

9 PROJETOS DE PESQUISA... 28

9.1 Elementos que compõem o projeto de pesquisa... 28

9.1.1 Dados de identificação na capa e folha de rosto... 29

9.1.2 Sumário... 29

9.1.3 Introdução... 29

9.1.4 Estrutura provisória da futura pesquisa... 31

(4)

10.1.4 Errata... 34

10.1.5 Folha de aprovação... 35

10.1.6 Dedicatória... 35

10.1.7 Agradecimentos... 35

10.1.8 Epígrafe... 35

10.1.9 Resumo na língua vernácula e palavras-chave... 36

10.1.10 Lista de ilustrações ... 36

10.1.11 Lista de tabelas... 36

10.1.12 Lista de abreviaturas e siglas ... 36

10.1.13 Lista de símbolos ... 37 10.1.14 Sumário ... 37 10.2 Elementos textuais... 37 10.2.1 Introdução... 37 10.2.2 Desenvolvimento... 38 10.2.3 Conclusão... 38 10.3 Elementos pós-textuais... 39 10.3.1 Referências ... 39 10.3.2 Glossário... 40 10.3.3 Apêndices ... 40 10.3.4 Anexos... 40 10.3.5 Índice... 41

11 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA ... 41

11.1 Caracterização da pesquisa quanto ao modo de abordagem... 41

11.1.1 Pesquisa qualitativa... 41

11.1.2 Pesquisa quantitativa... 41

11.1.3 Pesquisa quali-quantitativa... 42

11.2 Caracterização da pesquisa segundo o objetivo geral... 42

11.2.1 Pesquisa exploratória... 42

11.2.2 Pesquisa descritiva... 42

11.2.3 Pesquisa causal, explicativa ou explanatória... 43

11.3 Caracterização da pesquisa segundo os procedimentos técnicos ... 43

11.3.1 Detalhamento dos procedimentos técnicos... 46

11.3.1.1Documentação... 46 11.3.1.2 Observação... 46 11.3.1.3 Entrevistas... 47 11.3.1.3.1 Condução da entrevista... 47 11.3.1.4 Questionário... 48 11.3.1.5 Formulário... 50

11.3.1.6 Medidas de opinião e de atitudes... 50

(5)

11.5 Normas legais para a pesquisa em seres humanos e animais... 53

12 HIPÓTESES E VARIÁREIS... 53

12.1 Variáveis independentes, dependentes e intervenientes... 53

13 VERBOS NA PESQUISA... 55

13.1 Verbos para formulação de objetivos ... 55

13.2 Verbos para os diferentes tipos de investigação... 55

14 POPULAÇÃO E AMOSTRA... 55

15 REFERENCIAL TEÓRICO... 56

16 ILUSTRAÇÕES E TABELAS... 57

16.1 Apresentação das tabelas segundo o IBGE... 57

17 NUMERAÇÃO PROGRESSIVA DAS SEÇÕES... 58

18 REGRAS GERAIS DE APRESENTAÇÃO DE REFERÊNCIAS... 59

19 PLÁGIO E COMPRA DE TRABALHOS ACADÊMICOS... 60

20 CITAÇÕES... 60

20.1 Notas de rodapé ... 60

20.1.1 Notas explicativas ... 60

20.1.2 Notas de Referência... 61

20.2 Citações... 62

20.2.1 Citação direta (literal, textual ou transcrição) ... 62

20.2.2 Citação indireta... 63

20.2.3 Citação de citação... 64

20.3 Formulação, quantidade e qualidade de citações num trabalho acadêmico ... 64

20.4 Sistema de chamada de citações... 64

20.4.1 Autor-data... 64

20.4.2 Numérico... 65

20.5 Regras gerais para apresentação de citações ... 65

20.5.1 Data da citação... 65

20.5.2 Citações indiretas de diversos documentos da mesma autoria, publicados em anos diferentes e mencionados simultaneamente ... 65

20.5.3 Citações indiretas de diversos documentos de vários autores mencionados simultaneamente ... 66

20.5.4 Citações diretas de obra com dois ou três autores ... 66

20.5.5 Dados obtidos por informação verbal ou na citação de trabalhos em fase de elaboração (palestras, debates, comunicações etc.) ... 66

20.5.6 Citação com texto traduzido pelo autor... 66

20.5.7 Sobrenome do autor na sentença das citações ... 66

20.5.8 Enfatizar trechos da citação ... 66

20.5.9 Nome do autor, instituição responsável incluído na sentença... 67

20.5.10 Coincidência de sobrenomes de autores... 67

20.5.11 Diversos documentos de um mesmo autor publicados num mesmo ano .... 67

20.5.12 Mais de um trabalho de um mesmo autor... 67

20.5.13 Obra com mais de três autores ... 67

20.5.14 O autor é uma instituição ou entidade ... 68

20.5.15 Obras sem autoria identificada... 68

20.6 Indicação de supressão, interpolação, comentário, ênfase ou destaque em citações... 68

21 REGRAS GERAIS PARA APRESENTAÇÃO - FACULDADES IESGO... 69

(6)

APRESENTAÇÃO

Regras metodológicas e técnicas de trabalhos acadêmicos são assuntos

complexos e polêmicos. Neste sentido, há de existir uma normatização como

instrumento para harmonia e facilitação da compreensão do conteúdo. A orientação

aos acadêmicos é um compromisso desta instituição, que decidiu manter como

obrigatória a elaboração e apresentação da monografia como requisito parcial para a

conclusão dos cursos de licenciaturas.

Até chegar a finalização da monografia, o acadêmico precisa desenvolver

ações munidas de conceitos teóricos, e muitas tentativas e erros no

desenvolvimento de variados trabalhos acadêmicos. Assim, o acadêmico precisa

desenvolver a monografia dentro das regras gerais apresentadas pela ABNT

(Associação Brasileira de Normas e Técnicas), na estrutura das Normas Brasileiras -

NBR e também regras específicas oriundas das concepções da própria instituição.

