• Nenhum resultado encontrado

Aula de 99

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Aula de 99"

Copied!
99
0
0

Texto

(1)

Aula 04

Noções de Direito Constitucional – Reforma e Revisão Constitucional

Analista Judiciário - Área de Apoio Judiciário e

(2)

Sumário

SUMÁRIO ... 2

PODERES CONSTITUÍDOS: REFORMA E REVISÃO CONSTITUCIONAL ... 3

(1)RECADO INICIAL ... 3

(2)INTRODUÇÃO ... 3

(3)PODER DERIVADO DECORRENTE ... 6

(4)PODER DERIVADO REFORMADOR ... 11

(4.1)LIMITAÇÕES EXPRESSAS ... 14

(A)LIMITAÇÕES TEMPORAIS ... 14

(B)LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS ... 18

(C)LIMITAÇÕES FORMAIS (PROCEDIMENTAIS) ... 20

(D)LIMITAÇÕES MATERIAIS ... 30

(4.2)LIMITAÇÕES IMPLÍCITAS ... 37

(5)OUTROS MECANISMOS DE MODIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988 ... 44

(5.1)REVISÃO CONSTITUCIONAL... 44

(5.2)MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL ... 48

(6)QUESTÕES RESOLVIDAS EM AULA ... 53

(7)OUTRAS QUESTÕES: PARA TREINAR ... 68

(8)RESUMO DIRECIONADO ... 93

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 99

(3)

PODERES CONSTITUÍDOS: REFORMA E REVISÃO CONSTITUCIONAL

(1) Recado inicial

Lembre-se que esta aula foi produzida para o concurso de Analista Judiciário - Área de Apoio Judiciário e Administrativo do TJ GO, banca UFG, sendo datada de outubro de 2021. Como o conteúdo de Direito Constitucional é o que mais se altera no mundo jurídico (em razão das constantes mudanças legislativas e, em especial, das incessantes novas decisões do STF), não desperdice seu tempo ou arrisque sua aprovação estudando um material desatualizado. Busque sempre a versão oficial da aula no site do nosso curso!

(2) Introdução

Olá, caríssimo aluno! Seja muito bem-vindo a mais um encontro de Direito Constitucional. O tema que esta aula nos reserva é bastante especial. Vou lhe mostrar o porquê:

(i) É um assunto muito incidente em provas (é ótimo estudar temas que têm grandes chances de aparecer em seu concurso, concorda?);

(ii) O interesse que ele desperta é enorme (você já deve ter se feito perguntas acerca da possibilidade de alterarmos nossa Constituição, do procedimento que deve ser respeitado, dos limites nos quais tais modificações esbarram. Nessa aula, trarei as respostas!);

(ii) Temos um único artigo central a ser estudado e memorizado (ou seja, o art. 60 da CF/88 será nosso norte);

(iii) Não teremos decisões do STF que vão desatualizar facilmente essa aula (dessa forma, já avaliaremos nesse nosso encontro os principais entendimentos da nossa Corte Suprema que você deve conhecer sobre o assunto, sabendo que, dificilmente, uma nova decisão poderá lhe surpreender em uma prova futura).

Por tudo isso, lhe digo: será um prazer estudarmos a Reforma da Constituição para que, depois, você acerte as questões de prova sobre o tema, não tenho dúvidas!

Mas veja bem: antes mesmo de iniciarmos essa análise acerca da alteração da nossa Constituição Federal, vou lhe convidar para fazermos uma breve recapitulação sobre o poder constituinte originário.

Você se lembra que o poder constituinte originário é o responsável pela elaboração da Constituição, norma superior que inicia a ordem jurídica? E mais: você se recorda que o titular do poder constituinte (aquele que o detém, estando apto a elaborar os contornos normativos de um Estado) é o povo? Aliás, nunca é demais rememorar que no transcorrer dos vários séculos da Idade Média, a titularidade pertenceu aos soberanos, compreendidos como verdadeiras reencarnações de entidades divinas. Foi só no final do século XVIII, às vésperas da Revolução Francesa (1789), quando Sieyés publicou o panfleto intitulado O que é o terceiro Estado?, que a formulação clássica da titularidade do poder constituinte como pertencente à nação surgiu. Modernamente, todavia, você bem sabe que essa

(4)

titularidade foi deslocada da “nação” para o povo. Por isso o poder constituinte originário passou a ser, portanto, um poder do povo!

Avançando, também não podemos esquecer que, segundo a ótica positivista, vigente em nosso ordenamento, são quatro as características essenciais do poder originário:

a) inicial: pois o produto de seu trabalho, a Constituição, é a base do ordenamento jurídico; é o ponto a partir do qual o Direito e o Estado começam;

b) ilimitado: pois o PCO não se submete ao regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica – note que essa ausência de limites deve ser lida sob a ótica jurídica.

Obs.: Vale frisar que a ausência de limites para o exercício do poder originário deve ser tratada com certas reservas, pois é indiscutível a existência de alguns limites, como, por exemplo, os geográficos/territoriais (o PCO vai elaborar uma Constituição que valerá e produzirá seus efeitos em um âmbito territorial previamente delimitado). Igualmente apresentam-se como limites as circunstâncias sociais e políticas que lhe dão causa, pois se o poder constituinte é a expr essão da vontade política soberana do povo, não pode ser entendido sem a observância dos valores éticos, religiosos e culturais partilhados pelo povo e motivadores de suas ações.

c) incondicionado: já que não se submete a qualquer regra ou procedimento formal prefixado pelo ordenamento jurídico que o antecede;

d) autônomo: porque é capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem como sua estruturação e os termos de seu estabelecimento (lembre-se que, para alguns autores, essa característica é só uma maneira diferente de expressar o fato de o poder ser ilimitado ).

Há, ainda, uma outra característica do poder constituinte muito útil à complementação do rol apresentado. Podemos dizer que ele é um poder permanente, pois não se esgota quando da conclusão da Constituição. Ele permanece em situação de latência (“hibernando”), podendo ser ativado quando o

“momento constituinte”, (de necessária ruptura com a ordem estabelecida), se apresentar novamente.

No entanto, apesar de ser um poder permanente, o PCO não se mantém organizado (estruturado e em exercício), depois que finaliza seu trabalho, isto é, depois que conclui a confecção da Constituição e a entrega ao povo. Foi exatamente por isso que, no processo de feitura da atual Constituição federal de 1988, nossa Assembleia Nacional Constituinte, que se reuniu pela primeira vez em 1° de fevereiro de 1987, se dissolveu em 05 de outubro de 1988, quando foi promulgada e publicada nossa Constituição.

Assim, ao terminar seu trabalho e entregar a nova Constituição, o PCO “sai de cena”. Mas ele deixa em seu lugar os chamados poderes instituídos (ou constituídos ou constituintes derivados), com atribuições e tarefas já previamente definidas.

Portanto, os poderes constituídos nada mais são do que poderes que foram criados pelo poder originário: são “poderes de direito” (possuidores de natureza jurídica, e não política), que conhecem

(5)

limitações e condicionamentos e subordinam-se de modo irrestrito ao regramento imposto pelo poder originário no texto constitucional.

