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PROVASDEGRUPO-AVALIAÇÃODECOMPORTAMENTOS

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Academic year: 2021

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(Breves notas)

Outubro 2008 Rocha Machado

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Introdução 3

1. A dinâmica do grupo 4

2. Comportamentos funcionais em grupo 4

2.1 Contribuições referentes às tarefas do grupo 4

2.2 Contribuições referentes à constituição e manutenção do grupo 5 2.3 Actividades relativas à tarefa a resolver e à manutenção do grupo 5 3. Comportamentos e atitudes disfuncionais nos grupos 6 4. Procedimentos para melhorar as contribuições dos membros do grupo 7

5. Que observar e avaliar num grupo 7

5.1 A participação no trabalho em grupo 8

5.2 A influência no grupo 8

5.3 Métodos de influência nos grupos 8

6. Processo de tomada de decisão em grupo 9

6.1 Funções relativas ao desempenho das tarefas 10

6.2 Funções de manutenção e produção no grupo 10

6.3 O ambiente do grupo e a tomada de decisão 11

6.4 Integração e participação no grupo 11

6.5 A variabilidade de sentimentos dos elementos do grupo 11

6.6 Normas para reger o funcionamento do grupo 12

7. Mecanismos de defesa em grupo 12

7.1 Defesas orientadas para a luta 13

7.2 Defesas orientadas para a fuga ou evasão 13

7.3 Defesas orientadas para a manipulação do grupo 14

8. Como observar no grupo experimental 15

8.1 Conteúdo e processo 15

8.2 A comunicação no grupo 16

8.3 Normas do processo de tomada de decisão 16

9. O comportamento do grupo em função do indivíduo 17

9.1 O comportamento relevante para a realização da tarefa do grupo 17

9.2 Preservação da coesão do grupo 18

10. Emoções: causas do comportamento emotivo 19

Notas finais 20

Bibliografia 21

Introdução

O presente texto tem como objectivo evidenciar algumas das características particulares da formação e da dinâmica dos grupos, tendo em vista o seu ulterior aproveitamento para efeito de selecção de pessoas.

Em termos gerais, o estudo já desenvolvido tanto no que respeita ao processo de formação como ao desenvolvimento de grupos, dispõe de vasta literatura especializada, quer decorrente de trabalho realizado em laboratório quer de trabalho experimental. Por isso, neste domínio não há necessidade de avançar mais. Contudo, o recurso às técnicas de grupo para efeito de selecção de pessoas impõe a adopção de um conjunto de medidas e procedimentos que não só garantam a objectividade, como assegurem a qualidade dos resultados. Neste caso particular, a utilização das provas de grupo visa permitir observar e avaliar o comportamento dos diferentes elementos (do grupo) no decurso da realização de uma determinada tarefa que lhes foi imposta ou sugerida. Os grupos formados com o objectivo de serem submetidos a esta técnica de selecção, não se enquadram na tipologia corrente dos grupos. De facto, não são propriamente grupos formais, informais, espontâneos ou de laboratório, pois as regras da sua constituição são específicas, aleatórias e ocasionais. Trata-se, neste caso, de um

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conjunto de pessoas que num dado momento são convidadas a trabalhar em grupo na resolução de um problema, situação, assunto ou tema que lhes é fornecido pelos observadores/avaliadores. Realça-se que não estará em causa a forma como o grupo evolui na resolução do trabalho que lhes foi proposto, mas sim o comportamento que os diversos elementos do grupo adoptam e revelam neste processo, porventura simulado. Pelas suas características particulares e pela proximidade da realidade que muitas vezes revelam, as provas de grupo permitem observar, comparar e avaliar os comportamentos de cada um dos seus membros e assim prever como se poderão vir a comportar em situações futuras similares.

Como se pode inferir, as provas ou técnicas de grupo são no presente contexto utilizadas como instrumento privilegiado de observação, anotação e avaliação de comportamentos que contribuirão, conjuntamente com outras provas, para a tomada decisão no âmbito da selecção de pessoas para o exercício de determinada função.

Pela importância que as provas de grupo assumem actualmente no contexto da selecção de pessoas para o exercício de profissões, as páginas seguintes são dedicadas ao estudo dos fenómenos e dos comportamentos ocorridos no interior do grupo (sejam eles gestuais, visuais, mímicos, comunicacionais, de liderança, de poder, de agressividade, emotivos ou outros), tendo em vista a tomada de decisão quanto à adequação de cada um dos seus elementos ao objectivo pretendido.

1. A dinâmica do grupo

A característica essencial do grupo eficiente e produtivo, traduz-se na sua capacidade de satisfazer dois tipos de necessidades. O primeiro, diz respeito à execução da tarefa que se propôs realizar. O segundo à manutenção e reforço da própria coesão e motivação do grupo. Para assegurar as condições expressas é relevante considerar as declarações e comportamentos dos diferentes membros a um nível mais abstracto do que o mero conteúdo e comportamento em si mesmos, ou seja, haverá que verificar como respondem às necessidades do grupo.

O que os diferentes membros fazem para satisfazer as necessidades do próprio grupo será designado como comportamentos funcionais. Pelo contrário, as intervenções e comportamentos dos membros do grupo que tendam a torná-lo ineficaz ou a enfraquecê-lo serão designados como comportamentos disfuncionais.

Comportamentos funcionais e disfuncionais são correntes no seio dos grupos, não se podendo, contudo, garantir que uns ou outros sejam por si mesmos completamente construtivos ou destrutivos. O conflito faz parte integrante do processo de locomoção e desenvolvimento dos próprios grupos.

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Em termos gerais, os diversos membros do grupo podem assumir e desempenhar papéis preponderantemente centrados na produção, na manutenção, ou papéis egoístas. Como se pode depreender, o tipo de papéis desempenhados tem diferentes repercussões na vida e na dinâmica do grupo, como se procurará clarificar.

