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Diretrizes produtivas da comunidade quilombola de Rio dos Macacos

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Academic year: 2022

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FACULDADE DE ARQUITETURA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

ESPECIALIZAÇÃO EM ASSISTÊNCIA TÉCNICA PARA HABITAÇÃO E DIREITO À CIDADE RESIDÊNCIA PROFISSIONAL EM ARQUITETURA, URBANISMO E ENGENHARIA

Trabalho de Conclusão

Diretrizes produtivas da comunidade quilombola de Rio dos Macacos

Paula Regina de Oliveira Cordeiro, Geógrafa Maria Teresa do Espirito Santo – Arquiteta e Urbanista

Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Assistência Técnica. Habitação e Direito à Cidade, como requisito de conclusão do curso, para obtenção do título de especialista e implantação do projeto experimental de Residência Profissional em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia da Universidade Federal da Bahia, integrado ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, da Faculdade de Arquitetura, com apoio da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia.

SALVADOR/BA Janeiro de 2015

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CRÉDITOS DA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA

Autoria:

Paula Regina de Oliveira Cordeiro, Geógrafa/UFBA Maria Teresa do Espirito Santo, Arquiteta e Urbanista

Colaboração:

Luana Figueirêdo, Arquiteta e Urbanista/UFBA Leonardo Polli, Urbanista/UNEB

Consultoria:

Any Ivo, Arquiteta e Urbanista Catherine Prost, Geógrafa Edite Luz, Geógrafa

Fábio Velme, Arquiteto e Urbanista Guiomar Germani, Geógrafa

João Maurício, Arquiteto e Urbanista Paula Adelaide, Arquiteta e Urbanista

Apoio:

Organizações comunitárias:

Quilombo Rio dos Macacos

Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)

Assessorias:

Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais (AATR) Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP)

Universidade:

Grupo de Pesquisa GeografAR-UFBA Grupo de Pesquisa Costeiros-UFBA

Orgãos:

Secretaria da Promoção da Igualdade Racial – SEPROMI, na figura de Maria Teresa do Espirito Santo Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra – CDCN/SEPROMI, na figura de Vilma Reis

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BANCA DE AVALIAÇÂO DA SESSÃO DE APRESENTAÇÃO ORAL:

Any Ivo, Arquiteta e Urbanista – UFBA Paula Adelaide, Arquiteta e Urbanista – UFBA Olinda

Nadinho Willian Zezinho

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APRESENTAÇÃO E AGRADECIMENTOS

Em certo momento Audre Lorde disse que “Fomos socializadas para respeitar mais ao medo que às nossas próprias necessidades de linguagem e definição, e enquanto a gente espera em silêncio por aquele luxo final do destemor, o peso do silêncio vai terminar nos engasgando”. Essa frase me inspira a romper o medo e o silêncio colocado às populações afrodescendentes em um país onde a democracia racial nunca passou à realidade e os altos índices de assassinato dos jovens negros confirmam o nosso constante genocídio.

Esses elementos se confundem a todo momento com a minha caminhada de forma que a escolha da área trabalhada por nós e a opção pela (re)organização produtiva tiveram um cunho essencialmente político e pessoal. É esse trabalho que sintetizo nas páginas que virão. Esse trabalho não seria possível se a comunidade quilombola de Rio dos Macacos não tivesse aberto as portas e confiado no nosso trabalho para eles o meu muito obrigada.

Agradeço a minha mãe, Ednice e meu pai, Josué por sempre me apoiarem e me incentivarem na arte do estudo. A meu irmão, Victor, pelo companheirismo de todos os dias. A minha vó, dona Helena, que me ensinou o quanto é importante o sorriso e a sinceridade.

Agradeço aos companheiros de graduação em Geografia e aos colegas da pós-graduação, em especial a Luana Figueirêdo por quem tenho muito apreço e com quem dividi boa parte das minhas angústias dos últimos tempos.

Agradeço a Angela Godilho pela disciplina, iniciativa e disposição revolucionária. Agradeço a Maria Teresa do Espirito Santo pela orientação, conversa e por ser uma parceira em todos as fases desse trabalho. À Paula Adelaide pela ajuda técnica e militante constante. À Fábio Velame, João Maurício e Any Ivo por fornecer metodologias para o desenvolvimento desse trabalho.

Agradeço a Guiomar Germani e Edite Luz do GeografAR que sempre esteve presente na luta do Quilombo Rio dos Macacos. Pela paciência e sabedoria, obrigada. A Catherine Prost, minha orientadora na Graduação, que sempre está ao lado da luta das populações costeiras.

Agradeço a Vilma Reis por ter me apresentado uma nova forma de militância, pelas informações várias e pela formação política do cotidiano.

Agradeço a Maurício, Duda, Joice, Bianca e Carol da Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais pela parceria nesses últimos meses.

Agradeço a Marcos, Gilmar, William, Maria José do Conselho Pastoral dos Pescadores pela parceria nesses últimos meses.

Agradeço a Marizélia, Eliete e Elionice do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais pela parceria nesses últimos meses.

Por fim agradeço a Juliana, Hugo, Deise e Victor por terem vivido cada etapa desse trabalho.

Vocês conheceram o Quilombo Rio dos Macacos por fotos, depoimentos e, presencialmente.

Obrigada.

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RESUMO

O quilombo Rio dos Macacos é uma comunidade negra e de hábitos rurais, que há mais de um século, ocupam um território integrado atualmente ao município de Simões de Filho, na Região Metropolitana de Salvador e agrupa em seus 301 ha cerca de 70 famílias descendentes de quilombolas. A comunidade quilombola faz fronteira ao norte com 150 famílias assentadas; ao sul com a BA-328 e a leste com a Via Periférica. Desde 2009, a comunidade vive ameaçada por um conflito judicial que tem como pano de fundo a disputa territorial entre os quilombolas, que necessitam do território para a reprodução da vida, e a Marinha Mercante do Brasil que necessita deste enquanto recurso e reserva de valor. Apesar de ter cumprido os procedimentos para a regularização fundiária, até hoje os quilombolas enfrentam tentativas de fragmentação do território, privação das áreas produtivas tradicionais (pesca, roça e extrativismo), bem como a negação de direitos humanos fundamentais. Nesse sentido, após o diagnóstico – que contou com um mapeamento dos 301 ha e da confecção de cartografias e de relatório síntese – realizado da comunidade em questão e a melhor compreensão das dinâmicas espaciais, a necessidade de desenvolvimento produtivo desta comunidade foi exaltado pelas lideranças e pela base social quilombola, já que esta comunidade possui como centro da sua economia produtiva atividades vinculadas ao setor primário, com foco na agricultura, na pesca e no extrativismo de subsistência.

Mesmo após a chegada da Marinha do Brasil (1950) e a proibição de exercer atividades rurais estas ainda se encontram presentes no território quilombola. A organização da produção quilombola tem como objetivo principal a superação da vulnerabilidade socioeconômica através do desenvolvimento sustentável, da inclusão produtiva e da valorização das práticas tradicionais de alimentação e saúde. Esse projeto é ainda guiado por diretrizes e princípios, são eles: o fortalecimento da identidade quilombola e da organização produtiva quilombola, garantindo estimulo financeiro aos produtores, através do acesso de políticas públicas e outras formas de financiamento, incluindo o autofinanciamento; a Inclusão produtiva com fechamento da cadeia produtiva(produção, beneficiamento e comercialização); promoção da agricultura familiar, em bases agroecológicas, como modelo alternativo de desenvolvimento rural; a utilização compartilhada dos Recursos Hídricos; o desenvolvimento das potencialidades ambientais do território e das potencialidades humanas. Todo o trabalho teve como metodologia de aproximação e definição do projeto técnico a educação popular de Paulo Freire.