Um detalhe acerca da nomenclatura desses poderes: ao meu sentir, como eles são “criaturas”, devem ser chamados de poderes “constituídos”, pois foram criados pelo PCO, derivam dele. No entanto, é muito comum que as bancas examinadoras usem o termo “constituinte” também para designá-los. Não me parece algo muito técnico. Todavia, é bastante corriqueiro.

Bom, com essa digressão toda feita, já podemos começar nossa análise dos poderes instituídos (ou constituídos).

Tais poderes são de duas espécies: o poder constituído derivado decorrente (ou poder constituinte decorrente) e o poder constituído derivado reformador (ou poder constituinte reformador). Um conceito rápido acerca da função de cada qual: o poder decorrente é o responsável pela feitura das Constituições estaduais (e da Lei Orgânica do DF); já o poder reformador (representado pelo Congresso Nacional) tem a função de modificar o texto constitucional, evitando que ele se torne ultrapassado (obsoleto). Veja o esquema1 abaixo:

Vamos tratar detalhadamente de cada um desses poderes derivados nos itens subsequentes. Em frente!

(6)

(3) Poder Derivado Decorrente

Já ouviu falar desse poder? Vou começar lhe explicando por qual razão exatamente ele existe. Vamos por partes:

(i) Pense que o poder constituinte originário tenha atuado e elaborado uma nova Constituição para o nosso país. Sendo assim, uma nova ordem jurídica – com novos preceitos e princípios – surgiu. Para assegurar harmonia e coerência sistêmica à nova estrutura normativa, será essencial que todos os demais documentos da ordem jurídica sejam compatíveis com a nossa Carta Maior, em razão da indiscutível superioridade dela.

(ii) Lembre-se, agora, que vivemos em uma federação – forma de Estado que se caracteriza pela descentralização do exercício do poder político em diferentes entidades políticas (entes federados), todas elas dotadas de autonomia. No Brasil, as entidades autônomas da federação são: a União, os Estados-membros, o Distrito Federal (DF) e os Municípios.

(iii) Bom, se uma nova Constituição Federal surgiu, novos documentos constitucionais estaduais deverão ser feitos, a fim de se adequarem ao novo ordenamento jurídico que foi inaugurado com a entrada em vigor da nova Constituição.

(iv) Assim, podemos concluir que o poder constituído (ou constituinte derivado) decorrente é a capacidade conferida pelo poder constituinte originário aos Estados-membros, enquanto entidades integrantes da Federação, para elaborarem suas próprias Constituições (art. 25, CF/88). Só isso!

O poder decorrente, portanto, é o responsável por editar as novas Constituições estaduais, que terão que ser refeitas justamente porque uma nova Constituição Federal nos foi apresentada!

E como é que o poder originário viabilizou essa tarefa? Ele fez constar no art. 11 do ADCT (ato das disposições constitucionais transitórias) a possibilidade de os integrantes eleitos para as Assembleias Legislativas dos Estados em 1986 (os deputados estaduais), serem investidas do poder decorrente.

Assim, eles teriam o prazo de um ano (a contar da promulgação da Constituição da República), para poderem promulgar as novas constituições estaduais.

Se você resolver ler alguma Constituição estadual, verá que a maioria realmente usou esse prazo de um ano e, “aos 45 minutos do segundo tempo”, promulgou sua constituição estadual. Veja nas imagens abaixo alguns exemplos:

(7)

---

---

---

(8)

---

---

(9)

Note agora um detalhe interessante citado pela doutrina: o poder decorrente pode ser de dois tipos!

(i) Quando o poder decorrente cria a Constituição do Estado ele é denominado “poder decorrente instituidor”;

(ii) Quando o poder decorrente realiza as alterações na Constituição do Estado, procedendo aos ajustes necessários para manter o documento estadual compatível com a realidade, ele é chamado de “poder decorrente reformador”.

Outro aspecto importante para o seu estudo, caro aluno, é referente à apresentação das características do poder decorrente. Já sabemos que ele elabora um documento que será nomeado

“constituição” estadual. No entanto, podemos seguir convictos de que qualificá-lo como “poder constituinte” é uma inadequação. Só quem “constitui” é o poder originário, de modo que me parece algo muito impróprio mantermos o mesmo nome para realidades tão diferentes. Assim, prefiro chamá-lo de poder derivado decorrente, ou poder constituído decorrente (mas é sempre prudente te lembrar que sua banca examinadora costuma ser pouco técnica e dizer “poder constituinte decorrente”).

Bom, como o poder decorrente é um poder derivado, criado pelo poder constituinte originário, ele é:

– um poder de direito, institucionalizado pela Constituição, possuidor, pois, de natureza jurídica;

– um poder limitado (ou subordinado), – condicionado, e

(10)

Dando sequência ao nosso estudo, futuro Analista do TJ GO, vamos enfrentar agora uma polêmica doutrinária: o poder decorrente atua somente na elaboração das Constituições estaduais ou é também o responsável pela elaboração dos documentos de organização do Distrito Federal e dos Municípios?

A resposta, até hoje, ainda divide a doutrina.

De um lado temos a corrente minoritária, partidária da tese de que o poder decorrente atua também nos Municípios e no DF. O argumento central é o seguinte: apesar de a Constituição ter se valido da expressão “lei orgânica”, os documentos principais desses dois entes são efetivas “constituições em sentido material", já que formatam e estruturam toda a organização deles. Nessa perspectiva, se os estatutos que os disciplinam possuem natureza constitucional, o poder que os apresenta é o decorrente.

De outro lado, temos a corrente majoritária, que vamos adotar, que defende que o poder decorrente também existe na feitura da Lei Orgânica do Distrito Federal, mas não na feitura das Leis Orgânicas dos Municípios. A argumentação que sustenta essa opinião pode ser construída a partir das seguintes ponderações:

– o Distrito Federal tem, por força do art. 32, § 1º, CF/88, as mesmas competências legislativas reservadas aos Estados-membros, dentre as quais se situa a atribuição estadual de elaborar sua própria Constituição;

– a Lei Orgânica do Distrito Federal, assim como ocorre com as Constituições estaduais, é um documento que só está submetido à Constituição da República (subordinação direta);

– esse parece ser o entendimento do STF sobre a questão: “Em uma palavra: a Lei Orgânica equivale, em força, autoridade e eficácia jurídicas, a um verdadeiro estatuto constitucional, essencialmente equiparável às Constituições promulgadas pelos Estados-membros”;

– quanto aos Municípios, eles são organizados por documentos condicionados simultaneamente à Constituição estadual e à Constituição Federal, isto é, se sujeitam à uma dupla subordinação;

– o fato de termos esses “dois graus de imposição constitucional" tornaria um eventual poder decorrente municipal em um poder de terceiro grau, vez que decorreria do poder decorrente estadual, que por sua vez já é um poder de segundo grau (pois decorre do originário)! Em conclusão, o poder decorrente deve extrair sua legitimidade diretamente do texto da Constituição, o que não ocorreria se vislumbrássemos um poder decorrente municipal.