2. Comportamentos funcionais em grupo

DE um modo geral, este tipo de comportamentos conduz ao bom desempenho e facilita o desenvolvimento do grupo, preservando a unidade e a coesão internas. Podem, contudo, revestir várias formas de expressão, como se mostrará seguidamente.

2.1 Contribuições referentes às tarefas do grupo (actividades conducentes à escolha e boa execução da tarefa do grupo):

Contribuições introdutórias – apresentação de ideias, novas definições do problema, sugestão de alternativas, proposta de soluções, novas abordagens do problema em análise, nova organização dos elementos disponíveis, etc.;

Procura de informações – pedido de esclarecimento de sugestões apresentadas, pedido de clarificação de dados ou factos apresentados, etc.;

Pesquisa de opiniões – procurar saber qual a reacção dos membros do grupo em relação a um determinado problema, procurar obter a clarificação das opiniões, sugestões ou ideias apresentadas;

Prestação de informações – pôr à disposição dos membros do grupo factos ou considerações gerais, como relatos de experiências pessoais que possam servir para fundamentar pontos do problema a serem tratados pelo grupo;

Manifestação de opiniões – apresentar uma opinião ou parecer relativamente a uma sugestão feita, nomeadamente em relação ao seu valor intrínseco e não aos seus aspectos formais;

Trabalho construtivo – esclarecer e dar exemplos, desenvolvendo o sentido com que está a ser encarada a questão, tentar construir uma visão objectiva do modo como a proposta avançará, caso seja aceite;

Trabalho de coordenação – indicação de possível relação entre as várias sugestões e ideias apresentadas, com o objectivo de as harmonizar e assim aproximar os vários elementos ou subgrupos de uma ideia central;

Síntese – obtenção de um resultado oriundo da coordenação de ideias ou sugestões apresentadas, depois de devolvidas e confirmadas pelo próprio grupo.

2.2 Contribuições referentes à constituição e manutenção do grupo (funções de manutenção e reforço da vida e dinâmica do grupo)

Acção de encorajamento – ser cordial, receptivo, sensível aos outros elementos do grupo, aplaudir as suas ideias e aceitar quaisquer contribuições disponibilizadas;

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Incentivo a intervenções – manter em aberto a possibilidade e necessidade da intervenção de todos os elementos do grupo, por exemplo, dizendo “x ainda não nos disse o que pensa sobre a questão”, ou sugerindo um tempo de intervenção para cada membro do grupo, de modo a que todos tenham oportunidade de se fazer ouvir; Estabelecimento de padrões de referência – definir padrões a serem adoptados pelo grupo ao proceder à escolha do conteúdo, das normas de funcionamento ou à avaliação das suas decisões, de modo a não colidirem com padrões de referência pré-definidos pelo próprio grupo;

Actividade de integração – integrar-se nas decisões do grupo, aceitando conscientemente as ideias dos seus membros, mantendo-se como espectador durante os debates feitos pelo grupo;

Expressar as tendências do grupo – fazer o ponto da situação do que se entende ser a visão geral do grupo, descrevendo quais as suas reacções face a ideias ou soluções; 2.3 Actividades relativas à tarefa a resolver e à manutenção do grupo

Avaliação - sujeição das decisões ou conclusões do grupo aos respectivos padrões de referência, confrontando-as com os objectivos previamente definidos;

Diagnóstico – identificar a origem das dificuldades surgidas e decidir quais as medidas a tomar, depois de analisados os principais obstáculos à obtenção de bons resultados;

Procurar o consenso – auscultar as opiniões do grupo e motivar reacções convergentes, tendo em vista a tomada de decisão;

Acção mediadora – tentativa de mediação, conciliando divergências de pontos de vista e estabelecendo soluções de compromisso;

Regulação e controlo de tensões – tolerar quaisquer sentimentos negativos, quer fazendo espírito de humor com a situação, quer deitando água na fervura ou remetendo a situação de tensão para um contexto mais vasto;

3. Comportamentos e atitudes disfuncionais nos grupos

Por vezes sucede (e até com maior frequência do que o esperado), que as pessoas se comportam de um modo disfuncional, que não só é negativo como, em certos casos, é mesmo prejudicial ao grupo e à tarefa que este deve realizar. Apresentam-se, em seguida, alguns dos comportamentos disfuncionais (não-funcionais) que ocorrem com maior frequência e que são:

Comportamento agressivo – consiste em ser crítico por princípio, ou culpar sempre os outros elementos do grupo denotando hostilidade para com o grupo ou para com alguns elementos, numa atitude de menosprezo pelo outro ou pelos princípios alheios

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Comportamento entravador – consiste em sair do âmbito do objectivo do grupo, interferir com o seu normal funcionamento, citar experiências pessoais fora do contexto, debater exageradamente um assunto, rejeitar ideias expostas pelos membros, desconsiderando-as;

Auto-confissão – utilização do grupo para efectuar investigações de carácter pessoal, exprimindo sentimentos ou pontos de vista de interesse meramente pessoal e sem interesse para o grupo;

Espírito de competição – consiste em entrar em confronto com outros para verificar quem tem melhores ideias, quem fala mais, quem tem maior actividade, quem é mais considerado pelo grupo;

Procura de simpatia/empatia – tentar levar os outros membros do grupo a mostrarem-se solidários com os problemas ou fracassos pessoais, explorando a sua própria situação a seu favor ou depreciando as próprias ideias para obter apoio; Alegar razões especiais – consiste em apresentar ou apoiar sugestões relacionadas com interesses especiais ou filosofias particulares de determinados membros do grupo espalhando intrigas, para deste modo poder levar a sua avante;

Atitude exibicionista – consiste em fazer de palhaço, fazer espírito ou caricaturar, quebrando assim o ritmo e a continuidade do grupo;