A ciência, a pesquisa e a experimentação precisam ser fomentadas, e as

Faculdades IESGO buscam esse desenvolvimento através do incentivo e

orientação, desde uma linguagem mais científica até a normatização dos

documentos, garantindo a existência da comunicação entre as partes -

pesquisadores de hoje e pesquisadores de amanhã.

As Faculdades IESGO, com responsabilidade na formação de pesquisadores,

objetiva com este material subsidiar estudantes e professores na elaboração e

apresentação de trabalhos acadêmicos, apresentando conceitos mínimos

necessários para a produção de resumos, resenhas, fichamentos, esquemas, artigos

e monografias.

A necessidade dessa ação surgiu na discussão entre professores das

licenciaturas, e o material apresentado advém de leituras e pesquisas feitas que

apontaram os melhores materiais lidos e pesquisados. É uma compilação de textos,

materiais que foram coletados e/ou adaptados para estarem nesta coletânea, visto a

qualidade da linguagem, o objetivo e o fim a que se destinam.

Vanessa Pereira de Sousa Dias

(7)

1 NORMAS TÉCNICAS

As normas técnicas fundamentam-se na necessidade de uma padronização para os trabalhos acadêmicos. As normas da Associação Brasileira de Normas técnicas (ABNT) são essenciais para dar maior confiança e seriedade ao conhecimento científico.

Os trabalhos elaborados, em qualquer nível acadêmico, devem ser desenvolvidos e apresentados de acordo com as regras de normatização exigidas pelos padrões vigentes.

ABNT NBR 6022/2003 - Informação e Documentação – Artigo em publicação periódica

científica impressa;

ABNT NBR 6023/2002 - Informação e Documentação - Referências - Elaboração;

ABNT NBR 6024/2012 - Informação e Documentação - Numeração progressiva das seções

de um documento escrito - Apresentação;

ABNT NBR 6027/2012 - Informação e Documentação - Sumário - Apresentação; ABNT NBR 6028/2003 - Informação e Documentação - Resumo - Apresentação;

ABNT NBR 6029/2006 - Informação e documentação - Livros e folhetos – Apresentação;

ABNT NBR 6034/2003 - Informação e Documentação - Índice - Apresentação;

ABNT NBR 10520/2002 - Informação e Documentação - Citações em documentos -

Apresentação;

ABNT NBR 12225/2004 - Informação e documentação - Lombada – Apresentação;

ABNT NBR 14724/2011 - Informação e Documentação - Trabalhos acadêmicos -

Apresentação;

ABNT NBR 15287/2011- Informação e Documentação - Projeto de pesquisa -

Apresentação;

ABNT NBR 10719/2015 - Informação e documentação - Relatório técnico e/ou científico

Apresentação.

2 ESQUEMA

O esquema funciona como um roteiro do que foi lido, de forma muito concisa. Ele deve ser elaborado na mesma sequência em que o texto original foi escrito, apresentando as partes mais relevantes do texto. “[...] corresponde, grosso modo, a uma radiografia do texto, pois nele aparece apenas o „esqueleto‟, ou seja, as palavras-chave, sem necessidade de se apresentar frases redigidas” (ANDRADE, 2006, p. 26, grifo do autor).

Para elaborar um esquema, usam-se setas, linhas retas ou curvas, círculos, colchetes, chaves, símbolos diversos. Assemelha-se a um gráfico que pode ser feito em linha vertical ou horizontal, desde que apareçam as ideias principais do texto, de forma clara, compreensível. As setas são usadas quando há relação entre palavras. As chaves são usadas para ordenar diversos itens.

O esquema pode ser elaborado como um organograma, gráfico ou com secções e subsecções, desde que facilite seu entendimento geral.

Ruiz (2002) sugere algumas regras para elaboração de um esquema:

 ser fiel ao texto original;

 compreender o tema e destaque para os títulos e subtítulos que conduzirão a introdução, o desenvolvimento e as conclusões do texto;

 usar simplicidade e clareza;

 subordinar ideias e fatos;

 manter sistema uniforme de observações, gráficos e símbolos para as divisões e subordinações que caracterizam a estrutura do texto.

2.1 Características do esquema

(8)

 A visualização de um esquema deve remeter o leitor aos principais pontos tidos como mais importantes.

 O esquema assemelha-se a um esqueleto, não apresentando assim maiores preocupações com os elementos inerentes à construção textual.

 O esqueleto permite ao leitor visualizar e destacar aquilo que é essencial.

 No esquema podem ser utilizados diversos símbolos, como letras, números, setas, círculos etc.

 Pode ser do tipo linear, quando apresenta a informação na horizontal e na vertical; circular, quando organiza a informação em círculo; piramidal, quando a informação está disposta em forma de pirâmide; e sistemático, quando as informações estão organizadas em forma de um quadro.

 Deve ter linguagem clara, concisa e objetiva.

Abaixo segue esquemas elaborados a partir do fragmento de texto sobre o problema da seca no Nordeste:

A história demonstra que a região nordestina é marcada pela falta de chuvas. Entretanto, faz-se necessário compreender como o fenômeno da escassez pluviométrica ocorre no Nordeste. Para tal, convém analisar este fenômeno nos seus aspectos geográficos, políticos e sociais.

O problema da seca não é só um problema de falta d´água, como se imagina superficialmente, é um problema muito mais grave que envolve muitas outras variáveis e ciências diversas como a economia, a política, a sociologia, a meteorologia, a engenharia dentre outras, ou seja, é um problema complexo, mas que se consegue conviver com o mesmo, como acontece em outros países situados em regiões geográficas mais desfavoráveis que a do semi-árido nordestino.

Apesar de ser um fenômeno meteorológico previsível, as secas continuam ainda hoje a atingir de forma devastadora as populações carentes nordestinas, que vivem na zona rural e nos pequenos municípios no interior da região e que têm como fonte de renda principal a agricultura de subsistência.

Na realidade, o problema das secas no Nordeste e dos flagelos causados às populações já foram documentados e relatados na imprensa desde inicio do século, e foi um tema que sensibilizou os grandes escritores, músicos e artistas do Nordeste.

