Comportamento do Consumidor
A TEORIA ORDINAL DA
UTILIDADE
Teoria Ordinal da Utilidade
O economista italiano Vilfredo Pareto
(1848-1923), a princípios do s. XX, nego as
principais hipótese da teoria cardinal da
utilidade e reconstruiu a teoria do
consumidor sobre uma nova base: a teoria
ordinal da utilidade.
Teoria Ordinal da Utilidade
A nova teoria desenvolveu uma abordagem alternativa
que elimina a necessidade de atribuir valores monetários
à satisfação proporcionada por qualquer bem.
Para Pareto ao comparar diversas combinações de bens
(ou cestas de mercadorias), não se precisa mensurar as
respectivas utilidades.
Basta ordenar esses bens ou combinações em termos de
níveis de satisfação: maior, menor ou igual, ou seja,
classifica-as por ordem de preferência (<,>) ou de
indiferença (=).
Classificação por ordem de
preferência
O ordenamento se fundamenta em dois princípios ou axiomas básicos:
1. Axioma da comparação: dados dois bens ou conjuntos de bens (A e B) pode-se estabelecer uma comparação que leva a três alternativos resultados:
a. A é preferível a B (A>B), c. B é preferível a A (A<B),
b. O consumidor é indiferente na escolha entre A e B (A=B) 2. Axioma transitividade: dados três bens (A, B e C),
a. Se A é preferível a B e B é preferível a C, então A é preferível a C, ou se A>B e B>C A>C.
b. Se a escolha é indiferente entre A e B e entre B e C segue-se que o é também entre A e C, ou se A=B e B=C A=C.
Suponha-se uma economia hipotética que produz somente
produtos de vestuário e alimentação ou duas cestas, X
1e X
2e que temos inicialmente as seguintes alternativas de
consumo:
Alternativa
de Consumo
Unidades de
X1
Unidades de
X2
A
40
40
B
40
30
C
50
40
Pressupondo o comportamento racional do consumidor
e a não saciedade dos produtos, como classificar as
Classificação por ordem de
preferência
Pode-se concluir que A é melhor, superior ou
preferível que B (mesmo número de X
1e
maior número de X
2),
C é melhor que A (mesmo número de X
2e
maior número de X
1).
Assim, A>B e C>A, donde C>B, ou seja, por
ordem de preferência estabelece-se:
Indiferença
Supondo agora que, partindo da alternativaA (40 unidades de X1 e 40 unidades de
X2), pergunta-se a um dado consumidor
quantas unidades de X1 seria necessário
para compensar um decréscimo de 10 unidades de X2.
A resposta poderia ser: 8.
Assim, uma combinação de 40 unidades de X1 e 40 unidades de X2 proporcionaria
ao consumidor a mesma satisfação que 30 unidades de X2 e 48 unidades de X1.
Repetindo este tipo de pergunta , torna-se possível montar uma tabela e uma curva chamadas de tabela e curva de indiferença.
Tabela 1. Tabela de indiferença.
Combinações Quantidades X1 Quantidades X2 I 10 100 II 12 90 III 15 80 IV 20 70 V 26,2 60 VI 33 50 VII 40 40 VIII 48 30 IX 60 20 X 79 10
Curvas de Indiferença
Tanto a tabela como a curva
de indiferença descreve o
conjunto de combinações
de bens (ou conjuntos de
bens – cestas) que são
indiferentes ou que
proporcionam o mesmo
nível de satisfação
(utilidade) ao dado
consumidor.
Gráfico 1. Curva de indiferença
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 X2 X 1 A C B
Uma função de indiferença com múltiplos bens é representada por:
U(X
1,X
2, X
3, .... X
n)=Constante.
Curvas de Indiferença
A apresentação de um conjunto de
combinações que sejam indiferentes ou igualmente desejáveis para o dado
consumidor, também, permite comparar essas combinações com as que não
pertencem a essa curva.
Assim, todas as combinações acima e à direita da curva de indiferença, como a combinação C do Gráfico 1, são
preferíveis às combinações de bens sobre a curva.
Gráfico 1. Curva de indiferença
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 X2 X 1 A C B
Da mesma maneira, observa-se que as combinações de X1 e X2
representadas à esquerda e abaixo da curva de indiferença devem ser consideradas menos preferíveis que as combinações sobre essa curva de indiferença.
