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(4.2) Limitações implícitas

No documento Aula de 99 (páginas 37-44)

Letra c: Consoante determina o art. 60, § 3°, CF/88, a promulgação de Emenda Constitucional é realizada em conjunto pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Letra d: As limitações temporais realmente consistem na vedação, por determinado lapso temporal, de alterabilidade das normas constitucionais. Não estão previstas em nossa atual Constituição. Por outro lado, temos (no art. 60, § 1°, CF/88) limitações circunstanciais – o que indica que em circunstâncias extraordinárias (estado de sítio ou de defesa e intervenção federal) nosso texto constitucional não poderá ser emendado.

Gabarito: A [CESPE - 2020 - SEFAZ-DF - Auditor Fiscal] Acerca dos direitos e garantias fundamentais, das cláusulas pétreas e da organização político-administrativa do Estado, julgue o item a seguir:

As cláusulas pétreas correspondem às limitações temporais, implícitas, circunstanciais e materiais de alteração da Constituição Federal de 1988.

Comentário:

O item é falso! As cláusulas pétreas, descritas pelo art. 60, § 4°, CF/88 representam os limites materiais à atividade de reforma.

Gabarito: Errado

primeiro momento, a cláusula pétrea protetora, com o intuito de suprimi-la ou restringi-la, e, na etapa seguinte, modificar a cláusula protegida.

Para exemplificar esse procedimento da ‘dupla revisão’ (que, volto a frisar, não é aceito em nosso país!), imaginemos um cenário hipotético. Vou usar os seguintes artigos: o 60, § 4° e o 5°, XLVII, ‘a’. Pois bem, suponha que o Presidente da República queira apresentar uma PEC que determine a pena de morte para crimes hediondos. Sabemos que nossa Constituição, no art. 5°, XLVII, ‘a’ veda a aplicação da pena de morte, salvo em caso de guerra formalmente declarada. Assim, existe um direito previsto para nós no art. 5° que impede que a pena de morte seja aplicada (salvo em se tratando de guerra formalmente declarada). Como esse direito individual é uma cláusula pétrea, ele não pode ser suprimido ou restringido, certo? O que nos impede de agir assim? A previsão do art. 60, § 4°, IV, que determina que não será sequer objeto de deliberação a proposta de emenda que seja tendente a abolir um direito ou uma garantia individual. Bom, mas lembre-se qual é o intuito do Presidente da República: ele quer inserir a pena de morte para crimes hediondos. Como ele faria isso? Ora, propondo a chamada dupla revisão (uma revisão feita ‘em dois tempos’). Primeiro, ele apresenta uma PEC que retira o inciso IV do art. 60, § 4°, CF/88. Desta forma, os direitos e as garantias individuais deixariam de ser cláusulas pétreas. Logo, o art. 5° ficaria sem proteção, de forma que uma nova PEC poderia ampliar as hipóteses de aplicação da pena de morte. Percebeu, caro aluno, que se admitíssemos a dupla revisão todo o nosso sistema de proteção das cláusulas pétreas deixaria de fazer sentido? Por isso que não é um procedimento aceitável.

Por isso que consideramos que o art. 60, CF/88 não pode sofrer nenhuma modificação.

Por fim, não pode haver supressão dos fundamentos da República Federativa do Brasil, descritos no art. 1º, CF/88. Por serem valores supremos sob os quais a ordem constitucional se assenta, os fundamentos consagrados no art. 1º, CF/88 – quais sejam, a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político – são também insuperáveis (cláusulas pétreas implícitas), por conferirem a autenticidade material da nossa Constituição.

Para melhor compreensão, observe o esquema7 abaixo:

Bom, agora que já estudamos as limitações implícitas, precisamos treinar este assunto com questões de provas que já cobraram este ponto da nossa matéria. Coragem, caro aluno! É enfrentando as questões que você cresce!

Questões para fixar

[VUNESP - 2018 - TJ-SP - Juiz Substituto - Adaptada] Sobre a reforma e revisão constitucional, julgue o próximo item:

No direito constitucional brasileiro, os limites materiais ao poder de reforma constitucional são os expressos no artigo 60, § 4°, da Constituição, rejeitada pela doutrina majoritária a existência dos chamados limites materiais implícitos.

Comentário:

Estamos diante de uma assertiva falsa, pois a doutrina majoritária não rejeita os limites materiais implícitos, ao contrário, reconhece que esses existem. Nesse sentido, podemos afirmar que existem cláusulas pétreas implícitas como, por exemplo, o art. 1º, CF/88, visto que ele não pode ser suprimido.