Palavras-chave: Quilombo; Rio dos Macacos; produção.

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RESUMO

El quilombo Río de los Monos es una comunidad negra y de hábitos rurales, que hay más de un siglo, ocupan un territorio integrado actualmente al municipio de Simões de Hijo, en la Región Metropolitana de Salvador y agrupa en suyos 301 hectáreas cerca de 70 familias descendientes de quilombolas. La comunidad quilombola hace frontera al norte con 150 familias asentadas; al sur con la BA-328 y a leíste con la Vía Periférica. Desde 2009, la comunidad vive amenazada por un conflicto judicial que tiene como pano de fondo la disputa territorial entre los quilombolas, que necesitan del territorio para la reproducción de la vida, y la Marina Mercante de Brasil que necesita de este mientras recurso y reserva de valor. A pesar de haber cumplido los procedimientos para la regularização fundiária, hasta hoy los quilombolas enfrentan tentativas de fragmentación del territorio, privación de las áreas productivas tradicionales (pesca, roça y extrativismo), así como la negação de derechos humanos fundamentales. En ese sentido, después del diagnóstico – que contó con un mapeamento de los 301 ha y de la confecção de cartografías y de informe síntesis – realizado de la comunidad en cuestión y la mejor comprensión de las dinámicas espaciales, la necesidad de desarrollo productivo de esta comunidad fue exaltado por los liderazgos y por la base social quilombola, ya que esta comunidad posee como centro de su economía productiva actividades vinculadas al sector primario, con foco en la agricultura, en la pesca y en el extrativismo de subsistencia. Aún después de la llegada de la Marina de Brasil (1950) y la prohibición de ejercer actividades rurales estas aún se encuentran presentes en el territorio quilombola. La organización de la producción quilombola ha como objetivo principal la superación de la vulnerabilidad socioeconómica a través del desarrollo sostenible, de la inclusión productiva y de la valorización de las prácticas tradicionales de alimentación y salud. Ese proyecto es aún guiado por directrices y principios, son ellos: el fortalecimiento de la identidad quilombola y de la organización productiva quilombola, garantizando estimulo financiero a los productores, a través del acceso de políticas públicas y otras formas de financiación, incluyendo el autofinanciamento; la Inclusión productiva con cierre de la cadena productiva(producción, beneficiamento y comercialización); promoción de la agricultura familiar, en bases agroecológicas, como plantilla alternativa de desarrollo rural; la utilización compartida de los Recursos Hídricos; el desarrollo de las potencialidades ambientales del territorio y de las potencialidades humanas. Todo el trabajo tuvo como metodología de aproximación y definición del proyecto técnico la educación popular de Paulo Freire.

Palabras clave: Quilombo; Río de los Monos; producción.

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LISTA DE SIGLAS

AATR – Associação dos Advogados trabalhadores Rurais CPP – Conselho Pastoral dos Pescadores

INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária MPP – Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil RTID – Relatório Técnico de Identificação e Delimitação

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Sumário

1. Área, comunidade e termo de cooperação 9

2. Descrição da área, problemática e justificativa para a proposta de assistência técnica 9

3. Pesquisas, oficinas e metodologias na definição da proposta de assistência técnica 22

4. Projeto proposto, abordagem conceitual e planejamento das próximas etapas previstas para desenvolvimento e implantação do projeto 29

5. Viabilidade institucional, econômica e financeira 35

6. Cronograma previsto 36

7. Equipe Técnica e Orçamento previsto 38

8. Referências 39

9. Anexos 40

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1. Área, comunidade e termo de cooperação

1.1 Nome do bairro e localidade

Quilombo Rio dos Macacos, s/n, Bairro de Aratu, Município de Simões Filho - BA.

1.2 Nome da(s) Associação(ções) Parceira(s) e Personalidade Jurídica Associação Remanescentes de Quilombo Rio dos Macacos - 15.327.859/ 0001-87

1.3 Nome e função do representante legal e principais lideranças para contato Rose Meire dos Santos Silva

2. Descrição da área, problemática e justificativa para a proposta de assistência técnica

Caracterizado como uma comunidade negra e de hábitos rurais, o Quilombo Rio dos Macacos é composto por cerca de 70 famílias descendentes de quilombolas, e que, há mais de um século, ocupam um território integrado atualmente ao município de Simões Filho (BA), município este que faz parte da Região Metropolitana de Salvador.

A localização da comunidade dos Macacos é demarcada pelos seguintes fatores:

(...) ao Norte, as 150 famílias assentadas pelo sindicato dos trabalhadores rurais de Simões Filho; ao Sul, pela BA-528; ao Leste, pela Via Periférica, que cortou parte do Território da Comunidade, onde estavam suas roças; e, ao [Noroeste], a Baía de Aratu, antigo local de pesca e caça. A comunidade é chamado Rio dos Macacos, por causa da área que havia uma população endêmica de Macacos, os quais não são mais encontrados no local.

(GEOGRAFAR, 2012, p. 01).

Segundo o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) elaborado em 2012 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a história da comunidade no território teve início com a compra do Engenho e da Usina Aratu, em 1783, pelo capitão Manoel de Oliveira Barrozo. Apesar da inexistência de documentos que comprovem a desativação da Usina Aratu, fontes orais da comunidade apontam meados de 1930 como o período de desativação desta.

Porém sem a Usina Aratu é impossível o entendimento territorial da comunidade:

A antiga Usina Aratu e as terras do seu entorno estão muito presentes nas evocações dos moradores de Rio dos Macacos. É a este lugar que eles fazem referência quando falam da origem de seus antepassados, cuja história de vida e trabalho estava vinculada às atividades de Usina. (GEOGRAFAR, 2012, p. 31).

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No RTID, produzido pelo INCRA, encontram-se diversos relatos sobre a relação ancestral dos quilombolas com a terra, entre eles o de Herotildes dos Santos, nora de Manuel Vigia:

Manuel trabalhou muitos anos aí com Manevino, dono aí dessa fazenda, aí deram aí essa terra a ele como aposentadoria. Foi grande. Ele que depois, como não teve condição de cuidar de tudo, ele foi dando um pedaço a cada pessoa e foi dando e foi dando e ao foi chegando mais gente, mas o primeiro foi ele mesmo. (GEOGRAFAR, 2012, p. 31).

A Comunidade Rio dos Macacos, com a mediação de estudo elaborado pelo INCRA, comprova seu pertencimento ancestral ao território ocupado atualmente. Porém, apesar de todos os registros orais, históricos e físicos da ocupação, a comunidade de Rio dos Macacos está em conflito aberto com a Marinha do Brasil.

O território tem grande evidência nesse conflito, já que se por um lado é considerado como estratégico para Marinha como possível fonte de abastecimento de água em guerras ou conflitos1; por outro é estratégico para a sobrevivência e reprodução da vida dos quilombolas de Rio dos Macacos. Isso acontece porque:

O território é dinâmico e complexo e há, desse modo, coexistência de territorialidades com projetos de desenvolvimento territorial, muitas vezes antagônicos e desdobrando-se em

“conflitos territoriais”. Na base desses conflitos estão disputas por elementos da natureza apropriados de diferentes formas: a água, a terra, o ar e mesmo o fogo (fonte de energia) (ANTONGIOVANNI, 2013, p. 319).