Portanto, essa curva caracteriza uma linha de fronteira entre situações mais e menos preferidas.
Mapa de indiferença
Com o mesmo raciocínio, pode-se
pedir ao consumidor que desse o
conjunto de combinações de X
1e
X
2que proporcione o mesmo
nível de utilidade, ou seja,
indiferentes à combinação C e B.
Assim, o consumidor forneceria
mais duas curvas de indiferença.
Gráfico 2. Curva de indiferença
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 X2 X 1 A C B
O número dessas curvas pode ser infinito. O conjunto de sucessivas
curvas de indiferença do consumido, cada uma representando um
nível deferente de satisfação, é chamado de mapa de indiferença.
Exemplo de uma Função utilidade U(x,y) e sua
Função de indiferença
Propriedades das Curvas de
Indiferença
1. Não se cruzam nem se tangenciam. O Gráfico mostra que caso duas curvas de
indiferença se cruzassem se chegará a conclusões absurdas.
2. São convexas em relação à
origem. Têm inclinação não positiva.
Tal fato se explica pelo princípio da utilidade marginal
decrescente.
Maiores quantidades de X2 são
necessárias para compensar a perda de utilidade causada pelo decréscimo de X1 e
manter o indivíduo num mesmo nível de satisfação.
Gráfico 3. Curvas de indiferença não podem se cruzar Produto X2 P ro d u to X 1 Q N R
Outro formato das curvas de
indiferença
Essas duas mercadorias são
substitutas perfeitas para esse
consumidor, uma vez que para ele
é totalmente indiferente consumir
uma unidade de uma ou de outra.
Neste caso, o consumidor está
disposto a trocar uma unidade de
uma por uma unidade de outra;
sempre na mesma proporção.
A inclinação da curva de indiferença
é constante e representa uma
As curvas de indiferença de bens complementares
perfeitos formam ângulos retos.
Para Maria as duas mercadorias são
complementares perfeitos, já que um teclado adicional não aumenta sua satisfação, a
menos que ela possa obter também um monitor adicional.
Sempre que houver mais teclados do que
monitores, Maria não desistiria de nenhum monitor para obter unidades adicionais de teclados; portanto nesse caso, a inclinação desse segmento da curva é zero.
Da mesma forma, sempre que houver mais monitores do que teclados, Maria não desistiria de nenhum teclado para obter unidades adicionais de monitores; portanto nesse caso, a inclinação dessa parte da curva é infinita.
Gráfico 6. Curva de indiferença. Complementares perfeitos. Unidades
0 1 2 3 4 5 6 0 1 2 3 4 5 6 Teclados M o n it o re s
Tabela de indiferença e Taxa
Marginal de Substituição.
Combinações Quantidades X2 Quantidades X1 TMS =x2/x1
I 100 10 II 90 12 -5.00 III 80 15 -3.33 IV 70 20 -2.00 V 60 26.2 -1.61 VI 50 33 -1.47 VII 40 40 -1.43 VIII 30 48 -1.25 IX 20 60 -0.83 X 10 79 -0.53
TMS
Na medida em que nos movimentamos para a direita na curva de indiferença, o valor absoluto da TMS vai diminuindo; unidades de X2 vão tornando-se mais caras na hora de ser trocadas por
unidades de X1.
Isso equivale a dizer que quando mais escasso for um bem, tanto mais será o seu valor relativo de substituição.
Lembremos que a utilidade marginal do bem que se torna escasso aumenta em relação à utilidade marginal do bem que se torna abundante.
TMS
Matematicamente pode-se definir a TMS como a
relação entre a variação no número de X
2e a
variação no número de X
1ou como a inclinação
do ângulo formado pela reta que passa pelos
pontos e o eixo horizontal.
Observa-se que a medida que ΔX
1e ΔX
2diminuem,
a reta unindo os dois pontos se aproxima a uma
reta que tangencia a curva de indiferença num
ponto.