Gabarito: Errado [CESPE - 2017 - TRT - 7ª Região (CE) - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador Federal - Adaptada] A respeito das características do poder constituinte e de sua configuração em originário ou derivado, julgue o item:

O sistema constitucional brasileiro admite a teoria da dupla revisão.

Comentário:

Por força da limitação implícita que proíbe qualquer reestruturação do art. 60, CF/88, veda-se o procedimento conhecido como “dupla revisão”. Segundo este procedimento, seria válido alterar, num primeiro momento, a cláusula protetora (inserida lá no art. 60, CF/88), com o intuito de suprimi-la ou restringi-la, e, na etapa seguinte, modificar a cláusula protegida.

Gabarito: Errado

Bom, como estudar por meio das questões nunca é demais, lhe convido para fecharmos a parte referente às limitações expressas e implícitas ao poder de reforma analisando juntos mais algumas perguntas já feitas pelas bancas no passado. Vou começar com uma questão clássica, em que várias limitações são cobradas em uma única pergunta:

Questões para fixar

[FCC - 2018 - MPE-PE - Analista Ministerial - Área Jurídica] À luz das regras de processo legislativo atinentes à forma de alteração do texto constitucional vigente, a:

A) Constituição Federal não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal e estadual, de estado de defesa ou de estado de sítio.

B) Constituição Federal poderá ser emendada mediante proposta de metade dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; do Presidente da República; e de mais de um terço das Assembleias Legislativas das unidades da Federação.

C) matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

D) emenda à Constituição será promulgada pelo Presidente da República, com o respectivo número de ordem.

E) proposta de emenda será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, a maioria absoluta dos votos dos respectivos membros.

Comentário:

Nossa alternativa correta é a da letra ‘c’, pois reproduz a previsão constante do art. 60, § 5º, CF/88. Todas as demais alternativas são falsas. Vejamos o porquê:

- Na letra ‘a’ o erro deriva da afirmação de que ‘a Constituição Federal não poderá ser emendada na vigência de intervenção estadual’. Sabemos que, nos termos dos limites circunstanciais enunciados no art. 60, § 1°, a Constituição só não poderá ser emendada na vigência de três estados de legalidade extraordinária, quais sejam: a intervenção federal, o estado de defesa e o estado de sítio.

- Na assertiva ‘b’, o erro consiste na errônea apresentação dos legitimados que podem apresentar uma PEC.

Consoante prevê o art. 60, caput, CF/88, a Constituição poderá ser emendada mediante proposta: (i) de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; (ii) do Presidente da República; (iii) de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

- A assertiva ‘d’ peca ao afirmar que a emenda à Constituição será promulgada pelo Presidente da República.

Sabemos que o Presidente da República só participa do processo legislativo de uma PEC se ele for o autor da proposição. Destarte, nos termos do art. 60, § 3º, CF/88, a emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

- Na letra ‘e’, o equívoco foi o de mencionar que a emenda constitucional será aprovada por maioria absoluta.

Em verdade, a proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

Gabarito: C [FUNDATEC - 2018 - SPGG - RS - Analista de Planejamento, Orçamento e Gestão] No que diz respeito à reforma constitucional, admite-se a emenda à Constituição brasileira desde que observados requisitos específicos, tais como:

I. Proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria absoluta de seus membros.

II. A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada considerando-se obtiver, em ambos, dois terços dos votos dos respectivos membros.

III. A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Quais estão corretas?

A) Apenas I.

B) Apenas III.

C) Apenas I e III.

D) Apenas II e III.

E) I, II e III.

Comentário:

Das assertivas apresentadas, somente o item III é correto, estando em pleno acordo com o art. 60, § 5º, CF/88. O item I é equivocado, pois a Constituição poderá ser emendada mediante proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. Por fim, o item II é falso, visto que a proposta de emenda só será aprovada se obtiver, nos dois turnos de votação, três quintos dos votos dos respectivos membros.

Gabarito: B

[FGV - 2018 - AL-RO - Advogado] Analise a narrativa a seguir:

(I) Um grupo de cento e vinte Deputados Federais subscreveu proposta de emenda constitucional;

(II) a proposta tinha como objetivo adotar a forma unitária de Estado;

(III) nesse período, parte do país foi atingida por calamidade natural de grandes proporções;

(IV) a proposta foi aprovada, em dois turnos de votação, em cada Casa do Congresso Nacional, pelo voto de três quintos dos respectivos membros;

(V) a proposta foi promulgada pelo Presidente da República.

Considerando a forma de exercício do poder constituinte derivado, é correto afirmar que somente estão em harmonia com a sistemática constitucional, os itens:

A) II, III e V.