2.1 O Conflito territorial

Em meados da década de 1950 a Marinha se torna proprietária da área de concentração quilombola. O perímetro abrangido pelas terras em nome da Marinha neste local resulta da desapropriação de uma pequena porção da Fazenda Aratu, da desapropriação de partes da Fazenda Meireles e de uma doação, feita à Marinha pela Prefeitura Municipal de Salvador, da Fazenda Macacos. A partir da década de 50, a Marinha do Brasil começa a ocupar a região e inicia um processo de instalação de fixos: edificações e equipamentos inerentes ao funcionamento da atividade militar. A ocupação mais efetiva foi no ano de 1971, com o início da construção da Vila Naval da Barragem.

Obviamente, essa instalação da Marinha no território fora marcada pela imposição de novos fluxos e estranhas dinâmicas. Dentre essas, destacam-se a expulsão de moradores através do

1Tal justificativa não tem legitimidade quando consideramos a grande quantidade de barragens nas proximidades da Vila Militar da Marinha e da própria Base Naval da Marinha.

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impedimento da construção ou reformas de suas casas, a negação da manutenção das culturas de subsistência através dos roçados e do acesso à infraestrutura básica como água e energia elétrica, além do ataque direto a religiosidade quilombola, consolidado no fechamento e na destruição de terreiros de candomblé.

Com a construção da Vila da Marinha, locais de memória foram destruídos:

Ao retomar os fatos históricos, a Comunidade enfatiza a destruição dos três terreiros de santo na atual área ocupada pela Vila da Marinha, onde também estava localizada a casa grande da antiga fazenda, evidenciando a importância desse espaço, onde hoje é a Vila da Marinha, enquanto um ponto central de convivência e reprodução cultural e de vida.

(GEOGRAFAR, 2012, p. 09).

Existia na comunidade também o Samba de Roda:

O grupo de samba de roda sempre foi, nesta Comunidade, a atividade usada para alegrar as festas, as rezas, a casa de farinha e os terreiros de santo através do toque do violão, do cavaquinho, tambor, pandeiro e triângulo. E os puxadores de samba e as dançadeiras, eram um conjunto de pessoas e instrumentos que faziam animação das atividades do cotidiano.

(GEOGRAFAR, 2012, p. 09).

Existem também os mestres de capoeira, os quais são motivos de orgulho da comunidade:

O mais antigo deles era o Deraldo, depois veio o Djalma, o Zé Deodato, o Hugo e por último Renilson. São todos lembrados como bons mestres. Todos eles faziam as suas rodas e treinavam na beira da praia e no mangue de Aratu. (GEOGRAFAR, 2012, p. 05-06).

A permanência da Marinha do Brasil coibiu e proibiu as práticas culturais da Comunidade, bem como conduziu o processo de expulsão dos quilombolas da região.

Segundo o RTID, um caso específico pode servir para demonstrar esse processo. A Família Rabeca, que há cinco gerações ocupa o território, teve diversos membros expulsos, como é o caso da esposa e filhos de Lázaro que após a sua morte “permaneceram no sítio até o momento em que a casa em que viviam caiu e eles se viram obrigados a deixar o lugar, pois, segundo declaram, não receberam autorização da Marinha para construir uma nova casa”. (INCRA, 2012, p. 140).

Além da expulsão das casas, outros processos impediram o sustento dessa comunidade. A pesca e a caça foram dificultadas, não só pela Marinha, mas também após a construção da BA-528 e da Via Periférica e do assentamento de 150 famílias assentadas na área pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e indústrias instaladas em área da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (SUDIC) (Mapa 1):

Os locais mais freqüentados pelos pescadores eram: a área onde hoje é o porto de Aratú, ali se pescava de rede; na lagoa da Velha Salú, na mata de Aratú, onde era também o lugar de muita caça e pesca, na área onde hoje é a Ilha de São João dos Martins; e nos Oitis era a área onde se mariscava, e na mata dos Oitis, antes de ser a reserva, a Comunidade caçava.

(...) As outras áreas de pesca eram também, em Plataforma, no Lobato, em Mapele e no

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INEMA. Sendo que no INEMA, a Marinha os persegue, tem muitos mariscos mortos e o cheiro é muito forte, o que se torna um local inapropriado a pesca. (GEOGRAFAR, 2012, p. 06-07).

Após a chegada da Marinha a vida da comunidade foi se transformando em miséria e proibições, regadas de todos os tipos de violências, “no processo de proibições até a comida para chegar aqui dentro a gente passava em sacos pequenos, para não ser vistos” (GEOGRAFAR, 2012, p. 09).

Apesar da existência, muitas comprovadas, desses e de diversos outros conflitos que envolvem as ações, práticas e condutas de violação de direitos humanos (em matéria de segurança, moradia, trabalho etc), o conflito só atingiu um patamar jurídico em 2009, já que em outubro deste ano foi ajuizada pela Marinha do Brasil, uma ação reivindicatória requerendo a desocupação da área militar situada no entorno da Base Naval de Aratu. Foi a primeira de 4 ações ajuizadas com o mesmo objetivo. Em novembro de 2010 foi proferida a primeira decisão interlocutória determinando a desocupação do local. Entretanto, essa decisão foi suspensa posteriormente em razão das negociações em curso entre a comunidade, a Marinha do Brasil e outros órgãos dos Governos Federal e Estadual.

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Mapa 1- Mapa de Perdas da Comunidade Quilombo Rio dos Macacos

Elaboração: Cordeiro, Paula Regina. Figueirêdo, Luana, 2014.

Fonte: RTID; GeografAR, Associação Quilombola de Rio dos Macacos.

Com a ameaça de perder seu modo de vida, a comunidade inicia um processo de mobilização pela permanência no território e em paralelo entra com o pedido de titulação da área, como prevê o artigo 68 da Constituição e garante a Convenção 169 da OIT.

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No mês de setembro de 2011, após intensa mobilização comunitária, a Fundação Cultural Palmares certifica o Quilombo Rio dos Macacos como uma Comunidade Remanescente de Quilombo (CRQ) e em novembro do mesmo ano, o INCRA e a prefeitura de Simões Filho inicia a elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID). O RTID foi apresentado à comunidade em agosto de 2012 e delimitou o território quilombola em 301 hectares (Mapa 2- Delimitação do INCRA)2. Apesar de elaborado, o RTID não foi publicado pelo INCRA no Diário Oficial da União, travando o processo de regularização fundiária (Figura 1).

Figura 1 – Sistematização do processo de regularização fundiária

Elaboração: Cordeiro, Paula Regina, 2014.

Fonte: AATR, 2009.

2Dos 301 hectares, 187,0176 ha são de Floresta Ombrófila e, portando, submetidos a legislação específica.

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Mapa 2 - Delimitação do INCRA para regularização fundiária de Rio dos Macacos, 2012

Fonte: INCRA, 2012.

Com os impedimentos colocados à publicação do RTID tem-se início a mesa de negociação entre a Marinha do Brasil, a Secretaria Geral da Presidência da República, a Secretaria de Políticas para Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), o Quilombo Rio dos Macacos e suas assessorias (AATR, CPP, CDCN, Quilombo X e outras), contando com a mediação Ministério Público Federal e da subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão. É necessário lembrar que a Câmara de Conciliação instalada foi fruto da insistência política dos quilombolas, que não aceitavam de forma alguma sua expulsão ou a

“transferência da comunidade” para uma “área crua”, como afirma o quilombola Joselito.