Disponível em: <http://portugues.uol.com.br/redacao/o-esquema-resumo---fortes-aliados-diante-compreensao-textual-.html> Acesso em 31 de ago de 2017 – adaptado.

Exemplo 1:

Exemplo 2:

3 RELATÓRIO

O relatório (dependendo do curso e/ou da finalidade, é também chamado de relatório

de estágio, relatório técnico, ou outro) é um trabalho desenvolvido em cursos de graduação

e de pós-graduação em nível de especialização, ou como um trabalho de consultoria. Este tipo de trabalho, segundo Gonçalves e Meirelles (2004), descreve estudos

1. Região nordestina

1.1 Fenômeno da escassez pluviométrica 1.1.1 Aspectos geográficos, políticos e sociais

1.2 O problema da seca

1.2.1 Envolve diversas variáveis e ciências 1.2.2 Atinge populações carentes

(9)

realizados em temas específicos, de ordem prática, podendo ser ou não original, como, por exemplo, relatórios de estágio feitos em escolas, em organizações empresariais, entre outras; ele deve mostrar que o relator possui capacidade de solucionar problemas práticos e de natureza intervencionista. É mais resumido do que outros trabalhos assemelhados, mas, mesmo assim, se deve respeitar o rigor metodológico no trato das questões enfocadas e revisão teórica que fundamenta o estudo elaborado e as conclusões obtidas.

A ABNT, NBR 10719/2015, salienta que relatório técnico-científico é o documento que descreve formalmente o progresso ou resultado de pesquisa científica e/ou técnica; essa espécie de relatório, por ser técnico-científico, apresenta de forma sistemática informação suficiente para um leitor qualificado, aborda conclusões e faz recomendações. Geralmente vem acompanhado de documentos demonstrativos como tabelas e gráficos. De um modo geral, os relatórios são escritos com os objetivos de:

• divulgar os dados técnicos obtidos e analisados; • registrá-los em caráter permanente.

Os tipos de relatórios são: • técnico-científicos;

• de viagem; • de estágio; • de visita; • administrativos; • e para fins especiais.

3.1 Relatório técnico-científico

É o documento original pelo qual se faz a difusão da informação corrente, sendo ainda o registro permanente das informações obtidas. É elaborado principalmente para descrever experiências, investigações, processos, métodos e análises.

Geralmente, a elaboração do relatório passa pelas seguintes fases:

a) plano inicial: determinação da origem, preparação do relatório e do programa de seu

desenvolvimento;

b) coleta e organização do material: durante a execução do trabalho, é feita a coleta, a

ordenação e o armazenamento do material necessário ao desenvolvimento do relatório.

c) redação: recomenda-se uma revisão crítica do relatório, considerando-se os seguintes

aspectos: redação (conteúdo e estilo), sequência das informações, apresentação gráfica e física.

Os relatórios técnico-científicos constituem-se dos seguintes elementos:

 capa

 folha de rosto

 resumo

 sumário

texto: O texto dos relatórios técnico-científicos contém as seguintes seções fundamentais: a) Introdução: parte em que o assunto é apresentado como um todo, sem detalhes.

b) Desenvolvimento: parte mais extensa e visa a comunicar os resultados obtidos.

c) Considerações Finais (Resultados e conclusões): consistem na recapitulação sintética dos resultados obtidos, ressaltando o alcance e as consequências do estudo.

d) Recomendações: contêm as ações a serem adotadas, as modificações a serem feitas, os acréscimos ou supressões de etapas nas atividades.

 Referências;

 Anexo (ou Apêndice).

4 FICHAMENTO

(10)

utilizar o fichamento, na sua pesquisa bibliográfica, irão verificar a eficácia do fichamento na preparação e execução do trabalho científico.

O fichamento é um procedimento utilizado na organização de dados da pesquisa de documentos. Sua finalidade é a de arquivar as principais informações das leituras feitas e auxiliar, na identificação da obra.

As fichas constituem um dos mais valiosos recursos de estudo de que se valem os pesquisadores, para a realização de uma pesquisa, por isso, ao elaborar o fichamento, é importante a utilização de critérios segundo as normas da ABNT, pois, assim, se tem as anotações necessárias, no momento em que precisar escrever sobre determinado assunto. O fichamento poderá ser armazenado no computador, facilitando o acesso às informações quando da elaboração dos trabalhos acadêmicos.

As fichas podem ser manuscritas, datilografadas ou impressas no computador. Devem ser enumeradas no alto, à direita, em algarismos arábicos. Não se deve diminuir o tamanho de caligrafia habitual ou espremer as palavras, na tentativa de aproveitar melhor o espaço. O mais conveniente é não utilizar os dois lados da ficha, o que facilita o manuseio e arquivamento da mesma. Nunca misturar assuntos ou autores. Cada ficha deve conter um assunto relativo a um autor, do mesmo modo que os fichários devem separar títulos e autores, ou seja, um fichário para títulos, outro para autores. Os fichários devem ser organizados por ordem alfabética de autores, de títulos ou de assuntos. Para separar assuntos (títulos), ou mesmo disciplinas, caso o estudante utilize um único fichário para todas as disciplinas, usam-se fichas-guia, que indicam o assunto ou o autor.

Os tamanhos internacionalmente padronizados de fichas são: Pequeno: 7,5 x 12,5 cm

Médio: 10,5 x 15,5 cm Grande: 12,5 x 20,5 cm

Para fazer o fichamento de uma obra ou texto é necessário:

 ler o texto inteiro uma vez ininterruptamente;

 ler o texto novamente, grifando, fazendo anotações e procurando entender o que o autor quer dizer em cada parágrafo (fazer o Estudo pela Leitura Trabalhada);

 elaborar o fichamento.

4.1 Características do fichamento

 Deve dar uma visão global do texto.

 É basicamente o arquivo do texto que se leu contendo a referência e o que entendeu do conteúdo.

 É uma forma de estudar /assimilar criticamente os melhores textos, pois durante o processo de fazer o fichamento adquire-se uma compreensão maior do conteúdo do texto.