Atitude para chamar a atenção – visa procurar atrair as atenções dos demais por meio de conversas sonoras ou excessivas, através de ideias extremistas ou comportamentos inusitados;

Atitude marginalizante – agir de modo indiferente ou passivo, refugiar-se em formalidades excessivas, fugir à realidade, adoptar uma atitude negativa perante tudo, divagar fora da questão ou do objectivo traçado;

A utilização deste método de avaliação implica que sejam tomadas medidas que evitem atribuir culpas a quem quer que seja (ao próprio ou a outrem) caso ocorra um comportamento disfuncional. Será, pelo contrário, mais razoável considerar tal comportamento como um sintoma de que nem tudo está a correr bem quanto à capacidade do grupo para satisfazer internamente as necessidades dos seus membros. Há, contudo, que consciencializar os membros do grupo de que cada um interpreta os comportamentos manifestados à sua maneira. Por exemplo, aquilo que um interpreta como um “comportamento entravador”, um outro membro pode interpretá-lo como um esforço para “pôr à prova a capacidade prática”.

Realça-se que, aquilo que pode parecer um comportamento disfuncional, não tem necessariamente de o ser, uma vez que há sempre que ter em conta a situação do próprio grupo. Em certos casos há comportamentos agressivos que podem ter um efeito positivo para o desanuviamento do ambiente e para revigorar as potencialidades do grupo. 4. Procedimentos para melhorar as contribuições dos membros do grupo

Um grupo pode sempre melhorar a sua performance e adquirir uma maior capacidade de trabalho, se os seus membros se consciencializarem do papel que lhes cabe e aceitarem cumpri-lo. Para isso, é necessário que:

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 Tomem consciência da importância da sua função numa determinada situação;  Sejam receptivos à tarefa que lhes é proposto realizarem;

 Tenham consciência do valor da sua contribuição para a satisfação das necessidades sentidas pelo grupo;

 Se qualifiquem para se tornarem mais competentes na realização das suas funções. 5. Que observar e avaliar num grupo

Em todas as actividades humanas existem dois elementos essenciais, que são o conteúdo e o processo. O primeiro (o conteúdo), diz respeito à tarefa com que o grupo se ocupa. Na maioria das situações a atenção dos indivíduos concentra-se no conteúdo. O segundo (o processo) refere-se ao que vai acontecendo aos elementos e entre os elementos do grupo durante o trabalho em grupo.

O processo ou dinâmica do grupo diz respeito a situações de diversa ordem como estados de ânimo, ambiente interno, influências, receptividade, participação, luta pelo poder, conflito, competição, cooperação etc. Por vezes, presta-se pouca atenção ao processo, mesmo nas situações em que este é a causa principal da ineficiência do grupo. A atenção ao processo gerado no interior do grupo, pode permitir antecipar o diagnóstico dos problemas do grupo e assim tomar as medidas adequadas à sua maior eficácia. Por outro lado, permite também avaliar o valor dos indivíduos em relação ao grupo, com base na sua participação efectiva. Para o efeito faz-se seguidamente a apresentação de alguns aspectos que poderão ajudar a avaliação do trabalho desenvolvido pelo grupo.

5.1 Participação no trabalho de grupo

A participação oral é um sinal do grau de envolvimento no trabalho do grupo. Este facto, permite evidenciar diferenças de participação dos diversos membros e responder às questões seguintes:

 Quais são os participantes mais activos?  Quais são os participantes menos activos?

 Verificou-se alguma alteração de participação? Por exemplo, os elementos mais activos tornaram-se mais passivos e vice-versa? Há algum motivo para esta situação?

 Como agir com aqueles que não se manifestam? Como interpretar o seu mutismo? Como sinónimo de concordância? Como sinal de desacordo? Como sintoma de desinteresse? Será consequência da timidez?

 No grupo, quem fala e para quem? Há alguma razão para tal situação?

 Quem é que anima e sustenta a reunião? Porquê? Verifica-se alguma razão para isso?

5.2 Influência no grupo

A influência relaciona-se com a participação, mas é diferente. Há elementos (do grupo) que não falando muito, prendem a atenção do grupo. Outros há que falando muito, não são escutados. Estes factos levam a realçar a influência exercida por cada um no grupo e assim questionar:

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 Que elementos do grupo desfrutam de maior influência? Significará isto que quando falam os outros os escutem mesmo?

 Que elementos do grupo dispõem de menor influência? Os outros membros do grupo não lhes prestam atenção nem os apoiam? Verifica-se alguma transferência de influências? Quem a sofre?

 Verificam-se rivalidades no grupo? Há alguma luta pela liderança? Tem isso algum efeito nos outros elementos do grupo?

A influência no grupo pode revestir diversas formas ou configurações, como:  Ser punitiva (negativa);

 Assegurar o apoio ou cooperação dos outros elementos do grupo;  Marginalizar determinados elementos do grupo.

5.3 Métodos de influência nos grupos

O modo como um indivíduo procura influenciar um outro poderá ser crucial para se determinar o modo como esse outro se mostra mais ou menos receptivo a deixar-se influenciar. Contudo, há que considerar vários comportamentos possíveis, como se segue.

a. O autocrítico

Há alguém que tente impor a sua vontade ou os seus valores a outros membros do grupo ou que os tente pressionar para que apoiem as suas próprias decisões? Quem avalia ou julga os outros membros do grupo? Há elementos a entravar a actividade do grupo se a direcção seguida não corresponde ao que pretendem? Que perfis serão indicados para se conseguir um grupo organizado?

b. O apaziguador

Quem apoia mais entusiasticamente as opiniões dos outros elementos do grupo? Há alguém que tente evitar conflitos e que se manifestem sentimentos desagradáveis, “deitando água na fervura”? Há no grupo algum elemento que manifeste habitualmente deferência para com os restantes membros conferindo-lhes poder? Há no grupo elementos que revelem propensão para evitar situações de desacordo e que apenas se manifestem quando pretendem dar a sua aprovação?

