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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Prof. Edmar Porto 1. COMPETENCIA MATERIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO

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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Prof. Edmar Porto

1. COMPETENCIA MATERIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional 45/2004 que alterou o art. 114 da Carta Magna, ampliou a competência da Justiça do Trabalho (JT), atribuindo a esta poderes para dirimir conflitos decorrentes da relação de trabalho e não somente de emprego, como era a redação anterior.

A relação de trabalho tem uma abrangência muito maior que a relação de emprego. A relação de emprego é apenas uma das modalidades da relação de trabalho, ou seja, caracteriza-se pela relação entre empregado (art. 2º da CLT) e empregador (art. 3º da CLT).

A relação de trabalho tem caráter genérico e envolve, além da relação de emprego, a relação do trabalho autônomo, do trabalho temporário, do trabalho avulso, da prestação de serviço e etc.

O art. 114 da Constituição Federal dispõe sobre a competência material da Justiça do Trabalho, estabelecendo que compete à Justiça do Trabalho processar e julgar, dentre outras ações, as seguintes:

ações da relação de trabalho;

ações do exercício do direito de greve;

ações sobre representação sindical (entre sindicatos, sindicatos e trabalhadores e sindicatos e empregadores);

ações de indenização por dano moral ou patrimonial decorrentes da relação de trabalho;

ações de penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos

fiscalizadores (INSS, Receita Federal, Ministério do Trabalho e etc.);

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1. COMPETÊNCIA FUNCIONAL

Cada órgão tem sua competência funcional específica.

ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A organização Judiciária Trabalhista está prevista nos art. 111 a 116 da Constituição Federal, sendo composta hierarquicamente pelos seguintes órgãos:

Em cada instância da Justiça do Trabalho (acima demonstrado) será proferida uma sentença judicial ou acórdão (pelo respectivo órgão julgador) das provas efetuadas pelas partes no processo, que poderá ou não ser alvo de recurso para a instância superior, tanto por parte da empresa quanto por parte do empregado.

O recurso é o ato em que a parte manifesta a intenção de ver novamente apreciada a

causa, em geral por órgão diverso do anterior e hierarquicamente superior a este (princípio

do duplo grau de jurisdição), com o objetivo de que a decisão proferida seja modificada a

seu favor.

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As Varas do Trabalho (VT), antes conhecidas como Juntas de Conciliação e Julgamento (JCJ), são os órgãos de 1º grau ou 1ª instância da JT, onde normalmente se inicia o processo trabalhista.

O julgador das VT são os juízes do trabalho. Nas localidades onde não houver VT ou que não sejam cobertas por Varas de Trabalho próximas, o juiz de direito local terá competência trabalhista, ou seja, poderá julgar os processos trabalhistas destas localidades.

Os Tribunais Regionais do Trabalho fazem parte da 2ª instância e como o próprio nome diz, são divididos em regiões (Estados). Se um estado não tem TRT ele participará junto a outro estado.

O TRT poderá ser acionado (por meio de recurso) sempre que a parte que tenha sentença desfavorável, não se conformar com a decisão proferida pela instância inferior.

Conforme dispõe o art. 111 da CF e art. 644 da CLT, o Tribunal Superior do Trabalho (instância extraordinária) é o órgão de cúpula da Justiça do Trabalho e suas decisões abrangem todo o país. Das decisões do TST somente caberão recurso para o Supremo Tribunal Federal quando contrariarem matéria constitucional, o qual julgará em única e última instância o processo.

Não havendo matéria constitucional a ser apreciada, o TST será a última instância para efeito de julgamento de matérias relacionadas ao Direito do Trabalho.

2. COMPETENCIA EM RAZÃO DO LUGAR - TERRITORIAL

A competência em razão do lugar (ex ratione loci) ou territorial é a determinada à Vara do Trabalho para apreciar litígios trabalhistas no espaço geográfico de sua jurisdição. É a limitação territorial da competência. A CLT determina em seu artigo 651 que a Vara do Trabalho é competente para a propositura de ação que envolva questões oriundas dos contratos de trabalho.