 Excelente maneira de manter um registro de tudo o que se lê.

 Depois de um bom fichamento de um texto ou livro, não haverá necessidade de recorrer ao original a todo instante, só quando houver a precisão de rever ou reconstruir conceitos.

 Faz com que o aluno ganhe tempo.

4.2 Estrutura mínima sugerida para um fichamento Cabeçalho;

Referência;

Corpo ou texto da ficha.

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4.3 Tipos de fichas

De acordo com Andrade (2006) as fichas podem se classificar em: - Fichas de indicação bibliográfica;

- Fichas de transcrições (citação); - Fichas de apreciação (crítica): - Fichas de resumos;

- Fichas de ideias sugeridas pelas leituras; - Fichas de esquemas.

4.3.1 Fichas de indicação bibliográfica

Referem-se aos elementos contidos na bibliografia como indicações bibliográficas: autor; título; edição; local de publicação; editor e data de publicação. Servem bastante para organizar a bibliografia de um trabalho. As fichas bibliográficas são as que registram as informações bibliográficas completas, as anotações sobre tópicos da obra, as palavras chave, e a temática do texto.

O primeiro passo de uma pesquisa bibliográfica é fazer um levantamento bibliográfico nas bibliotecas que se tem acesso, montando para isso seu próprio banco de dados bibliográfico. O uso do arquivo eletrônico (Word, Excel, etc.) facilita a catalogação destes dados, oferecendo assim maior rapidez na localização e transcrição dos dados.

Modelo de ficha bibliográfica:

4.3.2 Fichas de transcrições (citação)

É o tipo de fichamento que vai ser composto por citações do próprio autor da obra lida. É a transcrição literal do texto: após leitura sistemática da obra, o estudante/pesquisador sublinha frases, parágrafos, partes que expressam a ideia principal do autor. Partes estas que podem ser transcritas no trabalho de pesquisa (artigo, monografia, ensaio...). Deve-se ter o cuidado de abrir e encerrar a citação com aspas, e indicar a página da qual se fez a transcrição. Quando se fizer supressão de alguma parte

Reservado para o caso de as fichas serem várias. Use letras maiúsculas Refere-se ao plano de ideias (esquema, projeto) do texto que o autor vai escrever. Cabeçalho Referência bibliográfica Texto Local onde se encontra a obra Indicação da letra – Referência alfabética Nome do autor. Nome da obra. Edição. Local da publicação, editora, ano.

Anotações sobre tópicos da obra; palavras-chave; temática do texto.

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da obra, deve se indicar tal supressão com reticências entre colchetes [...]. Quando a citação passar de uma página para outra, deve-se conter o número das duas páginas (Exemplo: p. 325-326).

Modelo de ficha de citação direta:

Modelo de ficha de citação com supressão:

4.3.3 Fichas de apreciação (crítica)

Nestas fichas devem ser anotadas as críticas, comentários e opiniões sobre o que se leu. É neste tipo de ficha que o estudante/pesquisador vai além de descrever o conteúdo da obra lida, ele interpreta, incluindo uma crítica pessoal às ideias expressas pelo autor da obra.

O fichamento crítico é a base, juntamente com o de resumo, para a construção de resenhas. Lakatos e Marconi (2003) afirmam que o fichamento crítico pode apresentar um comentário sobre a forma pela qual o autor desenvolve seu trabalho, no que se refere aos aspectos metodológicos.

(13)

Características do fichamento crítico:

 É uma análise crítica do conteúdo, tomando como referencial a própria obra;

 É uma interpretação de um texto obscuro para torná-lo mais claro;

 É a comparação da obra com outros trabalhos sobre o mesmo tema;

 É a explicitação da importância da obra para o estudo em pauta;

 É a elaboração pessoal sobre a leitura, e deve conter: comentários (parecer e crítica); ideação (novas perspectivas).

4.3.4 Fichas de resumos

É a apresentação sintética, clara e precisa do pensamento do autor; a apresentação das ideias principais, das teses defendidas. Não é uma cópia dos tópicos, nem a exposição abreviada das ideias do autor, bem como também não é a transcrição. Os resumos transcritos nas fichas podem ser descritivos ou informativos, dependendo da sua finalidade.

É uma ficha não muito longa, mas traz todos os elementos necessários para a compreensão do texto. O autor da ficha vai por a sua compreensão do texto, usando seu próprio estilo. Não se afastando jamais das teses originais. Não cabem neste fichamento comentários ou julgamentos pessoais a respeito do que está sendo resumido.

Modelo de fichamento de resumo ou conteúdo:

4.3.5 Fichas de ideias sugeridas pelas leituras

Muitas vezes, enquanto é feito o levantamento bibliográfico, surgem ideias para a realização de trabalhos ou para complementar um tipo de raciocínio ou de exemplificação no trabalho que se realiza.

4.3.6 Fichas de esquemas

Podem se referir a resumos de capítulos, obras ou a planos de trabalhos.

5 RESUMO

Resumo, Recensão, Resenha, Abstract e Sinopse são exposições breves das ideias principais de um texto, mas apresentam diferenças de acordo com Martins; Zilberknop (2002):

 resumo é, em geral, seletivo, objetivo e destituído de comentário/crítica;

 a recensão e a resenha envolvem, respectivamente, menor ou maior juízo crítico;

 o abstract é o resumo redigido em língua estrangeira (inglês) e aparece em trabalhos científicos como monografias de pós-graduação, dissertações de mestrado, teses de

Sugere-se: informações sobre o texto (parte). Nome do autor. Nome da obra. Edição. Local da publicação, editora, ano.

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doutorado e artigos científicos;

 sinopse é a condensação bem concisa, na qual aparecem o tema da obra e suas partes principais, redigida pelo próprio autor do texto ou por seus editores.