c. O “deixa-andar”

Há elementos do grupo que chamam a si as atenções pelo facto de, aparentemente, não se acharem envolvidos no grupo? Há no grupo algum elemento que apoie as decisões do grupo sem parecer comprometer-se? Quem pareça estar à margem ou não envolvido? Quem não age por si próprio, quem participa por acção mecânica e apenas para responder a um problema posto por um outro membro do grupo?

d. O democrático

Há alguém que tente envolver todos os elementos numa decisão ou discussão do grupo? Há alguém que exprima os seus sentimentos e opiniões de modo franco e directo, sem avaliar e julgar os outros? Alguém se revela aberto a apoios ou críticas por parte dos

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outros membros? Em situações em que os ânimos se exaltam e a tensão cresce, quais são os elementos do grupo que tentam enfrentar o conflito de modo a encontrar uma solução para o problema?

6. Processo de tomada de decisão em grupo

Muitas das decisões tomadas em grupo não consideram os efeitos que elas podem ter em alguns dos membros. De facto, alguns indivíduos tentam impor ao grupo as suas próprias decisões, enquanto outros desejam que todos participem nas decisões que são tomadas. Assim, podem verificar-se diferentes situações como:

a. Há alguém que tome uma decisão e a leve avante sem a confrontar com os outros membros do grupo? Este é o caso do indivíduo que se autoriza a si próprio, por exemplo, decidindo qual o ponto a ser debatido começando de imediato a explaná-lo. Qual é o efeito de tal atitude nos outros membros do grupo?

b. O grupo salta de tema em tema? Quem provoca essa situação? Há algum motivo para isso nas interacções do grupo?

c. Quem apoia decisões ou sugestões dos outros membros do grupo? É esse apoio resultado da acção de alguns membros do grupo? Isso afecta os demais membros do grupo?

d. Nota-se que existe uma maioria que pressiona uma decisão passando por cima de objecções feitas por alguns elementos do grupo? Alguém pede que a questão seja submetida a votação (apoio por maioria)?

e. Há alguma tentativa para levar todos os membros do grupo a participar numa decisão (consenso)? Qual o efeito que isso parece ter no grupo?

f. Alguém deu contribuições que não receberam qualquer tipo de resposta ou reconhecimento? Que efeito provocou isso nesse elemento?

6.1 Funções relativas ao desempenho das tarefas

Estas funções ilustram comportamentos relacionados com o desempenho de um dado cargo ou o levar a cabo uma tarefa apresentada ao grupo. Assim, poderão colocar-se as seguintes questões:

a. Há alguém que peça ou faça sugestões quanto à melhor maneira de resolver ou abordar um determinado problema?

b. Há alguém que faça o apanhado do que foi tratado ou do que se tem passado no grupo?

c. Alguém fornece ou pede factos, ideias, opiniões, sentimentos, apoios, ou que procure alternativas?

d. Quem é que mantém o grupo no âmago da questão? Quem impede que se salte de assunto em assunto, ou que se debatam questões marginais?

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6.2 Funções de manutenção e produção no grupo

Estas são funções importantes para a preservação do ânimo do grupo. Graças a elas mantêm-se no interior do grupo relações equilibradas e harmoniosas e cria-se uma atmosfera que permite que cada membro do grupo dê a sua melhor contribuição. São estas funções que garantem um trabalho em equipa agradável e eficaz. Assim, poderão colocar-se algumas questões, como as seguintes.

a. Quem é que incentiva os outros membros a entrarem no debate (estimuladores da participação)?

b. Quem é que interrompe ou põe fim à intervenção dos outros (inibidores da participação)?

c. De que modo e até que ponto os elementos do grupo conseguem expor as suas ideias? Há indícios de que alguns membros estejam preocupados e não prestem a devida atenção? Verificam-se tentativas por parte de alguns elementos do grupo no sentido de auxiliar outros membros do grupo a aclarar as suas ideias?

d. De que modo se rejeitam ideias apresentadas? Como reagiram os membros do grupo cujas ideias foram rejeitadas? Tentam os membros do grupo apoiar aqueles que não rejeitaram as suas ideias?

6.3 O ambiente do grupo e a tomada de decisão

Trata-se do modo como o grupo cria o seu próprio ambiente, que se manifesta como uma impressão geral. É natural que os elementos do grupo tenham divergências quanto ao tipo de ambiente que preferem quando em grupo. Poderá conhecer-se o ambiente que caracteriza determinado grupo através da utilização de termos que expressem as impressões gerais que cada membro sente. Para o efeito, podem ser colocadas as seguintes questões:

a. Quem parece preferir um ambiente amistoso e favorável à sua própria índole? Verifica-se qualquer tentativa no sentido de se suprimir sentimentos conflituosos ou desagradáveis?

b. Quem parece preferir ambientes de conflito e não-entendimento? Existem no grupo elementos provocadores ou que “piquem” os outros?

c. Sente-se que os membros do grupo estão interessados e integrados no debate? Como é o ambiente existente, em termos de trabalho? E quanto ao gosto pela participação? E quanto à fuga ao debate. E quanto à indolência? ..etc.

6.4 Integração e participação no grupo

Uma das principais preocupações dos membros de um grupo relaciona-se com o grau de aceitação ou inclusão no grupo. Num grupo, podem desenvolver-se diferentes tipos de interacção que são indicadores do grau e do tipo de integração no grupo. Relativamente a este assunto, podem formular-se as seguintes questões:

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a. Existe algum tipo de grupo dentro do próprio grupo? (Em certos casos, dois ou três elementos podem concordar entre si e apoiar-se sistematicamente ou de igual modo opor-se e desentender-se).

b. Nota-se que alguns elementos estão a “leste” do grupo? Que há elementos que parecem perfeitamente integrados? Como são tratados os elementos “alheados” do grupo?

c. Há elementos que saem ou entram no grupo, por exemplo, que inclinam os respectivos assentos para a frente ou para trás ou que aproximam ou afastam as suas cadeiras? Em que condições se efectuam as suas “entradas” e “saídas”?