A primeira proposta feita pelo Estado à comunidade foi de 7,5 hectares fora do território quilombola. Em dezembro de 2012, a Secretaria Geral da Presidência da República apresenta a

“Proposta do Governo Federal para a Comunidade do “Rio dos Macacos””, e oferta de maneira

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oficial3 21 hectares para titulação da comunidade4. Obviamente, diante da inviabilidade produtiva e organizativa da comunidade, as duas primeiras propostas do Governo Federal foram prontamente recusadas pelo Quilombo, dando abertura então a novos processos de negociação.

Em outubro de 2013, o Governo Federal fez a terceira proposta à comunidade, de 28,5 hectares. Essa proposta era a soma dos 7,5 ha e 21 ha oferecidos anteriormente e assim como as demais propostas, essa também não foi aceita, já que para a Associação de Moradores “tornam inviáveis a sobrevivência e reprodução física, econômica e cultural dos quilombolas”. Cabe ressaltar que os remanescentes de quilombos têm como principal fonte de renda o cultivo da terra, a criação de pequenos animais, a pesca, o extrativismo e o artesanato, sendo inviável aglomerar quase 70 famílias em áreas tão reduzidas (Figura 2).

Figura 2 – Propostas à Comunidade Quilombo Rio dos Macacos

Fonte: BRASIL, 2014.

Para além da discussão referente à área em si, devido a pressões sociais, em novembro de 2013, fora autorizada a construção e reforma de 19 casas, a serem realizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (SEDUR), das quais 9 serão derrubadas e reconstruídas, 5 sofreriam reparos e as outras 5 ainda estão em processo de estudo, análise e levantamento de informações5.

3Ofício n. 299/2012/AE/SG/PR.

4Já havia sido proposto antes a oferta de 7,5 hectares durante a primeira audiência pública envolvendo as partes.

5Ofício n. 13629/GABINETE DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA.

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Apesar do aparente e relativo avanço institucional e prático, tanto na mediação, quanto na tentativa de se chegar ao fim do conflito, em janeiro de 2014, duas lideranças da comunidade foram agredidas, fortemente espancadas e torturadas pela Marinha do Brasil (através de alguns de seus membros, devidamente fardados e em seus postos de trabalho), no momento em que saiam do território pela única via existente: a portaria da Vila Naval. O fato fora registrado por câmeras do circuito interno de segurança dessa guarita e divulgado em grandes veículos da imprensa.

Apesar de grande repercussão, o caso até hoje (fevereiro de 2015) não foi julgado e, segundo os quilombolas, os “navais” que agrediram os irmãos estão soltos e continuam a rondar as casas, armados durante a noite. Além disso até hoje a reforma e a construção de novas moradias não foram executadas, o que é um grave problema para a permanência de Rio dos Macacos no território, já que a situação é de grande precariedade (Figura 3).

Figura 3 – Moradia em Rio dos Macacos

Fonte: Acervo coletivo, 2014.

Após nova onda de mobilização social, no mesmo mês em que ocorreu o recente episódio de agressão, foi autorizada a construção da estrada própria, bem como a construção do centro comunitário para os quilombolas, assim como as promessas anteriores. Essas não foram cumpridas e até o presente momento os quilombolas passam por todo o tipo de privações no que concerne à entrada e saída de visitantes e moradores. Em março de 2014, o Governo Federal apresentou a

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quarta proposta para o “Ordenamento fundiário do território quilombola Rio dos Macacos”, oferecendo 86 hectares (Mapa 3). Junto a essa proposta, foram listados iniciativas do governo para garantir direitos fundamentais à comunidade.6

Mapa 3 – Proposta de 86 hectares à Comunidade Quilombo Rio dos Macacos

Fonte: INCRA, 2014.

É nesse contexto que a equipe da Residência em Arquitetura Urbanismo e Engenharia entra em contato com o Quilombo Rio dos Macacos e em 6 de maio de 2014, através de assistência técnica, jurídica (AATR) e política (CPP, MPP, CDCN), a Associação de Moradores do Quilombo Rio dos Macacos apresenta a primeira proposta (Mapa 4). A “contraproposta” apresentada pelos quilombolas se insere no contexto de negação da proposta de 86 hectares apresentada

6Essa promessa já foi feita diversas vezes a comunidade. Assim como diversas outras que não foram executadas.

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anteriormente. O elemento principal de divergência com esta proposta é a negação dos cursos hídricos; o único curso hídrico que ficaria no interior da comunidade seria intermitente e insuficiente para manutenção dos hábitos e modo de vida de uma comunidade pesqueira. Outro elemento negativo foi o impedimento do acesso à barragem para uso da comunidade, além da desarticulação com a parte sul do território.

A contraproposta apresentada pela Comunidade tinha como princípio o compartilhamento da barragem, a preservação dos sítios sagrados (Gameleiras e locais de arrego de oferenda) e a consolidação de área de produção agrícola e agroflorestal. A área negociada pela comunidade é a de 28 hectares para Marinha do Brasil, dos 301 hectares disputados. Disto restariam para o uso, ocupação e desenvolvimento dos quilombolas 273 hectares.

Mapa 4 – Contra-Proposta Quilombo Rio dos Macacos

Elaboração: Cordeiro, Paula Regina; Figueirêdo, Luana. 2014.

Em 6 de junho de 2014, após apresentação da contraproposta por Rose Meire e Dona Olinda, ao contrário do que se esperava, não houveram questionamentos sobre a delimitação, a fala dos quilombolas gerou desconforto nos órgãos públicos seguido da indiferença destes. Na ocasião,

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Seu Wilian, quilombola de Rio dos Macacos, lembrou que mesmo com o andar das negociações, os quilombolas estavam sofrendo ameaça de remoção por conta do processo judicial de desapropriação ainda em curso. Nesse sentido, a subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, afirmou que a continuação desse processo inviabiliza as negociações, pois os quilombolas se sentem pressionados para negociar. Após essa declaração, a comunidade pede a suspensão da audiência pública.

Após a suspensão da audiência, o governo Federal apresentou7 o que seria a quinta proposta à comunidade. O diferencial da proposta apresentada anteriormente é que além dos 86 hectares ao norte da barragem, haveria a inclusão de 6 hectares ao sul da Vila Naval, com mais 12 hectares do terreno da SUDIC (ao norte da barragem), totalizando uma área de 104 hectares. O utilização da barragem pelos quilombolas foi colocado, nesse momento, como sendo inegociável.

A comunidade novamente rejeitou a proposta, já que essa mantém os aspectos básicos da anterior: a negação dos recursos hídricos e do uso compartilhado da barragem, assim como sugere uma divisão do território quilombola, propondo dois “núcleos quilombolas”.

De acordo com o MPF/BA8, o advogado Bruno Cardoso, da Advocacia-Geral da União,

“comprometeu-se a interpor recursos pedindo a suspensão do processo judicial travado entre a Marinha e a comunidade” e também contra a liminar que impede a reforma das casas da comunidade.

Porém, após audiência pública, a nota oficial do Governo Federal, através do Ministro Gilberto Carvalho, afirma que: "não havendo o acordo, não há muito o que fazer, porque a Marinha não pode retirar a ação que move na Justiça, para reintegrar aquela área" (BRASIL, 2014). Ainda segundo o ministro, “o Governo Federal ainda está aberto a retomar as negociações, desde que os quilombolas revejam sua posição e aceitem a delimitação apresentada na reunião, uma vez que ela contempla os interesses dos diversos órgãos federais envolvidos na questão”. (BRASIL, 2014).