TMS
-1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 10 20 30 40 50 60 70 x yCurva de indiferença Y=100/X
ΔX=3 ΔY=-30 β=-84,29 TMgS=-4=tg(α)=ΔY/ΔX TMgS=-10=tg(β)=ΔY/ΔX α=-75,96 Y=-4X+40 Y=70-10X Vestuário Alimento
Assim, quando ΔX
tende a zero,
TMS=ΔY/ΔX
é
aproximadamente a
medida da
inclinação da reta
que tangencia a
curva de
indiferença no
ponto (5, 20) ou
seja, a inclinação da
própria curva de
indiferença sobre
esse ponto.
Lembre-se também.
Então, alternativamente pode-se definir a TMS como a relação entre a utilidade marginal do bem cujo consumo foi aumentado (X2) e a utilidade marginal do bem cujo consumo diminuiu (X1).
Como se mostrou, enquanto X1 declina e X2 aumenta, a utilidade marginal de X1 aumenta e a de X2 diminui.
Isto explica porque TMS se torna decrescente na medida em que nos deslocamos para baixo e para a direita ao longo da curva de indiferença.
1 2 2 1 1 2 2 1 2 2 1 1 2 2 1 1 2 2 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 ) ( ) ( ) ( ) ( 0 : Daí 0. Ut constante é a indiferenç de curva mesma numa Ut Como ) ( ) ( ; UMgX UMgX TMS X X UMgX UMgX X X UMgX X UMgX X UMgX X UMgX X Ut UMgX X UMgX X UX UX Ut UX UMgX X X UX UMgX
Linha de restrição orçamentária
Digamos que o consumidor tenha umarenda de R$ 700,00 e que os preços de X1 e X2 sejam respectivamente
R$ 10,00 (P1) e R$ 7,50 (P2).
Com esses dados, conforme mostra o Gráfico 6, pode-se traçar a chamada linha de orçamento (linha de
restrição orçamentária), ou seja, a reta que representa todas
combinações acessíveis de X1 e X2 dado o nível de renda.
Gráfico 6. Linha de orçamento
0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Produto X2 P ro d u to X 1
A reta do orçamento é representada pela equação:
R=P
1X
1+P
2X
2ou X
1=(R/P
1)-[(P
2/P
1)X
2],
Nível de equilíbrio
A combinação que maximizará a utilidade do consumidor será aquela que, alem de ser um ponto na linha de orçamento, também, é um ponto na curva de indiferença mais alta possível. No Gráfico, o ponto A representa uma
combinação de 40 unidades de X1 e 40
unidades de X2.
Essa combinação é acessível ao nível de renda do consumidor, já que as essas quantidades multiplicadas pelos preços somam R$ 700,00 e, também, coincide com o ponto localizado na curva de indiferença mais alta.
Portanto essa combinação representa o nível de utilidade mais alto possível, chamado de nível de equilíbrio.
Gráfico7. Linha de orçamento e Curvas de indiferença 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 X2 X 1 A C
Ponto de equilíbrio
Matematicamente, sabemos que a reta de orçamento tem inclinação constante de - P2/P1 e que TMS é a inclinação da própria curva de indiferença sobre um dado
ponto.
Portanto, quando a inclinação da curva de indiferença, medida pela tangente, num determinado ponto é -P2/P1, ou seja, a inclinação da linha de orçamento, encontramoso ponto de maximização da utilidade.
Em outras palavras, no ponto de tangência da linha de orçamento com a curva de indiferença, onde TMS é igual à relação entre os receptivos preços, o consumidor alcança seu ponto de equilíbrio.
•
Por tanto, a cesta que maximiza a
utilidade sujeita a uma restrição
orçamentária é aquela que a relações da
utilidade marginal / preço seja igual para
todos os bens que forma a cesta.
•
Em tais condições, se o preço de um bem
aumenta, deve-se esperar que a UMg
dele aumente para preservar a condição
de maximização.
2 2 1 1 2 1 2 1 1 1 2 2UMgX
P
TMS
UMgX
P
UMgX
UMgX
P
P
R
X P X P
Ponto de equilíbrio
Alterações da renda e dos preços
Gráfico 9. Alterações nos preços de X2 e Linha de orçamento 0 20 40 60 80 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 Produto X2 P ro d u to X
Uma baixa no preço de um dos bens resulta em uma
modificação na relação -P2/P1
e por isso a reta do orçamento terá sua inclinação alterada. Supondo-se agora que o preço de X1 permaneça constante e que o preço de X2 aumente a reta de orçamento girará para a esquerda. Nota-se que com a queda no preço a quantidade consumida aumenta, e com o aumento a quantidade
Suponha-se que a renda do consumidor aumente. De tal forma,
mantidos os preços, a reta de orçamento se deslocará para a direita
conforme mostra o Gráfico. Esse deslocamento será paralelo já que a
inclinação da reta, dada pela relação -P
2/P
1, permanece constante, e
possibilita a aquisição de maiores quantidades dos dois produtos.