Em resumo, o poder constituído decorrente elabora as Constituições estaduais e a Lei Orgânica do Distrito Federal, mas não é um poder que foi conferido aos Municípios.

(11)

(4) Poder Derivado Reformador

Você bem sabe, estimado aluno, que na atualidade não existem Constituições imutáveis, pois os textos constitucionais precisam se adaptar às mudanças sociais, sob pena de perderem a harmonia com a realidade e se tornarem um mero conjunto de conselhos desprovidos de sentido normativo.

Este é o papel do poder reformador: promover pequenos ajustes para rejuvenescer e adequar a Constituição, para impedir que ela fique obsoleta/ultrapassada. O poder reformador, portanto, atua na etapa de continuidade constitucional: o poder originário criou o documento constitucional, o poder reformador permite que ele siga atual e compatível com a realidade.

Adotamos, tradicionalmente, documentos constitucionais rígidos, o que significa duas coisas:

(i) que a Constituição Federal pode ser modificada; e

(ii) que o procedimento escolhido para a modificação é mais complexo e dificultoso do que aquele estabelecido para a feitura da legislação infraconstitucional (das leis ordinárias e das leis complementares). Ou seja: é mais difícil fazer uma emenda ao texto constitucional do que elaborar uma lei ordinária ou complementar.

Nesse sentido, estudar a reforma constitucional, portanto, nada mais é do que estudar as limitações ao poder de reforma que foram impostas pelo poder constituinte originário. Nos tópicos seguintes vamos analisar cada uma dessas limitações. Mas desde já, para que você tenha uma visão panorâmica do que será discutido, saiba que existem limitações implícitas ao poder reformador, bem como limitações expressas (sendo que estas últimas podem ser divididas em formais, materiais e circunstanciais – limitações temporais não foram previstas na atual Constituição (o art. 60, § 5° é uma limitação formal, não temporal, como veremos adiante).

Numa visão geral, portanto, as limitações que serão examinadas nos próximos itens são as seguintes2:

(12)

Vejamos agora como as bancas têm exigido esse ponto introdutório da matéria nas provas:

Questões para fixar

[CESPE - 2017 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Procurador do Município] A respeito do poder constituinte, julgue o item a seguir:

O poder constituinte derivado reformador manifesta-se por meio de emendas à CF, ao passo que o poder constituinte derivado decorrente manifesta-se quando da elaboração das Constituições estaduais.

Comentário:

Item correto. O poder constituinte derivado reformador tem a função de alterar a Constituição da República, ajustando e atualizando o texto constitucional ao novo contexto social, através das emendas constitucionais. Lembremos, ademais, que a atividade do poder reformador na feitura das emendas constitucionais será desenvolvida em estrita observância às limitações impostas pelo Poder Constituinte Originário no art. 60 da CF/88.

Por seu turno, o poder constituinte derivado decorrente surge a partir da capacidade de auto-organização conferida aos Estados-membros, que elaborarão suas próprias Constituições, autorizados pelos artigos 25 da CF/88 e 11 do ADCT.

Gabarito: Certo [FEPESE - 2018 - PGE-SC - Procurador do Estado - Adaptada] Em relação ao poder constituinte, julgue a assertiva:

Tal poder poderá se apresentar como originário (poder criador), como derivado (reformador) ou ainda como decorrente (dirigido aos estados-membros).

Comentário:

O poder constituinte originário é o poder responsável pela elaboração da Constituição, norma superior que inicia a ordem jurídica. Por outro lado, temos também os poderes instituídos (ou constituídos), que são poderes que foram criados pelo poder originário. São duas as espécies: o poder constituído decorrente e o

(13)

poder constituído reformador. A assertiva é verdadeira. Repare que o examinador se valeu de uma construção aqui por nós criticada (mas muito comum!): a de considerar os poderes derivados (decorrente e reformador) como poderes constituintes.

Gabarito: Certo [CESPE - 2018 - EMAP - Analista Portuário - Área Jurídica] Julgue o item que segue, a respeito do poder constituinte:

O poder constituinte originário outorgado aos estados federados permite que estes elaborem e atualizem suas próprias constituições.

Comentário:

Entende-se por poder constituinte originário aquele que cria uma nova ordem jurídica, por meio da confecção da Constituição que irá reger aquele Estado Nacional e não é isso o que acontece quando os Estados-membros criam suas próprias Constituições Estaduais. O poder que permite a elaboração das Constituições pelos Estados-membros é o poder constituinte (ou constituído) decorrente (um poder de segundo grau, limitado, criado pelo poder constituinte originário). Logo, a assertiva apresentada é falsa.

Gabarito: Errado [VUNESP - 2018 - Prefeitura de Bauru - SP - Procurador Jurídico] Enquanto o Poder Constituinte Originário é a potência que funciona na etapa de elaboração genuína do texto básico, o Poder Constituinte Derivado Reformador:

A) destrói a ordem jurídica existente, implantando outro ordenamento, recorrendo, até mesmo, ao recurso da força.

B) é a competência que atua na etapa de continuidade constitucional, reformulando a Carta Constitucional.

C) haure sua força em si mesmo, é autossuficiente, prescindindo de prescrições jurídico-positivas para embasá-lo.

D) surge das relações político-sociais, porque seu fundamento reside nas necessidades econômicas, culturais, antropológicas, filosóficas, entre outras, da sociedade.

Comentário:

Nossa resposta encontra-se na letra ‘b’, pois o poder constituído reformador tem a função de modificar formalmente a Constituição da República, exercendo a relevante tarefa de ajustar o texto constitucional aos novos ambientes formatados pela dinâmica social.

Gabarito: B [CESPE - 2016 - TRE-PI - Analista Judiciário – Judiciária - Adaptada] Acerca do direito constitucional, julgue a assertiva:

As várias reformas já sofridas pela CF, por meio de emendas constitucionais, são expressão do poder constituinte derivado decorrente.

Comentário:

(14)

É o poder constituído reformador que tem a função de modificar formalmente a Constituição da República, exercendo a relevante tarefa de elaborar as emendas constitucionais que vão atualizar o texto constitucional. O item está, portanto, incorreto.

Gabarito: Errado [CESPE - 2016 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Analista Judiciário - Área Judiciária - Adaptada] Acerca do poder constituinte e dos princípios fundamentais da CF, julgue a assertiva:

O poder constituinte derivado reformador efetiva-se por emenda constitucional, de acordo com os procedimentos e limitações previstos na CF, sendo passível de controle de constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Comentário:

As emendas constitucionais deverão seguir o rito e limitações previstos no art. 60 da CF/88. Caso não haja observância do art. 60, as emendas poderão ser contestadas em sede de controle de constitucionalidade pelo STF. Logo, a assertiva é verdadeira.

Gabarito: Certo

Após a resolução dessas questões, estamos preparados para avançar! Passaremos a analisar cada uma das limitações impostas pelo poder constituinte originário ao poder constituído reformador.

