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Academic year: 2021

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TÍTULO: FUNÇÃO COGNITIVA ENTRE IDOSOS PRATICANTES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: FISIOTERAPIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): FERNANDA GRAZIELLI MENDES, SERGIO LUIZ LOPEZ NUSA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): NATHÁLIA HUPSEL SILVA DE CASTRO ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): SHEILA DE MELO BORGES COLABORADOR(ES):

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FUNÇÃO COGNITIVA ENTRE IDOSOS PRATICANTES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA

Fernanda Grazielli Mendes¹, Sergio Luiz Lopez Nusa2, Sheila de Melo Borges3, Nathália

Hupsel Silva de Castro4

1. Graduando do 6º período do curso de Fisioterapia da Universidade Santa Cecília (UNISANTA).

2. Graduando do 6º período do curso de Fisioterapia da Universidade Santa Cecília (UNISANTA)

3. Docente do curso de Fisioterapia UNISANTA. Doutora em psiquiatria pela FMUSP e mestre em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas

4. Docente do curso de Fisioterapia UNISANTA. Mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP e Especialista em Fisioterapia Músculo-esquelética pela ISCM-SP.

Resumo

A função executiva (FE) é um domínio cognitivo de grande importância para o planejamento e execução de atividades essenciais para os idosos, incluindo a funcionalidade, podendo ser estimulada pela prática regular de atividade física. Sendo assim, o objetivo do presente estudo é comparar o desempenho da função cognitiva entre idosos praticantes e não praticantes de atividade física. Para isso, foi realizado um estudo transversal com 108 idosos que frequentam a Unidade Básica de Saúde da cidade de santos/SP, divididos em dois grupos: idosos que relataram praticar de atividade física regular (n=45) e idosos não praticantes de atividade física (n=32). Foram utilizados o Mini-Exame do estado Mental (MEEM), Teste do desenho do relógio (TDR) e Fluência verbal (FV), categoria animais para avaliação cognitiva. Os dados coletados foram analisados pelo programa estatística SPSS®, sendo utilizado o teste t de Student para amostras independentes ou Mann-Whitney, de acordo com o teste de normalidade. De acordo com os resultados obtidos no presente estudo, não houve diferença significativa entre os grupos, sendo observado bom desempenho no teste de FV (Praticantes: 14,7±5,2 e Não praticantes: 14,3±5,8), com moderado desempenho no TDR (Praticantes: 3±1,6 e Não praticantes: 3±1,6) e baixo desempenho no MEEM (Praticantes: 26,3±2,9 e Não praticantes: 26,6±1,6), de acordo com o nível de escolaridade ambos os grupos. Dessa

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maneira, conclui-se que nesta amostra que não houve diferença no desempenho cognitivo entre idosos praticantes e não praticantes de atividade física.

Descritores: Cognição; Função executiva; Idosos; Atividade Física.

1. Introdução

O envelhecimento pode ser caracterizado como um processo dinâmico, progressivo e individual, no qual ocorrem modificações morfológicas, funcionais e bioquímicas, tornando-o mais suscetível às agressões intrínsecas e extrínsecas1.

Com o processo de envelhecimento, ocorre uma redução gradativa da capacidade de manutenção do equilíbrio homeostático. Devido a esse processo, há redução das funções de diversos sistemas, no qual a pessoa idosa corre risco do aumento da probabilidade de desenvolver afecções2. Estudos3-5 apontam que há maneiras de amenizar

as alterações cognitivas que ocorrem naturalmente, por meio de treinamentos específicos para memória, atenção e a função executiva. O estudo realizado por Freitas³ evidenciou melhor desempenho em testes de função executiva nos idosos que realizaram um treino cognitivo em comparação ao grupo controle, que não realizou os treinos. A prática de atividade física regular em qualquer idade, associada a hábitos saudáveis estão relacionadas à diversos benefícios para a saúde física e mental6. Porém não é qualquer

atividade física que demonstra melhora significativa na função executiva. Pesquisa realizada por Van Box7 e Hill8, indicam que atividades aeróbicas são mais eficientes, de

menor custo e mais abrangente. Há algumas hipóteses que explicam fisiologicamente como a atividade física promove melhora da função executiva. Dessa forma acredita-se que o exercício físico poderia aumentar o fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, de oxigênio e outros substratos energéticos, proporcionando assim a melhora da função executiva. Outra hipótese que tem sido discutida diz respeito aos efeitos do estresse oxidativo sobre o Sistema Nervoso Central (SNC), de modo que a prática de exercício físico aeróbio poderia aumentar a atividade de enzimas antioxidantes de forma semelhante ao que acontece em outros tecidos. 9-10

Frente ao exposto, esta pesquisa pretende verificar se idosos praticantes de atividade física regular pode influenciar positivamente na função cognitiva, o qual é essencial para a realização das atividades de vida diária. Dessa maneira, este estudo

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pretende contribuir para um melhor entendimento sobre como o envelhecimento ativo pode promover benefícios para idosos da comunidade, uma vez que a atividade física e cognição são condições essenciais para manutenção da autonomia e independência dos idosos, sendo estes também fatores determinantes para manutenção da saúde dos idosos, isso inclui um menor risco de desenvolver declínios mentais em comparação aos idosos sedentários6.