Ao fim da audiência, o MPF exige que o RTID seja publicado pelo INCRA no prazo de 30 dias. Após recorrer aos prazos estabelecidos em agosto de 2014 o INCRA publica o RTID porém, ao invés dos 301 ha identificados e delimitados, há a publicação de 104 ha, conforme a última proposta

“apresentada” pela Presidência da República. Nos assusta muito o autoritarismo como o processo foi conduzido pelos órgãos de estado. Em reunião posterior com o INCRA e comunidades quilombolas, foram levantadas as questões referentes à publicação do Relatório de Rio dos

7A proposta não foi apresentada oficialmente, pois Deborah Duprat suspendeu a Audiência Pública devido a ameaça de desapropriação sofrida pela comunidade.

8Notícia disponível em R7 Notícias: http://noticias.r7.com/bahia/rio-dos-macacos-mpf-defende- suspensao-de-processo-contra-quilombolas-07052014

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Macacos. Para nossa surpresa o superintendente regional do INCRA na Bahia, Luiz Gugé Fernandes, afirmou que, por se tratar de uma ordem do INCRA nacional essa era a publicação oficial referente ao Quilombo Rio dos Macacos e a proposta final do Governo Federal.

O autoritarismo com que o governo delimitou o território quilombola de Rio dos Macacos cria um precedente para a regularização de outras comunidades quilombolas no Brasil, principalmente as em conflito com as forças armadas – como Alcântara e Marambaia. Esse procedimento, segundo o INCRA, “reconhece uma área enquanto legítima dos quilombolas, porém a regularização só deverá acontecer onde os 'interesses do Estado' não são ameaçados.

O processo histórico vivido pela comunidade, até aqui, pode ser sintetizado na figura abaixo:

Figura 4 – História do Conflito

Elaboração: Paula Regina de O. Cordeiro, 2014.

Após esse contato inicial com a comunidade, o trabalho seguiu na direção do desenvolvimento de um diagnóstico sobre os 301 hectares do Quilombo Rio dos Macacos, nesse sentido foram realizadas visitas a campo e posteriormente a elaboração do “Relatório de síntese e diagnóstico do mapeamento territorial do Quilombo Rio dos Macacos”. Com a finalização dos estudos iniciais, da elaboração de cartografias sociais e suas análises, notou-se que desde 1950 a produção e as formas tradicionais de sustentação e autonomia econômica desta comunidade foram atacadas. São inúmeros os relatos de destruição de roças e de equipamentos de apoio à produção, da proibição da pescaria, relatos como os de Dona Júlia mostram a violência produtiva sofrida em Rio dos Macacos:

(22)

Era roça de mandioca, de aipim, tudo. Tinha casa de farinha. Os moradores criavam ovelha, criavam cabra, criavam gado. Mas a Marinha disse que queria as terras. Saíram. Só ficaram os “torrão”. Minha mãe mesmo, só saiu porque faleceu. (INCRA, 2012, p. 41).

Em contato com as entidades que já prestavam assessoria ao Quilombo Rio dos Macacos fora notado o vazio no trato com as questões de ordem técnicas e territoriais. Nesses meses de trabalho o CPP forneceu agentes para acompanhar o trabalho técnico e através de oficinas fora escolhido a organização produtiva de Rio dos Macacos como sendo uma das frentes para a nossa atuação. A organização produtiva foi pensada, então, a partir de duas diretrizes: a de potencializar as atividades tradicionais de produção e a de buscar novas fontes através da economia solidária.

3. Pesquisas, oficinas e metodologias na definição da proposta de assistência técnica

3.2 Meios e processos adotados para a proposta coletiva do grupo com a comunidade

Após os primeiros contatos com o Quilombo Rio dos Macacos, a equipe de assistência técnica através de oficinas, reuniões e audiências públicas e ao analisar a conjuntura do conflito pela regularização fundiária decide fazer um levantamento e mapeamento dos 301 ha reconhecidos pelo INCRA e reivindicado pela comunidade, posteriormente esse mapeamento foi apresentado através de um diagnóstico territorial da Comunidade Quilombola Rio dos Macacos.

Como etapas metodológicas para a elaboração desse diagnóstico destacam-se quatro momentos9: caracterização geral da Comunidade em questão; zoneamento da área a ser percorrida;

visitas de campo; e a sistematização destes campos através de relatórios e peças cartográficas.

9 Conforme Anexo do Plano de Trabalho.

(23)

Figura 5 – Equipe em campo

Fonte: Acerco Equipe RAUE, 2014

Metodologias participativas foram utilizadas no decorrer do processo. Técnicas da cartografia social como mapas mentais, mapas biorregionais facilitaram o roteiro inicial do trabalho, bem como serviram para a posterior reambulação.

Figura 6 – Metodologias participativas da cartografia social

Fonte: Equipe RAUE, 2014

(24)

Os pontos referenciais levantados em campo foram:

a.Cursos hídricos;

b.Núcleos habitacionais e áreas de roçados – atuais e antigos;

c.Principais pontos de atividades agrícolas, pecuárias e extrativistas;

d.Espaços sagrados;

e.Usos coletivos.

A partir desses pontos referenciais e da utilização do Sistema de Posicionamento Geográfico (GPS) e de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs) foram elaboradas cartografias temáticas que permitiram o melhor conhecimento da área, que somado aos levantamentos iniciais de dados secundários (INCRA e GeografAR) forneceram informações utéis a comunidade, bem como subsidiaram o projeto final de cada residente envolvido no Quilombo Rio dos Macacos.

3.2 Os resultados obtidos para a definição dos projetos específicos

Posteriormente a execução do trabalho de campo, reambulação e tratamento de dados cartográficos, foram gerados 4 mapas temáticos: Mapa de Acessos e Caminhos (mapa 5); Mapa de Mananciais Hídricos (mapa 6); Mapa de Produção (mapa 7) e Mapa de Usos (mapa 8).10

10 A análise dos mapas está presente no “Relatório de síntese e diagnóstico do Mapeamento Territorial.”.

(25)

Mapa 5 - Mapa de Acessos e Caminhos

O Mapa de Acessos e Caminhos teve como foco as questões dos limites territoriais, a rugosidade representada pela Vila Naval da Barragem, bem como os caminhos internos utilizados

pela comunidade e os principais acessos aos municípios de Salvador e Simões Filho.

(26)

Mapa 6 – Mapa de Mananciais hídricos

O Mapa de Mananciais Hídricos levou em consideração as coordenadas referentes aos cursos hídricos presentes na comunidade quilombola em questão.

(27)

Mapa 7 – Mapa de Produção

Para a elaboração do Mapa de Produção optou-se por sistematizar as coordenadas geográficas referentes a hidrografia, áreas produtivas (roças) antigas e novas e de apoio à produção.

O Mapa leva em conta também as áreas e unidades de conservação ambiental.

(28)

Mapa 8 – Mapa de Usos

O Mapa de Usos levou em consideração os espaços de Sagrado, como as gameleiras, antigos elementos dos terreiros de candomblé que outrora existiam no território, os núcleos habitacionais presentes na comunidade, os espaços naturais e de meio ambiente e por fim as áreas de uso coletivo pelos quilombolas.

Para os quilombolas de Rio dos Macacos, além da compreensão sistemática do território, o mapeamento realizado subsidiou a peça jurídica que contestava a recente publicação de 104 ha.

Após julgamento, foi declarada a inconstitucionalidade dos 104ha e houve a decisão judicial para que o INCRA publique 301 ha. Infelizmente até o término desse trabalho o conflito territorial e suas violências contra os quilombolas continuam.