(4.1) Limitações expressas

Os limites expressos são aqueles que podem ser encontrados no texto constitucional, no art. 60, pois foram explicitados pelo poder constituinte originário. Já sabemos que são de ordem circunstancial, formal e material. Iniciaremos, no entanto, nossa conversa com um limite expresso que inexiste na atual Constituição Federal de 1988, que é o temporal. Por que isso? Porque é um limite que já existiu no passado em uma Constituição nossa (na 1ª, a Constituição imperial de 1824) e porque o examinador pode lhe dizer que é um limite que se aplica hoje à Constituição de 1988 (e você precisa saber rebater essa afirmação).

Vamos lá!

(A) Limitações temporais

Os limites temporais são aqueles que procuram inviabilizar modificações no texto da Constituição Federal durante certos e determinados espaçamentos temporais, a fim de que seu regramento se consolide, para que só depois as mudanças sejam feitas.

Um único documento constitucional pátrio que estabeleceu limitação temporal foi a nossa Constituição Imperial de 1824 (no art. 174), que só autorizava a reforma de seu texto após passados 4 anos de sua vigência.

(15)

Para a doutrina majoritária, na Constituição Federal de 1988 não há previsão de limitações temporais ao poder de reforma3.

Mas é certo que sempre existiu um debate no que se refere ao § 5º do art. 60. Alguns autores já disseram que representa uma limitação temporal; para a esmagadora maioria, no entanto, é uma limitação de cunho formal / procedimental, pois não impede que a CF/88 seja modificada dentro de um certo lapso temporal, mas sim que ela seja alterada sem que uma regra procedimental (mudança de sessão legislativa) tenha sido observada. Vamos ler juntos esse parágrafo, para que você possa concluir:

Art. 60, § 5º: A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Note, meu caro aluno, que a possibilidade de reapreciação da PEC só depende do respeito a uma regra formal: tem que ter havido uma mudança de sessão legislativa. Não há um limite temporal, já que não se leva em consideração o tempo transcorrido da rejeição da PEC até a nova apreciação daquela matéria. Não importa que entre a rejeição e a reapreciação tenham se passado dois meses (por ex.:

rejeição em 10 de dezembro e reapreciação em 10 de fevereiro) ou onze meses (por ex.: rejeição em 10 de março e reapreciação em 10 de fevereiro), o que interessa é que estejamos em uma nova sessão legislativa.

É por isso que concluímos que o § 5º do art. 60 representa uma limitação formal, pois não impede que a CF/88 seja modificada dentro de um certo e específico lapso temporal, mas sim que ela seja alterada sem que uma regra procedimental (mudança de sessão legislativa) tenha sido observada. O dispositivo constitucional preceitua que a matéria constante de uma PEC rejeitada ou havida por prejudicada não poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Só a partir de uma próxima sessão legislativa é que essa PEC, rejeitada ou considerada prejudicada, poderá tramitar novamente, jamais na mesma sessão.

Aproveitando o ensejo dessa regra procedimental, vou chamar sua atenção para alguns pontos que te ajudam a compreender ainda melhor este ponto da matéria:

(i) Não confunda “sessão legislativa” (que é o período anual de trabalho de Congresso Nacional, conforme dispõe o art. 57, CF/88), com “legislatura” (que é o período de quatro anos, que corresponde ao mandato dos deputados federais; art. 44, parágrafo único). Portanto, tome muito cuidado se o examinador trocar a expressão “sessão legislativa” e colocar “legislatura”.

(ii) Existe uma regra parecida com esta do art. 60, § 5° (que vale para a PEC) para Medida Provisória (MP), no art. 62, § 10, CF/88. De acordo com esse último dispositivo, uma medida provisória rejeitada, expressa ou tacitamente não poderá, em hipótese alguma, ser reeditada pelo Presidente da República em uma mesma sessão legislativa, só a partir de uma próxima.

(16)

(iii) Assim como temos essa regra no art. 60, § 5° para PEC e no art. 62, § 10 para MP, temos também uma regra específica para os projetos de lei (PL) no art. 67. Mas tome muito cuidado! Porque a regra válida para o PL é bem diferente. Veja só: a matéria constante de projeto de lei poderá constituir objeto de um novo projeto na mesma sessão legislativa, desde que haja uma proposta da maioria absoluta dos membros de uma das Casas do Congresso Nacional (art. 67, CF/88). Ou seja, aquilo que era impossível para uma PEC ou MP rejeitada (reapreciação ou reedição em uma mesma sessão legislativa), é algo que pode acontecer para um projeto de lei, desde que seja observada uma condição (um pedido feito pela maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados – ao menos 257 dos 513 deputados federais – ou do Senado Federal – 41 dos 81 Senadores da República).

Veja, na tabela4 posta abaixo, se você consegue visualizar melhor as três situações que comparamos: a da PEC, a da MP e a do PL.

Bom, podemos concluir que se uma PEC ou uma MP forem rejeitadas em uma sessão legislativa específica, a matéria que elas veiculavam somente poderá ser objeto de uma nova discussão (no caso da PEC) ou reedição (em se tratando de MP) quando uma nova sessão legislativa for inaugurada, no dia 02 de fevereiro do ano seguinte (art. 57, CF/88). Por outro lado, a matéria constante de um projeto de lei que tenha sido rejeitado numa sessão legislativa poderá constituir objeto de um novo projeto, numa mesma sessão legislativa, bastando, para tanto, que haja um requerimento feito pela maioria absoluta dos membros de quaisquer das Casas Legislativas do Congresso Nacional.

E antes de finalizamos esse ponto, você já sabe, teremos questões para resolvermos juntos:

Questões para fixar

[FEPESE - 2018 - PGE-SC - Procurador do Estado - Adaptada] Em relação ao poder constituinte, julgue a assertiva:

A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa, desde que conte com a assinatura de 1/3 dos membros da respectiva casa legislativa.

(17)

Comentário:

O item é falso, pois uma PEC rejeitada ou havida por prejudicada não poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Gabarito: Errado [CONSULPLAN - 2018 - TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento - Adaptada] Em relação ao processo legislativo, julgue a assertiva:

A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Comentário:

A assertiva apresentada está correta, sendo a reprodução literal do art. 60, § 5°, CF/88!

Gabarito: Certo [CESPE - 2015 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto] A respeito da ordem constitucional brasileira, julgue o item:

A matéria constante de proposta de emenda constitucional rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser novamente apresentada na mesma legislatura.

Comentário:

Consoante previsão do art. 60, § 5º da CF/88, a matéria de uma PEC rejeitada não poderá ser discutida na mesma sessão legislativa. Logo, como a assertiva dispõe que a proposta não poderá ser discutida na mesma legislatura, o item é falso. Afinal, legislatura é o período de 4 anos, que compreende 4 sessões legislativas.

Portanto, a matéria de uma PEC rejeitada em uma legislatura pode sim ser objeto de uma nova PEC na mesma legislatura (não poderia ser se estivéssemos na mesma sessão legislativa).