6.5 A variabilidade de sentimentos dos elementos do grupo

No decorrer dos debates geram-se no grupo com frequência sentimentos originados pela interacção entre os seus membros. Esses sentimentos, porém, raramente merecem qualquer comentário. Os observadores desse grupo poderão ter de se orientar “às cegas”, guiando-se pelo tom das vozes, expressões faciais, gestos e muitas outras formas de indícios não orais. Contudo, poderão formular-se as seguintes questões: a. Que indício de sentimentos é possível detectar nos membros do grupo? Ira, irritação,

frustração, afabilidade, afecto, excitação, aborrecimento, atitude de defesa, espírito competitivo, etc.?

b. Nota-se nalguns membros do grupo tentativas para entravar a manifestação de sentimentos, principalmente no que se refere a sentimentos negativos? Como é que isso se processa? Há alguém que o faça habitualmente?

6.6 Normas para reger o funcionamento do grupo

Um grupo que controle o comportamento dos seus membros, poderá desenvolver padrões ou regras básicas de conduta. Estas, tendem a exprimir as convicções ou desejos da maioria do grupo quanto aos comportamentos que se deverão ou não verificar. Estas normas devem ser claras para todos os membros (explícitas), devem ser reconhecidas ou sentidas apenas por uma minoria (implícitas), ou funcionar sem qualquer reconhecimento por parte dos membros do grupo. Convém ter presente que, se algumas normas facilitam o desenvolvimento do grupo, outras o limitam. Contudo, é possível formular as seguintes questões:

a. Existem assuntos a evitar pelo grupo (por exemplo, sexo, religião, sentimentos momentâneos experimentados pelo grupo, discussão do comportamento do chefe do grupo, etc.)? Quem parece alimentar essa não-abordagem do assunto? Como é que isso se processa?

b. Os membros do grupo mostram-se exageradamente amáveis e educados uns para com os outros? Só são expressos sentimentos positivos? Verifica-se uma concordância exageradamente pronta entre os membros do grupo? O que se passa quando há discordância?

c. Há normas em funcionamento que regulem a participação ou o tipo de questões permitido (por exemplo, se um fala o outro também o deverá fazer)? Os membros do grupo sentem-se desinibidos para se sondar entre si, no que diz respeito aos seus

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sentimentos? Nota-se nas questões debatidas uma tendência no sentido de se restringirem a temas intelectuais ou a conhecimentos alheios ao grupo?

7.Mecanismos de defesa em grupo

Poderá parecer doloroso o “amadurecimento” temperado pela participação em grupos de trabalho. Contudo, muita gente decide tomar parte nas actividades de um grupo para assim se conhecer melhor, viver novos comportamentos e experiências e melhorar as capacidades de relacionamento humano. Isto não é surpreendente, nem motivo para se deixar arrastar pela dinâmica do grupo, apesar desta poder ser porventura intimidativa e exigir grande esforço para lhe resistir. Há constantes pressões para acelerar a abertura de uns aos outros, entrando em intimidades e confrontações que poderão ter reflexos nas estruturas conceptuais de cada um, provocando-lhes alterações. Por isso, pode levar a estados de ansiedade, sentimentos de vergonha e de culpa e outros sentimentos igualmente desconfortáveis. Existe em todos uma tendência natural para evitar tais sentimentos, embora cada um desenvolva o seu próprio processo de conduta. Normalmente, cada um desenvolveu os seus próprios mecanismos de defesa que preserva profundamente arreigados e funcionam como uma espécie de prevenção. Quando alguém entra na construção de um grupo ou se junta a um grupo, traz consigo o seu modo próprio de agir e de se comportar. Esses mecanismos de defesa vão entrar em acção e reflectir-se no desenvolvimento, quer do indivíduo quer do grupo, sendo imperativo que se reconheçam e sejam devidamente tratados e trabalhados.

Embora por princípio, as atitudes defensivas sejam de natureza evasiva, são contudo manobras que poderão merecer diferentes classificações, consoante o indivíduo se aproxima (luta) ou se afasta (evasão) da fonte de conflito, ou ainda prefere manipular os restantes membros do grupo (conluio).

7.1 Defesas orientadas para a luta

Estas baseiam-se na premissa “a melhor defesa é uma boa ofensiva” e as mais evidentes são as seguintes:

Competição com o moderador. Neste caso, o indivíduo que luta para controlar o grupo

ou dominar o seu orientador poderá estar a tentar provar o seu valor dentro do grupo, para assim evitar ter de considerar o seu próprio comportamento.

Cinismo. Este poderá ser manifestado através de um desafio frequente do acordo tácito

existente no grupo, bem como dos desafios deste através de um céptico pôr em causa de todas as atitudes de franqueza ou através de ataques feitos a membros mais fortes e intimidantes.

Interrogador. Neste caso, o indivíduo mantém-se na defensiva por meio de uma

barreira de questões que pretende que lhe sejam satisfeitas. Há indivíduos que habitualmente costumam interrogar os outros membros do grupo como quem apenas pretende obter informações e compreensões úteis. Contudo, poderá estar a lutar para manter as atenções gerais bem afastadas de si.