Resumo é a apresentação breve e concisa das ideias mais importantes de um texto, cuja característica principal é a fidelidade a estas ideias, fornecendo uma visão rápida e clara do conteúdo e das conclusões do trabalho. Em sua estrutura, é sequencial e lógico com introdução, desenvolvimento e conclusão. Deve ser composto de uma sequência de frases concisas, afirmativas, se atentando para que o mesmo não se torne uma enumeração de tópicos. Há resumos com introdução, desenvolvimento e conclusão num só parágrafo.

Na redação do resumo deve-se dar preferência ao uso da terceira pessoa do singular e do verbo na voz ativa (MARTINS; ZILBERKNOP, 2002).

5.1 Tipos de resumo

O resumo pode ser informativo, indicativo ou crítico.

a) resumo informativo

Informa suficientemente o leitor para que ele possa ter uma ideia geral sobre o texto, expondo finalidades, metodologias, resultados e conclusões, podendo, por essa síntese, dispensar a consulta ao original. Esse tipo de resumo é o indicado para artigos científicos e artigos acadêmicos.

b) resumo indicativo

Indica somente os pontos principais do texto, sem apresentar dados qualitativos, quantitativos ou outros. De modo geral, esse tipo de resumo não dispensa a consulta ao texto original.

c) resumo crítico

Possui finalidade interpretativa. Nele aparecem comentários, juízos de valor do resumidor, sendo também chamado de resenha crítica ou recensão, conforme o maior ou menor grau de juízo crítico.

Quanto a sua extensão os resumos devem ter:

a) de 150 a 500 palavras os de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios técnico-científicos;

b) de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos; c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves.

d) Os resumos críticos, por suas características especiais, não estão sujeitos a limite de palavras.

5.2 Regras para resumo

a) ler o texto por completo para que tenha a compreensão do que ele trata;

b) fazer releitura do texto sempre que necessário, observando a conexão das palavras e parágrafos;

c) segmentar o texto em unidades de sentido sublinhando as ideias primárias, identificando as secundárias;

d) condensar a ideia central de cada segmento com palavras abstratas mais genéricas excluindo exemplos e explicações;

(15)

Exemplo de resumo informativo e de resumo indicativo de um mesmo texto: Resumo informativo:

Muitas mulheres param de fumar durante a gestação, mas a maioria volta ao tabagismo pouco tempo após o parto. O objetivo da pesquisa relatada neste artigo é testar um programa para a prevenção da recidiva do tabagismo no período pós-parto comparando-se os índices de abstinência contínua do fumo, os cigarros fumados por dia e a autoconfiança no abandono do fumo nos grupos em tratamento e de controle. Os métodos envolveram um ensaio clínico aleatório, realizado inicialmente no hospital, na época do nascimento, em que as enfermeiras proporcionaram sessões de aconselhamento face a face, seguidas por aconselhamento por telefone. A população alvo incluía as mulheres que interromperam o fumo durante a gestação e deram à luz em um de cinco hospitais. As 254 mulheres participantes foram entrevistadas seis meses depois do parto e investigadas bioquimicamente para a determinação do estado de tabagismo. Os resultados indicaram que o índice de abstinência contínua do fumo foi de 38% no grupo de tratamento e 27% no grupo de controle [...]. Mais participantes do grupo de controle (48%) do que do grupo de tratamento (34%) declararam fumar diariamente [...]. A autoconfiança no abandono do tabagismo não variou significativamente entre os grupos. As conclusões são de que as intervenções para o abandono do tabagismo concentradas no período pré-natal não resultaram em abstinência a longo prazo e que elas podem ser fortalecidas se forem estendidas no período pós-parto.

JOHNSON et al. apud CHEMIN, 2015, p. 22.

Resumo indicativo:

Há mulheres que param de fumar durante a gestação, mas retomam o hábito depois do parto. A pesquisa testou programa para a prevenção do fumo nesse período, por meio de ensaio clínico aleatório, realizado com grupos de tratamento e de controle. Um programa de intervenções para o abandono do tabagismo no período pré e pós-parto é fundamental para aumentar a abstinência a longo prazo.

CHEMIN, 2015, p. 23.

Exemplo de resumo informativo de artigo acadêmico:

AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO POR HIDROCARBONETOS POLICÍCLICOS AROMÁTICOS NAS ETAPAS DE FABRICAÇÃO DA CERVEJA

Resumo: Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) são compostos presentes na natureza como contaminantes de solos, ar,

água e alimentos, que apresentam atividade mutagênica e carcinogênica. A contaminação por HPAs em alimentos deve-se a processos como secagem, torrefação e defumação. Assim, o objetivo deste trabalho é determinar a presença de HPAs em diferentes etapas do processo de fabricação de

cerveja. Foram elaborados três lotes de cerveja no estilo Rauchbier e em diversas etapas foram coletadas amostras para extração e determinação do teor de HPAs. Somente o malte defumado apresentou contaminação por HPAs totalizando 1,19 mg.kg-1, sendo identificados o benzo[a]pireno e o fluoreno. Os resultados obtidos demonstram a necessidade de um maior controle no processo de elaboração de cerveja em relação à presença de HPAs na matéria-prima malte.

Palavras-chave: Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Cerveja. Malte. Torrefação. Defumação.

DRESCH, Michael R.; OLIVEIRA, Eniz C.; SOUZA, Claucia F. Volken de., 2011 apud CHEMIN, 2015, p. 23.

Exemplo de resumo informativo e palavras chave em língua vernácula de artigo didático-acadêmico elaborado a partir de uma monografia de conclusão de curso de graduação.

A RELAÇÃO ENTRE SAÚDE-LAZER E QUALIDADE DE VIDA

Resumo: Os direitos à saúde e ao lazer, destacados na Constituição Federal de 1988 (CF/1988), estão em evidência nos últimos

tempos, tendo em vista as pessoas desejarem ter uma vida boa no meio dos problemas desta época. Assim, este artigo, baseando-se em pesquisa quali-quantitativa, tem como objetivo analisar a relação entre saúde e lazer e qualidade de vida do corpo docente do Curso de Direito do Centro Universitário UNIVATES/RS, tomando como referência o levantamento de dados feito por meio de questionário sobre suas atividades pessoais, profissionais e sociais desenvolvidas no semestre A/2007. Utiliza técnica bibliográfica e documental e método dedutivo, em que considerações de doutrinadores e de legislação a respeito da evolução e conceitos dos direitos sociais elencados na CF/1988, especialmente envolvendo a saúde e o lazer, auxiliam na compreensão do levantamento enfocado, cujo resultado revelou que as atividades relacionadas à qualidade de vida dos professores estão mais próximas do lazer do que da saúde.