Gabarito: Errado [CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor de Orçamento e Fiscalização Financeira] Com base nas normas sobre processo legislativo constantes da Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o item que segue:

A matéria constante de proposta de emenda constitucional rejeitada ou havida por prejudicada somente poderá ser reapresentada, na mesma sessão legislativa, mediante requerimento da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.

Comentário:

Item falso. Ao contrário do que se passa com os projetos de lei (cuja matéria pode ser rediscutida em um novo projeto, na mesma sessão legislativa desde que haja a apresentação de um requerimento pela maioria absoluta dos membros de qualquer uma das Casas do Congresso Nacional; art. 67, CF/88), a matéria constante de uma PEC rejeitada ou havida por prejudicada não poderá ser reapresentada em uma mesma sessão legislativa, conforme prevê o art. 60, § 5º da CF/88. Essa reapreciação somente será possível a partir de uma próxima sessão legislativa, nunca na mesma.

(18)

(B) Limitações circunstanciais

Vamos iniciar o estudo desse ponto lendo o art. 60, § 1º, CF/88:

Art. 60, § 1º: A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

Podemos extrair desse dispositivo o seguinte: nossa Constituição não pode ser modificada no curso de circunstâncias anormais e excepcionais. O intuito é preservar a autonomia e a livre manifestação do poder reformador, impedindo que as maiorias ocasionais, que sempre aparecem nos cenários de crise, destruam o projeto constitucional com transformações impensadas e precipitadas.

É, portanto, impossível modificarmos a Constituição na vigência de estado de sítio, de estado de Defesa e da Intervenção Federal.

Aliás, meu caro aluno, lembre-se que foi justamente por causa dessa limitação que no ano de 2018 não foi feita nenhuma reforma no texto da Constituição de 1988! Afinal, estava em curso a intervenção federal decretada pela União (em fevereiro de 2018) no Estado do Rio de Janeiro, o que impediu que emendas constitucionais modificassem nosso documento constitucional.

Questões para fixar

[FCC - 2018 - SEAD-AP - Assistente Administrativo - Adaptada] Julgue a assertiva:

As mudanças da Constituição Federal podem ocorrer mediante emenda constitucional, na vigência de estado de defesa ou de estado de sítio, ouvido o Conselho de Defesa Nacional.

Comentário:

A assertiva é claramente falsa! Conforme preceitua o art. 60, § 1º, CF/88, a Constituição não poderá ser emendada (ou seja, modificada) na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

Gabarito: Errado [FCC - 2018 - SEAD-AP - Assistente Administrativo - Adaptada] Julgue a assertiva:

A CF/88 NÃO PODERÁ SER MODIFICADA NA VIGÊNCIA

Do Estado de Sítio

Do Estado de Defesa

Da Intervenção Federal

(19)

As mudanças da Constituição Federal podem ocorrer mediante emenda constitucional, na vigência de intervenção federal, ouvido o Conselho da República, tendo em vista o seu caráter consultivo.

Comentário:

Outra assertiva falsa, novamente baseada no art. 60, § 1º, CF/88. Extraímos da leitura desse dispositivo que a Constituição não poderá ser emendada (ou seja, modificada) na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

Gabarito: Errado [FEPESE - 2018 - PGE-SC - Procurador do Estado - Adaptada] Em relação ao poder constituinte, julgue a assertiva:

Não existe qualquer tipo de limitação circunstancial para a reforma da Constituição Federal.

Comentário:

O item é falso, visto que a limitação constante do art. 60, § 1º, CF/88, é uma limitação circunstancial imposta ao poder de reforma.

Gabarito: Errado [CONSULPLAN - 2018 - TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção] Em relação ao Poder Constituinte, julgue a assertiva:

A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou estado de sítio.

Comentário:

Como você bem sabe, o item é verdadeiro, haja vista a impossibilidade de a Constituição ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

Gabarito: Certo

Farei um último comentário antes de seguirmos para a análise das limitações formais: além dos três “estados de legalidade extraordinária” que já foram citados e que impedem a modificação do texto da Constituição Federal (intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa), saiba que existe mais um: a intervenção estadual. Esta é a intervenção que o estado-membro decreta em um município seu, em razão de terem sido praticados atos que se enquadram no art. 35, CF/88. No entanto, o fato de ter sido decretada a intervenção estadual (de um Estado em um Município seu) não impede que a Constituição Federal seja alterada, já que tal fato não representa uma limitação circunstancial.

Já sabe que lhe pedirei cuidado neste ponto, certo? Afinal, se o examinador trocar a “intervenção federal” pela “intervenção estadual” nossa resposta será totalmente distinta. Recapitulando: a decretação de intervenção federal impede a modificação da Constituição Federal; mas a decretação de intervenção estadual não impossibilita que nossa Constituição Federal seja alterada.

(20)

(C) Limitações formais (procedimentais)

Saiba, meu caro aluno, que a opção pela rigidez exige um procedimento especial para a confecção das emendas constitucionais, mais solene e dificultoso do que aquele utilizado para a elaboração da legislação infraconstitucional (das leis ordinárias e complementares).

Nesse sentido, no aspecto formal, o poder reformador deverá observar as seguintes regras procedimentais:

(i) Limitação formal subjetiva: a iniciativa para apresentação de uma proposta de emenda constitucional (PEC) está organizada em um rol exaustivo (taxativo ou numerus clausus) do art. 60, caput, CF/88 – que é significativamente mais restrito do que aquele que prevê a iniciativa para apresentação de projetos de lei (art. 61, CF/88).

Conforme o texto constitucional preceitua, são legitimados a apresentar uma proposta de emenda constitucional apenas:

- um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;

- o Presidente da República;

- mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

Sobre a participação do Presidente da República na elaboração de uma PEC, procure se lembrar que ele é legitimado para apresentar uma proposta de emenda, sendo esta a sua única participação no processo. Ele não atua em nenhuma outra etapa do processo de elaboração das emendas constitucionais (mais adiante veremos que ele não sanciona, não veta, não promulga e não publica uma PEC).

Em relação a legitimidade dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal para apresentar PEC, é importante observar que se trata de um ato coletivo, com o intuito de evitar uma multiplicação de propostas de emendas desnecessárias. Não pode um Deputado Federal sozinho (ou um Senador sozinho) propor uma PEC: é preciso colher um número mínimo de assinaturas na Casa que vai apresentar a proposta, ou seja, é preciso que ao menos 1/3 dos integrantes daquela casa queira subscrever a proposição (se a PEC for apresentada pela Câmara dos Deputados, precisamos da concordância de, no mínimo, 171 dos 513 Deputados Federais; se a PEC for proposta pelo Senado Federal, precisamos da concordância de, no mínimo, 27 dos 81 Senadores).

Por fim, no caso da legitimidade das Assembleias Legislativas, como depende da maioria das Assembleias Legislativas estaduais, cada qual se manifestando pela maioria relativa de seus membros, será de pouca valia, dada a imensa dificuldade de ser engendrada. Muito mais simples é obter, por exemplo, o apoio à proposta por um terço dos membros do Senado Federal.