(29)

4. Projeto proposto, abordagem conceitual e planejamento das próximas etapas previstas para desenvolvimento e implantação do projeto

4.1 O objetivo geral

O processo de assistência técnica coletiva teve como resultado o Relatório de Síntese e Diagnóstico do Mapeamento Territorial, subsídio para entendermos o território e as múltiplas territorialidades em Rio dos Macacos. Os mapas temáticos são peças fundamentais para esse entendimento e também peças fundamentais para um possível planejamento territorial em Rio dos Macacos. O planejamento territorial de uma comunidade rural inserida no contexto metropolitano deverá levar em conta aspectos como a história atual e ancestral quilombola, as possibilidades e potencialidades naturais da paisagem, o fortalecimento da organização social e comunitária, bem como as necessidades urgentes da comunidade.

Nesse sentido, planejar o território significa garantir a preservação e o desenvolvimento dos modos de criar, fazer e viver quilombola, o que necessariamente deve incluir a organização produtiva e a geração de renda. A economia dessa comunidade precisa ser consolidada e potencializada através do estabelecimento de diretrizes produtivas que possibilitem inclusão social e desenvolvimento sustentável das gerações atuais e futuras no território.

4.2. O(s) objetivo(s) específico (s)

De acordo com o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana a superação de vulnerabilidade socioeconômica dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana passa pelo desenvolvimento sustentável, inclusão produtiva e valorização das práticas tradicionais de alimentação e de saúde.

Em Rio dos Macacos a organização produtiva está relacionada diretamente a possibilidade de acesso dos quilombolas aos mananciais hídricos presentes no território. Portanto, é imperatriz o uso compartilhado dos cursos hídricos presentes no território, incluindo aqui a Barragem do Rio dos Macacos, caso contrário não haverá sustentação produtiva comunitária.

Foram estabelecidas para isso diretrizes e princípios para a organização produtiva em Rio dos Macacos:

•Fortalecimento da identidade quilombola;

•Fortalecimento da organização produtiva quilombola, garantindo estimulo financeiro aos produtores, através do acesso de políticas públicas e outras formas de financiamento, incluindo o autofinanciamento;

(30)

•Inclusão produtiva com fechamento da cadeia produtiva (produção, beneficiamento e comercialização);

•Capacitação técnica e assistência técnica sempre que seja necessário;

•Desenvolvimento sustentável da produção;

•Valorização das práticas tradicionais de alimentação e de saúde;

•Promoção da agricultura familiar em bases agroecológicas, como modelo alternativo de desenvolvimento rural;

•Promoção da pesca artesanal, como modelo alternativo de desenvolvimento em áreas de pesca;

•Utilização compartilhada dos Recursos Hídricos;

•Recuperação de áreas degradadas e conservação de áreas de preservação ambiental;

•Desenvolvimento das potencialidades ambientais do território;

•Desenvolvimento das potencialidades humanas.

4. 3 Justificativa

Após a chegada da Marinha do Brasil ocorreram diversos ataques à produção quilombola, que vão desde a destruição das habitações, das roças à proibição de uso da água e dos recursos naturais. A partir do momento em que o pilar da produção é criminalizado, a Marinha do Brasil institucionaliza a fome dentro do território. Se há fome no território é o, como afirma Josué de Castro, resultado das relações sociais e de produção que os homens estabelecem entre si”.

Para o aprofundamento das atividades produtivas relacionadas aos recursos naturais disponíveis no território realizamos o mapeamento dos mananciais hídricos como rios principais, riachos, córregos, bem como fontes e minadouros. A análise dos recursos hídricos da Comunidade Quilombola Rio dos Macacos é de extrema necessidade, já que ao se declarar uma comunidade rural agrícola e pesqueira assume que sua existência e reprodução social está condicionada a utilização e conservação de seus recursos naturais, incluindo aqui os mananciais hídricos.

O projeto aqui proposto se insere na necessidade desta comunidade rearticular sua produção, levando em consideração a negação de acesso das políticas públicas pelos órgãos e secretaria do Estado. Além disso é necessário um estudo produtivo que leve em consideração as áreas ambientais que possuem ou não restrição ambiental, para garantir a sustentabilidade, autonomia e bem viver do Quilombo Rio dos Macacos.

(31)

4. 4 O Projeto: Diretrizes produtivas da comunidade quilombola de Rio dos Macacos

A organização da economia produtiva de Rio dos Macacos será divida em dois eixos. O primeiro faz referências as atividades produtivas de potencial interno, englobando as atividades já existentes no território, mas que precisam ser consolidas. O segundo eixo versa sobre possibilidades econômicas de produção que necessitam de maior articulação com a comunidade externa ao território (Estado, Universidades, bem como outras organizações da sociedade civil). A

espacialização atual da produção em Rio dos Macacos está dividida em duas áreas produtivas: a água e a terra, que caracterizam meios de produção distintos, mas jamais antagônicos. Existe uma relação entre os locais de roça com a presença de água, seja fonte, rio ou charco, no Quilombo Rio dos Macacos essa relação é confirmada na concomitância entre os nomes dos rios com o agricultor presente nas mediações. que o nome dos mananciais hídricos faz referência ao agricultor. Essa articulação de terra e água cria territorialidades específicas ao longo de cursos hídricos contíguos.

Existe no território a prática produtiva da mariscagem nos mangues, localizados principalmente na Baía de Aratu (acesso pelo norte) e da pescaria, tanto no rio quanto no mar. A pescaria nos rios do Barroso e dos Macacos é lembrada com muita alegria pelos mais velhos. Ali eles se reuniam para fazer confraternização, a pescaria era acompanhada pelo espírito familiar e comunitário. Era nos rios também que as mulheres lavavam roupas para fora, bem como pegavam água para cozinhar os alimentos e para o uso geral da casa. A água utilizada para a rega das plantas era também das fontes, rios e charcos das proximidades. O mapeamento territorial permite-nos afirmar que a água tem diversos usos no território, relacionados com a soberania alimentar, a geração de renda e lazer desta comunidade.

Sem água, portanto, não há sustentabilidade para que a vida e a tradição quilombola sejam mantidas. No que se refere à produção agrícola o mapa X traz a espacialização do conflito fundiário. Nota-se que no núcleo a norte, mais distante da Vila Naval, há maior concentração de roças no território, isto porque a maior parte das roças e casas (famílias) ao sul foram destruídas durante a construção da Vila Naval e da Barragem e impedidas de reconstrução.

É importante considerar que junto com as roças foram destruídas as casas de farinhas – como por exemplo algumas mapeadas por nós, este fato é mencionado com muita tristeza pela comunidade, como uma grande perda da capacidade produtiva e de subsistência. Atualmente apesar de todas as violências, existe a produção agrícola no território, com grandes diversidades entre as roças, algumas têm características mais agrícolas e outras que tem influência da pecuária, além de diferentes estágios produtivos. A leste da barragem, por exemplo, há uma roça bastante produtiva.

(32)

Além da comum criação de galinhas, nessa roça há algumas cabeças de gado. O território como um todo é composto de vegetação típica da Mata Atlântica do tipo Ombrófila, vegetação com grande potencial para extrativismo de dendê, cipó, dentre outros, como ocorre no território.

Existem alguns locais onde houve degradação do ambiente vegetal, principalmente nas margens do rio da saúde. Nessa área a vegetação foi retirada para extração de matéria-prima para a construção da Vila Militar. Esses casos de desmatamento não dão a tônica do território, já que são casos isolados e de influência externa. A comunidade de Rio dos Macacos, tem utilizado a natureza local com bastante sabedoria, respeitando os princípios ambientais de produção sustentável. A análise desse mapa mostra a aptidão agrícola e pesqueira do território. Porém mesmo que os quilombolas desempenhem atividades agrícolas e pesqueiras espontâneas no território faz-se necessário o maior ordenamento dessa produção, assim como, é urgente o fechamento do ciclo produtivo em Rio dos Macacos.