Gráfico 8. Aumento da renda e as Curvas de indiferença 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 X2 X 1 A C
Digamos que o ano passado a inflação foi de 5%. Isso
desloca a linha de restrição orçamentária para abaixo.
Mas se junto com os preços, a renda cresceu na mesma
proporção (5%),o ponto ótimo não muda. O reajuste da
renda volta a linha orçamentária a seu lugar inicial.
Gráfico 8. Aumento da renda e as Curvas de indiferença 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 X2 X 1 A C
Na parte superior do Gráfico, estão representadas três retas do orçamento
resultantes de alterações nos preços do produto alimento, sendo PA0, P
A1, PA2.
Como os preços relativos variam entre (PA0 /P V)
e (PA1/P
V) as quantidades de equilíbrio que o
consumidor irá adquirir para maximizar sua utilidade também serão alteradas.
Dadas as preferências do consumidor – representadas pelo mapa de curvas de
indiferença – este irá adquirir as combinações de vestuário e alimentos representadas pelos pontos E0, E1 e E2 no Gráfico.
O ponto E0 indica um consumo de qA0 unidades
de alimento quando o preço é PA0. O ponto E 1
indica um nível de consumo de qA1 para um
preço de PA1 e o ponto E
2 indica um consumo de
qA2 para P A2.
Com essas informações é possível representar, conforme o Gráfico inferior, a curva de
P
Efeito de variação da renda
Um amento da renda,
mantidos constantes os preços dos
bens x,y, faz com que os consumidores
alterem suas escolhas de cestas.
No 1º gráfico, as cestas que
maximizam a satisfação do
consumidor para os vários níveis de
renda determinam o traçado da curva
de renda-consumo.
O deslocamento da curva da
demanda para a direita, em resposta
aos aumentos da renda, é apresentado
no gráfico 2º.
Os pontos E, G e H na
Demanda correspondem aos pontos A,
B e C, respectivamente.
Efeito de variação da renda
Quando a curva de Renda-consumo apresenta uma inclinação
positiva, a quantidade demandada aumenta com a renda e, conseqüentemente, a
elasticidade de renda da demanda torna-se positiva.
Quanto maiores forem os
deslocamentos da curva da demanda para a direita, maior será a elasticidade renda da demanda. Neste caso, os bens são
descritos como normais ou superiores: os consumidores desejam adquirir mais
desses bens à medida que sua renda aumenta.
Em alguns casos, a quantidade demandada cai à medida que a renda aumenta – a elasticidade renda da demanda é, assim, negativa. Então, descrevemos um bem inferior.
Efeito de variação da renda
Se só existe os bens x e y, o processo de maximização da utilidade depende dos preços (px e py) da renda R e função utilidade dada, neste caso por
U=xy.
Utilizando a função de Lagrange podemos encontrar os valores máximos.
L=xy-λ(pxx+pyy-R).
Substituindo na 3ª
Efeito renda e efeito substituição.
Pelo visto, nota-se que com a queda no preço de um produto as quantidades
demandadas dele aumentaram.
Percebe-se, porém, que as quantidades demandadas do outro bem
também pode aumentar, embora o preço desse último permaneça constante.
Essa observação indica que uma alteração nos preços relativos Pv/Pa
(mantendo-se constante a renda) induz dois fenômenos:
• o aumento no consumo do bem que fica relativamente mais barato, implicando certo grau de substituição no consumo e
• as alterações no consumo de todos os produtos, já que as alterações nos preços acarretaram alterações no poder aquisitivo global do consumidor, ou seja, afetam a renda real do consumidor.
Efeito renda e
efeito substituição
Assim, como ilustrado no Gráfico, uma queda no preço de X, além de incentivar a substituição de Y por X, também acarreta aumentos tanto em X como em Y, já que com a queda do preço de X, a renda do consumidor foi
aumentada em termos de poder aquisitivo ou poder de compra.