Art. 651. A competência das Varas do Trabalho é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro lugar ou no estrangeiro.

§ 1º Quando for parte no dissídio agente ou viajante comercial, a competência será da Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente a Vara da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.

§ 2º A competência das Varas do Trabalho, estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário.

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§ 3º Em se tratando de empregador que promova realização de atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos respectivos serviços.

As regras de competência em razão do lugar seguem o princípio protecionista, pois são instituídas visando facilitar a propositura da ação trabalhista pelo trabalhador, parte hipossuficiente da relação, para que este não tenha gastos desnecessários com a locomoção e possa melhor fazer sua prova.

A competência em razão do lugar não pode ser determinada apenas pela interpretação literal da lei, o julgador deve buscar a finalidade das normas, "sempre em sintonia com a ordem social e com os ideais de justiça".

Não faz muito sentido interpretar a norma do artigo 651 da CLT de modo desfavorável ao trabalhador, quando é a ele especialmente destinada a proteção outorgada pela legislação do trabalho.

Deve-se ter presente o bom-senso na interpretação da norma, de modo a não se perpetrar injustiças. Pois o que não se pode fazer é inviabilizar o acesso à Justiça, seja para o trabalhador, seja para o empregador.

Local da Prestação de Serviços

O caput da norma do artigo 651 da CLT dispõe sobre a regra para estabelecer a competência em razão do lugar onde a ação trabalhista será proposta.

Segundo Sérgio Pinto Martins a ação trabalhista deve ser proposta no último local da prestação de serviços do empregado, ainda que o empregado tenha sido contratado em outra localidade ou no estrangeiro.

De acordo com a redação da norma do artigo 651 da CLT, a demanda trabalhista, em regra, deve ser proposta no último lugar em que o empregado efetivamente tenha prestado serviços ao empregador, independentemente do local da contratação. Ou seja, se um empregado é contratado em São Paulo, domiciliado em Minas Gerais e presta serviços em Salvador, o foro materialmente competente para processar e julgar demanda trabalhista será o de Salvador. Se o empregado for transferido para outra cidade no período da contratação, é competente para conhecer de reclamação trabalhista o foro do último local de prestação de serviço.

Se o obreiro trabalha ao mesmo tempo em várias comarcas, todas elas serão competentes para a propositura da ação, salvo a hipótese do viajante, que tem tratamento especial da lei e que será tratado posteriormente.

O objetivo da lei é que o empregado possa propor a ação no local em que melhor possa

produzir suas provas, ou seja, no local onde por último trabalhou.

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Em casos onde o empregado prestar serviços em uma única localidade e o empregador em outras, aplica-se a regra geral, de que a ação deve ser proposta onde o empregado trabalha.

Se o empregado faz horas in itinere, a ação deve ser proposta no local da prestação de serviços e não no local de embarque da condução fornecida pelo empregador. Diante da norma do artigo 651 da CLT o que importa é onde o empregado presta serviços e não onde embarca em condução fornecida pelo empregador.

A ação deve ser proposta pelo empregador em face do empregado também no local da prestação de serviços do obreiro.

Empregados Viajantes

A norma do artigo 651 da CLT possui exceções, sendo que a primeira delas esta elencada no

§ 1º, que estabelece como competente para processar e julgar dissídio que envolva agente ou viajante comercial a Vara existente no local em que a empresa tenha agência ou filial, e a esta o trabalhador esteja subordinado. Mas se não existir, será competente a Vara localizada onde o empregado tenha domicílio ou na localidade mais próxima.

Embora a norma faça referência a “viajante comercial”, este deve ser interpretado como empregado, pois é do que se trata a CLT. O agente ou viajante comercial que trata a lei, deve ser empregado e não representante comercial autônomo. Este terá direito de ação na Justiça comum.