Para o desenvolvimento das diretrizes foram utilizados instrumentos técnicos, são eles:

•Laudo Agronômico – RTID-INCRA;

•Laudo Antropológico – RTID-INCRA;

•Relatório GeografAR – UFBA;

•Relatório de Síntese e Diagnóstico do Mapeamento – UFBA.

No que diz respeito ao ordenamento agrícola algumas diretrizes são importantes:

•Desenvolver tecnologia de transição para produção agroecológica através de assistência técnica;

•Incentivar o fechamento da cadeia produtiva: PRODUÇÃO, BENEFICIAMENTO, AGROINDUSTRIZAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO;

•Elaborar Plano de Manejo Ecológico e de Conservação do Solo, a partir dos pressupostos de Ana Maria Primavesi para a agricultura e extrativismo;

•Potencializar a já existente agrofloresta através do consórcio de culturas (café, cacau) plantas adubadeiras e árvores;

•Construir alternativas produtivas comunitárias como a organização de 2 (duas) hortas coletivas no território, através de MUTIRÃO, para BENEFICIAMENTO no CENTRO COMUNITÁRIO e COMERCIALIZAÇÃO, inicialmente, nas feiras da cidade;

•Inserir Rio dos Macacos nas redes de economia solidária;

(33)

•Promover capacitação de agricultores familiares no manejo e na produção de plantas medicinais, insumos e fitoterápicos adequados, através de possível parceria com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA);

•Acessar o crédito para financiamento, através de novas parcerias ou das já estabelecidas (Coordenadoria Ecumênica de Serviço);

•Promover a agroindustrialização através da construção de 2 (duas) CASAS DE FARINHA, tendo como referência o projeto padrão do Programa Produzir da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR);

•Articular a estrutura do Centro Comunitário para concentrar o beneficiamento de produtos com comercialização (Jaca, Banana, Pitangas) - Atividade específica de mulheres.

No que diz respeito ao ordenamento pesqueiro algumas diretrizes são importantes:

•Uso compartilhado dos recursos hídricos presentes no território, com inclusão da Barragem dos Macacos;

•Acessar os materiais de pesca através de parceria com a Bahia Pesca;

•Acessar o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, que oferece linhas de crédito;

•Estabelecer Plano de Manejo Ecológico e de Conservação dos Recursos Hídricos.

No que diz respeito ao ordenamento de outras atividades produtivas algumas diretrizes são importantes:

•Incentivar a produção coletiva de artesanato pelas mulheres associada ao modo de vida quilombola e a economia solidária;

•Organizar a Feira Quilombola.

Existem algumas atividades produtivas que podem ser opções para geração de renda, principalmente se pensarmos do ponto de vista da juventude quilombola. Essas atividades também podem ser instrumentos de defesa natural do território.

Potencialidades econômicas:

•Turismo de Base Comunitária: O turismo na agricultura familiar permite agregar valor à produção agrícola ou artesanal, gerando trabalho e renda, garantindo a preservação do meio ambiente e valorizando as culturais locais. Desde 2003, o MDA/SAF vem apoiando a

(34)

estruturação e o fortalecimento de roteiros turísticos que tenham como base a agricultura familiar.

•Tem trabalhado, ainda, no sentido de propiciar à produção familiar sua inserção no mercado turístico;

•Incentivar o Turismo étnico, como forma de renda, mas também de propagação da cultura afrobrasileira;

• Instalação de Escola Técnica Agrícola, bem como de cursos para capacitação através de parceria com PRONATEC e da Legislação Específica para Educação Quilombola;

•Instalação de outras agroindústrias no território como a produção de chocolate e cacau orgânico;

•Criação de Centro de Retiro, com intuito de ser um elemento de atrativo turístico, mas também como garantia da circulação de outras organizações através da realização de encontros no Centro;

•Revisão de projetos que foram oferecidos à comunidade e intensificação da mobilização para a concretização;

•Articulação com outras comunidades quilombolas para intercâmbio sobre as experiências no campo da economia produtiva.

Essas diretrizes propostas deverão seguir as orientações e regionalização do mapa abaixo:

(35)

Mapa 9 – Regionalização do Quilombo Rio dos Macacos

5. Viabilidade institucional, econômica e financeira

5.1 Possibilidades de parcerias governamentais, institucionais e privadas

Por se tratar de uma comunidade com regularização fundiária em aberto, as políticas públicas não conseguem penetrar a barreira estabelecida pela Marinha do Brasil. Diante da incerteza e da difícil relação desta comunidade com o Estado, bem como a aproximação quilombola com outras organização, acredita-se que a melhor forma de financiar a organização produtiva, principalmente no sentido da construção de 2 (duas) casas de farinhas.

Propostas nesse sentido já foram oferecidas pela CESE. Diante disso, o projeto da construção de 2 casas de farinha já foi enviado e aprovado pela CESE. O mutirão irá acontecer no primeiro semestre de 2015. Além disso, outras instituições e fundos, como o Fundo de Direitos

(36)

Humanos da ONU e a Misereor tem interesse em financiar projetos de produção para o Quilombo Rio dos Macacos.

6. Cronograma previsto

Tabela 1 – Etapas RAUE PRODUTOS/

ETAPA MESES

1 2 3 4 5 6

ETAPA 1

1- Plano de Trabalho e Metodologia de

Participação Social

0 30

ETAPA 2

2-Levantamentos cadastrais e topografico

0 30

60

ETAPA 3

(37)

PRODUTOS/

ETAPA MESES

3- Legislação

Urbanística Específica

60 120

4- Complementação de informações e

avaliações

60

150

5- Consultorias complementares.

60 180

6- Elaboração de projeto executivo

60 180

7- Elaboração de Projeto para financiamento

7. Equipe Técnica e Orçamento previsto

Tabela 2 – Equipe Técnica

Formação/

Função Nível Experiência Exigida

Tempo Mínimo de Formação

Qtd.

Tempo Trabalho (horas)

Valor Total previst Geógrafo Sênior P-1 Coordenação de estudos e projetos

multidisciplinares, englobando especialmente as disciplinas descritas nas atividades objeto do contrato.

>10 (dez) anos

01 180 R$

6698,00

Arquiteto e Urbanista

Pleno P-2 Elaboração de estudos e planos urbanísticos, conservação ambiental e de desenvolvimento urbano – a exemplo de elaboração de planos diretores, projetos urbanísticos, planos e projetos relacionados à habitação de interesse social.

> 5 (cinco) anos.

01 180 R$

6698,00

Sociólogo ou Antropólogo

Sênior P-1 Participação de planos ou projetos urbanísticos envolvendo mobilização

> 10 (dez) anos.

01 30 R$

2.773,17

(38)

Formação/

Função Nível Experiência Exigida

Tempo Mínimo de Formação

Qtd.

Tempo Trabalho (horas)

Valor Total previst e participação comunitária

Assistente Social

Pleno P- 2 Participação de planos ou projetos urbanísticos envolvendo mobilização e participação comunitária

> 5 (cinco) anos.

01 180 R$

6304,00 Técnico em

Agroecologia

Pleno P- 2 Participação em trabalhos que envolvam ações de regularização fundiária e conhecimento em direito urbanístico e/ou especialização em direito urbanístico

> 5 (cinco) anos.