Dessa forma, o efeito total dos movimentos ao longo da curva preço-consumo pode ser
decomposto em duas partes: um causado pelo efeito-renda e outro pelo efeito-substituição.
Os aspetos característicos de cada um destes efeitos encontram-se ilustrados no Gráfico 11. Com a linha do orçamento original, o consumidor
maximiza a utilidade por meio da escolha da cesta de mercado A.
Vejamos que ocorre se o preço do bem X cair, fazendo com que a linha do orçamento sofra um movimento de rotação para a direita, tornando-se a linha pontilhada.
O consumidor agora escolhe a cesta de mercado B, situada sobre a curva de indiferença U2, que representa um nível de satisfação maior. O efeito total da queda do preço é representado
por A1A2. Inicialmente o consumidor
adquiria 0A1 unidades de X, contudo, após a alteração do preço, o consumo desse bem se elevou par 0A2.
Para identificar o impacto causado pelo
efeito-substituição é necessário separar o movimento ao longo da curva de
indiferença inicial (U1) do movimento para outra curva (U2).
O efeito substituição corresponde à variação do consumo decorrente da modificação do preço, mantendo-se constante o nível de satisfação. Em outras palavras, o efeito substituição capta a variação do consumo de X que ocorre em conseqüência do preço de X que o torna relativamente mais barato do que Y. Essa substituição é caracterizada por um movimento ao longo da curva de indiferença inicial.
No Gráfico 11, esse efeito pode ser visualizado traçando-se uma linha do orçamento paralela à linha pontilhada do orçamento, mas que seja tangente à curva de indiferença inicial (U1). A nova e imaginária linha do orçamento reflete o fato de que a renda foi reduzida para isolar o efeito
substituição. Dada essa nova linha, o consumidor escolhe a cesta C. Dessa forma, o segmento A1E representa o efeito substituição.
Efeito renda e efeito
substituição
O efeito renda corresponde à variação do consumo de X ocasionado pelo aumento do poder aquisitivo,
mantendo-se seu preço constante. No Gráfico 11, o efeito renda é o deslocamento do ponto de
equilíbrio de C para B, situado sobre a curva superior de
indiferença. O aumento do
consumo de X, passando de 0E para 0A2, é a medida do efeito renda, ou seja, da variação do poder aquisitivo do consumido decorrente da queda do preço de X.
Lembremos que a direção do
efeito substituição é sempre
a mesma: um declínio no
preço provoca um aumento
no consumo do bem.
Entretanto, o efeito renda pode
fazer com que a demanda se
modifique em qualquer uma
das duas direções,
dependendo de o bem ser
normal ou inferior.
Efeito renda e efeito
substituição
Efeito Renda e efeito substituição
Bem inferior
Um bem é inferior quando o
efeito renda é negativo:
quando a renda aumenta, o
consumo cai.
No caso da figura, x é um bem
inferior, porque tem efeito
renda negativo.
Entretanto, como o efeito
substituição excede o efeito
renda, uma diminuição no
preço de x leva a um aumento
na quantidade demandada.
-0.5 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6 6.5 7 7.5 8 8.5 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 x y Efeito Renda Efeito Substitução Efeito TotalEfeito Renda e efeito substituição
O efeito renda teoricamente pode
ser grande o suficiente para
fazer com que a curva de
demanda de um bem passe a ter
inclinação positiva.
Na figura, vemos que como o efeito
renda é maior que o efeito
substituição, a diminuição do
preço de x ocasiona uma queda
da demanda.
Efeito Renda e efeito substituição
Bens de Giffen
Aqui o efeito renda é também
maior que o efeito
substituição, porém vemos
que o aumento do preço de x
ocasiona uma aumento da
demanda.
As mercadorias que se
enquadram nesse perfil são
denominadas Bens de Giffen.
O efeito renda explica esta exceção na lei da demanda: os bens
chamados Giffen cujos consumos aumentam com o incremento
dos preços.
Efeito renda e efeito
substituição
Tal situação se explica da seguinte maneira: para esses bens, que são
vitais, os indivíduos preferem
dedicar uma parte mais importante de seu ingresso na medida que seu poder de compra baixa, limitando o consumo de outros bens
considerados menos essenciais.