(21)

Aliás, vou lhe passar duas informações bem curiosas sobre esse rol: (i) se fizermos um levantamento das propostas de emendas já feitas, notaremos que a esmagadora maioria foi apresentada pelo Presidente da República; (ii) outro detalhe: não existe nem uma única sequer emenda constitucional que tenha modificado a Constituição de 1988 que tenha sido apresentada pelas Assembleias Legislativas.

Por fim, vale ressaltar que, para a doutrina majoritária, não existe qualquer previsão de iniciativa popular para a propositura dessa espécie normativa. Ou seja, nós os cidadãos, não podemos nos organizar para apresentar uma PEC visando modificar o texto da Constituição de 1988. Podemos, no entanto, nos organizarmos para apresentarmos projetos de lei ordinária ou complementar, nos termos do art. 61, § 2°, CF/88.

Antes de passamos para as limitações formais objetivas, sugiro que façamos aquela importante pausa na leitura para nos dedicarmos à resolução de mais algumas questões:

Questões para fixar

[CS-UFG - 2015 - AL-GO - Analista Legislativo - Pesquisador Legislativo] A Constituição Federal de 1988, no artigo 60, prevê o seu próprio processo de emendamento, isto é, o ato e efeito de mudanças do texto constitucional, excetuando-se as cláusulas pétreas, que não podem ser suprimidas da Constituição. Nas disposições do referido artigo, especificam-se os autores das propostas de emenda. Tem esta prerrogativa constitucional o:

A) Governador de estado.

B) Presidente do Supremo Tribunal Federal.

C) Presidente da República.

D) Procurador-Geral da República.

Comentário:

Nosso gabarito encontra-se na alternativa ‘c’, pois o Presidente da República possui legitimidade para apresentar proposta de emenda à Constituição, nos termos do art. 60, II, CF/88. Quanto às demais alternativas, estão incorretas, pois o rol taxativo de legitimados não inclui as demais autoridades mencionadas na questão.

Gabarito: C [CESPE - 2018 - Instituto Rio Branco - Diplomata - Prova 1] No que tange aos direitos e garantias fundamentais e ao processo legislativo, conforme disposto na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue (C ou E) o item subsequente:

(22)

As assembleias legislativas estaduais dispõem de competência para propor emenda à CF, desde que a iniciativa parta de mais da metade das assembleias das unidades da Federação e pela maioria relativa dos membros de cada uma delas.

Comentário:

Item correto. Conforme disposição do art. 60, III, CF/88, as Assembleias Legislativas são competentes para apresentar PEC, desde que que a iniciativa advenha de mais da metade das Assembleias das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

Gabarito: Certo

[FCC - 2018 - SEAD-AP - Assistente Administrativo - Adaptada] Julgue a assertiva:

As mudanças da Constituição Federal podem ocorrer mediante emenda constitucional proposta por metade, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, pelo Presidente da República ou mais da metade dos governadores das unidades da Federação.

Comentário:

De acordo com o art. 60, caput, CF/88, a Constituição poderá ser emendada mediante proposta de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, pelo Presidente da República ou de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. Nesse sentido, a questão se equivocou ao afirmar que a Constituição poderá ser emendada por proposta de metade, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou mais da metade dos governadores das unidades da Federação.

Gabarito: Errado [CESPE - 2018 - SEFAZ-RS - Técnico Tributário da Receita Estadual - Prova 2] A Constituição Federal de 1988 poderá ser emendada para incluir garantia social mediante proposta:

A) da maioria simples dos membros da Câmara dos Deputados.

B) de três quintos dos membros do Senado Federal.

C) do presidente da República.

D) de organização sindical, se a proposta for relativa a direito dos trabalhadores.

E) do presidente da OAB Federal.

Comentário:

Foi fácil assinalar a letra ‘c’, certo? Das opções apresentadas, somente o Presidente da República está listado no art. 60, CF/88, como legitimado apto à apresentação de uma proposta de emenda constitucional.

Gabarito: C [INAZ do Pará - 2018 - CREFITO-16ª Região (MA) - Auxiliar Administrativo] De acordo com a Constituição Federal, no art. 60, a constituição poderá ser emendada mediante proposta:

A) De no mínimo 2/3 do Senado Federal, somente.

B) De no mínimo 1/3 do Senado Federal e 2/3 da Câmara dos Deputados.

(23)

C) De no mínimo metade das Assembleias Legislativas das Unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria absoluta de seus membros.

D) Do Presidente da República, ouvido o Conselho da República, com aprovação de moção por metade de seus membros.

E) De mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

Comentário:

A alternativa que deverá ser marcada é a da letra ‘e’. Sabemos que proposta de emenda à Constituição pode ser apresentada por mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros, conforme dispõe o art. 60, caput, CF/88.

Gabarito: E [CESPE - 2008 - CGE-PB - Auditor de Contas Públicas - Adaptada] Em relação ao poder reformador, julgue a assertiva:

A iniciativa popular para apresentação de proposição legislativa não pode dar início a proposta de emenda à Constituição.

Comentário:

A iniciativa para apresentação de uma PEC está organizada num rol taxativo no art. 60, caput, da CF/88.

Desta forma, não há qualquer previsão de iniciativa popular para esta espécie normativa. Não custa lembrar que o art. 61, § 2°, CF/88 prevê a possibilidade de os cidadãos se organizarem para apresentarem (na Câmara dos Deputados) projetos de lei (ordinária ou complementar).

Gabarito: Certo [CESPE / CEBRASPE - 2021 - TCE-RJ - Analista de Controle Externo - Especialidade: Ciências Contábeis] Com base na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o seguinte item:

A CF autoriza a propositura de emendas constitucionais por iniciativa popular.

Comentário:

A assertiva é falsa. Não há qualquer previsão de iniciativa popular para PEC. Sabemos que a iniciativa para apresentação de uma PEC está organizada num rol taxativo no art. 60, caput, da CF/88.

Gabarito: Errado

(ii) Limitações formais objetivas: a deliberação e a votação da PEC ocorrerão em cada Casa do Congresso Nacional (sessão bicameral), em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos respectivos membros (art. 60, § 2º, CF/88).

(24)

Note que podemos memorizar esse procedimento a partir de uma regra que eu chamo de 2235!

2= votação nas 2 Casas (Câmara dos Deputados e Senado Federal) 2= são 2 turnos em cada Casa

3/5= é a maioria de aprovação, em cada Casa, em cada turno

O procedimento da PEC tem por exigência inafastável, portanto, a aprovação de um texto igual, em dois turnos de discussão e votação, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Disso decorre ser a emenda um ato nitidamente complexo. E é ato complexo igual, pois resultado de vontades que estão postas num mesmo plano – a da Câmara dos Deputados e a do Senado Federal.