B) I, II e IV.

C) I, IV e V.

D) I e V.

E) III e IV.

Comentário:

Considerando os itens apresentados, podemos assinalar a letra ‘e’ como resposta, pois somente as assertivas III e IV são harmônicas com o que preceitua a Constituição Federal. Senão vejamos:

Item III: A situação narrada (“nesse período, parte do país foi atingida por calamidade natural de grandes proporções”) poderia ensejar a decretação de uma medida extraordinária (Estado de Defesa – “Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.”). O examinador, no entanto, não narrou que isto ocorreu.

Logo, não podemos afirmar que estamos diante de um limite circunstancial ao poder reformador (art. 60, § 1°, CF/88).

Item IV: A narração da discussão/votação da proposição está em perfeita conformidade com o que dispõe o art. 60, § 2º, CF/88.

Ademais, verifiquemos os erros dos demais itens:

Item I: incorreto, pois o art. 60, I, CF/88 determina que a Constituição somente poderá ser emendada mediante proposta de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.

Observe, portanto, que a proposta deve ser apresentada por, no mínimo, 171 Deputados Federais, ou 27 Senadores. Como a proposição foi subscrita por, somente, 120 Deputados, há um vício formal de iniciativa na PEC.

Item II: igualmente incorreto. Nenhuma proposta de emenda poderá ter como objetivo adotar a forma unitária de Estado, já que a forma federativa de Estado é cláusula pétrea (art. 60, § 4°, I, CF/88).

Item V: também falso, pois a promulgação de PEC é feita pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (art. 60, § 3°, CF/88).

Gabarito: E [CONSULPLAN - 2018 - Câmara de Belo Horizonte - MG - Procurador] A Constituição Federal é a norma maior do Estado e exigirá procedimentos mais rigorosos para que possam ser alteradas algumas de suas regras. Neste sentido, poderá a Constituição ser emendada mediante proposta de, no mínimo, 1/3 dos membros da Câmara ou do Senado Federal. A respeito do processo de emenda constitucional, pode-se afirmar que:

A) A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

B) A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

C) A forma federativa de Estado poderá ser objeto de emenda Constitucional desde que aprovada por três quintos dos membros de cada casa legislativa.

D) A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada considerando-se obtiver, em ambos, dois quintos dos votos dos respectivos membros.

Comentário:

Nossa resposta está na letra ‘a’, visto que está em harmonia com o art. 60, § 3º, CF/88. As demais assertivas estão falsas. Veja:

- letra ‘b’: está equivocada, pois a proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (art. 60, § 5º, CF/88).

- letra ‘c’: está falsa, pois a forma federativa de Estado não poderá ser objeto de emenda Constitucional, visto que está prevista no art. 60, § 4º, I, CF/88, como cláusula pétrea. Trata-se de uma limitação material ao poder de reforma.

- letra ‘d’: realmente a proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, entretanto, só será aprovada se obtiver, em ambos, três quintos (e não dois quintos) dos votos dos respectivos membros.

Gabarito: A [IBFC - 2017 - TJ-PE - Analista Judiciário - Função Administrativa] Sobre as emendas à Constituição, analise os itens abaixo:

I. A proposta de emenda rejeitada no Congresso Nacional não poderá ser objeto de nova proposta.

II. É vedada a elaboração de emenda que tenha por objetivo estabelecer novo sistema eleitoral por meio de voto indireto.

III. É prerrogativa do cargo de Presidente da República a propositura de emendas à Constituição.

IV. É proibida a promulgação de emenda constitucional na vigência de intervenção federal.

Assinale a alternativa correta.

A) Apenas I é incorreto B) I e II são incorretos C) II e III são incorretos D) II e IV são incorretos E) I, II, III e IV são incorretos Comentário:

Observe que o item I está incorreto, pois a proposta de emenda rejeitada no Congresso Nacional poderá ser objeto de nova proposta, o que o texto constitucional veda é a reapreciação da proposta na mesma sessão legislativa que ela tenha sido rejeitada. O item II está correto, pois o voto direto é uma cláusula pétreas, conforme preceitua o art. 60, § 4º, II, CF/88. No que tange o item III, também é verdadeiro. Conforme dispõe o art. 60, II, CF/88, o Presidente da República pode apresentar proposta de emenda constitucional. Por último, o item IV também está em conformidade com o texto constitucional, lembre-se que a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio, de acordo com o art. 60, § 1º, CF/88. Dessa forma, nossa resposta encontra-se na letra ‘a’.

Gabarito: A

(5) Outros mecanismos de modificação da Constituição da República de

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