7.2Defesas orientadas para a fuga ou evasão

Estas constituem o processo mais comum de evitar um compromisso franco a nível emotivo no processamento do grupo, sendo mais frequentes as seguintes:

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Refúgio no campo intelectual. Estes são processos através dos quais um indivíduo

enfrenta as suas emoções de modo a ser objectivo, com base no diagnóstico ou na interpretação, evitando ser confrontado com os seus sentimentos mais elevados, por exemplo, “querer fazer-se zangado com alguém porque este lhe faz lembrar qualquer outro indivíduo indesejado”. Eventualmente, um grupo pode deixar-se envolver por discussões aparentemente válidas, mas que são meras evasivas que se mantêm à margem de questões relacionadas com comportamentos sociais ou de ordem geral.

Generalizações. Estas, estão estreitamente relacionadas com a tendência para fazer

apreciações gerais e impessoais acerca do comportamento do grupo, em vez de se aplicar directamente sobre si próprio ou a determinados membros visados, por exemplo, um indivíduo em estado de tensão que diz “silêncios tão prolongados como este servem apenas para motivar a ansiedade do grupo”, quando aquilo que de facto pretendia dizer era: “estou a sentir-me muito incomodado por este silêncio”.

Projecção. Neste caso, o indivíduo atribui aos demais as características que nele são

inadmissíveis, por exemplo, um indivíduo que se esforça por captar as atenções do seu grupo, pode atacar um qualquer outro membro por estar a dispor de um tipo de intervenção superior àquela que lhe compete dentro do grupo.

Apelo ao racionalismo. Este é um comportamento que visa justificar uma má adaptação

a uma situação concreta. Faz-se através da substituição de “razões” de facto, por “boas razões”, por exemplo, “eu não consigo obter muito deste grupo porque nele não existe um número suficiente de indivíduos da minha idade e muito simplesmente não consigo entrar em contacto com os membros deste grupo”, ou “se ao menos fizesse parte de um outro grupo, tudo correria melhor”.

Retirada ou fuga. Este tipo de comportamento defensivo pode variar de intensidade,

indo do mero aborrecimento do indivíduo até à sua retirada psíquica do grupo. De facto, os indivíduos silenciosos poderão estar a aprender com a sua atitude passiva. Porém, a sua capacidade de relacionamento humano não se está a desenvolver. A evasão será igualmente a atitude de um grupo que frequentemente se deixa cair no silêncio, especialmente após momentos dramáticos. Uma outra forma de se processar uma retirada é a tendência para se debater assuntos relacionados com uma interacção passada, em vez de questões relativas ao “aqui e agora”.

7.3Defesas orientadas para a manipulação do grupo

Por vezes certos elementos do grupo manipulam os seus congéneres, levando-os a certo tipo de relacionamentos para assim se protegerem a si mesmos contra um envolvimento mais profundo, ou evitarem uma confrontação. São comportamentos manipuladores, os seguintes:

Entrar em conluio. Neste caso, determinados elementos do grupo procuram obter o

apoio de um ou mais membros, formando assim uma espécie de aliança do tipo subgrupo, de que se servem para se protegerem e apoiarem entre si.

Auxílio mútuo. Este pode verificar-se dentro ou fora dos subgrupos atrás referidos. Em

situações de conflito ou de confronto, um membro do grupo pode intervir a favor de um outro ou sair em sua defesa quando esteja a ser alvo de uma discussão. A fórmula que

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rege tais acordos, porventura tácitos, é: “O seguro é melhor. Se me defenderes, eu também te defendo”.

Centrar a actividade num só membro. Um grupo poderá estar a ocupar demasiado

tempo e a gastar demasiadas energias com um só indivíduo. Manter as atenções centradas num único membro do grupo é proporcionar que os restantes membros do grupo estejam calados, afastando de si as atenções e as actividades.

Mesmo depois de terem sido identificados, não é tarefa fácil lidar com cada um destes tipos de defesa. Em certos casos, um meio eficaz de revelar esses sentimentos de evasão poderá ser um exercício não verbal adequado, ou de um outro género qualquer. Contudo, não existem métodos ou respostas que assegurem o sucesso ao lidar com estas defesas. De modo geral, depois de ter sido descoberta qual a manobra defensiva utilizada, o indivíduo ou indivíduos em questão poderão e deverão ser confrontados, levando-os a uma resposta efectiva. Depois de criado um ambiente de confiança mútua, os membros do grupo estarão em condições para reduzir as suas defesas e para tentarem experimentar novos comportamentos que os levem a maior amadurecimento.

8. Como observar um grupo experimental

O modo de aprender em laboratório de treino, é observar e analisar o que se passa no grupo de que se faz parte. No decurso da existência, todas as pessoas tomam parte em grupos de diferentes naturezas como a família, a escola, a prática desportiva, o trabalho, etc. Porém, raras vezes se é sensibilizado para dedicar algum tempo a observar e a tentar compreender o que se passa no seio do grupo. Neste aspecto, um dos principais objectivos consiste em melhorar a capacidade de observação, o que poderá ajudar a tornar-se membro de grupo mais eficiente. Mas, que se deve observar? O que há a procurar num grupo? Para o efeito, poderão considerar-se os seguintes aspectos:

8.1 Conteúdo e processo

Quando a observação recai sobre aquilo de que o grupo está a falar, está-se a visar o conteúdo. Quando se tenta observar o modo como se processa a comunicação no grupo, isto é, quem fala, quanto tempo ou com quem fala, está-se a visar o processo do grupo. A maioria dos debates acerca da organização e da dinâmica do grupo, dão ênfase ao conteúdo como “Em que consiste uma boa chefia”? “Como podem ser motivados os membros do grupo”? ou “Como se poderão tornar os trabalhos de grupo mais produtivos”? Estas questões andam à volta do “ali e então”, na medida em que são abstractas, orientadas para o passado ou para o futuro, sem que envolvam directamente. Quando se visa o processo do grupo, está-se a observar aquilo que o grupo faz no “aqui e agora”, o modo como funciona relativamente aos comportamentos actuais. De facto, o conteúdo de uma conversa constitui com frequência o melhor indício para se descobrir qual o ponto nevrálgico do processo, quando os indivíduos sentem dificuldades em enfrentar esse ponto directamente. Por exemplo:

Conteúdo Processo Falar-se sobre problemas de poder no

grupo, poderá significar ….