Palavras-chave: Direitos sociais. Saúde. Lazer. Qualidade de vida.

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6 RESENHA

A resenha é uma espécie de resumo, de síntese de um objeto, o qual pode ser um acontecimento qualquer da realidade (jogo de futebol ou outro esporte, exposição de arte, peça de teatro, uma feira de produtos, uma comemoração solene etc.) ou textos e obras culturais (filme, livro, capítulo de livro, peça de teatro etc.), com o objetivo de passar informações ao leitor/ouvinte/assistente. É, portanto, um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.

Resenhar significa destacar as propriedades de um objeto, mencionar seus aspectos mais importantes, descrever as circunstâncias que o envolvem, sempre de acordo com uma intenção/finalidade previamente definida pelo resenhador (FIORIN; SAVIOLI, 1990). Em geral, a resenha é veiculada por jornais e revistas recebendo o nome de „crítica‟, ou simplesmente não recebendo nome algum; na universidade é denominada „resenha‟ mesmo (MACHADO, 2007).

Por suas características especiais a resenha, não está sujeita a limite de palavras: deve ser verificada a finalidade do trabalho e o espaço em que ela será utilizada, pois se for, por exemplo, publicada em jornais/revistas, o periódico orienta sobre o número máximo de linhas. Observa-se, em geral, não se tratar de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores.

A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista tenha conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.

6.1 Como se inicia uma resenha

Há, evidentemente, numerosas maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leve o leitor a interessar-se pela leitura. a- Pode-se começar citando imediatamente a obra a ser resenhada.

Exemplos:

"Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso

Pedro Luft, traz um conjunto de ideias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.

"Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às

livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995).

b- pode-se escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra. Exemplos:

O que é ser jovem

Hilário Franco Júnior Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos".

Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico-culturais.

Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt, da Écoledes Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes.

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Receitas para manter o coração em forma

Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van DenBergh Alimentos.

Resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996). O texto-resenha, como todo texto, tem título e pode ter subtítulo conforme os exemplos a seguir:

Título da resenha: Astro e vilão

Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson

Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995 Título da resenha: Com os olhos abertos

Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995 Título da resenha: Estadista de mitra

Livro: João Paulo II - Bibliografia (TadSzulc) - Veja, 13 de março, 1996

Exemplos de resenhas

Exemplo 1:

Atwood se perde em panfleto feminista

Marilene Felinto Da Equipe de Articulistas

Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance.

O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, LenoreAtwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral".

Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante.

É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femmefatale" que vive roubando os homens das outras.

Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito.

Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz".

Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "HerstoryNotHistory", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela).

As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.

Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado.

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Exemplo 2:

Estadista de mitra

Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista TadSzulc dá ênfase à atuação política do papa Ivan Ângelo Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?

O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo.

Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".

Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU.

Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses.

Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa". Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese.

O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.

Disponível em: <http://pucrs.br/gpt/resenha.php>. Acesso em 10 de mai de 2017. Exemplo 3:

Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

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de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.

Disponível em: <http://pucrs.br/gpt/resenha.php>. Acesso em 10 de mai de 2017.

6.2 Tipos de resenha 6.2.1 Resenha-resumo

É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de

valor. Trata-se de um texto informativo, descritivo, que apenas resume as informações

básicas, pois o objetivo principal é informar o leitor/ ouvinte.

6.2.1.1 Estrutura da resenha-resumo

a) folha de rosto, para a identificação do estudante resenhador e dados gerais do trabalho b) em outra página, a resenha em si, composta das seguintes partes (sem mudar de página a cada uma delas):

- título (diferente do título da obra resenhada);

- referência bibliográfica do objeto resenhado: autor, título, editora, data da publicação,

local da publicação, número de páginas, preço do exemplar (às vezes não consta o lugar da publicação, o número de página e/ou o preço). Esses dados podem constar destacados do texto (num “box” ou caixa) ou dentro de um parágrafo do texto;

- alguns dados biobibliográficos do autor do livro resenhado: dizer algo sobre quem é o

autor, o que ele já publicou etc.;

- resumo do conteúdo da obra: indicação breve do assunto tratado e do ponto de vista

adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom etc.) e resumo dos pontos essenciais do texto e seu desenvolvimento geral.

O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral. Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou ideias do objeto resenhado.

Exemplo:

"Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante".

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Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos. Exemplo:

Exemplo de resenha-resumo de um livro:

O DIREITO COMO TEORIA SEPARADA DE OUTRAS CIÊNCIAS SOCIAIS

KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

A obra – Esta obra, tradução de João Baptista Machado, é o resultado da segunda edição alemã (a primeira é de 1934), publicada em Viena

em 1960, composta de oito capítulos: direito e natureza; direito e moral; direito e ciência; estática jurídica; dinâmica jurídica; direito e estado; o estado e o direito internacional; a interpretação, todos com subdivisões, num total de 378 páginas.

O autor – Hans Kelsen nasceu em Praga, cidade pertencente ao então Império Áustro-húngaro, cuja capital era Viena, em 11 de outubro de

1881, e faleceu em Berkeley, EUA, em 19 de abril de 1973. Em 1911 publicou sua primeira tese. Foi professor de Filosofia do Direito e Direito Público na Universidade de Viena, tendo fundado o grupo de estudos “A Escola de Viena” - uma doutrina pura do direito. Ensinou em diversas outras universidades, na Alemanha, Suíça, Estados Unidos. Além disso, foi constitucionalista e atuou como juiz e relator permanente do Tribunal Constitucional da Áustria. Possui obras traduzidas em vários idiomas, sendo as principais “Teoria Pura do Direito” e “Teoria Geral das Normas”.

