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Braz. j. . vol.83 número6

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Academic year: 2018

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BrazJOtorhinolaryngol.2017;83(6):723---725

www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

RELATO

DE

CASO

A

case

of

bilateral

congenital

middle

ear

cholesteatoma

,

夽夽

Um

caso

de

colesteatoma

congênito

bilateral

em

orelha

média

Mihael

Ries

a,∗

,

Mirjana

Kosti´

c

b

,

Jakov

Ajduk

a

,

Robert

Troti´

c

a

e

Vladimir

Bedekovi´

c

a

aUniversityofZagreb,UniversityHospitalCenter‘‘SestreMilosrdnice’’,SchoolofMedicine,DepartmentofENTHeadandNeck

Surgery,Zagreb,Croácia

bUniversityofZagreb,CroatianHealthInsuranceFund,SchoolofMedicine,Zagreb,Croácia

Recebidoem31dejulhode2015;aceitoem29desetembrode2015 DisponívelnaInternetem3deabrilde2017

Introduc

¸ão

Ocolesteatomacongênito(CC)bilateraldeorelhamédiaé

umadoenc¸aextremamenterara.1---3

O CC de orelha média cresce, desde o nascimento, atrásdotímpano,intacto,semsintomas.Normalmente,sua detecc¸ãoéfeitapelopediatranomomentodaconsultade rotina.1---3 Quando não detectado, o CC pode crescer por anos,atéficarmuitogrande.

AetiologiadoCCdeorelhamédiaaindaécontroversa, masparecequeaorigemembriológicaéamaisaceitável.1---3 Perdaauditivaprogressivaemassacomdensidadedetecidos molesnointeriordacavidadedaorelhamédiageralmente diferemoCCdeoutrasdoenc¸asqueincluemperdaauditiva

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2015.09.003

Comocitaresteartigo:RiesM,Kosti´cM,AjdukJ,Troti´cR,

Bede-kovi´cV.Acaseofbilateralcongenitalmiddleearcholesteatoma.

BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:723---5.

夽夽

Instituic¸ão:UniversityofZagreb,SchoolofMedicine,

Depart-mentof ENTHead and Neck Surgery,UniversityHospitalCenter

‘‘SestreMilosrdnice’’,Zagreb,Croatia.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.Ries).

A revisão por pares é da responsabilidade da Associac¸ão

BrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

emembranatimpânicaintacta.4Otratamentoexigecirurgia precoceeacompanhamentoemlongoprazo.5Apropagac¸ão ealocalizac¸ãodoCCinfluenciamoresultadodacirurgia.

Recentemente,doiscasosderegressãoespontâneadeCC foramdescritos.6

Relato

de

caso

Um menino de 3 anos foi internado no hospital durante seuprimeiroepisódiodeotitemédiaaguda(OMA)dolado direito,acompanhadadediscretaparalisiadonervofacial (grauIIdeHouse-Brackmann)doladodaorelhaenvolvida.

Otomicroscopia evidenciou membrana timpânica hipe-remiada, abaulada do lado direito, sem perfurac¸ão. A membranatimpânicaesquerdaestavanormal.Miringotomia foifeitacomoumaurgênciamédica,semexameradiológico prévio.Duranteamiringotomia,umgrandecolesteatomafoi identificadonacavidadedaorelhamédia.Paraumaremoc¸ão cirúrgica completa do colesteatoma e descompressão do nervofacial,atécnicaaberta(canalwalldown---CWD)foi usada.Onervofacialmelhorouapósseismeses.

Apósumano,oacompanhamentootoscópicoestava nor-malnaorelhadireita,mas,naorelhaesquerda,umapérola brancano quadrante anterossuperior, atrás damembrana timpânica intacta, foi detectada. Novamente, não havia históriadeotitemédiaouevidênciadequalquerproblema comaorelhaesquerdadomenino.

2530-0539/©2015Associac¸˜aoBrasileira deOtorrinolaringologiaeCirurgiaC´ervico-Facial. PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todosos

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724 RiesMetal.

Figura1 TCMDcranianadoossotemporalesquerdomostrao mesotímpanoaeradoemassadetecidomoleaoredordacabec¸a domarteloecorpodabigorna(seta).

Figura2 TCMDaxialdoossotemporalesquerdo,nonívelda partehorizontaldonervofacial(seta),mostraamassadetecido molenoáticoeantro.

A tomografia computadorizada com multidetectores (TCMD) do osso temporal confirmou que não havia sinal derecidiva dadoenc¸a nolado direito.No ladoesquerdo, umamassa noepitímpano, suspeita de colesteatoma, foi descoberta(figs.1-4).Acirurgiaconfirmouodiagnósticoe

o colesteatomafoiremovidopor meiodetécnica fechada (canalwallup---CWU).