Sobre esse requisito (de termos dois turnos em cada Casa), é importante informar que não há na Constituição Federal a fixação de um intervalo temporal mínimo entre os dois turnos de votação para fins de aprovação de emendas à Constituição. Esse entendimento foi reforçado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme vemos na seguinte decisão:

ADI 4.425-DF, Rel. p/ o ac. Min. Luiz Fux: A Constituição Federal de 1988 não fixou um intervalo temporal mínimo entre os dois turnos de votação para fins de aprovação de emendas à Constituição (CF, art. 62, §2º), de sorte que inexiste parâmetro objetivo que oriente o exame judicial do grau de solidez da vontade política de reformar a Lei Maior. A interferência judicial no âmago do processo político, verdadeiro locus da atuação típica dos agentes do Poder Legislativo, tem de gozar de lastro forte e categórico no que prevê o texto da Constituição Federal. Inexistência de ofensa formal à Constituição brasileira.

Questões para fixar

[CS-UFG - 2015 - AL-GO - Analista Legislativo - Pesquisador Legislativo] Considere uma proposta de emenda constitucional tramitando nas duas Casas do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal). Sua aprovação ocorrerá se houver no mínimo:

A) um terço dos deputados federais a favor de sua aprovação.

B) um terço dos deputados federais e dos senadores, em votações separadas, a favor de sua aprovação.

C) três quintos dos senadores a favor de sua aprovação.

D) três quintos dos deputados federais e dos senadores, em votações separadas, a favor de sua aprovação.

Comentário:

(25)

Vamos assinalar a alternativa ‘d’, pois nos termos do art. 60, §2º, CF/88, a aprovação de proposta de emenda constitucional ocorrerá nos seguintes termos: “A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros”.

Gabarito: D [FEPESE - 2018 - PGE-SC - Procurador do Estado - Adaptada] Em relação ao poder constituinte, julgue a assertiva:

A proposta de emenda à Constituição Federal será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, dois terços dos votos dos respectivos membros.

Comentário:

O item está incorreto, pois a proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

Gabarito: Errado [CONSULPLAN - 2018 - TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento - Adaptada] Em relação ao processo legislativo, julgue a assertiva:

A proposta de emenda à Constituição será discutida e votada em única sessão conjunta do Congresso Nacional, considerando-se aprovada se obtiver dois terços dos votos dos seus membros.

Comentário:

Como você bem sabe, o item é falso, haja vista que a deliberação e a votação da PEC ocorrerão em cada Casa do Congresso Nacional (sessão bicameral), em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos respectivos membros.

Gabarito: Errado

E só para não perdemos a chance de abordar um tópico adicional aqui nessa aula, vou aproveitar para lhe lembrar que os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados pelo rito especial (discussão e votação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros), serão equivalentes às emendas constitucionais (art. 5º, § 3º, CF/88).

Observe que nesse caso também estamos seguimos o rito especial do 2235:

2 = a proposição é votada nas duas Casas do Congresso Nacional (CD e SF), 2 = a proposição é votada em dois turnos em cada Casa,

3/5 = é a maioria exigida para aprovação em cada Casa, em cada turno.

Para melhor compreensão, observe o esquema abaixo:

(26)

Como acabamos de estudar um ponto que é muito explorado nas provas, vamos observar, por meio de questões pretéritas, como ele vem sendo exigido pelos examinadores:

Questões para fixar

[FCC - 2018 - SEAD-AP - Assistente Administrativo - Adaptada] Julgue a assertiva:

As mudanças da Constituição Federal podem ocorrer mediante aprovação, em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos membros, de tratados internacionais sobre direitos humanos, que serão equivalentes às emendas constitucionais.

Comentário:

Alternativa correta, consoante a previsão do art. 5º, § 3º, da CF/88.

Gabarito: Certo [CESPE - 2018 - SEFAZ-RS - Assistente Administrativo Fazendário] Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, depois de aprovados internamente em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, são considerados equivalentes a:

A) leis federais.

Por 3/5 dos votos dos respectivos membros

Nas 2 Casas Legislativas (Senado Federal e Câmara dos Deputados)

São equivalentes às EMENDAS CONSTITUCIONAIS Em 2 TURNOS

TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS APROVADOS:

2235

(27)

B) súmulas vinculantes.

C) medidas provisórias.

D) leis complementares.

E) emendas constitucionais.

Comentário:

Conforme disposição do art. 5º, §3º da Constituição Federal, os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que sejam internalizados em nosso ordenamento pelo rito especial (semelhante ao utilizado para a aprovação de propostas de emendas constitucionais, do art. 60, § 2°, CF/88), serão equiparados às emendas constitucionais. Logo, a alternativa a ser marcada é a ‘E’.

Gabarito: E [CESPE - 2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal] Considerando o disposto na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o item a seguir, relativos aos direitos humanos:

Equivalem às normas constitucionais originárias os tratados internacionais sobre direitos humanos aprovados, em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros.

Comentário:

Os tratados aprovados pelo rito do art. 5º, § 3º, CF/88, serão equivalentes às Emendas Constitucionais (que são normas constitucionais derivadas). As normas originárias são aquelas que foram elaboradas pelo poder constituinte originário.

Gabarito: Errado [CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia] Com base na disciplina constitucional acerca dos tratados internacionais, da forma e do sistema de governo e das atribuições do presidente da República, julgue a assertiva:

Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, para que sejam equivalentes a emendas constitucionais, deverão ser aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, por maioria absoluta de votos, em dois turnos de discussão e votação.

Comentário:

Para que sejam equivalentes às emendas constitucionais, os tratados e convenções internacionais deverão seguir o rito previsto no art. 5º, § 3º, CF/88, que dispõe que o quórum de aprovação deverá ser de 3/5 (e não maioria absoluta, como indica a alternativa). Logo, a assertiva é falsa.

Gabarito: Errado [CESPE - 2014 - ANATEL - Conhecimentos Básicos - Cargos 13, 14 e 15] A respeito do direito constitucional, julgue o item que se segue considerando que a sigla CF refere-se à Constituição Federal de 1988:

(28)

Em respeito ao princípio da dignidade humana, previsto na CF, caso o Brasil seja signatário de determinado tratado sobre direitos humanos, o referido tratado será recepcionado automaticamente como emenda constitucional.

Comentário:

Não. O tratado, para ser equiparado à emenda constitucional, deverá ser introduzido na ordem constitucional seguindo o rito previsto no art. 5°, § 3° da CF/88. A assertiva é incorreta.

Gabarito: Errado [CESPE - 2013 - PG-DF – Procurador] Com relação ao estatuto jurídico dos tratados internacionais no direito brasileiro, julgue o próximo item:

Ao Congresso Nacional é vedado rejeitar tratado internacional que, firmado pelo presidente da República, verse sobre direitos humanos.

Comentário:

Conforme previsão do art. 49, I da CF/88, competirá ao Congresso Nacional resolver, definitivamente, sobre tratados, acordos ou atos internacionais capazes de resultar em encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Deste modo, como o Congresso pode confirmar ou rejeitar o Tratado, devemos marcar a assertiva como falsa.

Gabarito: Errado

Continuando o nosso estudo sobre as limitações formais impostas ao poder reformador, vamos conhecer a última que tem natureza formal, constante do § 3° (já vimos as limitações dos §§ 2° e 5º).