Resumo – A obra trata da descrição de uma teoria jurídica pura, utilizando-se de uma pureza metodológica capaz de isolar o estudo do

direito do estudo das outras ciências sociais (história, economia, psicologia etc.), descrição essa isenta de ideologias políticas e de elementos de ciência natural: “Isso quer dizer que ela [teoria pura do Direito] pretende libertar a ciência jurídica de todos os elementos que lhe são estranhos. Esse é o seu princípio metodológico fundamental” (p.1). Sua concepção lógico-normativista rejeita o direito natural, os juízos de valor, os critérios de justiça, as considerações de ordem axiológica, pretendendo determinar o direito que é, e não o que deveria ser.

Analisa o objeto do Direito como (a) ordens de conduta humana, sendo „ordem‟ tida como um sistema de normas cuja unidade é constituída pelo fato de todas elas terem o mesmo fundamento de validade, ou seja, a norma fundamental, e como (b) ordem coativa, no sentido de que ela reage contra as situações consideradas indesejáveis, por serem socialmente perniciosas.

[...]

O mestre austríaco constrói o sistema jurídico alicerçado no critério de validade das normas jurídicas. Ao indagar sobre o fundamento de validez de uma norma, responde que deve ser dada como resposta outra norma, formando-se, assim, uma hierarquia, uma estrutura escalonada de normas, em cujo ápice estaria a norma fundamental, a qual não pertence ao direito positivo. No topo desta hierarquia de normas, dando validade a todo o sistema jurídico, está uma norma fictícia, um produto do pensamento:

[...] o fundamento de validade de uma outra norma é, em face desta, uma norma superior. Mas a indagação do fundamento de validade de uma norma não pode, tal como a investigação da causa de um determinado efeito, perder-se no interminável. Tem de terminar numa norma que se pressupõe como a última e a mais elevada. Como norma mais elevada, ela tem de ser pressuposta, visto que não pode ser posta por uma autoridade, cuja competência teria de se fundar numa norma ainda mais elevada. [...] Uma tal norma, pressuposta como a mais elevada, será aqui designada como norma fundamental (GRUNDNORM, p. 206-207).

[...]

Para finalizar sua obra, Kelsen trabalha a questão da interpretação, dizendo que “a interpretação científica é pura determinação cognoscitiva do sentido das normas jurídicas” (p. 370), que estabelece as possíveis significações de uma norma jurídica, repudiando a jurisprudência dos conceitos e alegando ser incapaz de preencher as lacunas do Direito, já que isto é função criadora de Direito que apenas pode ser realizada por um órgão aplicador do Direito. Defende a ideia de que, tendo em vista a plurissignificação da maioria das normas jurídicas, o ideal da ficção de que uma norma jurídica apenas permite uma só interpretação, a interpretação „correta‟, somente é realizável de forma aproximativa.

(CHEMIN, 2015, p.14).

6.2.2 Resenha-crítica

É um texto que, além de resumir o objeto também o comenta, faz uma avaliação

sobre ele, uma crítica, julgamento(s) de valor, apreciação, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também

denominado de recensão crítica.

A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estar presente desde a

Receitas para manter o coração em forma

"Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável.

As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias".

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primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se

interpenetram. O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.

Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé".

A estrutura da resenha crítica é composta por:

a) folha de rosto, para a identificação do estudante resenhador e dados gerais do trabalho (se este for entregue ao professor).

b) em outra página, a resenha em si, composta das seguintes partes (sem mudar de página a cada uma delas):

- título (diferente do título da obra resenhada) e pode ter subtítulo.

- referência bibliográfica do objeto resenhado: autor, título, editora, data da publicação,

local da publicação, número de páginas, preço do exemplar (às vezes não consta o lugar da publicação, o número de página e/ou o preço).

- alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada: dizer algo sobre quem é o

autor, o que ele já publicou etc.;

- resumo do conteúdo da obra: indicação breve do assunto tratado e do ponto de vista

adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom etc.) e resumo dos pontos essenciais do texto e seu desenvolvimento geral.

- avaliação crítica: comentários, julgamentos, juízos de valor do resenhador sobre as ideias

do autor, o valor da obra etc.;

- referências (só se for um trabalho de maior extensão, em que houver a utilização de

outras obras para complementar o estudo crítico).

Exemplo de resenha crítica curta referente a um filme:

UM ELEFANTE QUE INCOMODA MUITA GENTE

Horton e o Mundo dos Quem (HortonHears a Who!, Estados Unidos, 2008. Estréia nesta sexta-feira) – Juntar novamente Jim Carrey e a obra do autor infantil Dr. Seuss (1904-1991) parece, à primeira vista, uma temeridade – como quem viu o insuportável O

Grinch não consegue esquecer. Mas, graças à criatividade do ateliê Blue Sky, de Robôs, e da série A Era do Gelo, o saldo aqui é

encantador. Carrey empresta sua voz ao expansivo elefante Horton, que incomoda muita gente quando cisma que, num pequeno grão de pólen que passou voando perto dele, existe todo um mundo habitado por pessoas minúsculas. Perseguido por uma canguru reacionária e pela massa que ela manobra, Horton ainda assim insiste na sua teoria. Não só prova que ela é verdadeira, como, com a ajuda do prefeito do pequeno mundo dos Quem (com a voz excelente de Steve Carell), enfrenta perigos terríveis para conduzir o grãozinho até um lugar seguro. O enredo é perfeito para o time da Blue Sky, cujos maiores atributos são o humor com um quê de absurdo (o traço marcante das rimas de Dr. Seuss, preservadas na narração) e o talento para sequências de ação que são verdadeiros delírios da causa e efeito.

(CHEMIN, 2015, p.14). Exemplo de resenha crítica curta referente a um artigo de opinião:

O CONTADOR E SUAS RESPONSABILIDADES

O contador tem grande responsabilidade de preparar as informações contábeis, cuja qualidade está diretamente ligada à ética profissional, mostrando, dessa forma, suas habilidades e técnicas profissionais cada vez mais atendendo às necessidades do contexto socioeconômico da atualidade.