Discussão

OCC bilateraldeorelha médiaéumadoenc¸amuitorara. Noscasosconvencionais,osintomamaiscomuméuma des-cargapurulentadaorelha,comodorforteousangramento. Os sinais mais frequentes de complicac¸ão incluem verti-gem,zumbido,perdaauditivaneurossensorialeparalisiado nervofacial.1---3Acirurgiaénecessária.1---5Apropagac¸ãoda doenc¸a ea presenc¸adepotenciaiscomplicac¸ões determi-namoresultadofinal.

Nossopacientenãotinhahistória anteriordeinfecc¸ão, trauma oucirurgia deorelha.AOMAdoladodireito ficou mascaradae,aomesmotempo,revelouumgrande coleste-atomadeorelhamédia.Aparalisiadonervofacial,dolado da orelha envolvida, foi uma consequência da lesão

cau-Figura3 TCMDsagitaldoossotemporalesquerdo, nonível docabodomartelo,mostraamassadetecidomolenoáticoe antro(seta).

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Acaseofbilateralcongenitalmiddleearcholesteatoma 725

sadapelapressãodocolesteatoma,acentuadapeloedema inflamatório.

A cirurgiade urgênciafoinecessária paraevitar danos permanentes ao nervo facial. O colesteatoma foi remo-vido com a técnica CWD, que, apesar de impopular, foi escolhida, uma vez que a doenc¸a já apresentava complicac¸ão. Assim, qualquer recorrência futura não reconhecida poderia levar à lesão irreparável do nervo facial.Adoenc¸aerodiuossículoseocanalósseodonervo facial em seu segmento horizontal, acima da platina do estribo.Ocolesteatomaseespalhou paraatubaauditiva, região atical e antro e, posterior e medialmente, para o canal semicircular lateral, ameac¸ou a orelha interna e o surgimento de complicac¸ões intracranianas. Esse caso confirmouofatodequeaotomicroscopiaéinsuficientepara detectar colesteatoma de orelha média, especialmente quando não há perfurac¸ão do tímpano ou defeito ósseo adjacente.

O CC de orelha média contralateral foi detectado no pós operatóriopor umaTCMD,feitacombase em achado suspeitonaotomicroscopiaduranteoacompanhamentode rotina.Adoenc¸apôdeserremovidacomatécnicaCWU,pois suaextensãoeramuitomenor,emcomparac¸ãoadaorelha contralateral.Adoenc¸aestavalocalizadaprincipalmenteno ático,aoredordocorpodabigornaecabec¸adomartelo,sem oenvolvimento dotímpanoourecessodofacial. Acadeia ossiculareamembranatimpânicaseencontravamintactas. Recorrênciadadoenc¸anãofoiobservadadurante36meses deacompanhamento.

SeaTCMDtivessesidofeitaantesoulogoapósaprimeira cirurgia,adoenc¸abilateral teriasidodiagnosticadamuito tempoantes.Poroutrolado,aTCMDnãoéenãodeveser usadacomorotinaempacientescomOMAquesão candida-tosparamiringotomiadeurgência,masdeveserumarotina empacientescomCC.Noentanto,aTCMDé,certamente, umprocedimentodiagnósticoimportanteeútilno planeja-mentocirúrgico,maspoucoindicadopelosmédicos.Muitos cirurgiões confiam na suaexperiência e na suarotina em cirurgiasdeorelhamédia.Aosolicitarexamesradiológicos adicionaisdoossotemporal,oscirurgiõespodemse prepa-rarmelhorparaacirurgiae,ao mesmotempo,manter os

radiologistastreinadosparainterpretaressacomplexa ana-tomiaedoenc¸a.

Conclusão

Ocolesteatomacongênitobilateraldeorelhamédiaéuma entidademuitorara.

É importante notar que, após a descoberta de CC em umadasorelhas, adoenc¸abilateral deveser descartada. OCC,assimcomoocolesteatomaadquirido,exigeremoc¸ão cirúrgicaabrangente e acompanhamentoem longoprazo. Aextensão e a localizac¸ão da doenc¸a determinam o tipo decirurgiaeoresultadofuncional.ATCMDéométodode escolhaparaodiagnósticodeCCocultobilateraldeorelha média.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

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Imagem

Figura 4 Imagem sagital do osso temporal esquerdo mostra a massa de tecido mole na região do ático e antro, e mesotímpano aerado.

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