2. Objetivo

Essa pesquisa tem como objetivo comparar o desempenho da função cognitiva entre idosos praticantes e não praticantes de atividade física.

3. Procedimentos metodológicos 3.1 Desenho do estudo

Essa pesquisa é de caráter analítico, observacional do tipo transversal.

3.2 População estudada

Dos 108 idosos frequentadores de Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Santos/SP avaliados, 31 idosos foram excluídos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão (descritos a seguir), totalizando 77 idosos, os quais foram divididos em idosos praticantes de atividade física (n=45) e não praticantes de atividade física (n=32).

Critérios de inclusão: idosos com idade igual ou acima de 60 anos, de ambos os sexos, alfabetizados, que aceitarem participar da pesquisa nos anos de seguimento, e assinado o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Para o grupo de idosos praticantes de atividade física foram considerados aqueles que realizam atividades físicas há pelo menos seis meses e para o grupo de idosos não praticantes aqueles que estejam há pelo menos seis meses sem realizar alguma prática de atividade física. Critérios de exclusão: idosos com escolaridade inferior a quatro anos; idosos que não tenham realizado todas as avaliações propostas no presente projeto; idosos que estejam praticando ou sem praticar atividade física no período de um dia a cinco meses; idosos com comprometimento ortopédico ou neurológico.

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Esse estudo integra o projeto intitulado “Síndrome da Fragilidade: identificação e monitoramento de vulnerabilidade em idosos usuários de unidades básicas de saúde do município de Santos/SP”, que possui aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa com seres humanos da Unisanta (CAAE: 36261214.8.0000.5513), sendo o estudo em andamento desde dezembro de 2014, estando de acordo com as recomendações da resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Os idosos que participam do estudo supracitado foram avaliados em UBS dos bairros Aparecida e Gonzaga. Após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, os idosos responderam um questionário contendo diversas perguntas e realizam diversos testes, sendo estes baseados na Caderneta da Pessoa Idosa e Caderno de Atenção Básica a Saúde, ambos integram medidas de políticas públicas voltados para a pessoa idosa desenvolvidos pelo Ministério da Saúde. Para contemplar os objetivos do presente estudo foram utilizados dados de caracterização da amostra, bem como informações sobre prática de atividade física e os seguintes testes de função cognitiva: Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), teste do desenho do relógio (TDR) e fluência verbal (FV).

3.4 Materiais

Para caracterização da amostra os seguintes dados foram utilizados: idade, gênero, número de doenças, medicamentos e escolaridade.

O TDR analisa vários domínios cognitivos, como memória, função motora, compreensão verbal e função executiva. É solicitado para o idoso desenhar em um papel, um relógio com números e ponteiros marcando onze horas e dez minutos11-12.

A FV demonstra a capacidade da memória semântica, da habilidade de recuperar a informação já registrada e do processamento das funções executivas, principalmente a capacidade de organizar o pensamento e as estratégias utilizadas para a busca de palavras11-12. É solicitado ao idoso que em um minuto ele fale o máximo de animais que

conseguir, pode ser qualquer um. O número de animal é computado para poder classificar se o idoso possui ou não algum declínio cognitivo de acordo com a escolaridade, até 9 pontos é considerado normal para idosos analfabetos, menos de 12 pontos é aceitável para idosos com escolaridade de 1 a 7 anos, menos de 13 pontos para indivíduos com escolaridade igual ou superior a 8 anos é considerado normal.

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O MEEM é constituído por um questionário com 31 perguntas de rastreamento do comprometimento cognitivo, podendo ser utilizado na descoberta de declínios cognitivos, na evolução de doenças, controle de resposta ao tratamento. Para perguntas respondidas corretamente é dado 1 ponto e para perguntas com respostas erradas não atribui pontuação, totalizando 30 pontos, para classificar o idoso com declínio cognitivo ou não é utilizado o nível de escolaridade, até 20 pontos é considerado normal para analfabetos, 1 a 4 anos de escolaridade é esperado 25 pontos; de 5 a 8 anos é necessário 26 pontos, de 28 pontos para escolaridade de 9 a 11 anos, idosos com escolaridade maior que 11 anos o ideal são 29 pontos.13

3.4 Análise de dados

Para análise dos dados o programa utilizado foi o estatístico SPSS® versão 16.0 para Windows. Os dados numéricos foram tratados com média e desvio padrão e os dados categóricos por meio de frequência relativa e absoluta. A análise comparativa dos dados numéricos foi feita por meio do teste T de Student para amostras independentes ou Mann Whitney, de acordo com o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov. Já os dados categóricos foram analisados por meio do teste Exato de Fisher. Para relevância da análise estatística, será considerado o valor de p <0,05.