Nesse sentido, o texto “A responsabilidade social e civil do contabilista”, de Reinaldo Luiz Lunelli, publicado em 2007 no site “Portal de Contabilidade” (www.portaldecontabilidade.com.br), descreve os efeitos nos usuários externos da utilização da contabilidade criativa em toda sua área de atuação. Além disso, ele explica a participação do contador nessas situações e a sua conduta ética, referindo sua responsabilidade profissional que deve acompanhar o crescimento das relações sociais, uma vez que tem uma visão mais ampla de todos os acontecimentos das organizações e entidades em geral.

O autor, que é contabilista, autor de livros e consultor de empresas, salienta vários aspectos em que os profissionais de contabilidade estão deixando a desejar, tendo, assim, consequências significativas com o envolvimento em crimes tributários e lesões patrimoniais provocadas por erros nos documentos contábeis. Destaca que os princípios éticos aplicáveis à profissão de contador mostram [...]. Alerta que uma das condições mais necessárias para o sucesso profissional do contador é sua capacidade em torno de um conjunto de princípios éticos que sirvam de premissas a suas ações [...].

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Já em relação ao aspecto [...], concorda-se com o autor do texto quando refere que [...], uma vez que [...] na preocupação em formar contadores mais capazes, para suprir as necessidades dos clientes, se atualizando com as novas realidades, sendo valorizado em sua profissão e principalmente mantendo a ética profissional. Desse modo, será possível ver as conquistas da inteligência humana ligadas às necessidades das pessoas e organizações.

Portanto, acredita-se que a contabilidade como uma ciência social deve preocupar-se com [...]. Desse modo, o contador deve ter a consciência de seu papel imprescindível na sociedade, o qual não se restringe exclusivamente ao registro de fatos contábeis e documentos que atendam a exigências fiscais e legais. Para que isso continue acontecendo, é necessário que o contador [...], porque assim todas as pessoas e organizações envolvidas estarão sendo privilegiadas por essas ações.

O artigo de Lunelli vale a pena ser lido, não só como reflexão, mas também como um exemplo a ser levado a sério pelos operadores da contabilidade em geral, já que [...].

A resenha foi feita com base nesta fonte: LUNELLI, Reinaldo L. A responsabilidade social e civil do contabilista. Portal de Contabilidade, Curitiba, 2007. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/noticias/reponsabilidadecontabilista>. Acesso em: 15 maio 2011.

(CHEMIN, 2015, p.18).

6.2.2.1 Outra forma de estrutura da resenha crítica

A resenha poderá conter introdução, desenvolvimento e conclusão - mas esses títulos não aparecerão no trabalho, a sequência do texto é que vai revelar essas partes. A introdução é breve. Nela se procura identificar o objeto que está sendo resenhado e contextualizar o assunto de que ele trata. Por exemplo, se for resenha de um livro, na introdução mencionar seus dados básicos: autor, título, editora, local de publicação, número de páginas, preço do exemplar etc., discutindo-se a importância do assunto, a fim de o leitor, a quem será entregue o trabalho, ficar localizado no tempo e no espaço.

O desenvolvimento consiste em um resumo com crítica aberta, em que se apresentam as ideias principais do autor, concatenando-as e ordenando-as. Sempre um parágrafo, ou uma frase, deve ser relacionado com o que vem antes e depois. Como é um resumo com crítica, ao mesmo tempo em que se resume a obra, já vai expondo sua opinião, já vai emitindo seu julgamento, mostrando os pontos falhos, destacando os pontos válidos, confirmando com exemplos de outros autores os argumentos apresentados, apontando causas e efeitos concordantes e/ou discordantes, comparando o livro em análise com outras obras lidas, com outros autores etc. O resenhador usa principalmente adjetivos, substantivos e advérbios para expressar sua opinião. Verbos que expressam o ato de falar, em suas várias nuances, podem ser utilizados: afirmar, alertar, anunciar, apontar, citar, concordar, considerar, declarar, destacar, dizer, esclarecer, explicar, expor, lembrar, mencionar, propor, ressaltar, salientar. Deve-se dar preferência para o verbo no presente do indicativo.

Na conclusão, a qual, em alguns casos, já se vai misturando com os parágrafos do desenvolvimento, o resenhador dá sua opinião pessoal para fazer o fechamento da crítica, ou seja, ao ler e analisar o livro, ele dispõe de um bom material, seleciona-se esse material para apresentá-lo na conclusão. O livro tem alguma validade para quem lê-lo? Que tipo de validade? O que falta/sobra no livro? Há originalidade? A leitura é agradável? O texto está bem escrito? A linguagem utilizada é acessível? Qual a mensagem deixada pelo autor, ou o que fica com a leitura? Há vários aspectos, além dos citados, que podem ser considerados na conclusão, devendo todos eles estar inter-relacionados.

Exemplo:

A TECNOLOGIA SERÁ INVISÍVEL

Um dos fenômenos que marcaram os últimos anos do século 20 foi a democratização da tecnologia. Durante décadas, apenas as grandes corporações podiam manter uma estrutura própria de equipamentos caros e poderosos. A miniaturização e o barateamento de componentes permitiram mais tarde que os computadores passassem a fazer parte da vida cotidiana no trabalho e nas casas. O mundo da tecnologia, porém, está às vésperas de uma nova e profunda transformação. Em um futuro próximo, tudo o que acontece dentro do computador – desde o processamento até o armazenamento de informações – deve migrar para a internet. [...] Os contornos dessa transformação – mais profunda do que parece à primeira vista – são delineados na obra The Big Switch: Rewiring the World, from Edison to Google (“A grande virada: reconectando o mundo, de Edison ao Google”, em tradução livre e ainda sem previsão de lançamento no Brasil), escrita pelo especialista em tecnologia e ex-editor da revista Harvard Business Review Nicholas Carr. Recém-lançado nos Estados Unidos, o livro é uma visão do novo mundo da tecnologia.

Referências

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