…que no grupo se verifica uma luta pela liderança.

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Falar-se do modo como as reuniões do grupo costumam ser um fracasso, poderá significar…

Falar-se dos membros do grupo que não dão qualquer contribuição, poderá revelar…

…. que os membros do grupo não estão satisfeitos com a reunião do próprio grupo.

…desagrado pelo modo como a liderança do grupo se comporta.

De um modo mais simples, pode dizer-se que observar o processamento do grupo é de facto centrar a atenção naquilo que se está a passar no grupo e tentar compreendê-lo em termos do que anteriormente se passou nesse grupo.

8.2 A comunicação no grupo

Um dos métodos mais fáceis para observar os processos internos do grupo, é o que se fundamenta no modelo seguinte:

 Quem fala? Durante quanto tempo? Com que frequência?

 Para quem é que os membros do grupo olham ao falar? Para os que os apoiam? Para o grupo todo? Para o líder? Para ninguém?

 Quem fala e após quem? Quem interrompe quem?

 Qual é o tipo de comunicação usado? Afirmações? Perguntas? Tom de voz? Gestos? Apoio ou desaprovação?

Os tipos de observação adoptados servem como indício de outras coisas importantes que possam estar a passar-se no grupo, tais como quem lidera quem, ou quem influencia quem.

8.3 Normas do processo de tomada de decisão

Quer seja perceptível ou não, os grupos estão permanentemente a tomar decisões, sendo algumas tomadas conscientemente por estarem relacionadas com as tarefas mais importantes a resolver e outras tomadas sem que se tenha uma noção bem clara, embora estejam relacionadas com as normas ou padrões reguladores das actividades de grupo. É importante verificar o modo como se tomam decisões em grupo, pois a adequação do método de tomada de decisão à questão a ser tratada e a previsão das suas consequências, são importantes para saber se correspondem ao que os membros do grupo pretendem.

É um facto que é difícil voltar atrás numa decisão tomada pelo grupo. Se alguém diz: “Bom, então está decidido que o faremos, não é verdade”? Qualquer oposição que se esboce é imediatamente neutralizada. Normalmente apenas se pode reconsiderar uma decisão tomada, quando se pretende reconstituí-la para compreender como se processou e verificar se o método é ou não o mais adequado.

Apresentam-se seguidamente, alguns dos métodos segundo os quais os grupos efectuam as suas tomadas decisão:

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 Decisão tomada automaticamente. Exemplo: “Parece-me que nós deveríamos fazer a nossa apresentação” … silêncio. (Decisão por omissão);

 Decisão tomada individualmente. “Creio que nos deveríamos apresentar, eu sou o Mário Costa…” (Decisão tomada por um só);

 Decisão tomada entre dois membros. “Penso que seria mais proveitoso se nos apresentássemos?” “Eu acho que sim, o meu nome é João Diogo. (Decisão tomada por dois membros do grupo que se apoiam entre si).

 “Alguém se opõe?” ou Estamos todos de acordo”. (Decisão tomada por uma maioria – um ou mais).

 Votação por maioria-minoria. (Decisão por maioria).

 Votação simples. “Vamos ver qual a posição de cada membro, o que é que pensa disto”?

 Verificação de consenso. Consiste em examinar para verificar se há oposição e para determinar se esta é suficientemente forte para neutralizar essa tomada de decisão. Aqui não se pretende exactamente uma unanimidade, mas apenas um consenso geral quanto aos aspectos básicos.

As normas podem ser enganadoras. Por exemplo, em certos casos sucede que a decisão posta a votação (uma atitude muito democrática, pois a votação é considerada um acto democrático) poderá de facto ser tomada por um só indivíduo ou por dois que se inter-apoiem. Num desses casos, um membro do grupo que esteja atento compreenderá o que se passa e insistirá para que o grupo esteja bem esclarecido quanto ao método a seguir para uma tomada de decisão. De facto, a decisão tomada por um grupo relativamente ao modo como se processará a tomada de decisão, poderá ser um elemento isolado da maior importância, relativamente ao modo como ele funciona como grupo que é. 9. Comportamento do grupo em função do indivíduo

O comportamento no grupo pode ser encarado segundo o ponto de vista ditado pelo que parece ser a finalidade ou função. Quando num grupo um membro diz qualquer coisa, pode-se perguntar: estará ele primeiramente a tentar resolver a tarefa do grupo? (tarefa), Está a melhorar ou mediar alguma das relações entre membros do grupo? (manutenção), Ou está a satisfazer alguma necessidade pessoal ou objectivo próprio, sem considerar os problemas do grupo? (comportamento de orientação individual).

9.1 Os comportamentos relevantes para a realização da tarefa

O trabalho ou tarefa proposta ao grupo envolve, por via de regra, um conjunto de actividades que poderão ser tipificadas nos seguintes passos:

Introdução. Proposta da tarefa ou objectivo. Definição de um problema do grupo.

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Procura de informações ou opiniões. Pedido de dados. Procura de informações

relevantes acerca do assunto a debater pelo grupo. Pedido de uma declaração ou avaliação. Solicitação de expressões de valor. Procura de sugestões ou ideias…

Dar informações ou opiniões. Pôr dados ao dispor. Providenciar informações

relevantes sobre o assunto a ser debatido pelo grupo. Declarar uma ideia sobre um determinado assunto perante o grupo. Dar sugestões e ideias.

Trabalho de clarificação e de elaboração. Interpretar ideias e sugestões. Esclarecer

pontos confusos. Definir as palavras. Indicar perante o grupo alternativas e pontos a debater.