Agente ou viajante são pessoas que, por exemplo, prestam serviços de vendas em mais de um município, representando o empregador, não se fixando diretamente a uma localidade.

Antes da Lei 9.851, de 27 de outubro de 1999, era possível dizer que o motorista viajante poderia ser enquadrado na norma do § 1º do artigo 651 da CLT, pois a lei empregava apenas a palavra viajante. Hoje a lei é expressa ao empregar a expressão viajante comercial, que não é o motorista de ônibus intermunicipal. Entende-se que se trata de um vendedor viajante, ao se empregar o adjetivo comercial.

A ação deve ser proposta na Vara da localidade em que o empregado é subordinado, pega pedidos e faz entregas, apresenta relatórios, participa de reuniões à agência ou filial.

Não estando o empregado subordinado à agência ou filial, mas a matriz, por exemplo, será competente a Vara da qual o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima. Há, portanto, uma condição alternativa, sendo que nessa hipótese o empregado poderá escolher entre propor a ação na Vara de seu domicílio ou na localidade mais próxima, ficando a critério do empregado a escolha.

A ação somente será proposta no domicílio do empregado ou na localidade mais próxima,

quando o empregado não estiver subordinado à nenhuma agência ou filial. A lei indica essa

orientação ao usar a expressão “na falta”.

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A ação não deverá ser proposta em uma localidade onde há um escritório de vendas, e em que apenas o reclamante trabalha no local, pois ele próprio é que iria receber a citação, podendo dar ensejos a fraudes.

Empregados Brasileiros Laborando no Estrangeiro

Outra exceção está presente no § 2º da norma do artigo 651, da CLT, que afirma ser competência da Justiça do Trabalho processar e julgar dissídios ocorridos em agência ou filial do estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro nato ou naturalizado, e que não haja convenção internacional em sentido contrário. O processo está condicionado à existência de sede, filial ou representante no Brasil, sob pena de impossibilidade da propositura da ação, uma vez que restaria impossibilitada a notificação da empresa para a audiência, prejudicando a ampla defesa.

Segundo a Súmula 207 do TST a lei de direito material a ser utilizada nos conflitos existentes, será a vigente no país da prestação de serviços e não aquela do local da contratação.

A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de serviço e não por aquelas do local da contratação. (Súmula 207 do TST).

Mesmo se a empresa possua agência ou filial no Brasil, os direitos trabalhistas serão analisados de acordo com a lei estrangeira, embora a Vara do Trabalho tenha competência para examinar a questão.

Deve-se seguir a norma do artigo 88 e seus incisos do CPC, vejamos:

Art. 88 É competente a autoridade judiciária brasileira quando:

I – o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;

II – no Brasil tiver que ser cumprida a obrigação;

III – a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil

Parágrafo único: Para o fim do disposto no inciso I, reputa-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal.

Mesmo se o empregado for estrangeiro, a ação poderá ser aqui proposta, caso obreiro

tenha prestado serviços no Brasil, porém deve-se utilizar o critério estabelecido no caput da

norma do artigo 651 da CLT, ou seja, o empregado deverá propor a ação no último local da

prestação de serviços, ainda que contratado no estrangeiro.

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Caso haja tratado internacional disciplinando que o foro competente para a propositura da reclamação trabalhista é determinado país, não se aplicará a regra do § 2º da norma do artigo 651 da CLT, mas o que o tratado prevê.

Empresas que Promovem Atividades Fora do Lugar do Contrato

A exceção do § 3º da norma do artigo 651 da CLT estabelece que se o empregador promove atividades fora do lugar do contrato, é assegurado ao empregado reclamar no foro da celebração do contrato ou no da prestação do serviço. Buscou a lei, assim, facilitar o acesso à justiça (art. 5º, XXXV, CF) e proteger esses trabalhadores, que por conta da função que exercem existe uma maior dificuldade para promover ação em determinado foro.