Depois que a PEC é discutida e votada nas duas Casas do Congresso Nacional, se for aprovada nos dois turnos em cada Casa, pela maioria exigida (que é de 3/5), a proposta se tornará uma emenda constitucional, não sendo necessário submetê-la à deliberação executiva (sanção ou veto presidencial). Na sequência, essa emenda já aprovada deverá ser promulgada, isto é, deverá receber seu atestado formal de existência. Tal promulgação é tarefa das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, conjuntamente, com o respectivo número de ordem (art. 60, § 3º, CF/88). A publicação é também determinada pelo Congresso Nacional.

Antes de passarmos à análise das questões, vou mais uma vez destacar que o Presidente da República só participa do processo legislativo de PEC se ele for o autor da proposta – afinal, ele não sanciona, não veta, não promulga e não publica a emenda.

(29)

Questões para fixar

[CONSULPLAN - 2018 - TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento - Adaptada] Em relação ao processo legislativo, julgue a assertiva:

A emenda à Constituição será promulgada pelo Presidente da República, com o respectivo número de ordem.

Comentário:

Eis uma questão muito interessante! Lembre-se a participação do Presidente da República no processo legislativo das emendas constitucionais se resume na apresentação da proposta, visto que não existe sanção/veto presidencial em PEC, ou seja, não há deliberação executiva. A emenda constitucional será promulgada pelas Mesas das Casas Legislativas (Câmara dos Deputados e Senado Federal). O item é falso.

Aproveito o ensejo para lhe lembrar que, nos termos do art. 66, § 7°, o Presidente da República promulga as leis.

Gabarito: Errado [CESPE - 2018 - IPHAN - Auxiliar Institucional - Área 1] Acerca da organização dos poderes do Estado, julgue o item subsequente:

O presidente da República é a autoridade competente para promulgar emendas à Constituição.

Comentário:

O item apresentado é falso! Conforme preceitua o art. 60, § 3º, CF/88, a emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

Gabarito: Errado [IADES - 2019 - AL-GO - Procurador] No que concerne ao processo reformador na Constituição Federal brasileira, assinale a alternativa correta:

A) O processo legislativo é bicameral.

B) O início da tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) é sempre pela Câmara dos Deputados.

C) Esse processo deve ser aprovado por dois turnos de votação no Congresso Nacional.

D) Só é válido após sanção presidencial.

E) Não há iniciativa extraparlamentar.

Comentário:

Esse é uma questão bem completa, pois revisa todos os pontos que trabalhamos até aqui. Ótimo, não é?

Bom, nossa alternativa correta é a da letra ‘a’: a deliberação e a votação da PEC ocorrerão em cada Casa do Congresso Nacional (sessão bicameral). Vamos verificar o erro das demais assertivas?

(30)

- letra ‘b’: se a PEC é apresentada por 1/3 dos Senadores, ela irá nascer nessa Casa legislativa, não há porque sua tramitação iniciar na Câmara dos Deputados. Dessa forma, quando a PEC é apresentada por Senadores, o Senado Federal será a Casa iniciadora.

- letra ‘c’: a PEC realmente deve ser apreciada em dois turnos, entretanto, a proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional (Senado Federal e Câmara dos Deputados), e não em uma sessão unicameral no Congresso Nacional.

- letra ‘d’: não existe sanção ou veto presidencial em PEC. O Presidente só participa no processo de elaboração das emendas constitucionais se ele for o autor da proposta.

- letra ‘e’: existe iniciativa de PEC para o Presidente da República, que é uma iniciativa extraparlamentar.

Gabarito: A

(D) Limitações materiais

Em relação às limitações materiais, estas se encontram no art. 60, § 4º da CF/88. Dispõe esse artigo que não poderá ser objeto de deliberação a proposta de emenda constitucional tendente a abolir ou restringir:

I) a forma federativa de Estado;

II) o voto direto, secreto, universal e periódico;

III) a separação dos Poderes;

IV) os direitos e garantias individuais.

Importante mencionar que essas matérias, elencadas no art. 60, § 4º da CF/88 e intituladas

"cláusulas pétreas" formam um núcleo intangível da Constituição Federal, imunizado contra possíveis alterações que reduzam o seu núcleo essencial ou debilitem o duradouro projeto que ela tencionou construir. Note que são temas muito importantes, que o poder constituinte originário resolveu proteger contra quaisquer tentativas de supressão / abolição /restrição.

Assim, seria inconstitucional uma PEC que resolvesse instituir a forma de estado unitária (em substituição à nossa atual forma de estado, que é a federada). Da mesma forma, seria inconstitucional a PEC que tentasse acabar com o voto direto, instituindo, por exemplo, que o Presidente da República, depois de eleito, nomearia os governadores de Estado e do DF (eles devem ser eleitos diretamente pelo povo). Aliás, sobre o voto ser direto, não nos esqueçamos que só existe em nossa Constituição uma única hipótese de votação indireta: prevista no art. 81, § 1°, ocorre quando os cargos de Presidente e Vice- Presidente da República ficam vagos nos dois últimos anos do período presidencial – neste caso, a nova

(31)

eleição será indireta, pois feita pelo Congresso Nacional, que escolherá nossos representantes em nosso lugar.

Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, as cláusulas pétreas não são imutáveis, “o que se veda é a desfiguração completa da obra do poder originário, descaracterizando o projeto axiológico por ele estruturado. E não meras alterações redacionais ou na disciplina do tema. Se o núcleo essencial da cláusula permanece intocado, não há porque rechaçarmos a emenda.”5

ADI 2.024-DF, STF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, noticiada no Informativo 465, STF: Esclareceu- se que as limitações materiais ao poder constituinte de reforma que o art. 60, § 4º, da CF enumera não significam a intangibilidade literal da respectiva disciplina na Constituição originária, mas apenas a proteção do núcleo essencial dos princípios e institutos cuja preservação nelas se protege.

Após a estruturação das limitações expressas ao pode reformador, vamos relembrar os principais pontos analisando o esquema6 abaixo?

(32)

Referências

Documentos relacionados

Com o presente projeto de investimento denominado "Nexxpro Speed (Qualificação) - Reforço do Posicionamento Competitivo Internacional", a empresa pretende

Para tanto, é necessário que a Atenção Básica tenha alta resolutividade, com capacidade clínica e de cuidado e incorporação de tecnologias leves, leve duras e duras (diagnósticas

No código abaixo, foi atribuída a string “power” à variável do tipo string my_probe, que será usada como sonda para busca na string atribuída à variável my_string.. O

Habilitado para Coordenador de Tutoria ‐ Em Lista de Espera Habilitado para Tutor ‐ Verificar Situação para Tutor Coordenador de 

O teste de patogenicidade cruzada possibilitou observar que os isolados oriundos de Presidente Figueiredo, Itacoatiara, Manaquiri e Iranduba apresentaram alta variabilidade

5.2.1.  As  rubricas  de  despesa  de  transferências  correntes  ou  de  capital  e  de  subsídios  para  organismos  da  Administração  Central  devem 

Na fachada posterior da sede, na parte voltada para um pátio interno onde hoje há um jardim, as esquadrias não são mais de caixilharia de vidro, permanecendo apenas as de folhas

[r]