Síntese. Reunião de ideias relacionadas entre si. Reafirmar as sugestões após discutidas

pelo grupo. Pôr à aceitação ou rejeição do grupo uma decisão ou conclusão…

Verificação de consenso. Pedir para se ver se o grupo se está a aproximar de uma

conclusão. Proceder a essa verificação por meio de uma sondagem, para assim verificar uma conclusão possível.

9.2 Preservação da coesão do grupo

São vários os tipos de comportamentos essenciais para que o grupo se mantenha numa ordem de trabalho eficaz, com bom ambiente e bom relacionamento, de modo a explorar as capacidades máximas dos seus membros. Esses comportamentos, expressam-se por:

Atitude harmonizadora. Consiste em tentar a reconciliação de desacordos, a redução de

tensões e em levar os membros do grupo a considerar o porquê das diferenças;

Atitude de abertura. Consiste em ajudar os outros a manterem-se comunicáveis entre si.

Em facilitar a sua a sua participação. Em sugerir normas que permitam observações partilhadas…

Atitude de encorajamento. Consiste em ser-se amistoso, afável e compreensível para

com os outros. Em indicar por meio de uma expressão facial ou de uma observação a aceitação da contribuição dos outros…

Atitude de compromisso. Consiste em alguém, sempre que uma ideia própria ou

princípio próprio estiverem envolvidos em situação de conflito, oferecer um compromisso que respeite esse ponto atingido. Admitir erros. Modificar-se no interesse da coesão ou do desenvolvimento do grupo…

Estabelecimento e verificação de padrões. Consiste em verificar se o grupo está

satisfeito com as normas que segue, ou se pretende sugerir novas normas. Em salientar normas explícitas ou implícitas que tenham sido criadas para serem postas ao dispor dessa verificação…

Todos os grupos necessitam de ambos os tipos de comportamentos e necessidades para alcançar um equilíbrio adequado da tarefa e actividade de manutenção.

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Os processos até aqui descritos referem-se às tentativas do grupo para trabalhar, para resolver problemas de produção e manutenção. Porém, existem nos grupos muitas forças activas que perturbam o trabalho, que representam uma espécie de sub-mundo emocional ou uma sub-corrente na corrente, que é a vida do grupo. Estes pontos emocionais subjacentes produzem uma variedade de comportamentos que interferem com o funcionamento eficaz do grupo, podendo mesmo destruí-lo. Os grupos ignoram frequentemente tais pontos ou desprezam-nos em detrimento da realização da tarefa, bem como do amadurecimento do(s) indivíduo(s), cujo comportamento se baseia em necessidades particulares.

Um grupo eficiente reconhecerá o que se está a passar, tentará identificá-lo e de seguida encontrar uma solução que possibilite que essas mesmas energias emocionais sejam canalizadas no sentido dos esforços do grupo. Os problemas emocionais básicos, são os seguintes:

Identidade. Quem sou eu neste grupo? Onde me enquadro dentro dele? Qual é o tipo de

comportamento aqui aceitável?

Objectivos e necessidades. O que é que pretendo do grupo? São os objectivos do grupo

compatíveis com os meus próprios objectivos? O que é que eu tenho para oferecer ao grupo?

Poder, controlo e influência. Quem controlará aquilo que faço? Quanto poder e quanta

influência tenho ao meu dispor?

Intimidade. Até que ponto nos aproximaremos uns dos outros? Pessoalmente até que

ponto? Até que ponto poderemos confiar uns nos outros? Poderemos alcançar um maior grau de confiança?

Como responder a estes problemas? As respostas poderão ser muito diversificadas, como se segue:

Dependência-Contradependência. Oposição ou resistência a todo aquele que representa

autoridade no grupo (R. Bion).

Atitude de luta e controlo. Afirmação do domínio pessoal, tentativa de ir com a sua

avante, sem ter consideração pelos outros.

Retirada/fuga. Tentar remover as fontes de possíveis sentimentos desagradáveis,

abandonando o grupo psicologicamente.

Conluios. Procurar ter dois ou três elementos do grupo como aliados, formando assim

uma espécie de subgrupo emocional ao abrigo do qual os membros se protegem e apoiam mutuamente.

O conjunto de fenómenos comportamentais referidos tem necessariamente influência na vida e na dinâmica do grupo e sobretudo, nos resultados por ele alcançados.

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Notas finais

São vários os fenómenos passíveis de ser observados no processo de construção de um grupo. O que é importante e que deve ser observado, varia com o que o grupo está a fazer, com as suas necessidades, com o objectivo do observador e com muitos outros factores. É melhorando a capacidade de observação do que está a acontecer no grupo que se podem recolher dados importantes para a compreensão dos fenómenos que ocorrem, tornando possível verificar o papel e a contribuição de cada membro para o resultado obtido pelo grupo, ou seja, a sua produtividade individual.

Nesta perspectiva, a eficiência de cada um resultará da sua capacidade de combinar os papéis de participante, observador, coordenador e líder, influenciando decisivamente a execução da tarefa cometida ao grupo, sem contudo deixar de ser capaz de dispor de uma “ visão” que lhe permita observar como é que o grupo está a funcionar. O conjunto destas informações deve ser partilhado com o grupo nos momentos oportunos, para este o ajudar a lidar com situações de manutenção e atitudes bloqueadoras resultantes de necessidades orientadas individual e egoisticamente.

Para que a observação do grupo em funcionamento seja objectiva e fundamentada, é essencial criar modelos que estandardizem o processo de anotação das observações.

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Realça-se, contudo, que no processo de avaliação do trabalho de grupo o mais relevante se situa no plano do comportamento e não no produto final, ou seja, a atenção dos observadores concentra-se preferencialmente no processo interno.

Sublinha-se a título meramente indicativo, que é com base nas informações recolhidas no processo interno dos grupos que são tomadas decisões no âmbito da selecção de pessoas para o exercício funções laborais.

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Referências

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