A regra contida no § 3º deve ser interpretada restritivamente, ou seja, o § 3º do artigo 651 da CLT, deve ser utilizado nos casos em que o empregador desenvolve atividades em locais incertos, transitórios ou eventuais.

Deve-se entender por empresas que promovem a prestação de serviços fora do lugar da contratação às seguintes: especializadas em auditorias, instalação de caldeiras, reflorestamento, em atividades circenses, artísticas, feiras, exposições, promoções, desfiles de moda, promotora de rodeios, montadoras industriais etc. Nessas atividades o empregado é requisitado para prestar serviços em atividades eventuais, transitórias e incertas. Acabado o evento, não mais trabalham naquela localidade para a qual foram designadas.

Nestes casos, poderá o obreiro escolher livremente em propor a ação no local da celebração do contrato de trabalho ou no da prestação dos respectivos serviços, onde a prova lhe for mais fácil, ou na localidade onde tiver menos gastos com locomoção.

Conclusão

A competência em razão do lugar é relativa, ou seja, se não for alegada na primeira oportunidade, a competência restará prorrogada, nos moldes da norma do artigo 114, do CPC.

A exceção de incompetência em razão do lugar poderá ser arguida, por exemplo, pelo empregado, se a ação foi proposta pelo empregador, como na hipótese de uma ação de consignação em pagamento, sob pena de ser competente, em razão do lugar, o juízo que era incompetente.

A interpretação literal da norma do artigo 651 da CLT, não é a melhor forma a ser dada às

disposições legais, devendo o intérprete – e principalmente o aplicador da lei - buscar o real

sentido e a finalidade precípua na norma, com o objetivo de acompanhar a evolução social

e atualizar e dinamizar a própria norma a ser aplicada, mantendo a ordem jurídica sempre

em sintonia com a ordem social e com o ideal de justiça. Deve o aplicador do direito

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utilizar-se das interpretações sistemática e teleológica, as quais orientam no sentido de que, na fixação da competência territorial, deve-se dar relevância à questão da insuficiência econômica do trabalhador, bem como facilitar o seu acesso ao Poder Judiciário.

Na interpretação e aplicação das disposições da norma do artigo 651, da CLT, deve-se ter como escopo facilitar ao litigante economicamente mais fraco o ingresso em juízo em condições mais favoráveis à defesa de seus direitos, sem que isso resulte em prejuízo à demandada.

A fixação da competência territorial tem como base os princípios constitucionais que orientam nossa ordem jurídica, tais como o da valorização da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III), da inafastabilidade da apreciação pelo Poder Judiciário de lesão ou ameaça a direito (artigo 5º, XXXV), além do que estende a aplicabilidade dos princípios processuais constitucionais do contraditório e ampla defesa (artigo 5º, LV) e da razoável duração do processo (artigo 5º, LXXVIII).

Bibliografia

BASTOS, Maurício. Opiniões e Comentários. Competência em razão do lugar. São Paulo, [2008?]. (data provável) < http://www.mauricio.bastos.nom.br/opinioes-comentarios/688- competencia-razao-do-lugar-artigo-651-interpretacao-atual-extensiva.html> Acessado em 16 abr. 2009.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito Processual do Trabalho. Doutrina e Prática Forense. 26 edição. São Paulo: Atlas, 2006.

PAIVA, Mario Antonio Lobato de. Da Competência Em Razão Do Lugar Na Justiça Do

Trabalho. Belém, [2004?]. (data provável) <

http://www.uj.com.br/publicacoes/doutrinas/1551/DA_COMPETENCIA_EM_RAZAO_DO_L UGAR_NA_JUSTICA_DO_TRABALHO> Acessado em 16 abr. 2009.

RODRIGUES, Daniele. Competência Territorial. São Paulo, [2002?]. (data provável) Acessado em 16 abr. 2009

Juliana Cândida Figueiredo Silva - Estudante

Referências

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