01 30 R$

4728,00

A execução desse projeto está acontecendo aos poucos na comunidade de Rio dos Macacos, recentemente foi orçado um programa de geração de renda para as mulheres, cujo orçamento se encontra abaixo (tabela 3). Nesse projeto serão ressaltados os elementos da cultura artesanal tradicional, bem como, a troca de conhecimentos entre agentes (facilitadores) externos, conforme cronograma (tabela 4).

Tabela 3 – Orçamento projeto CESE Itens da despesa Unidade

de Medida (Kg, Litros, unidade...)

Valor

Unitário Quantidad

e Valor Total Valor da Contra Partida

Solicitado Solicitado a outras

Fontes

Sandálias 120

Unidade 8,00 120 960,00 960,00

Tecido Chita M 8,00 40 320,00 320,00

Tecido Algodão M 54,99 20 1099,80 1099,80

Linha de Crochê

G 10,45 15 156,75 156,75

Lã de Tricô G 13,86 15 207,90 207,90

Linha de

Costura Unidade 23,59 10 235,90 235,90

Agulheiro Unidade 7,23 40 289,20 289,20

Arco de Serra Polegadas 31,90 3 95,70 95,70

Lixa para Madeira

Folha 1,50 80 120,00 120,00

Verniz para

Bambu Ml 22,90 5 114,50 114,50

(39)

Compasso para Corte

Unidade 41,99 20 839,80 839,80

Couro de Bode Folha 55,00 30 1650,00 1650,00

Rolo de Naylon 10mm

mm 120,00 1 120,00 120,00

Corda de Sisal Kg 5,99 40 239,60 239,60

Faca Unidade 8,90 20 178,00 178,00

Fitas de Cetim M 2,89 8 23,12 23,12

Sandálias Unidade 8,00 120 960,00 960,00

Nylon (para sandália)

Rolo 3,00 20 60,00 600,00

Miçangas kg 6,00 30 180,00 180,00

Tesoura unidade 10,00 20 200,00 200,00

Ganchos (para

argolas) Dúzia 6,00 30 180,00 180,00

Nylon (colar e

pulseiras) unidade 6,00 20 120,00 120,00

Feiches (lagostas ou

roscas)

Pocotes 6,00 30 180,00 180,00

Elos Pacotes 4,00 30 120,00 120,00

Finalizadores Pacote 5,00 40 200,00 200,00

Terminais (esconde nó)

Pacotes 5,00 20 200,00 200,00

Facilitador para

Boneca de Pano Unidade 200,00 1 200,00 100,00 100,00

Facilitador para Tambor de

Bambu

Unidade 200,00 1 200,00 100,00 100,00

Facilitador para Esteira, Sacola

e Abanador

Unidade 200,00 1 200,00 100,00 100,00

Facilitador para

Sandália Unidade 200,00 1 200,00 100,00 100,00

Facilitador para Acessórios

Unidade 450,00 1 450,00 450,00

Alimentação Unidade 10,00 1804 1804,00 804,00 1000,00

Total 11440,27

(40)

Tabela 4 – Cronograma projeto CESE

Mês Descrição de Atividades

1.Maio/ 2015 1.1 Debate sobre Organização Produtiva e Política das Mulheres

2.3 Oficinas de Produção de Esteira de Palha 2.Junho/ 2015 3.1 Debate sobre Economia Solidária

1.3 Oficina de Produção de Sacola em Palha 3.Julho/ 2015 2.1 Debate sobre a importância dos Saberes Tradicionais para a Economia Solidária 3.3 Oficina de Produção de Abanador em Palha e

Avaliação

4.Agosto / 2015 4.1 Vivência de Autoestima da Mulher e Relações Bioenergéticas

5.3 Oficinas de Criação de Acessórios (colares, pulseiras e brincos)

5.Setembro/ 2015 6.1 Debate Valorização da Beleza da Mulher Negra 7.3 Oficina de Criação de Acessórios e Avaliação 6.Outubro/ 2015 8.1 Debate sobre a importância da Juventude para a

manutenção dos saberes tradicionais 9.3 Oficina de Decoração em Sandália

7.Novembro/ 2015 10.1 Debate Sobre Consciência Negra com Recorte de Gênero

11.2 Oficina de Decoração em Sandália e Avaliação 8.Dezembro/ 2015 12.1 Confraternização

13.2 Oficina de Confecção de Boneca de pano 9.Janeiro/ 2016 14.1 Reabertura

15. 3 Oficina de Confecção de Boneca de pano e Avaliação

10.Fevereiro /2016 16.2 Oficina de Produção de Tambor

11.Março /2016 17.1 Vivência: Reconhecendo Vozes, Batuques e Batidas de Mulheres Negras.

18.3 Oficina de Produção de Tambor 12.Abril/ 2016 19.1 Assembleia e Avaliação final

20.3 Oficina de Produção de Tambor

(41)

8. Referências

AATR. Direito das Comunidades Tradicionais. Módulo de Formação em Educação Jurídica Popular.2009.

ANJOS, Rafael Sanzio Araújo dos. Cartografia e Quilombolos: territórios étnicos africanos no Brasil. Africana Studia, n. 9, p. 337-355, 2006.

ANTONGIOVANNI, Lídia Lúcia. Território como abrigo e território como recurso no norte do Espírito Santo: territorialidades em tensão e projetos insurgentes no norte do Espírito Santo. 2006.

172f. Tese (Doutorado em Geografia) – Universidade Federal Flumminense, 2006.

_______________,_________. Reflexões Acerca dos Usos dos Territórios. IN: PERTILE. (ORG).

Estado, Território e a Dinâmica das Fronteiras: Reflexões e Novos Desafios. Salvador: JM Gráfica e Editora LTDA, 2013. p. 319-334.

BRASIL. DECRETO n. 5.051 de 19 de abril de 2004. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5051.htm >, acessado em 10.

05. 2014.

BRASIL. Quilombolas do Rio dos Macacos rejeitam acordo proposto pelo Governo Federal que atende grande parte de suas reivindicações. Disponível em:

<http://www.secretariageral.gov.br/noticias/2014/05/09-05-2014-quilombolas-do-rio-dosmacacos- rejeitam-acordo-proposto-pelo-governo-federal-1>. Acesso em: 09.05.2014.

CARVALHO, Felipe S. Estrela de. Regulação pública e exploração do trabalho rural: de assalariamento na fruticultura irrigada submédio São Francisco. 08 de Julho de 2011. 137 folhas.

Monografia de Conclusão de Curso. Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, 2011.

CASTRO, Iná Elias de. Território do Estado: Divisão ou fragmentação? Argumentos para um debate necessário. IN: PERTILE. (ORG). Estado, Território e a Dinâmica das Fronteiras: Reflexões e Novos Desafios. Salvador: JM Gráfica e Editora LTDA, 2013. p. 33-52.

CRENSHAW, KIMBERLÉ. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas,v.10. n.1, p. 171-188, 2002.

DIRETRIZES VOLUNTÁRIAS PARA ASSEGURAR A PESCA DE PEQUENA ESCALA SUSTENTÁVEL NO CONTEXTO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E ERRADICAÇÃO DA POBREZA.2014 (No Prelo)

(42)

EMBRAPA. Variação Geográrica do Tamanho dos Módulos Fiscais no Brasil. 2012. Disponível em: <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/77505/1/doc-146.pdf>. Acesso em:

06.11.2014.

FREIRE, PAULO. Pedagogia do Oprimido.50. ed. rev e atual. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.

253 p.

9. Anexos

9.1.2 Etnomapeamento

Referências

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