4. Resultados

Dos 77 idosos avaliados, foi possível observar que não houve diferença significativa entre os grupos em relação a idade, gênero, escolaridade, número de doenças e de medicamentos, sendo observado em média 72 anos, com maior frequência de mulheres em ambos os grupos, em torno de 6 a 7 anos de escolaridade, relato de três doenças e quatro medicamentos em média, em ambos os grupos.

Tabela 1. Caracterização dos dados demográficos e de saúde entre grupos (n=77).

Prática de atividade física P-valor

Não n=32

Sim n=45

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Gênero Feminino Masculino 28 (81) 34 (75) 0,249 a 04 (18) 11 (25) Idade 72,69±7,990 71,98±6,258 ,095b Escolaridade em anos 6,70 ± 3,23 7,50 ± 4,196 0,646c Doenças 3,27 ± 1,574 2,89 ± 1,603 ,197c Medicamentos 4,10 ± 2,398 3,80 ± 2,053 0,602c

Nota: a. p-valor referente comparação da frequência absoluta (frequência relativa) do teste Exato de Fisher; b. p-valor referente a comparação da média±desvio padrão do teste T para amostras independentes e c= p-valor referente a comparação da média±desvio padrão do teste ao Mann-Whitney.

A tabela 2 demonstra que não houve diferença entre os grupos praticantes e não praticantes de atividade física quando relacionado com os testes cognitivos, na fluência verbal a média foi de 14 animais, no MEEM a média foi de 26 pontos e no TDR de 3 pontos. A média dos testes foi similar nos dois grupos

Tabela 2 - Comparação do desempenho cognitivo entre idosos praticantes e não praticantes de atividade física (n=77).

Prática de atividade física

p-valor Não Sim FV 14,78 ± 5,247 14,31±5,764 0,715 a MEEM 26,27 ± 2,888 26,61 ± 1,635 0,642 b TDR 3,03 ± 1,586 3,02 ± 1,635 0,942b

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Nota: os valores númericos estão representados por média±desvio padrão, o p-valor a= é referente ao teste t para amostras independentes, o b= mann-whitney

Legenda: FV - fluência verbal; MEEM - mini-exame estado mental; TDR - teste do relógio

5. Considerações

Após as avaliações e análises realizadas, podemos concluir que apesar da atividade física não ser um fator determinante para diminuição do declínio da função cognitiva, sua estimulação contínua é importante para saúde dos idosos.

6. Referências

1. Filho C ET. Fisiologia do Envelhecimento. In: Papaléo Netto M. Gerontologia – A velhice e o envelhecimento em visão globalizada. 2ª ed. São Paulo: Atheneu, 2002.

2. Duarte ALN, Nascimento ML. Condutas dietéticas. In: Papaléo Netto M. Gerontologia – A velhice e o envelhecimento em visão globalizada. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2002.

3. Irigaray TQ, Gomes FI, & Schneider RH. Efeitos de um treino de atenção, memória e funções executivas na cognição de idosos saudáveis. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2012 25: 182-187.

4. Berchicci M, Lucci G, Di Russo F. Benefits of physical exercise on the aging brain: the role of the prefrontal cortex. Aging, the Central Nervous System, and Mobility J Gerontol A Biol Sci Med. 2013; 68: 1379-1386

5. Scherder E, Scherder R, Verburgh L, Königs M2, Blom M, Kramer AF, Eggermont L.  Executive functions of sedentary elderly may benefit from walking: a systematic review and meta-analysis. AM J Geriatr Psychiatry. 2014; 22:728-91

6. Antunes HKM, Santos RF, Cassilhas R., Santos RVT, Bueno OFA, Exercício físico e função cognitiva: uma revisão. Rev Bras Med Esporte . 2006; 12: 108-114.

7. Van BMP, Paas FG, Houx PJ, Adam JJ, Teeken JC, Jolles J. Aerobic capacity and cognitive performance in a cross-sectional aging study. Med Sci Sports Exerc 1997;29:1357-65.

8. Hill RD, Storandt M, Malley M. The impact of long-term exercise training on psychological function in older adults. J Gerontol 1993;48:12-7

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9. Chodzko-Zajko WJ, Moore KA. Physical fitness and cognitive functioning in aging. Exerc Sport Sci Rev 1994;22:195-220.

10. Öhman H, Savikko NBD e Timo

ES, Kaisu HP. Effect of Physical Exercise on Cognitive Performance

in Older Adults with Mild   Cognitive Impairment or Dementia: A Systematic Review. Rev. Bras. Psiquiatr. 2014; 38: 347-365

11, MONTIEL JM, CECATO, JF, BARTHOLOMEU D, MARTINELLI, JE. Testes do desenho do relógio e de fluência verbal: contribuição diagnóstica para o Alzheimer. Psicologia: Teoria e Prática. 2014; v. 16, p. 169.

12. Rodrigues AB, Yamashita ET, Chiappetta ALML. Teste de fluência verbal no adulto e no idoso: verificação da aprendizagem verbal. Rev. CEFAC 2015; 10: 443-451.

13.Brucki SMD., Nitrini R, Caramelli P, Bertolucci PHF, Okamoto IH. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Neuropsiquiatria 2003; 61: 777-781.

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